Sindicato Nacional da Indústria de
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Sbado, 18 de Novembro de 2017






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IPC­ Fipe desacelera para 0,05% no início de setembro

Por Valor

SÃO PAULO ­ A inflação na cidade de São Paulo, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC), desacelerou na primeira quadrissemana de setembro para 0,05%, mostrou a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). O indicador encerrou o mês de agosto com alta de 0,11%.

Entre os grupos que contribuíram para a desaceleração do IPC­Fipe entre o fim de agosto e o início de setembro, estão Alimentação, que passou de 0,74% para 0,55% de alta, e Despesas pessoais, que saíram de elevação de 0,05% para queda de 0,19%. Também deram certo alívio ao índice as despesas com Saúde, que foram de aumento de 1,41% para 0,69%, e Educação, que foi de baixa de 0,05% para recuo de 0,12%.

Em contrapartida, Vestuário subiu mais entre uma medição e outra, de 0,21% para 0,36%. Transportes deixaram decréscimo de 0,02% para zero e Habitação foi de recuo de 0,57% para queda de 0,40%.

Valor Econômico – 13/09/2016

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Coluna

Bresser ­Pereira:

Regra fiscal prevista pela PEC do gasto é ‘absurda’

Por Luciano Máximo e Sergio Lamucci

SÃO PAULO ­ Luiz Carlos Bresser­Pereira, ex­ministro do governo Fernando Henrique Cardoso (FHC) e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), criticou duramente as tentativas de reforma trabalhista e aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que limita o crescimento do gasto público pelo governo Michel Temer.

Durante apresentação no 13º Fórum de Economia da Escola de Economia de São Paulo da FGV (EESP­FGV), o economista ponderou que o Brasil precisa de um melhor regramento no campo fiscal, “mas o que está sendo proposto é a redução do tamanho do Estado, com redução do custo de saúde e educação, com o objetivo de reduzir o Estado de bem­estar social”. Além disso, ele acredita que as reformas de Temer devem prosperar parcialmente por causa de pressões políticas “violentas” da direita e da esquerda.

Segundo Bresser­Pereira, a regra fiscal prevista pela PEC do gasto, que estabelece um limite de crescimento das despesas públicas indexada à inflação do ano anterior, é absurda. “[O correto seria] Estabelecermos uma porcentagem da despesa pública total sobre o PIB, e não pode ser mais que isso. A política proposta [por Temer], na forma que está sendo proposta, não vai acontecer porque vai muito contra valores da sociedade brasileira e avanços conquistados”, acrescentou Bresser­Pereira, que negou que o país passe por uma crise fiscal estrutural, com exceção do rombo previdenciário. “Sou favorável a mexer na previdência, mas [no caso de um ajuste fiscal completo] feitas correções necessárias aqui e ali, a economia volta a crescer mantendo o bem­estar social e se garantindo os direitos trabalhistas razoavelmente.”

O economista argumentou ainda que, por causa de “violenta pressão da esquerda e da direita”, o governo Temer “vai conseguir pouco em termos de reformas.” Caso o cenário traçado por ele se concretize, a previsão é de que o atual governo empurrará os problemas da economia brasileira com a barriga até o fim do mandato em 2018. “Até lá a economia estará recuperada, com ajuda da taxa de câmbio mais apreciada e salários mais baixos [favorecendo a indústria], sairá da recessão mas continuará estagnada como está desde 1981”, afirmou Bresser­Pereira.

Juros e câmbio

Promover o ajuste das contas públicas é importante, mas não vai tirar o Brasil da semiestagnação em que o país se encontra desde 1981, disse o ex­ministro. “O problema fundamental são os juros e o câmbio”, afirmou ele, para quem colocar esses dois preços no lugar certo é fundamental para o Brasil avançar a taxas mais robustas de modo sustentado.

“Sou absolutamente a favor do ajuste fiscal”, afirmou Bresser. “O que Dilma fez nos últimos dois anos [de seu primeiro mandato] foi uma loucura completa.”

Resolver a situação das contas públicas, porém, não vai tirar o país do quadro de semiestagnação, segundo ele. Para Bresser, o Brasil teve um quadro fiscal “razoavelmente sob controle” entre 1999 e 2012. “Não há nenhum motivo para que o problema fundamental seja o fiscal.”

Em parte da década passada, o Brasil teve um período de crescimento mais forte que Bresser atribui à alta dos preços de commodities. O país, porém, não conseguiu escapar do quadro de baixo crescimento que prevalece desde o começo dos anos 1980, avalia Bresser.

Na visão do economista, o Brasil sofre com a tendência “cíclica e crônica de sobreapreciação da taxa de câmbio”, problema que acomete países emergentes que são grandes exportadores de commodities. Bresser insistiu que, para ele, o Brasil sofre de uma doença holandesa mais leve, não tão aguda como em países como Venezuela e Arábia Saudita. De qualquer modo, a economia brasileira é caracterizada pelo fenômeno no qual a alta dos preços de commodities valoriza o câmbio, afetando a competitividade da indústria, segundo ele.

Para completar o quadro, o Brasil passou a insistir na política de crescimento com poupança externa, o que implica buscar déficits em conta corrente, de acordo com Bresser. A ideia dos defensores de tal linha é que esse rombo externo se transforme em investimento, disse ele, avaliando, porém, que o que ocorre de fato é o déficit financiar o consumo. Nesse cenário, o país passa a usar a política de âncora cambial para controlar a inflação e alta taxa de juros, para atrair capital externo. “Isso serve aos rentistas e aos financistas”, afirmou Bresser. “Quando o país decide ter juros altos, usar o câmbio com toda a desfaçatez para segurar a inflação e acreditar que se pode crescer com déficit em conta corrente, você vai ter o que tem no Brasil.”

O câmbio valorizado por longos períodos desestimula o investimento privado, “o que keynesianamente determina uma poupança privada menor”, de acordo com Bresser. Em sua apresentação, o economista destacou ainda outro problema que prejudica a capacidade de crescimento do país — o Estado deixou de ter poupança. Ele estimou que, nos anos 1970, a poupança pública ficava em torno de 2% do PIB. A partir da década seguinte, ela ficou negativa, disse Bresser. “Isso afetou a capacidade do Estado de investir.”

Para Bresser, o fundamental é corrigir o nível dos juros e do câmbio. Sem isso, o Brasil vai experimentar outra semiestagnação nos próximos 20 anos, disse ele.

Valor Econômico – 13/09/2016

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O Brasil não pode “ficar como está”

Valor Econômico – Yoshiaki Nakano – 13/09/2016

Parece que tudo está caminhando no Brasil para uma recuperação econômica. O “fundo do poço” já teria ficado para trás e alguns economistas chegam até a projetar um crescimento do PIB no próximo ano em 2%.

Depois da queda nos termos de troca, o crescimento da economia brasileira sofreu uma forte desaceleração já em 2013. A reação infantil do governo, ao diagnosticar a desaceleração como um problema simples de insuficiência de demanda agregada, e sua insistência numa política fiscal expansionista (combinada com uma mortal politica monetária de taxa de juros elevada) para promover o crescimento, gerou uma profunda crise de confiança, contração nos investimentos produtivos e do PIB, a partir de 2014.

A ascensão de Michel Temer à Presidência, com a nova equipe econômica prometendo promover reformas institucionais, trouxe uma recuperação da confiança e, neste primeiro semestre, a economia brasileira teria atingido seu pior nível.

Numa economia em condições normais, depois de dois anos de recessão, a recuperação cíclica deveria ser natural e forte. A previsão de 2% de crescimento do PIB seria uma previsão pessimista. Se fizermos um retrospecto histórico da economia brasileira desde 1900 esta previsão é ainda um desastre.

Contudo, nas atuais condições em que se encontra a economia brasileira, um crescimento de 2%, em 2017 é uma previsão bastante otimista. As promessas de reformas institucionais ainda não foram cumpridas. As decisões fiscais tomadas até agora, particularmente os reajustes salariais de segmentos do funcionalismo público, começam a minar a confiança conquistada. O fato é que não vimos ainda mudanças na política macroeconômica de curto prazo, nem no longo prazo.

A leitura que começa a ser feita é que o governo não tem sentido de urgência e nem a percepção da gravidade da situação fiscal que vivemos.

Alguns dados serão suficientes para percebermos a gravidade das condições econômicas em que vivemos. Tomemos aquilo que salta aos olhos: a aberrante taxa de juros que drena recursos tanto do setor privado como público e agrava a situação fiscal como uma bola de neve.

Primeiro fato notável é que a sociedade brasileira tem um dispêndio com pagamento de juros totalmente fora do padrão internacional. Uma pesquisa do professor Nelson Marconi, da FGV/EESP, utilizando os dados das contas nacionais, aponta que os pagamentos de juros do setor público e privado atingem a espetacular cifra de 40% do PIB, em 2011. Como pode crescer em uma economia sufocada pelo segmento financeiro, que apropria 40% do PIB? Não é por acaso que o custo médio do capital de empresas não-financeiras no Brasil seja mais de duas vezes o retorno do capital produtivo investido!

Estes gastos com juros, considerando apenas o setor público, na média de 1997 a 2014, atingiram 6,1% do PIB, comparado a uma média de países desenvolvidos de 1,98% do PIB e média dos emergentes, excluído o Brasil, de 2,44% do PIB, segundo dados apresentados pela DEPEC-Bradesco. Estes mesmos gastos em 2015 atingiram 8,5% do PIB.

Se as reformas institucionais prometidas pelo governo não forem implementadas, estes dados crescerão explosivamente. Segundo projeções do Departamento de Competitividade e Tecnologia da FIESP, se “tudo ficar como está”, isto é, se mantivermos a dinâmica dos gastos públicos, sem mudanças nas vinculações e indexações e a mesma tendência de aumento na carga tributária, com sucessivos déficits públicos, a dívida pública chegará, em 2025, a 167,4% do PIB, com carga tributária de 44,5% do PIB.

É evidente que a taxa de investimento declinaria ainda mais e a economia brasileira não cresceria. Neste quadro, a taxa de desemprego cresceria para 17% e a situação social e política se tornará insustentável.

O mais alarmante neste quadro é que a elite que está no poder parece que não percebeu muito a gravidade da situação fiscal e a necessidade urgente de reformas. Por outro lado, a oposição a esta elite, a esquerda liderada pelo PT, continua numa fé religiosa de que a expansão dos gastos públicos é solução para a estagnação, incitando as massas a reivindicar mais e mais, como se fosse possível apropriar mais do que 100% do PIB.

O modelo atual de política macroeconômica, de taxa de juros elevada, taxa de câmbio apreciada e política fiscal expansionista se esgotou. A reforma fiscal será mãe das demais reformas necessárias. Feita esta reforma, a taxa de juros poderá cair no Brasil, equalizando-o com os demais países e a taxa de câmbio poderá ser mais estável e competitiva. Só aí teremos crescimento.

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Coluna

Por que caíram os juros reais do mundo?

Valor Econômico – Antonio Delfim Netto – 13/09/2016
O esclarecimento das origens da crise que vivemos levará muitos anos e ainda fará a alegria e o nome de competentes acadêmicos que a ele se dedicarão. Há sérias dúvidas que esses trabalhos produzirão um consenso dentro da profissão. Exatamente o mesmo acontece com a crise dos anos 30 do século passado. Depois de quase 90 anos, sua causa continua sendo alvo de controvérsias e, às vezes, de grandes surpresas.

A crise de 2008 foi precedida de uma diminuição da volatilidade da atividade observada em muitos países desenvolvidos, especialmente nos EUA, característica que recebeu o nome de “a grande moderação”. A redução da volatilidade do PIB e da taxa de inflação “pareciam” ter sido produzidos pelo mix de política econômica sugerido pelos avanços da ciência econômica.

Ela caiu como uma bomba sobre a atividade da economia real que até hoje não se recuperou plenamente. O comportamento dos bancos centrais revelou a sua única preocupação de salvar o setor financeiro. Exatamente o setor que – pelo mandato que têm de manter hígido o sistema de pagamentos – deveria ter controlado para que não abusassem do excesso de alavancagem que enriqueceu seus dirigentes a ponto de influenciar a distribuição de renda dos EUA.

Ninguém sabe se a “grande moderação” foi produto de mudança da estrutura produtiva, de uma melhoria da política econômica informada pelo aperfeiçoamento da “teoria”, ou pura “arte”. Na minha opinião a “sorte” exerceu, em qualquer caso, um papel importante! A recuperação nos países desenvolvidos continua muito lenta e titubeante: entre 2000 e 2007, a economia mundial cresceu à taxa média anual de 4,8%; entre 2007 e 2009 (a crise), regrediu à taxa média de -0,2%. Entre 2014 e 2016 (sete anos depois de “sair” da crise) a taxa média será de apenas 1,7%, sem nenhuma projeção brilhante para 2017.

Talvez o fenômeno mais intrigante do quadro atual é o comportamento da taxa de juros real mundial de curto e longo prazos, que apresentam tendência ligeiramente declinante desde os anos 80 do século passado e forte declínio a partir de 2000, como se vê no gráfico 1 abaixo, acompanhando a tendência da taxa de crescimento do PIB mundial. Pesquisas empíricas mostram que a inclinação da curva de Phillips tem o mesmo comportamento: cai rapidamente a partir de 1985 e depois se estabiliza (NBER, W.P. 21726, nov. 2015, Blanchard, O. – Cerutti, E. – Summers, L. “Inflation and Activity”).

A queda da taxa de juro real de cerca de 4,5 p.p. (de 5% nos anos 80 para alguma coisa parecida com 0,5% hoje) não é fenômeno trivial. Foi saudado inicialmente – sem ser explicado – como resultado da política econômica da “grande moderação”. Não pode, também, ser atribuído apenas a um excesso de poupança que infeccionou as economias dos países desenvolvidos. Mesmo nas economias emergentes (com a óbvia e triste exceção do Brasil), a taxa de juro real vem caindo desde 2005, tendo revelado um pequeno crescimento nos últimos 3 ou 4 anos.

É claro que, no nível mundial (o mesmo que ocorre nas economias dos países), a poupança “expost” (S) é sempre igual ao investimento (I) e com relação ao PIB (Y), sempre teremos S/Y= I/Y, qualquer que seja o nível de equilíbrio do PIB. Quando a propensão a poupar é maior do que a vontade de investir, o PIB cai para igualar S/Y com I/Y, e vice-versa. A variável de ajuste é o nível do PIB. Ora, um dos fatos empíricos mais intrigantes é que S/Y = I/Y tem sido aproximadamente constante no mundo (qualquer coisa como 23% a 25%) desde os anos 80 do século passado (IMF, WEO abril/2016).

Compreender com nossos pobres modelos neoclássicos esse fato exige que aceitemos que houve mudança tanto na formação da poupança quanto na propensão a investir, como se vê no gráfico esquemático nº 2. É preciso explicar por que deslocaram-se para baixo a curva de poupança e a de investimento.

Quando se explora essas causas, chega-se à conclusão que talvez a probabilidade de substancial aumento das taxas de juros reais (devido a problemas demográficos, aumento das desigualdades, redução dos investimentos públicos, queda do crescimento do PIB etc.) esteja num horizonte longínquo. Para o Brasil – se organizar suas finanças – pode ser um momento de boas oportunidades para nossos projetos de infraestrutura. Quem tiver curiosidade não deve perder Rachel, R. – Smith, T.D. – “Secular drivers of the global real interest rate”, Bank of England, Staff Paper nº 571, 2015.

Redação On setembro - 13 - 2016
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