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Segunda-feira, 24 de Setembro de 2018






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UE diz que não está claro se Trump levará adiante tarifas sobre exportações

A União Europeia (UE) não tem ideia se o presidente dos EUA, Donald Trump, levará adiante as tarifas sobre as exportações de aço e alumínio do bloco na próxima semana, disse neste terça-feira a comissária de Comércio da UE, Cecilia Malmstrom.

“Não temos clareza ainda”, disse Malmstrom a repórteres em Bruxelas, enquanto ministros da UE se reúnem para discutir sobre comércio. Ela observou que ela e o secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross, se falam várias vezes por semana.

Em março, Trump impôs tarifas de 25% sobre as importações de aço e 10% em alumínio importado, mas concedeu aos 28 países da UE uma isenção até junho. Ele também isentou temporariamente grandes produtores de aço do Canadá e do México, desde que eles concordem em renegociar um acordo de comércio norte-americano que o satisfaça.

“Eu não acho que eles prolongarão as isenções, então haverá algum tipo de decisão e nós temos que se preparar para diferentes cenários”, disse Malmstrom.

Convencidos de que o movimento dos EUA infringe as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), a UE elaborou uma lista de deveres de “reequilíbrio” no valor de cerca de 2,8 bilhões de euros (US$ 3,4 bilhões) para impor aos produtos norte-americanos se não estiver permanentemente isento.

A UE, o maior bloco comercial do mundo, rejeita o argumento de Trump de que as tarifas são necessárias para proteger a segurança nacional. A maioria dos países da UE é parceiro dos EUA na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Fonte: O Estado de São Paulo

Trump avalia impor tarifa sobre carros importados

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse ontem que pediu ao secretário de Comércio, Wilbur Ross, considerar a abertura de uma investigação sobre os efeitos de veículos importados na segurança nacional, um movimento que pode levar à imposição de tarifas.

“Eu instruí o secretário Ross a considerar iniciar uma investigação [utilizando a provisão legal] Seção 232 nas importações de automóveis, incluindo caminhões e autopeças, para determinar seus efeitos sobre a segurança nacional dos EUA”, disse Trump em comunicado após encontro com Ross. “Indústrias fundamentais, como de automóveis e autopeças, são críticas para nossa força como uma nação”, acrescentou o presidente.

Em seguida, em nota separada, o Departamento do Comércio confirmou a abertura da investigação. “Há evidências sugerindo que, por décadas, importações do exterior têm enfraquecido nossa indústria automobilística.”

O governo Trump já utilizou a Seção 232 para impor sobretaxas ao aço e alumínio importados. Washington estaria considerando impor tarifas de até 25%, de acordo com duas pessoas a par dos planos ouvidas pela Dow Jones Newswires.

Antes do anúncio, um funcionário do governo americano havia adiantado à Reuters que a medida visa, em parte, pressionar o Canadá e o México a fazerem concessões nas negociação para revisão do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta, na sigla em inglês) – que patinam em parte por causa das provisões na área automotiva. Também são potenciais alvos da medida o Japão e a União Europeia (UE), que exportam um grande número de veículos aos EUA.

Em 2017, os EUA importaram 8,3 milhões de veículos, no valor de US$ 192 bilhões. Os principais exportadores para o mercado americano são: México (2,4 milhões), Canadá (1,8 milhão), Japão (1,7 milhão), Coreia do Sul (930 mil) e Alemanha (500 mil).

Ontem, Trump sugeriu que novas medidas estariam por vir. “Haverá grandes novidades em breve para nossos grandes trabalhadores na indústria automobilística americana”, tuitou. “Após muitos anos perdendo seus empregos para outros países; isso vai acabar!”

Mas a tensão comercial global alimentada pelas políticas de Trump tem potencial para esfriar a confiança das empresas americanas e reduzir os investimentos, na avaliação de autoridades Federal Reserve (Fed, o banco central americano). O alerta consta da ata da última reunião de política monetária conduzida no início do mês.

De acordo com a ata, alguns membros do Fed disseram que ouviram de seus contatos empresariais preocupação sobre “os possíveis efeitos adversos das tarifas e restrições comerciais”. Contudo, eles acrescentaram que é difícil fazer uma previsão de como o presente aumento na tensão comercial vai se desenvolver.

“Um número de participantes avalia que o alcance dos possíveis impactos para a atividade econômica e a inflação será particularmente amplo, dependendo de quais ações forem adotadas pelos EUA e de como os parceiros comerciais dos EUA irão responder”, diz a ata. “E alguns participantes observaram que, embora essas políticas estejam sendo discutidas e as negociações continuem, a incerteza em torno das questões comerciais podem esfriar a confiança das empresas e os investimentos.”

Fonte: Valor

Índia recorre à OMC contra tarifas dos EUA sobre aço e alumínio

A Índia iniciou processo na Organização Mundial de Comércio (OMC) para contestar as sobretaxas criadas pelos Estados Unidos para importações de aço e alumínio, segundo documento publicado nesta quarta-feira.

Autoridades indianas tinham afirmado à Reuters no mês passado que o país iria abrir uma queixa na OMC se companhias indianas não fossem excluídas das tarifas norte-americanas.

Fonte: Folha de São Paulo

Trump quer reduzir exportações de aço da UE em 10%, dizem europeus

O presidente americano, Donald Trump, está avaliando medidas comerciais para reduzir as exportações de aço e alumínio da União Europeia (UE) para os Estados Unidos em cerca de 10%, segundo autoridades europeias, em um sinal de que as concessões do bloco para garantir isenções tarifárias do país não estão atendendo às demandas da Casa Branca.

Washington propôs duas opções a Bruxelas: uma cota fixa de 90% das importações da UE em 2017 e uma cota tarifária que visaria a mesma redução de 10% através de impostos, afirmou a ministra de Empreendedorismo e Tecnologia da Polônia, Jadwiga Emilewicz, depois de os governos europeus discutirem as relações comerciais com os EUA.

“Temos a impressão de que, de alguma forma, eles querem limitar as importações de aço para os EUA”, afirmou a comissária de Comércio da UE, Cecilia Malmstrom. “Alumínio também”, acrescentou, sem fornecer mais detalhes.

A UE ainda está tentando descobrir o que precisamente Trump quer antes do prazo de 1º de junho, quando expiram as isenções tarifárias temporárias ao bloco, disseram autoridades europeias. As cotas são uma das ideias lançadas pelos negociadores dos EUA, mas seu escopo e outros detalhes ainda não estão claros, segundo os europeus.

Fonte: UOL

Volkswagen denuncia protecionismo americano após ameaça de novas tarifas

A montadora alemã Volkswagen criticou nesta quinta-feira o protecionismo do governo dos Estados Unidos após a ameaça de Donad Trump de impor novas tarifas aos veículos importados.

“Ninguém se beneficia a longo prazo do protecionismo unilateral”, afirmou um porta-voz do grupo, antes de destacar que “apenas um comércio livre e equitativo garante a prosperidade”.

O secretário do Comércio americano, Wilbur Ross, abriu na quarta-feira uma investigação oficial sobre as importações de veículos, incluindo os caminhões e as peças de reposição, para determinar seu impacto sobre a segurança nacional dos Estados Unidos.

O estudo pode servir de base legal para adoção de tarifas de importação de até 25%, de acordo com The Wall Street Journal.

A VDA, a federação alemã de montadoras de automóveis, também expressou o “temor” sobre as consequências das tarifas neste setor estratégico da economia do país.

“Temos que evitar um aumento das barreiras alfandegárias”, afirmou o presidente da VDA, Bernhard Mattes.

A BMW, líder no setor de carros de luxo, ressaltou que o “acesso sem barreiras ao mercado é um fator crucial, não apenas para o modelo econômico do grupo, mas também para o crescimento e o emprego no conjunto da economia mundial”.

Em 2017 os veículos representaram 25% das exportações alemãs para os Estados Unidos, quase 29 bilhões de euros e 994.000 unidades vendidas.

As tarifas europeias aos carros dos Estados Unidos e dos países de fora da União Europeia (UE) são de 10%, contra 2,5% impostos por Washington aos veículos importados.

Mas o governo americano aplica tarifas de 25% aos caminhões e picapes, contra 14% em média na UE.

Fonte: AFP

Japão adverte do risco de novas tarifas dos EUA a veículos importados

O ministro japonês do Comércio advertiu, nesta quinta-feira (24), sobre o perigo de que os Estados Unidos decidam impor tarifas aos carros importados, uma medida que está sendo estudada pelo presidente Donald Trump.

“No caso, e apenas no caso, de que se lance esta medida, seria uma medida de restrição comercial extremamente ampla. Estas medidas restritivas afundariam o mercado mundial na confusão”, disse Hiroshige Seko à imprensa em Tóquio.

As declarações do ministro respondem ao anúncio de quarta-feira do secretário do Comércio dos Estados Unidos, Wilbur Ross, que anunciou a abertura de uma investigação sobre as importações de carros, a base legal para a criação de tarifas que podem alcançar até 25%, segundo a imprensa americana.

“Há provas que sugerem que, durante décadas, as importações do exterior erodiram nossa indústria do automóvel”, disse Ross.

Trata-se de argumentos similares aos que o governo Trump usou para sobretaxar o aço e o alumínio importados.

A economia japonesa, terceira do mundo, depende em grande medida das exportações para os Estados Unidos, em particular de automóveis. Os veículos particulares representam 30% das exportações japonesas para os Estados Unidos.

Fonte: AFP

Londres admite pagar UE antes de acordo comercial

A secretária britânica para o Brexit, Suella Braverman, admitiu ontem que o pagamento da fatura da separação da União Europeia não está vinculado à assinatura de um novo acordo comercial, embora Londres tente dar a entender o contrário. Questionada por uma comissão parlamentar, Braverman acabou admitindo que o acordo de saída, que está quase finalizado e assinado, “não contém aspectos de condicionalidade”.

Em dezembro, a primeira-ministra britânica, Theresa May, tinha aceitado honrar todos os compromissos financeiros assumidos por seu país no âmbito da UE – uma fatura calculada entre ¤ 40 bilhões a ¤ 45 bilhões. Contudo, seu ministro para o Brexit, David Davis, afirmou que o pacto era “condicionado à obtenção de um período de transação e de um resultado sobre o acordo comercial”. Segundo Braverman, porém, “há uma obrigação de boa-fé” dos dois lados.

Os parlamentares britânicos devem votar o acordo de saída apenas alguns meses antes da data estabelecida para o Brexit: 29 de março de 2019. Londres e Bruxelas chegaram a um acordo preliminar em dezembro sobre três questões principais: o projeto de lei de saída, os direitos dos cidadãos europeus e a fronteira entre a Irlanda do Norte e a Irlanda.

O presidente do Banco da Inglaterra, Mark Carney, afirmou na terça-feira que o Brexit custará a cada lar britânico mais de 900 libras (cerca de R$ 4.350). Ele argumentou, perante a Comissão de Tesouraria do Parlamento, que a economia britânica deve registrar um crescimento de até 2% abaixo das expectativas calculadas em 2016.

Outra visão pessimista é a de Jon Thompson, diretor executivo do Departamento de Receitas Aduanas, ligado à Secretaria do Tesouro. Ontem, ele afirmou que o Brexit pode custar para as empresas britânicas até 20 bilhões de libras anuais, apenas em novas tarifas criadas após a separação.

Fonte: O Estado SP

Itália se torna o maior país da UE a ser governado por uma coalizão populista

Quarta maior economia da União Europeia, a Itália tornou-se ontem o primeiro país fundador do bloco a ser governado por uma coalizão populista e antissistema. A situação, inédita nos mais de 50 anos do bloco, foi sacramentada quando o presidente, Sergio Mattarella, anunciou o nome do jurista e professor Giuseppe Conte como novo primeiro-ministro. Quinto premiê em cinco anos, ele já assume sob críticas.

Indicado pela coalizão formada entre o populista Movimento 5 Estrelas (M5S) e a Liga, legenda de extrema direita, Conte, de 53 anos, já havia se tornado há uma semana o virtual premiê, à espera apenas da chancela presidencial. No final da tarde de ontem, ele chegou de táxi ao Palácio Quirinal para encontrar Mattarella.

Ambos tiveram uma reunião de duas horas a portas fechadas. No fim do encontro, o presidente italiano finalmente encarregou Conte de formar um governo, encerrando as negociações políticas iniciadas em 4 de março, após a eleição legislativa italiana.

Em uma breve declaração à imprensa, que não pôde fazer perguntas, Conte disse ser “advogado de defesa do povo italiano” e garantiu que implementará o “contrato governamental” assinado entre os dois partidos. O programa, segundo ele, “representa todas as expectativas de mudança dos italianos”.

Primeiro lugar. O novo premiê assinalou, já em seu primeiro pronunciamento, que não tem a intenção de iniciar um processo de ruptura entre Roma e Bruxelas, mas que pretende “confirmar o lugar da Itália na Europa e no mundo”.

“Lá fora há um país que espera o nascimento de um governo de mudança e espera respostas”, afirmou. “Eu me preparo agora para defender os interesses de todos os italianos diante

de todas as instâncias, dialogando com as instituições europeias e com os representantes de outros países.”

Apesar das palavras conciliatórias, a nomeação de Conte soou o alarme em Bruxelas, em especial após a revelação dos detalhes do “contrato governamental” dos dois partidos populistas. As propostas de corte de impostos, abdicação de uma reforma previdenciária – no país mais idoso da Europa Ocidental – e criação de um programa de renda universal, que pretende dar ¤ 780 por mês a aposentados e pessoas de baixa renda, devem custar ao país entre ¤ 100 milhões e ¤ 170 milhões anuais.

A grande questão em Bruxelas é como o governo populista pretende financiar seu programa com uma dívida de ¤ 2,3 bilhões – de 132% do PIB, a segunda mais alta da Europa, atrás da Grécia. Ontem, a Comissão Europeia manifestou o desejo de que Roma mantenha o caminho da estabilidade financeira, sob

pena de ver os juros da dívida do país em mãos de investidores privados subir.

O temor da União Europeia com a saúde financeira italiana se justifica, pois o sistema financeiro nacional é frágil e uma crise na Itália causaria um risco sistêmico no bloco.

A questão, portanto, é se Conte

conseguirá sobreviver às adversidades políticas. Professor de Direito da Universidade de Florença, o jurista mentiu em seu currículo, informando passagem pela Universidade de Nova York, nos EUA, e na Sorbonne, em Paris – ambas as instituições não têm registros dele como aluno.

Fonte: O Estado SP

Na Argentina, o mais difícil ainda está por vir, diz Calvo

Apesar de ter conseguido acalmar temporariamente os mercados na Argentina, é cedo para o governo do presidente Mauricio Macri cantar vitória na crise cambial. O pior ainda está por vir, afirma o argentino Guillermo Calvo.

Para o ex-economista-chefe do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), é temeroso Macri dizer que a “tormenta” passou. Em primeiro lugar, diz ele, dentro de um mês o Banco Central argentino terá de rolar novamente uma montanha de dívida em títulos do BC. Além disso, após as negociações em curso com o Fundo Monetário Internacional (FMI), a Argentina terá de começar o verdadeiro ajuste nas suas contas.

“É um pouco perigoso pensar que o problema passou, porque agora é que se vai enfrentar o verdadeiro problema”, disse ao Valor sobre o ajuste fiscal mais duro que Macri terá de fazer.

Em entrevista por telefone, o diretor do Programa de Gestão de Política Econômica da Escola de Relações Públicas e Internacionais da Universidade Columbia, em Nova York, afirma que o FMI deveria impor um ajuste menos gradual à Argentina, mas não um choque. “Um choque hoje desestabilizaria o país politicamente.”

Ainda assim, ele acredita que o ajuste que será exigido pelo FMI será doloroso e terá impacto no crescimento econômico por algum tempo. “Não creio que o Fundo seja tão diferente do passado, porque tem de ter certeza de que a Argentina irá pagá-lo. E terá de pedir os ajustes necessários para isso.”

Calvo estima que os cortes de gastos serão principalmente em investimentos em infraestrutura. “Será muito difícil que o desemprego não aumente ou que não baixe a taxa de crescimento.”

O economista, que esteve no BID entre 2006 e 2010, crê ainda que um acordo com o Fundo pode dar à Argentina a confiança que governo Macri ainda não conseguiu dar aos investidores. “Esse governo dá um passo para frente e, se tem problemas, dá um passo para trás. Então as pessoas se perguntam: ‘para onde vai esse governo?’.”

Ainda que a recente crise tenha abalado o presidente Macri, Calvo acredita que as chances de a oposição retornar ao poder são pequenas. “O peronismo está rachado, e Cristina Kirchner tem 30% das intenções de voto. Enquanto ela não se juntar aos peronistas, não vejo chances.” Leia abaixo os principais trechos da entrevista:

Valor: O que aconteceu na Argentina foi uma crise ou, como diz o governo Macri, apenas uma tormenta? O pior já passou?

Guillermo Calvo: Houve uma tormenta, uma espécie de corrida contra os bônus de curto prazo da Argentina. Mas eu não me atreveria a dizer que ela passou. Porque, primeiro, dentro de um mês haverá uma quantidade importante de bônus que terá de ser rolada. E veremos como será daqui em diante, porque será justamente o mês no qual o governo estará negociando com o Fundo, e ainda não sabemos nenhum detalhe. É perigoso pensar que o problema passou, porque agora é que se vai enfrentar o verdadeiro problema, com um ajuste possível, apesar de o governo não ter maioria no Congresso.

Valor: Esse fôlego que o governo ganhou é temporário? Há riscos de a situação voltar a piorar?

Calvo: Sim, por problemas da Argentina e problemas externos. Estamos passando por um período de ameaça de saída de capitais dos emergentes. E isso não apenas na Argentina, mas em toda a região. Neste momento, sabe-se muito pouco para estarmos seguros de que isso foi superado.

A Argentina está tomando medidas que eram necessárias, mas que até o momento não foram dolorosas. Uma foi ter o que estão chamando de um ministro da Economia coordenador, que é o ministro da Fazenda, Nicolás Dujovne. Com isso, haverá uma voz representando o governo, é uma melhor organização. Mas ainda não se tomou nenhuma decisão sobre ajuste ou gasto público, não há nada muito concreto sobre essa parte mais difícil.

“O governo terá de frear o investimento público e qualquer subsídio ao setor privado, como para construção”

Valor: O desenho com um ‘superministro’ não é o que Macri desfez com a saída de Alfonso Prat-Gay e a chegada de Dujovne [Fazenda] e Luis Caputo [Finanças] em 2016?

Calvo: Exatamente. Esse governo dá um passo para frente e, se tem problemas, dá um passo para trás. Então as pessoas se perguntam: ‘para onde vai esse governo?’. É muito confuso e algo típico desse governo.

Valor: As condicionantes que o FMI pode vir a impor ameaçam o modelo de ajuste gradual de Macri?

Calvo: Eu posso falar sobre o que creio que deveriam fazer. Nesta etapa teriam de seguir com um gradualismo menos gradual, mas não um choque. Um choque hoje desestabilizaria o país politicamente. Mas pode haver medidas que façam a política econômica argentina ser de mais longo prazo.

Por exemplo, o Fundo insinuou que começará a pensar em programas fiscais não de um ano, mas de cinco anos. Creio que o Fundo vai insistir em fazer programas plurianuais. Essas coisas parecem simples, mas, no caso argentino, justamente porque foram para frente e para trás com frequência, dar um pouco mais de horizonte à política, guiada pelo FMI, pode dar grande credibilidade. E creio que isso pode fazer uma grande diferença. E se me perguntarem por que, vou dizer: ‘Olhe para o Brasil’. O Brasil tem um déficit fiscal de 9% do PIB, maior que o argentino, tem uma dívida pública de 80% do PIB, maior que a da Argentina. E, apesar disso, é capaz de ter uma inflação de menos de 4%.

Então o que falta à Argentina é mais credibilidade, e o acordo com o Fundo pode ajudar nisso. Não conhecemos os termos do acordo ainda. Mas um bom acordo, eu diria, deve ser um pouco menos gradualista, talvez de mais longo prazo, transparente e mais crível.

Valor: Como ter um gradualismo menos gradual sem ter um choque?

Calvo: É preciso ser um artista. Por isso creio que o Fundo ajuda muito. Como o governo está sujeito a forças políticas internas muito fortes, o que seria bom é que o acordo com o Fundo fosse consensual com as forças políticas argentinas, em particular os governadores. Esse é o momento de Macri como político, mas não sei se ele se sairá bem. Até agora, ele tem sido bastante bom como político. Mas, se me perguntam qual foi a falha fundamental, eu diria que eles tentaram administrar tudo, incluindo a economia, de maneira política. E não! É preciso ter um economista encarregado disso, como eles agora têm.

Valor: Como, na prática, pode ser esse ajuste menos gradual?

Calvo: Na prática haverá uma queda de investimento público. Será mais visível no setor de infraestrutura, onde o governo ainda não conseguiu muitos investidores para o programa de parcerias público-privadas. Então, terá de frear o investimento público e qualquer subsídio ao setor privado. Há uma espécie de subsídio ao setor de construção por meio de
crédito do Banco de La Nación, por exemplo, que terá de ser descontinuado. O problema é que, com isso, haverá mais argentinos sem emprego.

Valor: Há expectativa em relação às condicionantes que o Fundo deve pedir. O ministro Dujovne fala de um FMI diferente do que há 20 anos. Há risco, como no passado, de se exigir contrapartidas muito duras?

Calvo: Não creio que o Fundo seja tão diferente do passado, porque no fundo ele tem de ter certeza de que a Argentina irá pagá-lo. E terá de pedir os ajustes necessários para isso. A Argentina terá de se comprometer a melhor a situação fiscal, o que já está fazendo. Mas será à custa do investimento. E será muito difícil que o desemprego não aumente ou que a taxa de crescimento da economia não seja reduzida.

No entanto, não vejo o Fundo pedindo ajustes como pediu no Leste Europeu, nos países bálticos, com cortes de 20% de salário do setor público. Haverá um ajuste, mas não draconiano. E a Argentina tem espaço para fazê-lo. Apesar de tudo, sua dívida não é muito grande, tem mais espaço que o Brasil com a dívida. Mas tem outro problema, que é o risco-país muito alto, muito mais que o brasileiro, por exemplo. E tudo isso pela falta de credibilidade. Ou seja, indo pelas mãos do Fundo a Argentina pode ter um financiamento mais barato.

Valor: O governo argentino estuda reduzir a meta de o déficit primário, de 2,7% para 2,5% neste ano, e de 1,9% para 1,7% em 2019. E reduziria ainda a projeção de crescimentos para 2% neste ano. O governo tem espaço para cortar gastos?

Calvo: Honestamente, o que estão fazendo já é bastante, pois não há muito para cortar. É muito difícil cortar benefícios adquiridos, como aposentadorias e salários do setor público, que são negociados todos os anos. O que podem cortar é investimento público. A vantagem de cortar investimento é não baixar diretamente salários e aposentadorias. O governo Macri, dado o pouco apoio político e a representação pequena no Congresso, já está fazendo um esforço quase no limite.

Valor: Mas isso é o suficiente em relação ao que deve exigir o Fundo?

Calvo: Não sei. O Fundo deve pedir um programa de cinco anos. A Argentina tem um déficit público de 6% do PIB. Se conseguir reduzir 1,5 ponto percentual por ano, em poucos anos o déficit quase desaparece. Se fizer um acordo com o Fundo, pode chegar a esse ritmo. Por outro lado, ao fazer um ajuste guiado pelo Fundo, muito mais crível, as taxas de juros que a Argentina têm de pagar podem cair muito começar a se parecer com as do Brasil, que são muito menores. E isso baixará o custo da dívida.

No momento em que isso ocorrer, pode mudar o cenário. Muitos investidores interessados na Argentina não investem no país por causa da maneira como a política econômica desse governo foi sendo feita até agora: um passo para frente e um passo para trás. Então, é muito provável que a combinação de todas esses elementos traga êxitos.

Valor: Não há confiança, então, dos investidores no governo?

Calvo: Claro que não há confiança! O nível de investimento na Argentina é baixíssimo.

Valor: Mas nunca houve confiança no governo Macri ou isso passou a ocorrer depois da crise?

Calvo: Sempre foi assim. Os kirchneristas deixaram a economia com muitos déficits, depois de terem posto todo tipo de controle, então não havia confiança. Quando chega Macri, eles pensaram que, ao liberalizar a taxa de câmbio e abrir o mercado de capitais, haveria confiança na Argentina e isso traria muito capital estrangeiro. Mas isso não aconteceu, esse é o problema. E acho que estão buscando isso agora. Esperar que o acordo com o Fundo possa dar essa credibilidade ao governo pode ser uma boa jogada. Mas depende de toda a complexidade política da qual não temos ideia, pois mal começaram a negociar. Não sabemos nem sobre as negociações do FMI com Macri nem de Macri com os governadores. Tudo está muito no início.

Valor: Qual seria, em sua opinião, o impacto das condicionantes do Fundo para o crescimento? De quanto estamos falando?

Calvo: Normalmente, com qualquer plano de estabilização, e mais a pouca credibilidade que a Argentina tem e a fama de ser um país com inflação alta, é muito difícil que o crescimento não se contraia. Eu diria que, se a Argentina não tiver uma recessão, terá sorte. Para este ano talvez não. De agora em diante eu esperaria um crescimento menor. Mas é difícil de calcular, porque como ainda não se sabe quais medidas o governo argentino vai tomar, se essas medidas levarão ou não a uma greve atrás de outra etc. Há muitos elementos no caminho que tornam difícil saber ainda o que vai acontecer.

Com exceção dos planos de estabilização feitos no Brasil, no Chile e na Argentina nos anos 1980, que foram mais expansivos e terminaram mal, historicamente, pelo que vi, os planos que acabaram bem têm uma primeira etapa de recessão. Então, não me surpreenderia se houvesse uma recessão na Argentina, esse é o normal. Não me espantaria se, no ano que vem, a taxa de crescimento for inferior ao esperado.

Isso supondo que não haja uma crise internacional. Se houver uma crise internacional, todos os países, incluindo o Brasil, podem ter um problema sério. Sendo que o Brasil tem a vantagem de ter um déficit em conta corrente quase zero, enquanto o da Argentina é de 5%. Isso mata a Argentina, que sofreria com uma recessão. Mas não seria como a de 2001 e 2002 pois não estamos tão dolarizados.

“Em 2001 e 2002 a Argentina teve um problema bastante sério e não contagiou ninguém. E não contagiou o Brasil”

Valor: Mas o sr. fala em recessão para este ano ou o próximo?

Calvo: Depende do que acontecer nestes dias. Estamos vendo saídas de capital na Turquia e em outros países. Quando começam a acontecer essas coisas, logo vem o contágio. Então, o que aconteceu na Turquia pode acontecer no Brasil. A vantagem do Brasil é que, felizmente, tem déficit em conta corrente praticamente zero [0,5%]. Mas para países que estão expostos, como são Argentina e Colômbia, o cenário pode ser mais grave.

Valor: A taxa básica de juros fixada pelo BC argentino a 40% é sustentável? Por quanto tempo? Qual seria um patamar ideal, levando em conta a inflação de mais de 20%?

Calvo: Se você tem de baixar a inflação subindo a taxa de juros, seguramente terá recessão. Foi isso o que aconteceu no Plano Volcker, nos anos 1970, nos EUA. Foi um plano de estabilização exitoso, mas que no fim do primeiro ano levou a uma recessão de cerca de 4%. Saíram rápido dela, mas as taxas de juros chegaram ao redor de 20%. Se você sobe a 40%, há duas coisas que podem ocorrer. Ou consegue-se baixar a inflação por um lado, mas por outro tem forte recessão. Ou, se não tem êxito, terá uma inflação alta que vai acompanhar a taxa de juros. Uma coisa é subirem a taxa básica hoje e em uma ou duas semanas começarem a reduzi-la, o que não tem impacto. Temos de recordar que a Argentina já se financiou em grande parte para este ano, pelo menos até o penúltimo trimestre do ano. Então uma taxa de juros de 40% do Banco Central é o menos problemático para o momento. Pode aguentar um trimestre com taxas altas. Mas, se isso continua, claramente será um problema sério.

Valor: Há risco de a crise argentina contagiar a região?

Calvo: Em 2001 e 2002, a Argentina teve um problema bastante sério e não contagiou ninguém. Não contagiou o Brasil. Eu, pessoalmente, sempre pensei que a Argentina está em uma posição muito fraca em relação a quase todos os outros países importantes da região, com exceção da Venezuela. O investidor não vai associar a crise argentina com outros países, creio. Não vejo, portanto, risco de contágio.

Valor: As variáveis externas que impactaram a Argentina poderiam afetar outros países? Quais?

Calvo: Há a possibilidade de uma corrida mundial [de fuga de capitais], isso não dá para ignorar. Mas a Argentina, nesse sentido, está em situação complicada porque depende muito de sua conta corrente. E vejo o Brasil, apesar de seus problemas políticos, bastante forte. Então creio que pode atingir alguns países, mas de maneira seletiva. Agora está atingindo mais fortemente a Turquia, porque a Turquia tem uma conta corrente muito negativa, mas a tem há muito tempo e mesmo assim pode aguentar até aqui. Como, de modo geral o investidor internacional vê a situação dos EUA como estável, com as taxas de juros aumentando, pensa: ‘Melhor eu levar meu dinheiro para os EUA por um tempo’. E quando isso acontece, força os demais governos a fazerem o ajuste em conta corrente. Quando maior é o déficit, mais sério é o problema. De maneira geral, creio que será um processo seletivo e impactará em princípio países com conta corrente negativa. Agora, há outras fontes de risco, que não sei o quão importantes podem vir a ser. Nos países que emitem bônus
de grande liquidez, esse tipo de crise faz estrago. A questão do contágio tem muito a ver com como funciona o mercado de capitais. Suponha que haja uma crise na Turquia, e o investidor na Turquia tem não apenas papel turco, mas também quer ter em sua carteira papéis que tenham liquidez. Seria possível, por exemplo, que uma crise na Turquia traga problemas para investidores profissionais, particularmente aqueles que pediram empréstimos bancários para fazer investimentos. Se eles tivessem bônus da Turquia e seus preços caíssem abruptamente, esses investidores poderiam se ver forçados a se desfazer desses bônus e de outros países, como os do Brasil. Como consequência, essa operação poderia aumentar as taxas de juros no Brasil e criar problemas financeiros para o país, por mais que o Brasil não tenha nada a ver com a crise turca. Esse é um exemplo do que poderia acontecer, mas não necessariamente o que vai acontecer.

Valor: A crise na Argentina traz algum risco político? Há pouco tempo o retorno do peronismo ao poder parecia impensável, mas esse cenário parece ter mudado um pouco.

Calvo: Eu, particularmente, não creio nesse cenário de volta do peronismo, porque o peronismo está rachado, dividido. A ex-presidente Cristina Kirchner não se dá bem com o resto do peronismo e tem hoje não mais do que 30% de intenções de voto. Portanto, enquanto Cristina não se juntar aos demais peronistas, não vejo nenhuma chance de a oposição peronista voltar ao poder. O que eu esperaria, na verdade, é que Macri se peronize.

Valor: E como seria isso?

Calvo: Acredito que o presidente pode começar a fazer acordos com as alas peronistas, cedendo a algumas pressões, ao que estão pedindo, para que minimize algum ajuste. Creio que o partido peronista não existe no momento. É grande, mas está partido ao meio. Macri continua tendo muita força. E Cristina, por sua vez, não creio que tenha chances de ganhar uma eleição porque muitos argentinos têm horror a isso. Não vejo chance.

Fonte: Valor

Redação On maio - 24 - 2018
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