Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

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Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017






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Coluna

Desvalorização cambial e os limites da política econômica

Por Rodrigo Zeidan

A recente valorização do real levou vários economistas a alertarem para o perigo da volta da doença holandesa. A valorização cambial por longos períodos realoca recursos de empresas exportadoras para importadoras e consumidores em geral, e esse movimento pode dificultar a retomada do crescimento industrial.

Nos últimos meses, o Banco Central têm intervindo no mercado cambial para tentar frear a volatilidade cambial e manter o câmbio em um patamar adequado à nova realidade brasileira, na qual um câmbio desvalorizado poderia contribuir para uma retomada de atividade econômica via exportações.

A não ser que o país se disponha a instituir controle de capitais, o risco de persistente valorização do real existe.

Muitas vezes usamos a China como exemplo de país bem­sucedido em manter uma política de câmbio desvalorizado que gerou significativo crescimento econômico sem os custos sociais de elevada inflação. Infelizmente, o exemplo chinês é enganador, por vários motivos. Primeiro, correlação não é causalidade. O fato de que a China ainda possui, atualmente, um sistema de câmbio fixo e barato e cresce a uma taxa invejável não significa que o crescimento vem primordialmente do câmbio depreciado. São muitas as diferenças entre o modelo de desenvolvimento chinês e o de outros países emergentes, incluindo­se o brasileiro, e resumir a lição chinesa a ser copiada a uma variável é temerário e arriscado.

Uma diferença, em particular, torna o modelo chinês completamente intransponível para a realidade brasileira: na China, há controle de capitais.

Sabemos há tempos que os países estão sujeitos a um trilema, ou seja, uma restrição que permite uma escolha limitada de políticas econômicas, entre três opções. Em um dilema decidimos entre dois caminhos possíveis. No trilema de política econômica internacional, só é possível adotar duas entre três alternativas, que são: livre movimento de capitais, independência de política monetária, e controle sobre a taxa de câmbio.

A China opta pela determinação da taxa de juros e o comando sobre o câmbio. Por isso, não é possível que haja livre entrada e saída de capitais da economia chinesa. O Brasil, por sua vez, elege política monetária ativa e livre movimento de capitais e, por isso, não há como controlar a taxa de câmbio. Ambos os países priorizam a liberdade em definir a taxa de juros em razão de considerar que os juros são importante elemento de política econômica para estabilizar a economia. É por isso que a Selic está hoje em 14,25% ao ano, para que o Banco Central tente controlar pressões inflacionárias.

Em Hong Kong, por exemplo, as escolhas do trilema são por livre fluxo financeiro e câmbio fixo. Por isso, lá a taxa de juros é endogenamente determinada, e não há Banco Central que possa definir o preço do dinheiro nessa cidade­Estado.

Em recente opinião, a equipe editorial do Valor argumenta que: “o governo não deveria repetir o erro do passado de aceitar a apreciação cambial como um fenômeno natural, nem o de utilizá­la como atalho para baixar a inflação”. O espírito dessa afirmação está completamente correto. A doença holandesa é um risco que pode dificultar a retomada econômica brasileira. Entretanto, tentar impedir a valorização cambial esbarra no trilema. Temos uma conta de capitais aberta. Agentes econômicos, brasileiros ou estrangeiros, podem colocar ou retirar seus recursos da nossa economia. Essa liberdade traz grandes benefícios ao mercado brasileiro, garantindo fluxos de investimento direto estrangeiros de pelo menos U$ 40 bilhões ao ano, além de liquidez nos mercados de títulos e acionário.

O nosso processo de abertura ao mundo, iniciado na década de 90, trouxe vários benefícios ao país. Empresas estrangeiras investiram centenas de bilhões de dólares no país, promovendo empregos e competição, corporações brasileiras puderam se internacionalizar, consumidores têm hoje um pouco mais de acesso a produtos importados, e os brasileiros puderam, pela primeira vez na história recente do país, viajar para o exterior sem restrições cambiais.

O Brasil passou pela crise cambial de 1999 exatamente por não respeitar as restrições impostas pelo trilema. Na primeira fase do Plano Real abrimos a conta de capitais e queríamos ter política monetária ativa com um sistema de câmbio fixo. O resultado foi que o governo, em janeiro de 1999, teve que deixar o câmbio flutuar. Então, como agora, não respeitar os limites do trilema implica em crises. Podemos continuar a influenciar o câmbio, mas não muito mais que isso.

Tentar controlar o câmbio, na situação brasileira atual, só poderia ser feito se abandonássemos um dos outros dois pilares do tripé de alternativas: liberdade de movimento de capitais ou independência de política monetária. Já tentamos criar custos de transação, como IOF para compras no exterior. Não funciona. Entre as duas escolhas possíveis, não vamos abandonar a capacidade de determinar a taxa de juros internamente. A determinação da Selic é parte integrante do menu de políticas econômicas locais e não consigo imaginar uma situação na qual simplesmente abandonemos o controle sobre política monetária para tentar fixar a taxa de câmbio em um patamar considerado adequado para a retomada das exportações.

Realmente corremos o risco de, com o aprimoramento do cenário econômico, ocorrer uma valorização cambial que vai ser boa para os consumidores de produtos importados, mas ruim para parte da indústria. A não ser que estejamos dispostos a instituir controle de capitais, o risco de persistente valorização cambial existe. E, a não ser que venhamos a limitar a integração do Brasil ao resto do mundo, não há muito a se fazer. Intervenções pontuais no mercado de câmbio continuarão a existir, mas a possibilidade de volta ao período de câmbio valorizado é real enquanto nossas escolhas forem a de termos liberdade de movimento de capitais e política monetária ativa.

Rodrigo Zeidan é professor da New York University Shanghai e Fundação Dom Cabral.

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Brasil e Suíça definem norma para troca de dado tributário

A Receita Federal informou ontem que o secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, recebeu delegação da Suíça para tratar de temas ligados a cooperação técnica e intercâmbio de informações tributárias.

No encontro realizado na semana passada, foi debatida a implementação da Convenção Multilateral sobre Assistência Mútua Administrativa em Matéria Tributária, norma que permitirá ampliar o intercâmbio automático de informações tributárias com diversos países. No caso, Brasil e Suíça estão comprometidos a realizar a troca automática de informações a partir de 2018.

Foram também discutidas outras iniciativas de cooperação bilateral entre os dois países, como o Acordo de Intercâmbio de Informações Tributárias (TIEA), assinado em novembro de 2015.

A definição de procedimentos para intercâmbio de informações tributárias entre Brasil e Suíça ocorre no momento em que o Regime Especial de Regularização Cambial e Tributária (Rerct) determina prazo aos contribuintes até o dia 31 de outubro deste ano, segundo a Receita Federal.

DCI – 09/09/2016

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Simples Internacional deve entrar em vigor no começo de 2017, diz Sebrae

O Simples Internacional deve entrar em vigor no começo do ano que vem, afirmou o presidente do Sebrae, Guilherme Afif Domingos, ao DCI. O programa visa – no primeiro momento – facilitar as exportações de micro e pequenas empresas (MPEs) brasileiras para a Argentina.

Segundo o executivo, o projeto de lei está sendo analisado pela Receita Federal e, em seguida, deve ser levado pelo presidente Michel Temer ao vizinho sul-americano. “Essa análise deve ficar pronta antes do final do mês para que a lei possa ser apresentada aos argentinos ainda em setembro”, disse.

Afif adiantou que o programa não deve encontrar resistência do outro lado da fronteira. “Já tivemos contatos anteriores com autoridades argentinas que mostraram grande entusiasmo com esse acordo”, explicou.

Ele também falou sobre os impactos que devem seguir à efetivação do projeto. “Após o início do Simples, rapidamente vai se formar uma rede de negócios entre os dois países, ampliando o mercado para as companhias de menor porte”, projetou.

Sócio-fundador da consultoria em negócios ba}Stockler, Luis Henrique Stockler mostrou otimismo em relação ao programa. De acordo com ele, devem ser beneficiados os exportadores de produtos com maior valor agregado, como nos setores médico, químico e de informática.

“O número de empresas que esse acordo vai auxiliar é enorme. Muitas delas têm tecnologia de ponta e vão gerar importante receita internacional para o Brasil”, indicou.

Já Afif Domingos destacou que as MPEs da Região Sul do País, geograficamente mais próximas da Argentina, devem ser as mais favorecidas pelo Simples Internacional.

Futuro

O presidente do Sebrae também apontou os passos seguintes do programa. Para ele, outros países da região podem ser alcançados pelo projeto depois da Argentina.

Entre os parceiros em potencial, ele mencionou Chile, Peru, Colômbia, Uruguai e Paraguai. Com este último, entretanto, seria necessário um “trabalho intenso que garanta a origem dos produtos”, para evitar que mercadorias de outros países aproveitem os benefícios do acordo.

Stockler foi ainda mais longe. Além dos latino-americanos, ele defendeu que o Simples Internacional poderá ser estendido a países desenvolvidos, como Estados Unidos e membros da União Europeia.

O especialista também afirmou que o programa deve ser benéfico para a retomada econômica brasileira. “A maior parte dos empregos está nas pequenas empresas do País. Quando você fortalece esse núcleo, acaba fortalecendo toda a base econômica”, disse.

Mudanças

O Simples Internacional tem como principais fundamentos a simplificação tributária e de procedimentos burocráticos e logísticos para as MPEs.

Uma das medidas para facilitação previstas no programa é o Sistema de Moeda Local (SML). “Os empresários dos países envolvidos poderão fazer as negociações com as moedas locais, sem a necessidade de comprar dólares”, explicou Afif Domingos.

Ele ressaltou que as alterações devem reduzir o tempo gasto com trâmites relacionados à habilitação das exportadoras e ao licenciamento dos produtos que serão vendidos.

Para Stockler, o excesso de burocracia é o principal problema enfrentado por MPEs que buscam negociar com outros países. “É importante que o pequeno empresário não gaste todo o seu tempo com documentos, para que possa focar na produção”, disse.

Exportações

As exportações de menor valor, feitas em grande parte por MPEs, devem crescer com o Simples Internacional, afirmaram os entrevistados.

Segundo o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), 15.745 empresas fizeram embarques de até US$ 1 milhão entre janeiro e agosto de 2016. O número é 15% maior que aquele registrado em igual período de 2015.

Já as vendas para a Argentina cresceram 1% na mesma comparação, enquanto as importações do país caíram 20%. Em sete meses deste ano, foram recebidos US$ 8,796 bilhões pelas exportações e foram gastos US$ 5,775 bilhões em compras dos argentinos.

Os dois principais produtos vendidos para o país vizinho foram automóveis, gerando US$ 2,031 bilhões para os brasileiros. Aviões, tratores, pneus, papel e tubos de ferro também estão entre as mercadorias mais exportadas.

“A Argentina é um mercado importante e poderá ampliar suas trocas com as PMEs brasileiras, que representam 98% do mercado nacional”, concluiu Afif Domingos.

DCI – 09/09/2016

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Brasil e emergentes avançam e Brexit tem pouco efeito, diz OCDE

O crescimento vai continuar a desacelerar no Reino Unido na sequência da votação para deixar a União Europeia, apontou o indicador mensal da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) nesta quinta-feira. Por outro lado, há projeção de melhora para o Brasil e entre as principais economias emergentes, indicando que o crescimento está acelerando no Brasil, China e Rússia e se firmando na Índia.

O índice para o Brasil alcançou 100,34 em julho, primeira vez que superar a marca de 100 desde março de 2013. Leituras abaixo de 100 indicam crescimento mais fraco que a tendência e resultados acima de 100 sinalizam expansão maior que o normal.

A OCDE havia suspendido a publicação de seu indicador por dois meses em julho por causa do referendo de 23 de junho, no Reino Unido, afirmando que ele poderia tornar os dados enganosos. Em sua primeira divulgação desde então, a instituição disse que seu indicador para o Reino Unido subiu para 99,32 em julho, ante 99,29 em junho, mantendo-se abaixo da média de longo prazo de 100. “Embora ainda haja incerteza sobre o acordo com a UE, a volatilidade dos dados, após a votação, parece ter reduzido”, disse OCDE.

DCI – 09/09/2016

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Juros futuros recuam antes do IPCA

Embora o Banco Central Europeu (BCE) não tenha dado sinais de aumento dos estímulos no curto prazo, o que decepcionou parte dos investidores, a manutenção da taxa de juros em -0,40% e também o volume mensal de compra de ativos em € 80 bilhões até março de 2017 sustentam um ambiente favorável para a aplicação em ativos de maior risco e retorno.

Essa perspectiva contribuiu para a queda das taxas dos contratos futuros de juros no Brasil ontem e limitou uma alta mais forte do dólar frente ao real.

O dólar comercial subiu 0,10% para R$ 3,2116. Já os juros futuros fecharam em ligeira queda, limitada pelo leilão do Tesouro de títulos prefixados e pela expectativa do IPCA de agosto, que será divulgado hoje pelo IBGE.

O contrato de juros DI para janeiro de 2018 recuou de 12,50% para 12,46%, enquanto o DI para 2019 caiu de 11,91% para 11,89%. O DI para 2021 fechou a 11,88% ante 11,87% do ajuste anterior.

Economistas ouvidos pelo Valor esperam que o IPCA mostre uma desaceleração em agosto, em grande medida por causa do alívio dos preços de alimentos. A média da projeção dos analistas é de uma alta de 0,43%, ante 0,54% em julho. “Se o IPCA confirmar a desaceleração da inflação de serviços, os DIs vão cair mais”, diz o sócio gestor da Modal Asset Management, Luiz Eduardo Portella. Os juros futuros refletiam uma probabilidade de 46% de uma queda de 0,25 ponto percentual da Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em outubro.

Os próximos indicadores, incluindo o da inflação corrente, serão importantes para autorizar o avanço dessa expectativa. O mercado aguarda também o Relatório Trimestral de Inflação (RTI), que será divulgado até o fim de setembro, que trará a atualização das projeções de inflação do BC.

Na última ata do Copom, o BC colocou como condição para o corte de juros que a persistência dos efeitos do choque de alimentos na inflação seja limitada; que os componentes do IPCA mais sensíveis à política monetária e à atividade econômica indiquem desinflação em velocidade adequada; e a redução da incerteza sobre a aprovação e implementação dos ajustes, principalmente o fiscal.

O ajuste fiscal é um dos fatores essenciais para aumentar a confiança dos investidores no Brasil e melhorar o fluxo de investimento.

Em agosto, o fluxo cambial foi negativo em US$ 1,110 bilhão, resultado da saída líquida de US$ 3,785 bilhões na conta financeira e da entrada de US$ 2,676 bilhões na comercial. Em setembro, até o dia 2, o fluxo cambial estava negativo em US$ 337 milhões. No ano, o saldo cambial está negativo em US$ 10,559 bilhões.

Valor Econômico – 09/09/2016

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Economia dos EUA vai bem, mas risco político assombra as projeções

Em muitos aspectos, a economia dos EUA aparece bem nos últimos meses. Após encolher na maior parte de 2015, a produção industrial vem aumentando. Os gastos do consumidor estão a contento. A economia criou 151 mil novos empregos no mês passado. Os pedidos iniciais de auxílio desemprego estão próximos do menor patamar em quatro décadas.

Ainda assim, a maioria dos economistas, ao avaliar as chances de uma recessão no ano que vem, continua afirmando que a probabilidade é de uma em cinco. Não é exatamente uma previsão de derrocada iminente, mas é o dobro da probabilidade de um ano atrás.

Porque esse risco é tão alto diante da melhora da situação econômica? Gregory Daco, economista-chefe da Oxford Economics, responde de modo sucinto: “Muito se deve à proximidade das eleições”.

Ninguém ousa dizer que uma eleição – especialmente esta, daqui a dois meses – não oferece perigo. Analistas precisam não só avaliar as propostas dos candidatos, como também precisam ter em mente o potencial de um Congresso dividido, que poderá frustrar qualquer um dos candidatos. O investimento das empresas está caindo neste ano, e suspeita-se que principal causa é a eleição.

Enquanto Hillary Clinton abraçou políticas conhecidas dos democratas, Donald Trump rompeu com muita gente de seu próprio partido em várias grandes questões econômicas, incluindo comércio, imigração e indiscutivelmente redução do déficit. Ressaltando a distância entre Trump e os candidatos republicanos anteriores, basta dizer que nenhum membro do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca declarou apoio à campanha de Trump.

Mas, mesmo deixando de lado as questões inusitadas desta eleição, há uma tendência incomum de recessões ocorrerem perto do pleito presidencial. Kevin Hassett e Joseph Sullivan documentaram recentemente que os EUA entram em recessão com duas vezes mais frequência no ano após eleições presidenciais, em relação a todos os outros anos. Cinco das últimas onze recessões se encaixam nesse padrão. O National Bureau of Economic Research avaliou as recessões desde 1854. Nesse período, 41% delas ocorreram nesse período de apenas por 25% dos meses (o ano após uma eleição acontece, é claro, a cada quatro anos).

No livro “Electing Recession”, Jason Schenker, presidente da Prestige Economics, divide as datas das recessões em torno das eleições de várias maneiras diferentes. Mas, não importa como sejam fatiadas, as recessões tendem a cair muito perto das eleições. Schenker chama isso de “janela da recessão das eleições” e diz que nos achamos em uma janela perigosa no momento. “Fiquei surpreso de ver uma correlação tão próxima entre os inícios das recessões e o momento das eleições”, diz ele.

Schenker também nota que os EUA nunca tiveram três mandatos presidenciais consecutivos sem que uma nova recessão tivesse início. O presidente Barack Obama assumiu durante uma recessão, mas nenhuma começou durante seus dois mandatos. Isso é uma outra maneira de dizer que este ciclo de expansão econômica, embora fraco por muitos parâmetros, já se mostra excepcionalmente longo.

Em entrevistas, Schenker e Hassett foram cuidadosos e disseram que a causa não é totalmente clara e o tamanho da amostra é pequeno, com apenas onze recessões desde a Segunda Guerra Mundial e apenas 33 no registro todo que começa na década de 1850. É razoável afirmar que a constatação pode ser uma grande coincidência ou que tem alguma outra causa. A mesma técnica de pesquisa mostra que recessões ocorrem de uma maneira desproporcional após as Olimpíadas – o que é verdade, mas pouco provável como causa.

As pesquisas sobre as incertezas econômicas oferecem algumas pistas. Hassett aponta para o índice de incerteza política: “Num ano eleitoral presidencial, quando elas atingem seu pico? As incertezas políticas estão no pico bem no momento da eleição”. Faz sentido o alto grau de incerteza provocar danos econômicos reais e, assim, talvez uma eleição apertada leve a economia a tropeçar.

À primeira vista, parece plausível que candidatos à Presidência possam tomar o leme da economia com tanta força que acabem alterando o seu rumo. Mas uma olhada em casos individuais não deixa claro porquê isso ocorreria. Por exemplo, houve recessões pouco depois das duas eleições vencidas por Dwight Eisenhower. Não está claro o que o presidente Eisenhower teria feito para levar a economia a esses dois breves tropeços (as duas recessões tiveram curta duração e a economia no geral esteve bem durante a década de 50).

Uma recessão começou pouco depois de o presidente Ronald Reagan ser eleito, mas a maioria dos economistas diria que ela foi causada pelos juros mais altos do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) após um longo período de inflação. Assim, versões sobre as eleições serem a causa rapidamente ficam complexas.

Talvez trate-se apenas de uma coincidência histórica perturbadora. Talvez tudo venha a ocorrer bem com estas eleições. Mas não é difícil ver por que os analistas relutam em dizer que não há perigo.

Valor Econômico – 09/09/2016

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Após 9 meses, Macri ainda luta por reação da economia

O presidente da Argentina, Mauricio Macri, assumiu prometendo uma retomada da economia e crescimento de até 1% neste ano. Hoje, ao completar nove meses no cargo, esse objetivo ainda parece elusivo. Para economistas, foi um erro criar a expectativa de uma recuperação rápida. Com a economia ainda patinando, a popularidade do presidente está em queda.

No melhor dos cenários, a perspectiva atual é fechar o ano com uma queda de 1% do Produto Interno Bruto (PIB). O índice de desemprego subiu para 9,3%, o nível de pobreza, para 32,6%, e importantes setores da economia, como indústria e construção civil, estão tendo contração da atividade.

Prometer uma nova Argentina para os primeiros meses talvez tenha sido um erro do presidente. Economistas ouvidos pelo Valor afirmam que o prazo era curto para cumprir essa promessa.

“As expectativas [criadas pelo governo] eram muito altas, e isso levou a uma paciência curta em relação à melhora da economia real. O próprio choque de investimentos que ele prometia depende de um processo longo para as licitações se concretizarem”, explica Mariel Fornoni, diretora da M&F Consultora, ao ressaltar que a equipe de Macri conhece bem o timing do setor privado, mas carecia de experiência em gestão pública.

Uma das poucas boas notícias até agora tem sido a queda recente da inflação, que disparou após o forte aumento de tarifas públicas no início do ano. O governo espera que o IPC de agosto fique abaixo de 1%, o que implica uma freada forte em relação aos 4,2% de maio, 3,1% de junho e 2% de julho.

A economia argentina, que já vinha em recessão, viu uma piora no primeiro semestre deste ano. E quase não há sinais de recuperação da atividade econômica neste segundo semestre. Pelo contrário..

A consultoria econômica Orlando J Ferreres & Associados estimou uma queda de 5% da atividade econômica em julho. A produção industrial nesse mês caiu 6,4%, o setor de construção civil chega ao sétimo mês acumulando uma contração de 17% e as vendas no comércio tiveram queda de 6,8%.

Para o economista Fausto Spotorno, que trabalha na consultoria, era previsível o crescimento demorar a aparecer, porque dependia de um cenário mais estável e investimentos do setor privado. “Não teríamos investimentos em nenhum setor porque preços de produtos como leite, trigo e milho estavam abaixo do real, assim como as tarifas de eletricidade e gás. O governo teve de normalizá-los para torná-los atrativos a investimentos, de modo que pudessem gerar um efeito positivo na economia”.

Setores significativos para o país, como a indústria automobilística, continuam em retração à espera do aquecimento do mercado brasileiro, destino de 76% das exportações argentinas no setor.

O agronegócio tem sido o único setor a dar sinais positivos. Além do aumento da área destinada à produção na próxima safra, Spotorno observa incremento de 7,3% na produção de agroquímicos e de 8% em máquinas de colheita.

Apesar de o chefe de gabinete de Macri, Marcos Peña, prometer retomada ainda no último trimestre deste ano, analistas apostam em resultados a partir do segundo trimestre de 2017. O próprio FMI prevê que a Argentina não se recuperará antes do ano que vem, quando o PIB deverá crescer 2,8%.

Até lá, a economia deixa o governo sob pressão e com popularidade em queda. Pesquisa M&F de agosto indica que 42,6% dos argentinos desaprovam a forma como Macri conduz o governo, contra 43,1% que aprovam. E 43% esperam uma situação econômica pior nos próximos meses, contra 34,7% que esperam melhora e 18,2% que não veem mudanças.

Hoje o principal inimigo de Macri é o calendário. O presidente precisa mostrar resultados logo nos primeiros meses de 2017, antes da campanha das eleições legislativas de meio de mandato presidencial, em outubro, quando parte do Congresso será renovado. A eleição é crucial para Macri ampliar sua base no Congresso.

“Se uma recuperação perceptível não ocorrer no início de 2017, o governo Macri enfrentará desafios políticos ainda maiores do que a alta impopularidade”, observa Nicholas Watson, especialista em América Latina da consultoria Teneo Intelligence. “As próximas eleições legislativas dominarão o debate no ano que vem e, se não houver sinais de melhora na economia, então será mais difícil para Macri ter maioria no Congresso e boa governabilidade.”

O grande “trunfo” de Macri é a coleção de erros na área econômica e os escândalos de sua antecessora, Cristina Kirchner, cujos casos de corrupção ainda ofuscam a falta de resultados do governo atual e acentuam as divisões dentro do peronismo.

“É nítido que escândalos de corrupção da gestão anterior fortaleceram o governo atual, mas à medida que os meses passam a tendência é que o insucesso do governo seja cada vez mais perceptível e danoso para a atual gestão. Daí a necessidade de uma recuperação rápida”, analisa Máximo Pisa, da área econômica da M&F.

Apesar de rachada, tanto a oposição peronista quanto as duas grandes centrais sindicais do país (CGT e CTA) veem em Macri um alvo comum. Frente a uma taxa de desemprego alta e ao recente tarifaço de eletricidade (reajuste de até 500%), não custa muito mobilizar a população contra o governo. Uma manifestação no último dia 2 levou às ruas da capital mais de 200 mil contra os reajustes de Macri.

Valor Econômico – 09/09/2016

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Inflação ao consumidor na China desacelera em agosto

Por Valor SÃO PAULO ­

O índice de preços ao consumidor na China aumentou 1,3% em agosto, na comparação com um ano antes, depois de uma alta de 1,8% em julho, no mesmo tipo de confronto. Os dados são do Departamento Nacional de Estatísticas do país.

A inflação de agosto é a mais baixa desde outubro de 2015 e representou o quarto abrandamento da taxa mensal desde os 2,3% registrados em abril, quando o índice atingiu o nível mais elevado desde julho de 2014.

O governo mostrou ainda que o índice de preços ao produtor chinês caiu 0,8% em agosto, na base anual, seguindo recuo de 1,7% em julho, no mesmo tipo de comparação.

Segundo especialistas, a inflação baixa ao consumidor e o recuo menor nos preços ao produtor em agosto fornecem novas evidências de uma economia estável, reportou a Xinhua, agência estatal de notícias da China.

Valor Econômico – 09/09/2016

Redação On setembro - 9 - 2016
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