Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

Filiado a FIESP

Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017






Associe-se!
Clique aqui e conheça as vantagens

Nível de emprego pré-recessão só volta em 2020

O corte de vagas com carteira assinada no país em dois anos de recessão deve somar quase 3 milhões até dezembro de 2016 – perda que levará o dobro desse tempo para ser recuperada. Diante da expectativa de reação lenta da atividade, duas consultorias e uma instituição financeira ouvidas pelo Valor – LCA, Tendências e Bradesco – estimam que o nível de emprego formal no Brasil só voltará ao registrado em 2014, de 41,2 milhões, em 2020.

Em 2015, foram fechados 1,5 milhão de postos de trabalho, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Com outros 650 mil cortes registrados de janeiro a agosto, o país soma atualmente 39 milhões de vagas formais, volume inferior de dezembro de 2012 (39,6 milhões). Para o ano fechado, o saldo negativo sinalizado pelas projeções mais recentes é de 1,3 milhão.

No cenário do economista Fabio Romão, da LCA Consultores, serão gerados 355 mil novos empregos com carteira em 2017 e mais que o dobro no ano seguinte, 787 mil. Até 2020, serão 2,9 milhões de postos, que elevariam o nível de emprego a 40,6 milhões, semelhante ao de 2014. O número é um pouco diferente do dado oficial – 41,2 milhões de vagas em 2014 -, porque leva em conta a série sem ajuste do Caged, que contabiliza apenas os dados enviados ao Ministério do Trabalho dentro do prazo legal.

“A recuperação tende a ser lenta porque a gente não deve ver o impulso de formalização que esteve em cena nos anos 2000”, pondera Romão. Para ele, a política econômica que aumentou a participação dos bancos públicos no mercado de crédito e do Estado nos investimentos em infraestrutura também fomentou o avanço do emprego com carteira assinada. “Esse foi o período dos IPOs [abertura de capital] da construção civil”, lembra.

O economista do Bradesco Igor Velecico acrescenta à avaliação os incentivos tributários dados desde 2011 com a desoneração da folha. “Eles aumentaram a demanda por trabalho, fator que já estava escasso, e elevaram o desequilíbrio”. Entre 2004 e 2014, o Brasil ganhou mais de 15 milhões de postos de trabalho com carteira assinada.

O processo de recontratação de pessoal no ciclo de crescimento, ele acrescenta, deve ser bastante gradual também porque as empresas darão prioridade à “agenda da produtividade”. O investimento em capital, afirma Velecico, será um dos caminhos para reduzir as perdas acumuladas nesses dois anos. “No Brasil, a produtividade foi muito jogada para baixo entre 2012 e 2014. Não dá mais para crescer com ela caindo. ”

Em seu cenário, no próximo ano o país já abriria 700 mil postos com carteira. Outros 900 mil viriam em 2018 e uma média de 800 mil, nos três anos seguintes. O economista leva em conta a Relação Anual de Informações Sociais (Rais). Nessa série, que inclui o emprego público estatuário, o nível de 2014 é de 49,5 milhões de empregos, que também só seria novamente alcançado em 2020.

A indústria será o setor a repor mais rapidamente o estoque de mão de obra, avalia Rafael Bacciotti, da Tendências Consultoria. O ganho de competitividade proporcionado pelo câmbio – para o qual é previsto desvalorização adicional no horizonte até 2020 – estimulará as exportações e a atividade do setor, afirma o economista.

Já os serviços, mais dependentes do desempenho doméstico, terão recomposição mais lenta. “Nossa projeção para o ritmo de crescimento da massa salarial [durante a retomada] também é bem menor do que na década 2004-2014.” A expectativa para o saldo positivo do Caged em 2017 é de 560 mil, número que subiria para um milhão de postos no ano seguinte.

Como o setor responde por cerca de 43% do volume total de empregos com carteira, sua participação no saldo positivo será maior. Nas contas da LCA, a fatia dos serviços na geração de 2,9 milhões de vagas entre 2017 e 2020 será de 43,3%. A indústria vem na sequência, com 36,4%, e o comércio, 19,8%. A construção, que deve continuar demitindo no próximo ano, dará contribuição pequena, 42 mil postos, 1,42% do total.

Velecico, do Bradesco, destaca que o ritmo intenso de destruição de vagas nos últimos dois anos é, em certa medida, consequência da inércia salarial que marca o mercado de trabalho local. Mesmo diante da maior recessão da história recente do país, diz ele, não é difícil encontrar categorias que conseguem repor quase completamente as perdas inflacionárias – um reajuste nominal expressivo, que pressiona os custos dos contratantes. “A inércia no Brasil torna necessário um ajuste de quantidade muito mais forte”, afirma.

Valor Econômico – 10/10/2016

Redação On outubro - 10 - 2016
  • Central de atendimento
  • Telefone: (11) 3285-3522 / e-mail: sicetel@sicetel.com.br
Associe-se!
        Clique aqui
Cadastre seu e-mail e receba periodicamente notícias do SICETEL.