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Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017






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Moody’s: Economia brasileira está melhorando, mas retomada será árdua

Por Daniela Meibak

SÃO PAULO ­ As perspectivas econômicas do Brasil estão melhorando depois de uma profunda recessão, mas a recuperação será árdua e qualquer melhoria na qualidade de crédito vai levar tempo para se desenvolver, na opinião da agência de classificação de risco Moody’s.

A agência espera que a economia brasileira cresça 0,5% no próximo ano, após uma contração de 3,5% em 2016. A recuperação será puxada principalmente por investimentos, seguindo o aumento da confiança e a necessidade das empresas de aumentar a produção para repor estoques esgotados.

A conclusão do processo de impeachment presidencial também permitiu que a administração de Michel Temer persiga políticas de inflação críveis, bem como medidas para reforçar a disciplina fiscal, diz a Moody’s. As medidas propostas são vitais para aliviar as preocupações dos investidores e manter os fluxos de capital, bem como para aumentar a confiança, acrescenta a agência.

“As condições de estabilização da economia vão ajudar a conter o estresse financeiro para as companhias brasileiras, e suportar melhoras modestas na performance das empresas”, afirma Gersan Zurita, vice­presidente sênior da Moody’s. “No entanto, condições de liquidez apertadas, altas taxas de juros e o desemprego continuarão a pesar na economia até pelo menos o fim de 2017.”

A agência de classificação de risco afirma ainda que a utilização da capacidade instalada estabilizou, mas ainda permanece nas mínimas históricas, e a contribuição dos setores exportadores brasileiros para a recuperação econômica dependerá muito dos desdobramentos da taxa de câmbio.

Diante desse cenário, os bancos manterão a aversão ao risco, segundo a Moody’s. No entanto, na análise da agência, se a confiança melhorar, algumas instituições financeiras terão flexibilidade para aumentar mais rapidamente suas carteiras de empréstimos. Uma recuperação econômica gradual não apenas favorecerá um aumento da demanda por crédito, mas também tende a acelerar uma melhora na qualidade dos ativos.

Valor Econômico – 27/09/2016

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Presidente da Petrobras critica as regras de conteúdo local

O presidente da Petrobras, Pedro Parente, fez duras críticas ontem à política que obriga a estatal a usar conteúdo nacional em contratos de concessão para exploração de petróleo e gás natural. Em reunião com empresários na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em que apresentou o Plano de Negócios e Investimentos da petrolífera, Parente subiu o tom ao ser questionado sobre as regras de conteúdo local:

— Essa política não fez bem ao país. Havia muita coisa errada, muito problema. Vou dar um exemplo. Nós tivemos um problema recente de uma plataforma que nós licitamos, e que, por força da exigência de conteúdo local, veio com um preço 40% acima do valor que avaliamos que custaria — afirmou, acrescentando que, no caso citado, a plataforma custaria US$ 1 milhão ao dia, mas ficou pronta com um valor bem superior ao estimado.

REGRA CONTRA CORRUPÇÃO
Para o presidente da Petrobras, esse exemplo comprova que a política de conteúdo local para os contratos do do pré-sal “tem muitos problemas”.

— Isso não dá, senhores. Vamos ser sinceros, qualquer um dos senhores que fosse proprietário dessa empresa não aceitaria isso. Como é que vamos pagar 40% acima de um custo que sabemos que pode ser 40% abaixo? — frisou.

Segundo Parente, a resposta mais exaltada se devia à “importância do tema, que merece ênfase”. Ele contou ainda que, ao ser convidado para assumir o cargo, o presidente Michel Temer pediu: “precisamos profissionalizar a Petrobras”.

Indagado por jornalistas sobre os problemas da estatal com desvios e fraudes em contratos, Parente listou as medidas já adotadas, que têm “o objetivo de acabar com a corrupção”. Destacou a criação de comitês estatutários e de uma comissão liderada pela exministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Ellen Gracie, além da segregação de funções: o funcionário que autoriza a despesa não pode autorizar o pagamento.

— Minha principal missão é pensar no presente e no futuro da empresa — completou.
Durante a apresentação na Fiesp, Parente reiterou que a empresa vai investir US$ 74,1 bilhões entre 2017 e 2021, valor 25% inferior ao plano anterior. A estatal também quer reduzir a relação entre dívida e geração de caixa de 5,3 vezes para 2,5 vezes até 2018.

Mais cedo, em palestra na Faculdade de Economia e Administração da USP (FEA-USP), Parente indicou que, passado o ajuste, a estatal voltará a pensar em expansão:
— Vamos investir na exploração de águas profundas, mas é possível retomar investimentos no exterior após esse período.

Ele ainda demonstrou preocupação com a adoção de mais práticas de controle, que, para ele, podem não ser eficientes no combate à corrupção.
— Temos controles baseados em regras e processos. Mas isso não reduziu a corrupção e não garantiu o melhor preço ou qualidade — disse, ressaltando que era a opinião dele como profissional do setor público e privado, e não como presidente da estatal.

Abinee/O Globo – 27/09/2016

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Retomada dos investimentos em 2017 terá impacto ‘modesto’ no consumo

A retomada dos investimentos no próximo ano terá um efeito “modesto” na recuperação do consumo das famílias, afirma ao DCI a economista da Tendências Consultoria Alessandra Ribeiro.

No cenário da especialista, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, investimentos) deve ter expansão de 3% em 2017, ao passo que o consumo tende a crescer apenas 0,1% no mesmo ano. Para 2016, as projeções da Tendências indicam queda de 8,5% nos investimentos e retração de 4,3% no consumo.

Alessandra conta que, após oscilar entre altas e recuos até março de 2017, os investimentos entrarão em trajetória consistente de alta a partir do segundo trimestre, avançando 2,5% na margem (ou seja, em relação ao trimestre imediatamente anterior). Na comparação anual (contra o segundo trimestre de 2016), a expectativa é de crescimento de 1,5% na FBCF.

Contudo, a economista esclarece que a retomada dos investimentos no próximo ano não terá impacto significativo no consumo. “A recuperação dos investimentos no segundo trimestre de 2017 evitará novas demissões. Mas a volta das contratações só vem a partir de 2018”, prevê.

Até o próximo ano, portanto, as empresas utilizarão somente a mão de obra empregada para desengavetar projetos de investimentos. Apesar do avanço esperado, a FBCF em porcentagem do Produto Interno Bruto (PIB) deve se deslocar de uma taxa de 17,2% neste ano, para um patamar de 17,4% em 2017.

Emprego em baixa

Sem perspectiva de novas contratações nos próximos 15 meses, a Tendências estima que a taxa de desemprego alcance 11,5% neste ano e 12,7% em 2017. Já a renda real deve recuar 3,3% em 2016 e ter queda de 0,1% no próximo ano. Na mesma base de comparação, a massa de rendimentos tende a registrar recuos de 5% e de 0,1%, respectivamente.

Alessandra pontua que a construção civil e fabricação de máquinas e equipamentos são os setores que irão puxar as altas trimestrais dos investimentos nos próximos meses.

Ainda segundo ela, o programa de concessões em infraestrutura só terá impacto no indicador de FBCF em 2018, tendo em vista que a maioria dos leilões está marcada para acontecer no segundo semestre do próximo ano.

“Nossas estimativas se baseiam em um cenário de aprovação das medidas fiscais, como a PEC [Proposta de Emenda à Constituição] do teto para o crescimento dos gastos públicos e a reforma da Previdência. Esse ponto é fundamental”, ressalta a economista da Tendências.

“Porém, se houver muita postergação no encaminhamento das medidas, ou se elas forem aprovadas com muita desconfiguração [em relação à proposta original], isso terá impactos negativos nas expectativas dos agentes, o que acaba limitando a reação da economia. Neste cenário, as estimativas de crescimento podem sofrer alguma deterioração”, acrescenta Alessandra.

Visão empresarial

Em um debate realizado ontem pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças de São Paulo (Ibef-SP), CEOs de grandes empresas avaliaram que não há expectativa de retomada do consumo no curto prazo (nos próximos 12 meses)

“A velocidade de recuperação [do consumo] ainda não está muito clara. Não sabemos em que velocidade as pessoas desempregadas se reintegrarão ao mercado de trabalho formal ou informal. Isso a gente ainda não pode prever”, avaliou o diretor presidente da Natura, Roberto Oliveira de Lima, ao participar do evento.

“A recessão na ponta do consumo está bem acentuada. Quando achamos que vai dar uma melhorada, a trajetória se inverte. […] Além disso, o consumidor está usando mais a racionalidade na hora de comprar. Agora ele está comprando aquilo que cabe no bolso”, complementou Lima.

O presidente da Nextel Brasil, Francisco Valim , por sua vez, destacou que, diante da contração do consumo, o ato de investir precisa de “parcimônia”, principalmente para as empresas que trabalham com o consumo na ponta, como é o caso da Nextel. “A parcimônia em um cenário de crise econômica sobe na prioridade”, ressaltou Valim.

Ele comentou ainda que a discussão sobre uma reforma trabalhista precisa levar em conta os atrasos que ainda existem no País, como é o caso, por exemplo, do trabalho escravo. “Saindo dos grandes centros, isso ainda é algo encontrado, o que significa que precisamos de algum nível de atuação governamental”, afirmou ele, acrescentando que o Brasil ainda carece de uma regulação mais dura no que diz respeito às regras trabalhistas.

Para ele, o modelo de baixa intervenção estatal da economia dos Estados Unidos funciona melhor em situações de países com pleno emprego.

Abinee/DCI – 27/09/2016

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Política atual de conteúdo local faz mal ao Brasil, diz Parente

Por Camila Maia

SÃO PAULO ­ A política de conteúdo local atual foi mal desenhada e faz mal ao Brasil, disse Pedro Parente, presidente da Petrobras, ao participar de evento de divulgação do novo plano de negócios da companhia na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Muito questionado pelos executivos e diretores presentes sobre a política de conteúdo local, Parente disse que, recentemente, a companhia enfrentou um problema ao fazer a licitação de uma plataforma, que sairia com preço 40% superior ao previsto por causa do conteúdo local. O custo seria de mais de US$ 1 milhão por dia.

“Não dá para pagar 40% acima do preço porque existe uma política mal desenhada, essa política é ruim”, disse Parente.

Segundo ele, a política de conteúdo local é necessária, mas não da forma atual, e sim de forma “inteligente”.

Braskem

O “comando estratégico” de saída da Braskem foi dado, mas a venda da participação da Petrobras na petroquímica depende do acordo de acionistas, disse Pedro Parente.

Segundo ele, a venda depende de uma solução que preserve a posição da participação acionária da Petrobras no controle da petroquímica.

Questionado sobre a possível venda de parques eólicos da Petrobras, Parente disse que os primeiros anos do plano serão concentrados na área de óleo e gás. “É a diretriz geral”, disse.

Sobre os terminais de regaseificação de gás natural liquefeito (GNL), Parente disse que existe hoje um contrato que permite atracar os navios em um determinado berço. “Existe uma demanda para mudar isso, mas há custos. A questão que se coloca é como esses custos serão cobertos”, disse.

Parente destacou ainda a necessidade de uma solução para o conjunto de termelétricas da companhia que não estão sendo despachadas.

“Precisamos lidar com esse assunto com as autoridades do governo, para ver como é possível encaminhar essa questão”, disse o executivo.

BNDES

Segundo Parente, a redução da participação do BNDES na carteira de dívida da Petrobras é esperada, levando em conta o tamanho que a estatal tem para o banco de desenvolvimento, “mas não há nenhuma pressão nesse sentido”, disse ele

Parente e outros executivos da Petrobras estiveram hoje na Fiesp para a apresentação do plano de negócios do período de 2017 a 2021. Segundo Parente, a estatal vai fazer a apresentação do plano de negócios no BNDES também.

“Achamos que, como principais credores, precisamos mostrar o que estamos fazendo”, disse Parente, se referindo à apresentação do plano no BNDES. Ele ressaltou ainda que um dos principais objetivos do plano é justamente a redução da alavancagem.

A meta da companhia é reduzir a alavancagem para 2,5 vezes até 2018. Segundo Parente, com isso, a Petrobras deve voltar a ter grau de investimento pelas agências de classificação de risco.

“Nossa meta é ser investment grade o mais rápido possível, mas não somos nós que decidimos. O dever de casa vamos fazer”, disse Parente.

Valor Econômico – 26/09/2016

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Inadimplência empresarial sobe 10%

O volume de empresas inadimplentes desacelerou pelo quinto mês consecutivo, mas cresceu 10,78% em agosto com relação a julho, de acordo com dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL).

O percentual corresponde às regiões Centro-Oeste, Norte, Nordeste e Sul. A Região Sudeste não foi considerada devido à Lei Estadual 15.659 que vigora no Estado de São Paulo e dificulta a negativação de pessoas físicas e jurídicas no estado.

Entre as regiões analisadas, o Nordeste foi a que apresentou a maior variação no número de empresas negativadas com um avanço anual de 13,52%. No Norte, a inadimplência de pessoas jurídicas também registrou forte aumento, com alta de 10,66%.

As regiões Centro-Oeste e Sul cresceram 9,86% e 8,17%, respectivamente.

O presidente da CNDL, Honório Pinheiro, afirma que o que influencia o crescimento mais ameno da inadimplência é a maior restrição de crédito, somado às altas taxas de juros.

“Isso acaba levando o segmento a contrair menos dívidas, adiando novos investimentos e contendo avanços da inadimplência”, explica.

“As dificuldades econômicas persistem e o cenário de desemprego elevado e de queda do faturamento das empresas continua afetando a capacidade de pagamento”, complementa o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro.

Concentração

O setor de Serviços, que engloba os bancos e financeiras, lidera a participação no total de credores com dívidas em atraso das empresas em todas as quatro regiões pesquisadas.

O segundo maior credor em todas as regiões é o setor de Comércio. Já considerando o total de dívidas em atraso, o destaque também fica no Nordeste, com um aumento de 16,58% na comparação entre agosto de 2016 e o mesmo mês do ano anterior.

Na Região Norte, o crescimento do número de dívidas de pessoas jurídicas foi de 13,68% e, com variação menor, aparecem o Centro-Oeste (11,51%) e o Sul (10,74%).

Abinee/DCI – 27/09/2016

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STJ suspende correção do FGTS

O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Benedito Gonçalves determinou a suspensão de todos os processos que discutam a substituição da Taxa Referencial (TR) como índice de correção monetária do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

De acordo com nota divulgada pelo STJ, a suspensão para processos em todo território nacional vale até que os ministros da Primeira Seção Superior julguem o Recurso Especial (1.614.874), afetado como recurso representativo da controvérsia.

“A decisão de suspender o trâmite dos processos ressalva as hipóteses de autocomposição, tutela provisória, resolução parcial do mérito e coisa julgada, conforme as circunstâncias de cada caso concreto, a critério do juízo”, ressalta a nota divulgada nesta segunda-feira (26).

Na decisão que encaminhou o Recurso Especial à Primeira Seção para julgamento sob o rito dos recursos repetitivos, o ministro Benedito Gonçalves estabeleceu prazo de 30 dias para manifestação dos órgãos e entidades interessados no julgamento, contado a partir da divulgação do despacho na página de notícias do STJ.

Conforme as informações encaminhadas até o momento pelos tribunais brasileiros e disponibilizadas na página de repetitivos do STJ, já estão suspensos pelo menos 29,5 mil processos que tratam desse assunto.

DCI – 27/09/2016

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Coluna

Chega de conto de fadas…

Antonio Delfim Netto

Na semana passada, nesta mesma coluna afirmei, sem malícia, que o brilhante Robert Lucas Jr. (Nobel de 1995) foi um heterodoxo malsucedido. Um velho e querido companheiro, classificou a afirmação como “injusta e reveladora do seu viés de relativizar o conhecimento acumulado no corpo da ciência econômica que você insiste em rebaixar a uma disciplina”. A minha defesa será o próprio Lucas.

No artigo “Hipotecas e Política Monetária”, publicado em 19 de setembro de 2007, no “The Wall Street Journal”, no momento em que se iniciava a maior crise econômica dos últimos 90 anos, ele escreveu: “Nos últimos 50 anos, gestaram-se nos EUA duas mudanças na política macroeconômica que fizeram a diferença. Uma foi no lado da oferta, com a redução das taxas marginais da tributação depois da eleição de Ronald Reagan e continuada até o presente. A outra foi a de “meta para a inflação”, que é meu nome preferido para a política monetária que olha, exclusivamente, para o controle da inflação. Como resultado dessas mudanças, o crescimento estável, o baixo desemprego e a baixa inflação – que se tinha como uma combinação impossível – foram realidade nos EUA dos últimos 20 anos”… e… concluiu: “Sou cético com relação aos argumentos que o “subprime mortgage problem” contaminará todo o mercado de hipotecas, reduzirá fortemente a construção de novas casas e que a economia derrapará para uma recessão. Se há alguma coisa que aprendemos nos últimos 20 anos (sic) é que há uma grande estabilidade construída dentro da economia real”, opiniões desmentidas pelos fatos poucas semanas depois.

Diante da tamanha miopia revelada por um dos ícones que materializam a “ciência econômica”, eu poderia, com justiça, tê-lo chamado até de um “ortodoxo malsucedido”! E diante de tal “ciência”, será exagero tentar reduzi-la a uma disciplina útil (talvez imprescindível) para a boa administração pública e privada que recepciona apenas uma parte dela? Confesso meu respeito pela “ciência” de Lucas, mas não escondo minhas dúvidas. Em recente trabalho, ele e três companheiros publicaram um artigo histórico-teórico-econométrico (“International Evidence on Long Run Money Demand”, NBER WP 22475, July 2016) em que constroem a demanda de longo prazo da moeda em 31 países, inclusive do Brasil, com informações de 1901 a 2012, o que, honestamente, não me surpreendeu!

O que me surpreende é a resistência de alguns “cientistas” em reconhecer: 1) o fato empírico relativamente robusto que no uso do instrumento fiscal: a) para estimular o nível da atividade, a redução de impostos é, provavelmente, mais eficiente do que o aumento do gasto público; b) para corrigir os desequilíbrios dos excessos fiscais, sem comprometer demais o crescimento, o corte dos gastos é, provavelmente, mais eficiente do que o aumento de impostos e que a combinação de aumento de impostos com redução de gastos provavelmente levará ao “austericídio” e, em qualquer caso; c) o corte das despesas, acompanhado por políticas microeconômicas que destravem o funcionamento da economia, é, provavelmente, mais eficiente do que qualquer aumento de impostos para minimizar a queda do nível de atividade que inevitavelmente acompanhará o reequilíbrio fiscal;

2) Que o problema da economia mundial é a falta de demanda global. Ele só poderá ser resolvido, num mundo integrado, pela coordenação das políticas econômicas de todos os países envolvidos. Está na hora de esquecer o conto de fadas que continua a dominar alguns “cientistas”: se cada país puser em prática a “melhor política” para a sua economia, a liberdade de movimento de capitais produzirá o máximo de bem-estar para cada um deles acompanhado do equilíbrio da economia mundial. Isso foi um sonho que só se materializou em brilhantes e abstratos artigos acadêmicos. É evidente que a política monetária dos EUA, executada pelo Fed, exerce uma séria influência assimétrica na dos outros países, particularmente nos em desenvolvimento. O mesmo efeito tem a política monetária da Alemanha sobre seus companheiros da zona do euro;

3) Que quando um importante parceiro internacional (EUA, União Europeia,China) reduz sua taxa de juros, há uma tendência à desvalorização da sua taxa de câmbio, o que estimula a demanda interna por dois caminhos: a) pelo estímulo ao aumento do consumo e do investimento internos; e b) pela ampliação da demanda externa de suas exportações. Mas não há garantia de que isso aumentará a demanda “global”, a não ser que o aumento da renda interna leve a um aumento das importações que seja maior do que o das exportações, o que é uma questão empírica;

4) Que as políticas dos bancos centrais (“quantitative easing”) e a manutenção de taxas de juros reais muito próximas de zero estão provocando mudanças no comportamento dos poupadores que derivam de sua preocupação com o futuro. Não estimula o investimento por falta de confiança, mas estimula o aumento defensivo da poupança, o que nos leva à estagnação geral.

É só olhar para os EUA, para a Alemanha e para a China para convencer-se que nenhum país pode abdicar de uma política monetária autônoma (ou seja, da capacidade de fixar a sua taxa de juros interna com a política fiscal adequada), mesmo que isso exija algum controle do movimento de capitais.

Valor Econômico – 27/09/2016

Redação On setembro - 27 - 2016
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