Sindicato Nacional da Indústria de
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Tera-feira, 25 de Setembro de 2018






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EUA e China já estão se preparando para uma guerra comercial

Da última vez que Washington se mobilizou para uma guerra comercial, o presidente era Ronald Reagan, e o adversário, o Japão.

A Casa Branca prepara hoje os mesmos armamentos pesados – uma combinação de tarifas e cotas de importação – e os aponta, principalmente, contra as importações vindas da China. Quase tudo está na mira dos EUA, de produtos siderúrgicos e painéis solares a lavadoras de roupa. O superávit comercial recorde da China com os EUA, anunciado na semana passada, é o possível catalisador das hostilidades, após um ano de ameaças do presidente Donald Trump.

Não é certo que haverá a guerra comercial, mas, se houver, não vai se parecer em nada com as batalhas dos anos 80 contra semicondutores, carros e TVs japoneses.

As forças são mais equilibradas desta vez: os EUA nunca entraram num conflito comercial contra um rival como a China, em termos de tamanho econômico, capacidade industrial e ambição global.

O Japão era um aliado dos EUA, enquanto a China é cada vez mais um rival. Isso amplia o risco de uma escalada olho por olho, dente por dente, especialmente porque o apoio a Pequim vem perdendo força tanto no espectro político dos EUA quanto entre a comunidade empresarial americana, que tradicionalmente era forte defensora do comércio com a China.

Na batalha que vai se delineando, alimentada pelo protecionismo dos dois lados (o lema America First, de Trump, tem seu contraponto no Sonho Chinês, do presidente Xi Jinping), cada lado exagera as suas próprias vantagens.

“Há uma guerra comercial se aproximando em razão do fanatismo ideológico e das estimativas absolutamente contraditórias de quem leva mais vantagem”, diz Scott Kennedy, especialista em política industrial no Center for Strategic and International Studies, um instituto de Washington.

Os mercados internacionais parecem estar amplamente despreparados para o que pode se tornar um choque de titãs. Sem contar a ameaça nuclear da Coreia do Norte, o maior estraga-prazeres econômico de 2018 seria uma guerra comercial entre China e EUA.

Uma vez iniciada uma guerra comercial, os efeitos poderão ser sentidos bem além das fronteiras dos combatentes. Os primeiros danos colaterais seriam vistos entre os aliados dos EUA nas cadeias de fornecimento. A China ainda é, em grande medida, o ponto final de montagem de componentes de alta tecnologia importados do Japão, Coreia do Sul e Taiwan.

Se a guerra sofrer uma grande escalada, poderia derrubar toda a arquitetura do comércio mundial. Esse pode, de fato, ser o objetivo de Trump. Seu ponto de vista de longa data é que um dos maiores erros já cometidos pelos EUA foi guiar a China para a Organização Mundial do Comércio (OMC) em 2001, capacitando um concorrente. Assessores dizem que ele regularmente ameaça deixar a entidade.

No passado, Trump sinalizou que a ajuda dos chineses na questão da Coreia do Norte poderia levar os EUA a não adotar medidas comerciais. Em telefonema com o presidente dos EUA ontem, Xi disse que problemas comerciais devem ser resolvidos “tornando maior o bolo da cooperação”, segundo relatou a agência Xinhua.

Reservadamente, no entanto, autoridades chinesas ressaltam os pontos fortes táticos de Pequim. Alguns são culturais: o povo chinês, diz uma autoridade, lida melhor com sabores “amargos”, isto é, consegue suportar adversidades. A percepção de que há uma intimidação por parte dos EUA vai unir a população ainda mais em torno do Partido Comunista, argumentou a autoridade, enquanto a posição dos EUA vai dividir os americanos entre os que são a favor e contra às hostilidades comerciais.

Empresas como Boeing, General Motors e Apple estão na categoria dos que se opõe a hostilidades.

Outra grande diferença entre a China e o Japão é que o mercado japonês estava em grande parte fechado às empresas dos EUA nos anos 1980, enquanto a China é relativamente aberta, e essas empresas dependem fortemente das vendas na China, de forma que acabariam reféns em qualquer conflito.

Enquanto a Casa Branca luta para preparar uma estratégia coerente – Trump ainda está amarrado pelo Congresso dos EUA- a China tem um plano detalhado para uma guerra comercial e flexibilidade total para empreendê-lo. Uma mudança de preferência em favor de mais compras da Airbus seria uma jogada óbvia. Diversificar o fornecimento de soja, outra.

Eventuais medidas chinesas de retaliação seriam altamente direcionadas – Estado por Estado, distrito por distrito – para infligir o máximo possível de perda de empregos nos EUA e para distinguir como alvo os políticos mais exaltados a favor da medidas comerciais.

Nicholas Lardy, pesquisador sênior do Peterson Institute for International Economics, acha que Pequim ganharia a guerra. Entre seus motivos: os protestos das empresas afetadas num sistema político mais aberto nos EUA e a capacidade da China de concentrar os danos da sua retaliação. Ele argumenta que “os custos políticos para o governo Trump de manter novas medidas protecionistas vão ser muito maiores do que os custos da retaliação para o regime de Xi.”

Derek Scissors, analista de comércio exterior no American Enterprise Institute, diz que a maior vantagem dos EUA é que a China depende muito mais do comércio exterior para sua saúde financeira.

“Um conflito comercial mais curto, em menor escala, favorece a China em razão de sua agilidade em comparação [aos EUA]”, diz. “Quanto mais sério ficar, pior a China vai ficar porque tem uma grande desvantagem monetária.”

Nos anos 80, o Japão teve de recuar e concordar com restrições voluntárias a exportações e com a transferência de boa parte de sua base de produção de carros para os EUA, de forma a criar empregos em solo americano e aliviar as tensões. A China não poderá ser pressionada da mesma forma.

Fonte: Abinee / Valor

Exportação cresceu em todos os estados, menos em Sergipe

Com exceção de Sergipe, todos os estados brasileiros viram as suas exportações crescerem em 2017, com destaque para as vendas de automóveis, minério de ferro, soja, óleo bruto de petróleo e carnes.

Para especialistas, a tendência é que as unidades da federação (UFs) continuem expandindo o valor vendido aos outros países em 2018, porém, não no mesmo ritmo do que no ano passado, quando as exportações avançaram 17,5%, a US$ 217 bilhões.

Além das vendas externas terem saído de uma base muito deprimida em 2016, a safra agrícola recorde de 2017 não irá se repetir este ano, enquanto a expectativa de uma expansão maior da economia brasileira em 2018 fará com que a demanda interna aumente a sua participação na produção industrial do País.

O professor de economia da ESPM, Orlando Assunção Fernandes, avalia que se as eleições provocarem algum choque no câmbio, este será no sentido de gerar uma desvalorização do real em relação ao dólar, o que favorecerá a rentabilidade dos principais estados exportadores de manufaturados, como São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul, Amazonas (Zona Franca de Manaus), por exemplo.

“A taxa de câmbio média atual, aproximadamente em R$ 3,30, já é competitiva para as vendas externas do País. É muito difícil que ela fique muito abaixo deste valor neste ano, cenário que já não seria tão bom para as exportações”, considera Fernandes.

Já o professor de economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Marcos Antonio de Andrade, espera que o câmbio fique entre R$ 3,50 e R$ 3,60 este ano, o que na sua avaliação, não é necessariamente benéfico para a exportação industrial. “Geralmente, quem trabalha com manufaturados, precisa importar insumos que ficarão mais caros com um câmbio rodando em R$ 3,60. Então, isso pode encarecer os produtos, atrapalhando a performance das vendas”, opina o professor.

Alta significativa
Dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviço (Mdic) mostram que o estado de São Paulo – que participou em 23,2% do total dos embarques nacionais – exportou US$ 50,662 bilhões em 2017, aumento de 9,64%, em relação ao ano de 2016. Somente as vendas de automóveis, autopeças e veículos de carga corresponderam a US$ 4,8 bilhões do total. Tiveram relevância ainda nas exportações paulistas, o açúcar, cujo valor exportado foi de US$ 5,562 bilhões, além de aviões, que geraram receita de US$ 3,438 bilhões.

Já as exportações do Rio de Janeiro tiveram alta de 26,34% no ano passado, para US$ 21,711 bilhões, com as vendas de óleos brutos de petróleo participando em 60,4% desse valor. Os embarques de automóveis, autopeças e veículos de carga, por sua vez, somaram US$ 1,021 bilhão, enquanto as exportações de barcos totalizaram US$ 903 milhões no ano passado.

As vendas externas do Paraná cresceram 19% em 2017, para US$ 18 bilhões, com destaque para os embarques de soja (US$ 4 bilhões), carnes de frango (US$ 1,646 bilhões) e automóveis e autopeças (US$ 1,586 bilhões). As exportações do Rio Grande do Sul, por sua vez, cresceram 7,3%, para US$ 17,7 bilhões, impulsionadas por soja (US$ 4,6 bilhões), fumo (US$ 1,3 bilhão), como também por automóveis e autopeças (US$ 1,132 bilhões).

As vendas do estado do Amazonas, por sua vez, avançaram 17%, para US$ 673 milhões, sendo US$ 182 milhões de insumos para bebidas e US$ 157 milhões de motocicletas e partes de motocicletas, mostra o Mdic.

Fernandes, da ESPM, destaca que as vendas de automóveis tiveram crescimento expressivo para países vizinhos em 2017, como Argentina (+43%), Chile (+98%), Uruguai (+59%) e Colômbia (+50%) e que a tendência é que essas nações continuem comprando este ano. “No entanto, essa expansão [na venda externa de automóveis] não terá o mesmo salto que teve em 2017. Primeiro, pela baixa base de comparação [em 2016] e, segundo, porque com o aquecimento da economia nacional, uma fatia maior da produção será direcionada para o mercado interno”, comenta Assunção Fernandes.

Commodities
O professor da ESPM ressalta ainda que, diante da meta do governo da China de reduzir a poluição, o país passará a demandar minério de ferro de mais qualidade, ou seja, que seja menos poluente, produto que, hoje, o estado do Pará tem condições de oferecer. “O complexo minerador S11D [no sudeste do Pará] produz um minério que é menos poluente”, reforça Fernandes, pontuando que isso favorecerá as vendas para a China.

Por outro lado, Andrade do Mackenzie avalia que a tendência para os preços das commodities agrícolas e minerais é de estabilidade ou de leve queda, o que sinaliza que as exportações desses produtos não devem verificar crescimento expressivo como o registrado no ano passado.

As exportações do Pará subiram 37,8%, para US$ 14 bilhões, com destaque para o minério de ferro US$ 7,7 bilhões. Já os embarques do Mato Grosso cresceram 17%, para US$ 14 bilhões, puxados pela soja (US$ 6,8 bilhões). Cenário semelhante ocorreu com as vendas de Goiás, que registraram elevação de 16,5%, para US$ 7 bilhões, também com bom desempenho da soja (US$ 1,8 bilhão).

No Nordeste, destacam-se as exportações da Bahia (+19%, a US$ 8 bilhões), com principal pauta da soja (US$ 1,2 bilhão), além de Pernambuco (+38%, US$ 1,9 bilhão), impulsionadas por veículos e partes (US$ 736 milhões).

Fonte: DCI

Governo do Reino Unido rejeita novo referendo sobre o Brexit

Após a possibilidade de um novo referendo sobre a saída do Reino Unido da União Europeia ter sido levantada por Nigel Farage, um dos principais defensores do Brexit, o governo do país rejeitou ontem uma outra consulta popular. Diante da complexidade do processo de negociação para saída britânica do bloco, prevista para março de 2019, o debate sobre o tema tem ganhado força.

Ontem, os presidentes do Conselho Europeu, Donald Tusk, e da Comissão Europeia, Jean-Claude Junker, abriram as portas para o Reino Unido reverter o Brexit – que foi aprovado em 23 de junho pelos britânicos (51,8% a 48,2%). “O Brexit se tornará realidade, a não ser que haja uma mudança de ideia entre nossos amigos britânicos. Nós aqui no continente não mudamos de ideia. Nossos corações ainda estão abertos para vocês”, declarou Tusk, em Estrasburgo. Junker reforçou a ideia. “Nossas portas ainda estão abertas. Espero que isso seja ouvido em Londres.”

Na semana passada, uma das figuras mais importantes na defesa do Brexit, Farage, ex-líder do eurocético Partido da Independência do Reino Unido (Ukip), defendeu um segundo referendo sobre o tema, convencido de que o eleitorado repetiria a decisão.

A primeira-ministra britânica, Theresa May, do Partido Conservador, descarta a possibilidade de uma nova votação sobre o tema. O gabinete da premiê reforçou ontem a posição. Em entrevista publicada ontem pelo jornal britânico The Guardian, o ministro de Relações Exteriores do país, Boris Johnson, também descartou a possibilidade.

May tem declarado que um segundo plebiscito sobre o Brexit significaria uma traição ao eleitorado britânico e poderia resultar em um acordo ruim com Bruxelas. Entre os conservadores, somente 36% são a favor de uma nova votação. Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista, de oposição, também é contra um segundo referendo.

Entre os principais defensores de uma nova votação estão o ex-primeiro-ministro trabalhista Tony Blair e o ex-líder do Partido Liberal Democrata Nick Clegg. Constitucionalistas britânicos se dividem sobre a possibilidade de o Reino Unido reverter o processo de retirada determinado pelo referendo.

Segundo pesquisa do instituto BMG Research, 57% dos britânicos são a favor de um novo plebiscito se as negociações para o Brexit não alcançarem um acordo comercial favorável para o país. Uma sondagem publicada no dia 12 pelo Daily Mirror mostrou que, se uma segunda consulta popular fosse realizada, 55% dos britânicos votariam contra o Brexit.

Fonte: O Estado SP

Inflação anual na zona do euro desacelera para 1,4% em dezembro

O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) da zona do euro subiu 1,4% na comparação anual de dezembro, perdendo força em relação ao aumento de 1,5% observado em novembro, segundo dados finais divulgados hoje pela agência de estatísticas da União Europeia, a Eurostat.
O resultado de dezembro confirmou estimativa preliminar e veio em linha com a expectativa de analistas consultados pela Dow Jones Newswires.
A leitura final também mostrou que a inflação na zona do euro se afastou um pouco mais da meta do Banco Central Europeu (BCE), que é de uma taxa ligeiramente inferior a 2,0%.
Em relação a novembro, o CPI da região avançou 0,4% em dezembro, também em linha com a projeção do mercado.
Apenas o núcleo do CPI do bloco, que exclui os preços de energia e de alimentos, registrou alta de 0,5% em dezembro ante o mês anterior e subiu 0,9% na comparação anual.

Fonte: O Estado de São Paulo

China atrai IED equivalente a 877,6 bilhões de yuans em 2017, alta de 7,9%

O investimento estrangeiro direto (IED) na China teve expansão de 7,9% em 2017 ante o ano anterior, a 877,6 bilhões de yuans (US$ 136,4 bilhões), segundo dados publicados hoje pelo Ministério de Comércio do país.
Apenas em dezembro, o IED registrou queda anual de 9,2%, a 73,9 bilhões de yuans, contrastando significativamente com o aumento de 90,7% registrado em novembro.
Em comunicado, o ministério prevê que a China enfrentará dificuldades para atrair investimento estrangeiro em 2018, diante de “uma série de incertezas”.

Fonte: O Estado de São Paulo

Marcopolo exporta 37 ônibus para o Catar

A Marcopolo vai fornecer 37 ônibus para a MBM Transport, um dos principais operadores de transporte de passageiros no segmento de fretamento do Catar. Foram adquiridas 26 unidades do modelo rodoviário Paradiso 1200 e 11 do ônibus urbano Torino que serão utilizados no transporte de funcionários da empresa petrolífera Shell.

Segundo Ricardo Portolan, gerente executivo de negócios internacionais Região Oriente Médio e África da Marcopolo, a empresa tem conseguido manter a sua competitividade internacional e recuperado mercados e clientes. “Nos últimos dois anos, fechamos importantes negócios com operadores dos países árabes. O resultado é fruto de muito trabalho de toda a nossa equipe de exportação”, explica o executivo.

Destinado tanto para o transporte em trajetos intermunicipais e/ou serviços de fretamento, o Paradiso 1200 possui visual moderno e, pela sua robustez, garante menor manutenção para o operador. É equipado com poltronas dos modelos leito e semileito e possui capacidade para transportar, respectivamente, 25 e 40 passageiros sentados.

Com 12,5 metros de comprimento, tem chassi Volvo B11R e conta com duas portas de acesso, vidros colados, sistema de ar-condicionado de alta capacidade, parede de separação do salão de passageiros e câmeras de monitoramento. O destaque é o seu elevado padrão de conforto e segurança aos usuários.

“O grande diferencial desse negócio é que 12 unidades do Paradiso 1200 terão poltronas leito. Essa é primeira vez que um cliente do Catar solicita esse tipo de configuração para atender esse segmento de fretamento”, revela Portolan.

Os veículos Torino desenvolvidos para a MBM Transport têm chassi Volvo B7R Low Entry, duas portas de acesso, sistema de ar-condicionado de alta capacidade e iluminação interna e externa em LED. Com 12 metros de comprimento, possuem 37 poltronas estofadas e rack para ferramentas.

Fonte: Tribuna do Norte / Infomet

Setor automotivo reforça produção nos grandes mercados

Há poucos dias, a Toyota anunciou o plano de investir US$ 10 bilhões nos Estados Unidos nos próximos cinco anos. Ontem, na apresentação do salão do automóvel de Detroit, Volkswagen e Ford também revelaram programas de investimentos robustos no segundo maior mercado do mundo. A Volks prevê gastar US$ 3,3 bilhões na América do Norte até 2020 e a Ford elevou o orçamento para carros elétricos para US$ 11 bilhões até 2022.

À primeira vista, essas decisões parecem até um efeito positivo, para os EUA, das ameaças do presidente Donald Trump, que desde a campanha critica os que produzem veículos em países como México para vender no mercado americano. Ou mesmo que eventuais medidas do governo, como a reforma tributária, poderiam estar atraindo expansões do setor produtivo para criar mais empregos.

Mas, segundo os dirigentes da indústria automobilística, os investimentos nos EUA seguem uma estratégia que se torna cada vez mais evidente nesse setor, que é concentrar a produção nos maiores mercados do mundo e, assim, evitar ao máximo a necessidade de importar nessas regiões.

“Para ser um competidor forte você precisa ter linhas de produção plenas no país ”, disse ao Valor o presidente da Volkswagen para a América do Norte, Hinrich Woebcken. Segundo ele, a decisão do investimento foi tomada há cerca de um ano e meio, muito antes das medidas voltadas a mudanças tributárias. Uma das principais atrações da Volks no salão de Detroit é a nova geração do Jetta, que será exportada para o Brasil. Dos US$ 3,3 bilhões em investimentos na América do Norte, anunciados ontem, US$ 1,2 bilhão serão destinados aos Estados Unidos.

“Trata-se de um mercado com grande potencial e essa e uma questão estratégica; hoje, 75% dos veículos que vendemos nos Estados Unidos são produzidos no país”, disse o executivo que comanda a Toyota na América do Norte, Jack Hollis. Segundo ele, também na montadora japonesa, a decisão de investir nos EUA foi tomada antes de qualquer medida governamental. O plano de investimentos da Toyota inclui a construção de um centro de pesquisa em Michigan.

Esse conceito se aplica também à América do Sul. A Nissan, por exemplo, trabalha para expandir a nacionalização da produção na região. Segundo o presidente da montadora para a América Latina, Jose Luis Valls, em três anos as fábricas do Brasil e Argentina produzirão, juntas, 80% do que se vende na região. Hoje esse índice é de 40%. “A integração local é uma forma de proteção contra a volatilidade das moedas.”

O salão do automóvel de Detroit, que abrirá ao público no sábado, representa a marca dos desafios dos novos tempos. O berço do sistema de produção de autonal móveis em série nunca esteve tão acuado. Nem mesmo entre 2008 e 2009, quando o forte impacto da crise mundial esvaziou suas fábricas, deixou a região central com aspecto de cidade-fantasma e nas casas de madeira da periferia, abandonadas, marcas de incêndios provocados pelos próprios moradores que, desempregados, não podiam mais arcar com o pagamento da hipoteca.

Naquele momento, a ajuda financeira do governo dos Estados Unidos, que socorreu gigantes como General Motors e Chrysler, ajudou Detroit a se reerguer. Mas agora a cidade onde nasceu a linha de montagem enfrenta um desafio muito mais enigmático. A indústria de veículos, alicerce da história dessa região no Estado de Michigan, ainda não sabe exatamente como será seu futuro e é, a cada dia, surpreendida por mudanças nos hábitos de transporte que atropelam o tradicional ritmo de desenvolvimento de um automóvel.

Numa época em que carros começam a criar a forma de smartphones sobre rodas e o veículo compartilhado, seja qual for, provoca nas novas gerações mais entusiasmo do que ir até uma concessionária comprar o último lançamento, os maiores salões de automóveis do mundo estão na berlinda. Enquanto de um lado carros elétricos e autônomos se transformaram em tendências globais, por outro ninguém sabe ao certo até onde tudo isso vai parar.

Mas essa onda de incertezas que ronda a indústria automobilística não aparece nos estandes do salão de Detroit, que completa 30 anos. Sob os holofotes da exposição, a maioria dos carros ainda tem volante e precisa de humanos para funcionar.

Mas fora do Cobo hall, onde acontece a exposição, existe uma indústria mergulhada em pesquisas e testes de campo. É no centro de São Francisco, por exemplo, que a GM tem feito testes de rua com sua nova geração de carros autônomos. O chamado Cruise AV é um veículo que já não possui volante e nem pedais. O lado que hoje é destinado ao motorista tem acabamento exatamente igual ao do passageiro da frente. Ou seja ambos serão passageiros no futuro e, por isso, suas posições dentro do automóvel não se distinguem.

Na corrida pelo carro do futuro nenhuma montadora quer ficar para trás. Por isso, diariamente surgem na cidade do automóvel, notícias de parcerias entre montadoras e empresas de tecnologia. Mas, apesar das apostas de que o conceito do automóvel já começou a mudar, quem visita o salão sai com a impressão de que Detroit não conseguira tão cedo abandonar a paixão americana pelos carrões, picapes e utilitários esportivos robustos.

O salão do automóvel de Detroit, que será aberto ao público sábado, é a marca dos desafios dos novos tempos.

Fonte: Infomet

Redação On janeiro - 17 - 2018
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