Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

Filiado a FIESP

Quinta-feira, 21 de Setembro de 2017






Associe-se!
Clique aqui e conheça as vantagens

Faturamento cai pela primeira vez desde 2012

A previsão de que os balanços das empresas começariam a refletir em breve a possível retomada da economia não passou disso: uma expectativa. De julho a setembro, pela primeira vez em mais de quatro anos, a receita líquida de 278 empresas de capital aberto apresentou queda nominal de 3% na comparação com o mesmo período do ano passado, para R$ 335,3 bilhões, diante da combinação de fatores venenosos para os negócios: desemprego, juros e inflação altos e riscos no cenário externo. Se acrescentada a inflação, a queda real da receita passaria de 10%.

Os números desconsideram Eletrobras e Petrobras que, com baixas contábeis gigantescas no trimestre, distorcem os dados. Mesmo com as duas estatais, porém, a queda na receita permanece – de 5%, também em base anual. O levantamento é do Valor Data, considerando uma base de dados comparáveis desde o primeiro trimestre de 2012.

Por 18 trimestres seguidos, as empresas entregaram crescimento nessa linha, ainda que ela fosse insuficiente para cobrir a inflação. No ano, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), principal indicador de inflação no país, já acumula alta de 5,78%. Em 12 meses, o avanço é de 7,87%, segundo as informações mais recentes, de outubro.

“Não esperamos mais atingir a meta de estabilidade na receita líquida no Brasil neste ano”, afirmou a fabricante de bebidas Ambev, que passou a projetar queda nessa linha. “No curto prazo, a confiança do consumidor está melhorando e a inflação, desacelerando, porém é esperado que o ambiente de consumo no Brasil permaneça difícil no quarto trimestre.”

Na sexta-feira, o Credit Suisse reduziu o preço-alvo para as ações da Ambev de R$ 21 para R$ 20, motivado pelo resultado abaixo do esperado no trimestre. A Ambev saiu de uma previsão de crescimento de um dígito simples na receita no início do ano para uma previsão de estabilidade no meio de 2016 e agora espera queda na receita.

Nesse cenário, as companhias precisaram fazer uma série de esforços para tentar driblar a persistência das dificuldades macroeconômicas. Assim, com cortes de custos, redução de investimentos e racionalização de gastos, elas foram capazes de, apesar da queda da receita, entregar um crescimento de 7,3% no lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) e de 17,4% no lucro antes juros e impostos, com alguma recomposição de margens.

A administradora de shoppings centers Iguatemi foi uma das que fizeram controle de custos e despesas de tal forma que, em 2017, não vê mais espaço para melhoras nessas linhas na mesma intensidade. A companhia conseguiu redução significativa em cargos de gestão devido ao enxugamento de projetos e redução de funcionários, que ajudaram a diminuir as despesas administrativas em 23% em base anual.

Além disso, efeitos financeiros positivos, com o impacto da desvalorização do dólar sobre a dívida, colaboraram com os resultados das empresas no trimestre. Embora as companhias ainda tenham apresentado despesas financeiras líquidas, no total de R$ 23,1 bilhões, o montante representa recuo de 60% sobre as perdas dessa linha no ano anterior.

“Com o real mais forte, a dívida ‘dolarizada’ das empresas fica menor. É nas despesas financeiras que esse efeito aparece”, explica o analista Carlos Sequeira, do BTG Pactual. A queda do dólar frente ao real ao fim do trimestre, em relação ao mesmo período do ano passado, foi de 18,3%, para R$ 3,25.

Com a combinação mais favorável dos resultados operacional e financeiro, as 278 empresas analisadas conseguiram reverter o prejuízo conjunto de R$ 4 bilhões registrado no terceiro trimestre de 2015 para um lucro combinado de R$ 15,7 bilhões agora, mesmo com o desempenho amargo da primeira linha do balanço.

Segundo Sequeira, a receita foi o principal ponto negativo do trimestre, mas não chegou a causar surpresa- o BTG era uma das casas que previam recuo do indicador de julho a setembro, de 3,9%.

“Não há dúvida de que vemos um reflexo do estado da economia, com uma recessão [queda do Produto Interno Bruto] que neste ano deve ficar em 3,3%”, diz. “Foram as expectativas que melhoraram desde o começo deste ano, não os balanços. E a grande questão é a velocidade, com uma demora cada vez mais marcada de recuperação da economia.”

Para o Santander, os resultados continuaram fracos neste terceiro trimestre. “Dos setores que acompanhamos, 74% registraram crescimento de receita abaixo da inflação nos últimos 12 meses”, afirma o banco em relatório a clientes. Em relação ao lucro, 65% dos segmentos tiveram expansão menor que o avanço de preços da economia.

Na abertura por setores, a ponta positiva foi marcada pelos balanços das siderúrgicas, como a Gerdau, que saiu de um prejuízo para um lucro de R$ 91,9 milhões, além de petroquímicas, com Braskem na liderança, e companhias aéreas.

Do outro lado, as construtoras foram o destaque negativo do trimestre, com prejuízo conjunto crescendo dez vezes, para R$ 2,1 bilhões, diante do aumento dos distratos e recuo das vendas.

Além disso, segundo Paulo Nogueira Gomes, economista-chefe e estrategista da Azimut Brasil Wealth Management, dois grandes expoentes frustraram o mercado: a Petrobras, com o terceiro maior prejuízo de sua história, de R$ 16,5 bilhões, após baixas contábeis por petróleo e câmbio; e a Ambev, cuja receita líquida caiu 2,4%, para R$ 10,48 bilhões.

“As empresas fizeram mais esforços para reduzir custos. Mesmo assim, elas estão mais magras, diante da baixa demanda doméstica e do dólar médio menor no trimestre, que fez com que as exportadoras também sofressem”, diz.

Para o futuro, analistas apostam que a lentidão da recuperação econômica faça do quarto trimestre mais um período de dificuldades para as empresas, que devem seguir com a estratégia de enxugar seu tamanho para não corroer a qualidade das demonstrações financeiras.

“O alívio que o câmbio deu sobre a dívida não deve se repetir, inclusive por novos riscos que foram adicionados ao cenário, como a eleição de Donald Trump [à presidência dos Estados Unidos]”, diz Paulo Gomes, da Azimuth. “Minha leitura é cautelosa para o ano que vem, porque precisaremos aguardar os desdobramentos econômicos lá fora e também no Brasil.”

Abinee/Valor Econômico – 21/11/2016

continue lendo:

Cai número de empresas que mais crescem

O País tinha 31.223 empresas de alto crescimento em 2014, queda de 6,4% ante 2013, de acordo com as Estatísticas de Empreendedorismo divulgadas na última sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A pesquisa considera como empresas de alto crescimento aquelas que aumentaram em pelo menos 20% ao ano o número de empregados por um período de três anos consecutivos, e tinham 10 ou mais pessoas ocupadas ssalariadas durante o primeiro ano de observação.

Pelo segundo ano consecutivo, houve queda no número de empresas e no pessoal ocupado assalariado (-10,4%).

Abinee/DCI – 21/11/2016

continue lendo:

‘Efeito Trump’ reforça corte menor na Selic

Se havia dúvidas sobre o espaço para o Banco Central acelerar o ritmo de alívio monetário na reunião de novembro, a deterioração dos mercados, provocada pela vitória de Donald Trump na eleição americana, torna o cenário ainda mais incerto. A aversão ao risco aumentou no mundo, o que se traduziu em desvalorização do real e alta dos juros mais longos, movimentos que tornam a chance de o Banco Central manter-se cauteloso e voltar a cortar a Selic em 0,25 ponto a aposta mais forte. Isso a despeito dos sinais de que a atividade econômica local está mais fraca do que se previa.

Dos 39 economistas ouvidos pelo Valor, 28 – ou 71,7% da amostra – acreditam que o BC repetirá a dose de outubro, o que levará a taxa Selic para 13,75% na reunião do Copom dos dias 29 e 30 de novembro. Apenas 7 – ou 5,6% – mantêm a ideia de que o corte pode ser mais intenso. Existe ainda um grupo composto por quatro profissionais que espera que o BC não mexa no juro novamente.

O que torna o mercado mais cético com a possibilidade do BC acelerar o passo é a expectativa de que o novo governo dos EUA adotará uma política monetária mais expansionista, o que muda os preços dos ativos de lugar: os juros dos Treasuries superam com folga os 2%, enquanto o dólar ganha terreno ante as principais moedas, inclusive na comparação ao real. Esse movimento coloca em xeque a continuidade do que o BC chama de “interregno benigno” do cenário externo, elemento que tem contribuído fortemente para a melhora da confiança dos investidores e, como consequência, para a valorização do câmbio – elementos que contribuem para a desinflação que o BC está buscando.

O Itaú Unibanco puxou a fila das revisões de cenário e passou a contar com um corte de 0,25 ponto da Selic, e não mais de 0,5 ponto, um dia após a confirmação da vitória de Trump. Os economistas do banco acreditam que o BC deve ser mais cauteloso num momento em que não há clareza sobre qual será o rumo da política econômica americana. Mas, ainda assim, o banco continua acreditando que o ciclo de alívio monetário levará a Selic para 10% ao ano no fim de 2017.

Já o economista-chefe da GO Associados, Luiz Castelli, tornou-se ainda mais conservador. Além de alterar de 0,5 ponto para 0,25 ponto sua expectativa de corte de juros em novembro, também reviu a estimativa para o ciclo total, que agora deve levar a taxa a 11%, e não mais para 10%, no fim de 2017. “Basicamente, ao invés de um cenário de enfraquecimento do dólar, devemos ver o dólar se fortalecer em nível global no ano que vem, pelo menos na primeira metade do ano. Isso tira espaço para o BC e deve torná-lo mais cauteloso.”

O efeito colateral desse novo ambiente pode ser uma recuperação econômica ainda mais lenta. A preocupação com a atividade tem crescido entre os economistas, à medida que indicadores antecedentes começaram a apontar para um desempenho pior do que o esperado do PIB. “A recuperação seria mais fácil em um cenário de elevada liquidez global. O dólar continuaria caindo e o juro acompanharia tal movimento. Nesse novo contexto, esse espaço é menor, pois para o BC entregar uma inflação de 4,5%, a alta de preços de ‘non tradables/serviços’ tem que compensar esse possível efeito altista dos ‘tradables’ [commodities]”, afirma Castelli.

O banco Fator, que segue no grupo minoritário dos que esperam um corte de 0,5 ponto da Selic, revisou sua projeção para o PIB no ao que vem para estabilidade. O raciocínio do economista-chefe da instituição, José Francisco Lima Gonçalves, é que, ainda que o efeito Trump possa demorar a ser sentido pela via do comércio, “a elevação da incerteza e dos prêmios de risco têm razões fortes”. “Só que a economia está despencando e isso afeta o fiscal pela via da receita e do gasto. Impossível os colegas não considerarem algo como dominância fiscal”, afirma.

Mas, para o especialista, o quadro fraco deve ser atribuído mais a questões locais do que às externas. “O mercado de trabalho emperra o consumo, endividamento emperra o crédito, investimento é adiado”, diz. Embora seja uma boa notícia o limite para o crescimento do gasto público, Gonçalves diz que a “crise fiscal, em todos os níveis, é assustadora e a política tem ritmo lento, atravessado pela Lava Jato.”

Patrícia Krause, economista-chefe da Coface, já esperava que a Selic seria reduzida em 0,25 ponto em novembro desde a última reunião do Copom. O risco agora, para a especialista, é que o ciclo esperado seja afetado, com consequências negativas para o PIB. No cenário de Patrícia, a Selic cairá para 13% até o fim de 2017, projeção mais conservadora da amostra.

Já Jason Vieira, da Infinity, acredita que o Banco Central vai reduzir o juro em 0,25 ponto e terá espaço para um ciclo mais brando. O especialista contava com um juro a 10,50% na pesquisa anterior e, agora, considera que a taxa pode cair somente até 11,75%. Isso por causa da incerteza com o cenário cambial, em um possível cenário econômico expansionista em termos fiscais nos EUA, o que pode incrementar o aperto monetário naquele país e consequentemente, uma valorização global do dólar.

Também o Bradesco mantém a expectativa de corte da Selic em 0,25 ponto em novembro, cenário que os economistas do banco já consideravam após a última decisão do Copom. De todo modo, para a instituição, se a vitória de Trump agrega incerteza ao risco país e à moeda, pode ser um choque que contrai ainda mais o crescimento do próximo ano. Assim, em virtude da economia fraca e da quase convergência da inflação para 4,5% vislumbrada neste momento, o Bradesco mantém a expectativa de um ciclo longo de redução nos juros, levando a taxa Selic para 10,25% ao ano.

Abinee/Valor Econômico – 21/11/2016

continue lendo:

Investidores reduzem aposta favorável ao real

O aumento da volatilidade nos mercados desde a vitória inesperada de Donald Trump na eleição americana levou a uma mudança nas posições no mercado de câmbio. Enquanto os investidores estrangeiros e institucionais reduziram as apostas a favor do real, dado o aumento das incertezas sobre o rumo da moeda americana, os exportadores aproveitaram a alta recente do dólar para travar uma taxa de câmbio mais atrativa para as exportações.

Só no mercado local, o investidor estrangeiro aumentou a posição comprada em dólar (aposta na alta da moeda americana) em US$ 2,259 bilhões na BM&F entre os dias 9 e 17 de novembro, considerando o total em contratos futuros de dólar, cupom cambial e swaps cambiais. Também no mercado externo as posições a favor do real mudaram. Segundo o Bank of America Merrill Lynch, houve uma redução estimada entre US$ 5 bilhões e US$ 6 bilhões, equivalente a 40% das posições compradas em real contra o dólar por meio de contratos a termo de moedas negociados no exterior, conhecidos como NDF (Non-Deliverable Forward). “Os investidores estrangeiros continuam liquidamente comprados em Brasil e, se houver uma deterioração do cenário lá fora, ainda há espaço para o câmbio piorar”, diz Nuno Martins, chefe de estruturação e vendas de derivativos do BofA Merrill Lynch.

Os investidores, segundo Martins, estavam com uma posição muito grande a favor do real e tiveram que reduzir a participação em Brasil para adequar a exposição em mercados emergentes, diante do movimento de alta das taxas dos títulos do Tesouro americano (Treasuries). Esse movimento foi provocado pela expectativa de política econômica mais inflacionária do governo Trump, baseada em corte de impostos e aumento de gastos. “Houve um fluxo grande perto do fim da eleição americana para o mercado de derivativos com apostas em um cenário positivo e, com a vitória de Trump, houve um movimento de ‘stop-loss’ [limite de perda]”, diz Carlos Ferreira, sócio da XP Investimentos.

Não foi só o estrangeiro que ajustou suas posições. Os fundos locais, que estavam muito posicionados a favor do real, reduziram a posição vendida em dólar na BM&F desde a eleição americana, de 9 a 17 de novembro, de US$ 10,3 bilhões para US$ 6,7 bilhões.

Esse ajuste de posições em derivativos foi o principal motivo para a alta do dólar no mercado à vista após a eleição americana. A cotação subiu 6,85% no período, e fechou sexta-feira a R$ 3,3865, mas chegou a superar a marca de R$ 3,50 no pior momento das negociações intradia. A atuação do Banco Central, que voltou a ofertar swaps cambiais tradicionais, operação que equivale a uma venda de dólar no mercado futuro, ajudou a reduzir esses ganhos da moeda americana. Mas houve também a ajuda dos exportadores, que aproveitaram a disparada da cotação para vender dólares por meio de contratos a termo.

Segundo dados da Cetip, o volume de operação de venda de dólar por meio de contratos de termo de moeda (NDF) somou US$ 5,225 bilhões em novembro até o dia 15, aumento de 74,17% em relação ao mesmo período de 2015 e acima das operações de compra de dólar por meio desses contratos que somaram US$ 3,689 bilhões.

O Itaú Unibanco chegou a verificar um aumento de 40% do volume de operações de hedge, principalmente por parte dos exportadores, incluindo tanto pequenas empresas quanto grandes companhias e multinacionais. “Os exportadores aproveitaram o movimento exagerado de alta do dólar, enquanto os importadores estão esperando um pouco”, diz Eric Altafim, responsável por vendas para empresas e produtos de derivativos do Itaú Unibanco.

O executivo do Itaú afirma que se o dólar recuar para um patamar entre R$ 3,20 e R$ 3,25 pode ser interessante para o importador fechar o hedge e se proteger contra uma alta do dólar. Já o patamar próximo de R$ 3,45 começa a atrair exportadores.

O chefe de vendas da mesa de renda fixa do BNP Paribas no Brasil, Sérgio Machado, também viu aumento das operações de venda de dólar por parte dos exportadores, que também utilizaram estratégias com opções para travar uma margem de ganho com as exportações. “Isso ajudou a dar saída para os investidores institucionais que precisavam reduzir suas posições no mercado de câmbio”, diz.

Além das operações de hedge, alguns exportadores aproveitaram a cotação mais alta do dólar para trazer os recursos com venda das exportações mantidos no exterior para o Brasil, afirma Martins, do BofA. Isso ajudou a aumentar o fluxo cambial comercial que estava positivo em US$ 2,9 bilhões em novembro até o dia 11, valor 143% superior ao registrado em novembro de 2015 de US$ 1,190 bilhão.

As empresas também aproveitaram o momento de alta das taxas do cupom cambial (taxa de juros em dólar) para tomar empréstimos na moeda americana por meio da linha conhecida como 4131, pela qual os bancos emprestam recursos em dólar para as empresas e fazem uma operação de troca de dívida (swap) para o certificado de depósito interfinanceiro (CDI). Assim, no fim da transação é como se a empresa tivesse contratado uma dívida em reais. Nessas operações, as empresas tomam empréstimos atrelados à taxa Libor e aplicam na taxa do cupom cambial, dada pelo contrato “forward rate agreement” (FRA), negociado na BM&F. O diferencial dessas taxas aumentou de 0,88906 ponto percentual no início do mês para 1,08433 ponto em 11 de novembro, o que fez com que os empréstimos em dólar passassem a ficar mais baratos que as linhas domésticas. “Essa linha funciona como um capital de giro. Empresas que anunciaram aquisições ou têm investimento no mercado local correram para contratar esses empréstimos que estavam mais baratos”, diz Rafael Abujamra Kappaz, superintendente responsável pela mesa de Global Corporate Banking do Santander.

A entrada desses recursos ajudou a compensar eventuais saídas de investidores após a eleição de Trump, especialmente via conta financeira, que registrou déficit de US$ 83 milhões de 9 a 11 de novembro, último dado disponível após a eleição nos EUA.

Abinee/Valor Econômico – 21/11/2016

continue lendo:

PDVs da crise

A grave crise econômica levou as estatais federais a demitirem, por meio de Planos de Demissão Voluntária (PDV), pelo menos 21.570 pessoas nos últimos dois anos. Preocupado com a sustentabilidade dessas empresas, o governo tem estimulado esse tipo de programa e planos de aposentadoria incentivada, como alternativa para enxugar a folha e, assim, aliviar o caixa. Segundo dados do Boletim Estatístico de Pessoal do Ministério do Planejamento, do fim de 2014 até setembro de 2016, o saldo líquido de funcionários de estatais (que contabiliza contratações menos demissões) ficou negativo em 13 mil. E as dispensas incentivadas vão continuar. A Petrobras anunciou que pretende cortar mais 8 mil — já despediu 7.961 — a Eletrobras quer cortar 5.662 e os Correios outros 8 mil. O Banco do Brasil anunciou ontem que pretende incentivar a aposentadoria de mais 18 mil.

De acordo com o relatório do Planejamento, o número de funcionários caiu de 494.370 há dois anos, antes da onda de PDVs, para 481.460 até setembro de 2016. Segundo a Secretaria de Gestão e Governança das Empresas Estatais (Sest) do Planejamento, só entre 2015 e 2016, quando o arrocho fiscal ficou mais forte, foram aprovados PDVs autorizando demissões de 21.300 funcionários, sem incluir as dispensas da Petrobras, que não precisa do aval do Planejamento para tomar essas medidas.

Para Fernando Soares, secretário da Sest, as estatais também têm que contribuir para o ajuste fiscal. Nas empresas que estão em situação financeira mais complicada, diz, o PDV é uma alternativa de enxugamento, para melhorar o caixa:
— Para estatais que estão em situação muito complexa, se tomamos medidas necessárias de enxugamento, seja por PDV, seja por limite na criação de cargos ou funções, isso pode melhorar a situação da empresa e tornar desnecessário que, num futuro próximo, fale-se em um aporte de capital. Estamos, sim, estimulando os PDVs. E as empresas só podem recompor em medida necessariamente menor do que aquela dos que saíram, de modo que isso implique redução dos custos fixos com mão de obra.

Os maiores planos autorizados nos últimos dois anos foram o do Banco do Brasil (BB), com autorização para demissão de até 7.100 empregados; Serpro (4.373); e Caixa Econômica Federal (2.816 em 2015 e 2.544 em 2016). Em vários desses casos, como no BB, na Caixa e no Serpro, o que foi instaurado, na prática, foi um plano de aposentadoria incentivada. Segundo o BB, no banco, o plano consiste em promover “por livre decisão do funcionário, o desligamento dos profissionais que, em 19 de maio de 2015, já estavam aposentados pelo INSS por tempo de contribuição ou idade, ou que possuíam, 50 anos de idade e 15 de empresa”.

RISCO PARA EFICIÊNCIA, DIZ ESPECIALISTA
O Banco do Brasil conseguiu, efetivamente, 4.992 adesões, o que permitirá uma economia de R$ 511 milhões em todo este ano, segundo o banco. Na Caixa, 5.263 empregados aderiram ao plano. O Serpro teve 532 adesões. A Infraero, que está na lista, encerrou um programa que obteve 2.582 adesões. O Banco da Amazônia, 240.
A Sest ainda analisa outros pedidos para realização de PDV. Estão na lista, por exemplo, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), que espera que de 6 mil a 8 mil pessoas possam aderir ao plano, e a Eletrobras, que quer desligar mais de 5 mil. Após passar por uma política conturbada no comando da instituição, a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) também já sinalizou que quer adotar um programa de demissões incentivadas.

A Sest é responsável pela determinação do quadro máximo de empregados nas estatais. Ela também autoriza os planos de demissão. As autorizações dadas pelo Planejamento são uma estimativa para os desligamentos, ou seja, as estatais podem optar por não demitir exatamente nessa proporção.

“Estabelecido o limite, cabe à própria estatal gerenciar seu quadro de pessoal, em vista de seus objetivos estratégicos, planos de negócios e perspectivas para o curto, médio e longo prazos”, informou a secretaria. A recomposição de pessoal quase sempre é inferior às demissões. O Sest pode enxugar o quadro máximo de pessoal permitido no futuro.

A especialista em contas públicas Margarida Gutierrez, da UFRJ, acredita que os PDVs são uma estratégia válida para as estatais se adequarem ao momento econômico. Ela pondera, no entanto, que a eficiência de algumas empresas pode ser prejudicada por um corte grande de pessoal:

— Há pessoal excessivo, porque tivemos um crescimento da economia nos últimos anos e mais contratações. Como na estatal você não pode demitir, o quadro dos últimos anos ficou, mas a produção não é mais a mesma. É uma estratégia para se ajustar ao novo momento, mas há preocupação com a eficiência que deve ser analisada caso a caso.

NOS ESTADOS, MAIS INCENTIVOS
Os PDVs também têm sido utilizados como estratégia por estados brasileiros que querem diminuir a conta com pessoal. É o caso, por exemplo, do Distrito Federal e de Santa Catarina. O DF estima que pelo menos 500 pessoas já aderiram ao plano de demissões. Um novo PDV foi implantado na Sociedade de Abastecimento de Brasília (SAB), que tem 327 funcionários em exercício e 287 empregados que se encaixam no perfil estabelecido pelo plano, que fixa idade mínima de 50 anos. Já Santa Catarina prevê plano de demissão para 144 empregados.

A Petrobras e a Eletrobras estão com planos de incentivo ao desligamento que prevê uma redução de pessoal nas duas estatais de cerca de 13.600 empregados. A meta da Petrobras é reduzir em mais 10% o quadro de pessoal até o ano que vem, enquanto a Eletrobras pretender cortar em torno de 30% seu quadro de pessoal.

Ao fim do terceiro trimestre do ano, a Petrobras tinha 71.152 empregados, incluindo suas subsidiárias, contra 79.113 no mesmo período do ano passado, um corte de 10%, com demissão de 7.961. A dispensa foi resultado de dois programas de demissão. Num primeiro PDV, foram demitidos cerca de 4 mil. No mais recente Plano de Incentivo ao Desligamento Voluntário (PIDV), foram mais 4 mil. Porém, 12 mil funcionários aderiram ao programa, portanto a estatal espera que mais 8 mil sejam dispensados até o próximo ano, em mais um corte de 10% do pessoal. Para os custos com o PIDV, a Petrobras provisionou R$ 2,4 bilhões. A Eletrobras lançou dois planos e pretende reduzir o quadro do grupo dos atuais 18.702 funcionários para 13.044.

Abinee/O Globo – 21/11/2016

Redação On novembro - 21 - 2016
  • Central de atendimento
  • Telefone: (11) 3285-3522 / e-mail: sicetel@sicetel.com.br
Associe-se!
        Clique aqui
Cadastre seu e-mail e receba periodicamente notícias do SICETEL.