Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

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Tera-feira, 17 de Julho de 2018






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Governo central tem superávit primário de R$ 7,187 bi em abril, melhor que o esperado

O governo central, formado por Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social, teve superávit primário de 7,187 bilhões de reais em abril, resultado acima do esperado para um mês que já é tradicionalmente positivo, divulgou o Tesouro Nacional nesta terça-feira. Em pesquisa Reuters, a expectativa era de um superávit de 2 bilhões de reais.
Em geral, abril tem resultados no azul em função da arrecadação com Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) e com participações especiais de petróleo, que são trimestrais.
Neste ano, contudo, a performance do governo central foi negativamente afetada pela decisão do Tesouro de antecipar para março e abril o pagamento de precatórios e sentenças judiciais. Em 2017, esse pagamento foi dividido entre maio e junho. Só em abril, foram pagos 10,7 bilhões de reais nesta linha.
Sob esse impacto, o superávit de abril caiu 43,2 por cento ante igual período do ano passado, em termos reais, no terceiro pior resultado para o mês da série histórica iniciada em 1997 e corrigida pela inflação. As despesas totais no mês tiveram uma alta real de 13,9 por cento sobre abril do ano passado, a 112,022 bilhões de reais.
A receita líquida total, por sua vez, teve alta de 7,4 por cento na mesma base de comparação, a 119,209 bilhões de reais. O rombo da Previdência foi de 12,160 bilhões de reais, enquanto Tesouro e BC tiveram juntos um superávit de 19,347 bilhões de reais. De janeiro a abril, o déficit do governo central somou 5,448 bilhões de reais, melhor que o rombo de 7,247 bilhões de reais em igual período do ano passado. No acumulado em 12 meses, o déficit é de 124,9 bilhões de reais, divulgou o Tesouro.
O governo vem reiterando a viabilidade da meta fiscal deste ano, de um déficit de 159 bilhões de reais, e o próprio mercado vê o objetivo sendo cumprido com uma folga de mais de 20 bilhões de reais, segundo relatório Prisma mais recente divulgado pela Fazenda. A mensagem foi repetida pelo ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, mais cedo nesta terça-feira. Falando a senadores em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), ele disse que a decisão do governo de bancar um desconto de 46 centavos de real sobre o preço do diesel até o fim deste ano para encerrar as paralisações de caminhoneiros não ameaçará o cumprimento da meta.
Regra de ouro
Em apresentação, o Tesouro informou que a insuficiência de recursos para o cumprimento da regra de ouro este ano é de 181,9 bilhões de reais, ante 203,4 bilhões de reais informados no último relatório. A regra impede o governo de emitir dívida para pagar gastos correntes, como salários e despesas da máquina pública.
“A insuficiência se reduziu devido à utilização de 7 bilhões de reais de recursos do Fistel (Fundo de Fiscalização das Telecomunicações) e, também, à redução da previsão de utilização de fontes de emissão no valor de 14 bilhões de reais, devido a realocações orçamentárias”, disse o Tesouro, acrescentando que para cobrir o buraco também trabalha em outras medidas, como pagamentos antecipados do BNDES, desvinculação de fundos e cancelamento de restos a pagar. Para 2019, o Tesouro calculou uma insuficiência de 260,2 bilhões de reais para o cumprimento da regra de ouro. Para 2020 e 2021, projetou uma insuficiência de 307,3 bilhões de reais e 228,4 bilhões de reais, respectivamente.

Fonte: Reuters

 

Greve cessa a folga fiscal do governo e impactará arrecadação até julho

O governo utilizará integralmente a folga de R$ 6,2 bilhões que tinha para o cumprimento da meta fiscal para a redução dos R$ 0,46 no preço do diesel.
A afirmação foi feita ontem pelo ministro do Planejamento, Esteves Colnago. Os impactos da greve dos caminhoneiros, porém, serão sentidos até julho, com queda na arrecadação. Mesmo assim, a expectativa é que o déficit primário continue dentro da meta de R$ 159 bilhões para este ano.
De acordo com o economista da Tendências Consultoria, Fabio Klein, as reestimativas para cima nas receitas totais – impulsionadas pela elevação do preço do petróleo e pela depreciação da taxa de câmbio – serão, agora, impactadas pelas medidas do governo para aliviar os preços dos combustíveis. “Tais movimentos [alta do preço do petróleo e câmbio] impulsionam receitas de impostos de importação e royalties e foi o que possibilitou a nova projeção da equipe econômica de déficit em R$ 152,8 bilhões [ante rombo de R$ 157,4 bilhões].
Mas são esses mesmos fatores que levaram à greve dos caminhoneiros, cuja paralisação deve gerar prejuízos econômicos e fiscais de dezenas de bilhões de reais”, explica Klein. Assim, ainda que o resultado primário de abril tenha registrado superávit de R$ 7,187 bilhões – acima da média prevista entre R$ 500 milhões e R$ 2 bilhões – a arrecadação deverá perder força até julho.
Segundo o economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Istvan Kasznar, somado ao impacto de curtíssimo prazo trazido pela greve, o segundo semestre também sentirá a pressão de acontecimentos internos e internacionais. “O quadro é complexo porque para os empresários, não é apenas o bloqueio nas estradas que conta, mas também as incertezas em torno das eleições e o choque externo do preço do petróleo, por exemplo. Isso também deve trazer uma retração na arrecadação que só amenizará em novembro”, comenta o economista da FGV.
O movimento tem dimensões, inclusive, para trazer um crescimento ainda menor do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. Para o economista e coordenador do curso de Administração do Instituto Mauá de Tecnologia, Ricardo Balistiero, as estimativas para a atividade econômica ainda sentirão os impactos negativos dos recentes acontecimentos. “É difícil fazer uma projeção exata de quanto esse alívio tributário custará, mas foi um erro grave que trará uma piora na condição fiscal no médio prazo”, comenta o especialista.
Ele reforça que, nesse sentido, os primeiros reflexos negativos começarão a vir já no segundo semestre de 2018. “A metade do crescimento de maio já foi prejudicado. Essa conta ainda trará uma parada na retomada da economia que estava acontecendo”, diz. Segundo Klein, as estimativas da Tendência foram mantidas em R$ 1,457 trilhão para a receita federal e em R$ 135,6 bilhões para o déficit primário. Resultados de abril O superávit de R$ 7,187 bilhões em abril ficou 41,4% menor do que o registrado em igual mês de 2017.
 O montante veio de receitas registradas em R$ 119,209 bilhões no mês contra despesas de R$ 112,022 bilhões. No quadrimestre, o déficit primário foi de R$ 5,448 bilhões, resultado 24,8% menor ante igual período de 2017 (déficit de R$ 7,247 bilhões).

Fonte: DCI

 

 

 

IGP-M acelera para 1,38% em maio, após alta de 0,57% em abril, aponta FGV

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) acelerou fortemente de 0,57% em abril para 1,38% em maio, divulgou na manhã desta terça-feira, 29, a Fundação Getulio Vargas (FGV). Assim, o indicador saltou de 1,89% para 4,26% em 12 meses. No ano, o acumulado registra elevação de 3,45% ante 2,05%.No mês, o resultado veio acima da mediana das estimativas do Projeções Broadcast, de 1,26%, e perto do teto, de 1,40%. O piso era de 0,92%.
Entre os três indicadores que compõem o IGP-M, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-M) avançou de 0,71% para 1,97% entre abril e maio. Por outro lado, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-M) desacelerou de 0,31% para 0,26%. Já o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M) passou de 0,28% para 0,30% no período. IPAs.
O forte avanço verificado no IGP-M entre abril e maio foi influenciado pelos produtos industriais no atacado, que subiram de 0,03% para 2,32% no IPA Industrial. Por outro lado, os itens agrícolas, medidos pelo IPA Agropecuário, desaceleraram de 2,74% para 0,98% entre abril e maio.
O aumento dos preços de combustíveis, que é alvo da greve dos caminhoneiros, fica claro no IGP-M. A taxa de combustíveis e lubrificantes para a produção quase dobrou de abril para maio (5,32% para 10,35%), pressionando a variação dos Bens Intermediários, que avançaram de 1,16% para 2,60%.Contudo, é preciso ressaltar que o indicador captou os preços de 21 de abril a 20 de maio, não sendo influenciado pelos desdobramentos da paralisação, que têm causado encarecimento de alguns produtos e começou no dia 21 deste mês.
Entre as outras etapas de produção, Matérias-Primas Brutas também mostrou alta forte, passando de 0,44% para 3,32%. Os destaques, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), que calcula o indicador, foram as altas de minério de ferro (-9,53% para 10,97%), aves (-4,37% para 1,77%) e café em grão (-1,09% para 2,97%).Somente a etapa de Bens Finais desacelerou, de 0,50% para 0,27%, com contribuição de alimentos in natura, cuja taxa de variação passou de 2,50% para -6,43%.
Principais influências 
Os combustíveis também estão entre as principais contribuições individuais para a alta do IPA em maio. O óleo diesel subiu de 8,36% para 12,98%, enquanto a gasolina automotiva avançou de 6,54% para 11,08%. Os outros itens que influenciaram mais a elevação do atacado no mês foram soja em grão (mesmo com a desaceleração de 6,52% para 5,67%) e farelo de soja (1,11% para 11,12%), além de minério de ferro. Já entre as principais influências de baixa nos preços do atacado neste mês estão cana-de-açúcar (0,15% para -3,05%), ovos (-0,84% para -9,28%), bovinos (-0,61% para -2,22%), mandioca (apesar da taxa mais alta, de -7,93% para -6,27%) e mamão (34,80% para -31,49%).

Fonte: O Estado de São Paulo

Inflação de produtos na saída das fábricas fica em 1,56% em abril

O Índice de Preços ao Produtor (IPP), que mede a variação de preços de produtos industrializados na saída das fábricas, registrou inflação de 1,56% em abril deste ano. A taxa é superior a março deste ano, de 1,08%, e a abril do ano passado, que teve deflação (queda de preços) de 0,11%. Os números foram divulgados hoje (29) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo o instituto, essa é a maior alta de preços mensal desde outubro de 2017 (1,8%). Com o resultado, o índice passou a acumular taxas de inflação de 3,54% no ano e de 8,03% em 12 meses.

Vinte e uma das 24 atividades industriais pesquisadas tiveram alta de preços em abril deste ano. As principais influências vieram do refino de petróleo e produtos de álcool (4,31%), alimentos (1,28%), indústrias extrativas (4,83%) e metalurgia (2%).

Apenas três atividades apresentaram deflação em seus produtos: bebidas (-1,91%), farmacêutica (-1,52%) e impressão (-0,41%).

As quatro grandes categorias econômicas tiveram inflação em seus produtos em abril, com destaque para os bens intermediários, isto é, os insumos industrializados usados no setor produtivo (2,26%). Os bens de capital, isto é, as máquinas e equipamentos, tiveram alta de preços de 1,9%. A inflação dos bens de consumo semi e não duráveis chegou a 0,34%, enquanto a alta dos bens de consumo duráveis ficou em 0,14%.

Fonte: Money Times

Governo criou um ‘cartel’, diz economista

A decisão do presidente Michel Temer de ceder às exigências dos caminhoneiros e criar uma tabela mínima de fretes para o transporte rodoviário de cargas formará um cartel no País coordenado pelo próprio governo, destacou o economista Marcos Lisboa, presidente da instituição de ensino superior Insper. “O País ficou mais confuso. Você acabou de criar um cartel, coordenado pelo governo”, disse ontem no Fórum Estadão A Reconstrução do Brasil, um País mais amigável aos negócios, realizado em São Paulo.

Para Marcos Lisboa, a possível redução do PIS/Cofins do diesel – uma das medidas anunciadas por Temer na tentativa de pôr fim ao movimento dos caminhoneiros – é mais um modo de tornar o sistema tributário brasileiro ainda mais complexo.

“O setor privado brasileiro tem sido pródigo em propor soluções estapafúrdias na contramão do ambiente de negócios, como essa (de eliminar o imposto sobre o diesel), e a sociedade acha razoável”, afirmou. “O setor privado bate o tempo todo em Brasília pedindo regime tributário especial. Não tem maior inimigo do empreendedorismo e do crescimento dos negócios do que alguns grupos de interesse do setor privado, e o pior é o Estado fraco que acha que desenvolvimento é dar benesse.”

Lisboa afirmou que, para haver um ambiente de negócios competitivo e que estimule o empreendedorismo no Brasil, é preciso criar um sistema tributário igual para todos os setores da economia. Isso, acrescentou ele, significaria que alguns grupos que hoje pagam menos impostos teriam de pagar mais. “Olha a dificuldade que está restabelecer a reoneração da folha de pagamentos. Então, não temos um sistema caótico à toa. A culpa não está em Brasília, está aqui. Nós somos cúmplices do pesadelo, pois pedimos regimes especiais”, disse ele, que foi secretário de Política Econômica no Ministério da Fazenda entre 2003 e 2005.

O economista ainda criticou o Simples, regime tributário que beneficia as empresas com faturamento bruto de até R$ 3,6 milhões por ano, e disse não ter conhecimento de um modelo semelhante em outro país. “Em geral, o benefício é para o microempreendedor (com faturamento) de US$ 100 mil.”

Reforma. Os regimes especiais de tributação também foram alvo do secretário de Promoção de Produtividade e Advocacia da Concorrência do Ministério da Fazenda, João Manoel Pinho de Mello, durante o evento. Segundo ele, a existência de vários desses regimes é uma dificuldade para que se crie consenso político para uma reforma tributária. “Se a produção é tão prejudicada pela estrutura tributária, deveria haver consenso político para a reforma. Por que não há? Todo mundo reclama do nível da carga, mas temos de ver quanto cada um paga. Temos mais de 40 regimes de tributação que diminuem a carga para alguns setores. Talvez seja por isso que ainda não se teve um consenso para a reforma.”

Segundo Pinho de Mello, o governo está prestes a apresentar um sistema não cumulativo para o PIS/Cofins, com a intenção de “começar pequeno” para mostrar para a sociedade que o modelo funciona. “Idealmente eu gostaria de mudar tudo, mas talvez querer mudar tudo ao mesmo tempo é a deixa para não conseguir mudar nada”, disse

Empreendedor. A diretora da organização de apoio ao empreendedorismo Endeavor Brasil, Camilla Junqueira, que também participou do debate, lembrou que a complexidade do sistema tributário é um dos maiores entraves para o empreendedor no País. Segundo ela, a falta de transparência e previsibilidade do sistema é um problema maior do que a carga de impostos em si (leia mais abaixo). Entre os empecilhos, ela também citou a burocracia para se abrir e fechar uma empresa e a dificuldade no acesso ao crédito.

PARA LEMBRAR

O Estado tem promovido, desde fevereiro, uma série de fóruns na capital paulista para debater os possíveis caminhos para a reconstrução do Brasil, tendo em vista as eleições de outubro. Já ocorreram quatro eventos, que tiveram a participação de gestores públicos, líderes políticos e representantes da sociedade civil. Mais dois encontros estão marcados para julho e agosto. Já participaram convidados como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, os juristas Nelson Jobim e Eros Grau, as economistas Ana Carla Abrão Costa e Elena Landau e o ex-ministro da Fazenda Antônio Delfim Netto. O nome da série faz referência ao livro A Reconstrução do Brasil, que reúne uma série de reportagens publicadas entre setembro de 2016 e janeiro de 2017.

Fonte: O Estado SP

‘A complexidade tributária é um dos grandes problemas’

Nos últimos quatro anos, a legislação do ICMS foi alterada uma vez a cada três dias, segundo levantamento da organização de apoio ao empreendedorismo Endeavor Brasil. Essas mudanças fazem com que o País seja um lugar árido para novos negócios prosperarem, diz a diretora-geral da organização, Camilla Junqueira. “Fica impossível para o empreendedor conseguir dar conta das mudanças. Isso tira a competitividade do empreendedor brasileiro em comparação com o global”, destacou ela, após o Fórum Estadão A Reconstrução do Brasil. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Quais os principais entraves econômicos e políticos no País para o empreendedor?

Tudo se resume à burocracia. Para o empreendedor, é como se ele corresse uma maratona com um elástico amarrado na cintura. A complexidade tributária é um dos grandes problemas. Não é nem a questão da carga, que obviamente também tem de ser trabalhada, mas, para o empreendedor, o importante é saber quais são as regras do jogo, ter a informação de forma mais transparente. A regra não pode ficar mudando o tempo inteiro. A legislação do ICMS foi atualizada 558 vezes nos últimos quatro anos em todos os Estados. É basicamente uma mudança a cada três dias. Fica impossível para o empreendedor conseguir dar conta das mudanças. Isso gera um custo de pessoal. Um e-commerce, por exemplo, tem de contratar uma equipe só para lidar com a questão do ICMS; Isso significa menos empregos direcionados para produção e inovação. Tudo isso acaba tirando a competitividade do empreendedor brasileiro em comparação ao empreendedor global. Os empreendedores querem ser cada vez mais globais, mas eles já começam com uma desvantagem, que é o nível de preocupação com coisas que não são o principal negócio da empresa.

No Fórum Estadão A Reconstrução do Brasil, a sra. comentou que o acesso ao crédito também dificulta o trabalho do empreendedor. Quais ferramentas poderiam simplificar isso?

O mercado de crédito no Brasil tem três restrições críticas. Uma é a soma de custos administrativos e exigências por parte direta do administrador. A outra é o custo de monitoramento do empréstimo e a terceira é o custo das garantias. A primeira afeta a quantidade das firmas tomadoras de crédito. É um problema de onde vem o recurso. As outras duas acabam afetando o volume de crédito dessas firmas no mercado. As agências de fomento têm de olhar para os negócios inovadores e entender que eles têm algumas especificidades diferentes. A própria garantia (para conceder crédito) não é tão simples. Não necessariamente o empreendedor tem um imóvel para dar como garantia. Então, existe uma flexibilização da garantia que é algo que se pode discutir. Outra coisa é justamente a regra do jogo. O empreendedor precisa conseguir navegar: saber onde estão as oportunidades de acesso ao crédito. No geral, para o empreendedor, isso é difícil. Tanto o acesso à crédito como a questão de tributo se resume a burocracia. Tudo é muito nebuloso. Se as regras estiverem mais claras e houver mais transparência, já é um ganho para o empreendedor.

O Brasil tem caminhado nessa direção ou as discussões para facilitar o empreendedorismo estão emperradas?

Em relação ao acesso ao crédito, o cadastro positivo tem pontos importantes que beneficiam o empreendedor. Tudo que torna as regras mais claras, ajuda de alguma forma. Mas temos um longo caminho pela frente. Temos de fazer com que as mudanças sejam perenes independentes das trocas de governo. A Redesimples (plataforma que unifica o acesso aos aplicativos de apoio para abertura de uma empresa), por exemplo, é uma ótima iniciativa, mas existe há 10 anos e não consegue ser implementada na ponta. Se a gente tirar as amarras (burocráticas), veremos mais empreendedores de alto crescimento e mais geração de empregos e riqueza.

Fonte: O Estado SP

‘Ter um Estado maior é pagar mais impostos’

A população brasileira precisa decidir se prefere pagar menos impostos ou se quer um Estado que resolva todos os seus problemas. Com essa provocação, o economista Pedro Malan, abriu o segundo painel do Fórum Estadão A Reconstrução do Brasil, um País mais amigável aos negócios, que aconteceu ontem na capital paulista.

Parte da equipe que criou o Plano Real, durante o governo Itamar Franco, Malan foi ministro da Fazenda de Fernando Henrique Cardoso e também trabalhou na reestruturação da dívida externa brasileira.

No evento de ontem, ele disse que não se pode subestimar a capacidade da população brasileira de reivindicar, ao mesmo tempo, impostos reduzidos e um governo grande. “Esse é o paradoxo, uma mistura tóxica, não resolvida, de uma população que não quer mais impostos, mas quer que o governo continue muito ativo na resolução de problemas.”

A lição que pode ser extraída do debate que tem ocorrido em torno da paralisação dos caminhoneiros, segundo Malan, é que a população está desalentada, mas continua exigindo que o governo resolva os seus problemas. Não se percebe, no entanto, que o Estado não produz recursos, que vem da tributação da geração atual, endividamento, inflação ou uso indevido de fundos de pensão.

O ex-ministro lembrou que, durante a transição do governo de Fernando Henrique Cardoso para o do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, participaram desse momento o atual presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn; o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia; e o presidente da Petrobrás, Pedro Parente. “Com essa equipe continuando, poderá ter papel importante na transição para o próximo governo”, afirmou.

Antes de pensar na transição para o próximo governo, no entanto, Malan defendeu que é preciso cobrar que o tema da responsabilidade fiscal esteja presente nos discursos dos candidatos. Para ele, os políticos precisam encontrar uma forma de passar essa mensagem para outros eleitores, que não sejam “convertidos” às suas ideias e deixar claro quem eles são, com quem trabalham, “para não ter estelionato eleitoral.”

Caminhoneiros. O ex-ministro também defendeu a permanência de Pedro Parente na presidência da Petrobrás, após o desgaste dos últimos dias, com a greve dos caminhoneiros. “Nós trabalhamos juntos no governo e acho que ele faz um ótimo trabalho na Petrobrás, dado o momento delicado e tudo o que fizeram com a empresa.”

No entanto, Malan lamentou que as ações da estatal e seu valor de mercado tenham caído nos últimos dias. “Sofremos um duplo golpe, com o preço do barril do petróleo chegando muito rapidamente a US$ 80 e com a alta dos juros nos Estados Unidos, que deixa mais atrativo investir a longo prazo nos títulos americanos, levando a uma desvalorização das moedas dos emergentes”, disse.

“Com o preço elevado, em um País que importa uma grande quantidade de diesel, há uma angústia com a correção automática de preços”, acrescentou o ex-ministro, que avalia que a expectativa agora é que, com os preços no mercado internacional não subindo mais tão rapidamente e o dólar com um comportamento mais estável, a Petrobrás consiga fazer o ajuste do preço do diesel somente a cada 30 dias, com a compensação a cada fim de mês.

Fonte: O Estado SP

Temer fala em “reexaminar” política de preços

No epicentro da campanha dos caminhoneiros contra a alta dos preços dos combustíveis, o presidente da Petrobras, Pedro Parente, afirmou ontem que, por ser uma empresa de capital misto, a empresa não está livre das influências do calendário eleitoral. Em meio a desvalorização das ações da empresa na bolsa desde a semana passada, o executivo, no entanto, tentou acalmar os ânimos do mercado e garantiu que as mudanças propostas pelo governo não afetarão a essência da política de preços do diesel. Mas uma declaração do presidente Michel Temer pode mudar esse quadro.

Depois das declarações de Parente, por volta de 19h, no entanto,Temer afirmou, em entrevista à TV Brasil, que o governo pode “reexaminar” política de preços de combustíveis da Petrobras. Na entrevista, Temer disse: “A Petrobras se recuperou ao longo desses dois anos. Estava em uma situação economicamente desastrosa há muito tempo, mas nós não queremos alterar a política da Petrobras. Nós podemos reexaminá-la, mas com muito cuidado.”

O problema é que, supostamente por problemas no som, a fala de Temer chegou a ser veiculada como “não podemos reexaminá-la”. A assessoria de imprensa do Palácio do Planalto, porém, esclareceu as declarações, após pedidos para evitar interpretações dúbias da frase, o secretário de Imprensa do Planalto, informou que o presidente queria dizer: “Não queremos alterar a política da Petrobras. Nós podemos reexaminá-la, mas com muito cuidado”.

Mais cedo, Parente destacou que a paralisação dos caminhoneiros colocou a política de preços da Petrobras nos “holofotes”, no meio de uma “discussão pública muito intensa” personificada em sua figura. Ele afirmou, no entanto, que os resultados econômicos da petroleira serão mantidos mesmo com o fim dos reajustes diários. O governo propôs que os preços do combustível sejam reajustados mensalmente.

“Pode ser que haja uma mudança em alguns aspectos na política de preços, mas certamente nosso objetivo não é produzir redução no resultado econômico dessa política, isso está alinhado com o governo”, disse o executivo, em teleconferência com analistas, em meio à recuperação das ações na bolsa.

Ontem, as ações ordinárias da empresa subiram 12,78% (R$ 22,32), enquanto as preferenciais avançaram 14,84%, cotadas a R$ 19,42.

Parente disse que a estatal ainda aguarda a redação de Medida Provisória e decreto presidencial que trarão os detalhes de como se dará o reembolso à companhia pela subvenção de R$ 0,30 no preço do litro do diesel. Ele não descarta a possibilidade de que o governo defina uma fórmula para os reajustes da petroleira, mas afirmou que, qualquer que seja a metodologia aplicada, “os preceitos da política de preços seriam respeitados”.

Em conversa com os investidores, Parente reconheceu que a credibilidade da Petrobras foi afetada na semana passada, quando a empresa anunciou uma redução de 10% nos preços do diesel, na tentativa de desmobilizar a paralisação dos caminhoneiros. “Mas precisávamos fazer um movimento para abrir o diálogo entre o governo e os caminhoneiros. Tivemos coragem e responsabilidade”, justificou o executivo da Petrobras.

Ele também defendeu que os sinais de avanço na gestão são nítidos e que a empresa mantém a confiança no cumprimento dos compromissos assumidos com o mercado no plano de negócios da petroleira – que prevê desinvestimentos de US$ 21 bilhões entre 2017/2018 e uma redução da alavancagem, medida pela relação dívida líquida/Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) das atuais 3,5 vezes para 2,5 vezes.

Parente saiu em defesa da criação de uma tarifa de importação sobre o diesel, para preservar a participação de mercado da petroleira nos momentos em que os preços praticados pela companhia estejam abaixo da paridade internacional. “[A tarifa de importação do diesel] É importante para preservarmos nossa condição de ter escolhas entre margem e market share”, afirmou.

Ele defendeu também que, nas regras de subvenção dos preços do diesel, o acerto de contas com a Petrobras aconteça “no menor espaço de tempo possível”. Para Parente, o ideal é que o reembolso seja feito mensalmente, “ainda dentro do próprio mês” de referência.

Ao comentar sobre os impactos das recentes medidas do governo sobre a imagem e credibilidade da companhia, Parente defendeu que a empresa atuou nos últimos anos para se blindar de eventuais interferências externas, ao incluir no seu estatuto social a obrigação de compensação financeira à petroleira, em casos de práticas de subsídios.

“Tentamos mostrar a maneira de gerir a Petrobras e criar condições para proteger a empresa. Nenhum dos nossos artigos legais estão sendo arranhados”, afirmou Parente.

O executivo também descartou que o debate em torno das mudanças na política de preços traga consequências sobre o programa de desinvestimentos no refino e sobre os demais eventos da empresa, como, por exemplo, a renegociação do contrato da cessão onerosa. “Nosso sistema de gestão está completamente operante”, disse.

Segundo ele, no entanto, as dificuldades enfrentadas na negociação da cessão onerosa continuam e ainda há uma questão jurídica que precisa ser esclarecida para a conclusão das negociações com a União.

Fonte: Valor

MP do frete será alvo de estudos, afirma Cade

A medida provisória que estabelece valor mínimo para o frete não agradou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que prepara um estudo técnico sobre ela. A afirmação é do presidente da autoridade antitruste, Alexandre Barreto, que participou ontem de debate no plenário da Câmara dos Deputados sobre o alto preço dos combustíveis. A própria greve dos caminhoneiros é alvo de investigação pelo Cade, que também realizou uma sessão extraordinária e autorizou a Petrobras, Ipiranga e Raízen a compartilharem suas infraestruturas logísticas para regularizar a venda de combustível o mais rápido possível.

“Todo e qualquer tentativa de controle de preços é vista com muita restrição pelo Cade. Muito embora possam produzir resultado benéfico a curto prazo, a longo prazo tem resultados funestos”, disse ele logo após o evento. A MP com o preço mínimo do frete é uma das demandas dos caminhoneiros em greve e foi acatada pelo presidente Michel Temer.

Apesar da discordância, a autarquia é citada pelo governo quando questionado sobre como garantir o repasse do subsídio ao diesel até o preço cobrado ao consumidor final. Questionado sobre isso, Barreto respondeu que não é competência do Cade monitorar o preço do combustível, mas que a autarquia está estudando uma maneira de identificar paralelismo de preços e possíveis coordenações a partir de dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e da Receita Federal.

A própria greve dos caminhoneiros é alvo de investigação pelo Cade, que instaurou dois procedimentos preparatórios para averiguar a existência de um possível locaute no movimento. Barreto informou o processo ainda está em fase inicial.

“Não há prazo, mas procuramos fazer no menor tempo possível”, avaliou. Segundo ele, o procedimento ainda está na fase de notificar os suspeitos, que têm 15 dias para apresentarem sua defesa. Ao todo, 14 entidades e empresas estão sob investigação, além de uma dezena de pessoas físicas. Entre os citados estão a Confederação Nacional dos Transportes (CNT) e a Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam).

Caso o Cade verifique que há provas suficientes de um movimento organizado, será aberto um inquérito, que pode levar a multas sobre o faturamento, proibição de contratar com o poder público e até na dissolução da empresa. As consequências da greve no abastecimento de combustível pelo país também passaram pela autoridade antitruste, que convocou uma sessão extraordinária para discutir a questão.

Fonte: Valor

A origem e os efeitos da crise que parou o país

1 Por que a greve começou?

Em junho do ano passado, a Petrobras mudou sua política de preços para os combustíveis e passou a fazer ajustes quase diários nos valores cobrados nas refinarias pelo diesel e a gasolina. Durante muitos anos, esses preços foram represados para evitar uma alta da inflação, causando prejuízo à estatal. A mudança na política de preços coincidiu com uma forte alta do dólar e do petróleo no mercado internacional. Além disso, em julho do ano passado, o governo aumentou a alíquota do PIS/Confins sobre os combustíveis, para elevar sua arrecadação. A alíquota subiu para R$ 0,21 por litro do diesel. Com isso, nos últimos 12 meses, o litro do diesel ficou 12,5% mais caro nas bombas. O aumento do preço do diesel foi o estopim para a insatisfação do setor, que vinha sofrendo também com uma frustração do crescimento econômico. O setor de transporte tinha sido beneficiado com juros subsidiados do BNDES. Transportadores autônomos e empresas conseguiram renovar e aumentar a frota. Mas o crescimento esperado não veio. Ao contrário, o Brasil viveu a mais longa recessão de sua história e uma das mais intensas. Com muita oferta de transporte de carga e economia andando para trás, não havia espaço para aumentar os fretes e repassar o custo do diesel, com agravante de haver trabalhadores endividados com a renovação da frota.

2 Qual é a participação dos caminhões no transporte de carga?

Os caminhões transportam dois terços das cargas no Brasil. Sem contar o minério de ferro e o petróleo cru, a parcela sobe para mais de 90%. Mas a infraestrutura rodoviária é precária. O país tem 211 mil quilômetros de rodovias pavimentadas. Nos Estados Unidos, são 4,3 milhões, e na China, 4 milhões. Um caminhão no Brasil consegue rodar, em média, cerca de 4.400 quilômetros por mês por causa das condições da estrada, segundo o Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos). É o equivalente a cinco quilômetros por hora, a mesma velocidade de uma pessoa andando. Isso impacta a eficiência das transportadoras e a renda dos caminhoneiros. Como o setor é muito pulverizado, com várias empresas menores e autônomos sendo contratados por grupos maiores, muitos motoristas acabam aceitando um frete baixo para poder rodar.

3 Quem são os responsáveis pela paralisação?

Inicialmente, os responsáveis pelo movimento que começou no último dia 21 foram caminhoneiros autônomos que realizaram bloqueios em rodovias estaduais e federais pelo país. O grupo compreende 30% dos caminhoneiros em operação. Após os primeiros bloqueios, motoristas contratados por transportadoras também aderiram às paralisações, aumentando a escala dos protestos. Houve relatos ainda de apoio aos manifestantes, com fornecimento de alimentação aos grevistas, por exemplo, e serviços como banheiro químico, por parte das empresas de transporte. O Palácio do Planalto apontou indícios de que houve leniência dos empregadores e levantou a hipótese de que a greve poderia ter sido coordenada ou incentivada por empresários. Até o momento, no entanto, não houve evidência da responsabilidade de empresas. Se confirmada, a prática, chamada de locaute, configura crime. Apesar de alguns sindicatos terem assumido a liderança das negociações com o governo federal e o de São Paulo, não existe uma liderança nacional ou estadual que, de fato, represente todos os interesses dos caminhoneiros. As orientações para quem está nas ruas são passadas por meio de grupos de WhatsApp.

4 Por que os acordos fechados com o governo não foram cumpridos?

Três motivos ajudam a explicar a dificuldade para o cumprimento dos acordos fechados com o governo. O principal deles é a ausência de uma liderança capaz de mobilizar ou desmobilizar todos os bloqueios. Como não há uma hierarquia no movimento, os representantes que fazem a negociação com o poder público, embora respeitados por boa parte dos caminhoneiros, não têm legitimidade sobre toda a categoria. Logo após o anúncio feito pelo presidente Michel Temer na noite de domingo, motoristas discutiam por meio de aplicativos se deveriam ou não deixar os bloqueios: alguns defendiam que o movimento é forte o suficiente para alcançar objetivos como a queda de Michel Temer, ou outros benefícios ao cidadão comum, como a redução do preço da gasolina. O segundo motivo que impede a saída total dos caminhoneiros é a experiência da greve de 2015, quando os trabalhadores do setor também pararam por alguns dias e conseguiram o compromisso do governo em sete itens que levaram à pauta. Eles dizem que, passados 60 dias, as medidas não foram cumpridas. Por fim, as fake news também têm peso importante na manutenção da paralisação dos caminhoneiros: nos grupos de WhatsApp, muitos boatos correram nos últimos dias, confundindo os caminhoneiros. Esse é o meio que eles usam para se mobilizarem e manter os bloqueios ativos. Numa categoria muito horizontal, os líderes surgiam a cada bloqueio, criando mais exigências, como a publicação do acordo no Diário Oficial, dificultando o fim do movimento. Além disso, caminhoneiros dispostos a voltar ao trabalho também estão enfrentando ameaças e agressões e temem retaliação. Entidades do setor confirmam que infiltrados impedem que os grevistas abandonem o movimento.

5 Por que o governo cedeu?

O governo cedeu às pressões dos caminhoneiros e entregou tudo o que foi pedido pela categoria porque demorou a entender a dimensão do movimento. Embora tenha sido alertado nas semanas anteriores de que havia risco de paralisação, o Palácio do Planalto foi surpreendido pela adesão, que foi crescendo ao longo da semana e criando uma crise que não foi antecipada pelo núcleo do presidente da República. O Planalto só chamou os líderes da greve para negociar depois de três dias de paralisação e pediu uma trégua que não foi aceita. Segundo interlocutores do governo, o Planalto, então, começou a tentar debelar a crise entregando ao grupo as principais reivindicações. Isso também não resolveu, e, no fim de semana, a avaliação foi que qualquer acordo era melhor do que deixar a situação continuar e o desabastecimento e a paralisia da economia piorarem.

6 Qual é a conta da crise?

Há perdas generalizadas em diferentes setores econômicos. A paralisação tem deixado o varejo sem estoques, as indústrias sem insumos para produzir, e os empregados não conseguem chegar ao trabalho. De acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o prejuízo já chegou a R$ 3 bilhões, com todas as unidades de produção e 235 mil trabalhadores parados. Já foram perdidos 70 milhões de frangos e quase 30 milhões de suínos. A Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit) estima perdas de R$ 1,9 bilhão com 70% das empresas paradas. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção acredita que os prejuízos cheguem a R$ 2,4 bilhões, com 40% das atividades paradas. Houve problemas para entrega de medicamentos nas farmácias e nos hospitais e falta de insumos para a indústria farmacêutica. Além disso, como a produção não era escoada, a capacidade de armazenagem das fábricas se esgotou. Em nove dias de greve, o setor já acumula prejuízo de R$ 1,6 bilhão. A indústria automobilística está desde quinta-feira passada com suas unidades fabris paralisadas. A Confederação Nacional do Comércio (CNC) estima perdas de, pelo menos R$ 3,1 bilhões, com a queda do movimento no varejo e a falta de estoques. No Estado do Rio, a Federação das Indústrias (Firjan) calcula que a paralisação causará perda de R$ 77 milhões no Produto Interno Bruto (PIB) da indústria de transformação. Segundo o SindRio, o prejuízo do setor de bares e restaurantes, nos oito primeiros dias de greve, é de R$ 20 milhões, com queda de aproximadamente 40% no movimento. No estado, o prejuízo chega a R$ 34 milhões. Segundo a Associação Brasileira de Empresas Aéreas (Abear), 270 voos foram cancelados e a perda estimada foi de R$ 50 milhões por dia. Sem contar com os milhões de litros de leite que tiveram de ser jogados fora.

7 E quem vai pagar pela paralisação e pelo acordo fechado pelo governo?

Contribuintes e consumidores vão pagar essa conta. Os contribuintes, porque a solução encontrada pelo governo para atender ao pleito dos grevistas inclui subsídios ao preço do diesel e outras medidas com impacto fiscal, como o fim da Cide, contribuição que incide sobre os combustíveis. Só os subsídios para manter o preço do diesel mais baixo terão impacto anual estimado em 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos pelo país), ou R$ 23 bilhões, segundo cálculos do Itaú Unibanco, levando em conta que a cotação do dólar e do petróleo permaneçam no atual patamar. Esse custo, no entanto, pode ser maior, caso haja elevação desses preços. Os fretes também ficarão mais caros. O governo aceitou uma tabela com preço

A paralisação dos caminhoneiros provocou perdas em todos os setores da economia e mudou a rotina dos brasileiros. Segundo cálculos do economista da FGV Claudio Considera, o país deve ter perdido R$ 10 bilhões diários com a greve. O déficit fiscal do governo deve subir para R$ 150 bilhões, e a normalidade total pode demorar até dois meses, principalmente na produção de carnes. Quem vai pagar a conta é a sociedade, com mais impostos e preços maiores mínimo do serviço, encarecimento que será repassado para todos os produtos transportados no Brasil, limitando a concorrência. Além disso, de imediato, os consumidores sentirão preços mais altos nas feiras e nos supermercados quando o abastecimento for restabelecido. Houve perdas significativas na produção agropecuária, sobretudo no setor de frango e laticínios. A oferta menor dos produto tende a elevar os preços.

8 Qual o impacto no PIB?

O setor de transporte pesa de 4,4% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, o que representa R$ 290 bilhões anualmente, mas a perda para a economia brasileira não para aí. Como houve reflexo generalizado, todos os setores perderam. Segundo Claudio Considera, pesquisador associado e coordenador do Núcleo de Contas Nacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV), a perda com dez dias de greve chegará a R$ 100 bilhões. — A indústria parou sem insumos, prejudicou o abate e alimentação de gado, suínos e aves. Nos serviços, parou o transporte e o comércio está deixando de vender. Calculei que todas as atividades perderam 50% da produção, o que provocou uma perda de R$ 10 bilhões por dia de greve. Sem contar os serviços prestados a famílias. As pessoas deixaram de ir ao dentista, ao médico, a diarista não conseguiu chegar ao trabalho — afirmou Considera. Além disso, há um impacto na confiança das famílias, dos empresários e investidores, principalmente estrangeiros. Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, revisou a expectativa de crescimento do PIB este ano de 2,5% para 1,9%: — Além do efeito de curto prazo da greve, há o rescaldo que terá até o fim do ano pelo aumento da incerteza. A confiança deve cair e afetar em cheio o consumo e o investimento. Com um segundo semestre turbulento por causa da eleição e do cenário externo cada vez mais difícil, fica mais complicado conseguir crescer acima de 2% este ano. O próximo presidente terá muita dificuldade para governar com toda essa turbulência. Já começará imensamente impopular por tudo que será preciso fazer de reformas. Ou não optar por reformas e levar o país para a crise de novo. Por causa das concessões aos caminhoneiros, o déficit fiscal do governo deve crescer. Pelos cálculos do Itaú Unibanco, o déficit primário (antes do pagamento dos juros da dívida) será de R$ 150 bilhões, acima dos R$ 140 bilhões que projetava anteriormente.

9 E na Petrobras?

A Petrobras já começou com uma perda de R$ 350 milhões ao reduzir o preço do diesel em 10% e mantê-lo por 15 dias. Mas os danos à imagem da estatal, que já foi muito usada politicamente, principalmente para conter preços, com temor da volta da interferência política foram maiores. O valor de mercado da Petrobras que era de R$ 368 bilhões, no dia 18 de maio, antes da greve, caiu para R$ 242 bilhões anteontem, com queda de 34,25% nos preços das ações. Ontem, os papéis subiram 12%, não o suficiente para compensar as perdas anteriores. Outro questão é o programa de venda de refinarias da Petrobras no plano de desinvestimento da estatal para reduzir o endividamento total, que está atualmente em US$ 102,6 bilhões. A incerteza quanto à política de preços no país poderia afastar investidores.

10 Qual o nível de organização dos pedidos de “fora Temer” e por intervenção militar?

Assim como na população em geral, o presidente Temer tem baixa aprovação da categoria, e, desde segunda-feira, o coro de “fora Temer” começou a crescer entre os caminhoneiros, mas não há qualquer evidência de uma liderança única centralizando esse clamor. Os pedidos por intervenção militar encontram mais acolhida entre os caminhoneiros. Há faixas nas ruas com pedido de intervenção desde o início dos protestos. O presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) conta com a simpatia de parte do movimento. No início, ele apoiou os grevistas, mas, nos últimos dias, deixou claro que é a favor do fim da paralisação. O ator Alexandre Frota, do partido de Bolsonaro, é presença constante em reuniões com os caminhoneiros da Rodovia Régis Bittencourt, em São Paulo. Um áudio da militante Carla Zambelli, também do PSL, foi compartilhado nos grupos de caminhoneiros.

11 Qual é o apoio da população?

Uma pesquisa da Ideia BigData, feita no último fim de semana, mostra que a maioria da população (55%) desaprova a paralisação dos caminhoneiros. Por outro lado, as ações do governo Michel Temer para tentar dar fim à greve são desaprovadas por 95% dos entrevistados. A pesquisa ouviu 2.004 pessoas por telefone e mostra ainda forte rejeição (66%) à política de preços da Petrobras. O Ideia BigData perguntou aos entrevistados se eles aprovam o subsídio ao preço do diesel. Para 58% dos entrevistados, o subsídio deveria ser aplicado; 42% desaprovam a medida. Das 0h de domingo às 15h de sexta-feira, a greve dos caminhoneiros alcançou 3,4 milhões de menções no Twitter, segundo pesquisa da Diretoria de Análise de Políticas Públicas (DAPP) da Fundação Getulio Vargas. Todos os principais núcleos de debate, da direita à esquerda, consideram válidas as queixas dos grevistas e pouco reclamam sobre os efeitos colaterais. Apesar de o impacto da greve ser maior nos centros urbanos, nas redes sociais ela tem recebido apoio, como mostrou levantamento do Torabit, revelado pelo colunista do GLOBO Lauro Jardim. Após analisar mais de 130 mil comentários, a plataforma de monitoramento digital concluiu que 53% deles eram favoráveis aos protestos.

12 Quanto tempo pode levar para voltar ao normal depois do fim da greve?

O tempo varia de acordo com a atividade. Na distribuição de combustível, a expectativa é que os postos de gasolina voltem a funcionar normalmente até o fim de semana no Rio de Janeiro e após dez dias no restante do país. Já o abastecimento de carnes, aves e suínos pode demorar até dois meses a ser normalizado. Verduras, legumes e frutas, com tempo de colheita menor, devem voltar logo às prateleiras, assim que as estradas sejam totalmente desbloqueadas. As escolas e universidades devem voltar ao normal na próxima segunda-feira. A frota total de ônibus, que tem prioridade no abastecimento, deve voltar a circular normalmente até o fim da semana.

13 Quais serviços foram afetados até agora?

Praticamente todos os serviços foram afetados pela paralisação dos caminhoneiros. Postos de gasolina fecharam, e as famílias tiveram dificuldade para comprar gás de botijão. Aeroportos cancelaram voos, escolas e universidades pararam e só devem voltar a funcionar na próxima semana, transporte público de ônibus teve a frota reduzida em até 60% em alguns locais, como o Rio de Janeiro. A Justiça também parou, e os hospitais suspenderam cirurgias eletivas e mantiveram apenas o atendimento de emergência, mercados e feiras também deixaram de funcionar.

14 Quantos bloqueios, totais e parciais, ainda existem?

No fim da tarde, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) anunciou que ainda existem 616 pontos de concentração de motoristas. Ao longo do dia, o governo chegou a dizer que não existiam mais bloqueios nas estradas, mas acabou recuando. Segundo a PRF, manifestantes bloqueiam as pistas da BR-070, na divisa entre o Distrito Federal e Goiás. Também foram fechadas duas outras vias, uma em Minas Gerais e outra no Ceará. Caminhoneiros que tentam abandonar a greve estão sendo alvo de agressões e de retaliação.

15 Por que o Brasil é tão dependente das estradas?

Houve um conjunto de erros — históricos e recentes — que impediram que outros modais, como ferrovias e hidrovias, sejam usados no transporte de carga no Brasil. Apenas 32% das mercadorias no país circulam por trem ou embarcação. Falta de planejamento de longo prazo, baixo investimento público no setor, bem como modelos de concessão que despertam pouco interesse na iniciativa privada para investir em outros modais explicam essa dependência. Foi uma opção política histórica do Brasil pelas rodovias, desde o governo de Juscelino Kubitschek, nos anos 1950. Isso acabou criando um ambiente para o desenvolvimento de negócios que orbitam em torno do modelo, desde fábricas de veículos e autopeças a postos de gasolina.

Fonte: O Globo

Juro baixo mudará mercado de crédito, afirma BNDES

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Dyogo Oliveira, disse ontem que o País está próximo de assistir a uma transformação nos mercados de crédito e de capitais com o início da “era dos juros baixos”.

Ao participar de fórum com investidores na zona sul da capital paulista, o titular do BNDES comentou que a redução dos juros forçará o sistema financeiro a aumentar suas carteiras de ativos, já que cada ativo oferecerá uma rentabilidade menor. Oliveira informou aos investidores que o banco de fomento vem trabalhando para que recursos hoje alocados em fundos de curto prazo migrem a fundos de longo prazo, de modo a garantir a fonte de recursos a investimentos em infraestrutura.

“Estamos às vésperas de uma grande transformação, que é esse ciclo de juros baixos”, declarou o presidente do BNDES. Segundo ele, o Brasil tem condições de crescer, atualmente, a um ritmo de 3% ao ano sem pressionar inflação. Ao comentar a greve dos caminhoneiros, ele disse aos investidores que, embora não se possa fechar os olhos para a situação, o olhar deve ser para o que acontecerá no Brasil no futuro.

Fonte: DCI

Redação On maio - 30 - 2018
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