Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

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Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017






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Um fenômeno pouco comum na economia brasileira poderá levar o Comitê de Política Monetária (Copom) a ampliar o ciclo de redução da taxa básica de juros para evitar que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fique abaixo da meta de 4,5% também em 2018. Há praticamente uma década, a autoridade monetária não se depara com um choque positivo de oferta proveniente do preço dos alimentos e está avaliando como reagir a isso.

Por definição, choques são eventos agudos e passageiros; por isso, o BC não reage ao movimento dos preços em si, o chamado efeito de primeira ordem, mas sim quando esse movimento se espalha para outros segmentos da economia, constituindo os efeitos secundários ou de segunda ordem.

E a atual queda no preço dos alimentos já dá sinais de que pode puxar a inflação de outros segmentos para baixo, obrigando o BC a reagir a isso via cortes mais acentuados ou um ciclo mais longo de redução da Selic.

Esse “risco positivo” é citado na ata da última reunião do Copom, em que o BC diz que “a retomada na desinflação dos preços de alimentos constitui choque de oferta favorável, que pode ter efeitos secundários na inflação”. E por duas vezes a ata diz que esses efeitos “podem contribuir para quedas adicionais das expectativas de inflação e da inflação em outros setores da economia”.

O que se vê agora é o exato oposto da recente história monetária brasileira. Desde que os preços dos alimentos caíram em 2006, por um surto de febre aftosa que elevou a oferta de carne no mercado doméstico, a atuação do BC sempre foi de subir a Selic para evitar uma contaminação da inflação para outros setores, decorrente de choques pontuais de alimentos, ou, no caso mais recente, de preços administrados, após o heterodoxo controle de tarifas feito por Dilma Rousseff e Guido Mantega.

Invariavelmente, os preços dos alimentos voltarão a subir, mas se a política monetária estivar bem calibrada e com expectativas de inflação ancoradas, a reação, que viria por alta de juros, só ocorreria quando essa alta localizada passasse a contaminar outros preços.

O normal do regime de metas brasileiro é a inflação convergir para a meta vindo “por cima”, que é o que se observa agora em 2017. No entanto, o ajuste de preços ocorre de forma tão acentuada e disseminada, que o IPCA, segundo o consultor Marco Franklin, especialista em inflação e renda fixa, deve ficar abaixo de 4,5% já no segundo trimestre desde ano e deve furar 4% no último quarto trimestre de 2017. “A inflação não subirá para 4,5% no fim do ano, talvez isso ocorra só em 2018”, diz ele.

A avaliação de Franklin é que ainda há efeitos primários para acontecer no preço dos alimentos, ou seja, os preços podem cair ainda mais. Quadro que torna ainda mais provável a ocorrência de efeitos secundários sobre outros preços e expectativas.

O especialista, que acompanha de perto as commodities agrícolas, avalia que os preços do milho, açúcar e café podem apresentar quedas relevantes entre o fim de 2017 e começo de 2018.

Outro ponto é o comportamento do índice de preços no atacado do setor agrícola (IPA-M), que cai por oito meses, acumulando baixa de 7,3%. E há uma grande chance de nova variação negativa.

Fechar 2017 com inflação abaixo de 4,5% e correr esse risco também em 2018 não é um fato positivo. Mas sim uma demonstração de sacrifício adicional ou mesmo desnecessário da economia, que tenta sair da pior recessão da história.

“Não tem essa de que ficar abaixo da meta é bom. Se a inflação ficou abaixo da meta, provavelmente o PIB também ficou abaixo e a taxa de desemprego acima”, resume Franklin, que trabalha com Selic em 9% no fim de 2017.

Uma terceira via para o BC é usar a oportunidade para mudar a meta de inflação que está em 4,5% desde 2005. Mas aí as implicações sobre a Selic são outras.

neux On março - 8 - 2017
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