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Sbado, 23 de Setembro de 2017






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Prevent quer ser conhecida por ter enfrentado a Volkswagen

Por Marli Olmos

São raras as histórias de fabricantes de peças que enfrentam as montadoras em negociações de ajustes de preços a ponto de suspender a entrega de itens essenciais. Ainda mais quando o cliente é uma multinacional do porte da Volkswagen. Praticamente desconhecido no Brasil até março de 2015, o grupo Prevent ganhou fama como a empresa responsável por uma série de paralisações, durante meses, nas três fábricas de carros e uma de motores que a Volks tem no Brasil. Para a montadora alemã, o episódio (que foi parar na Justiça) chegou a um final feliz com a suspensão dos contratos com a Prevent, acordo com novos fornecedores e a volta dos empregados ao trabalho a partir de amanhã. O grupo Prevent perdeu o cliente que garantia 85% da receita e assumiu milionária dívida trabalhista. Mas acredita que sua história rompeu a rotina de relações de forças na indústria automobilística.

Muito pouco se sabia até agora sobre quem está no comando do grupo Prevent. O presidente da operação brasileira, Marino Mantovani, que passou pelo episódio praticamente incógnito, tem perfil parecido com o de tantos outros que dedicaram boa parte da vida à indústria automotiva. Advogado de formação com experiência na área de recursos humanos, passou por empresas tradicionais, como a Carborundum, de discos abrasivos de corte, e VDO, antiga fabricante de painéis de veículos.

Há três anos, Mantovani aproximou­se da Prevent, grupo com 51 empresas espalhadas em 13 países e que, além das autopeças, atua nas áreas de construção naval, serviços e vestuário de segurança. Com sede na cidade alemã de Wolsfburg, também sede da Volks, o grupo foi fundado pelo bósnio Nijaz Hastor, que deixou seu país após a guerra e hoje dirige a companhia junto com seus dois filhos.

Aos poucos, a Prevent comprou várias fornecedoras de componentes no Brasil, que atendiam sobretudo a Volks. A fabricante de estruturas de bancos TWB foi a primeira, em 2012. Outra de tecidos foi, depois, agregada, o que abriu caminho para o grupo ser fornecedor exclusivo de conjuntos completos, com seis empresas no país.

Com o pretexto de assistir à estreia da Bósnia na Copa do Mundo, os acionistas do grupo visitaram o Brasil em 2014. Saíram decepcionados com a derrota para a Argentina, mas entusiasmados com o potencial do país, que fechou aquele ano com a produção de 3,1 milhões de veículos, 30% mais do que o esperado para 2016.

A inesperada e brusca queda nas vendas internas embaralhou as negociações das montadoras com fornecedores. Nas conversas com a Volks, a Prevent, diz Mantovani, insistia num reajuste de 25% a 30% para repassar custos, sobretudo com aço. O impasse nas negociações levou à interrupção no fornecimento dos bancos, sob o guarda­chuva da empresa Keiper, e de peças de carroceria estampadas, fornecidas pela Fameq. “Decidimos ser mais radicais”, diz Mantovani. Para ele, a Volks “teria a intenção” de trocar o fornecedor e, por isso, endureceu nas negociações, ao mesmo tempo em que teria aproveitado a situação para adequar o ritmo de produção à queda de demanda. “Usaram nossa empresa como bode expiatório para ajustar o inventário”, diz.

Mas as paralisações provocadas pela suspensão no fornecimento dos componentes estão longe de representar algo conveniente, segundo a direção da Volks. Ao ser questionado se parar a produção teria sido algo positivo, David Powels, presidente da Volkswagen no Brasil e América Latina, fez ontem um forte movimento negativo com a cabeça. Sem querer entrar em detalhes em torno do caso Prevent, Powels disse apenas que esse foi um problema que se estendeu por um longo tempo e que trouxe prejuízos para a montadora e também para a cadeia de fornecedores e rede de concessionários.

Powels apontou a falta de vários modelos da marca no mercado, o que, segundo ele, será com pensado com aumento da produção em outubro e novembro. Para o executivo, a cadeia de fornecedores é “um dos maiores problemas no Brasil”.

Com uso de liminares, a Volks recuperou equipamentos que estavam em poder da Prevent e já fechou acordo com novos fornecedores. Por meio de um comunicado, há poucos dias a direção da Volks destacou que “rescindir contratos e recorrer à Justiça para reaver ferramentais de sua propriedade foi a última alternativa, após o descumprimento de 11 acordos comerciais estabelecidos com o grupo Prevent desde março de 2015, quando tiveram início as interrupções de fornecimento que geraram a perda de produção de cerca 150 mil veículos em mais de 160 dias de paralisação nas fábricas da empresa”.

A briga agora gira em torno dos estoques de componentes que estão nas fábricas da Prevent e seus fornecedores. Mantovani diz que passa para a Volks se a montadora pagar o reajuste pedido. Na segunda­feira a Volks publicou anúncio na imprensa por meio do qual declarou interesse em comprar peças estampadas e conjuntos para bancos e armação de carrocerias de empresas que forneciam para a Prevent.

O estoque também é a esperança dos 724 demitidos na Prevent. O dinheiro obtido com a venda dessas peças poderia gerar recursos para a empresa honrar as dívidas trabalhistas. Maria Cristina Kettner, esposa de um dos demitidos pela Prevent, pediu “misericórdia” em carta encaminhada ao Valor. Com dez anos de trabalho na fábrica da Keiper em Mauá, onde era operador de máquinas, o marido não obteve ainda a rescisão de contrato. “Estamos sem acesso ao FGTS e ao seguro­desemprego”, diz Cristina, que também perdeu o emprego em outra empresa.

Mantovani diz que o grupo não tem como bancar a dívida trabalhista, que passa dos R$ 30 milhões. Segundo ele, a empresa vai recorrer à Justiça para receber indenização da Volks por quebra de contrato. Ao mesmo tempo, a Prevent pretende procurar outras montadoras para tentar se reerguer. O que ainda resta da atividade do grupo é para atender contratos menores da Toyota, Fiat e Mitsubishi. Antes do rompimento com a Volks, diz o executivo, a expectativa era chegar este ano a um faturamento R$ 450 milhões. Agora não espera mais do que R$ 170 milhões. “Num primeiro momento, nossa imagem está negativa, mas depois isso vai mudar porque vamos ficar conhecidos como a única empresa que rejeitou o que todo o mundo já conhece”.

Valor Econômico – 14/09/2016

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Volkswagen vai acelerar produção para repor estoque após férias coletivas

O presidente da Volkswagen no País, David Powels, informou nesta terça-feira, 13, que a montadora vai acelerar a produção para um ritmo mensal superior a 50 mil carros entre outubro e novembro para repor os estoques consumidos durante a paralisação nas fábricas do grupo.

Antes de desligar as máquinas por falta de peças, a terceira montadora em vendas no Brasil vinha produzindo uma média de 35 mil automóveis por mês em suas três fábricas. Em virtude da paralisação, anunciada após a Volks rescindir o contrato com um grupo de fornecedores com quem trava uma disputa comercial, Powels disse que a marca perdeu mercado porque ficou sem alguns modelos a oferecer aos consumidores. Segundo o executivo, a montadora está sem estoque suficiente para abastecer a rede de concessionárias, uma situação que pretende solucionar com o aumento na velocidade da produção nos próximos dois meses.

Depois de cerca de um mês em férias coletivas, as fábricas da Volkswagen voltarão gradualmente a produzir em uma ou duas semanas, adiantou o executivo sul-africano. Em Taubaté (SP) e em São José dos Pinhais (PR), assim como na unidade que produz motores em São Carlos (SP), os funcionários voltam ao trabalho na quinta-feira. Já na fábrica de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, o retorno do pessoal está marcado para a próxima terça-feira.

Após participar de fórum realizado na capital paulista pela revista Quatro Rodas, Powels informou que a montadora está resolvendo o problema no fornecimento de peças, com a substituição do grupo que teve o contrato encerrado por fornecedores nacionais. “Nós tivemos durante os últimos vinte meses muitos problemas com um grupo de fornecedores. Agora, estamos resolvendo. Não quero falar mais sobre esse assunto, mas foi um problema durante um longo período”, disse o executivo.

Fonte: Isto É

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Fabricante de ônibus Comil pede recuperação judicial

Por Marli Olmos

SÃO PAULO ­ A fabricante de ônibus Comil anunciou nesta terça­feira que entrou com pedido de recuperação judicial. Em comunicado, a empresa informou ter apresentado o pedido ontem à Justiça do Estado do Rio Grande do Sul e destacou a situação econômica brasileira, que levou a uma queda de 60% na demanda por veículos nos últimos três anos.

“A crise econômico­financeira que avassala as empresas brasileiras, especialmente o setor industrial automobilístico, trouxe dificuldades sem precedentes em nossa indústria”, destaca o texto.

No início do ano, a fábrica em Lorena (SP), que produzia ônibus urbanos, foi fechada por tempo indeterminado e, no início do mês, a empresa demitiu 850 funcionários na unidade de Erechim (RS).

“Essa crítica situação nos impeliu a tomar medidas duras e traumáticas, como o encerramento das atividades industriais da unidade em Lorena e demissões de número expressivo de trabalhadores na planta de Erechim, o que fizemos com enorme tristeza”, afirma a empresa na nota.

Valor  Econômico – 14/09/2016

Redação On setembro - 14 - 2016
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