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Quinta-feira, 21 de Setembro de 2017






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Monitor do PIB aponta alta de 0,67% em novembro de 2016, traz FGV

Por Valor

SÃO PAULO ­ Após quatro quedas consecutivas, o Monitor do PIB apontou aumento de 0,67% na atividade econômica do país em novembro de 2016, na comparação com o mês anterior, feito o ajuste sazonal, informa a Fundação Getulio Vargas (FGV). Apesar disso, o trimestre encerrado em novembro registrou queda de 0,87%, contra o trimestre imediatamente anterior, de junho a agosto. Na comparação com o mesmo trimestre de 2015, a queda foi de 3%.

Ante novembro de 2015, houve queda de 1,5%, a menos intensa desde junho de 2015, quando recuo foi de 1,4%. Em 12 meses, o Monitor aponta queda de 4% no PIB, inferior àquela dos 12 meses encerrados em outubro, de 4,3%.

“A despeito do crescimento mensal positivo, a economia continua estagnada em patamar bastante negativo. Os dois principais componentes da demanda, consumo das famílias e formação bruta de capital fixo, que poderiam ser os motores para a recuperação, têm apresentado, regularmente, taxas de variação negativas, ao longo dos últimos trimestres”, afirma, em nota, Claudio Considera, coordenador do Monitor do PIB.

De outubro para novembro, do lado da oferta, indústria (alta de 1,03%) e serviços (0,16%) tiveram resultados positivos, mas o PIB da agropecuária caiu 2%. Na indústria, enquanto o segmento transformação subiu 1,26%, a extrativa mineral diminuiu 0,10%.

Sob a ótica da demanda, o consumo das famílias avançou 0,22%, mas o do governo teve forte queda, de 4,94%. A formação bruta de capital fixo (medida de investimentos) declinou 0,51%. No setor externo, as exportações cresceram 6,63% e as importações avançaram 0,50%.

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O desafio de voltar a crescer

Desde que o presidente Michel Temer assumiu o cargo interinamente, em maio, o debate econômico no País tornou-se uma espécie de samba de uma nota só. Com o Orçamento no vermelho e a dívida pública crescendo em ritmo frenético, em decorrência da gastança promovida pelos governos petistas desde o segundo mandato de Lula, o ajuste fiscal dominou as discussões dos economistas – nem poderia ser diferente. O novo governo tinha de fazer a lição de casa de forma exemplar, para mostrar que o Brasil não estava à deriva, caminhando para a insolvência. Tinha, também, de dar a sua contribuição, com o controle rígido das despesas, para o combate à inflação, que roçava os 10% ao ano quando Temer tomou posse, e a tão desejada queda dos juros. Sem isso, qualquer plano para tirar o Brasil do atoleiro não passaria de uma quimera.

Agora, com a inflação caminhando de forma consistente para o centro da meta, de 4,5% ao ano, e a promulgação pelo Congresso Nacional da PEC do Teto dos Gastos, que restringe as despesas públicas pelos próximos 20 anos, uma parte respeitável da missão de Temer neste quesito foi cumprida com louvor. Ainda falta o Congresso aprovar a reforma da Previdência Social, o principal sorvedouro do dinheiro dos pagadores de impostos. Falta também agilizar o corte dos juros, que agora, com a âncora fiscal, deverá finalmente se concretizar. Mas, desde já, com as duas pendências bem encaminhadas, o governo precisa diversificar a sua pauta. Com a recessão completando dois anos, sem contar o crescimento pífio de apenas 0,1%, em 2014, o maior desafio de Temer daqui para a frente será recolocar o Brasil na trilha do desenvolvimento.

Embora seja indispensável para a estabilidade econômica, o reequilíbrio das contas públicas não promove, por si só, a prosperidade das empresas e o bem-estar dos cidadãos. Se Temer quiser realmente ser lembrado como “o sujeito que arrumou o Brasil”, como ele afirma, terá de ir além do ajuste fiscal – e só a volta do crescimento permitirá a reversão efetiva do atual quadro de desalento na economia. “É possível ver o broto nascer sem necessariamente ter aprovado a reforma da Previdência”, diz o economista Paulo Leme, presidente do banco de investimento americano Goldman Sachs, no Brasil.

Com uma queda acumulada de 7,4% no Produto Interno Bruto (PIB) em 2015 e 2016 e uma perspectiva de crescimento de apenas 0,5% em 2017, a tarefa de Temer não será fácil. Ainda mais em meio à crise política que atinge o País. Turbinada pelas investigações da Lava Jato, seus estilhaços alcançam diversos parlamentares da base aliada do governo no Congresso e alguns ministros próximos ao Palácio do Planalto. A própria permanência de Temer na Presidência até o fim do mandato, em 2018, está em xeque, com a citação de seu nome em delações premiadas e o avanço do processo contra a chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por abuso do poder econômico e uso de recursos de propina nas eleições de 2014. “Isso vai ser, seguramente, uma fonte de problemas para o governo”, afirma o diplomata Rubens Ricupero, ex-ministro da Fazenda e do Meio Ambiente. “Só para governar no dia a dia, sem fazer grandes cavalarias, como se dizia antigamente, já será um desafio enorme.”

Mesmo com o ajuste fiscal adiantado e a reconhecida competência da atual equipe econômica, as expectativas se deterioraram de forma considerável nos últimos meses. Depois de uma alta significativa após o impeachment, o índice de confiança dos empresários, apurado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), voltou a cair, puxado pelo aumento das incertezas na arena política. O índice ainda está acima do patamar atingido no governo Dilma, um recorde negativo difícil de ser batido, mas deu uma marcha à ré preocupante.

Com o caixa do governo depauperado, a anemia dos bancos públicos, espremidos até o bagaço nas gestões de Lula e Dilma, e o endividamento gigantesco de estatais como a Petrobrás e a Eletrobrás, a retomada dependerá quase exclusivamente da iniciativa privada. Só que, com a confiança em queda, ficará bem mais complicado despertar o “espírito animal” dos empresários de que falava o economista John Maynard Keynes (1883-1946). O capital tende a se retrair. Prefere aguardar um momento mais adequado para ampliar a produção e os investimentos, que sofreram um tombo de quase 25% em três anos, de 21,7% do PIB, em 2013, para 16,5%, em 2016. “O empresário competente só vai investir se enxergar a luz no fim do túnel”, diz o financista Nathan Blanche, sócio da consultoria Tendências.

Como se isso não bastasse, muitas empresas estão respirando por aparelhos, atoladas em dívidas. Algumas das principais companhias do País, investigadas na Lava Jato, estão se comprometendo a pagar bilhões de reais em acordos judiciais, para purgar seus pecados. Ao mesmo tempo, o País perdeu um espaço precioso no mercado global nos últimos anos. Ao contrário do que aconteceu em outros tempos, as exportações estão sem vigor para puxar a carruagem. Além da queda nos preços das commodities, que sustentaram a bonança externa na primeira década do século, os produtos manufaturados nacionais perderam competitividade.

O mundo também está bem mais hostil à expansão do comércio do que há alguns anos, com o aumento do protecionismo. “Hoje, as bases para o crescimento do Brasil são muito frágeis”, diz a economista Monica de Bolle, pesquisadora do Peterson Institute e professora da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos. “A gente não tem nenhum fundamento para dizer que o País poderá voltar a crescer 5% ao ano de forma sustentável no curto prazo.”

Nesse cenário nebuloso, o grande risco seria o governo repetir os erros do passado recente e se deixar seduzir pela ideia de que existem atalhos para alcançar o Nirvana na economia. Como os brasileiros estão aprendendo agora de forma dolorosa, a conta das bruxarias heterodoxas, pedaladas e quetais acaba sobrando para toda a população, especialmente os mais pobres, em nome de quem os curandeiros oficiais diziam agir. Se houvesse fórmulas alternativas para levar ao crescimento, sem lastro no aumento de produtividade, os bustos em bronze de seus idealizadores provavelmente seriam erguidos em praça pública pelo mundo afora. E o Brasil – pródigo na produção de pajelanças econômicas – estaria no topo da lista dos países mais desenvolvidos.

Desta vez, porém, ao que tudo indica, o governo não deverá recorrer ao ilusionismo econômico, para tentar estimular o crescimento. Apesar das pressões para turbinar a retomada com medidas produzidas nos laboratórios econômicos de Brasília, Temer reforçou recentemente a posição de que vai evitar armadilhas do gênero. “Não há mais espaço para feitiçarias na economia”, afirmou. O ministro Henrique Meirelles, da Fazenda, declarou também que o governo não tentará reinventar a teoria econômica para acelerar a retomada. “Não há mágica nem medidas iluminadas para a economia crescer mais rápido”, disse.

A agenda oficial inclui um conjunto ambicioso de medidas, destinadas a reduzir a interferência do Estado na economia e a melhorar o ambiente de negócios no País. Da flexibilização da legislação trabalhista à aceleração das privatizações e concessões de serviços públicos, da adoção de reformas microeconômicas, para desburocratizar o dia a dia das empresas, à maior abertura da economia, o leque de propostas abrange praticamente todos os gargalos que travam o desenvolvimento.

Por ora, com as finanças públicas em frangalhos, a desejada redução da carga tributária, de quase 35% do PIB, a maior entre os países em desenvolvimento, não está no radar. Mas a mera simplificação tributária, em discussão no Congresso com o aval de Temer, já representará, se aprovada pelos parlamentares, uma contribuição inestimável para a melhoria da produtividade das empresas e o crescimento da economia.

Em dezembro, o governo anunciou um pacote de medidas para aumentar a eficiência da economia, sem recorrer ao dinheiro público. Uma das principais propostas é um programa de regularização tributária semelhante ao Refis, lançado em 2000 e reeditado várias vezes desde então. Ao contrário do que acontecia antes, o programa agora não prevê a concessão de descontos sobre a multa e os juros das parcelas em atraso, mas permite o parcelamento em até 96 meses e a utilização de prejuízos para quitar débitos tributários e previdenciários. O pacote inclui também o alongamento de dívidas das grandes empresas com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com taxas mais salgadas que as originais, e o aumento do crédito da instituição para as empresas de pequeno porte.

Há, ainda, propostas para reduzir o custo de crédito, como o aperfeiçoamento do cadastro positivo, que permite aos bancos identificar os bons pagadores e lhes oferecer empréstimos com juros mais baixos, e a criação da duplicata eletrônica, para facilitar a execução das garantias nos “papagaios” bancários. Na área trabalhista, o governo propôs a prevalência da negociação coletiva sobre a legislação e anunciou duas benesses, também sem o uso de recursos públicos. Uma delas prevê a redução gradual na multa de 10% para empresas nas demissões sem justa causa. A outra, a liberação dos saques de contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), para estimular a redução do endividamento das famílias e o consumo.

Apesar de serem medidas de alcance limitado, que não terão impacto significativo no crescimento no curto prazo, elas cumprirão um papel relevante para diminuir a burocracia e melhorar a produtividade. Se forem complementadas por novas propostas do gênero, poderão ter, com o tempo, um impacto efetivo na vida dos cidadãos e das empresas. Agora, o governo tem de dar celeridade também a outros itens da agenda de modernização da economia, como a diminuição do tempo de abertura e fechamento de empresas e a redução das exigências de conteúdo nacional no setor de petróleo, já beneficiado pelo fim da obrigatoriedade de a Petrobrás ser a operadora única do pré-sal.

A lista de medidas para estimular o crescimento, sem o uso de manobras heterodoxas, parece não ter fim. Ainda que Temer consiga implementar a agenda que se propôs, pode ser que não tenha tempo de colher os resultados do que plantar, alcançando índices robustos de crescimento econômico. É possível também que ele não consiga realizar o seu desejo de ser lembrado como “o presidente que arrumou o Brasil”. Mas, talvez, ele possa, ao menos, ser reconhecido como um presidente que deixou o Brasil melhor do que encontrou.

Abinee/O Estado de S.Paulo – 13/01/2017

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Para analistas, há “janela” para alterar regras da taxa

A redução da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), referência para boa parte da carteira do BNDES, é alvo de divergência entre economistas. Para alguns, o momento atual, em que se inicia um ciclo longo de queda de juros, seria uma janela de oportunidade para acelerar a convergência dessa taxa de juros e da Selic, reduzindo distorções do mercado de crédito brasileiro. Para outros, a fraqueza da atividade deve levar o governo a reduzir a TJLP, estacionada em 7,5% ao ano desde janeiro de 2016, nos próximos meses, apesar do objetivo de diminuir os subsídios implícitos nos empréstimos do BNDES.

Para o economista-chefe do Banco Safra, Carlos Kawall, reduzir a TJLP na esteira da queda da Selic seria “um erro enorme”. Ele explica que uma TJLP mais baixa até reduziria o subsídio que o governo paga ao BNDES sobre o estoque de empréstimos concedidos no âmbito do PSI. Nesse programa, o BNDES emprestou a taxas abaixo da TLJP e o Tesouro cobre a diferença entre elas. Neste sentido, se a TJLP cai, o pagamento de subsídio também cai.

A queda da TJLP, no entanto, levaria ao aumento do subsídio em relação à taxa Selic, que representa um volume mais alto de empréstimos. “Acho que temos uma oportunidade histórica para substituir a TJLP ou para estabelecer parâmetros objetivos para a fixação da taxa, que poderia ser a variação do IPCA mais um percentual”, observa. Reduzir a TJLP, além de ter um impacto sobre a dívida líquida, retiraria a potência da política monetária e, portanto, não seria uma decisão adequada, defende.

A TJLP é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), composto pelos ministros da Fazenda e do Planejamento e pelo presidente do Banco Central.

Mauricio Oreng, economista-chefe do Rabobank, também não considera esse um momento adequado para reduzir a TJLP. Para ele, a Selic em baixa abre uma janela de oportunidades para fazer com que as duas taxas se aproximem e seja possível mudar as regras da TJLP, tornando-a mais compatível com as regras de mercado, o que também aumentaria a eficiência da política monetária. “Esse parece ser um objetivo da equipe econômica, e ainda teria um efeito fiscal positivo, ao reduzir os subsídios implícitos nos empréstimos do BNDES”.

Para Alessandra Ribeiro, sócia da Tendências Consultoria, parece de fato haver o objetivo de reduzir o subsídio implícito nessas operações ao longo do tempo, mas por enquanto, considerando o desempenho muito ruim da atividade, o mais provável é que essa convergência se dê de forma muito gradual. Por isso, a expectativa é que a TJLP caia ao longo do ano para 5,5% ou 6% ao ano, com a primeira redução já neste trimestre. O ritmo de queda, porém, seria bem inferior ao da Selic, diz ela.

Ainda que o CMN decida reduzir a TJLP, ele o fará “com parcimônia”, afirma o economista do Banco Ribeirão Preto Nelson Rocha. A atual equipe econômica, ele diz, sempre criticou as “posições parafiscais” da gestão de Dilma Rousseff e seria contrária, portanto, ao aumento de subsídios.

A nova diretoria do BNDES, por sua vez, vem deixando claro que quer “fazer o mercado de capitais funcionar” – elevar a participação do setor privado no financiamento do investimento – e que passará a focar menos na taxa e mais em projetos com retorno social.

Abinee/Valor Econômico – 13/01/2017

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Indicador do PIB sobe em novembro

O Indicador Serasa Experian de Atividade Econômica (PIB Mensal) apontou alta de 0,2% no movimento dos negócios em novembro do ano passado, já efetuados os devidos ajustes sazonais. Já na comparação com igual mês de 2015, houve retração de 1,7%.

Desta forma, no acumulado de 2016 até novembro, a atividade recuou 3,7%. De acordo com os economistas da Serasa Experian, apesar do resultado mensal de novembro do ano passado ter sido positivo, foi insuficiente para compensar a retração de 0,4% verificada em outubro de 2016, deixando o quarto trimestre do ano passado ainda com caráter recessivo.

Segundo a Serasa Experian, pelo lado da oferta agregada, a agropecuária recuou 0,1% no penúltimo mês de 2016, mesmo percentual de queda observado na indústria. Porém, o setor de serviços cresceu 0,4% nessa comparação mensal. No acumulado dos 11 meses do ano passado, a agropecuária caiu 7,1%, a indústria 4,1% e o setor de serviços 2,5%, sempre em comparação ao período de janeiro a novembro de 2015.

Do ponto de vista da demanda agregada, o consumo das famílias cresceu 0,1% em novembro último. Também as exportações avançaram: 14,2% em relação a outubro. Já consumo do governo caiu 0,1% em novembro e os investimentos também diminuíram 0,7%.

Por sua vez as importações caíram 2,2% no penúltimo mês do ano passado. No acumulado de 2016 até novembro, as variações de cada um dos componentes da demanda agregada foram: consumo das famílias (-4,5%); consumo do governo (-0,7%); investimentos (-11,5%); exportações (+3,6%); importações (-12,0%).

Dados Oficiais

Oficialmente, os resultados da atividade econômica são divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e referentes aos números trimestrais. O dados do quarto trimestre de 2016 serão anunciados no dia 07 de março.

Conforme a última divulgação do IBGE, com relação ao terceiro trimestre do ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) havia recuado 0,8.

Abinee/DCI – 13/01/2017

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Coluna

Não será fácil os juros chegarem a um dígito

O corte de juros maior do que o esperado, de 0,75 ponto percentual, estimulou as apostas na queda da taxa básica a um dígito ao final do ano e até mesmo de o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central intensificar ainda mais o ritmo de baixa em fevereiro.

As informações do comunicado da reunião do Copom, porém, ainda não autorizam prognósticos tão ousados. Mas, em tese, tudo pode mudar até lá, como mudou desde novembro, abrindo espaço para cortar mais os juros anteontem.

Desde que Ilan Goldfajn assumiu a presidência do Banco Central, em junho, houve uma mudança importante na forma de comunicar a política monetária. Seu antecessor, Alexandre Tombini, procurava indicar claramente seus passos seguintes, conduzindo o mercado financeiro pela mão. Ilan prefere abrir os dados que serão determinantes nas suas decisões futuras, que são sempre um jogo mais ou menos aberto.

O problema principal do estilo de Tombini de conduzir o mercado no detalhe é que, de uma hora para outra, o cenário pode mudar, seja com a divulgação de um novo dado sobre atividade econômica e inflação ou por um acontecimento inesperado no cenário internacional. O Banco Central, na média, não é melhor do que o mercado para prever o futuro. Na gestão Tombini, isso significava ajustar, com frequência maior do que a desejável, a comunicação, adicionando volatilidade ao mercado financeiro.

O BC de Ilan deixa o mercado fazer as suas próprias projeções sobre a evolução do cenário, a partir a moldura que o Copom acha relevante para suas decisões. A vantagem dessa abordagem é que, como cada um faz sua própria aposta, os juros de mercado refletem a média das visões dos operadores e, por isso, a volatilidade da taxa tende a ser menor quando o cenário muda repentinamente.

Foi o que aconteceu entre as reuniões do Copom de novembro e janeiro. O Banco Central deu fortes indicações de que iria intensificar o corte de juros, mas não especificou em quanto. Suas projeções de inflação, inicialmente, mostravam um espaço muito limitado para cortar mais de 0,5 ponto em janeiro. Mas o Copom avisou que a evolução da atividade econômica e da inflação de serviços poderia mudar as projeções. Acertaram os analistas econômicos que perceberam que, com dados divulgados mais recentemente que mostravam economia mais fraca e alívio nos preços de serviços, as projeções de inflação do Banco Central cairiam o suficiente para permitir um movimento mais forte de queda de juros, de 0,75 ponto percentual.

Depende da visão de cada um, portanto, as apostas sobre os próximos movimentos da taxa básica, se 0,75 ponto ou mais do que isso, e sobre as chances de a taxa básica chegar a um dígito no final do ano.

Mas o ponto de partida é o comunicado da reunião do Copom. O documento diz que as projeções de inflação continuam importantes para as decisões; elas não dão muita margem para cortar os juros além do ritmo de 0,75 ponto percentual adotado em janeiro, e ainda não corroboram as visões de que os juros chegará a um dígito.

As projeções apresentadas anteontem aos membros do Copom mostravam que, com um ciclo de corte de juros de 3,5 pontos percentuais então previsto pelo mercado, que levaria a taxa básica a 10,25% em outubro, a inflação ficará em 4,4% em 2017 e em 4,5% em 2018. Como a meta é de 4,5% para ambos os anos, não há espaço para ir além disso. Depois que, anteontem, o Copom baixou o juro em 0,75 ponto, restam um adicional de 2,75 ponto percentual para baixar sem comprometer a meta de inflação.

Isso descarta um corte de um ponto percentual na próxima reunião, de fevereiro? Não, mas é preciso apostar que o Banco Central está errando no seu cenário econômico, adotando uma postura excessivamente conservadora que levará a uma queda maior da inflação.

De fato, o Banco Central tem errado, desde meados do ano passado, na sua avaliação sobre a atividade econômica. Não erra sozinho, é bom destacar, pois suas previsões são muito parecidas com a média de mercado. A aposta inicial da autoridade monetária era que a economia tinha se estabilizado no terceiro trimestre de 2016 e, portanto, a recessão havia ficado para trás.

Em novembro, o BC abandonou essa visão e passou a contar com a estabilidade da economia apenas no quarto trimestre. E indicou que iria cortar os juros em 0,5 ponto em janeiro. Ao que tudo indica, essa projeção também se frustrou, o que, junto com a inflação corrente favorável, levou a um corte maior. Cada vez que a economia cresce menos, a inflação projetada pelo BC cai, abrindo espaço para juros menores.

Mas, mesmo que a atividade não provoque novas decepções, o BC pode estar errando na mão por outros motivos. Um deles é subestimar a força da brutal recessão para baixar a inflação. As projeções do BC sobre a queda futura da inflação se baseiam no histórico estatístico de recessões e expansões econômicas. A recessão atual é sem precedentes, por isso seu efeito para baixar a inflação de serviços e diluir a inércia inflacionária pode ser maior. O BC tem repetido, em documentos oficiais, que esse é um fator de risco que pode baixar a inflação mais que o esperado.

Portanto, pode bem ser que a recessão leve a uma queda dos juros ao patamar de um dígito, mas se a taxa vai permanecer lá por muito tempo é outra história. O Copom cortou os juros abaixo de 10% ao ano apenas duas vezes nas últimas décadas, em 2008 e em 2012. Nesses períodos, teve a ajuda dos juros próximos de zero nas economias avançadas, e hoje a tendencia é de alta nos Estados Unidos. Em ambos caso, o BC teve que apertar logo em seguida para conter as pressões inflacionárias.

Os juros só vão ficar permanentemente na casa de um dígito – se de fato chegarem lá – quando a chamada taxa de equilíbrio tiver baixado. As projeções de longo prazo do mercado financeiro preveem uma Selic na casa de 9,5% entre 2018 e 2019, caindo para 9% apenas em 2010 e 2021. Está na casa de um dígito, mas numa fronteira que supera esse patamar com qualquer soluço. É um sinal de que a agenda de reformas do governo ainda não é percebida como suficiente para o Brasil ter juros civilizados.

Abinee/Valor Econômico – Alex Ribeiro – 13/01/2017

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Após três meses em queda, serviços têm ligeira alta

O setor de serviços reverteu o sinal após cair três meses seguidos, mas a pequena alta de 0,1% em novembro de 2016 ainda não indica que o pior momento da atividade já passou. A atividade está 4,6% abaixo do registrado em novembro de 2015, com queda generalizada entre os setores e espalhada entre 26 das 27 unidades da federação, de acordo com dados do IBGE. Já são 20 meses seguidos de retração nesse tipo de comparação, segundo dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS).

Para 2017, o cenário é melhor, principalmente a partir do segundo semestre. A inflação entrou em trajetória de queda, com projeções rumo ao centro da meta e o Banco Central acelerou o corte na taxa básica de juros, disse Silvio Sales, economista da Fundação Getulio Vargas (FGV). Apesar disso, considera que a recuperação da atividade deve ser lenta.

Há outros fatores que poderiam influenciar na melhora do comportamento de serviços em 2017. O comportamento da agropecuária deve segurar os preços de alimentos e ajudar o setor de serviços em transportes, que despencou 7,9% em novembro, ante igual mês de 2015 – foi a vigésima consecutiva.

Enquanto indústria e mercado de trabalho não se recuperarem de forma consistente, a atividade vai continuar em crise, afirma Roberto Saldanha, analista do IBGE e responsável pela PMS. “O setor de serviços vai a reboque disso tudo, mas temos que observar se será um movimento constante nos próximos meses”, afirmou. Nos 11 meses de 2016, o volume de serviços prestados caiu 5%. Em 2015 a atividade fechou em retração de 3,6% e já havia sido o pior resultado desde o início da série histórica.

A Confederação Nacional do Comércio (CNC) prevê que 2017 será melhor para o setor de serviços. O relativo otimismo vem da “evolução da confiança dos empresários do setor, a aceleração no corte de juros aos consumidores e empresários e o fechamento menos intenso de vagas no mercado de trabalho, inclusive no setor de serviços, na avaliação da entidade, deverão fazer de 2017 um ano mais favorável para o segmento”.

Uma das perdas mais importantes, e que reflete o atual cenário deteriorado, ocorre no setor de serviços técnico-profissionais, que desde maio de 2016 apresenta tombos acima de dois dígitos e caiu 14,3% em novembro, ante igual mês do ano anterior. Esse segmento representa 5,8% dos serviços e reforça o panorama de crise entre empresas e governos, que deixaram para depois novos projetos.

“Os serviços técnico-profissionais apresentam queda por causa da total falta de investimento”, afirmou Saldanha. “Se as empresas não estão investindo não há projetos de engenharia, por exemplo. Isso está afetando muito esse segmento, item que depende muito da recuperação das empresas, da retomada dos investimentos.”

Os serviços profissionais, administrativos e complementares, que incluem a contratação de terceirizados para trabalhos menos complexos, como limpeza e segurança, caíram 3,6% – são 20 resultados negativos em sequência.

Abinee/Valor Econômico – 13/01/2017

Redação On janeiro - 13 - 2017
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