Sindicato Nacional da Indústria de
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Quinta-feira, 21 de Setembro de 2017






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PIB trimestral positivo pode ocorrer só em 2017

O desempenho ruim do comércio e da indústria em agosto e o resultado fraco de alguns indicadores em setembro reforçaram a avaliação de novo recuo do PIB no terceiro trimestre, apontando ainda que a recuperação da economia tende a ficar para o começo do ano que vem. Boa parte dos analistas espera que o PIB tenha uma pequena queda ou fique estável no quarto trimestre, num cenário marcado pela deterioração do mercado de trabalho, endividamento ainda alto de empresas e famílias e crédito escasso e caro. A melhora da confiança e o ciclo de queda dos juros, que pode começar hoje, vão ajudar a atividade, mas o impacto deverá ocorrer com defasagem.

O Bradesco projeta para o terceiro trimestre um recuo do PIB de 0,8% em relação ao trimestre anterior, feito o ajuste sazonal. A estimativa foi atualizada ontem, depois da divulgação da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) de agosto, que mostrou recuo de 2% das vendas no varejo ampliado.

Superintendente-executivo do departamento de pesquisas e estudos econômicos do Bradesco, Fernando Honorato Barbosa diz que a melhora da confiança de empresários e consumidores, iniciada há alguns meses, levou parte dos analistas a esperar uma recuperação um pouco mais rápida da atividade, o que não ainda não se materializou. “A retomada da confiança por enquanto não virou PIB”, afirma ele, que projeta para o quarto trimestre uma queda de 0,1% da economia.

Para Barbosa, um ponto a ser levado em conta é que a redução do endividamento de empresas e famílias pode ser mais longa do que se esperava, o que afeta as perspectivas para o consumo e o investimento. Com peso de mais de 60% no PIB, o consumo das famílias tem registrado um desempenho pouco animador -o Bradesco acredita que, no terceiro trimestre, esse componente da demanda tenha recuado 0,8% em relação ao trimestre anterior.

A economista-chefe da Rosenberg & Associados, Thaís Marzola Zara, espera um tombo do PIB próximo a 0,8% no terceiro trimestre, projetando queda adicional de 0,2% a 0,3% no quarto. Ao falar sobre o período de julho a setembro, Thaís ressalta os fatores negativos que afetam o consumo e o investimento. No primeiro caso, atrapalham muito a piora do mercado de trabalho – com queda da população ocupada e da renda – a restrição de crédito e o endividamento das famílias. No segundo, há grande capacidade ociosa nas empresas, o que desestimula o investimento. Além disso, muitas companhias estão em situação financeira delicada e enfrentam um cenário em que os bancos estão muito cautelosos para emprestar dinheiro.

Em agosto, a produção industrial recuou 3,8% em relação a julho, com um desempenho especialmente ruim da fabricação de veículos e alimentos. A expectativa é de algum crescimento em setembro, mas as projeções indicam que a alta não será das mais fortes, não sendo suficiente para compensar a forte retração do mês anterior. O economista Rodrigo Nishida, da LCA Consultores, estima um crescimento de 0,4% sobre agosto, enquanto Thaís prevê aumento de 0,9%. A questão é que os indicadores disponíveis até o momento não sugerem um retomada expressiva.

O consumo de energia, por exemplo, caiu 0,6% em relação ao mês anterior. A produção de automóveis subiu 16% feito o ajuste sazonal, segundo cálculos da LCA, mas em agosto havia ocorrido uma queda de 17%. O licenciamento de veículos em setembro recuou 6,6%, enquanto o fluxo pedagiado de veículos pesados caiu 0,2%. Pelas estimativas atuais da LCA, o PIB deve recuar 0,4% no terceiro trimestre e ficar praticamente estável no quarto, subindo 0,05%.

Thaís afirma que os fatores positivos que vão ajudar a economia em 2017 agem com alguma demora. É o caso da melhora da confiança, do impacto favorável do andamento de reformas – como o projeto que limita o crescimento dos gastos da União – e o ciclo de redução dos juros, que pode ser iniciado hoje pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

Para Barbosa, do Bradesco, os juros são a variável de ajuste caso a recuperação da economia seja lenta demais. Hoje, ele vê espaço para o Copom cortar a Selic, atualmente em 14,25% ao ano, em 1 ponto percentual neste ano, em duas doses de meio ponto. No fim do ano que vem, a taxa deve atingir 10,25%. Se a retomada demorar, existe a possibilidade de a Selic cair para a casa de um dígito no ano que vem, afirma ele. Barbosa vê um risco de o PIB, em vez de crescer 1,5% em 2017, como prevê hoje o Bradesco, avançar algo próximo de 1%.

O Itaú Unibanco, por sua vez, tem uma visão mais otimista sobre a atividade. O banco espera que o PIB cresça ainda no quarto trimestre, pelo que sugere o ajuste de estoques na indústria, segundo o economista Rodrigo Miyamoto. “A indústria é que deve liderar o crescimento no curto prazo.” Pelas projeções atuais do Itaú Unibanco, o PIB recuou 0,5% no terceiro trimestre e avançará 0,2% no quarto. Com o mau desempenho da produção industrial e do comércio em agosto, Miyamoto diz que o resultado do terceiro trimestre pode ser um pouco pior do que o previsto pelo banco. Em compensação, isso abriria espaço para uma alta mais forte do PIB nos três últimos meses do ano. O Itaú Unibanco espera crescimento de 2% em 2017.

O economista-chefe do BNP Paribas, Marcelo Carvalho, relativiza os dados de atividade do período de julho a setembro. “O terceiro trimestre não está com uma cara positiva, mas é importante não se prender apenas aos dados de alta frequência”, diz ele. Para Carvalho, em momentos de virada da economia, é natural que haja oscilação dos dados entre o campo positivo e o negativo, mas a confiança, um importante dado antecedente da economia, continua a aumentar, tanto no caso de consumidores quanto de empresários. “Daqui a um ano, vamos olhar para esse período e ver que o terceiro trimestre foi o ponto de virada.”

Abinee/Valor Econômico – 19/10/2016

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Para Fitch, mudança em nota de risco do Brasil depende de trajetória de gastos

A alteração do rating do Brasil dependerá de mudanças que mostrem que o patamar de gastos terá uma reversão no médio prazo, afirmou o diretor da Fitch Ratings, Rafael Guedes, em evento do Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (Ibri) em São Paulo.

“Essa expectativa com relação ao médio prazo pode levar a agência a alterar a perspectiva do Brasil”, disse Guedes, ressaltando que fala sobre medidas que podem alterar o comportamento do endividamento bruto. Hoje, a Fitch classifica o Brasil com a nota “BB” com perspectiva negativa, o que embute a probabilidade de 50% do país ser rebaixado num período entre 12 e 24 meses.

Segundo Guedes, a mudança na perspectiva está bastante ligada às reformas no campo fiscal, mas o esforço na reavaliação do país é entender qual será o impacto dessas medidas no médio prazo. Se o entendimento for de um impacto positivo em um horizonte de cinco a sete anos, a avaliação do Brasil pode ser alterada – para uma perspectiva positiva, por exemplo -, ainda que as coisas piorem antes de melhorar. “Não se muda um país em dois anos”, disse.

Para Guedes, aprovadas as reformas propostas no campo fiscal, os analistas da Fitch deverão olhar quais foram as medidas aceitas pelo Congresso, se houve ou não diluição das propostas e o impacto delas no médio prazo, sempre de olho na capacidade de pagamento do país. “É preciso entender o que as reformas significarão para o endividamento.”

Guedes afirmou que a agência de classificação de risco prevê que a dívida bruta com relação ao Produto Interno Bruto (PIB) fique um pouco abaixo de 80% nos próximos dois anos.

A estabilidade do endividamento bruto viria apenas em 2019, a partir de expansão de 1,2% da economia em 2017 e de 2,2% em 2018. Além disso, a expectativa é que Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que estabelece teto para os gastos esteja em funcionamento.

Guedes afirmou ainda que a aprovação da PEC não é suficiente e teria de vir acompanhada da reforma da Previdência, sob pena de serem necessários outros cortes em rubricas como investimentos ou até em saúde e educação. “A mudança da nota do Brasil só depende do Brasil”.

Segundo Guedes, a trajetória dos juros também é componente importante dessa equação. Ele ressaltou que a pesquisa semanal do Banco Central já mostra que o mercado leva em consideração uma autoridade monetária que passa a focar mais no centro da meta de inflação que no passado, o que considera positivo. A Fitch, disse Guedes, trabalha com queda de 0,5 ponto percentual na taxa Selic até o fim do ano.

Abinee/Valor Econômico – 19/10/2016

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Preços caem em seis de sete capitais

O Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S), da Fundação Getulio Vargas (FGV), caiu em seis das sete capitais pesquisadas na segunda quadrissemana de outubro em relação à leitura anterior, divulgou a instituição ontem.

No geral, o IPC-S recuou de 0,19% para 0,14% entre os dois períodos. Por região, o índice apresentou decréscimo em Salvador (0,07% para 0,04%), Brasília (0,33% para 0,11%), B. Horizonte (0,12% para 0,06%), Recife (0,48% para 0 47%), Porto Alegre (0,08% para 0,00%) e São Paulo (0,17% para 0 12%). A única cidade que mostrou alta no período de comparação foi o Rio de Janeiro (0,24% para 0 28%), apresentou a FGV.

Abinee/DCI – 19/10/2016

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Mitos e verdades sobre a PEC 241

Governadores querem que novas regras de aposentadoria se apliquem a Judiciário, Legislativo e Ministério Público. Executivo muitas vezes assume aposentados de outros órgãos.

Os governadores querem que a reforma da Previdência inclua não só o Executivo dos estados, mas também Judiciário, Legislativo, Ministério Público, Tribunal de Contas e Defensoria Pública. A proposta conta com o apoio da equipe econômica do governo Temer. Levantamento do economista Raul Velloso e do consultor Leonardo Rolim mostra que, sem isso, o Orçamento dos estados continuará engessado. No Rio, esses outros órgãos respondem por 16% dos gastos com inativos e pensionistas. O déficit com o pagamento de aposentados do TJ do Rio cresceu 80% desde 2012.

ACâmara dos Deputados aprovou em primeiro turno a proposta de emenda constitucional (PEC) 241. Esta é, possivelmente, a legislação mais importante, do ponto de vista econômico, desde o Plano Real. É a primeira vez que haverá um limite para o crescimento dos gastos do governo federal.

A PEC tem dois objetivos: estabelecer um teto para o crescimento dos gastos primários do governo federal e alterar o indexador dos gastos mínimos com saúde e educação.

A PEC estabelece que, nos próximos 20 anos, o limite máximo para o crescimento das despesas primárias do governo federal é a inflação acumulada nos 12 meses anteriores. A proposta não cria limites superiores de crescimento para gastos específicos, como saúde e educação. Apenas para o total de gastos. À exceção dos gastos com saúde e educação, nenhum outro item do Orçamento tem limite mínimo de gastos.

A PEC não congela os gastos reais com saúde e educação. Ela estipula que, para aumentálos, será necessário diminuir os gastos reais em outros itens do Orçamento. Este mecanismo evita que os aumentos de gastos do governo sejam financiados ou via aumento de impostos, ou via aumento de dívida pública ou via aceleração da taxa de inflação.

Após 10 anos, o presidente poderá, através de projeto de lei, alterar “o método de correção dos limites (dos gastos)”.

Transferências a estados e municípios e créditos extraordinários estão excluídos do teto. Das transferências sai uma parte relevante dos recursos para saúde e educação, inclusive o Fundeb. Os gastos com Fies também estão fora do teto. Apenas 23% do total de gastos com educação vêm do governo federal. Os 77% restantes não foram alterados pela PEC.

A PEC altera os limites mínimos de gastos com saúde e educação. Pela lei atual, estes mínimos são uma proporção da receita corrente líquida (RCL), no caso da educação, 18%. A PEC estipula que este limite será reajustado à inflação passada, partindo de 18% da RCL de 2017, o que dá um valor estimado de R$ 49,2 bilhões.

Entretanto, entre 2010 e 2015, os gastos efetivos com educação ficaram sempre acima do mínimo constitucional, o que deverá se repetir em 2016 e 2017. Para 2017, o Orçamento estipula um gasto total de R$ 62,5 bilhões, bem acima do limite introduzido pela PEC. Caso este valor seja reajustado anualmente pela inflação passada, ou seja, se os gastos com educação mantiverem sua participação nos gastos totais, de 2017 a 2026 o gasto efetivo com o setor, supondo inflação de 4,5% e crescimento de 2,5% ao ano a partir de 2018, seriam de R$ 774 bilhões com a PEC e R$ 679 bilhões com a regra atual, ou seja, 14% maior.

No caso da saúde, pela regra atual, o mínimo estipulado é de 13,7% da RCL (R$ 103,9 bilhões). Pela PEC, o mínimo passa a ser de 15% da RCL (R$ 113,7 bilhões) já em 2017, o que somente ocorreria em 2020.

A PEC 241 não congela os gastos com educação e saúde em termos reais. Ela obriga que os parlamentares, ao definir as prioridades no Orçamento, definam também como serão financiadas estas prioridades, via redução de gastos em outros itens orçamentários. Os principais candidatos são os itens de maior gasto do governo federal, que, juntos, respondem por mais de 58% do Orçamento: Previdência e pessoal. Para tal, será indispensável uma reforma da previdência social e o enfrentamento do mais organizado e privilegiado grupo de interesse do país, a corporação do funcionalismo público.

Abinee/O Globo – 19/10/2016

Redação On outubro - 19 - 2016
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