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Quarta-feira, 26 de Abril de 2017






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Salário de admissão cresce pelo 4º mês seguido

Além do primeiro mês de criação de vagas formais em quase dois anos, os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho mostraram que os salários de admissão no mercado formal subiram nos últimos quatro meses, sendo que a alta em fevereiro foi de 3%, na comparação com o mesmo mês do ano passado, já descontada a inflação do período.

No trimestre encerrado no mês passado, o aumento foi de 2,9%. A renda dos admitidos em empregos com carteira assinada não aumentava quatro meses seguidos desde agosto de 2014.

Para economistas, além da ajuda importante da desaceleração da inflação no último semestre, o aumento real dos salários de admissão pode ser um primeiro sinal de esgotamento do processo de troca de mão de obra mais cara por mais barata, que costuma caracterizar ajustes no mercado de trabalho.

O fim desse processo, dizem, pode ser um sinal de que a taxa de desemprego vai se estabilizar no segundo semestre deste ano, ainda que em nível bastante elevado. A desocupação, avaliam, será o último indicador a melhorar, até porque mais pessoas devem voltar a procurar emprego, com a expectativa de recuperação da economia.

Para Fabio Romão, economista da LCA Consultores, o aumento dos salários de admissão nos últimos quatro meses está muito relacionada com a queda da inflação, que torna mais fácil a obtenção de reajustes reais nas negociações salariais.

“Para obter ganho real com uma taxa de inflação de 10%, o reajuste nominal precisa ser muito elevado. Com inflação a 5%, é mais fácil. É um cenário em que a gente começa a perceber certa recuperação do mercado de trabalho”, diz ele.

O boletim Salariômetro, divulgado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), mostrou que em janeiro os reajustes salariais negociados em convenções e acordos coletivos no país tiveram o primeiro ganho real em 20 meses, de 0,4%. Em termos nominais, o aumento mediano foi de 7%, diante de uma inflação de 6,6% acumulada nos 12 meses encerrados em dezembro.

A análise dos acordos protocolados no Ministério do Trabalho mostrou também que a proporção de correções abaixo do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) atingiu o menor nível em pelo menos um ano, de 25,9% do total.

Para Romão, a evolução um pouco mais positiva dos salários de admissão nos empregos com carteira assinada também parece estar relacionada com os sinais de estabilização da atividade industrial. Em janeiro e fevereiro, o setor manufatureiro voltou a contratar, observa ele, e esse é um segmento que costuma ter salários mais altos, o que puxa a média para cima.

No primeiro bimestre, a indústria de transformação abriu 21,5 mil postos de trabalho, contra um fechamento líquido de 42,7 mil vagas em igual período de 2016. Para o ano, Romão projeta que o setor será responsável pela criação de 136,5 mil empregos com carteira assinada, um número positivo, mas distante de recuperar os mais 1 milhão de postos de trabalho fechados na indústria nos últimos três anos.

Para Rodolfo Margato, economista do Santander, parte do aumento dos salários dos admitidos também pode ser explicada por um crescimento forte, em torno de 20%, dos salários nominais de admissão na administração pública no período. “Não fosse isso, a alta ficaria mais próxima de zero”, diz ele, para quem esse aumento está ligado ao reajuste dado a algumas categorias no fim do ano passado.

Ainda assim, diz o economista do Santander, isso não compromete a avaliação de que a renda deve continuar a melhorar nos próximos meses, por causa da taxa de inflação menor e alguma recuperação das contratações no setor de serviços.

Olhando para o mercado de trabalho de forma mais abrangente, na Pnad Contínua, que abarca também empregos informais, a estabilização da renda parece mais provável por um “efeito composição”, diz ele. O emprego sem carteira assinada, de salários menores, aumentou muito durante a crise, o que puxou o rendimento médio para baixo. “Esse processo parece dar sinais de esgotamento”, diz.

José Márcio Camargo, economista-chefe da Opus Investimentos, considera ainda mais importante observar a relação entre os salários dos contratados e dos demitidos no mercado de trabalho formal, já que este costuma ser um bom indicador antecedente do comportamento da taxa de desemprego seis meses à frente.

Considerando a média móvel trimestral, a relação, que caiu muito até outubro, diz Camargo, passou a apresentar sinais de estabilização no último trimestre do ano passado e subiu de 85,7% em dezembro para 87,8% em fevereiro.

Quando a relação entre os salários de admissão e demissão cai, afirma Camargo, é sinal de que os empregadores estão ajustando sua força de trabalho, trocando trabalhadores mais caros por mais baratos, de modo a reduzir a folha de pagamentos. Quando o mercado volta a se aquecer, os salários de admissão crescem um pouco, porque há mais competição por mão de obra entre as empresas.

Para Camargo, que também é professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) esse é um indício de que o desemprego pode atingir o pico no segundo trimestre deste ano, entre abril e maio.

Ainda assim, advertem os economistas, vai demorar para a taxa de desemprego ceder. “O último indicador a melhorar vai ser a taxa de desocupação”, afirma Romão, da LCA Consultores, já que em momentos de recuperação da atividade econômica, a população que havia deixado de procurar emprego por desalento volta a buscar uma vaga, o que aumenta a População Economicamente Ativa (PEA).

Como a geração de vagas vai ser insuficiente para absorver esse contingente, o desemprego, que foi de 11,5% em 2016, deve subir para 13,6% em 2017 e 14,2% em 2018.

“Os últimos dados de mercado de trabalho, tanto o Caged quando a Pnad Contínua, mostraram que sinais mais positivos, ainda que o desemprego siga aumentando”, comenta Margato, do Santander, que projeta desemprego de 13,5% no segundo trimestre do ano, com queda gradual para 12,5%, até o fim do ano, considerando dados dessazonalizados.

Para a renda, ele estima alta real de 0,6% no ano, o que deve tornar o aumento da confiança dos consumidores mais consistente, contribuindo para retomada da atividade e crescimento de 0,3% do consumo das famílias em 2017, depois de dois anos em que a queda do indicador superou 4%.

Camargo, da Opus Investimentos, avalia que, se a renda e a ocupação se estabilizarem, pode haver espaço para uma melhora mais rápida da economia do que se imagina, especialmente diante da perspectiva de uma queda relevante da taxa básica de juros ao longo de 2017.

Isso depende, essencialmente, diz o economista, de qual será a rapidez com que o atual ciclo de corte de juros vai chegar ao consumidor, um processo que pode se acelerar com o processo de saque de contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), o que pode permitir renegociação de débitos.

Por enquanto, Camargo traça um cenário de gradual recuperação da atividade, com evolução positiva do consumo mais para a segunda metade do ano.

Abinee/Valor Econômico – 20/03/2017

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Resistência à reforma da Previdência faz governo antecipar trabalhista

Com as dificuldades da base em votar a reforma da Previdência, e a percepção entre os aliados de que hoje ainda não há maioria para aprovar a proposta em plenário, o governo decidiu, em conjunto com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), inverter a ordem das reformas e votar antes as mudanças na legislação trabalhista.

A avaliação dos articuladores políticos é que, assim, governo e Congresso demonstrarão que estão empenhados em aprovar reformas estruturantes, dando um sinal positivo ao mercado financeiro, a despeito da controvérsia com os trabalhadores e sindicatos. E ainda ganhariam mais algum tempo para articular a proposta de emenda à Constituição (PEC) da Previdência.

A proposta de inversão das prioridades foi levada recentemente ao Palácio do Planalto e já obteve o aval do presidente Michel Temer, embora ainda não seja de conhecimento de todos os partidos da base. “Já fizemos a programação com a trabalhista na frente na primeira quinzena de abril”, afirmou Maia.

A reforma trabalhista apressou os prazos e, antes prevista para concluir os trabalhos na comissão especial em maio, agora deve receber o parecer ao projeto quase simultaneamente ao da Previdência, no começo de abril. Se não houver atrasos, ambas ficarão prontas para votar no plenário quase que ao mesmo tempo, mas a PEC não está politicamente madura, dizem líderes.

“É uma estratégia. A reforma trabalhista é mais fácil e mais rápida, será uma força estimulante”, diz um dos vice-líderes do governo, deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), que tem coordenado as articulações na previdência. “Será importante também porque aí você mapeia [as dissidências na base]”, pontuou.

A reforma trabalhista é um projeto de lei ordinária, que depende apenas da chamada maioria simples – metade dos deputados votantes, com quórum mínimo de 257. No extremo, pode ser aprovada com o apoio de apenas 129 parlamentares. Já a reforma da previdência tem prazos mais longos, exige dois turnos de votação em plenário e quórum muito mais elevado: no mínimo 308 dos 513 deputados precisam votar a favor do projeto.

Segundo o presidente da comissão que discute a reforma trabalhista, deputado Daniel Vilela (PMDB-GO), a ideia é que o relator do projeto, Rogério Marinho (PSDB-RN), apresente o parecer até a segunda semana de abril. “O calendário inicial ia até maio, mas fizemos o plano de trabalho com todas as audiências públicas que a base e a oposição pediram e vamos terminar no fim do mês sem atropelar ninguém”, disse.

Para Marinho, o apoio à reforma trabalhista está mais consolidado entre os deputados e na sociedade que as mudanças na previdência, por isso será mais fácil aprovar o texto. “Está mais maduro para votar”, avalia.

Essa estratégia, contudo, não leva em conta que a reforma da Previdência hoje está centralizando as atenções da população -entre os motivos, porque o calendário anterior previa que fosse analisada pela Câmara primeiro – e que o relator incluirá pontos polêmicos no projeto trabalhista, que podem aumentar as resistências: a jornada intermitente de trabalho (que pode ser interrompida nos horários de menor demanda); o fim do imposto sindical obrigatório; e regras para o trabalho à distância.

Apesar das discussões sobre a inversão de pauta, o governo trabalha para tentar aprovar a reforma da Previdência antes do recesso parlamentar, que ocorre em julho. Pelo novo calendário, a PEC seria votada no plenário da Câmara em primeiro turno no fim de abril, prazo que pode ficar para maio devido as resistências, que tendem a se agravar com o recesso, na avaliação do Planalto.

Conforme o Valor mostrou semana passada, há fortes críticas na base as campanhas publicitárias do governo sobre a PEC. O discurso, externado até pelo relator do projeto, deputado Arthur Maia (PPS-BA), é de que o governo está perdendo a guerra da comunicação para os movimentos contrários, o que pode levar à desidratação da proposta.

O governo sabe que tem duras negociações pela frente. Por ora, a orientação é não ceder, deixando o grosso das concessões que puderem ser aceitas para a votação no plenário da Câmara, com poucas mudanças na comissão especial. Nesse sentido, o governo já intensificou as conversas com senadores, antecipando as demandas para evitar alterações no Senado, que levariam a nova rodada de votações na Câmara.

Abinee/Valor Econômico – 20/03/2017

Redação On março - 20 - 2017
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