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Tera-feira, 21 de Novembro de 2017






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Queda perene de juros será ‘bônus’ de ajuste fiscal, dizem economistas

Ex-integrantes do Banco Central, Gustavo Franco e Eduardo Loyo afirmam que o ajuste nas contas do governo pode gerar uma queda permanente na taxa de juros, com redução do custo financeiro para famílias e empresas e valorização de ativos.

Franco, hoje sócio da gestora de investimentos Rio Bravo, afirma que a taxa de juros (hoje ao redor de 14,25% ao ano) poderia chegar a um nível próximo de 6%, ou ainda menor, em uma década. E como o mercado financeiro tende a antecipar movimentos, os efeitos positivos sobre a economia poderiam vir antes.

Ele cita como um exemplo o avanço no valor de mercado das empresas listadas na Bolsa de Valores brasileira entre 1994 (quando foi lançado o plano real) e 2007. Ele subiu de US$ 80 bilhões para US$ 1,8 trilhão em pouco mais de uma década.

“Outra rodada de valorização pode acontecer se a taxa de juros atingir um nível mais próximo de 4%”, disse Franco. “Foi desse jeito que países da periferia da Europa, como Portugal e Espanha, ficaram ricos.”

Franco integrou a equipe que formulou o Plano Real e esteve à frente do BC até 1998. Loyo, que foi diretor do BC entre 2003 e 2005, durante primeiro mandato do ex-presidente Lula, afirmou que além de evitar “um desastre completo”, o ajuste fiscal teria como bônus a entrega de taxas de juros baixas de maneira permanente, como o país almeja há anos sem sucesso.

“Ainda que o temor do desastre seja um incentivo poderoso, não nos custa levar em conta que o sucesso no ajuste pode nos trazer um bônus positivo na forma de algo que nós atavicamente perseguimos e nunca conseguimos alcançar, que é normalizar o patamar da taxa de juros”, disse ele.

Loyo, hoje economista-chefe do BTG Pactual, reconhece, contudo, a dificuldade de se fazer um ajuste, pois gera um efeito contracionista sobre a economia que já está em recessão. Esse efeito negativo seria, por outro lado, o propulsor da queda dos juros, disse ele.

“Se estamos diante de um ajuste fiscal duradouro, que de fato vá resolver nosso problema de desequilíbrio fiscal, e esse ajuste tenha efeito contracionista, como são esses ajustes, temos a oportunidade de agora, sim, para valer, abrir espaço para uma política monetária mais frouxa”, afirmou.

No passado recente, ressaltou o economista, a combinação foi oposta: juros altos para compensar uma frouxidão nas despesas públicas.

Para os dois economistas, a queda estrutural da taxa de juros brasileira é hoje desafio semelhante ao que foi o fim da hiperinflação nos anos 1990.

“O Brasil ter custo de capital e de crédito barato e disponível para qualquer um poder empreender, realizar o que se quiser pode ser tão bom quanto foi o fim da inflação”, disse Franco. “Este é um sonho assim como um dia foi o da estabilização.”

Os dois participaram de debate organizado pelo Instituto Millenium, centro de estudos que difunde ideias liberais, em São Paulo.

Para Franco, o governo poderia usar argumentos, como a queda dos juros, para convencer a população da necessidade de ajuste.

“Esclarecer, mostrar para a sociedade esse sonho é fundamental, para as pessoas entenderem como o progresso se obtém. Não é uma teoria, é o jeito que os outros países utilizaram para ficar ricos”, disse.

NOVO FGTS

Em sua palestra, no auditório do banco de investimentos BTG Pactual, Gustavo Franco apresentou uma proposta de transformar o FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) e o FGTS em um fundo de pensão único, que poderia investir no mercado de capitais e produzir retorno superior ao que é pago pelo FGTS hoje (TR mais 3% ao ano).

A ideia de Franco é que essa poupança compulsória, formada por impostos cobrados de empresas, como o PIS, e de trabalhadores, deixe de irrigar bancos públicos, como o BNDES, que poderiam viver do retorno de seus empréstimos.

Segundo ele, esses mecanismos de poupança compulsória são anacrônicos e o uso pouco transparente desses fundos são um “convite ao mau uso”.

“Faz sentido as empresas pagarem o PIS, esse dinheiro ir para o BNDES, dar uma sacudida e voltar para as empresas?”, questionou.

Esse fundo de pensão sugerido por Franco divulgaria resultados em balanço, teria metas de investimento e poderia elevar os investimentos no mercado de capitais.

O argumento de que esses recursos fomentam os investimentos públicos na visão de Franco não correspondem. “Num país com taxa de juros baixas, o Brasil deixa taxa de investimentos de 16% e passa a aspirar taxas de investimentos asiáticas, mais próximas de 30%”.

Folha de S.Paulo – 28/09/2016

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BC sinaliza corte de juros e torce pelo sucesso de reformas

Não demorou muito para a nova diretoria do Banco Central perceber que atrelar o corte dos juros a resultados imediatos em relação às reformas do governo Michel Temer não levaria a lugar algum.

Nesta terça-feira (27), a instituição divulgou um dos seus documentos mais importantes, o Relatório Trimestral de Inflação, e aproveitou para sinalizar que os juros devem mesmo cair neste ano. Provavelmente na reunião do Copom de 19 de outubro.

Depois de apresentar em seus últimos comunicados um discurso mais racional sobre como tomaria decisões sobre juros, olhando a inflação e o andamento das reformas fiscais, os diretores do BC lembraram que “tomam suas decisões com base em avaliações necessariamente subjetivas”, embora “calcadas em evidências sólidas”.

Daí as apostas, inclusive de grandes bancos, de que o BC irá de forma “subjetiva”, mas com base em “evidências sólidas”, iniciar um novo ciclo de corte de juros em breve.

O BC acrescentou ainda que, se cumprir a promessa de levar a inflação dos atuais 9% para 4,5% até o final de 2017, fará com que o IPCA fique abaixo da meta em 2018. A leitura é que será necessário, portanto, buscar um equilíbrio.

Ou, como mostram suas projeções: se o BC cortar os juros para 11% até o final de 2017, como prevê o mercado, e o dólar não ultrapassa R$ 3,50, dá para chegar a um IPCA abaixo de 5% no próximo ano e de 4,5% no ano seguinte.

Para um governo que ainda tenta se firmar, tanto do ponto de vista político como econômico, seria uma ótima notícia deixar para trás a taxa básica de 14,25% ao ano herdada da administração anterior e uma inflação de dois dígitos. Vários ministros, aliás, já pediram o corte dos juros.

Resta saber se as “evidências” de uma inflação em queda e de aprovação de reformas vão se solidificar. Ou se a economia brasileira voltará a fazer água e a credibilidade do BC irá se evaporar novamente.

Folha de S.Paulo – 28/09/2016

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Brasil está prestes a retomar o crescimento econômico, afirma secretário de Tesouro dos EUA

O secretário de Tesouro dos Estados Unidos, Jacob Lew, acredita que o Brasil está “prestes a retomar o crescimento econômico”. A avaliação foi feita após uma série de reuniões na capital federal com o presidente Michel Temer, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn.

Lew demonstrou confiança com a agenda de reformas estruturais no Brasil. “O Brasil está prestes a retomar o crescimento. Já há recuperação da confiança dos consumidores e dos investidores”, disse em conversa com jornalistas na Embaixada dos Estados Unidos.

Lew explicou que a confiança com o Brasil cresce diante dos sinais de que avança a agenda de reformas. “O que ouvi é o compromisso do governo e a confiança de que as medidas avançarão no Congresso”, disse o secretário norte-americano. Para o secretário dos EUA, “lideranças políticas e econômicas estão tomando medidas para, passo a passo, entregar” as reformas estruturais.

“Essas reformas vão ajudar a economia brasileira”, disse.”É importante ver como o governo Temer está tomando medidas para criar condições de estabilização da economia, após a que pode ser a pior recessão dos últimos 100 anos no Brasil.

Acreditamos que pode haver o retorno da confiança às pessoas no setor privado”,
Em rápida mensagem de boas vindas a Lew, Meirelles ressaltou que essa é a primeira visita de um alto funcionário do governo americano ao Brasil após a confirmação de Michel Temer como presidente do País. “Essa é a primeira visita de um ministro americano ao Brasil nessa nova administração e também a primeira vez que nos encontramos após a cúpula do G20 em Hangzou (na China, no começo de setembro). Essa é uma oportunidade importante para discutirmos temas macroeconômicos do Brasil e dos EUA”, acrescentou o ministro.

O Estado de S.Paulo – 28/09/2016

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Governo discute hedge cambial para financiamento de concessão, diz BNDES

A diretora de infraestrutura do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Marilene Ramos, disse ontem que o governo está discutindo a possibilidade de criação de um mecanismo de hedge cambial para os investimentos nas concessões. O assunto está em debate na Secretaria do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), que listou 34 projetos para concessão e privatização, na Fazenda e no Planejamento, disse a executiva.

“São propostas que podem viabilizar, principalmente trazer essa participação de investidores internacionais e de bancos de fomento internacionais”, afirmou.

Questionada sobre a tese de dolarizar parcela das tarifas das concessões, sobretudo de transportes, para viabilizar financiamentos na moeda estrangeira, Marilene disse que os BNDES não estuda o assunto. O tema, que vem sendo encampado por setores da iniciativa privada, é controverso no governo, que avalia ser temerário alocar do lado do usuário o risco cambial.

Segundo Marilene, o BNDES vai comprar debêntures de infraestrutura para ajudar no financiamento dos projetos de concessão do PPI, além de entrar com TJLP. De saída o banco deve garantir a compra de pelo menos 50% dessas debêntures. “A ideia é que o BNDES mantenha essas debêntures nessa fase de completion [obras] para depois ofertar pro mercado”.

Os projetos do PPI deverão receber ao menos 20% de recursos dos investidores. O restante poderá ser financiado via empréstimos e emissão de debêntures. A Caixa e o BNDES disponibilizaram, juntos, R$ 30 bilhões de recursos iniciais.

Deverão ter maior apoio da TJLP projetos em que não há interesse ou capacidade do mercado de financiar – ou que tenham interesse social e ambiental forte. Entram no rol saneamento, energias alternativas, ferrovias, hidrovias e mobilidade urbana, listou Marilene.

Entre as primeiras licitações que devem sair estão os aeroportos de Salvador (BA), Fortaleza (CE), Florianópolis (SC) e Porto Alegre (RS), cujos editais serão lançados no último trimestre. Os vencedores terão de pagar o ágio – o prêmio sobre a outorga mínima – à vista e não mais ao longo da concessão. A ideia é que o pagamento do ágio não saia mais do fluxo de caixa da concessão, evitando que as empresas deem lances irreais que depois não podem cumprir. A outorga será paga 25% à vista, depois haverá cinco anos de carência. O resto será pago de forma escalonada do sexto ao décimo ano.

Valor Econômico – 28/09/2016

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Relatório de Inflação reforça aposta em corte da taxa Selic em outubro

O Relatório Trimestral de Inflação (RTI) do BC, divulgado ontem, fortaleceu as apostas no mercado de que o ciclo de redução da taxa básica Selic deve ser iniciado pelo Copom (Comitê de Política Monetária) em outubro.

Nesse contexto, os juros futuros recuaram na BM&F. A taxa do DI para janeiro de 2018 caiu de 12,22% para 12,15%. Os contratos futuros passaram a refletir 76% de chance de queda de 0,25 ponto percentual da Selic na reunião do Copom no mês que vem. E alguns economistas já trabalham com a hipótese de um corte mais expressivo, de 0,5 ponto – o mercado futuro aponta 24% de probabilidade de uma redução da taxa básica nessa magnitude, segundo cálculos da Quantitas.

O relatório do BC fortaleceu o cenário de queda da Selic ao mostrar projeções ainda mais otimistas do que as esperadas pelo mercado. No cenário de referência do BC, que considera Selic constante a 14,25% e câmbio a R$ 3,30, a projeção para o IPCA em 2017 está em 4,4%, abaixo, portanto, da meta de 4,5%. Para 2018, a estimativa é de 3,8%. Já no cenário de mercado, que considera a expectativa de corte de juros, a projeção para 2017 está em 4,9% e, para 2018, em 4,6%.

Para o chefe de economia e estratégia do Bank of America Merrill Lynch, David Beker, após o relatório, “não tem espaço para o BC não cortar os juros em outubro”. “Quando o BC mostra um cenário de referência chegando em 3,80% em 2018, não tem como manter a Selic estável”, afirma Beker. O economista espera corte de 0,5 ponto da Selic em outubro, com a taxa terminando em 11,25% em 2017.

Algumas instituições que esperavam o início do afrouxamento monetário para novembro revisaram suas expectativas após o RTI.

O Citi mudou a projeção para o início de corte da Selic de novembro para outubro após o RTI. O banco também prevê um ciclo de afrouxamento monetário maior e espera que a taxa básica termine 2017 em 10,5%, ante 11,25% da projeção anterior. “O cenário de referência do BC dá o ‘timing’ para o movimento de corte de juros, e se a projeção de inflação já está abaixo da meta é hora de cortar”, diz Marcelo Kfoury, superintendente do Departamento Econômico do Citi Brasil, lembrando que o BC sinalizou que está analisando as projeções no horizonte relevante para a política monetária e não apenas no final de 2017. Essa sinalização já tinha sido dada pelo presidente do BC, Ilan Goldfajn, na semana passada, e já havia contribuído para o recuo dos juros.

O economista-chefe da Garde Asset, Daniel Weeks, também esperava que o ciclo de alívio monetário fosse iniciado em novembro, mas, depois do discurso do presidente do BC na semana passada, passou a considerar um corte em outubro, visão que se consolidou após o RTI. “Depois do RTI, estou mais propenso a acreditar em um corte de 0,5 ponto, e não apenas de 0,25 ponto.” Weeks observa que, ao tratar da evolução das três condições estabelecidas para o corte de juros, o BC dá elementos mais positivos. Ele reconhece uma desinflação nos preços dos alimentos, já mostrada pelo IPCA-15 de setembro, e destaca fatores que influenciaram a inflação de serviços, que devem perder força daqui para frente. Por fim, o BC identifica “sinais positivos” sobre a evolução das reformas fiscais, embora ainda considere que haja incertezas.

A discussão no mercado agora é sobre o tamanho do corte de juros em outubro. Para o economista-chefe da Icatu Vanguarda, Rodrigo Alves de Melo, as projeções de inflação apresentadas pelo RTI confirmam que “a queda dos juros está próxima”. O economista, que trabalha com o início do ciclo de alívio monetário em novembro, passou a considerar a possibilidade corte em outubro. Ele lembra, contudo, que o fato de o BC insistir que há incertezas no cenário, especialmente no fiscal e também dúvidas sobre a evolução da inflação de serviços, deve justificar um corte de 0,25 ponto na próxima reunião. Mas Melo admite que, se a agenda fiscal caminhar com mais agilidade do que o esperado e isso afetar positivamente o prêmio de risco dos ativos, especialmente o câmbio, pode abrir espaço para um corte de 0,5 ponto.

O Bradesco também espera corte de 0,5 ponto em outubro. “Entendemos que à medida em que a incerteza sobre o ajuste fiscal diminuir, o ciclo de queda de juros poderá ser mais intenso que o previsto pelo mercado”, diz em relatório. O banco prevê Selic a 13,25% em 2016 e de 10,25% em 2017.

O ex-presidente do BC e sócio da Tendências Consultoria, Gustavo Loyola, avalia que BC não está comprometido com determinada data para iniciar o processo de corte de juros e o RTI reforça isso quando menciona as incertezas ainda existentes principalmente na inflação de serviços e também na área fiscal. “Acreditamos que o BC vai esperar os dados confirmarem essa desaceleração dos preços de alimentos e serviços e alguma evolução na agenda de ajuste fiscal antes de cortar a Selic”, afirma. A Tendências mantém a projeção de corte de 0,5 ponto da Selic em novembro.

Valor Econômico – 28/09/2016

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Para analistas, bem industrializado trava queda do IGP-M

A queda dos produtos agropecuários se acentuou em setembro, movimento que não reduziu a inflação no atacado porque foi compensado por avanço dos itens industriais, segundo economistas. Com aumento nos bens industrializados, a estimativa média de 20 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data aponta que o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) subiu de 0,15% para 0,23% entre agosto e setembro.

As projeções para o indicador, a ser divulgado amanhã pela Fundação Getulio Vargas (FGV), vão de alta de 0,18% até 0,28%. Para a média dos analistas, a inflação acumulada em 12 meses pelo IGP-M também caiu na passagem mensal, de 11,49% para 10,71%.

O IGP-M deve ter desacelerado em relação às últimas duas prévias do índice, que aumentaram 0,38% e 0,27%, respectivamente, observa Fabio Romão, da LCA Consultores. Para o fechamento do mês, Romão espera alta menor do indicador, de 0,21%. “Os preços agropecuários esboçaram aceleração ao longo de agosto, mas essa reação perdeu força”, explica o economista.

Romão estima que os preços agropecuários tiveram deflação de 0,82%, depois de recuarem 0,11% na medição anterior, devido à intensificação da queda em diversos itens, como milho, feijão, batata-inglesa, algumas frutas e leite. A melhora do clima – com o fim dos efeitos do El Niño com intensidade forte e a transição para o La Niña, de magnitude moderada – tem ajudado a inflação dos alimentos, que deve mostrar retração mais forte ao consumidor no fim do mês, diz.

Por outro lado, a recuperação nas cotações do minério de ferro e o avanço sazonal das carnes devem ter elevado a inflação dos itens industriais, afirma a equipe econômica do Santander, para quem o IGP-M aumentou 0,18% em setembro. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que representa 60% dos IGPs, acelerou de 0,04% em agosto para 0,15% na leitura atual, calcula o banco.

“O IPA deve voltar a acelerar, pressionado pelos produtos industrializados, enquanto os grãos devem mitigar a alta”, concordam os economistas da Rosenberg Associados. Nas estimativas da consultoria, o IGP-M teve alta maior no período, de 0,24%, enquanto o indicador acumulado em 12 meses deve ter recuado para 10,71%.

Com peso de 30% no indicador geral, o Índice de Preços ao Consumidor- M (IPC-M) caminhou na contramão da inflação ao produtor e perdeu fôlego em setembro, segundo economistas ouvidos. Romão, da LCA, projeta que o índice do varejo subiu 0,20%, metade da taxa registrada no mês passado. O principal vetor de desaceleração partiu do grupo alimentação, que, no entanto, não deve ter chegado ao campo negativo, como no IPCA-15.

A sazonalidade mais pressionada do fim de ano vai acelerar novamente os alimentos ao consumidor no último trimestre, pondera Romão, mas a inflação do grupo será bem menor do que a de igual período de 2015. Com a saída dos índices mais elevados da conta, a LCA estima que o IPCA acumulado em 12 meses, hoje perto de 9%, vai recuar para 7,4% até dezembro.

Valor Econômico – 28/09/2016

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Líderes concordam em fechar questão sobre PEC

No jantar de ontem com os ministros e os líderes partidários – o primeiro evento do novo governo no Palácio da Alvorada – o presidente Michel Temer e o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, fizeram um apelo por unidade e pelo empenho da base aliada na célere aprovação da proposta de emenda constitucional (PEC) que fixa um teto para os gastos públicos. Ficou decidido que a matéria será votada no plenário da Câmara dos Deputados nos dias 10 e 11 de outubro. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, enfatizou que a PEC é a principal ferramenta de ajuste fiscal, porque o aumento de impostos está fora de questão.

“Quero entregar o país em 2018 em condições, organizado”, disse Temer aos ministros e aliados, segundo relato de um dos participantes do encontro. Esta liderança disse ao Valor que Temer está “jogando [pela recuperação da economia] como se fosse vida ou morte”.

Na saída do jantar, o ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, admitiu que a reforma da Previdência Social não será enviada ao Congresso até 30 de setembro, como era o desejo de Temer. Mas ressaltou que uma versão final será encaminhada a Temer amanhã.

“A decisão do governo de enviar a reforma é irreversível, mas tenho dito que não se pode fixar um prazo”, disse Geddel. “Fomos atropelados no nosso cronograma por alguns eventos, como a eleição, que não permitiram que fizéssemos o debate com centrais, com núcleos empresariais, e o presidente avalia que isso é fundamental para que depois não nos acusem de autoritarismo, de enfiar a reforma goela abaixo do Congresso”, explicou.

Geddel disse que o governo conseguiu neutralizar o impasse quanto à PEC dos gastos com em relação aos investimentos em saúde e educação. Ele acrescentou que o governo vai negociar mudanças no texto, desde que preservado o conceito do “teto global dos gastos”.

Meirelles, que discursou depois de Temer e Padilha, disse que não haverá aumento de impostos. “O Brasil é uma das mais altas cargas tributárias do mundo e a mais alta dos Brics, então não cabe aumento de impostos”, observou. Ele acrescentou que a aprovação ou não da PEC do teto dos gastos é que irá determinar o país que queremos. “Um Brasil que voltará a crescer e gerar mais e mais empregos, ou um Brasil de dias muito mais difíceis”, reforçou.

Todos os ministros compareceram ao evento, inclusive Alexandre de Moraes, ministro da Justiça, que protagonizou uma crise com o Palácio do Planalto na véspera, por causa das declarações sobre a Operação Lava-Jato durante um comício no domingo. A Comissão de Ética da Presidência abriu um processo ético-disciplinar contra Moraes.

Os líderes anunciaram que vão fechar questão sobre a PEC do teto com suas bancadas. Dessa forma, os dissidentes podem até ser expulsos do partido. PSDB, DEM e Solidariedade ressalvaram que há resistência em suas bancadas sobre o fechamento de questão.

Foi o primeiro evento de Temer no Palácio da Alvorada, 21 dias depois que a ex-presidente Dilma Rousseff devolveu a residência oficial, após o impeachment. Temer não decidiu ainda se vai se mudar com a família para o Alvorada, e a palavra final será de Marcela Temer. Até lá, Temer usará o espaço para reuniões ministeriais e jantares com aliados.

Valor Econômico – 28/09/2016

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Opinião

Espaço aberto para a redução da taxa de juros

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O Banco Central deu sinais claros de que está aberto o espaço para que os juros comecem a cair. O Relatório de Inflação apontou que a inflação está abaixo da meta de 4,5% (4,4%) no último trimestre de 2017 em seu cenário de referência. Em dois outros cenários ­ o BC desta vez apresentou quatro ­ o IPCA atinge 4,5% e 4,8%. O cenário de mercado, porém, é o que mais se distancia dos outros, com inflação de 4,9% ao fim do ano que vem e 4,6% no último trimestre de 2018. O relatório relaciona incertezas sobre o futuro, sugerindo que se o início de um ciclo de alívio monetário pode começar em breve, isso deverá ser feito com comedimento.

Se o BC mantiver os juros de 14,25% e o câmbio a R$ 3,30 por dólar, a inflação estimada cai a 4,2% no primeiro trimestre de 2018. E mesmo considerando os outros cenários, uma distensão nos juros não é descartada. “Mesmo sob condições apropriadas de política monetária”, sublinha o documento, “a inflação realizada oscila em torno da meta”. O movimento de convergência da inflação para a meta dá alguma segurança para o BC diminuir a taxa Selic, embora isso exija cautela, entre outros motivos, pelos desvios recentes na trajetória do nível de preços.

O IPCA no trimestre findo em agosto foi 0,48 ponto percentual superior ao previsto pelo Copom. Ele foi empurrado principalmente, mas não apenas, por aumentos nos alimentos. A aposta é que choques localizados nesse setor ­ cujos preços avançaram 16,9% em doze meses findos em agosto ­ estão se dissipando. A dúvida é se seus efeitos secundários, particularmente no setor de serviços, tendem ou não à desinflação e com que intensidade.

Não é possível ainda responder afirmativamente no caso. “Há incertezas sobre se a desaceleração recente observada em alguns preços de serviços representa desinflação que deverá se disseminar pelos demais preços do setor ou se decorre de ajuste de preços relativos”, aponta o relatório. Ao longo do texto, o BC ressalta que a velocidade do processo desinflacionário “permanece incerta”.

Das três condições que o BC apontou para guiar os próximos passos da política monetária, ele estima que houve progressos em todas. Mas esses progressos não são por si só suficientes para o BC já partir para uma política agressiva de redução dos juros. A rapidez da queda da inflação, por exemplo, é uma incógnita. O arrefecimento dos preços dos alimentos já se delineou com clareza, com reduções importantes no atacado que repercutirão no varejo, mas repiques são sempre possíveis. E o BC vê agora “sinais positivos” a respeito das reformas fiscais, embora ressalvando que o “processo de tramitação ainda está no início e as incertezas quanto à aprovação e à implementação dos ajustes necessários permanecem”. Nessa área, porém, a rigor não houve novidades e o Congresso, na melhor das hipóteses, começará a votar a PEC do teto de gastos em outubro e a reforma da Previdência no ano que vem.

Com que rapidez os juros podem cair é questão em aberto. Uma enorme recessão em por dois anos e taxa de juros alta proporcionaram um recuo da inflação de 10,71% para 7,3% (fim de 2016), com queda de 3,4 pontos percentuais. Resta um caminho de 2,8 pontos percentuais em outro cenário, o de recuperação, ainda que modesta, de 1,3% em 2017, segundo o BC.

Há argumentos no relatório que justificariam um corte mais forte dos juros. O nível de utilização da capacidade industrial é baixo, de 74%, e a capacidade de reação expressiva do consumo das famílias é improvável. O BC estima que o consumo das famílias impulsionará em 0,8% o PIB de 2017, e o consumo do governo, em 0,5%. Os investimentos devem avançar 4%. O setor externo pesará negativamente, com 0,3 ponto percentual. A contribuição da demanda doméstica será de 1,6 ponto.

Há, porém, fatores importantes que recomendam moderação. A inflação permaneceu fora da meta por tempo demais, reavivando mecanismos inerciais que tornam o combate a ela mais custoso e lento. Há um “interregno benigno” no cenário externo, que pode não durar muito. E a reforma fiscal não será só parceiro vital da política monetária, mas também um divisor de águas para o governo Temer. Sua aprovação será alavanca para o crescimento e sinal para redução mais rápida dos juros. Uma derrota, ou vitória pela metade, complicará os cenários do BC, rebaixará as expectativas e colocará em xeque a recuperação da economia e a força política do Planalto.

Valor Econômico – 28/09/2016

Redação On setembro - 28 - 2016
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