Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

Filiado a FIESP

Tera-feira, 13 de Novembro de 2018






Associe-se!
Clique aqui e conheça as vantagens

O setor siderúrgico ensaia um novo ciclo de crescimento a partir da gradual retomada de encomendas da construção civil, montadoras e fabricantes de máquinas e equipamentos e do otimismo de que a economia brasileira decole sob um novo governo, em 2019. Após anos de paralisia, planos de expansão e religamento de alto fornos começam a ser discutidos.

Mas, diante dos elevados custos de produção internos, da guerra comercial deflagrada pelo governo americano e do excesso de 545 milhões de toneladas de aço no mundo, persistem incertezas sobre a duração e o vigor da recuperação do segmento, cujo ciclo será diferente do visto na década passada. Pressionadas pela crise do setor e da economia nacional, as siderúrgicas brasileiras deverão ser menos integradas e internacionalizadas, com redução dos investimentos em usinas fora do Brasil, onde deverão travar disputa ainda mais acirrada por participação de mercado.

Entre os novos investimentos está o anunciado no início do mês pela a ArcelorMittal. Serão US$ 330 milhões para a implantação de uma nova linha de recozimento contínuo e a terceira linha de galvanização para produção de produtos laminados a frio e galvanizados em sua unidade de São Francisco do Sul (SC). O investimento aumentará a capacidade da fábrica em 700 mil toneladas por ano – o início da produção adicional está previsto para 2021.

A Usiminas, que em 2016 tinha uma geração de caixa por trimestre de cerca de R$ 300 milhões, quase dobrou esse valor neste ano. Foram R$ 580 milhões nos dois primeiros trimestres de 2018. A empresa, que desligou no início de 2016 as áreas primárias de sua unidade em Cubatão (SP), está estudando o religamento e a possibilidade de construção de uma quarta linha de galvanização, já que as outras três operam a plena carga. Mas tudo está sendo feito sob cautela. “Estão sendo estudados, mas ainda não temos decisão dentro da companhia, nem de timing nem de montante, e isso poderá levar anos de maturação”, diz Alberto Akikazu Ono, diretor-vice-presidente de finanças e de relações com investidores da companhia.

A Gerdau, que anunciou recentemente venda de ativos no Chile e de hidrelétricas no Brasil, também sente a retomada no país e o aumento das margens em sua operação nos Estados Unidos, por conta das políticas protecionistas do governo americano. “Os preços no Brasil estão com um leve sinal negativo ou em equilíbrio com os internacionais e ele só deve se tornar positivo com uma retomada mais intensa do Brasil”, afirma o presidente, Gustavo Werneck. No Brasil, a empresa irá reforçar sua linha de aços especiais voltados ao segmento de energia eólica e está abrindo escritório no Vale do Silício, onde ficará mais perto de um dos maiores ecossistemas de inovação do mundo. “Queremos buscar melhores margens.”

A CSN, que vendeu no início do ano a siderúrgica que tinha nos Estados Unidos, por cerca de US$ 400 milhões, e poderá vender suas usinas em Portugal e na Alemanha para reduzir o endividamento, prevê um segundo semestre positivo. “Vemos de forma bastante otimista o terceiro trimestre, seja em minério, seja em aço. Acreditamos em uma reação de preços, estamos nos propondo a um novo aumento no mês que vem”, disse o presidente, Benjamin Steinbruch, em teleconferência com analistas em agosto.

Sobre a recuperação futura pesam três incertezas: o custo Brasil; a ociosidade das usinas brasileiras, que operam hoje a 68% de sua capacidade; e o temor de que a retomada da economia possa ser abastecida por uma parcela crescente de importações, que hoje é de 12% do consumo nacional, o dobro da média histórica.

“A prioridade das usinas é fazer crescer a utilização da capacidade e impedir que a importação cresça, difícil vislumbrar novos grandes investimentos”, afirma o presidente-executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes. “A siderurgia brasileira está operando abaixo do nível de capacidade instalada adequado desde 2009. Portanto, com exceção de um único projeto, todos os demais que entraram em operação e acarretaram ampliação de capacidade instalada nesta década no país foram concluídos por terem sido concebidos antes da crise. Assim é pouco provável que se vislumbre um novo ciclo de grandes investimentos no país”, diz Germano Mendes de Paula, professor do Instituto de Economia e Relações Internacionais da Universidade Federal de Uberlândia.

O excesso de capacidade é resultado da desaceleração mundial do setor e da expansão da China, que ampliou em seis vezes sua produção entre 2000 e 2017, para pouco mais de 830 milhões de toneladas, quase um terço da capacidade nominal mundial da indústria siderúrgica. Entre 2000 e 2008, a taxa anual média de crescimento das usinas foi de 6,3%. No período 2009 a 2019, caiu para 2,6%. Para 2018, espera-se um aumento de 1,8% e de apenas 0,7% em 2019.

Entre as 50 maiores empresas da siderurgia mundial, de acordo com o ranking da World Steel Association, 18 são empresas estatais, das quais 16 chinesas. “Do descasamento de um crescimento vertiginoso da capacidade instalada com uma demanda fraca, gerou-se um excesso estrutural de capacidade. O problema é que, num setor que tem elevadas barreiras à saída, inclusive por pressões governamentais, é muito difícil fechar uma usina definitivamente”, afirma Mendes de Paula.

Apesar das incertezas, a siderurgia nacional vive, desde o ano passado, um ciclo positivo, depois de três anos no vermelho. O câmbio inibe as importações e a demanda voltou. Hoje os três principais clientes da indústria são: construção civil, com 38,1% do consumo de aço, máquinas e equipamentos, com 21,4%, e automotivo, com 19,6%. “O setor automotivo voltou com vigor e estamos trabalhando para que as encomendas do setor de óleo e gás demandem aço nacional; a mudança da regra de conteúdo local é ruim”, observa o presidente do Instituto Aço Brasil.

O cenário do aço exemplifica o quadro vivido pela indústria de transformação no país: em 1985, os industriais respondiam por quase um quarto do PIB e as exportações de manufaturados respondiam por 1,5% das mundiais, mesmo patamar da China, que consumia então 34 kg de aço per capita, um terço da média brasileira. Três décadas depois, o Brasil mantém seu consumo de aço em cerca de 100 kg por habitante e 1,5% de exportações de bens industriais no mundo, enquanto a indústria nacional de transformação represen 10% do PIB. Já os chineses se tornaram a segunda maior economia do planeta e consomem hoje cerca de 520 quilos de aço por habitante, 15 vezes mais do que na década de 1980.

No primeiro semestre, a indústria de aço confirmou sua gradual trajetória de recuperação, segundo o Instituto Aço Brasil. As vendas internas subiram cerca de 10%, com 8,8 milhões de toneladas de aço comercializadas. O consumo aparente atingiu 10,1 milhões de toneladas, alta de 9,3%. A produção cresceu 2,9%. A greve dos caminhoneiros trouxe prejuízos de R$ 1,1 bilhão, alta de R$ 1,8 bilhão em custos com a adoção da tabela frete e redução do otimismo para esse segundo semestre. O Instituto Aço Brasil prevê aumento das vendas internas de aço em 5% em 2018, enquanto a produção deve aumentar 4,3% em relação ao ano passado e o consumo aparente de aço deve subir 4,9%. As estimativas são mais baixas do que as anunciadas em janeiro, quando se projetava alta de 8,6% na produção e de 6,6% na venda de aço no país.

Fonte: Abinee / Valor

Redação On agosto - 21 - 2018
  • Central de atendimento
  • Telefone: (11) 3285-3522 / e-mail: sicetel@sicetel.com.br
Associe-se!
        Clique aqui
Cadastre seu e-mail e receba periodicamente notícias do SICETEL.