Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

Filiado a FIESP

Sbado, 15 de Dezembro de 2018






Associe-se!
Clique aqui e conheça as vantagens

A tarifa de 25% imposta às importações de aço, anunciada pelo governo americano e que levou o setor siderúrgico nacional a aceitar uma cota que reduz suas exportações para aquele país, é apenas um dos ataques protecionistas dos Estados Unidos que atingiram as indústrias siderúrgicas do Brasil. Desde o início dos anos 1990, categorias importantes de aço são sobretaxadas pelos EUA, algumas com alíquotas que, somadas, superam 100% sobre o valor do produto, segundo estudo do Instituto Aço Brasil.

— A economia tida como mais livre e mais aberta do mundo tem uma tradição de fechamento de seu mercado para o aço — afirma o presidente da entidade, Marco Polo Mello.

Usado na fabricação de arames, porcas, parafusos e rebites, o fio máquina tem duas categorias de sobretaxas desde 2001. Na importação pelos EUA há alíquotas de 74,45% a 94,73% por prática de dumping, quando o produto entra em um país com preço artificial, abaixo do valor médio praticado no mercado interno. Outra faixa, de 2,31% a 7,74%, é uma medida compensatória a subsídios que o governo brasileiro teria concedido, direta ou indiretamente, à siderurgia.

DUPLA PENALIDADE

Laminados a frio e a quente também sofrem dupla penalidade desde 2015. Largamente usados por fabricantes de automóveis, embalagens e produtos de linha branca (geladeiras, máquinas de lavar e fogão, principalmente), os aços laminados a frio, ao entrarem no mercado americano, são sobretaxados em até 35,43% com tarifas antidumping, e em 11,09% a 11,31% com alíquotas compensatórias. Já os laminados a quente, comprados pelas indústrias naval e de máquinas e equipamentos, têm sobretaxas de até 35,43% (antidumping) e 11,30% (compensatórias).

Medidas protecionistas

Resistentes a altas temperaturas e usadas, principalmente, pela indústria metalúrgica, as barras de aço inoxidável são tributadas, desde 1993, em até 19,43% por prática de dumping. Chapas grossas cortadas, presentes em diversos setores, como as indústrias naval, energética, de gás e óleo, são taxadas em 74,52%.

SOBRAM MILHÕES DE TONELADAS

Já os tubos com costura têm uma tarifa antidumping de 103,38%. São usados na condução de substâncias líquidas, gasosas e pastosas. Estão presentes em redes de água, esgoto e em equipamentos de combate a incêndio.

Os produtos siderúrgicos estão sempre na mira do governo americano com medidas antidumping, cotas e salvaguardas, afirma Mello. Porém, lembra ele, o aço brasileiro não é o único que sofre ataques protecionistas. É um dos produtos mais tributados do mundo, alvo de um terço das ações de defesa comercial em vigor. A China lidera o ranking com 176 medidas, seguida por Coreia (67) e Taiwan (42). O Brasil está em 10º lugar, com 16 medidas.

Estima-se que existam no mundo 780 milhões de toneladas de excedente de capacidade instalada de aço. Desse total, mais de 400 milhões estão na China. Não são apenas os siderúrgicos chineses que entrarão em menor quantidade nos EUA. Outros países também vão diminuir suas exportações para os americanos. O que sobrar terá de ir a outros mercados, incluindo o Brasil.

Fonte: O Globo

Cotas de aço

Diante da insensata ofensiva protecionista de Trump, Brasil é forçado a aceitar limites

Com a decisão do governo americano de suspender as negociações, o Brasil teve de escolher entre duas alternativas ruins —ou aceitava limitar as vendas de aço para os Estados Unidos, escapando de tarifas adicionais, ou ficaria sujeito a uma sobretaxa de 25% sobre todo o volume exportado.

Entre as duas, a menos nociva do ponto de vista da indústria era submeter-se às cotas, que resultarão em queda de 12% das exportações em relação ao total de 2017, para 4,1 milhões de toneladas anuais. No caso do aço semiacabado, que representa 85% das vendas brasileiras, haverá limitação em 3,5 milhões de toneladas, 7,4% a menos que o verificado no ano passado.

Aqui, o impacto pode até ser considerado modesto. Como não há grande competição entre a indústria brasileira e a americana nesse segmento —principal argumento utilizado pelo Itamaraty—, a agressividade do governo Donald Trump acabou mais contida.

O estrago maior se dará nas vendas de aço acabado, que sofreram um redutor de 30% sobre a média do último triênio. Dependendo do produto (planos, longos, tubos ou aços especiais), a queda pode chegar a 60%. Nessa fatia do mercado, estabeleceu-se o limite de 496 mil toneladas daqui para a frente.

De todo modo, as perdas para o Brasil são relevantes. As exportações de aço chegaram a US$ 2,6 bilhões no ano passado, 3% da pauta nacional, e os EUA responderam por 44% das compras do produto. Com a baixa ocupação da capacidade instalada local, em torno de 76%, as siderúrgicas devem sofrer.

Contestar as sanções na Organização Mundial do Comércio (OMC) é visto como contraproducente, pois levaria à imposição imediata das sobretaxas, com prejuízos maiores no curto prazo.

A busca por outros parceiros tampouco será fácil, já que o mercado mundial sofre de excesso de capacidade devido aos investimentos da China nas últimas duas décadas.

Para Trump e sua equipe de assessores protecionistas, os preços baixos causados pela fartura da oferta estariam destruindo a produção do país —ameaçando, como se alega de modo quase caricato, a segurança nacional.

Os americanos tiveram mais cuidado com aliados estratégicos, como Canadá e Europa —que continuam preservados por ora, em meio a negociações. Não se descarta que a isenção de cotas e sobretaxas para eles possa ser definitiva.

Fato é que a ofensiva, se ampliada, resultará em perturbação considerável do comércio global, com potencial efeito negativo sobre o crescimento econômico.

O governo Trump vai repetindo, em grande escala, o erro tantas vezes cometido pelo Brasil. O desconhecimento dos benefícios do livre comércio só leva a ineficiência e prejuízo aos consumidores.

Fonte: Folha de São Paulo

Temer critica taxas do aço dos EUA, mas diz que governo deve aceitar cotas

Sobre a reforma da Previdência, o presidente não descartou que o tema possa voltar à pauta legislativa após as eleições

O presidente Michel Temer criticou, nesta sexta-feira, 4, a decisão do Estados Unidos de sobretaxar o aço e o alumínio brasileiro. Em entrevista à NBR, Temer afirmou que a decisão não foi “útil” e deixou em aberto a possibilidade do Brasil recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC). O presidente admitiu, no entanto, as chances de aceitar as chamadas cotas impostas pelos norte-americanos.

“Nós exportamos muito aço inacabado. Há uma tendência de aceitar as chamadas cotas que os Estados Unidos estão pleiteando (para o aço brasileiro). Isso ainda está em estudo. O mesmo vale para o alumínio”, afirmou Temer. “Não sei se vamos levar isso para a OMC ou não, mas por enquanto produtores não querem perder essas exportações. Não foi útil essa decisão norte-americana, tanto que foi adiada. Quem sabe (essa decisão) seja adiada até o final do mês e nós possamos negociar melhores condições”, disse.

Temer também comentou sobre os preços praticados pela Petrobras, ao ser questionado sobre a imagem da estatal em seu governo. Ele disse que a empresa melhorou financeiramente, na gestão de Pedro Parente, atual presidente, por conta da equiparação dos preços com o mercado internacional.

“A Petrobras era praticamente um palavrão cerca de dois anos atrás. Com isso as ações caíram. Com o Pedro Parente, a Petrobras logo se recuperou. Parente me disse que o melhor seria acompanharmos política de preços internacionais e é isso que temos feito. Isso dá muita credibilidade e vai continuar”, explicou o presidente da República.

Sobre os elevados preços de combustível, Temer respondeu que, “lamentavelmente”, a tendência é que se continue assim. “Caindo o preço internacional, o preço dos produtos da Petrobras cai também”, explicou.

Sobre a reforma da Previdência, o presidente não descartou que o tema possa voltar à pauta legislativa após as eleições. Disse que, ainda assim, a tendência é que as alterações ocorram no próximo governo, já que sua gestão colocou o tema na pauta política do País. “Sem eleições pela frente, isso facilita a aprovação da reforma da Previdência.”

Ao argumentar, no entanto, sobre as razões de o governo não ter conseguido aprovar o tema junto ao Parlamento, Temer lembrou da intervenção federal no Rio de Janeiro. “Entre a reforma da Previdência, de difícil aprovação, e a intervenção federal no Rio de Janeiro, tivemos que paralisar essa reforma”, explicou.

O presidente também falou sobre os altos juros do cartão de crédito. Com um discurso voltado para o cidadão, ele explicou por que a redução da taxa Selic não derrubou também os juros praticados por bancos privados. Mas, na sequência, disse que o governo está num movimento para reduzir isso. A ideia é utilizar a Caixa Econômica Federal para pressionar que as instituições financeiras também joguem os juros para baixo.

“A tendência é reduzir juros do cartão de crédito. Já houve uma redução, mas estamos numa movimentação para garantir uma redução maior no juros dos bancos”, disse. Sobre a queda da inflação, Temer disse que isso se deu pelo diálogo junto ao Congresso Nacional, o que trouxe confiança ao governo.

Ele também falou sobre medidas sociais do governo. Citou, mais uma vez, o reajuste acima da inflação para o Bolsa Família, o que não acontecia há dois anos, como destacou ele, e a possibilidade de lançar uma linha de crédito imobiliário pela Caixa Econômica ainda neste mês.

Fonte: Exame

Redação On maio - 7 - 2018
  • Central de atendimento
  • Telefone: (11) 3285-3522 / e-mail: sicetel@sicetel.com.br
Associe-se!
        Clique aqui
Cadastre seu e-mail e receba periodicamente notícias do SICETEL.