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Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

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Quinta-feira, 21 de Setembro de 2017






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Campanha Salarial: rodada com Grupo 8 não apresenta avanços

Patrões insistem na proposta de 6% de reajuste

A Federação Estadual dos Metalúrgicos da CUT, a FEM-CUT/SP, teve mais uma rodada de negociação da Campanha Salarial 2016 com o grupo 8 na tarde de ontem, em São Paulo. O presidente da FEM-CUT, Luiz Carlos da Silva Dias, o Luizão, contou que as negociações não avançaram.

“A bancada patronal não demonstrou disposição em negociar, não por questões econômicas, mas por questões políticas”, afirmou.

“Os patrões estão na maior choradeira e é inadmissível não chegar no índice de reposição da inflação. O caminho para avançarmos é manter a mobilização dos trabalhadores”, defendeu.

O aviso de greve ao G8 foi entregue no dia 26 de setembro. Também já foram entregues os avisos de greve aos grupos 3 e 10.

A Campanha Salarial 2016 tem como tema “Sem pato, sem golpe, por mais empregos e direitos”. A pauta tem cinco itens principais: não à terceirização e à perda de direitos; estabilidade e geração de empregos; reposição integral da inflação mais aumento real, valorização dos pisos e jornada semanal de 40 horas. A Campanha Salarial 2016 tem como tema “Sem pato, sem golpe, por mais empregos e direitos”. A pauta tem cinco itens principais: não à terceirização e à perda de direitos; estabilidade e geração de empregos; reposição integral da inflação mais aumento real, valorização dos pisos e jornada semanal de 40 horas.

Agência de notícias da  FEM-CUT/SP

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Negociações não avançam e mais três empresas têm mobilizações

Em um ato simbólico, no final das assembleias, os trabalhadores aprovaram um comunicado de greve caso a bancada patronal não apresente uma nova proposta de reajuste até sexta-feira, dia 7

Sem avanços nas propostas de reajuste de salários com a bancada patronal, o Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região (SMetal) realizou novas assembleias de mobilização com os trabalhadores para pressionar os empresários a destravarem a Campanha Salarial de 2016.

Desta vez, as mobilizações aconteceram nesta quarta-feira, dia 5, nas metalúrgicas Prysmian (unidades Éden e Boa Vista) e Apex Tool, ambas em Sorocaba, e na terça, dia 4, na Senior, em Araçariguama.

Segundo vice-presidente do SMetal, Tiago Almeida do Nascimento, os diretores dos sindicatos filiados à Federação Estadual dos Metalúrgicos (FEM-CUT/SP) estão informando aos trabalhadores que deram o prazo de até sexta-feira, dia 7, para os grupos patronais apresentarem propostas que atendam o valor reivindicado pela categoria.

“Já protocolamos aviso de greve na semana passada e, se até sexta os patrões não apresentarem um valor digno, vamos discutir novas forma de desemperrar a Campanha Salarial e garantir que o trabalhador receba um reajuste que lhe é de direito”, disse.

Nas assembleias das Prysmian e Apex Tool, que pertencem ao Grupo 8, os dirigentes sindicais criticaram a falta de disposição da bancada patronal nas negociações da Campanha deste ano.

De acordo com o secretário de organização do SMetal, João Farani, no início das rodadas de negociação, o grupo 8 sugeriu o congelamento dos salários por três anos. “O que é inaceitável. E depois de muita pressão, eles ofereceram 6% de reajuste, que foi recusado no mesmo momento”.

Ele completa que a união fará a diferença. “Para se conseguir um bom reajuste é necessário que os trabalhadores estejam unidos, pois essa conquista depende somente deles”.

Segundo o secretário-geral da Federação Estadual dos Metalúrgicos da CUT (FEM-CUT/SP), Adilson Faustino, o Carpinha, a reposição das perdas salariais dos trabalhadores é “sagrada”.

Em um ato simbólico, no final das assembleias, os trabalhadores aprovaram um comunicado de greve para a próxima semana caso a empresa não apresente uma nova proposta até esta sexta-feira, dia 7. A data-base da categoria é setembro.

Araçariguama

Em Araçariguama, os trabalhadores da metalúrgica Senior, que pertence ao Grupo 3, também participaram da assembleia sobre a Campanha Salarial 2016 na manhã de hoje. A última proposta apresentada pelo Grupo foi de 7% e também foi recusada.

De acordo com o vice-presidente do SMetal, Tiago Almeida Nascimento, o Sindicato está disposto a negociar, mas até o momento a bancada patronal não apresentou uma nova proposta aos trabalhadores.

Medidas temerosas

Além de temas referentes à Campanha, durante as assembleias os diretores alertaram os trabalhadores sobre as reais intenções do governo Michel Temer (PMDB) com a defesa de projetos como a terceirização sem limites e a aposentadoria mínima aos 65 anos.

“O governo golpista de Temer quer que o cidadão se aposente com 65 anos, mas ele garante a estabilidade de emprego para o trabalhador até ele chegar nessa idade? Isso eles não querem esclarecer, eles fogem dessa questão”, afirmou Carpinha.

Agência de notícias da  FEM-CUT/SP

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Salto: Trabalhadores/as na Continental conquistam reajuste após paralisação

A paralisação pressionou os patrões a chegarem ao INPC

Na manhã da última quarta-feira, 05, o Sindicato dos Metalúrgicos de Salto realizou uma assembleia com os trabalhadores/ as da empresa Continental, pertencente ao Grupo 3, em Salto, para tratar de assuntos relacionados a Campanha Salarial 2016.

Os trabalhadores/as que já haviam rejeitado a proposta da empresa decidiram cruzar os braços até que os patrões fizessem uma proposta melhor de reajuste.

“A Continental já não repassa INPC aos trabalhadores há mais de dois anos. Essa foi a resposta para os patrões. Greve. Os trabalhadores e trabalhadoras estão empenhadas para conquistar no mínimo o INPC”, conta Wellington Barbosa, o Café, Secretário Geral e Coordenador da Juventude do Sindicato dos Metalúrgicos de Salto.

Após quatro horas de paralisação, os patrões decidiram oferecer o reajuste de 9,62, o valor do INPC do período, em duas parcelas: 8% retroativo à data-base (01/09) e 1,62% em fevereiro de 2016.

“Esse foi um recado para os sindicatos patronais. Se não melhorarem as propostas nas mesas de negociação, iremos na porta de cada empresa garantir os direitos dos trabalhadores”, finalizou Café.

Agência de notícias da  FEM-CUT/SP

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Produção de veículos recua 18,5% de janeiro a setembro, diz Anfavea

Por Marli Olmos

SÃO PAULO ­ A indústria automobilística continua a dar sinais da crise na qual mergulhou há meses. Em setembro, foram produzidos 170,8 mil veículos, o que representou uma queda de 2,2% na comparação com o mesmo mês de 2015. No acumulado do ano, o recuo foi ainda maior. De janeiro a setembro, saíram das fábricas instaladas no Brasil 1,5 milhão de unidades, retração de 18,5% em relação aos nove meses de 2015.

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea ), Antonio Megale, lembrou que a Volkswagen, que paralisou várias vezes por falta de peças, ainda enfrentou esse problema em setembro.

Por outro lado, o dirigente destacou que o desempenho do setor ainda reflete uma expectativa em relação às reformas prometidas pelo governo. “A aprovação do teto de gastos públicos será fundamental para que um primeiro sinal seja dado”, disse durante entrevista para anunciar os dados do setor.

Valor Econômico – 06/10/2016

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Coluna

Empresários, Sistema S e mudanças no ensino médio

Por João Batista Oliveira

A mudança do ensino médio, com ênfase na diversificação de trajetórias para os alunos, marca o encontro do Brasil com as demandas da economia e abre espaço tanto para decisiva contribuição do Sistema S quanto para aliviar a crise financeira dos Estados. O empresariado ­ acomodado ao patamar medíocre da mão de obra oferecida pelas escolas ­ não poderá perder esta chance de participar.

O ponto central da reforma proposta consiste em ampliar trajetórias, permitindo aos alunos escolher entre dois caminhos, o de feição mais acadêmica, com ênfase na preparação para o ensino superior, e outro, mais profissionalizante, voltado à preparação técnica para o mundo do trabalho.

Nos dois casos, haverá opções. O aluno poderá escolher curso mais científico ou humanístico ou uma determinada área técnica industrial, agroindustrial ou atividade no ramo dos serviços. Terão que dominar alguns conhecimentos, o que não significa cursar as mesmas disciplinas do núcleo comum, ao mesmo tempo, numa escola “acadêmica”: cada escola ministrará a parte do núcleo comum no contexto de suas propostas pedagógicas. No país há apenas 8% de alunos em cursos médios técnicos e menos de 15% da força de trabalho com formação profissional

Até a década de 1970, havia, no país, diversificação. No ensino acadêmico, tínhamos o clássico e o científico; no profissional, o industrial, comercial, agrícola e o curso normal ­ uma das poucas coisas boas que sabíamos fazer para formar professores. Tudo isso poderá ressurgir com uma nova roupagem do século XXI.

A reforma também coloca o Brasil na mesma trilha que sempre pautou a educação nos países industrializados. A classificação internacional da educação, conhecida como o ISCED, mostra como os países organizam a sua educação em níveis: os níveis 0, 1 e 2 correspondem à educação infantil, séries iniciais e séries finais do ensino brasileiro. A partir do ISCED 3 começa a diversificação ­ o que se dá por volta dos 14 ou 15 anos em praticamente todos os países industrializados. O Pisa avalia isso ­ o conhecimento que se espera de todo cidadão aos 15 anos de idade. Daí para diante os caminhos divergem.

O país retoma, agora, o que já é rotina nas nações desenvolvidas. Na maioria dos países da OCDE, a matrícula nos cursos voltados para a preparação para o mundo do trabalho representa de 30 a 70% dos alunos. Apenas os Estados Unidos oferecem formas diferentes de diversificação. Nas últimas décadas, surgiram ali as “career academies”. Na maioria dos países, fica sempre aberta a opção para continuar os estudos em nível superior ­ como está previsto na MP do Ensino Médio.

Essa MP significa igualmente o reencontro com a economia. Nos EUA, pouco mais de 50% da força de trabalho tem algum tipo de curso pós­secundário. Não existe nenhuma economia capaz de oferecer emprego de nível superior para 100% de sua população. Na maioria, entre 40 a 50% da força de trabalho possuiu uma formação profissional adequada em nível médio. No Brasil temos apenas 8% de alunos matriculados em cursos médios técnicos e menos de 15% da força do trabalho com formação profissional, o que está associado à baixa produtividade da nossa mão­de­obra. Para a reforma virar realidade é fundamental o envolvimento do Sistema S e do setor privado na aprovação dessa legislação e na sua implementação.

A reforma do ensino médio vem também em boa hora para as combalidas finanças dos Estados e sua proverbial dificuldade de administrar gigantescas redes de ensino. Imaginemos uma situação em que o Sistema S e outras escolas especializadas ofereçam ensino médio técnico de excepcional qualidade para 50% dos jovens de 15 a 17 anos. Os atuais recursos do Sistema S dão de sobra para isso e competência não lhes falta. Nos grupos de municípios acima de 20 mil habitantes poderia haver pelo menos uma escola com algumas opções profissionais básicas, assegurando revolução na qualidade dos serviços. O BNDES, que já sinalizou intenção de fomentar a formação de capital humano, poderia ser o indutor­mor dessa vertente. Metade do problema estaria resolvido.

Aos Estados restaria cuidar de pouco mais de 4 milhões de alunos. Cerca de 6 mil escolas com 750 alunos em média dariam conta do recado, como o ICE­ Instituto de Co­responsabilidade empresarial ­ já demonstrou. Se induzidos a municipalizar o que resta do ensino fundamental, os Estados poderiam superar grande parte dos seus problemas financeiros. Fazer isso de forma viável exige cuidadoso planejamento da infraestrutura, localização das escolas e revisão na legislação, especialmente referente a contratos e horas de trabalho dos professores.

Há ambiguidades e excessos na Medida Provisória que precisam ser aprimorados e revistos. Por exemplo, números de disciplinas e carga horária. No IB ­ International Baccalauréat ­ o programa de ensino médio mais bem­conceituado do mundo, o aluno escolhe sete disciplinas, três ele cursa como principais e quatro como secundárias.

No “Education at a Glance 2016”, da OCDE, onde se encontram as estatísticas educacionais mais atualizadas, vemos que, nos países industrializados, os alunos frequentam escola durante 180 a 190 dias, com uma carga horária máxima de 800 horas por ano. Afinal, existe vida inteligente e coisas interessantes fora da escola! O Brasil deve entender que mais quantidade não é sinônimo de qualidade, e que para haver qualidade não precisa de quantidade.

Resistências haverá ­ tanto por parte dos ideólogos de uma pretensa formação geral quanto dos corporativistas que defendem seus mercados de trabalho. Não há como dialogar com os ideólogos, pois não se curvam a argumentos e à realidade. O critério de decisão deveria ser sempre o mesmo: o que é melhor para o futuro dos jovens, da economia e da sociedade. João Batista Araujo e Oliveira é presidente do Instituto Alfa e Beto.

Valor Econômico – 06/10/2016

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Na contramão das mudanças.

A crise econômica que se abateu sobre o Brasil fortaleceu as discussões acerca da reforma trabalhista proposta pelo governo federal e do Projeto de Lei 4.962/2016 em trâmite na Câmara dos Deputados. Ambas as propostas visam flexibilizar normas trabalhistas e assim colaborar para a estabilização e queda do desemprego.

O projeto de lei do Legislativo trata da possibilidade das partes (empregador e empregado) entabularem, livremente ou através de seus sindicatos, a regulação das cláusulas relativas ao contrato de trabalho, objetivando adequá-las para melhor atender aos anseios de ambos.

A possibilidade de negociação entre patrão, empregado e sindicatos representativos tornaria possível a criação e inovação de condições que atendam os anseios das partes complementando efetivamente o ordenamento legal de acordo com as especificidades de cada região nacional, que vive distintas realidades.

As negociações têm como limite os princípios constitucionais que estabelecem proteção, saúde, segurança e dignidade do trabalhador visando garantir sobrevivência das empresas e manutenção de sua mão de obra e não só a redução de garantias trabalhistas.

O desenvolvimento de novas tecnologias que se aceleraram nos últimos 20 anos impuseram mudanças irreversíveis no trabalho, com a morte de algumas profissões e o nascimento de outras bem como nas formas de trabalhar, a exemplo do home office ou do trabalho remoto.

É difícil compreender como novas profissões e novas formas de se trabalhar podem continuar a serem regidas por uma legislação antiquada como a CLT.

Os países desenvolvidos foram os pioneiros em estipular a livre negociação de cláusulas contratuais e proteções trabalhistas de acordo com a nova realidade. Nestes países a legislação estipula os princípios protecionistas de cunho geral, deixando para as partes a elaboração dos contratos com a fixação das proteções específicas.

Na contramão desta tendência, mesmo imerso numa grave crise econômica que tem fechado empresas e consequentemente ceifado empregos, o Brasil se agarra a diversas justificativas para manter a CLT como está e ainda adia para 2017 uma reforma urgente que poderia produzir importantes efeitos para economia com a manutenção de empregos.

A boa estruturação de sindicatos e centrais sindicais e sua forte atuação no País os tornam capazes de representar de maneira adequada a classe dos trabalhadores em situações cotidianas que poderiam ser ajustadas através de negociações diretamente com a empresa tais como o percentual do adicional de horas extras, suspensão do contrato de trabalho por tempo determinado, uso das Câmaras Intersindicais de Solução de Conflito, percentual do adicional de insalubridade e periculosidade, entre outros. Não há mais razões que justifiquem manter uma legislação que não mais se coaduna com as transformações do trabalho ao longo do tempo. Reforma desta relevância não deveria esperar.

Fonte: Diário Comércio Indústria & Serviços, 05.10.2016

Os artigos reproduzidos neste clipping de notícias são, tanto no conteúdo quanto na forma, de inteira responsabilidade de seus autores. Não traduzem, por isso mesmo, a opinião legal de Granadeiro Guimarães Advogados.

Coluna

O que aprender com o Vale do Silício

Por Heitor Martins e Yran Dias

O Vale do Silício mantém sua posição de centro nervoso da inovação. Do navegador de internet até Big Data, da Alphabet até a Zynga, várias coisas que usamos em casa ou no trabalho hoje têm suas raízes no Vale. Empreendedores de todo o mundo interessados em aproveitar essa ginga inovadora transformaram o Vale do Silício num destino quente para executivos em busca de aprendizado e inspiração.

Mas, apesar de todos os inegáveis benefícios dessa fertilização cruzada, nossas conversas com executivos sobre o que eles aprenderam durante suas peregrinações revelam uma tendência a se focar nos elementos mais superficiais do Vale em vez de nas raízes que levaram a seu sucesso. É claro, “velocidade” e “ousadia” são importantes, mas o que existe na cultura dessas companhias que as levam a cultivar isso? Sem esse nível de clareza, grandes companhias continuarão a ter dificuldade em replicar o sucesso das empresas do Vale. Por isso, decidimos investigar um pouco mais e antecipar esta reflexão aqui, antes de debatermos o tema com mais de 500 clientes, dos quais mais de 100 CEOs, em nossa Conferência Digital em outubro em São Paulo.

Ao longo de uma semana, conhecemos mais de 50 pessoas, entre acadêmicos, empreendedores, programadores de incubadoras e gigantes como Google e Facebook. Sentados com pequenos grupos de jovens de 20 e poucos anos ou num círculo de profissionais no imaculado campus de Mountain View, ficamos fascinados com o trabalho que vem sendo feito e pelos preceitos culturais e operacionais que motivam e energizam esses times. Empresas de venture capital inovaram tanto quanto as startups para operar como um braço de financiamento. Para maximizar os retornos estão eliminando o risco de externalidades que podem ser controladas e dando às startups o combustível para florescer sem restrições.

Ousadia por si só é commodity barata. O mundo está cheio de ideias fantasiosas. O que se sobressaiu, para nós, foi a determinação diária de ver algo ter sucesso apesar do quase constante risco de falha. Percebemos que agentes do Vale em todos os níveis ficam muito mais confortáveis em meio à bagunça da experimentação e muito mais equilibrados em relação ao insucesso do que os de outros lugares que visitamos. A mágica, para eles, tem menos a ver com o momento da ideia original do que com o compromisso com o trabalho árduo, de tentar resolver várias vezes o mesmo problema.

Os líderes do Vale, que estão agitando o mercado, combinam visão pragmática à tenacidade e à habilidade de construir uma organização que atraia outras mentes brilhantes. Ainda assim, essas companhias inovadoras operam numa verdadeira meritocracia. Elas cortejam talentos que não apenas têm grande inteligência e experiência, mas que também tragam coragem em suas convicções para lutar por fazer uma diferença significativa. Inovação ­ do tipo que cria mercados ­ sempre vai contra a corrente. Inovação no sentido de criar soluções/ produtos que atendem necessidades e desejos que, na melhor das hipóteses, nem mesmo sabíamos que tínhamos.

As empresas com cultura mais forte baseada na liderança dos fundadores reconhecem, espertamente, o que realmente motiva seu time. Empregados movidos pela missão naturalmente esperam pacote de remuneração e benefícios competitivo, mas muito da motivação está na oportunidade de desempenhar um papel relevante no crescimento da companhia, na elaboração dos caminhos para a inovação e no desenvolvimento de suas próprias habilidades de liderança. Quanto mais autonomia os empregados têm para ser criativos e tomar decisões, mais motivos terão para se manter na companhia e contribuir.

O Vale do Silício inverte a matemática simples da velha economia: quanto mais produtos vendidos, mais dinheiro. Lá, eles abraçam a economia sem restrição à plataforma: a nova moeda de troca passa a ser oferecer aos usuários uma forma de se conectar e interagir. O que torna tão poderosa essa moeda é que, diferentemente de uma unidade estática, o valor de uma plataforma é definido pelos usuários que a povoam e usam, pela sua capacidade de se transformar e adaptar às necessidades das pessoas e continuamente apresentar serviços e inovações.

O digital acelerou o ciclo de praticamente tudo, desde o desenvolvimento do produto até a adoção pelos consumidores. Embora as organizações se concentrem, acertadamente, na necessidade de velocidade, essa corrida tem de ser direcionada. Do contrário, velocidade por si só pode levar empresas rapidamente para a direção errada.

O conceito “design focado no usuário”, neste contexto, vem se tornando cada vez mais popular. As companhias do Vale do Silício vivem e respiram esse conceito de uma forma que muitos executivos seniores não conseguem imaginar. Cada nível da empresa, do CEO até o programador e os times transversais, está condicionado a procurar problemas pela ótica do usuário e encontrar que tipo de processos e passos poderiam criar uma experiência mais suave, rica e diferente. Eles são obcecados pelo cliente.

Na curva acelerada de aprendizado do Vale, empresas de venture capital inovaram tanto quanto as startups. Evoluíram para operar como um braço de financiamento e como um conselho de administração substituto para suprir empreendedores com tudo o que precisam. Para maximizar os retornos, as empresas de venture capital estão eliminando o risco de externalidades que podem ser controladas e dando às startups o combustível para florescerem sem restrições. Esses “playgrounds” de negócio permitem que empreendedores se soltem e comecem a inovar antes que suas ideias percam o vigor ou sejam eclipsadas pelas de outros.

Grandes companhias procurando por novos talentos e capacidades há muito tempo buscam aquisições para chegar neles rapidamente. Comprar o que parece ser uma ótima oportunidade pode ser tentador quando se visita o Vale do Silício. Mas, apesar de todo o talento, é o timing que realmente conta. A hora de agir não é necessariamente nos estágios iniciais quanto as startups são pequenas e precisam de liberdade, nem muito para a frente, quando já estabeleceram uma reputação e massa crítica, mas no meio do caminho, quando a startup já provou seu conceito e está pronta para ganhar escala. Errar no timing torna difícil entrar no jogo.

Heitor Martins e Yran Dias são sócios da McKinsey, líderes da prática de Digital para América Latina.

Valor Econômico – 06/10/2016

Redação On outubro - 6 - 2016
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