Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

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Tera-feira, 26 de Setembro de 2017






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Brasil é principal destino de capital chinês entre emergentes

O Brasil é a primeira destinação de aquisições de empresas pela China em economias emergentes e a terceira globalmente, neste ano, revela levantamento da consultoria de dados financeiros Dealogic, de Londres, para o Valor. Seis transações por parte dos chineses no Brasil totalizaram US$ 11,9 bilhões entre 1º de janeiro e 18 de novembro, mais do dobro da soma de dez operações realizadas em todo o ano passado no país.

As aquisições dos chineses no Brasil só são superadas pelas compras de companhias nos EUA (US$ 60,6 bilhões) e Suíça (US$ 48,8 bilhões), mas ficam acima dos negócios efetuados na Alemanha, principal economia europeia.

O Brasil atraiu 22,7% do volume de transações de US$ 52,4 bilhões efetuadas pelos chineses nos mercados emergentes neste ano. Quase tudo, cerca de US$ 10 bilhões, foi destinado a aquisições em “energia e serviços públicos” no país. Aparece em seguida o setor químico, US$ 1,7 bilhão.

O total de compras por empresas chineses na economia brasileira chega a US$ 39,6 bilhões entre 2010-2016. O movimento neste ano é significativo, porque Pequim passou a investir mais nos mercados desenvolvidos do que nos emergentes.

A Dealogic mostra que o total de fusões e aquisições chinesas no exterior já bate recorde este ano, com US$ 208,9 bilhões, um grande salto em relação a 2015. O volume está em linha com o plano anunciado pelo primeiro-ministro Li Keqiang, que prevê US$ 1 trilhão em investimentos diretos externos em cinco anos, tornando o país o segundo maior investidor direto, só atrás dos EUA.

No entanto, o grupo Rhodium, dos EUA, publicou estudo estimando que as estatísticas oficiais de investimentos chineses no exterior devem ser de duas a quatro vezes inferiores ao volume real.

Para o banco UBS, a recente hostilidade sinalizada pelo presidente eleito dos EUA contra estrangeiros pode frear o crescente apetite chinês por investimentos na maior economia do mundo. Recente relatório de um grupo do Congresso americano recomenda que Washington proíba a compra de companhias americanas por estatais chinesas. O protecionismo na Alemanha também bloqueou transações dos chineses. O governo alemão considerou que a China procurava acesso sobretudo a empresas de alta tecnologia, em detrimento da segurança nacional.

No entanto, o UBS aponta uma redução na parte dos investimentos externos feitos por companhias estatais chinesas, enquanto as privadas aumentaram negócios no exterior para se expandirem mais rapidamente também em novos setores, como turismo.

O governo brasileiro procura atrair mais capital chinês para os bilionários projetos de infraestrutura. Pequim diz ter interesse, o que pode significar aumento no fluxo de investimento externo direto para o Brasil nos próximos anos.

Abinee/Valor Econômico – 21/11/2016

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Alta do dólar deve ajudar rentabilidade do exportador local

A alta do dólar após a eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos deve trazer de imediato um aumento de rentabilidade para o exportador brasileiro e melhora no resultado geral das empresas, com a conversão do valor embarcado resultando em maiores receitas em moeda nacional.

A desvalorização, porém, é vista com cautela pela indústria. A perspectiva de aumento no volume de vendas, ou uma decisão de cortar preços para aproveitar o câmbio mais favorável e ganhar competitividade, só devem se tornar realidade caso o patamar atual se mantenha por alguns meses.

“A desvalorização do real obviamente aumenta o apetite pelas exportações”, diz Luiz Cassiano Rosolen, presidente da Romi. O efeito imediato, diz ele, é a melhora da margem de lucro e uma contribuição mais positiva para o resultado geral da empresa, principalmente num momento em que a demanda doméstica segue fraca. Ele diz que até setembro os embarques subiram 25% em dólar, enquanto a entrada de pedidos de máquinas cresceu apenas 7% no mesmo período, contra iguais meses de 2015. Os números levam em conta a produção da empresa no Brasil.

André Mitidieri, economista da Fundação Centro de Estudos para o Comércio Exterior (Funcex), diz que o câmbio das últimas semanas, se mantido, deve propiciar um aumento da rentabilidade total das exportações em novembro, na comparação com igual mês do ano passado. Com isso seria amenizada a perda que a margem do exportador vem sofrendo nos últimos meses.

Em setembro, último dado disponível, a rentabilidade do total das exportações caiu 19,2%, influenciada principalmente pela valorização nominal do câmbio em 16,6%. Uma possível melhora no índice em novembro, porém, não deve reverter a perda de rentabilidade acumulada do ano, diz Mitidieri.

Valessa Loureiro, que coordena o departamento de exportação e importação da calçadista Ferracini, diz que a alta do dólar das últimas semanas traz pelo menos a perspectiva de prosseguir o avanço das vendas para o exterior em 2017. Nas próximas feiras para negociação da coleção outono-inverno – uma delas durante esta semana -, diz ela, ainda não é possível fazer a redução de preços. “As cotações ainda estão muito oscilantes. Nós acordamos sem saber como ficará o câmbio do dia.”

A ideia, diz Valessa, é negociar com a tabela de preços atual e fazer um desconto no fechamento do contrato, caso o câmbio se estabilize num patamar mais desvalorizado. A cotação do dólar, afirma, faz toda a diferença na definição do preço dos calçados masculinos que hoje a empresa exporta para cerca de 50 países. “No início do ano, quando o dólar ficou mais alto, nosso preço ficou muito próximo do calçado chinês de couro.”

Um real mais desvalorizado, segundo Valessa, possibilita não só aumentar o número de clientes, mas também elevar o volume exportado. A empresa elevou em 30% a exportação em 2016, na comparação com o ano passado. Atualmente, os embarques respondem por 20% da produção de calçados da empresa.

Heitor Klein, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), está entre os mais otimistas. Ele defende que um câmbio no patamar de R$ 3,45 ou R$ 3,50 “deverá se traduzir em fechamento de negócios em maior volume, como aconteceu no começo deste ano”. Os contratos de venda para o hemisfério Norte da coleção outono-inverno são fechados entre janeiro e março. Por isso, ele comemora a perspectiva de “barateamento” do real no começo do ano que vem, mesmo que essa desvalorização não se estenda para os meses seguintes.

O real começou o ano na casa dos R$ 4, mas foi ganhando valor à medida que o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff se tornava mais provável. Mesmo assim, com a assinatura dos contratos no começo do ano, as empresas do setor “travaram o câmbio” e se protegeram da valorização do real. Isso contribuiu para o crescimento do valor exportado. Só para os Estados Unidos, destino de 20% das vendas para outros países, as empresas filiadas à Abicalçados faturaram US$ 173 milhões de janeiro a outubro deste ano, contra US$ 148 milhões do mesmo período de 2015.

O debate sobre um novo ciclo de desvalorização do real ganhou força nas últimas duas semanas, depois da eleição de Trump. O Itaú, por exemplo, alterou as projeções de R$ 3,25 para R$ 3,40 neste fim de ano e de R$ 3,50 para R$ 3,60 no ano que vem.

A análise de economistas é que a alta do dólar ocorreria por dois motivos: em primeiro lugar, a vitória do republicano traria incertezas à economia mundial, por causa do discurso protecionista dele, o que afugentaria capitais de países emergentes; em segundo lugar, a promessa feita por Trump de investir US$ 1 trilhão em infraestrutura nos próximos dez anos também atrairia mais recursos para os Estados Unidos.

“Trump fez um favor aos exportadores brasileiros”, diz João Carlos Marchesan, presidente do conselho de administração da Abimaq, que reúne os fabricantes de máquinas, referindo-se à alta do dólar nas últimas semanas. Ele diz que o setor precisa de câmbio competitivo, mas pondera que as indústrias precisam de maior previsibilidade nas cotações para reanimar as exportações do setor, que caíram de US$ 12 bilhões em 2013 para US$ 8 bilhões estimados para 2016.

A eleição do republicano, diz Rosolen, da Romi, assim como a decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia, faz parte de uma sucessão de acontecimentos inesperados para o ano e que tornam mais difícil enxergar as perspectivas para o curto prazo. O Reino Unido, destaca ele, ao lado de países como França e Alemanha, está entre os destinos mais importantes da empresa na Europa, considerado o carro-chefe nas exportações. Há ainda expectativa sobre a política de Trump, mas Rosolen acredita que os embarques da empresa para os americanos não devem ser afetados por isso.

Segundo o executivo da Romi, a tendência é que a empresa não reduza preços por causa do dólar. “Em nosso setor os preços praticados são os de mercado. Não é possível reduzir preços com dólar mais alto, assim como não pudemos aumentá-los quando o real estava mais valorizado.”

Os analistas sinalizam cautela. José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), ressalta que é muito cedo para os exportadores tomarem decisões mais concretas, como ampliar planos de exportação ou mexer no preço dos embarques, em razão da alta volatilidade. Ele pondera ainda que o ajuste de câmbio em relação à moeda americana acontece no mundo inteiro e, portanto, a desvalorização é uma “vantagem” que todos os exportadores têm neste momento.

O efeito mais imediato, diz Castro, seria na rentabilidade e na contribuição para as receitas totais das empresas, caso o exportador tenha um cronograma de embarques já contratado e aproveite o bom momento para fechar operações de Adiantamento sobre Contrato de Câmbio (ACC). Castro lembra, porém, que muitos exportadores não contavam com a vitória de Trump e realizaram ACCs para os embarques atuais, com receio de uma valorização do real após as eleições americanas.

Mitidieri, da Funcex, também não acredita em uma grande alteração de preços de exportação de manufaturados neste momento. Esses preços já foram ajustados ao câmbio mais valorizado há três ou quatro meses, diz ele. Eventuais alterações serão feitas de acordo com a oscilação do dólar e somente em janeiro ou fevereiro, avalia.

Rafael Cagnin, economista do Instituto de Estudos de Desenvolvimento Industrial (Iedi), também crê que os benefícios da alta da moeda americana seriam limitados. Em primeiro lugar, os cenários projetados por bancos e consultorias não seriam favoráveis o suficiente para aumentar as exportações, diz. “Mesmo que tenha taxa um pouco mais competitiva, de R$ 3,40, não é grande coisa.”

Ainda mais problemático do que o curto espaço que o câmbio deve seguir, é a maneira como ele deve percorrê-lo. Cagnin afirma que o real naturalmente tem grandes oscilações no curto prazo: “Empresário tem memória, sabe que a taxa de câmbio é extremamente volátil”. Essa imprevisibilidade deve se agravar agora que Trump foi eleito, diz o economista.

A falta de entusiasmo com a desvalorização da moeda nacional atinge também algumas empresas. Edgard Dutra, diretor comercial da Metalplan, fabricante de compressores de ar, defende que o câmbio precisaria ficar em torno de R$ 3,80 por “pelo menos dois anos” para que haja algum impacto positivo. “O ciclo de algumas vendas chega a demorar seis meses”, diz. A volatilidade, mais uma vez, é apontada como problema.

“Os empresários de fora falam que é complicado comprar do Brasil. Não dá nem tempo de comprar antes de o câmbio mudar. Eles falam: é muito ruim fazer negócio com vocês”, diz. A Metalplan exporta aproximadamente 20% da produção, sendo que entre 1% e 2% vão para os Estados Unidos.

Mesmo assim, a desvalorização do real deve trazer um segundo efeito benéfico para a economia brasileira, ainda que ele também seja limitado: a substituição de importações. Com a grande diferença entre os preços da moeda nacional e do dólar, torna-se mais barato produzir aqui do que comprar de fora. É o caso da fabricante de brinquedos Estrela, cuja pauta de exportações “é praticamente irrelevante”, diz o presidente Carlos Tilkian. Por outro lado, ele aponta que neste ano houve redução de 30% das importações de brinquedos para o Brasil, cenário que, em intensidade ainda difícil de prever, deve se repetir em 2017.

Edgard Dutra, da Metalplan, chama a atenção para “algumas indústrias com alto nível de ociosidade e mão de obra pouco sofisticada”, cuja expansão das atividades seria mais simples com um câmbio favorável. “Muitas vezes o cara que já trabalhou lá é recontratado”, diz. Há quem permaneça cético, no entanto. Cagnin, do Iedi, destaca as limitações que a crise econômica impõe à expansão do mercado nacional. “A situação da demanda interna está bastante complicada”, afirma.

Abinee/Valor Econômico – 21/11/2016

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Ministro vai à OMC defender incentivos fiscais à indústria

A condenação provisória de pontos do programa Inovar Auto e outros incentivos fiscais concedidos pelo governo brasileiro a setores específicos será o principal tema da visita que o ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Pereira, fará nesta semana a Genebra. Ele vai reunir-se com o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, na quinta-feira.

O governo vai recorrer da decisão. Técnicos aguardam a posição final do órgão internacional, esperada para o dia 14 de dezembro, para apresentar sua apelação.

Um ponto central da defesa é que o Brasil é um país em desenvolvimento e tem direito a fazer sua política industrial. O Inovar Auto é um programa adotado no governo de Dilma Rousseff que garantiu redução de impostos para o setor automotivo com fábricas instaladas no País.

O documento de mais de 400 páginas com a decisão preliminar da OMC está em análise pelo governo brasileiro. Técnicos informam que não houve condenação a programas inteiros, mas a aspectos deles. Em alguns casos, a ressalva não se refere ao estímulo em si, mas à forma como ele é feito.

Em relação ao Inovar Auto, a expectativa no governo e no setor é que uma decisão final, após o recurso apresentado pelo Brasil, ocorra próximo do prazo final do programa, 31 de dezembro de 2017. Em seguida, entrará em vigor o Inovar Auto 2, já em discussão entre governo e montadoras.

A nova versão não terá o que hoje é o centro do programa: o adicional de 30 pontos porcentuais do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que foi objeto da contestação na OMC por atuar, na prática, como barreira contra produtos importados. Mas o fim desse adicional não é resultado da decisão da OMC, mas sim de um calendário estabelecido em 2012, quando o programa foi criado.

Sem o adicional do IPI, a nova versão do programa vai estabelecer metas que buscarão tornar os carros brasileiros competitivos no mercado mundial. Segundo um executivo do setor, está claro que o mercado interno não tem como absorver toda a produção das montadoras. A solução é buscar o mercado externo.

As novas metas, ainda em discussão, buscarão incorporar as tecnologias de motorização, além de fortalecer o uso de biocombustíveis, em sintonia com metas de redução da emissão de carbono firmadas em acordos internacionais.

Abinee/O Estado de S.Paulo – 21/11/2016

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Com mudança nos EUA, Rússia deve crescer e ampliar compras do Brasil

A perspectiva de uma retomada econômica e a possível aproximação com os Estados Unidos, após a eleição de Donald Trump, devem fortalecer a Rússia já no ano que vem. Para especialistas, o Brasil pode ser favorecido neste cenário.

“Se os Estados Unidos realmente mudarem a abordagem em relação ao [Vladimir] Putin, a tendência é que nossas exportações para os russos sejam ajudadas”, afirmou Antônio Carlos Alves dos Santos, professor de economia da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP).

Além da alteração na política externa norte-americana, a Rússia deve voltar a crescer no ano que vem. De acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Produto Interno Bruto (PIB) do país vai avançar 1,1% em 2017, superando uma queda de 0,8% neste ano.

Segundo Matheus Andrade, consultor da Barral M Jorge, a retomada das economias russa e brasileira, em 2017, deve puxar um aumento das trocas entre os países.

Os dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic) mostram que a receita com exportações para a Rússia caiu 11%, na comparação entre dez meses deste ano e igual período do ano passado, para US$ 1,869 bilhão.

Entre os motivos do recuo, estão as baixas nos ganhos com os dois itens mais vendidos para os russos: carnes suínas (-26%, para US$ 393 milhões) e bovinas (-34%, para US$ 324 milhões).

“Este cenário deve mudar em 2017”, adiantou Andrade. Ele afirmou que, no mês que vem, representantes do governo russo virão ao Brasil para habilitar mais frigoríficos a exportar para o país europeu.

A recuperação econômica também poderia reaquecer as importações brasileiras da Rússia. Entre janeiro e outubro deste ano, as compras registraram diminuição de 24%, para US$ 1,869 bilhão.

O recuo foi causado, principalmente, por baixas nas importações de cloreto de potássio (-32%, para US$ 251 milhões) e alumínio (-21%, para US$ 242 milhões).

Trump e Putin

Durante a campanha presidencial, Trump demonstrou maior afinidade com o governo de Putin do que a gestão de Barack Obama.

Na Casa Branca, o empresário poderia reduzir as intervenções dos EUA em conflitos que envolvem a Rússia, indicou David Magalhães, professor de relações internacionais da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP).

“Vai depender muito do secretário de estado que o Trump vai escolher. Se ele optar pelo [Rudy] Giuliani, é provável que os americanos passem a respeitar mais as áreas de influência russa.”

O secretário de estado dos Estados Unidos costuma ditar a condução do país em política externa. Se o preferido por Trump decidir “respeitar áreas de influência russa”, deverão ser reduzidas as ações dos americanos em disputas no leste europeu e na Síria, avaliou Magalhães.

Com isso, os atuais embargos comerciais a produtos russos poderiam ser retirados, completou Santos. “Existe uma influência gigante dos Estados Unidos no Ocidente. Se houver uma aproximação com os russos, é provável que as sanções tenham um fim”, comentou.

Brics

Depois do entusiasmo inicial com a aproximação entre os emergentes, o furor com os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) perdeu força. “Em grande parte, isso ocorreu por causa da crise econômica. A situação do Brasil e da Rússia, por exemplo, piorou muito”, disse Magalhães.

Para Santos, o futuro do grupo não é muito animador. Ele apontou que o governo de Michel Temer dá maior atenção para países desenvolvidos, como EUA e europeus, e dá menor espaço para emergentes.

“Mas, com o crescimento do protecionismo no hemisfério norte, é possível que o Brasil volte a buscar os Brics”, ponderou o entrevistado.

Os números do Mdic mostram que, depois de chegar a US$ 53,967 bilhões em 2013, as exportações do Brasil para Rússia, Índia, China e África do Sul caíram nos anos seguintes. No ano passado, a receita ficou em US$ 43 bilhões. Entre janeiro e outubro deste ano, o valor voltou a recuar (-4%), ante igual período de 2015.

Negócios

Por outro lado, o Mdic anunciou, na semana passada, que a União Econômica Euroasiática e o Japão estão concedendo acesso preferencial a determinadas mercadorias brasileiras, por meio do Sistema Geral de Preferências (SGP).

Em relação à União Econômica Euroasiática, mais especificamente Rússia, Bielorrússia e Cazaquistão, 3.725 linhas tarifárias estão contempladas e possibilitam uma redução de 25% do imposto de importação dos países em questão.

No caso do Japão, 3.478 produtos são elegíveis para usufruir da tarifa preferencial que, em alguns casos, pode chegar a 100% do imposto de importação do país asiático.

Nos dois casos, os bens devem ter origem comprovada no Brasil por meio da emissão de Certificado de Origem “Form A”, que pode obtido com o Banco do Brasil.

Abinee/DCI – 21/11/2016

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EUA se opõem a status para China na OMC

Os Estados Unidos tentam atrair outros países a endossar uma declaração que na prática rejeita o status de economia de mercado para a China na Organização Mundial do Comércio (OMC) a partir de 12 de dezembro, conforme o Valor apurou. Isso pode ampliar o confronto com Pequim no comércio internacional.

A revisão do status da China na OMC causa preocupação entre parceiros, pela perda de flexibilidade para proteger a indústria doméstica. O tema tomou dimensão maior com a eleição de Donald Trump, que atacou a China e qualificou práticas comerciais de Pequim como “um dos maiores roubos da história mundial”.

Semana passada, a China rechaçou pressões e avisou que, a partir do dia 12, os outros 160 membros da entidade não poderão mais usar preços e custos de terceiros países para calcular margem de dumping de produtos chineses, nas investigações que abrem.

Essa metodologia flexível sempre significou sobretaxa maior contra as importações vindas da China. Agora, Pequim insiste que devem vigorar as regras normais do Acordo de Antidumping da OMC, usando preços e custos chineses – que os parceiros dizem ser dopados com subsídios.

A delegação chinesa insistiu que não há pré-condições nem critérios para o status de economia de mercado na OMC, e tampouco alternativa ou compromisso sobre a questão.

Os EUA se declararam decepcionados com a “indisposição” de Pequim para discutir a questão. Washington circulou uma declaração entre vários países, à espera de adesão, explicitando que os países não têm obrigação de reconhecer a China como economia de mercado em três semanas, quando expira uma provisão do protocolo de adesão chinesa na OMC.

A interpretação americana significa que os países podem manter uma metodologia flexível de investigação antidumping, que permitiu durante 15 anos aos parceiros inflar a sobretarifa contra importações procedentes do mercado chinês consideradas deslealmente baratas.

Os EUA “encorajam” Pequim a reformar sua economia e limitar intervenções em setores chaves do mercado, afim de reduzir distorções nos preços e custos.

O Canadá insistiu em discutir o problema como “uma questão sistêmica”, e o México sugeriu aos parceiros construir um “caminho viável” para sair do impasse.

No entanto, a resposta à articulação americana tem sido tímida até agora, a se julgar por certas reações, com a maioria dos parceiros evitando confronto direto com o gigante chinês.

Por outro lado, negociadores notam que algo precisa ser feito, até para não dar mais força a populistas e um discurso anticomércio, que culpa a globalização pelo desemprego em vários mercados.

Setores industriais na Europa falam de “banho de sangue” a partir do novo status da China na OMC. Para a Aegis Europe, entidade que reúne 30 setores industriais no velho continente, uma nova metodologia que a Comissão Europeia propõe para reforçar a defesa comercial acabaria por torná-los mais vulneráveis. A entidade argumenta que o ônus de provar que um segmento chinês não atua pelas regras de mercado e é dopado com subsídios governamentais passa a ser do reclamante europeu, em investigações antidumping.

Recentemente, os EUA denunciaram a China na OMC por causa de taxação de aeronaves, restrições na exportação de matérias-primas e por subsídios agrícolas.

A China, por sua vez, avisou que, se os EUA não respeitarem seu status de economia de mercado, Pequim fará uma denúncia na OMC, no que pode ser um dos maiores contenciosos do sistema multilateral de comércio.

Além disso, se Trump elevar tarifas contra produtos chineses, Pequim já sinalizou que poderá, por exemplo, substituir encomendas de aparelhos da Boeing por outros da Airbus europeia. Vendas de automóveis, iPhone e outros produtos podem sofrer retaliação, assim como a importação de soja ou milho americano pode ser freada.

Abinee/Valor Econômico – 21/11/2016

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Japão avalia aprofundar relações comerciais com o Mercosul

O gabinete do primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, enviou um dos principais especialistas em negociações comerciais do país ao Brasil e à Argentina para avaliar se as posses dos governos de Michel Temer e Mauricio Macri poderão de fato levar a uma maior abertura comercial dos principais integrantes do Mercosul.

Em sua passagem pelo Brasil, a mensagem do professor Yorizumi Watanabe aos seus interlocutores do governo e do setor produtivo foi clara: um acordo com o Japão normalmente gera, além de um impulso nas trocas comerciais, um aumento no número de empresas japonesas interessadas em operar em terceiros países ou blocos comerciais que decidem integrar suas cadeias produtivas – uma oportunidade para ampliar investimentos e criar empregos.

Acadêmico sênior da Universidade de Keio, instituição privada fundada em 1858 em Tóquio, Watanabe foi enviado como especialista pelo governo de seu país com a missão de perscrutar os dois mercados, após as recentes visitas ao Japão do presidente Michel Temer e da vice-presidente argentina, Gabriela Michetti.

Em entrevista ao Valor, ele lembrou que o Japão já tem acordos de livre comércio com países do Sudeste Asiático, está avançando com o Acordo Transpacífico e negociações com a União Europeia. Na América do Sul, tem acordos com praticamente todos os principais parceiros que estão voltados para o oceano Pacífico. No entanto, o país sente dificuldades em negociar com o Mercosul devido às amarras institucionais do bloco.

Watanabe argumentou, por exemplo, que empresas japonesas ajudaram países do Sudeste Asiático a integrar suas cadeias produtivas. Em relação ao México, com quem o Japão tem um acordo desde 2005, o número de companhias japonesas lá instaladas subiu de 330 para 957.

“Algumas pessoas dizem que o acordo com o Japão foi mais positivo que o Nafta [para o México]”, destacou. “Com os 15 acordos já assinados [pelo Japão], TPP e acordo com UE, mais de 60% do comércio japonês será coberto por acordos de preferência comercial.”

O especialista japonês acrescentou que, entre os países da Aliança do Pacífico, só falta completar as negociações com a Colômbia. E acrescentou que a parceria com o Chile já ajudou o vinho produzido no país andino a superar em volume as exportações francesas do produto, o que demonstraria que tais acordos podem ajudar produtos agrícolas a entrar no mercado japonês.

“O que devemos fazer em relação ao Mercosul? Devemos esperar até uma espécie de Comissão do Mercosul ser estabelecida? Ou devemos negociar com uma espécie de unidade colegial de cinco governos, incluindo aí Venezuela? Difícil. A bola está do lado do Mercosul”, afirmou. “Agora há novos governos no Brasil e na Argentina e estamos interessados em aprofundar nossas relações econômicas, mas temos que atacar essas questões institucionais. O Japão está pronto para avançar com o Brasil, e a bola está com o Brasil.”

Hoje, segundo dados do governo federal, há cerca de 700 empresas japonesas operando no Brasil. Segundo o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, o superávit acumulado pelo Brasil nas trocas bilaterais entre janeiro e outubro deste ano soma US$ 785,63 milhões – resultado de US$ 3,81 bilhões em exportações e US$ 3,02 bilhões em importações.

Envolvido nas grandes negociações comerciais das quais o Japão participou nas últimas duas décadas, Watanabe ocupou altos cargos no Ministério dos Negócios Estrangeiros de seu país. O professor não demonstra otimismo com um aumento do comércio internacional, mas está confiante de que os Estados Unidos manterão o Acordo Transpacífico, “uma questão de relevância para a liderança global dos EUA”. Segundo ele, o presidente eleito Donald Trump “muda o que diz” e um Congresso majoritariamente republicano pode ajudar o partido a pressioná-lo.

Para o professor, o reconhecimento da China como economia de mercado não é central para o Japão, mas sim para os países que mais adotam medidas antidumping contra produtos chineses. Já em relação ao Brexit, o professor afirmou que o Japão já enviou a Londres um pedido de manutenção do atual ambiente de negócios para que as empresas instaladas no Reino Unido continuem a acessar com liberdade a União Europeia.

“Não é um movimento protecionista. Eles [britânicos] querem sua soberania nacional de volta, mas são favoráveis à liberalização comercial”, disse, ponderando que o Reino Unido terá dificuldades de recursos humanos para tantas frentes de negociação que se iniciarão – um acordo para firmar as condições do Brexit, um acordo comercial com a União Europeia, um acordo com a OMC, renovar parcerias com outros países sozinho e negociar novos acordos de livre comércio com outros países ou blocos.

Abinee/Valor Econômico – 21/11/2016

Redação On novembro - 21 - 2016
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