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Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017






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Inflação corrente cai e melhora projeção para 2016, mas muda pouco a de 2017

A inflação bastante abaixo do esperado em setembro, de apenas 0,08%, ajudou a melhorar as projeções para o IPCA deste ano, de 7,23% para 7,04%, mas as expectativas para 2017 ficaram praticamente imóveis. Segundo a mediana de analistas do boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) vai subir 5,06% no ano que vem. A estimativa caiu apenas 0,01 ponto em relação à semana anterior e segue acima do centro da meta perseguida pelo BC, ainda em 4,5%.

Para economistas, o último resultado mensal do IPCA foi bastante favorável e outras medidas alternativas reforçam que há um processo de desinflação em curso. Medidas que buscam retratar a inflação corrente, descontando fatores sazonais, mostram, no entanto, que a queda é gradual e que o ritmo de perda de fôlego segue aquém do necessário para que o indicador oficial de inflação, hoje em 8,48% em 12 meses, recue quatro pontos para ficar na meta até o fim do ano que vem.

Para isso, dizem os economistas, seria necessário que o juro básico fosse mantido em 14,25% ao ano por mais tempo – o que seria custoso para a atividade – ou que ocorressem surpresas positivas, como uma apreciação adicional da taxa de câmbio, por exemplo.

Rodrigo Alves de Melo, economista-chefe da Icatu Vanguarda, estima que o IPCA desacelerou para 7,4% em setembro, considerando a média móvel trimestral anualizada, com ajuste sazonal feito por ele. Até agosto, a alta foi de 8,6%. Essa medida, diz Melo, ajuda a analisar qual a tendência da inflação recente, porque não tem a influência de dados antigos – como o indicador acumulado em 12 meses – ao mesmo tempo em que a dessazonalização e o uso da média móvel trimestral retiram a volatilidade dos resultados mensais.

“A média móvel mostra uma tendência de desaceleração, mas em ritmo ainda muito lento”, afirma Melo, para quem a descompressão vagarosa dos serviços e a inércia inflacionária impedem redução mais expressiva do IPCA em 2017. Em seus cálculos, a inflação vai chegar a 5,3% em dezembro do próximo ano.

Além do dado cheio do IPCA, André Muller, da AZ Quest, acrescenta que núcleos da inflação de serviços vão em igual direção: a moderação dos preços está ocorrendo, mas em velocidade longe da ideal. A inflação “subjacente” de serviços – núcleo criado pelo BC no último relatório de inflação que exclui os preços de turismo, serviços domésticos, cursos e comunicação – está parada ao redor de 6,5% em 12 meses desde junho, menciona, ainda que em patamar menor do que a inflação de serviços total, que subiu 7% no ano encerrado em setembro.

Esse conjunto de preços está subindo menos, afirma Muller, mas se encontra em nível muito elevado para uma economia em forte recessão. Para que o IPCA recue para 5,1% em 2017, conforme o previsto pela gestora de recursos, essa descompressão precisa ganhar fôlego.

Caso a taxa básica de juros ficasse por mais tempo em 14,25% ao ano, a inflação poderia chegar mais perto de 4,5% no ano que vem, aponta Melo, da Icatu. Por outro lado, apertar ainda mais as condições financeiras em um ambiente de recessão com desaceleração da inflação, ainda que em ritmo lento, teria consequências sobre o incipiente processo de estabilização da atividade.

O mercado está confiante no processo de desinflação, afirma Flávio Serrano, do banco Haitong, mas as estimativas para 2017 devem permanecer acima do centro da meta inflacionária, mesmo com a atuação correta do Banco Central, devido às incertezas ainda presentes no cenário. O principal fator que impede queda mais expressiva das expectativas, em sua visão, é a possibilidade de aumento de juros nos EUA.

O aperto da política monetária americana será determinante para a trajetória da taxa de câmbio, que, para o banco, deve aumentar para algo entre R$ 3,50 e R$ 3,60 em dezembro de 2017. “Se o câmbio ficar em R$ 3,20 até o fim do ano que vem, a inflação pode ficar mais próxima de 4,5%”, diz. Do lado doméstico, Serrano destaca a inércia inflacionária e a indexação da economia como entraves para uma inflação de 4,5% já em 2017, mas ressalta que o IPCA deve atingir o centro da meta em 2018, mesmo com a perspectiva de corte dos juros.

Para Melo, da Icatu, uma redução mais forte da inflação de serviços nos últimos meses deste ano e uma evolução mais tranquila da inflação no primeiro trimestre de 2016 seriam surpresas que podem provocar convergência mais rápida das expectativas para 2017 ao centro da meta. Considerando os dados disponíveis até agora, no entanto, as revisões vão seguir em ritmo moderado. “O IPCA de setembro foi bom, mas o mercado precisa de mais dados para ficar mais otimista”.

Valor Econômico – 11/10/2016

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IPC­S acelera na primeira leitura de outubro, aponta FGV

Por Valor SÃO PAULO ­

A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor ­ Semanal (IPC­S) subiu nas sete capitais pesquisadas pela Fundação Getulio Vargas (FGV), da quarta quadrissemana de setembro para a primeira de outubro. Na média das sete capitais, o IPC­S subiu de 0,07% para 0,19% da quarta quadrissemana de setembro para a primeira de outubro. A maior taxa foi registrada em Recife, onde o IPC­S saiu de alta de 0,32% para 0,48% no período. Em seguida vêm Brasília (de 0,19% para 0,33%), Rio de Janeiro (de 0,07% para 0,24%), São Paulo (de 0,10% para 0,17%), Belo Horizonte (de 0,09% para 0,12%), Porto Alegre (de ­0,09% para 0,08%) e Salvador (de ­0,04% para 0,07%).

Valor Econômico  – 11/10/2016

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Ata do Fed deve elucidar divisão sobre juro

Por Roberta Costa

Os dados mais fracos do que o esperado do mercado de trabalho americano não mudaram as expectativas dos agentes de que a retomada do ciclo de aperto monetário, que, até agora se resumiu a uma única elevação das taxas de juro em dezembro de 2015, esteja próxima. A criação menor de vagas em setembro ­ 156 mil ante expectativa mediana do mercado de 172 mil ­ e a elevação da taxa de desemprego não foram lidas como uma piora do estado da economia, mas como uma acomodação.

A boa notícia entre os dados foi a volta de pessoas desempregadas à busca por colocação ­ isso sim visto como sinal de otimismo com o cenário econômico. Este é um dado particularmente importante, porque o chamado “desalento” foi o grande responsável pela queda da taxa de desemprego nos EUA nos anos que seguiram ao pior momento da crise financeira.

Nesse sentido, a ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed), que será publicada amanhã, continua sendo o evento que dará sinais mais claros ao mercado do que o BC americano está pensando. A importância do documento, desta vez, está na divisão entre os membros do Fomc na última decisão. Depois de vários meses com uma única dissidência, três dos dez membros que votaram ­ Esther L. George, Loretta J. Mester, e Eric Rosengren ­ gostariam que houvesse alta dos juros no mês passado.

A exposição de motivos para este voto, portanto, pode dar o tom do que virá nos próximos meses. Em outras palavras, a ata pode dar uma “visão aprofundada dos argumentos a favor e contra uma elevação de juros ainda neste ano”, dizem os analistas do Nomura, que consideram que o documento será importante para se saber “o quanto de melhora” na economia será necessária para haver um “consenso” na direção do aperto nos juros.

A inclinação “hawkish” (inclinado ao aperto) do comunicado da reunião será, portanto, esmiuçada. Da visão dos membros pró­aperto sabe­se que o temor é que a inflação avance e que os juros tenham que ser elevados rapidamente à frente. Ademais, juros muito baixos poderiam afetar negativamente a estabilidade financeira. Do lado da manutenção dos juros, os sete participantes do Fomc, incluindo a presidente Janet Yellen, preferiram esperar por mais evidências de que os preços subiriam para a meta de 2%. Como consenso no comitê é a leitura de que as taxas subirão lentamente e serão estabilizadas em um patamar menor ­ o que deve causar menos instabilidade nos mercados neste ciclo.

Um fator que pode mudar o jogo são os resultados das eleições presidenciais, apesar da independência do Fed. Na avaliação do Credit Suisse, em nota a clientes, os indicadores devem ser suficiente para suportar uma elevação dos juros neste ano, mas a abordagem cautelosa do Fed e o risco subestimado da eleição presidencial tornam os atrasos mais prováveis do que o contrário. O banco espera que o próximo aumento dos juros não ocorrera até maio de 2017.

Valor Econômico – 11/10/2016

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Balança desequilibrada

José Paulo Kupfer

É inevitável, por qualquer ótica de análise, promover o reequilíbrio das contas públicas e, para tanto, será necessário cortar despesas para acomodá-las às receitas ou cobrir gastos com mais arrecadação. Sem isso, a dívida pública continuará em expansão até o ponto desestabilizador do calote ou da sua redução, em termos reais, pela via econômica e socialmente deletéria da inflação.

Negar a existência de um quadro fiscal com essa grave configuração é tão fora da realidade quanto não entender que sua superação envolve a solução de um conflito distributivo politicamente complexo. Ainda mais quando o governo declara disposição de não aumentar tributos – a saída historicamente encontrada para contornar a imposição de perdas a este ou aquele segmento social.

Nos últimos dias, com o avanço da proposta de emenda constitucional que cria um teto para os gastos públicos e limita sua correção, pelos próximos 20 anos, à inflação do ano anterior (PEC 241/2016), na Câmara dos Deputados, as indicações dessa disputa se intensificaram. De um lado, alinharam-se governo, partidos da base aliada e entidades empresariais em favor da aprovação da PEC do teto. De outro, afloraram reações contrárias de instituições do campo da defesa de direitos sociais, sobretudo nas áreas da saúde e da educação, oposição partidária e sindicatos.

Ao concentrar seus esforços na aprovação de cortes nos gastos por um longo período, consequência automática da decisão de adequar despesas a um volume de arrecadação drenado, nos últimos anos, por acentuada e prolongada recessão, o governo parece não ter considerado a possibilidade de equilibrar melhor os pratos da balança distributiva. Se não há espaço político – e até mesmo técnico – para aumentar impostos, existe um volume de desonerações fiscais de tal magnitude que não é fácil entender por que sua reversão, ainda que parcial, ainda não está sendo cogitada.

No Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2017 (PLDO-2017), estão inscritas renúncias de receitas tributárias no montante de R$ 280 bilhões – por curiosa coincidência, exatamente o dobro do déficit primário previsto para o ano que vem. Há muitos casos em que reverter desonerações e isenções resultaria em ganhos evidentes de eficiência no uso dos recursos públicos.

Em muitos desses casos, as desonerações são privilégios dos quais se beneficiam cidadãos de maior renda e grandes empresas, sem ganhos claros para a economia e a sociedade. Como se viu nos governos de Dilma Rousseff, por exemplo, as desonerações da folha de pagamento não evitaram o desemprego e a recessão.

O item de maior peso individual, no conjunto das renúncias fiscais, é justamente um daqueles em que, estudos recentes e detalhados já mostraram benefícios pelo menos duvidosos. Trata-se do regime de tributação especial do Simples, que deve consumir R$ 80 bilhões das receitas públicas em 2017, para facilitar o cotidiano burocrático de micro e pequenos empreendedores e estimulá-los a formalizar seus empreendimentos e empregados. Depois de quase dez anos da sua criação, o Simples acumula distorções, beneficiando empresas com faturamento de até R$ 400 mil por mês, que dificilmente poderiam ser classificadas como pequenas.

Desonerações e renúncias fiscais são, na verdade, gastos tributários e como tal encarados no resto do mundo. “Têm, de fato, o mesmo efeito dos gastos públicos”, resume o economista Bernard Appy, diretor do Centro de Cidadania Fiscal (CCiF).

Favorável à PEC do Teto, que, segundo ele, é um passo importante para trazer racionalidade às contas públicas, Appy especula se os gastos tributários não deveriam também, como as despesas públicas, ficarem sujeitos à correção pela inflação.

Seria preciso examinar como operar a regra, mas difícil duvidar o quanto poderia facilitar a sempre complicada tarefa de acomodar demandas e interesses conflitantes.

O Estado de S.Paulo – 11/10/2016

Redação On outubro - 11 - 2016
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