Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

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Sbado, 18 de Novembro de 2017






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Brasil e Uruguai se reúnem e buscam plano para flexibilizar Mercosul

Os países do Mercosul estão dispostos a flexibilizar o bloco de forma a permitir que cada um de seus integrantes possa fazer acordos comerciais com outras nações sem que todos os sócios tenham que participar.

Atualmente, qualquer negociação comercial com terceiros países tem que ser feita com a participação de todos os quatro sócios fundadores (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai).

Em condições normais, também o quinto sócio, a Venezuela, deve participar, mas no momento, como o país está virtualmente suspenso do bloco, não toma parte nos entendimentos.

A decisão de buscar a flexibilização foi a maior novidade anunciada após o encontro entre os presidentes Michel Temer (Brasil) e Tabaré Vázquez (Uruguai) na segunda-feira (19) em Nova York, onde ambos participaram da Assembleia Geral da ONU.

“Avançamos em estudar um processo de integração mais aberto, que permita aos integrantes buscar acordos bilaterais por fora do bloco”, informou Vázquez ao jornal uruguaio “El Observador”.

PRAGMATISMO

O encontro entre Vázquez e Temer serviu também para dar por superado o mal-estar entre os dois países causado pelo impeachment de Dilma Rousseff, que o governo uruguaio considerou “uma grande injustiça”.

Não que o Uruguai tenha mudado de opinião, mas prevaleceu o pragmatismo: “Negócios são negócios”, disse o presidente uruguaio ao “Observador”, antes mesmo de se reunir com o brasileiro.

Depois explicou melhor: “O Brasil é nosso principal comprador junto com a China. E, se nos damos mal com o Brasil, onde vamos vender o que vendemos a eles? À parte discrepâncias políticas momentâneas, temos que olhar para a frente no relacionamento com o Brasil”.

O encontro entre os dois mandatários serviu também para confirmar o que estava acertado há algum tempo sobre as negociações Mercosul/União Europeia: o Uruguai continuará coordenando os entendimentos, apesar de não ser mais o presidente de turno do bloco sul-americano.

O acordo com os europeus é prioridade para todos os países do Mercosul. Em outubro, haverá nova reunião negociadora, em Bruxelas, a primeira sob a presidência de Temer. Servirá para medir a temperatura das negociações, lançadas há 15 anos, mas que registraram poucos avanços nesse período.

VENEZUELA

Vázquez comentou também que a coalizão de que faz parte, a esquerdista Frente Ampla, acabou aceitando a solução encontrada pelos chanceleres do Mercosul de dar prazo até dezembro para que a Venezuela incorpore à sua legislação interna o conjunto de normas do conglomerado, conforme se comprometeu ao ser admitida há quatro anos.

Se não o fizer, será suspensa, o que parece inevitável, já que, na profunda crise em que vive, a Venezuela não terá condições de adotar medidas de grande alcance.

Setores da Frente Ampla se opunham ao veto à presidência de turno da Venezuela, neste segundo semestre, mas, tão pragmaticamente como Vázquez, acabaram se rendendo, ante a evidência de que não havia como o Uruguai enfrentar sozinho a resistência conjunta de Argentina, Brasil e Paraguai.

Para selar a normalização das relações bilaterais, Vázquez aceitou o convite de Temer para visitar o Brasil, o que, no entanto, só acontecerá no ano que vem.

Abinee/Folha de S.Paulo – 21/09/2016

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Opinião

516 anos de atraso

Por Pedro Ferreira e Renato Fragelli

No artigo publicado em 15 de junho neste espaço, mostramos que, embora nos últimos 70 anos o Brasil tenha progredido em termos absolutos, ao se comparar a economia brasileira atual às economias mais avançadas do planeta conclui­se que em termos relativos a economia brasileira continua tão pobre quanto nos anos 50. Analisando­se o caso exemplar da Coreia do Sul, país que rompeu o círculo vicioso da pobreza em apenas meio século, verifica­se que a sociedade brasileira ­ e, o que é pior, sua intelligentsia ­ ainda não entendeu por que o país não saiu do lugar em tão longo período.

O modelo de crescimento da Coreia baseou­se em um tripé formado por educação de qualidade, economia aberta e alta poupança. Entre 1945 e 1960, o número de escolas elementares aumentou 60% e o de estudantes nessas séries, 165%. Naqueles 15 anos, a quantidade de estudantes secundários decuplicou e o número de alunos do ensino superior passou de 7 mil em 1945 para 100 mil em 1960. As despesas educacionais saltaram de 8% dos gastos públicos em 1948 para 15% em 1960, patamar que se manteve posteriormente. Ao longo dos anos, a poupança doméstica coreana cresceu gradualmente, passando da faixa de 10% do PIB para o nível atual, próximo a 30%.

País pequeno, a Coreia não dispunha de um grande mercado consumidor potencial, tendo dirigido sua indústria para a exportação. O modelo exportador forçou a indústria coreana a perseguir o nível de produtividade das economias avançadas. O aumento da escolaridade da mão de obra favoreceu a absorção das técnicas mais modernas, o que elevou a remuneração do trabalho, induzindo à intensificação do uso de capital e à adoção tecnológica de insumos substitutos cada vez mais eficientes. A alta poupança permitiu a conciliação de inflação controlada com a prática de juros reais baixos e câmbio desvalorizado, fatores estimulantes da indústria. Como mostrou o Ideb, a educação básica é a tragédia de sempre. A máquina de gerar pobres continua em ação

Enquanto isto o Brasil, parafraseando o historiador Nathaniel Leff, continuou sendo uma máquina de gerar pobres. Quando decidiu se industrializar, a partir da década de 1950, a estratégia adotada para atrair indústrias multinacionais foi assegurar­lhes um grande mercado doméstico de um país continental insulado da concorrência de importações, bem como mão de obra barata. Diante da crônica falta de poupança, todas as tentativas de praticar juros reais baixos e câmbio desvalorizado desaguaram em inflação igualmente crônica.

Na década de 1950, em vez de priorizar a educação, o Brasil preferiu utilizar a pouca poupança disponível para construir uma nova capital com arquitetura futurista. Em 1960, o gasto público com educação atingia somente 1,7% do PIB, e parte do aumento posterior se concentrou na expansão da educação superior. Enquanto em 1960 a taxa de matrícula no secundário da Coreia do Sul era de 27%, no Brasil era de somente 11%.

Em 1990 o primeiro país já tinha universalizado esse nível de ensino, mas aqui a taxa de matrícula no secundário estava abaixo de 40%. A recente divulgação do IDEB ­ Índice de Desenvolvimento da Educação Básica ­ de 2015 mostrou que a qualidade do ensino entre os 5º e 9º anos do Ensino Fundamental, e sobretudo no Ensino Médio, continua a mesma tragédia de sempre. A máquina de gerar pobres continua funcionando.

O atraso secular brasileiro, bem como sua péssima distribuição de renda são consequências do modelo de desenvolvimento adotado. Numa economia fechada com educação restrita a uma elite, os poucos privilegiados que tiveram estudo recebem salários muitos acima do resto da população. As tentativas de estimular a industrialização com juros reais módicos e câmbio desvalorizado, num ambiente de poupança baixa, estão na raiz da inflação que agravou a má distribuição de renda.

Simulações em artigo de Pedro Ferreira, Alex Monge e Luciene Pereira, utilizando modelo bastante estilizado, encontram que a renda per capita coreana seria 50% menor se esse país houvesse adotado políticas educacionais como as brasileiras. Já o Brasil, com políticas semelhantes às coreanas, seria hoje 57% mais rico. Mas o modelo pressupõe a mesma qualidade da educação nos dois países, de modo que, se a baixa qualidade no caso brasileiro fosse considerada, essas variações da renda entre os dois países seriam ainda maiores.

Na historiografia tradicional brasileira, os economistas estruturalistas e parte dos desenvolvimentistas enfatizam fatores externos ao explicar o atraso relativo do país. Seja a exploração portuguesa ou inglesa, relações de troca desiguais com o mundo desenvolvido, ou mesmo um câmbio fora do lugar, a culpa pelo atraso sempre esteve no exterior e não no Brasil. Pouco ou nada mencionam da insuficiência na provisão de educação.

As políticas de estímulo ao desenvolvimento adotadas a partir da década de 1950, ressuscitadas como farsa a partir de 2008, buscaram isolar a economia da competição internacional, com uma série de medidas protecionistas e diferentes formas de subsídios e transferências governamentais que supostamente dariam às empresas nacionais as mesmas condições de competição que firmas internacionais teriam. Muitas vezes financiadas com poupança forçada dos trabalhadores, essas políticas eram muito mais políticas para os industriais que políticas industriais e reforçaram imensamente a desigualdade de renda e riqueza.

É surpreendente que 13 anos de governos de esquerda não tenham levado a mudanças estruturais nessas dimensões. Ou talvez não haja razão para surpresas: as alianças políticas com grupos conservadores e fisiológicos, a farra patrimonialista revelada pelo Petrolão e outros escândalos, e a utilização dos bancos públicos e fundos de pensão para pesadas transferências de renda para o grande capital apontam mais para a chegada de novos sócios do para que uma efetiva troca de guarda. O atraso permanece. Pedro Cavalcanti Ferreira e Renato Fragelli Cardoso são professores da FGV/EPGE ­ Escola Brasileira de Economia e Finanças e escrevem mensalmente às quartas­feiras.

Valor Econômico – 21/09/2016

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Trocas comerciais devem crescer só 2% este ano

A OCDE aponta o fluxo do comércio mundial “excepcionalmente fraco” como uma causa central na persistente baixa do crescimento econômico global.

O relatório “Interim Economic Outlook”, publicado hoje, contém apenas projeções do PIB. Porém, os dados de crescimento que a entidade calcula são consistentes com uma expansão do comércio de cerca de 2% em 2016, ante 2,5% no ano passado e de 6,5% na média antes da crise global de 2008.

A expansão das exportações e importações diminuiu dramaticamente. O volume do comércio caiu no primeiro trimestre, teve leve recuperação no segundo, mas a avaliação é que a expansão em 2016 deva ficar abaixo da taxa de crescimento do PIB global. No passado, o comércio crescia até três vezes mais que o PIB global.

Para a OCDE, a relação comércio mundial/PIB global prevista em 0,8 neste ano implica que a globalização, medida pela intensidade do comércio, pode ter estagnado.

“Parada cardíaca ou crise passageira?” Essa é a questão que um estudo da entidade faz sobre o desempenho do comércio mundial. As trocas subiram muito nas duas décadas que precederam a crise de 2008. Mas seu crescimento caiu pela metade desde então.

A OCDE aponta fatores estruturais e conjunturais para essa mudança. A desaceleração da liberalização do comércio após 2000 foi ofuscada pela rápida inserção da China e pela expansão das cadeias globais de valor, onde o processo de produção é fragmentado entre países e eleva o comércio, sobretudo de bens intermediários.

Após a crise de 2008, as cadeias globais de valor perderam ritmo e o comércio chinês e asiático desacelerou, dois fenômenos provavelmente ligados, segundo a OCDE. Essas mudanças estruturais foram agravadas por uma demanda fraca causada por crescimento anêmico do investimento internacional e do comércio intra-europeu.

A OCDE estima que a política comercial tem potencial para relançar o crescimento, mas diz que o ambiente político atual é pouco favorável à abertura de mercados nos países ricos. Em todo o caso, a entidade defende uma política mais voluntarista para liberalização do comércio e dos investimentos, num cenário global de reformas estruturais.

Abinee/Valor Econômico – 21/09/2016

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Comércio fraco faz a OCDE rever suas projeções de PIB

A fragilidade do comércio internacional está acentuando a queda do crescimento da economia global, avalia a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que rebaixou de novo as suas projeções para o ano.

A entidade prevê agora que a economia mundial deve crescer 2,9%, abaixo dos 3% estimados em junho, quando já tinha revisado para baixo as perspectivas para a atividade internacional. Para 2017, a expectativa é de modesta melhora para 3,2%, bem abaixo das médias históricas do Produto Interno Bruto (PIB) global.

A OCDE vê uma maior fragilidade nas economias desenvolvidas, incluindo os efeitos do Brexit (a saída britânica da União Europeia), compensadas em parte pelo desempenho “menos negativo” de grandes produtores de commodities, como o Brasil e a Rússia.

A economia global continua presa na “armadilha do baixo crescimento”, com medíocres expectativas de expansão deprimindo o comércio, os investimentos, a produtividade e os já fracos salários. Para a OCDE, esse cenário, combinado com desigualdade elevada e estagnação da renda, complica ainda mais o ambiente político, dificultando a adoção de políticas que poderiam estimular o crescimento e promover inclusão social.

A maior revisão para baixo foi feita na projeção para o Canadá, seguido pelos EUA. A estimativa é que a economia americana crescerá somente 1,4% (0,4 ponto percentual a menos que na projeção anterior), ante 2,6% no ano passado. Apesar do consumo sólido e do crescimento do emprego, os investimentos continuam fracos, refletindo parcialmente a situação no setor de energia. A demanda americana pode subir em 2017, mas ainda abaixo dos níveis históricos.

Na zona do euro, o crescimento desacelerou no segundo trimestre, com fraca demanda e freio na retomada dos investimentos. No Japão o crescimento segue frágil, em meio à valorização do iene e exportação menor para o resto da Ásia.

A expansão das economias emergentes diminuiu em comparação a anos recentes e deve se recuperar lentamente em 2017, com a atenuação da recessão no Brasil, na Rússia e em outros produtores de matérias-primas. Na China, estímulos fiscal e monetário continuam a sustentar a demanda.

A OCDE diz que o prolongado período de fraca demanda global está ampliando efeitos adversos no lado da oferta. O PIB potencial nos países ricos é estimado em 1%, representando a metade da média de antes da crise global de 2008.

O crescimento do PIB potencial caiu 1 ponto percentual tanto na China como nos demais países dos Brics – Brasil, Rússia, Índia e África do Sul. Isso reflete o fraco investimento e o menor crescimento da produtividade, que já são resultado da menor difusão de inovações entre as companhias. E isso tudo ameaça o nível de vida das populações tanto nos países ricos como nos emergentes, diz a entidade.

Além do comércio fraco, a OCDE estima que os riscos à estabilidade financeira estão aumentando com as taxas de juros excepcionalmente baixas e seus efeitos sobre o preço de ativos financeiros e imóveis. Isso eleva a chance de uma forte correção nos preços dos ativos.

A fatia de títulos de dívida soberana sendo negociados com rendimento negativo é estimado em mais de 70% em vários países da Europa e no Japão. Isso significa que cerca de US$ 14 trilhões de títulos são negociados com juro negativo, uma situação sem precedentes que cria distorções e riscos.

A OCDE observa que, em contraste com a alta de preços das ações em países desenvolvidos, o crescimento dos lucros das companhias diminuiu e as perspectivas de longo prazo para essas economias são modestas.

A entidade nota que vários emergentes, a começar por China e Brasil, acumularam enormes dívidas privadas, e continuam vulneráveis a saídas de capital.

A OCDE insiste na importância da política fiscal, de reformas estruturais e de liberalização comercial mais fortes. Nota que China, EUA, Japão e Canadá recentemente anunciaram expansão fiscal. E cobra mais “ambição pró-crescimento” por parte da UE e de outros países do G-20 (as maiores economias do mundo), para usarem o espaço fiscal deixado pelo custo baixo do dinheiro para aumentar os investimentos públicos.

Valor Econômico – 21/09/2016

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Fed só deve subir juro a partir de dezembro

O Federal Reserve (Fed, banco central americano) não deve subir hoje a meta para a taxa de juro de curto prazo, atualmente entre 0,25% e 0,5%. Pelo menos assim apostam 9 de 11 casas globais de análise consultadas pelo Valor. Mas, se o consenso indica a manutenção do juro por ora, o resultado do encontro do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) vai passar longe de trazer alguma calmaria para o mercado. Parte dos bancos pesquisados acredita na possibilidade de o Fed mudar o tom do discurso e sinalizar uma alta ainda neste ano.

Segundo os analistas do Bank of America Merryll Lynch (BofA) Michelle Meyer, Ian Gordon e Mark Cabanawe, qualquer que seja o resultado, o encontro vai causar “agitação”. Isso porque o Fed, na visão da equipe, vai adotar uma abordagem “cautelosamente ‘hawkish’ [inclinado a um aperto monetário]” no comunicado e na conferência de imprensa após o encontro. Mas soar “cautelosamente hawkish” não é “uma tarefa fácil”, afirmam os analistas.

Axel Christensen, estrategista-chefe da BlackRock para América Latina e Ibéria, também assinala a mesma preocupação. “Não há muita urgência para o Fed elevar as taxas nesta reunião, mas os comentários e o discurso de Yellen podem assumir um tom ‘hawkish’ que terá impacto sobre os mercados financeiros”, pondera.

A maioria das instituições pesquisadas avalia como janela mais provável para uma elevação de juros nos EUA o encontro do Fed em dezembro. Das 11 instituições – BNP Paribas, BofA, BlackRock, Barclays, Credit Suisse, Goldman Sachs, Jefferies, J.P. Morgan, HSBC, UBS e Morgan Stanley -, 7 apontam o último mês do ano como cenário base para nova ação de aperto monetário. Dentro do grupo, BNP e Barclays enxergam possibilidade de uma alta hoje. Já o Credit Suisse aposta em um horizonte ainda mais distante de elevação: apenas em maio de 2017. E o HSBC também aposta em uma alta somente em 2017, mas sem especificar data para a movimentação.

Laura Rosner, economista sênior do BNP Paribas em Nova York, cita a melhora no mercado de trabalho e um “ambiente mais benigno” para os riscos como principais fatores de suporte a uma eventual decisão de alta nesta quarta-feira. “Se o Fed esperar que cada coisa esteja em seu lugar certo, vai esperar para sempre e, em algum momento, terá de exercer seu julgamento e tomar uma decisão”, resume.

Já o Barclays cita uma inclinação de alta na gangorra das opiniões dos integrantes do Fomc. “Nós contamos cinco votos no comitê que dão suporte a uma ação neste mês. A decisão está mais difícil do que o mercado está precificando e continuamos a manter a visão de uma elevação de taxas agora”, considera o banco em relatório.

A posição de consenso entre as instituições, no entanto, indica que o Fed, mesmo dividido, deve optar pela cautela e segurar as taxas no patamar atual. Para os analistas, as razões para essa postura “dovish” (inclinada à manutenção das taxas) pelo Fomc vão da inflação abaixo da meta aos dados que revelam um crescimento moderado nos EUA ao longo de 2016.

O economista do UBS em Nova York, Drew Matus, classifica os relatórios recentes da economia americana como “mornos”. “Parece improvável que o Fed sinta que pode ir adiante em meio a essa fraqueza”, afirma.

A falta de unidade nos comentários dos integrantes do Fed também chama a atenção dos analistas. A ausência de uma sinalização mais clara, que prepare o mercado para um aperto monetário, é vista como um obstáculo para o banco central subir os juros agora.

Desde o encontro de Jackson Hole, vários integrantes do Fed têm feito comentários “hawkish”, como o do presidente do Fed de Boston, Eric Rosengren. Por outro lado, a diretora do conselho do Fomc Lael Brainard fez um discurso e entrevista marcadamente “dovish” no último dia antes do período de silêncio que antecede a reunião de política monetária – praticamente contradisse a sinalização dada pelo colega de Fomc.

De acordo com um relatório do Goldman Sachs assinado pelo economista-chefe da instituição, Jan Hatzius, “se uma ação [agora] fosse provável, nós normalmente veríamos um esforço para elevar as expectativas do mercado, para que uma elevação dos juros não assuste os mercados. Assim, a falta de uma sinalização é significativa, e reduz a probabilidade de uma elevação dos juros”.

James Sweeney, economista-chefe do Credit Suisse em Nova York, ecoa o argumento: “o Fed poderia justificar uma elevação dos juros se ele quisesse, mas como eles não sinalizaram que um movimento é provável, nós achamos que eles não pretendem fazê-lo”.

Ward McCarthy, economista-chefe da Jefferies, diz esperar “que o CPI cheio acelere até os 2% ao final do ano”, o que aumentaria a pressão sobre o Fed a favor de uma elevação dos juros em dezembro. No caso da reunião de novembro, analistas citam como empecilho para uma alta o fato de o encontro do Fomc ocorrer apenas uma semana antes das eleições presidenciais nos EUA.

Valor Econômico – 21/09/2016

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Argentina aprendeu com seus erros, diz o presidente Macri

O escritório de Mauricio Macri está inesperadamente bem aquecido, apesar do pé direito alto. Ultimamente, o presidente trava uma batalha para convencer os argentinos de que devem acostumar-se à ideia de que as contas de eletricidade não podem ser tão baratas quanto um cafezinho. Ele cita o tema sempre que pode e até criticou os organizadores de um evento recente enquanto as câmeras de TV estavam no ar, reclamando que “não estava frio o suficiente” e insistindo que o aquecimento estava “alguns graus” demasiado alto.

“Hoje não está tão frio. A chuva e a umidade ajudam”, diz Macri gesticulando em direção à janela de seu gabinete na Casa Rosada, o palácio presidencial argentino, que revela a melancolia de um fim de tarde chuvoso em Buenos Aires. Apesar do inverno mais rigoroso do que o usual, o presidente, de centro-direita, não se arrepende de sua iniciativa pela austeridade e enfatiza seus argumentos. “Precisamos nos comprometer a consumir o mínimo [de energia] possível”, diz, bem agasalhado, com uma blusa e paletó sobre a camisa com o colarinho aberto, na mesma linha de seu governo tecnocrático de estilo casual de negócios.

A crise energética da Argentina vem se mostrando um dos maiores desafios para Macri desde que ele assumiu o governo, em dezembro de 2015. É o cerne do emaranhado de problemas econômicos complexos que seu governo herdou após 12 anos de populismo de Cristina Kirchner e de seu falecido marido e antecessor, Néstor Kirchner. Eles mantiveram as tarifas das concessionárias públicas congeladas desde a terrível recessão que se seguiu ao colapso econômico de 2001, enquanto a inflação subiu cerca de 700%.

Os abundantes subsídios dos Kirchner empurraram as contas da Argentina profundamente no vermelho, e Macri tem plena consciência de que as regulares crises econômicas ao longo dos últimos cem anos, em última análise causadas pelo desperdício, levaram muitos governos ao fim.

“Compreendo que muitas das decisões que tomei não são fáceis para muitas pessoas”, diz o milionário de 57 anos, filho mais velho de um dos magnatas industriais de maior destaque da Argentina. Sua decisão de elevar as tarifas das concessionárias públicas em até cinco vezes foi recebida com intensa oposição: em julho, pela primeira vez desde que Macri chegou ao poder, os argentinos retomaram sua honrada tradição de ir às ruas em protesto, batendo em potes e panelas. “Se houvesse alguma alternativa a elevar as tarifas, eu a teria escolhida, mas não há”, diz.

Apesar da situação espinhosa – seu nome apareceu nos documentos vazados do caso Panamá Papers, o que apenas alimentou as críticas provenientes dos inimigos políticos – Macri mostra confiança obstinada de que a situação segue de acordo com os planos. Durante a entrevista, ele repetiu três vezes que seu governo está caminhando “na direção certa”. “Precisamos seguir pela estrada que escolhemos”, insiste.

Embora Macri se mostre notavelmente menos exuberante, ele não deixou de lado sua mensagem otimista desde que falou com o “Financial Times” no fim de seus oito anos como prefeito de Buenos Aires. Na ocasião, ele havia surpreendido ao conseguir um forte desempenho no primeiro turno das eleições presidenciais, em outubro. Foram-se os dias, no entanto, em que o os argentinos se envergonhavam ao ver Macri, fã de Freddie Mercury, aproveitar cada oportunidade possível para fazer dancinhas ridículas ao celebrar sua estreita vitória sobre o então governante partido peronista.

“Minha preocupação é fazer as coisas funcionarem. É isso que o meu povo precisa”, diz Macri, que é formado em engenharia. Sua atitude pragmática para resolver problemas foi celebrada por muitos argentinos, aliviados por ele ser o primeiro presidente civil em mais de uma geração que não é advogado. Macri, desprezado por seus críticos como um playboy esnobe, pode carecer do talento para a oratória de seus antecessores populistas, mas ele se orgulha de sua abordagem prática.

“Prometi dizer ao povo a verdade”, diz. “Não acredito em lideranças messiânicas, mas em trabalho em equipe”, acrescenta em inglês fluente. Sua habilidade linguística rompe com a recente tradição de presidentes monoglotas da Argentina. Certa vez, Cristina descreveu seu inglês como “absolutamente tarzanesco”. Como que para enfatizar suas diferenças, Macri mandou tirar do escritório da presidência os quadros da era da independência colocados por Cristina e os substituiu por arte moderna argentina.

Até agora, Macri diz que a situação vai “muito bem”, apesar de “um ponto de partida muito difícil”. “Não é tão fácil [reequilibrar] uma economia após décadas de mentiras. Eles estavam levando a Argentina ao mesmo tipo de problemas que a Venezuela está enfrentando agora”, diz Macri, referindo-se à escassez de produtos e à quase hiperinflação que estão destruindo a economia venezuelana.

Houve alguns sucessos iniciais impressionantes, que levaram o presidente dos EUA, Barack Obama, a descrever Macri em tom aprovador como um “um homem que tem pressa”, durante a sua visita a Buenos Aires neste ano, que foi por si só uma grande vitória de política externa para o novo governo. A inflação, contudo, continua teimosamente alta e a economia ainda não começou a andar. “A situação não pode mudar em apenas sete meses, mas a cada dia melhoramos um pouco mais”, diz Macri, otimista com as projeções de crescimento de 3% a 3,5% em 2017, depois de uma esperada contração este ano.

A grande aposta de Macri para reavivar a estagnada economia argentina é elevar os investimentos externos, que caíram para níveis historicamente baixos em razão da hostilidade dos Kirchner ao setor privado. Macri rebate as preocupações de que os investimentos não vêm chegando com a rapidez suficiente. Argumenta que estão aumentando de forma constante, em vez de forma brusca. Sentando-se com a coluna ereta, ele usa dois dedos para traçar duas linhas que se separam gradualmente. “Você vê? A cada dia há mais boas notícias”, diz.

Como evidência de que a Argentina é um “lugar muito atraente para investidores neste momento”, o presidente cita o êxito ao organizar a maior emissão de títulos de uma economia emergente da história, de US$ 16,5 bilhões, no tão louvado retorno do país aos mercados de capitais internacionais, depois de resolver uma disputa de dez anos com os credores. “Não há outro país no mundo com tanto potencial como a Argentina”, insiste.

O empenho em conseguir investimentos estrangeiros faz parte de um esforço mais amplo de reconexão com o resto do mundo, depois de muitos anos de isolamento com os Kirchner, quando as relações com as potências ocidentais, como os EUA e o Reino Unido, desmoronaram. “Queremos ser parte do mundo, parte do futuro, parte da solução”, diz Macri, recitando a sua ambiciosa lista de questões nas quais ele acredita que a Argentina pode contribuir, como segurança alimentar, energia, tráfico de drogas, terrorismo e, nada menos, que a paz mundial. “Temos muito a colocar à mesa.”

Macri reserva críticas especiais ao “desastre” na Venezuela. “Não entendo como as pessoas podem dizer que eles estão praticando democracia. Isso não é democracia”, diz, balançando a cabeça e rejeitando qualquer sugestão de que tenha suavizado a sua posição em relação ao governo do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, depois que assumiu o poder. Ele insistiu que brigou por um referendo para tirar Maduro, assim como pela “liberdade para os prisioneiros políticos”.

Talvez estes tenham ressonância especial para Macri, que tem uma grande fotografia de Nelson Mandela do lado de sua mesa. Ele deu a seus ministros cópias de “Knowing Mandela” (conhecendo Mandela), biografia do líder sul-africano escrita por John Carlin, para enfatizar sua abordagem conciliadora depois de mais de dez anos da política de confronto dos Kirchner. De fato, Macri foi ele próprio prisioneiro, mas de policiais criminosos que o sequestraram por duas semanas, quando tinha 32 anos.

Ele disse que a experiência de ser colocado em um caixão por dias sem fim o convenceu a entrar para a política – embora não antes de um período bem-sucedido de 12 anos, iniciado em 1995, como presidente do lendário clube de futebol argentino do Boca Juniors. Troféus dessa era também decoram o seu gabinete.

“Sempre digo que o futebol representa muito claramente o que acontece na sociedade”, diz Macri, que compara o seu cargo ao de cuidador do gramado, o responsável por assegurar que o campo está bem preparado para que os times possam jogar dentro das “regras do jogo”. Ele fica mais à vontade quando fala sobre o esporte favorito da Argentina. Assim como o país que ele herdou, ele diz que o estado do futebol da Argentina estava “uma confusão, cheio de corrupção e com um completa falta de profissionalismo”.

Ele diz, entretanto, que a Argentina vai estar “mais do que preparada” para a Copa do Mundo de 2018 – mesmo ano em que o país vai ser sede do encontro de cúpula do G-20 (o grupo que reúne as maiores economias do mundo). “Vamos ter nossa vingança sobre a Alemanha”, brinca Macri, esperando que Lionel Messi, “o melhor jogador do mundo”, faça parte da seleção que recentemente disse ter abandonado. “Eu disse a ele que ficaria muito contente, orgulhoso e honrado se ele [ficasse]”, diz Macri, com o tom reverente que também usa para falar do papa Francisco, a quem ele descreve como “o argentino mais importante”.

O telefone de Macri toca. Seu helicóptero está para pousar, para levá-lo de volta à residência presidencial, nos arborizados subúrbios de Buenos Aires, a alguns minutos de voo, rio da Prata acima, onde vive com sua terceira mulher, Juliana Awada, uma estilista de 42 anos. Fotografias dela e de sua quarta filha, Antonia, também ocupam lugares de destaque no gabinete. Há tempo para mais uma pergunta: Depois de tantos falsos amanheceres na Argentina nas últimas décadas, por que a situação deveria ser diferente desta vez?

Macri ri. “É a mesma pergunta que me fazem em Berlim, em Davos, no Vale do Silício. Realmente, acredito que finalmente aprendemos com nossos erros”, diz, inclinando-se à frente. Ele destaca que o fato de todas as leis importantes enviadas ao Congresso neste ano terem sido aprovadas por uma maioria “incrível” mostra que o partido peronista (dos Kirchner) “apoia o que estamos fazendo”. Governadores de oposição estão cooperando com o governo e viajam frequentemente ao exterior com o presidente.

“Isso mostra uma Argentina diferente. Há uma nova geração na política que quer fazer parte do século XXI.”

Valor Econômico – 21/09/2016

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Kuczynski promete uma revolução do crédito no Peru

Sete semanas depois de tomar posse, o presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, está tentando atrair investidores, promovendo como agenda econômica o crescimento do crédito, correções de ineficiências e uma redução da dependência do país do cobre.

O presidente, de 77 anos, um veterano de Wall Street, fará a sua primeira visita oficial aos EUA nesta semana. Ele promove o Peru como uma terra de oportunidades, em contraste com os vizinhos, Brasil, que sofre a pior recessão em um século, Argentina, em lenta recuperação de anos de mal-estar econômico, e Chile, que enfrenta uma recuperação cambaleante.

“Temos muito menos bagagem” do que o Brasil e a Argentina, disse Kuczynski à Bloomberg, em Nova York. “Temos uma inflação modesta, de menos de 3%, e também não temos nenhuma dívida líquida para mencionar.”

A visita de Kuczynski a Nova York, onde ele se reune com outros líderes latino-americanos, ocorre após viagem de uma semana à China. A visita, sua primeira como presidente, divergiu das viagens inaugurais de seus três predecessores, que foram à Casa Branca, e sinalizou uma orientação para a Ásia.

O presidente disse que empresas chinesas expressaram entusiasmo com a plano de um projeto ferroviário de US 2 bilhões a US 3 bilhões para a área metropolitana de Lima, e que a China começará a importar mirtilos “do tamanho de uvas” do Peru em novembro.

O ex-banqueiro tomou posse no dia 28 de julho após vencer Keiko Fujimori por cerca de 40 mil votos num segundo turno muito tenso. A confiança das empresas disparou, e os títulos públicos dispararam depois que Kuczynski expôs planos para recalibrar a economia, atraindo investimentos estrangeiros, acelerando projetos de infraestrutura e cortando impostos.

O Peru tentará refinanciar até US$ 6 bilhões de seus US$ 45 bilhões em dívidas, depois de os juros da sua dívida em dólar terem caído para o valor mais baixo em quase quatro anos neste mês.

Fujimori não fala com ele desde a eleição, mas o partido dela, que controla o Congresso, tem sido cooperativo por enquanto. Kucyznski espera obter poderes legislativos nos próximos 30 dias para governar por decreto por 120 dias, a fim de acelerar a implementação de seu programa econômico. Ele recrutou um aliado de Fujimori para reformar a agência fiscal.

Essa batalha está longe de acabar. Ausente na delegação de Kuczynski em Nova York nesta semana, o ministro das Finanças, Alfredo Thorne, ficou em Lima para revisar o orçamento nacional, enquanto outros membros do Gabinete continuam negociando para obter os poderes legislativos.

O presidente disse que, embora o mercado do cobre esteja próximo do fundo, os preços vão demorar para se recuperar. Ele planeja baixar o imposto sobre as vendas da taxa atual de 18%, diminuir os impostos sobre os lucros para as pequenas empresas peruanas e dobrar o crédito doméstico para mais de 60% do PIB daqui a quatro anos.

“Haverá uma revolução do crédito no Peru”, disse Kuczynski.

Valor Econômico – 21/09/2016

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Excesso de obras na China pode levar à crise financeira

Mesmo os críticos mais severos do autoritarismo geralmente concordam que, quando se trata de infraestrutura, a China está bem à frente das democracias ricas.

Os Estados Unidos praticamente desistiram. A cada quatro anos, a Sociedade Americana de Engenheiros Civis avalia as condições das escolas do país afetadas por menos recursos, dos principais aeroportos cronicamente congestionados, das estradas esburacadas e dos decrépitos sistemas de transporte e dá uma nota. A mais recente, de 2013, foi D+.

Enquanto isso, a China não para de construir. Depois da conclusão recente do sexto anel viário em torno de Pequim, as obras do sétimo já começaram, cobrindo distâncias de até 160 quilômetros em alguns lugares. As obras são parte do plano de unir a capital com as cidades ao redor e criar uma “supercidade” de 130 milhões de pessoas, ligeiramente maior que a população do Japão. A rede nacional de trem de alta velocidade, que até dez anos atrás simplesmente não existia, agora é mais extensa que a da União Europeia – e continua crescendo rapidamente. Novas represas, pontes, túneis e linhas de metrô fazem parte da rotina dos planejadores do governo.

Mas qual o custo de tudo isso? Um relatório de quatro acadêmicos da Escola de Administração Saïd, da Universidade de Oxford, causou sensação ao argumentar que os projetos que os observadores externos frequentemente exaltam como uma mostra da força do sistema chinês tem levado, na verdade, a um desperdício monumental. Eles dizem que essas construções produziram estouros de orçamento equivalentes a quase 35% da dívida de US$ 28,2 trilhões registrada pela China em 2014. E a menos que o país pise no freio, ele está “fadado a uma crise financeira e econômica nacional” provocada por gastos com infraestrutura, o que teria ramificações globais.

Examinando dados de 95 projetos de estradas e rodovias, os autores dizem que os estouros de orçamento normalmente são os mesmos que nas democracias. E embora a China lidere com folga no quesito velocidade dos projetos, isso é alcançado em detrimento da qualidade, da segurança e do meio ambiente.

A maioria das rotas concluídas dá vazão a um tráfego insignificante, enquanto algumas estão saturadas. De qualquer forma, o resultado é extremamente ineficiente.

Se esses exemplos forem representativos do país, eles não apenas sugerem uma bolha financeira, mas também desafiam a crença tradicional de que quanto mais obras, menor o custo para empresas e famílias e maior o crescimento econômico. No caso da China, a infraestrutura poderia ser uma estrada para a ruína.

Poucos duvidam que o endividamento se tornou o calcanhar de Aquiles da economia chinesa, num momento em que o governo investe freneticamente em construções para impulsionar o crescimento a qualquer custo, ainda que esteja procurando redirecionar a economia para os serviços e o consumo. A consultoria McKinsey calcula que, entre 2000 e 2014, a China elevou sua dívida em US$ 26,1 trilhões, um valor maior que os PIBs dos EUA, Japão e Alemanha somados.

E a dívida está concentrada nas empresas estatais, responsáveis por grande parte da infraestrutura do país. A China Railway Corp, por exemplo, que opera a rede ferroviária nacional, acumula quase o dobro da dívida da Grécia. Ainda assim, a China orçou mais US$ 120 bilhões para a construção de novas ferrovias neste ano.

Os líderes chineses estão bem cientes desses perigos. “As árvores não podem atingir o céu. Alta alavancagem vai inevitavelmente criar alto risco”, teria dito “uma pessoa autorizada” (designação comumente usada para o presidente Xi Jinping) no início do ano, segundo o “Diário do Povo”, jornal oficial do governo.

Alguns céticos divergem das conclusões do estudo da Universidade de Oxford. Andrew Batson, diretor da firma de pesquisas Gavekal Dragonomics para a China, escreveu em seu blog que o estudo faz “grandes macroalegações sobre a China baseadas em microdados equivocados”. A saber: ele mostra que a China peca na realização de projetos individuais de infraestrutura como todo mundo, mas não demonstra que o faz em escala suficiente para criar o risco de uma crise financeira.

Barry Naughton, professor de economia da China na Universidade da Califórnia em San Diego, disse anteriormente que uma vantagem do modelo chinês é que ele constrói infraestrutura antes da demanda, em vez de esperar os gargalos surgirem, como a Índia. Perguntado sobre o estudo de Oxford, ele respondeu: “Construir infraestrutura de baixo retorno não é a coisa mais desastrosa” que uma economia pode fazer.

Ainda assim, há um consenso generalizado de que, nos últimos anos, os investimentos em infraestrutura fugiram ao controle. Os governos locais ficaram sem projetos que valessem a pena e começaram a investir em frivolidades, enquanto as empresas estão inventando. A província de Hunan construiu uma ponte de vidro entre penhascos elevados para atrair turistas em busca de aventuras, a um custo de US$ 3,4 milhões. Uma empresa de Changsha levantou um edifício de 57 andares em 19 dias.

Nos EUA, os candidatos à presidência, Hillary Clinton e Donald Trump, prometeram investir mais em infraestrutura para promover o crescimento, embora não esteja claro como eles resolveriam o impasse político que impede a captação e gasto de recursos.

O que está realmente claro é que, no setor de infraestrutura, a China tem muito e os EUA e outras democracias ocidentais não possuem o suficiente. Os dois extremos ameaçam o crescimento de longo prazo, o bem-estar humano e a estabilidade financeira.

Abinee/Valor Econômico – 21/09/2016

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Barack Obama pede ‘correção de rumo’ da globalização

O presidente dos EUA, Barack Obama, pediu uma “correção de rumo” da globalização, de modo a evitar que as nações se tornem mais divididas. Em discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), o último como presidente dos EUA, ele admitiu que a entidade e outros poderes mundiais têm capacidade limitada para resolver desafios mais profundos do mundo e reforçou que o conflito no Oriente Médio “não será facilmente revertido”. “Sabemos que nenhum poder externo será capaz de forçar comunidades de diferentes religiões e grupos étnicos a coexistirem por muito tempo”, afirmou Obama. “Até que as questões sobre como comunidades coexistem sejam respondidas, as brasas do extremismo continuarão queimando. Incontáveis seres humanos sofrerão”, disse, numa referência pouco sutil ao candidato republicano à presidência dos EUA, Donald Trump. Obama disse que “o mundo é muito pequeno para nós simplesmente construirmos um muro e evitarmos que o extremismo afete nossas próprias sociedades”. Ao fazer um diagnóstico sobre as “doenças” do mundo, Obama não deixou de criticar a Rússia. “Num mundo que deixou a era dos impérios para trás, nós vemos a Rússia tentando recuperar uma glória perdida à força”, afirmou.

DCI – 21/09/2016

Redação On setembro - 21 - 2016
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