Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

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Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017






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IPC­S acelera na última quadrissemana de janeiro

Por Valor

SÃO PAULO ­ A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor ­ Semanal (IPC­S) acelerou de 0,68% para 0,69%, da terceira para a quarta quadrissemana de janeiro, informa a Fundação Getulio Vargas (FGV). A taxa é maior que a do encerramento de dezembro, quando o indicador subiu 0,33%.

Com o resultado, o IPC­S acumula alta de 5,04% em 12 meses até janeiro, desacelerando em relação aos 12 meses encerrados em dezembro de 2016, quando o avanço foi de 6,18%. Isso porque saiu da conta o IPC­S de janeiro de 2016, que teve forte alta de 1,78%.

O reajuste das mensalidades escolares e das tarifas de ônibus urbano, estas em algumas capitais, puxaram a alta do IPC­S em janeiro de 2017.

Da terceira para a quarta quadrissemana, quatro das oito classes de despesa componentes do índice registraram taxas mais altas. A maior contribuição partiu do grupo Educação, Leitura e Recreação, que saiu de alta de 2,53% para 4,15%, por causa dos cursos formais, que subiram de 5,78% para 9,80%. Curso de ensino superior saiu de alta de 5,14% para 8,66%, curso de ensino médio, de 6,70% para 10,72%, e curso de ensino fundamental, de 6,96% para 10,84%.

Também aceleraram Habitação (0,18% para 0,29%), Vestuário (­0,49% para ­0,27%) e Comunicação (0,40% para 0,47%). Nessas classes de despesa, a FGV destacou o comportamento da tarifa de eletricidade residencial (­1,32% para ­0,54%), roupas (­0,84% para ­0,64%) e tarifa de telefone móvel (0,86% para 1,18%), respectivamente.

Em contrapartida, os grupos Alimentação (0,64% para 0,39%), Saúde e Cuidados Pessoais (0,46% para 0,35%), Transportes (0,88% para 0,82%) e Despesas Diversas (0,66% para 0,39%) registraram taxas menores na quarta quadrissemana, em relação à terceira de janeiro. Nesses grupos, as maiores contribuições partiram das carnes bovinas (1,12% para 0,28%), artigos de higiene e cuidado pessoal (­0,01% para ­0,53%), gasolina (1,35% para 0,04%) e cigarros (0,84% para 0,00%), respectivamente.

O grupo transportes desacelerou, mas um de seus componentes, a tarifa de ônibus urbano, subiu de 1,81% para 2,60% e ajudou a puxar a inflação medida pelo IPC­S.

A FGV apura o indicador em sete capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Salvador, Porto Alegre e Brasília.

Valor Econômico – 01/02/2017

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Inflação em queda ajuda a diminuir perda real de salários

A trajetória de queda da inflação que ajudou a segurar a perda de valor dos salários em 2016 continuará jogando a favor dos rendimentos em 2017, quando se espera que o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) ceda dos atuais 6,29% para algo próximo de 4,5%. Diante da continuidade do ciclo de corte de vagas nos próximos meses, contudo, o impacto positivo da melhora sobre o consumo será limitada, dizem economistas.

“Em 2016, esse efeito foi forte para as categorias mais pobres, que têm a renda mais atrelada ao salário mínimo, reajustado em quase 11%”, afirma João Saboia, do Instituto de Economia da UFRJ. No ano passado, o INPC cedeu quase cinco pontos percentuais, de 11,28% nos 12 meses até janeiro para 6,58% em dezembro.

A renda média real acompanhada pela Pnad Contínua diminuiu 2,5% em termos reais em 2016, com uma tendência mais benigna no segundo semestre, justamente quando os índices de preço passaram a desacelerar mais. Depois da queda de 4,2% no trimestre até junho, na comparação com igual período de 2015, os recuos foram cada vez menores, com alta de 0,5% em dezembro, depois de 14 resultados negativos seguidos. “Se a inflação ceder de fato para algo em torno de 4,5%, só aí serão dois pontos de ganho”, diz Saboia.

A melhora, contudo, não deve se traduzir na mesma proporção sobre o consumo, já que, diante do recuo forte da ocupação em 2016, de 1,9% em média, e da expectativa de mais uma retração em 2017, a massa de rendimentos deve ter desempenho pior.

“É provável que caia menos do que os 3,5% de 2016 ou até estabilize, mas é importante lembrar que a trajetória de recuperação dos rendimentos só favorece quem está empregado, e a capacidade da economia de gerar novas vagas hoje é limitada”, afirma Saboia.

Além da inflação, acrescenta Thiago Xavier, da Tendências Consultoria, a recuperação na trajetória da renda também se deve à redução expressiva do emprego entre os trabalhadores por conta própria, que geralmente recebem menores salários. “Por causa desse efeito estatístico, eu teria um pouco de cautela com esse número. Parte da melhora na renda vem desse efeito de mudança na composição da ocupação”, ressalva.

Para ele, também é difícil vislumbrar recuperação consistente do consumo das famílias ainda neste ano. “O alívio no comprometimento da renda vai ser pequeno, assim como a melhora esperada para o crédito. Não vejo reversão da tendência”.

Abinee/Valor Econômico – 01/02/2017

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Coluna

Fundo do poço ainda não chegou

Fernando de Holanda Barbosa Filho – 01/02/2017

O desemprego continua mostrando suas garras. O aumento extraordinário da taxa de desemprego tem relação com a baixa flexibilidade dos salários. Em momentos de crise econômica, o desequilíbrio do mercado de trabalho pode ser solucionado com redução dos salários reais (preços) ou elevação da taxa de desemprego (quantidade). A queda de salários reais (2,3%) foi relativamente pequena frente à redução do PIB brasileiro (3,6%) em 2016. Observando a variação entre 2014 e 2016, o salário real caiu 2,6%, enquanto o PIB recuou mais de 7%. Assim, a maior parte do ajuste está ocorrendo via quantidade, com redução significativa do número de empregados.

A economia deve mostrar seus primeiros sinais de recuperação no primeiro trimestre, com aceleração gradual ao longo do ano, que terá crescimento modesto na casa dos 0,5%. A taxa de desemprego só deve cair a partir do terceiro trimestre, indicando que ainda não estamos no fundo do poço. A taxa do último trimestre de 2017 deve ficar próximo de 11,5%, comparado a 12% no mesmo período de 2016. Ou seja, a recuperação dos empregos deve ser modesta neste ano de crescimento também modesto.

O Estado de S.Paulo – 01/02/2017

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Redução da taxa básica de juro em ritmo mais acelerado aumenta otimismo no setor

A redução da taxa básica de juros em ritmo mais acelerado já surtiu efeito positivo sobre o humor dos empresários industriais, na avaliação de Aloisio Campelo, superintendente de estatísticas públicas do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV).

O Índice de Confiança da Indústria (ICI) avançou 4,3 pontos entre dezembro e janeiro, para 89 pontos – maior nível desde maio de 2014, quando a recessão que a economia brasileira atravessa ainda estava no começo. “O impacto da redução de juros no nível de atividade é defasado, mas na confiança é mais rápido”, disse Campelo.

No dia 11, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a intensidade de corte da Selic, que foi reduzida em 0,75 ponto, para 13% ao ano. O movimento foi maior do que o esperado por boa parte do mercado, que trabalhava com 0,5 ponto de baixa. Para Campelo, a decisão do BC é o que explica a alta mais forte da confiança no fechamento do mês. A prévia do indicador subiu 3,1 pontos.

Segundo o economista, cortes na taxa de juros podem afetar a percepção dos agentes econômicos no mesmo mês em que ocorrem, por meio do canal das expectativas e, também, porque o recuo da Selic ajuda na redução de custos financeiros e na captação do crédito. “[A queda dos juros] dá um alívio na percepção de rentabilidade da empresa”, disse.

Agora, afirmou, há fatos concretos que elevaram a confiança, ao contrário do observado entre abril e setembro de 2016, quando a mudança de governo gerou um excesso de otimismo que, meses depois, se mostrou sem fundamentos.

O aumento do ICI no mês passado foi espalhado por 15 dos 19 setores industriais pesquisados, e influenciado tanto pelo Índice de Situação Atual (ISA) quanto pelo Índice de Expectativas (IE). Os dois componentes avançaram, respectivamente, 3,8 pontos e 4,7 pontos em relação a dezembro.

No primeiro índice, o maior impacto de alta veio da melhor avaliação sobre a situação atual, que subiu de 77,7 pontos para 82,9 pontos. Nas expectativas, o impulso foi dado pelo indicador de emprego previsto – alta de 7,9 pontos ante dezembro (89,2 pontos).

Embora a indústria continue demitindo mais do que contratando, o pior do ajuste do emprego no setor já ficou para trás, afirmou Campelo. Em abril de 2016, a diferença entre a proporção de empresários mais propensos a demitir e a fatia daqueles que têm intenção de contratar nos próximos três meses era de 23,6 pontos, número que caiu agora para 5,1 pontos.

Somados ao ciclo de relaxamento monetário e à queda da inflação, outros sinais positivos que podem ter efeito benigno sobre a confiança são o menor endividamento das famílias, assim como a inadimplência da pessoa física, que parou de aumentar, mencionou o superintendente.

Há, ainda, uma demanda reprimida por produtos que precisam ser substituídos, acrescentou, seja de máquinas usadas na produção pelos empresários ou de bens de consumo. Esse conjunto de fatores não é suficiente para que o PIB volte a crescer a um ritmo anual de 4%, diz Campelo, mas já desenha um cenário um pouco mais favorável.

É cedo para prever se o ICI vai continuar em ascensão nos próximos meses e a saída da recessão será mais lenta do que em outras ocasiões, avalia Campelo. O efeito da redução dos juros tende a ser positivo sobre o índice nas próximas leituras, tendo como base o comportamento da confiança nas outras ocasiões em que a Selic caiu.

Como os estoques ainda não estão ajustados na indústria, a reação do setor terá idas e vindas, avalia Campelo. Na passagem mensal, o indicador de estoques da FGV recuou de 109,1 pontos para 107,9 pontos, influenciado por queda na parte de bens duráveis e bens de capital. O índice é calculado pela diferença entre a proporção de empresas com inventários excessivos e insuficientes.

Como fatores que ameaçam uma possível continuidade da reação da confiança, o economista menciona a turbulência política, que pode atrapalhar as negociações no Congresso de medidas estruturais, e ambiente externo, após a eleição de Trump nos EUA.

Abinee/Valor Econômico – 01/02/2017

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Pior rombo desde 2001

O setor público registrou deficit de R$ 155,7 bilhões em 2016, conforme dados divulgados ontem pelo Banco Central (BC). O rombo equivale a 2,47% do Produto Interno Bruto (PIB) e é o pior da série histórica iniciada em dezembro de 2001. Para calcular a necessidade de financiamento do governo, são levados em conta o desempenho do governo federal, dos estados, dos municípios e das estatais, com exceção de Petrobras e Eletrobras.

O resultado, entretanto, ficou abaixo da meta prevista na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que limitava o rombo a R$ 163,9 bilhões. Somente em dezembro, o deficit acumulado chegou a R$ 70,7 bilhões. Além disso, o governo desembolsou R$ 407 bilhões com o pagamento de juros da dívida em 2016. Com a soma dos prejuízos, o deficit nominal do país alcançou R$ 562,8 bilhões em 2016, correspondente a 8,93% do PIB.

Já a dívida bruta do governo geral encerrou o ano passado em R$ 4,378 trilhões, o que representa 69,5% do PIB. Em novembro, essa relação estava em 70,5% e a previsão do BC era fechar 2016 com uma taxa de 71%. O resultado só não se confirmou porque o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pagou R$ 100 bilhões ao Tesouro Nacional.

Os dados da autoridade monetária ainda mostram que o governo gastou mais do que arrecadou, sobretudo com o pagamento de benefícios da Previdência Social. O deficit do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) foi de R$ 149,73 bilhões. Com o aumento do desemprego e a queda da renda, a arrecadação previdenciária despencou, o que elevou o rombo nas contas do setor público como um todo.

Somente em dezembro, o deficit primário do setor público foi de R$ 70,74 bilhões, sendo R$ 6,87 bilhões da Previdência. “Nos últimos anos, pelo menos desde 2008, vínhamos observando superavit nas contas do INSS nos meses de dezembro. Mas, em 2016, tivemos deficit”,afirmou o chefe adjunto do Departamento Econômico do Banco Central, Fernando Rocha.

Correio Braziliense – 01/02/2017

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Colunas

Um novo instrumento de política monetária

Cristiano Romero – 01/02/2017

O Banco Central (BC) vai criar um novo instrumento de política monetária: o “depósito voluntário”. Hoje, o BC controla a quantidade de dinheiro em circulação por meio das chamadas “operações compromissadas” – o Tesouro Nacional emite títulos públicos que vão para a carteira do BC, com compromisso de recompra. Com esses papéis, a autoridade monetária esteriliza os efeitos inflacionários da entrada de moeda estrangeira no país: compra as divisas em troca dos títulos do Tesouro, enxugando a liquidez da economia. Desta forma, regula o custo do dinheiro, isto é, a taxa básica de juros (Selic).

O uso das operações compromissadas elevou de forma significativa a dívida bruta do Governo Geral, que compreende o governo federal, o INSS, os Estados e os municípios. Neste momento, o estoque de compromissadas está em R$ 1,047 trilhão, o equivalente a 16,6% do Produto Interno Bruto (PIB).

O presidente do BC, Ilan Goldfajn, informou ao Valor que a remuneração dos “depósitos voluntários” será idêntica à das operações compromissadas. “Nos Estados Unidos e em parte das economias avançadas, o principal instrumento de política monetária é este: quando um banco tem liquidez, faz um depósito voluntário no BC e o dinheiro é remunerado”, revelou.

A medida chegou a ser discutida no início do ano passado, ainda no governo Dilma Rousseff. A proposta foi feita inicialmente pelo economista-chefe do banco Safra, Carlos Kawall, que comandou o Tesouro em 2006. Kawall fez um estudo sobre os balanços de bancos centrais desde 2000. Além da necessidade de esterilização tradicional decorrente da compra de reservas cambiais, os BCs foram obrigados, depois da crise global de 2008, a esterilizar os fluxos de recursos gerados pelas políticas de afrouxamento monetário adotadas pelos Estados Unidos, a União Europeia, a Inglaterra e o Japão.

A criação dos “depósitos voluntários” ou remunerados foi uma importante inovação promovida pelos bancos centrais no pós-crise. No Brasil, o BC lançou mão das operações compromissadas, um instrumento criticado por economistas pelo fato de aumentar sobremaneira a dívida pública e, portanto, a necessidade de geração de superávits primários nas contas públicas para fazer frente ao pagamento de juros dessa dívida.

Em tese, com a substituição das operações compromissadas pelos “depósitos voluntários” das instituições financeiras no Banco Central, a dívida pública bruta poderia encolher, no limite, até 16,6 pontos percentuais do PIB, caindo dos atuais 69,5% para 52,9% do PIB. O presidente do BC esclareceu, entretanto, que o objetivo do governo não é reduzir artificialmente o tamanho da dívida bruta, cujo crescimento veloz nos últimos anos tornou o Brasil vulnerável aos olhos dos investidores, o que levou as agências de classificação de risco a retirarem do país o selo de bom pagador (grau de investimento, na linguagem do mercado).

As operações compromissadas, informou Ilan, continuarão a existir, mas serão usadas com menor intensidade. O presidente do BC não vê as compromissadas como um mal em si; elas decorrem de problemas estruturais das contas públicas e da economia brasileira. “As compromissadas vão terminar quando nosso risco diminuir, quando as pessoas quiserem alongar mais o prazo de vencimento de seus investimentos, quando tiverem menos necessidade de liquidez”, observou. “Considero as compromissadas um sintoma do nosso desajuste estrutural e não a causa dos problemas.”

O governo anterior não levou adiante a proposta porque naquele momento, quando predominava um elevado grau de desconfiança quanto à credibilidade da equipe e da política econômicas, o mercado receberia a mudança como uma tentativa de se reduzir artificialmente o tamanho da dívida bruta. “[Instituir os depósitos voluntários] é algo que agora dá para fazer de forma relativamente rápida. E não vamos fazer nos montantes das compromissadas”, informou Ilan.

A criação do novo instrumento de política monetária é um dos quatro pilares das medidas microeconômicas que o Banco Central pretende adotar para melhorar a eficiência do sistema financeiro e da economia como um todo, com o objetivo de reduzir os spreads bancários e melhorar o ambiente de negócios e, assim, atrair investimentos ao país. A iniciativa faz parte do capítulo que trata do aperfeiçoamento da relação entre BC e Tesouro. “Basicamente, [a ideia é] não ter tanto fluxo de um lado para o outro, reservas no BC, o Banco Central se sustentar com mais reserva, só transferir [ao Tesouro] quando baixar de um certo nível”, disse Ilan.

Os outros pilares da agenda que o BC vem trabalhando são: “cidadania e educação financeira”, uma agenda do G-20 – “talvez, o tema entre na TV, nas novelas”, disse o presidente do BC -; ações para diminuir os spreads bancários – redução dos recolhimentos compulsórios; medidas para estimular a competição no setor bancário, com alívio das exigências burocráticas para os bancos pequenos e médios; mudanças nas regras que regem os cartões de crédito; diminuição do crédito direcionado (ou subsidiado), como o do BNDES -; e medidas para aumentar a eficiência do sistema, como estímulos à inovação tecnológica e eliminação de normas bancárias anacrônicas.

“O crédito direcionado, como escreveu o Marcos Lisboa [presidente do Insper], é a nossa meia-entrada. Todo mundo reclama do preço da inteira, mas esquece que a inteira é cara por causa da existência da meia”, comparou o presidente do BC.

Projeção de inflação, expectativas e riscos: o caminho dos juros

A comunicação é peça fundamental para entender para onde vai a política de juros do BC. Este, revelou Ilan Goldfajn, olha para três coisas: a sua projeção de inflação; as projeções do mercado (as expectativas) e os riscos adiante – “olhamos alguns riscos para um lado e para o outro; tentamos priorizar três de cada lado”. “É para as pessoas saberem o que importa para o BC e elas próprias poderem dizer: ‘isso aqui pode mudar, isso pode não mudar, isso aqui vai levar mais tempo, isso aqui menos tempo’. Tudo depende dos dados da inflação”, explicou o presidente do BC. “Na última reunião, incluímos o cenário internacional, de onde vem o maior risco neste momento, e diminuímos o peso da inércia sobre a inflação.”

Abinee/Valor Econômico – 01/02/2017

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Na melhor das hipóteses, vem por aí uma enorme confusão internacional

Antonio Delfim Netto – 01/02/2017

O “free rider” é um elegante nome inglês de difícil tradução. Talvez a coisa mais próxima seja “aproveitador, oportunista”. Para defini-lo, é preciso, antes, entender o conceito de “bem público”, isto é, um bem ou serviço do qual, por motivos físicos ou práticos, ninguém pode ser excluído (por exemplo, a segurança externa do país) e pelo qual o beneficiário (e aproveitador) se recusa a pagar (sonegando impostos quando tem condições de materialmente fazê-lo).

Ele sabe que nele será, necessariamente, incluído: se o inimigo externo perder, ele estará livre para apropriar-se dos benefícios da vitória sem ter pago nada; se vencer, terá perdido a sua liberdade, exatamente como todos os outros, mas não terá “perdido” nada mais do que eles.

Todos nós temos, na prática, experiências desagradáveis com relação a esse fenômeno, obviamente em situações triviais. Alguns já tiveram a desilusão de tentar levar a eletricidade ao seu sitiozinho localizado a 1.000 metros da rede, que atravessará 10 ou 15 propriedades diferentes e que precisa ser paga pelos usuários.

Tentaram a cooperação de todos, mas se surpreenderam com a de um “bom amigo” que está no meio do caminho e que se recusa a cooperar (mesmo em condições materiais de fazê-lo) porque sabe que, se os outros fizerem, dela não poderá ser excluído.

Em São Paulo, por exemplo, num modesto prédio de 20 apartamentos, todos têm a experiência da falta de luz duas vezes por semana (e até nos fins de semana), quando nem o elevador de serviços funciona.

Pois bem, um potencial beneficiário, do oitavo andar, se recusa a colaborar, mesmo tendo capacidade para fazê-lo, com a compra de um pequeno gerador, pago em 24 meses. Ele sabe que, se os outros aceitarem a “vaquinha”, será beneficiado de “graça”.

O “free rider” existe no nível internacional. Em condições normais de pressão e temperatura, o “free rider” (o país) se aproveita de sua situação estratégica para transferir os custos dos serviços de segurança nacional de que necessita para outro que tem a disposição de pagá-lo, pelas vantagens geopolíticas que vai receber para manter a liderança mundial.

A situação fica instável quando os benefícios concedidos parecem ter ultrapassado os benefícios recebidos pelo doador empobrecido. Qualquer “semelhança” entre essa situação e as relações dos EUA com a Otan, com o Japão ou com a Coreia do Sul é, obviamente, mera “coincidência”.

Suspeito que a “era Trump” seja apenas o início da manifestação de que a “machtpolitik” do fugaz império americano atravessou o cabo da Boa Esperança. Na melhor das hipóteses, vem por aí uma enorme confusão internacional.

Abinee/ Folha de S.Paulo – 01/02/2017

Redação On fevereiro - 1 - 2017
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