Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

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Sexta-feira, 16 de Novembro de 2018






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Especial Usiminas: Parceria Brasil-Japão originou a Usiminas

Acordo assinado em 1957 criou a companhia que tornou-se líder do mercado nacional de aços planos

O acordo Lanari-Horikoshi, documento que oficializou a parceria industrial entre Japão e Brasil na área de siderurgia, assinado em 1957, viabilizou a implantação da primeira siderúrgica do Estado: a Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas), em Ipatinga, no Vale do Aço. Sonho do então presidente Juscelino Kubitschek, mineiro de Diamantina (Vale do Jequitinhonha), a companhia tornou-se líder no mercado brasileiro de aços planos e um dos maiores complexos siderúrgicos da América Latina.

Desde sua criação, em 1958, a companhia atravessou diferentes momentos políticos e econômicos do Brasil, tais como o chamado “milagre econômico”, a ditadura militar, a instituição da democracia, a aprovação da Constituição Federal, as crises financeiras da década de 1980 e do governo Collor, a cria&cccedil;ão do Plano Real, o boom da economia brasileira nos anos 2000 e a mais recente e grave crise econômica da história nacional, iniciada em 2014.

Em meio a diferentes cenários, a Usiminas ainda teve que lidar com períodos de altas e baixas no preço do minério de ferro e na demanda por aço nos mercados mundial e nacional, além de conflitos internos envolvendo seus principais acionistas: Nippon Steel & Sumitomo Metal (NSSMC) e Ternium Techint.

Os japoneses, conhecidos pela grande capacidade de resiliência, foram fundamentais pela prosperidade da empresa no decorrer das últimas décadas. Ao longo dos quase 60 anos de existência da Usiminas, foram inúmeras as contribuições oriundas da “Terra do Sol Nascente”. Da implementação de modelos de governança e negócios, ao emprego de tecnologias inovadoras, as inspirações se fazem presentes na empresa até hoje.

“Nossa contribuição sempre foi muito além do know-how tecnológico ou capital financeiro. Desde o início, viemos imbuídos em construir uma empresa brasileira para ser administrada por brasileiros, mas que contasse com as expertises do Japão. Dessa maneira, trouxemos tecnologia, qualidade industrial, manufatura, modelo de governança e experiência global”, resumiu o diretor para as Américas da NSSMC, Kazuhiro Egawa.

Tamanha importância da siderúrgica brasileira para os negócios da gigante japonesa, que a Usiminas é a única empresa do grupo classificada como usina integrada. Isso significa que o complexo mineiro tem o processo completo, da extração do minério de ferro até o fornecimento do aço para diferentes processos industriais e cadeias produtivas ao redor do mundo. Esse é um dos motivos que faz da Usiminas um dos negócios mais importantes para a Nippon.

“O lucro da empresa é o nosso lucro. Aliás, o lucro da Usiminas representa o lucro da Nippon em toda a América Latina”, ressalta Egawa. Além do Brasil, por meio da Usiminas, a siderúrgica japonesa tem negócios na China, no Sudeste Asiático, na Índia, nos Estados Unidos, no México, no Oriente Médio e na África. Os segmentos de atuação dentro da siderurgia são: automotivo, construção, ferroviário e energia.

Pós-guerra – De acordo com Egawa, o interesse do Japão em investir em uma siderúrgica brasileira se deu por alguns motivos, entre os quais se destacam dois. O primeiro diz respeito ao navio Kasato Maru, que há cerca de 110 anos trouxe o primeiro grupo oficial de imigrantes japoneses para o Brasil. O segundo se refere à necessidade que o país asiático tinha de se reintegrar ao restante do mundo no pós-guerra.

“O Brasil nos recebeu muito bem no início do século XX e o interesse do então presidente Juscelino Kubitschek em construir uma siderúrgica para alavancar o desenvolvimento do Brasil seria a oportunidade de agradecermos e, ao mesmo tempo, nos reposicionarmos enquanto nação mundial. Foi então que as lideranças japonesas iniciaram as negociações com o governo brasileiro e enviaram os melhores profissionais para desenvolver o projeto”, recorda.

Segundo ele, inicialmente estudou-se construir a usina em Santos, no litoral paulista. Mas, a comitiva de engenheiros que visitou o local percebeu que não seria possível erguer uma siderúrgica próxima à orla marítima, em função da baixa solidez do aterramento do solo. Para completar, os esforços do então governador de Minas Gerais, José Francisco Bias Fortes, eram grandes para que a fábrica fosse implantada em território mineiro.

Neste sentido, o historiador José Augusto de Morais lembra que os japoneses, na ocasião, fizeram uma espécie de questionário para escolher qual cidade de Minas Gerais poderia receber o empreendimento. Entraram no páreo Belo Horizonte, o Vale do Paraopeba, Conselheiro Lafaiete, Ipatinga e Governador Valadares.

Eles avaliaram itens como topografia e possibilidade de expansão, valor do terreno, localização da matéria-prima, transporte ferroviário e rodoviário, captação de água, fornecimento de energia elétrica, distância do porto de Vitória, distância do Rio de Janeiro e de São Paulo, obtenção de materiais de construção, existência de habitação, disponibilidade serviços de utilidade pública, transporte aéreo e existência de indústrias correlacionadas.

“Na metodologia adotada, Belo Horizonte obteve 96 pontos; o Vale do Paraopeba, 48 pontos; Conselheiro Lafaiete, 50 pontos; Governador Valadares, 98 pontos; e Ipatinga saiu vencedora com 119 pontos”, ressalta.

VALE DO AÇO CRESCEU JUNTO COM A EMPRESA

A história de Ipatinga, principal cidade do Vale do Aço, se confunde com a história da Usiminas. Embora a emancipação do município date de alguns anos antes da construção da siderúrgica, o desenvolvimento da região aconteceu concomitantemente com a evolução da produção do parque fabril instalado na região.

Porém, o historiador José Augusto de Morais destaca que Ipatinga viveu dois ciclos econômicos antes da chegada da usina. O primeiro, segundo ele, foi a derrubada da madeira para fazer carvão para as usinas localizadas em Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), e João Monlevade, também no Vale do Aço. O segundo, que também contribuiu para com a instalação da Usiminas, foi a construção da Usina Hidrelétrica de Salto Grande, em Braúnas.

“Como não tinha trem que fosse até Braúnas, o material era descarregado em Ipatinga e depois levado para lá. Essa parada obrigatória fez com que a vila tivesse que ter uma infraestrutura mínima, como dormitórios e comidas. Isso fomentava o desenvolvimento local”, explicou.

Assim, na chegada de Juscelino Kubitschek, do governador José Francisco Bias Fortes, acompanhados pela comitiva de japoneses que compunham a primeira diretoria da Usiminas, em 16 de agosto de 1958, para o lançamento do marco inicial da companhia, Ipatinga era composta por exatas 60 casas e tinha 300 habitantes.

“Uma curiosidade é que a Usiminas não teve o lançamento de uma pedra fundamental, como geralmente pede o início da construção de uma empresa. Kubitschek era muito supersticioso e acreditava que o termo ‘pedra fundamental’ dava azar. Por isso, foi feito um marco de madeira com pregos para marcar o início das edificações e iniciou-se a instalação da companhia”, revela.

E aquela vila inicialmente formada por algumas poucas dezenas de pessoas de repente começava a receber uma dezena de milhares de homens que iriam trabalhar na construção e posterior operação do grande empreendimento que Minas Gerais estava prestes a receber. O local não tinha estrutura necessária para abrigar o pessoal e, ao invés de se criar condições em dentro da área em torno das obras, os dirigentes optaram por construir a chamada Vila Operária.

“Todos os bairros eram classificados de acordo com os cargos dos funcionários e as casas eram diferenciadas segundo as funções exercidas pelos profissionais. A cidade cresceu ao redor deste ponto”, observa.

Inauguração – Passaram-se meses e anos e no início dos anos 1960 começaram a chegar os equipamentos para dar funcionamento à usina, bem como foram firmados os primeiros contratos de fornecimento da empresa. Em 1962, embora houvesse um temor pelo atraso nas obras da fábrica, no dia 26 de outubro foi inaugurada a Usina Intendente Câmara, em Ipatinga, no Vale do Aço.

Estiveram presentes importantes figuras políticas como o presidente da República, João Goulart; o primeiro-ministro Hermes Lima; o embaixador do Japão, Keiichi Tatisuke; o governador, Magalhães Pinto e seu secretariado; e o presidente da Usiminas, o engenheiro Amaro Lanari Júnior.

Assim nascia a primeira siderúrgica mineira, marcando uma nova era na economia do Estado e do País. A primeira corrida de aço da empresa ocorreu ainda em 1962 e o nível de produção de 500 mil toneladas de aço em chapas largas foi atingido dois anos depois, em 1964. O produto final era destinado à indústria naval e automobilística, bem como para grandes reservatórios, inclusive de petróleo.

A Usiminas nasceu já com capacidade de expansão em sua produção. O marco de 2 milhões de toneladas por ano seria atingindo em seu último estágio de expansão. Em termos de empregos, foram 6 mil funcionários na primeira etapa e 12 mil na segunda.

 

 

Usiminas: Ipatinga virou polo econômico com aportes da empresa

Companhia investiu em moradia, saúde e lazer

Nas últimas cinco décadas, a Usiminas, em parceria com a prefeitura de Ipatinga, realizou maciços investimentos em moradia, educação, saúde, lazer, cultura e meio ambiente. Hoje, o município, localizado a 210 quilômetros de Belo Horizonte, se destaca como polo econômico do Vale do Aço, além de ser referência nacional em meio ambiente, com 127 metros quadrados de área verde por habitante.

Mas as contribuições da siderúrgica para o município foram muito além. De acordo com o historiador José Augusto de Morais, que já escreveu alguns livros contando a história da usina e da cidade, a influência da empresa na economia de Ipatinga é fundamental. Também em função da empresa, os ipatinguenses estão quase alheios às crises financeiras nacionais.

“Da década de 1960 até 1990 a Usiminas viveu sua época áurea. A empresa pagava muito bem e o funcionário da empresa era cobiçado em toda a região. Depois de 35 anos esse pessoal se aposentou e acabou ficando pela cidade. Hoje, grande parte da população é aposentada ou pensionista. E é essa fatia da população que movimenta o comércio e a economia da cidade”, explica.

O presidente da regional da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) no Vale do Aço, Luciano Araújo, afirma que as histórias da região, da cidade e da empresa mais do que se confundem, se complementam. No setor industrial, especificamente, segundo ele, existe uma gratidão pelo que se formou em Ipatinga e em Minas Gerais a partir da Usiminas.

Cadeia produtiva – “Houve a formação de um cinturão de fornecedores e um adensamento da cadeia produtiva. Com isso, tivemos uma maior atração de investimentos e novas empresas foram surgindo ao redor da Usiminas. Sem contar a qualificação de mão de obra e a transferência de tecnologia que ela nos fornece desde que chegou”, recordou.

Para o prefeito de Ipatinga, Sebastião Quintão, a importância econômica da siderúrgica para o dia a dia não só do município, mas de todo o Vale do Aço, pode ser medida por diversos fatores. Um deles é o número de trabalhadores que depende direta ou indiretamente da siderúrgica.

“São cerca de 5 mil funcionários próprios, 6 mil terceirizados permanentes e em torno de mil envolvidos em obras temporárias, totalizando um contingente de 12 mil pessoas, fora os familiares de funcionários e ex-funcionários da empresa, demandantes das mais variadas formas de bens de consumo e, boa parte deles, também contribuintes do erário municipal”, destaca o prefeito.

A dimensão da siderúrgica para a cidade também pode ser medida pela arrecadação do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Para se ter uma ideia, nos últimos anos, de tudo o que entrou nos cofres municipais referente ao tributo, metade foi paga pela Usiminas.

Além disso, existem os repasses do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) por parte do Estado, que embora tenham apresentado redução nos últimos exercícios, chegam próximos aos R$ 150 milhões. O imposto, além de ser a principal fonte de arrecadação atrelada à Usiminas, é também a principal fonte de renda externa da prefeitura. “A empresa é responsável por pelo menos 50% da arrecadação do município”, ressalta Luciano Araújo.

 

Usiminas: Siderúrgica se ajusta às mudanças no Brasil

Companhia enfrentou embates e crises como qualquer empresa que atravessa seis décadas no País

Desde a chegada dos japoneses e a implantação da Usiminas, 60 anos se passaram. E, embora a empresa tenha vivido mais momentos auspiciosos do que críticos, a companhia precisou enfrentar embates e crises, como qualquer empresa que atravessa décadas no Brasil.

Somente para a assinatura do acordo Lanari-Horikoshi foi gasto mais de um ano de conversas, após a lavratura da escritura pública de constituição da Usiminas, em abril de 1956. O documento foi batizado com os sobrenomes de Amaro Lanari Júnior e Teizo Horikoshi, que lideraram missões japonesas ao Brasil para viabilizar o projeto. Posteriormente, Lanari se tornou presidente da companhia, entre 1958 e 1976, e Horikoshi presidiu a Nippon Usiminas, empresa criada para facilitar e intermediar os investimentos japoneses na siderúrgica mineira.

Do lado brasileiro, o governo federal foi o maior responsável pelo fornecimento do capital necessário à construção da primeira siderúrgica mineira, por meio do então Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico (BNDE), atual BNDES. Do japonês, um grupo privado liderado pela acionista Nippon, formado por produtoras de aço e fabricantes de máquinas e equipamentos, completou o investimento.

Criou-se, então, em 1956, uma empresa de capital misto (60% brasileiro e 40% japonês), que posteriormente passou a fornecer, por meio da Usina Intendente Câmara, produtos voltados à demanda da indústria nacional.

Na parte brasileira, o capital inicial da Usiminas contou com a participação de empresas privadas, entidades de classe, organizações universitárias, industriais e profissionais de diversas áreas. Juntos, 97 membros formaram a lista dos primeiros acionistas da siderúrgica. José Costa, jornalista e fundador do então “Informador Comercial”, hoje DIÁRIO DO COMÉRCIO, participou ativamente deste processo.

Seu filho e atual presidente do DC, Luiz Carlos Motta Costa, recorda as histórias narradas pelo pai e a participação ativa do jornal na cobertura da fundação da empresa, desde a vinda da primeira comitiva do Japão até a inauguração da unidade em Ipatinga, em 26 de outubro de 1962.

“Meu pai participava destes movimentos, pois integrava algumas das principais entidades de classes do Estado. Acompanhou o processo desde o início e só se desfez de suas ações quando da privatização da empresa em 1991, mas a contragosto”, lembra. Acredita-se que, assim como José Costa, outros integrantes da lista também tenham aberto mão de suas participações somente nesta época.

Privatização – A Usiminas foi a primeira estatal brasileira a ser privatizada. Desde então, a companhia ingressou em uma era crescente de negócios e projetos audaciosos, culminando com resultados exponenciais já a partir do fim da década de 1990 e início dos anos 2000.

CENÁRIO FAVORÁVEL SE INVERTEU EM DEZ ANOS

Na década passada, a Usiminas se beneficiou, dentre outras coisas, do cenário econômico internacional favorável e do bom momento vivido pela economia nacional, aguçado pelo boom da construção civil e pelos recordes de consumo da população brasileira. O mesmo ocorreu com as demais siderúrgicas do País. Desde então, o setor viveu seus anos dourados, mas antes mesmo da década acabar se viu impactado fortemente pela baixa demanda interna de produtos siderúrgicos.

E não foi diferente com a Usiminas. Por motivos como o excesso de capacidade de produção mundial de aço e os elevados preços do minério, uma forte turbulência financeira se abateu sobre a empresa a partir de 2015. Em meio a essa tempestade, a siderúrgica protagonizou uma das maiores disputas societárias em curso no Brasil.

A pior fase vivida pela companhia começou no fim de 2014 e se arrastou ao longo de 2015, quando a empresa registrou uma série de prejuízos consecutivos. A crise da siderúrgica se agravou de tal maneira a levá-la ao risco de entrar em processo de recuperação judicial.
Mas, segundo o presidente da Usiminas, Sérgio Leite, “o pior ficou para trás”. Ainda em 2016 os acionistas se uniram para realizar um aporte de R$ 1 bilhão e evitar que a empresa falisse. Já em 2017, os resultados positivos voltaram a aparecer, assim como a perspectiva de novos investimentos.

“Passados 55 anos de operação da Usiminas e de grandes desafios e conquistas, a empresa é hoje uma companhia que une forças de brasileiros, japoneses e ítalo-argentinos e que vive um novo momento: de celebração de sua história, mas, principalmente, de planejamento do seu futuro”, resumiu o presidente.

Ainda conforme ele, a cultura empresarial vem sendo revista, de maneira alavancar os resultados e sustentar a recuperação da empresa. “A palavra de ordem para toda a equipe é se adequar às novas exigências do mercado e voltar a ser uma referência em qualidade e gestão na indústria do aço, com foco nas pessoas, nos clientes e na geração de resultados sustentáveis”, enfatizou.

Fonte: Diário do Comércio / Infomet

Setor automotivo reforça produção nos grandes mercados

Há poucos dias, a Toyota anunciou o plano de investir US$ 10 bilhões nos Estados Unidos nos próximos cinco anos. Ontem, na apresentação do salão do automóvel de Detroit, Volkswagen e Ford também revelaram programas de investimentos robustos no segundo maior mercado do mundo. A Volks prevê gastar US$ 3,3 bilhões na América do Norte até 2020 e a Ford elevou o orçamento para carros elétricos para US$ 11 bilhões até 2022.

À primeira vista, essas decisões parecem até um efeito positivo, para os EUA, das ameaças do presidente Donald Trump, que desde a campanha critica os que produzem veículos em países como México para vender no mercado americano. Ou mesmo que eventuais medidas do governo, como a reforma tributária, poderiam estar atraindo expansões do setor produtivo para criar mais empregos.

Mas, segundo os dirigentes da indústria automobilística, os investimentos nos EUA seguem uma estratégia que se torna cada vez mais evidente nesse setor, que é concentrar a produção nos maiores mercados do mundo e, assim, evitar ao máximo a necessidade de importar nessas regiões.

“Para ser um competidor forte você precisa ter linhas de produção plenas no país ”, disse ao Valor o presidente da Volkswagen para a América do Norte, Hinrich Woebcken. Segundo ele, a decisão do investimento foi tomada há cerca de um ano e meio, muito antes das medidas voltadas a mudanças tributárias. Uma das principais atrações da Volks no salão de Detroit é a nova geração do Jetta, que será exportada para o Brasil. Dos US$ 3,3 bilhões em investimentos na América do Norte, anunciados ontem, US$ 1,2 bilhão serão destinados aos Estados Unidos.

“Trata-se de um mercado com grande potencial e essa e uma questão estratégica; hoje, 75% dos veículos que vendemos nos Estados Unidos são produzidos no país”, disse o executivo que comanda a Toyota na América do Norte, Jack Hollis. Segundo ele, também na montadora japonesa, a decisão de investir nos EUA foi tomada antes de qualquer medida governamental. O plano de investimentos da Toyota inclui a construção de um centro de pesquisa em Michigan.

Esse conceito se aplica também à América do Sul. A Nissan, por exemplo, trabalha para expandir a nacionalização da produção na região. Segundo o presidente da montadora para a América Latina, Jose Luis Valls, em três anos as fábricas do Brasil e Argentina produzirão, juntas, 80% do que se vende na região. Hoje esse índice é de 40%. “A integração local é uma forma de proteção contra a volatilidade das moedas.”

O salão do automóvel de Detroit, que abrirá ao público no sábado, representa a marca dos desafios dos novos tempos. O berço do sistema de produção de autonal móveis em série nunca esteve tão acuado. Nem mesmo entre 2008 e 2009, quando o forte impacto da crise mundial esvaziou suas fábricas, deixou a região central com aspecto de cidade-fantasma e nas casas de madeira da periferia, abandonadas, marcas de incêndios provocados pelos próprios moradores que, desempregados, não podiam mais arcar com o pagamento da hipoteca.

Naquele momento, a ajuda financeira do governo dos Estados Unidos, que socorreu gigantes como General Motors e Chrysler, ajudou Detroit a se reerguer. Mas agora a cidade onde nasceu a linha de montagem enfrenta um desafio muito mais enigmático. A indústria de veículos, alicerce da história dessa região no Estado de Michigan, ainda não sabe exatamente como será seu futuro e é, a cada dia, surpreendida por mudanças nos hábitos de transporte que atropelam o tradicional ritmo de desenvolvimento de um automóvel.

Numa época em que carros começam a criar a forma de smartphones sobre rodas e o veículo compartilhado, seja qual for, provoca nas novas gerações mais entusiasmo do que ir até uma concessionária comprar o último lançamento, os maiores salões de automóveis do mundo estão na berlinda. Enquanto de um lado carros elétricos e autônomos se transformaram em tendências globais, por outro ninguém sabe ao certo até onde tudo isso vai parar.

Mas essa onda de incertezas que ronda a indústria automobilística não aparece nos estandes do salão de Detroit, que completa 30 anos. Sob os holofotes da exposição, a maioria dos carros ainda tem volante e precisa de humanos para funcionar.

Mas fora do Cobo hall, onde acontece a exposição, existe uma indústria mergulhada em pesquisas e testes de campo. É no centro de São Francisco, por exemplo, que a GM tem feito testes de rua com sua nova geração de carros autônomos. O chamado Cruise AV é um veículo que já não possui volante e nem pedais. O lado que hoje é destinado ao motorista tem acabamento exatamente igual ao do passageiro da frente. Ou seja ambos serão passageiros no futuro e, por isso, suas posições dentro do automóvel não se distinguem.

Na corrida pelo carro do futuro nenhuma montadora quer ficar para trás. Por isso, diariamente surgem na cidade do automóvel, notícias de parcerias entre montadoras e empresas de tecnologia. Mas, apesar das apostas de que o conceito do automóvel já começou a mudar, quem visita o salão sai com a impressão de que Detroit não conseguira tão cedo abandonar a paixão americana pelos carrões, picapes e utilitários esportivos robustos.

O salão do automóvel de Detroit, que será aberto ao público sábado, é a marca dos desafios dos novos tempos.

Fonte: Infomet

 

 

Indicador da indústria volta a crescer no RS

Aumento foi de 0,6% em novembro na comparação com o mês anterior

O Índice de Desempenho Industrial (IDI-RS), divulgado nesta terça-feira (16) pela Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), voltou a crescer em novembro de 2017. Aumentou 0,6%, feito o ajuste sazonal, na comparação com outubro, quando foi negativo em 0,3%.

_ O resultado do mês não altera o ritmo bastante gradual da recuperação na indústria gaúcha. Apesar de 2017 marcar o fim da mais longa e profunda recessão no país, o baixo nível da atividade industrial se mantém _ afirma o presidente da Fiergs, Gilberto Porcello Petry. _ Sem avanços nas reformas e uma solução para as contas públicas, pouco se pode esperar da manutenção dessa tendência no médio e longo prazo _ completa.

Compras industriais (0,9%), horas trabalhadas na produção (0,5%) e utilização da capacidade instalada – UCI (80%, 0,3 ponto percentual a mais do que em outubro) puxaram a alta do índice na comparação com o mês anterior. Emprego (0,2%) e  massa salarial real (0,7%), os indicadores do mercado de trabalho, confirmaram a tendência positiva da atividade industrial. Apenas o faturamento real recuou, 0,5%.

Em relação ao mesmo mês de 2016, o IDI-RS subiu 0,9% em novembro, a quinta vez consecutiva.

Já a elevação de 0,4% no IDI-RS no acumulado entre janeiro e novembro de 2017, na comparação com o mesmo período de 2016, mostra o índice próximo da estabilidade. Entre os componentes, destaca-se o impacto positivo exercido pelo faturamento real (3,8%). Outro indicador que também mostrou crescimento foi a UCI (0,9 ponto percentual superior).

Dois permaneceram negativos, embora mostrando melhora durante o ano: compras industriais e horas trabalhadas na produção, ambos com -1,5%. O mercado de trabalho reage com defasagem, sobretudo o emprego (-1,1%), enquanto a massa salarial real, favorecida pela redução da inflação, expandiu 1,9%.

A atividade industrial gaúcha cresceu nos primeiros 11 meses de 2017 em nove dos 17 setores cobertos pela pesquisa. Tabaco (18%), produtos de metal (5,9%), veículos automotores (1,4%) e máquinas e equipamentos (1,2%) puxaram esta elevação. Em sentido contrário, os impactos negativos mais relevantes vieram de alimentos (-1,8%), couros e calçados (-1,9%) e de móveis (-1,1%).

 

 

Indústria de transformação tem maior carga tributária, aponta levantamento

Entre os grandes setores, a indústria de transformação é a que arca com maior carga tributária. O setor pagou em tributos o equivalente a 44,8% do PIB do setor em 2016, enquanto no comércio essa fatia é de 36,4% e nos serviços, de 23,1%. A carga da indústria, porém, caiu em relação a 2015, quando o percentual foi de 45,7%. O levantamento foi feito pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), com base em dados da Receita e do IBGE.

A carga tributária total foi de 28,1% levando em conta as empresas de todos os setores e sem contabilizar o imposto pago pelas pessoas físicas. Na construção civil o total de tributos foi de 13,9% do PIB e de 6,7% nas atividades agrícola e extrativista.

A distribuição da carga tributária, com concentração na indústria de transformação é um reflexo da estrutura de cobrança de impostos no país, que se concentra em bens e serviços e pouco em renda e patrimônio, diz Guilherme Mercês, economista-chefe da Firjan.

Por isso o tributo mais representativo na arrecadação é o Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços (ICMS), que responde por 27,9% dos tributos recolhido por empresas de todos os setores econômicos. Mercês lembra que além de ser menos representativa, a tributação sobre bens e serviços em locais como a Europa e os Estados Unidos seguem um sistema mais simples e menos oneroso.

“Na Europa há o IVA [Imposto sobre Valor Adicionado] e nos Estados Unidos, o sales tax. No Brasil há o ICMS, em que se adota o modelo de substituição tributária, no qual a indústria antecipa o imposto que deverá ser pago depois com base em preços projetados. E na exportação há o grande drama dos créditos tributários”, afirma o economista.

Os produtos da indústria brasileira, diz Mercês, entram no mercado internacional com um sobrepreço tributário muito grande. A estrutura tributária, avalia o economista, não condiz com a realidade atual, já que a sistemática de arrecadação é cumulativa e idealizada na década de 60, quando o setor industrial era o motor da economia.

Um agravante, diz o economista, é que a elevação de carga tributária vem sendo o instrumento para o ajuste das contas públicas, que voltou a ser prioridade, para evitar o crescimento expressivo da dívida e os efeitos macroeconômicos perversos dele decorrentes.

Em 2016, destaca o levantamento da Firjan, o governo federal optou por aumentar as alíquotas da contribuição previdenciária calculada sobre a receita bruta de alguns segmentos. Adicionalmente, aponta, as alíquotas de IPI para bebidas e eletrônicos aumentaram e os itens de informática passaram a pagar alíquota cheia de PIS/Cofins. Na esfera estadual, aponta o estadual, houve aumentos de ICMS na maioria dos Estados

Essa opção por resolver ao menos parte do ajuste fiscal por meio do aumento de tributos durante o período de maior recessão da economia brasileira, diz Mercês, dificultam a retomada do crescimento. As empresas fecharam portas ou ficaram inadimplentes, sem capacidade para pagar tributos.

Em 2016, aponta ele, o número de empresas extintas chegou a 365 mil, o maior em 17 anos, enquanto o número de empresas abertas foi de 424,7 mil, o nível mínimo da série. O saldo entre abertura e fechamento, diz Mercês, foi de 59, 7 mil empresas, o menor desde 2000 e menos de um sexto da média do período, citando dados do departamento de registro empresarial e integração ligado ao Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic). Isso, diz o economista ajudar a explicar a queda de arrecadação de 2,3% em 2016, embora em ritmo menos intenso que o da economia, que recuou 3,6%.

Não foi à toa, diz Mercês, que o governo federal ofereceu o Refis, programa de parcelamento de tributos, como forma de fazer contribuintes retornarem à base tributária. Esse retorno, até mesmo da parcela de contribuintes que migrou para a informalidade, diz o economista, deve acontecer também à medida em que a economia se recuperar. O ritmo, porém, dependerá da retomada e também da carga tributária.

Nesse sentido, a aprovação da reforma previdenciária é importante também para que haja também contenção dos gastos, com menor pressão pelo ajuste por elevação de tributos.

Da mesma forma a reforma tributária torna-se cada vez mais urgente, agravada pelo fato de que os demais países caminham para a redução da carga tributária. Mesmo regionalmente, diz Mercês, o volume de impostos do Brasil é muito maior. A carga tributária dos mercados emergentes, aponta Mercês, é de 27%, contra 32% da total brasileira. Nos países latino-americanos, é de 23%. “O Brasil tem uma carga maior e não há contrapartida em termos de serviços oferecidos.”

Mudanças que retirem distorções e simplifiquem a tributação são bem-vindas, mesmo que a estratégia seja modificar os tributos federais para depois conseguir alterar o ICMS. O importante, diz ele, é que fique claro o escopo da reforma e que ela não eleve a carga tributária.

Fonte: Abinee / Valor

Faturamento real da indústria cai 0,6% em novembro

Após dois meses consecutivos de alta, o faturamento industrial voltou a cair em novembro de 2017, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Na comparação com o mês anterior – e excluindo os efeitos de calendário -, as vendas caíram 0,6% no penúltimo mês do ano. Ainda assim, o volume faturado em novembro pelo setor foi 5,3% superior ao registrado no mesmo mês de 2016. No acumulado até novembro, houve queda de 0,7% ante igual período de 2016.

Fonte: DCI

Redação On janeiro - 17 - 2018
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