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Quarta-feira, 20 de Setembro de 2017






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Japão quer segurança para investir no Brasil

As empresas do Japão querem mais segurança jurídica para aportar recursos em projetos de infraestrutura no Brasil. De janeiro a setembro de 2016, o investimento direto japonês aqui caiu 28%, para o patamar de US$ 1,15 bilhão.

Ao mesmo tempo – devido à recessão brasileira – as remessas de lucros e dividendos de empresas japonesas instaladas no Brasil para suas matrizes recuaram 26,6% até setembro para US$ 228 milhões, ante US$ 311 milhões em igual período de 2015.

Na recente missão brasileira ao País do Oriente em 20 de outubro, nossos parceiros comerciais com mais 700 empresas instaladas no Brasil solicitaram estabilidade nas regras dos contratos antes de considerarem o interesse em novos investimentos.

“Nos últimos anos, o Japão perdeu espaço para China em nossa agenda comercial. Mas eles podem colaborar muito com o Brasil em investimentos de infraestrutura”, diz o coordenador da Fundação Instituto de Administração (FIA), Paulo Feldman.

Na visão dele, os japoneses ficaram com receio de investir no Brasil após mudanças em contratos do setor de energia elétrica em 2012 pela ex-presidente Dilma Rousseff.

“Resolvendo essa questão da insegurança jurídica nos contratos seria muito bom atrair as grandes empreiteiras japonesas para obras no Brasil. O Japão possui muita experiência e tecnologia em determinadas áreas de infraestrutura”, argumentou Feldman.

Mas entre os desafios, o coordenador da FIA alerta que as empreiteiras japonesas vão enfrentar a “reserva de mercado” das grandes construtoras brasileiras, todas envolvidas no escândalo da Lava Jato.

“Essa reserva de mercado era feita de maneira muito sutil, exigindo o cumprimento de determinadas regras em editais de licitação. Isso afastava as estrangeiras”, esclareceu.

O professor da Fundação Dom Cabral (FDC), Sherban Leonardo Cretoiu, também considera que o Japão tem enorme capacidade de investimento e de tecnologia para aportar em infraestrutura.

“Essa missão do Temer ao Japão é uma reaproximação após 11 anos sem visitas oficiais, e a presidente Dilma havia cancelado duas viagens ao País, um parceiro que sempre foi relevante”, disse Cretoiu.

O professor aponta uma retomada na agenda daqui para frente. “Mesmo em 2015, em plena recessão, o Japão investiu US$ 2,8 bilhões no Brasil. Essa é uma parceria estratégica e de longo prazo que beneficia ambos os países”, destacou.

Cretoiu aponta oportunidades para os japoneses nas áreas de infraestrutura, siderurgia pesada e tecnologia.

Superávit de US$ 25 bi

As exportações brasileiras para o Japão cresceram 3,6% em 2016 até setembro para o montante de US$ 27,67 bilhões, frente a igual período de 2015, conforme dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC).

Diante da queda de 31,2% de nossas importações (US$ 2,65 bilhões) no ano até setembro, o Brasil acumula superávit comercial de US$ 25 bilhões.

Nessas trocas comerciais, o País exporta ao Japão principalmente minério de ferro, carne de frango, milho, café, alumínio bruto, soja, aviões, nióbio e suco de laranja.

E importamos manufaturados como: caixas de marchas (automotivas), partes de aviões e helicópteros, trilhos de aço, automóveis, partes e acessórios de motocicletas, cartuchos e toners, máquinas e aparelhos mecânicos, e partes e acessórios de carrocerias, tratores e motores à explosão.

Abinee/DCI – 27/10/2016

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Produzir na Venezuela chavista é uma epopeia

Por Marsílea Gombata

Escassez de divisas para importar insumos, racionamento de energia, inflação na casa dos três dígitos, controle de preços de venda, risco de desapropriação de fábricas. A lista de obstáculos enfrentados por empresários venezuelanos que ainda produzem no país está longe de ser modesta. Com dificuldades cotidianas cada vez maiores, produtores se veem pressionados por uma série de decisões macroeconômicas que têm minado a atividade industrial no país. Somente nos últimos quatro anos, o setor apresentou uma queda de 40% na produção.

“Não há divisas para comprar as matérias­primas de que precisamos. A última vez que isso aconteceu foi em 2012. Com falta de dólares para transações pelo câmbio Simadi [uma das taxas de câmbio oficiais], muitos utilizam os dólares que conseguem e compram os insumos à taxa do mercado negro”, diz Edgar Fiol, diretor da Associação das Indústrias de Artes Gráficas, sobre a escassez de dólares para importações. O dólar Simadi está cotado a 650 bolívares; já no mercado paralelo, o dólar está em 1.300 bolívares).

“Infringimos a lei com medo de sermos presos, mas a única maneira de manter a produção é usando divisas próprias e fazendo malabarismos para registrar as compras como se fossem no câmbio Simadi”, conta. “Na indústria gráfica, que em quatro anos viu sua produção cair 80%, importamos 90% da matéria prima, como papel cartão, tinta e prancha litográfica.”

Além da escassez de divisas para importação de insumos e maquinário, produtores enfrentam obstáculos como racionamentos de energia, agravados pela falta de chuvas com o fenômeno do El Niño, e um risco permanente de ter suas instalações estatizadas.

“Abrir as portas de uma fábrica todos os dias é um ato heroico na Venezuela de hoje”, afirma Miguel Esverri, da Associação de Industriais Metalúrgicos e de Mineração da Venezuela, que agrupa 160 empresas de aço e alumínio responsáveis por 16 mil empregos diretos.

Esverri afirma que o setor trabalha hoje a 20% da capacidade produtiva, e os empresários temem pela falta de proteção para atuar no país. “Estamos sujeitos a expropriações. O governo não respeita a propriedade privada e a economia. E o que investimos pode simplesmente desaparecer com um controle de preço de venda aquém do real e uma inflação galopante.”

Levantamento da Confederação Venezuelana de Industriais (Conindustria) mostra que desde 2002 foram estatizadas 692 fábricas consideradas improdutivas pelo governo, sendo os recordes em 2009 (142) e 2010 (157). Com racionamento de eletricidade e corte de pessoal, muitas plantas operam hoje com menos de um terço da capacidade produtiva que chegaram a ter. Dentre os setores da economia mais atingidos estão o de agroindústria (36,3%), o de construção (27,2%), e o petroleiro (12,3%).

A atividade industrial foi uma das áreas que mais sofreram com a política de expropriações da chamada Revolução Bolivariana, iniciada pelo presidente Hugo Chávez. Em 1997, dois anos antes de Chávez chegar ao poder, havia no país 12.471 fábricas, segundo o Instituto Nacional de Estatística. Esse número chegou a 5.930 em 2002, o menor nível, e hoje está em cerca de 7.000.

No fim de 2015, o governo venezuelano estabeleceu ainda que a margem de lucro para o produtor não deveria ultrapassar 30%, em uma tentativa de controlar os preços ao consumidor e, consequentemente, a inflação ­ hoje em 720%, com previsão de chegar a 2.200% no próximo ano. A medida acabou levando ao desvio de produtos de primeira necessidade para o mercado negro, onde o preço flutua de acordo com a demanda, e um produto pode chegar a custar 1.600% a mais que preço tabelado.

O presidente Nicolás Maduro, por sua vez, minimiza as escolhas internas que resultaram em problemas econômicos e diz com frequência que o país vive uma “guerra econômica”, na qual o setor privado é acusado pelo governo de reter produtos de primeira necessidade para vendê­los a preços mais altos do que o tabelado.

“Fica inviável manter alguns produtos como detergente e cloro a preços regulados”, diz uma fonte do setor petroquímico venezuelano que não quis se identificar. “Não há como produzir sem o mínimo de rentabilidade. A gente acaba pagando para fabricar, o que limita muito a produção. Há quatro anos, nossas fábricas operavam a 80% da capacidade produtiva. Hoje o fazem a 40%.”

Outra pesquisa da Conindustria com empresários, no segundo trimestre deste ano, mostra que 30% não fizeram investimentos em 2016, só 28% conseguiram comprar matérias­primas, 17% mantiveram o quadro de funcionários intacto e 4,96% puderam comprar maquinário. Sem estímulo para produzir, boa parte das fábricas da iniciativa privada operam a menos de 30% de sua capacidade.

A pesquisa mostra ainda que, depois do acesso a matérias­primas, o principal fator restritivo à produção é a incerteza política e institucional. Os empresários criticam ainda a falta de investimento na diversificação do setor produtivo, a fim de depender menos da renda petroleira, e pedem incentivos ao setor privado.

“Com a instabilidade política gerando pouca confiança e a indústria praticamente deixando de investir, hoje as empresas produzem apenas para se manter e esperam uma mudança de modelo que lhe permita voltar a crescer”, diz Carlos Miguel Álvarez, da consultoria Ecoanalítica. “A economia venezuelana precisa mudar o seu modelo e resolver distorções para unificar o câmbio e dar fim ao controle de preços. Em quatro anos a economia perdeu um quinto de seu tamanho, e recuperá­la será uma tarefa complexa.”

Valor Econômico – 27/10/2016

Redação On outubro - 27 - 2016
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