Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

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Sbado, 21 de Julho de 2018






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A Usiminas já considera retomar as áreas primárias da usina de Cubatão (SP), desligadas desde o início de 2016. Mas, ao menos por enquanto, o plano é voltar a operar com apenas parte da capacidade, especificamente um alto-forno e um lingotamento contínuo da aciaria, disseram três fontes ligadas à siderúrgica.

Esse tipo de medida custaria quase R$ 1 bilhão em investimentos e demoraria entre um e dois anos para ser efetivada, calculam duas das fontes. O Valor apurou que até agora esse é o projeto principal da área de engenharia industrial da companhia, ligada à vice-presidência industrial – chefiada por Tulio Chipoletti, indicado à diretoria pelo grupo Ternium / Techint.

Em reuniões internas, o alto escalão de Cubatão já admite que há esse estudo de viabilidade para voltar com apenas uma parcela da área primária. Faltam placas para a unidade e as que chegam são caras demais, dizem.

Procurada, a Usiminas enviou uma nota na qual afirma que “vem promovendo uma série de estudos para avaliar as melhores opções para o modelo de operação futura da usina de Cubatão”. Sem citar a retomada de um alto-forno, a siderúrgica diz que os estudos não têm prazo para conclusão e, após serem concluídos, devem passar pelo crivo do conselho de administração.

A deterioração da demanda brasileira por aço levou a Usiminas, em outubro de 2015, a anunciar o desligamento temporário de dois altos-fornos, aciaria, coqueria e sinterização em Cubatão. Desde então, a unidade funciona como uma laminadora, comprando placas de aço de terceiros, especialmente da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA) e do Pecém (CSP).

Mas há alguns problemas com essa estratégia de laminação. O primeiro, ao menos à primeira vista pontual, é o preço atual da placa. O material passou a valer mais de US$ 500 por tonelada, principalmente depois da seção 232 – que impôs tarifa de 25% ao aço importado nos Estados Unidos -, deixando pouca margem para se ganhar dinheiro transformando esse produto semielaborado. A bobina a quente, por exemplo, custa cerca de apenas US$ 40 a mais, revelando baixa rentabilidade.

Tomar uma decisão final sobre qual o destino de médio prazo da unidade paulista está entre as prioridades da empresa

Trazer de Pecém, que fica a mais de 3.000 quilômetros da Usiminas em Cubatão, torna a matéria-prima ainda mais cara por conta dos custos de transporte. Ao mesmo tempo, a CSA, que fica no Rio e hoje é controlada pela Ternium, também acionista da Usiminas, parece estar mais interessada no mercado exterior.

Por acordo, a usina carioca tem de enviar 2 milhões de toneladas por ano de placas ao Estado americano do Alabama, onde Nippon Steel & Sumitomo Metal – outra controladora da empresa mineira – e ArcelorMittal tocam outra antiga unidade da Thyssenkrupp. Além disso, analistas calculam falta de 3 milhões a 3,5 milhões de toneladas de placas na Ternium mexicana e racional econômico para que esse volume seja enviado para lá. A capacidade da CSA hoje é de apenas 4,5 milhões de toneladas, podendo chegar a 5 milhões de toneladas com investimentos.

“A Usiminas poderia também importar, se o preço não estivesse tão ruim”, disse um especialista ao Valor, em condição de anonimato. “Voltar com a área primária de Cubatão também é complicado, a sinterização e a coqueria teriam de ser refeitas totalmente. Para religar um alto-forno, no mínimo uma reforma completa, estrutural, de um ano seria necessária.”

Nesse plano da engenharia industrial, apenas uma parte da aciaria voltaria a funcionar com um alto-forno. Isso significa que a Usiminas teria de importar pelotas de ferro e carvão de coque.

“O que tem acontecido é que as placas às vezes chegam e às vezes não para serem laminadas. A situação está muito instável”, comentou outra fonte, que trabalha diretamente com a usina de Cubatão. “Falta placa no mercado brasileiro e o que chega aqui não tem compensado processar por conta do preço, então o plano de produção varia.”

Trabalhadores da unidade da Usiminas na Baixada Santista reclamam há mais de um ano que faltou manutenção dos equipamentos primários depois de serem desligados. Para alguns funcionários consultados pelo Valor, é muito difícil que um dia a usina, que antigamente era conhecida como Companhia Siderúrgica Paulista (Cosipa), volte a ser integrada. “Sucateou demais”, declarou um deles.

Tomar uma decisão final sobre qual o destino de médio prazo de Cubatão está entre as prioridades da Usiminas. Agora recuperada financeiramente e com um acordo de paz entre os controladores, que travaram uma disputa por quase cinco anos, a companhia mineira busca identificar os focos de investimento que podem lhe garantir maior retorno. Além da Cosipa, há um potencial de completa reforma do alto-forno 3 de Ipatinga (MG).

Fonte: IABr – Instituto Aço Brasil / Infomet

Redação On julho - 10 - 2018
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