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A União Europeia (UE) está elaborando uma proposta de paz, com a qual espera encerrar as hostilidades comerciais com a Casa Branca e evitar a imposição de tarifas sobre o aço e o alumínio exportado pelo bloco, previstas para daqui a duas semanas, segundo autoridades europeias.
Seu ponto central é uma versão menor e simplificada da Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP, na sigla em inglês) – o controvertido acordo comercial UE-EUA que foi negociado, mas nunca concluído no governo de Barack Obama.
Para completar a proposta, a UE está considerando unir forças com os EUA para enfrentar o que ambos veem como práticas comerciais injustas da China, disseram essas autoridades.
O mini-acordo proposto atende a uma exigência básica do presidente Donald Trump: tarifas menores sobre automóveis, peças e máquinas industriais americanas que entram na Europa.
Em troca das barreiras menores, que também poderão ser aplicadas a alguns produtos agrícolas e farmacêuticos americanos, a UE vai pedir acesso para suas empresas a contratos públicos nos EUA, obstáculo de longa data nas negociações da TTIP.
O eventual acordo poderá incluir compromisso de participação conjunta da UE e dos EUA em ações contra a China na Organização Mundial do Comércio (OMC), além da promessa de os principais governos europeus pressionaram mais Pequim para criar condições de igualdade para as empresas estrangeiras no país e para combater o roubo de propriedade intelectual, disseram autoridades alemãs.
“Sobre a China, concordamos com os EUA quanto ao problema; só não concordamos com o método”, disse um diplomata da UE.
Junto com outros incentivos, a UE também está acelerando negociações não relacionadas que permitiriam a entrada de mais exportações de carne bovina de alta qualidade dos EUA no mercado da UE, mas que se arrastam há anos.
A abordagem em várias frentes começou com uma iniciativa da Alemanha, cuja economia aquecida depende muito das exportações e que seria a mais prejudicada por uma escalada da guerra comercial com os EUA.
Desde então, outros países apresentaram suas próprias ideias, ampliando a proposta, mas também complicando as negociações. A França, por exemplo, quer que o acordo seja condicionado à volta dos EUA ao Acordo de Paris sobre o clima e resiste que os produtos agrícolas sejam parte do pacote, segundo autoridades europeias.
No mês passado, o presidente da França, Emmanuel Macron, disse que “por princípio, não discutimos nada quando temos uma arma apontada para nossa cabeça” e as autoridades francesas classificaram uma retomada da TTIP como um “sinal de fraqueza”.
Macron estará hoje em Berlim para se encontrar com a premiê alemã, Angela Merkel, no que autoridades alemãs descreveram como uma tentativa de definir uma estratégia conjunta antes da visita dos dois líderes a Trump na próxima semana.
“Deveremos ter uma proposta acabada para Trump quando Merkel estiver em Washington”, disse uma autoridade alemã. “No fim, tudo vai depender de Trump ficar impressionado com a nossa proposta”, acrescentou.
Antes que negociações detalhadas com os EUA sobre como implementar a proposta da UE possam começar, as autoridades europeias insistem que a isenção de um mês às novas tarifas americanas sobre as importações de aço e alumínio passe a ser permanente.
Cecilia Malmström, comissária do Comércio da UE, manteve uma postura agressiva nesta semana, afirmando que “não vamos oferecer [aos EUA] nada a essa altura”. Ela acrescentou que “esperamos ser permanentemente e incondicionalmente isentos dessas medidas [as tarifas]… Quando isso for confirmado pelo presidente [Trump], estaremos, como sempre, dispostos a discutir qualquer coisa que disser respeito à facilitação do comércio e atritos comerciais”.
Mas diplomatas da UE e autoridades de governos europeus disseram que, por trás da retórica dura, o bloco está ocupado elaborando um acordo que evite um rompimento nas estratégicas relações com Washington. Um portavoz do secretário do Comércio dos EUA, Wilbur Ross, confirmou que as discussões estão em andamento, mas não quis fornecer detalhes.
No mês passado, Trump invocou a segurança nacional para impor tarifas de 25% sobre o aço e 10% sobre o alumínio, mas concedeu à UE, Canadá, México, Austrália, Argentina, Brasil e Coreia do Sul isenções temporárias e uma oportunidade para que eles negociem uma isenção permanente.
O principal alvo de Trump, a China, impôs tarifas retaliatórias sobre mais de uma centena de diferentes produtos americanos, aumentando os temores de escalada de uma guerra comercial.
Embora seu foco esteja na atenuação, a UE também está considerando contramedidas caso as negociações fracassem. Na segunda-feira, seus representantes na OMC seguiram a China na solicitação de consultas sobre as tarifas ao aço impostas pelos EUA. Em Bruxelas, autoridades da EU finalizaram na terça-feira uma lista de medidas retaliatórias, caso não se chegue a um acordo até 1º de maio.
Em suas declarações lamentando o que descreveu como vantagens comerciais injustas da Europa, Trump sempre destacou a Alemanha, que tem grande superávit comercial com os EUA, ligando isso a outras reclamações, como os gastos militares supostamente insuficientes de Berlim.
Isso sugere que um acordo que evite as tarifas sobre o aço e o alumínio poderá vir como um pacote de medidas europeias e nacionais, não necessariamente ligadas ao comércio.
“O presidente Trump quer colocar tudo na mesa: nosso superávit comercial, exportações de automóveis, gastos com defesa e as relações com a Rússia”, disse uma autoridade de Berlim.
Acrescentar gastos extras com defesa pela Alemanha à proposta comercial da UE a Trump não será fácil. Os social-democratas, de tendência de esquerda e parceiros na coalizão que dá sustentação ao governo de Merkel, resistem a um aumento do orçamento militar.
“O problema que parceiros internacionais têm é que eles estão acostumados a seguir uma determinada cartilha comercial”, afirma John Clancy, consultor sênior da FTI Consulting, uma consultoria de Bruxelas especializada em negócios, fazendo alusão à maneira como Trump mudou o foco da política comercial dos EUA, das rodadas de acordos multilaterais das últimas décadas para os acordos bilaterais.
“Com o atual governo americano, você tem de jogar essa cartilha fora e pensar de uma maneira totalmente nova”, diz Clancy.

Fonte: Valor Econômico / Abimaq

Redação On abril - 19 - 2018
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