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Quarta-feira, 20 de Setembro de 2017






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MDIC admite que faltou incentivo para desenvolver fornecedores

PEDRO KUTNEY, AB

Margarete Gandini, do MDIC, no Simea 2016: reforço necessário à indústria nacional de autopeças

Ainda que sem objetivos claros traçados para além de 2017, quando termina o atual programa Inovar-Auto, o governo admite que, ao menos, já foram iniciadas as conversas e negociações em torno de propostas para dar continuidade à política industrial do setor automotivo nacional. Pelos discursos ouvidos até agora em relação ao tema, a próxima fase do Inovar-Auto deverá reforçar seu principal sucesso, a melhoria obrigatória dos níveis de eficiência energética dos veículos brasileiros, e buscar soluções para seu maior insucesso: o incentivo ao desenvolvimento da cadeia automotiva como um todo, onde se inclui os fabricantes de autopeças que ficaram de fora dos benefícios do programa.

“O momento é de olhar para o presente e construir propostas a partir de resultados que já temos. Estamos avançando em eficiência energética e pesquisa e desenvolvimento; por isso os veículos que rodavam no País em 2012 já não são os mesmos de hoje. O abismo tecnológico não existe mais. Mas não avançamos o quanto gostaríamos no adensamento da cadeia produtiva”, avaliou Margarete Gandini, diretora do Departamento de Indústrias de Transporte do Ministério da Indústria, Serviços e Comércio Exterior (MDIC). Como principal interlocutora entre o governo e as empresas do setor, Margarete fez uma apresentação sobre a evolução e possíveis próximos passos do Inovar-Auto na abertura do 24º Simpósio Internacional de Engenharia Automotiva, o Simea, realizado na segunda-feira, 5, em São Paulo.

“O desafio agora é fazer os investimentos em desenvolvimento do setor descerem da ponta para os níveis três e quatro da cadeia (de fornecedores), porque esta indústria não será forte nem conseguirá evoluir com as fábricas de autopeças no atual círculo vicioso em que estão, no qual não conseguem inovar nem investir”, reconheceu Margarete Gandini – sem no entanto dar qualquer pista de como nem quando essa política de apoio poderá ser adotada.

A representante do MDIC disse que os objetivos de um Inovar-Auto 2 “ainda não estão definidos”, mas adiantou que a política industrial de incentivo ao setor deverá se basear em três pilares: desenvolvimento nacional de veículos globais, produção no País com quantidade relevante de componentes de alta tecnologia feitos aqui e maior penetração internacional dos produtos brasileiros. “É desenvolver para o mundo, produzir para o mundo e participar do mundo”, resumiu Margarete. Ela defende que esse novo programa deveria ter o horizonte de mais cinco anos, prorrogáveis por mais cinco, com ajustes sempre que for necessário.

CADEIA ENFRAQUECIDA

A desvalorização do real provocou estragos na estratégia das montadoras de lançar produtos atualizados tecnologicamente com toneladas de peças e sistemas importados, sem se importar com o desenvolvimento de fornecedores locais. Abalados com a fragilização da cadeia de suprimentos, agora os fabricantes de veículos reconhecem que precisam reforçar o apoio à indústria nacional de autopeças. “É o momento de olhar para o futuro e ver qual indústria queremos. A nova política terá papel fundamental para transformar o Brasil em um player global. Precisamos de um programa com previsibilidade mínima de 10 anos à frente, com evolução da eficiência energética e do apoio a pesquisa e desenvolvimento no País, além do fortalecimento da cadeia produtiva. Só assim teremos inserção total da indústria automotiva brasileira no mundo”, disse Antonio Megale, presidente da Anfavea, a associação dos fabricantes de veículos, que também participou da abertura do Simea.

“Sem o Inovar-Auto as importações de carros teriam crescido e a engenharia nacional não teria se desenvolvido tanto. O programa trouxe grande aumento da capacidade de produção, com investimentos que somam R$ 85 bilhões. O número de fábricas saltou de 57 para 67. Os veículos feitos no País hoje são mais eficientes. Mas não houve o adensamento esperado de toda a cadeia produtiva”, reconheceu Megale.

Mas a depender do cenário atual, será difícil tomar o terreno cedido pelas autopeças – ou o desenvolvimento perdido. “A indústria de autopeças no País vive sua maior crise, com a total reversão das expectativas que se desenhavam há poucos anos. A produção caiu e os custos se deterioraram, provocando quedas vertiginosas de faturamento, investimento e emprego no setor. Só o que cresce são os pedidos de recuperação judicial, com os maiores recordes de todos os tempos. O pior é que pode levar mais de 10 anos para que se recuperem os mesmos volumes de produção de 2013 e 2014, que permanece em níveis muito abaixo do que eram esperados”, enfatizou Dan Ioschpe, presidente do Sindipeças e presidente do conselho de administração do Grupo Iochpe.

Também na abertura do Simea, Ioschpe destacou que a indústria nacional de autopeças precisa ganhar competitividade internacional para sobreviver à crise brasileira. “Não se pode depender de um só país. A nova política industrial deve mirar o mercado global, que nos bons tempos era 20 vezes maior do que o brasileiro e hoje é 40 vezes maior. Mas para se aproveitar desse mercado é preciso dar um salto de competitividade, que não encontramos só da porta para dentro da fábrica apenas. É preciso rever fatores como tributação e custo financeiro, assim como incentivar o adensamento mais significativo da cadeia, incluindo incentivos estratégicos, como ao segmento de eletrônica automotiva [hoje inexistente no Brasil], fundamental no desenvolvimento dos veículos atuais”, acrescentou o dirigente.

ÊXITOS E PRÓXIMOS PASSOS

Ao elencar o que considera ser “os êxitos do Inovar-Auto”, a representante do MDIC destacou principalmente as metas de eficiência energética a serem cumpridas a partir do próximo ano., O País saiu da ausência total de qualquer horizonte para tornar seus carros mais eficientes para a imposição de objetivos que levam os veículos no Brasil (feitos aqui ou importados) a ter níveis de consumo próximos ao de países europeus que adotam as melhores práticas de regulação nessa área. O programa trouxe a concessão de descontos tributários de um a dois pontos porcentuais do IPI para quem superar metas; e aplicação de multas de R$ 50 a R$ 360 por carro vendido durante os cinco anos do programa para as empresas que não atingirem os objetivos mínimos.

Segundo o MDIC, da forma como foi desenhado o Inovar-Auto, entre a meta mínima e a meta desafio de eficiência energética, o programa deverá evitar a emissão de 21,2 a 41,5 milhões de toneladas de CO2 fóssil, com a economia de 12 a 28 bilhões de litros de gasolina no período de 2014 a 2021.

Margarete Gandini disse que as discussões em torno da continuação dos ganhos de eficiência energética no País giram em torno de algumas propostas, como levar em conta uma mistura entre cilindrada e consumo para concessão de incentivo tributário de IPI (hoje só a cilindrada é considerada, com alíquota menor para carros com motor 1.0). “Outra fórmula é criar metas anuais, como nos Estados Unidos, ou colocar uma meta futura, como acontece na Europa”, lembrou.

Ela também destacou os investimentos que as montadoras foram obrigadas a fazer em engenharia e desenvolvimento para atender as exigências do Inovar-Auto, calculados em R$ 15 bilhões entre 2013 e 2017; dos quais no mínimo R$ 2 bilhões foram gastos em tecnologias para reduzir consumo e aumentar a eficiência energética; mais R$ 6,7 bilhões em engenharia e desenvolvimento de fornecedores; além de R$ 1,1 bilhão em pesquisa e desenvolvimento (P&D) de apenas quatro montadoras – ela ressalva que esta optaram por cumprir a obrigação específica do programa, que prevê a escolha de duas entre três exigências: adesão à etiquetagem veicular de consumo, investimentos em P&D e dispêndios em tecnologia industrial básica.

Automotivebusiness – 06/09/2016

Redação On setembro - 6 - 2016
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