Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

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Quarta-feira, 19 de Dezembro de 2018






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EUA e UE querem solução imediata sobre tarifas ao aço

O secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, disse nesta quinta-feira (26) que Washington e Bruxelas estão buscando uma solução imediata para os impostos ao aço e ao alumínio.

“O primeiro problema que vamos negociar são as tarifas (americanas) sobre o aço e o alumínio e as represálias” (europeias), declarou Mnuchin em entrevista à rede CNBC.

“O primeiro passo é resolver esses problemas de imediato para que não haja tarifas de nenhuma das partes”, acrescentou.

Ele afirmou ainda que os EUA esperam alcançar um “princípio de acordo” em breve, no âmbito da renegociação do Acordo de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta, na sigla em inglês), com México e Canadá.

“Temos esperança de obter um princípio de acordo em um futuro próximo”, disse Mnuchin, na mesma entrevista.

Ainda segundo ele, o presidente americano, Donald Trump, está concentrado em um acordo e quer “se assegurar de que resolverá os problemas”, o que pode acontecer por meio de “um, ou dois, acordos”.

Macron quer ver gesto claro dos EUA sobre tarifas ao aço e alumínio

O presidente da França, Emmanuel Macron, disse nesta quinta-feira (26) que quer ver gestos de Washington em relação às tarifas sobre o aço e o alumínio e que se opõe à abertura das negociações para um amplo acordo comercial entre a União Europeia (UE) e os Estados Unidos.

“Não sou a favor de iniciar uma negociação sobre um amplo acordo comercial como o TTIP [Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento] porque o contexto não permite isso”, disse Macron em entrevista coletiva em Madri.

Além das tarifas de importação americanas sobre o aço e alumínio do bloco, que chamou de “ilegais”, o presidente francês criticou a inclusão de questões agrícolas nas negociações comerciais com os EUA.

Na quarta-feira (25), o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, concordaram em suspender a aplicação de novas tarifas e iniciar negociações para resolver suas diferenças comerciais, depois de algumas concessões do lado europeu.

Fonte: AFP

‘Guerra comercial acontece há anos e estávamos perdendo’, diz Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira que o seu país não está “começando” uma guerra comercial. “A guerra comercial já acontece há anos e nós estávamos perdendo, mas agora estamos ganhando”, acrescentou. Em um comício na fábrica da siderúrgica US Steel em Granite City, no Estado de Illinois, o americano defendeu que, antes de sua chegada à Casa Branca, os EUA eram vistos no comércio global como um “bobão gordo e largado” de que todos conseguiam “se aproveitar”. “Mas agora estamos contra-atacando”, exclamou.
Na sua visão, a economia americana está agora “muito melhor que a da China e que a de qualquer país da Terra”. “Temos os piores acordos comerciais da história, mas, agora, eles estão se tornando bons de novo.
“Trump celebrou o entendimento alcançado em reunião na Casa Branca com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, por um trabalho conjunto para zerar tarifas, barreiras e subsídios sobre bens industriais, à exceção dos setores automotivo e siderúrgico. “A União Europeia entendeu que suas tarifas sobre carros americanos estão erradas”, alegou.
Nesse contexto, Trump comentou também que a China “tentou prejudicar agricultores americanos” e “roubar propriedade intelectual” no país. “Mas a UE concordou em comprar quase imediatamente um grande volume de soja dos nossos agricultores”, ponderou. Em um aceno à plateia, o presidente dos EUA afirmou repetidamente que o país “precisa de aço”. “Estamos recriando uma indústria gigante” com a atual política comercial, defendeu.

Fonte: O Estado de São Paulo

 

 

 

 

EUA, Canadá e México poderão fechar acordo provisório em agosto

O representante de Comércio americano, Robert Lighthizer, disse nesta quinta-feira (26) que Estados Unidos, Canadá e México poderão chegar a um entendimento provisório para renovar o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta) no mês que vem.
“Vocês provavelmente esperam ter alguma conclusão no decorrer de agosto, e minha sensação é que esse é um período de tempo razoável se todos quiserem conclui-lo”, disse ele a senadores nesta quinta-feira.
O cronograma atenderia ao objetivo mexicano de assinar o acordo antes de o presidente Enrique Peña Nieto deixar o cargo, em dezembro. Isso porque a legislação comercial americana exige um período de maturação de três meses para que um acordo como esse possa ser assinado.
“Minha esperança é que, antes, teremos uma conclusão a respeito do México e que, como resultado disso, o Canadá entre e comece a se comprometer”, disse Lighthizer.

Fonte: Valor Econômico

Comércio do Brasil com Brics avança, mas agenda mudou em dez anos

Presidentes dos países estão reunidos em Joanesburgo, na África do Sul

A 10º reunião de Cúpula do Brics, com chefes de Estado do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, em Joanesburgo, na África do Sul, evidencia a mudança de agenda do bloco.

A agremiação dos países foi diplomaticamente criada, no esteio da crise financeira internacional de 2008, com o objetivo de aumentar atuação e o poder de voto dos países emergentes em organismos multilaterais como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI).

“A associação tinha objetivo principal de reformar as instituições de governança financeira globais”, lembra Guilherme Casarões, professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas.

Segundo o especialista, em vez daquela agenda, os países adotaram a defesa do comércio multilateral e avançaram na criação do Novo Banco do Desenvolvimento, chamado “Banco do Brics”, que poderá ter escritório regional em São Paulo após decisão na reunião de cúpula.

Para Casarões, o Brics “não é um bloco a reboque da China”, mas a desigualdade das economias limita o potencial de comercialização entre os parceiros. A pauta de exportação do Brasil, por exemplo, se destaca pelo predomínio de produtos de menor valor agregado como carne, soja e minério de ferro.

Na avaliação de Casarões, o momento político do Brasil, com eleições marcadas para 7 de outubro, retira “margem de manobra” dos atuais negociadores. “A incerteza eleitoral torna muito difícil que o Brasil assuma posições definitivas como a disputa entre a China e os Estados Unidos”, assinala.

O ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Jorge de Lima, admite que o destino político do Brasil “causa curiosidade”, mas aos interlocutores que indagam sobre a perenidade das políticas comerciais lembra que “a burocracia é sólida, formada por carreiras públicas como corpo diplomático e de comércio exterior, que continuará trabalhando com a visão de Estado. A orientação é continuar avançado”.

O ministério divulgou dados que registram o incremento do comércio com os parceiros dos Brics. “De janeiro a junho deste ano, o Brasil exportou US$ 33,1 bilhões para Rússia, Índia, China e África do Sul. Houve um crescimento de 5,4% em relação ao mesmo período do ano passado, quando a venda para esses países somou US$ 31,4 bilhões. As importações somaram, neste ano, US$ 18,3 bilhões, o que resulta em um superávit comercial de US$ 14,8 bilhões”.

Fonte: Agência Brasil

Acordo Mercosul e UE avança

O presidente da República, Michel Temer, indicou ontem que o Mercosul poderá chegar, em setembro, a um termo de acordo de livre comércio com a União Europeia. As tratativas começaram no fim da década de 1990, e ainda há cerca de 30 questões pendentes, segundo ministros do governo. Temer negou que o acordo fechado pelos Estados Unidos com a União Europeia afete as negociações do Mercosul com o bloco.

“As conversações continuam, há uma reunião marcada novamente. Eu e o presidente Macri (Argentina) nos esforçamos muito para isso ao longo do tempo. E não é improvável que, em setembro, se consiga fechar esse acordo. Eu acredito”, disse o presidente, durante a 10ª Cúpula dos Brics — bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

Segundo o ministro Blairo Maggi (Agricultura), um dos entraves ao acordo é a tarifação zero do vinho nos blocos. Além dos europeus, que possuem forte produção e exportação da bebida, Uruguai e Argentina, produtores tradicionais na América do Sul, são a favor. Mas, segundo o ministro, a ainda incipiente indústria nacional poderia ser extremamente prejudicada com a medida, afetando inclusive, o turismo do Sul do país.

Temer disse que as reuniões do Brics ontem foram produtivas por terem acertado a instalação de uma sede do Novo Banco de Desenvolvimento no Brasil. “Estamos levando para São Paulo uma sucursal do Banco do Brics e também um escritório a Brasília, além de um memorando de cooperação aérea entre os vários países”, afirmou. O presidente russo, Vladimir Putin, foi outro que demonstrou interesse em abrir um escritório do banco em seu país, onde já há 21 projetos com a instituição. De acordo com ele, com o Banco dos Brics, as empresas de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul passarão a ter mais acesso ao crédito e poderão, portanto, apresentar um melhor desenvolvimento.

Encontros

O presidente disse ontem que pediu ao líder da China, Xi Jinping, que retire a sobretaxa sobre exportações brasileiras de carne de frango e açúcar. Temer também apelou ao chinês para que abra o mercado a produtos derivados de soja processados, como óleo e farelo. Segundo ele, houve receptividade à proposta. “Pedimos a ele (Xi Jinping) que deixe um pouco de lado, digamos, a sobretaxa que houve em relação ao frango e ao açúcar, para que possamos aumentar nossas exportações”, disse, após deixar a reunião bilateral com o líder chinês na África do Sul.

Temer destacou que a reunião bilateral de ontem foi o quinto encontro de negociação entre os líderes do Brasil e da China, no qual tratam principalmente das exportações de produtos agrícolas. Segundo o presidente, ele mencionou na reunião bilateral os programas de privatização e concessões públicas e pedido aumento de investimentos privados chineses, principalmente nos leilões previstos de distribuidoras de energia elétrica da Eletrobras.

O presidente também disse ter se reunido em privado com Putin, ao longo do dia, e que discutiram relações para além da economia. “Ele propôs que fizéssemos nossos povos se unirem mais. Significa atividades, como partida desportiva, uma espécie de campeonato entre os países do Brics; fazer um festival de cinema e introduzir a cultura nas nossas relações”, disse.

Fonte:Correio Braziliense

Acordo Mercosul e UE avança

O presidente da República, Michel Temer, indicou ontem que o Mercosul poderá chegar, em setembro, a um termo de acordo de livre comércio com a União Europeia. As tratativas começaram no fim da década de 1990, e ainda há cerca de 30 questões pendentes, segundo ministros do governo. Temer negou que o acordo fechado pelos Estados Unidos com a União Europeia afete as negociações do Mercosul com o bloco.

“As conversações continuam, há uma reunião marcada novamente. Eu e o presidente Macri (Argentina) nos esforçamos muito para isso ao longo do tempo. E não é improvável que, em setembro, se consiga fechar esse acordo. Eu acredito”, disse o presidente, durante a 10ª Cúpula dos Brics — bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

Segundo o ministro Blairo Maggi (Agricultura), um dos entraves ao acordo é a tarifação zero do vinho nos blocos. Além dos europeus, que possuem forte produção e exportação da bebida, Uruguai e Argentina, produtores tradicionais na América do Sul, são a favor. Mas, segundo o ministro, a ainda incipiente indústria nacional poderia ser extremamente prejudicada com a medida, afetando inclusive, o turismo do Sul do país.

Temer disse que as reuniões do Brics ontem foram produtivas por terem acertado a instalação de uma sede do Novo Banco de Desenvolvimento no Brasil. “Estamos levando para São Paulo uma sucursal do Banco do Brics e também um escritório a Brasília, além de um memorando de cooperação aérea entre os vários países”, afirmou. O presidente russo, Vladimir Putin, foi outro que demonstrou interesse em abrir um escritório do banco em seu país, onde já há 21 projetos com a instituição. De acordo com ele, com o Banco dos Brics, as empresas de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul passarão a ter mais acesso ao crédito e poderão, portanto, apresentar um melhor desenvolvimento.

Encontros

O presidente disse ontem que pediu ao líder da China, Xi Jinping, que retire a sobretaxa sobre exportações brasileiras de carne de frango e açúcar. Temer também apelou ao chinês para que abra o mercado a produtos derivados de soja processados, como óleo e farelo. Segundo ele, houve receptividade à proposta. “Pedimos a ele (Xi Jinping) que deixe um pouco de lado, digamos, a sobretaxa que houve em relação ao frango e ao açúcar, para que possamos aumentar nossas exportações”, disse, após deixar a reunião bilateral com o líder chinês na África do Sul.

Temer destacou que a reunião bilateral de ontem foi o quinto encontro de negociação entre os líderes do Brasil e da China, no qual tratam principalmente das exportações de produtos agrícolas. Segundo o presidente, ele mencionou na reunião bilateral os programas de privatização e concessões públicas e pedido aumento de investimentos privados chineses, principalmente nos leilões previstos de distribuidoras de energia elétrica da Eletrobras.

O presidente também disse ter se reunido em privado com Putin, ao longo do dia, e que discutiram relações para além da economia. “Ele propôs que fizéssemos nossos povos se unirem mais. Significa atividades, como partida desportiva, uma espécie de campeonato entre os países do Brics; fazer um festival de cinema e introduzir a cultura nas nossas relações”, disse.

Fonte: Correio Braziliense

Brasil fecha primeiro semestre com rombo de US$ 3,5 bi em conta externa

O Brasil fechou o primeiro semestre com um rombo de US$ 3,586 bilhões nas contas externas, provocado, especialmente, por um aumento mais acelerado das importações do que das exportações, com relação ao ano passado.

Durante os primeiros seis meses de 2017, as vendas externas ajudaram o País a registrar um superávit de US$ 584 milhões, de acordo com dados do Banco Central (BC) divulgados ontem.

Na avaliação de especialistas, as importações devem continuar avançando em um ritmo maior que as exportações, porém a entrada de investimento direto, apesar de estar menor do que em 2017, cobrirá com “folga” o déficit em conta corrente do País.

No primeiro semestre, a balança comercial (diferença entre exportação e importação) registrou um superávit de US$ 27,4 bilhões, retração de 21,3% em relação a igual período do ano passado, quando o resultado ficou positivo em US$ 34,9 bilhões.

Enquanto as vendas externas cresceram 5,5%, para US$ 113,3 bilhões, as compras nacionais saltaram 18,4% no mesmo período, alcançando US$ 85,8 bilhões.

O coordenador do curso de administração do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), Ricardo Balistiero, diz que esse movimento de expansão das importações já era esperado com a recuperação do Produto Interno Bruto (PIB).

Segundo ele, apesar da expectativa de crescimento econômico ter recuado de 2,5% para 1,5% depois de maio, o País não deve interromper as compras. “Passada a greve dos caminhoneiros, a atividade econômica tem retornado ao ritmo normal de antes. Se um candidato reformista ganhar força nas eleições, é bem possível que as compras avancem mais”, comenta o especialista do IMT.

A professora de economia da ESPM, Cristina Helena, reforça, inclusive, que a greve impactou bastante os dados recentes de exportações. Ela avalia que o processo de desindustrialização faz com que seja praticamente impossível que o País deixe de importar insumo para a produção e como bens para o consumo.

“Esse é um fator mais estrutural da nossa economia. Já do lado conjuntural, eu diria que o ritmo das importações pode diminuir caso se realize um aperto fiscal no ano que vem”, complementa a professora.

De qualquer forma, Balistiero afirma que o ingresso de Investimento Direto no País (IDP) será mais do que o suficiente para cobrir o déficit em conta corrente. A expectativa do mercado financeiro é de que ingressem US$ 67,5 bilhões em IDP, ao passo que a projeção de déficit para a balança de pagamentos é de US$ 20 bilhões. Em 2017, o rombo na conta corrente brasileira foi de US$ 9,7 bilhões.

Apesar desse cenário positivo, o investimento direto recuou 17,5% no primeiro semestre, para US$ 29,8 bilhões. Segundo Balistiero, esse movimento tem a ver com um cenário de incerteza no mercado externo. Na avaliação dele, os países aguardam mais movimentos da política econômica do presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, para direcionar investimentos.

Com a política fiscal expansionista e o protecionismo de Trump, a perspectiva é de que o Federal Reserve (Fed) – Banco Central norte-americano – possa continuar elevando os juros, atraindo, portanto, mais capital para o país.

Em julho

O chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, disse ontem que, após a entrada de IDP de US$ 6,5 bilhões em junho, esse valor deve cair neste mês. Até 24 de julho, os ingressos de investimento direto somaram US$ 2,8 bilhões, e a estimativa do BC é a de que a entrada de investimentos chegue a US$ 4 bilhões no mês. “Se isso ocorrer, a entrada de IDP será da mesma magnitude de julho do ano passado”, afirmou.

Segundo Rocha o saldo negativo na conta de viagens internacionais é de US$ 946 milhões até o dia 24. Isso decorre de gastos no exterior de US$ 1,2 bilhão no mês e receitas de US$ 312 milhões. Já as despesas com viagens internacionais cresceram 10,2% até junho, contra igual período de 2017.

Fonte: DCI

China deve começar a se preocupar com Trump

Era quarta-feira, então a Europa agora não era mais vista como “inimiga” dos Estados Unidos, mas como uma “grande amiga”. Na próxima segunda-feira, talvez tudo volte a ser diferente. Ou talvez a Europa ainda esteja caindo bem para Donald Trump. A única pessoa que pode saber com certeza é Trump. Talvez nem mesmo ele tenha muita ideia. Meu palpite, no entanto, é que o cessar-fogo acertado entre ele e o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, vai se manter. Trump adora um aplauso e o acordo comercial de última hora com Bruxelas lhe rendeu aclamações nos dois lados do Atlântico. E a Europa ganhou um alívio. Já os presságios para a China pioraram de forma proporcional.

Isso já estava acontecendo antes de Trump tirar esse coelho da cartola. O aperto que ele tem exercido sobre a China agora provavelmente vai ser respaldado pelos europeus e pela comunidade empresarial americana. Ambos defendiam, há muito, que houvesse uma pressão combinada do Ocidente sobre a China, para que os investidores estrangeiros no país tivessem à disposição um campo de jogo igual para todos. Tanto União Europeia quanto EUA compartilham de preocupações quanto à transferência de tecnologia para China. Ambos têm aversão ao plano “Made in China 2025”, idealizado por Xi Jinping, tendo em vista que seu objetivo é conquistar participação no mercado de inteligência artificial. Trump se presenteou com mais espaço de manobra para continuar açoitando a China.

A probabilidade maior é a de que ele o aproveite. Há três forças conspirando para piorar as relações EUA-China. A primeira é política. Com a aproximação das eleições legislativas de meio de mandato nos EUA, a tentação de se valer do alarmismo contra a China vai crescer. Funcionou bem para Trump em 2016. Na época, ele acusou a China de violentar a economia dos EUA. Ele não disse nada similar quanto à Europa. Tanto na época quanto agora, a maioria dos americanos associava a devastação pós-industrial americana à China. Eles não acusavam a Europa de roubar empregos industriais. Tampouco culpavam a tecnologia, como seria de direito. É difícil ganhar uma eleição direcionando a mira contra robôs. Pequim representa um alvo testado e comprovado.

A segunda é geopolítica. Trump precisou da ajuda da China em seus primeiros 18 meses para intensificar a pressão sobre a Coreia do Norte. Sem sanções chinesas, seria difícil imaginar Kim Jong-un concordando com o desarmamento nuclear da Coreia do Norte. O incentivo oferecido foi acenar com o fim dessas sanções. Qualquer um poderia ter dito a Trump que Kim o estava manipulando. Seja como for, a China estará menos disposta a pressionar a Coreia do Norte. Já começou a abrandar as restrições fronteiriças. Quando o acordo com a Coreia do Norte ruir, Trump precisará culpar alguém. Trump provavelmente retomará exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul, o que provocará escalada nas tensões com Pequim.

Pequim também está no lado oposto da política de Trump em relação ao Irã. À medida que ele endurecer sua retórica contra o Irã, a Europa, a contragosto, vai consentir. Para a maioria das empresas europeias, as dores de perder negócios com os EUA teriam peso muito maior do que qualquer perspectiva de lucrar no Irã. Para a China, as contas são diferentes. Durante a iniciativa de isolar o Irã, Pequim foi os principal sustentáculo do país. A China vai se prontificar novamente. Desta vez, porém, vai estar em desafio a Trump.

Taiwan seria a perspectiva de retaliação mais suculenta para Trump. Ele já ensaiou isso antes. A primeira ligação de parabéns que recebeu pós-eleição de 2016 foi da líder de Taiwan, Tsai Ing-wen. Pequim optou por ignorar a quebra de protocolo. É improvável que volte a tratar Trump com moderação em uma segunda vez. Taiwan é para a China o que Cuba foi para os EUA na Guerra Fria – uma linha a não ser atravessada, traçada gritantemente. Pequim não vai tolerar nenhuma diluição da política de “uma só China” dos EUA.

A terceira é a falta de flexibilidade chinesa. As queixas de Trump sobre a Europa são exageradas e hipócritas. Contra a China ele tem argumentos mais sólidos. Se ele genuinamente quiser um acordo com a Europa na área de bens industriais, é possível conseguir um. O superávit da Europa com os EUA é metade do chinês. Ambos os lados do Atlântico já estão abertos a negociar. Há espaço para negociações criativas, se houver vontade.

A posição de Pequim, em contraste, é teológica. O plano do “Made in China” de Xi é para sua estratégia econômica o que Taiwan é para a identidade nacional da China. É algo não negociável. Aos olhos da China isso é razoável. A China perdeu prestígio no chamado “século da humilhação” nas mãos de potências coloniais. Agora está bem adentrada em seu século de reabilitação. Será necessário mais do que ameaças vazias para persuadir Xi a mudar de rumo.

EUA e China estão destinados a se confrontar? Não. Mas está cada vez mais fácil imaginar um confronto. Xi vai tentar entrar em um jogo de paciência. E encontrará oportunidades para deixar Trump declarar vitórias. Mas a margem para erro está encolhendo. Trump não é o tipo de presidente que espera pelo momento propício.

Fonte: Valor

Redação On julho - 27 - 2018
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