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Quinta-feira, 21 de Setembro de 2017






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Siderúrgicas se voltam a vendas de ativos para equilibrar finanças

Por Renato Rostás

Depois de verem a derrocada da demanda começar a ser estancada na primeira metade do ano, as siderúrgicas brasileiras enfrentam novo desafio: conseguir enxugar seus portfólios de negócios com vendas de ativos e levantar caixa para sanar as finanças, deterioradas. Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Gerdau e Usiminas têm planos de venda de ativos, o mais extenso e claro sendo o da CSN.

A empresa de Benjamin Steinbruch revelou ainda no ano passado que pretendia angariar recursos alienando ativos não estratégicos. Estão à venda o terminal de contêineres Sepetiba, fatias de duas hidrelétricas, ações excedentes ao controle da MRS e sua participação na Usiminas. Entretanto, até agora, ela só se desfez da fabricante de latas Metalic, por US$ 98 milhões.

A situação é mais preocupante para a CSN do que para as concorrentes. “O caminho da desalavancagem segue frustrantemente devagar”, diz o BTG Pactual. Nos 12 meses até junho, a companhia queimou R$ 5,5 bilhões em caixa, mais do que as outras duas juntas. “Mas o ritmo de deterioração se reduziu ultimamente”, acrescenta o banco.

O Ebitda da siderúrgica somou R$ 1,59 bilhão no primeiro semestre, enquanto o resultado financeiro, que contabiliza efeitos do câmbio e da dívida, chegou a R$ 1,15 bilhão no vermelho. Os investimentos também seguem altos, em R$ 803 milhões.

O cenário preocupa tanto que o HSBC já levantou a possibilidade de a CSN ter que vender também ativos estratégicos. Dentre eles, estão a área de cimentos, a usina de Volta Redonda (RJ) e a Congonhas Minérios. Até 2019, no ritmo atual, o banco prevê que o caixa acabe e sejam necessários ao menos R$ 5 bilhões em injeção de capital. A projeção desconsidera as vendas de ativo.

O BTG Pactual comenta ainda que os desinvestimentos estão demorando demais. Seria necessário angariar bilhões de reais, afirma, e ainda parece cedo demais para considerar isso.

A Usiminas, por sua vez, escapou da recuperação judicial com a reestruturação de sua dívida e mais R$ 1 bilhão em aporte dos sócios. Os problemas de liquidez estão resolvidos por ora, mas o presidente da siderúrgica, Sergio Leite, já adiantou que precisa tornar a empresa sustentável logo, ou o socorro terá sido em vão.

No primeiro semestre, a empresa mineira registrou Ebitda de apenas R$ 120 milhões, com resultado financeiro positivo de R$ 217 milhões ­ isso porque o pagamento da dívida está suspenso até este mês. A Usiminas Mecânica, subsidiária de bens de capital, foi colocada à venda, mas até agora nenhum interessado surgiu. Para o ano que vem, o grupo deve embolsar cerca de R$ 700 milhões que estão no caixa da Mineração Usiminas, o que pode dar novo fôlego ao grupo.

O conflito entre seus controladores, Nippon Steel & Sumitomo Metal e Ternium­Techint, também é um ponto de preocupação, afirma o BTG. A instituição lembra que o caso pode culminar na divisão da empresa.

A Gerdau tem a situação mais tranquila das três ­ e também por isso é a preferida dos analistas. Com exposição grande aos Estados Unidos, ganhou no real desvalorizado e em volumes, e não precisou montar um plano específico de desinvestimentos.

O que a Gerdau está fazendo no momento é reavaliar a rentabilidade dos negócios, atual e futura, para saber se continua neles, vende uma participação, o controle ou até mesmo monta joint ventures. A Sidenor, da Espanha, já foi alienada por 155 milhões de euros, com 45 milhões de euros adicionais dependendo de metas. Além disso, a siderúrgica estuda fechar uma usina em Kentucky, nos EUA.

Por enquanto, a lua de mel entre investidores e siderurgia continua. As ações preferenciais classe A da Usiminas lideram em 2016 os ganhos do Ibovespa, principal índice, subindo 153%. Em segundo lugar, vem a CSN, com 140%. Em terceiro, Metalúrgica Gerdau, controladora da Gerdau SA, 137%. (Colaborou Juliana Machado)

Valor Econômico – 06/09/2016

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No ano, pedidos de recuperação aumentam 61%

Por

O número de pedidos de recuperação judicial bateu recorde em agosto ao crescer 61,2% no ano. De acordo com o Indicador Serasa Experian de Falências e Recuperações, o total de solicitações chegou a 1.235, maior número no acumulado de janeiro a agosto desde 2006, após entrar em vigor a Nova Lei de Falências.

As micro e pequenas empresas lideraram os requerimentos de recuperação judicial no ano, com 741 pedidos, seguidas pelas médias (317) e grandes empresas (177). Na comparação mensal, o indicador mostrou queda nos pedidos de recuperação de 21,7% em relação a julho. Sobre agosto do ano passado, a queda foi de 1,4%.

Valor Econômico – 06/09/2016

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Setor eliminou 33 mil vagas no Estado de SP

Pela primeira vez desde o início da série histórica, em 2007, o setor de serviços do Estado de São Paulo registrou eliminação de empregos no primeiro semestre do ano, segundo a Pesquisa de Emprego no Setor de Serviços do Estado de São Paulo (PESP Serviços) da FecomercioSP. No período, foram extintos 33,1 mil postos de trabalho, resultado de 1,108 milhão de admissões e 1,141 milhão de desligamentos. Em 2015, o saldo foi positivo em 25,199 mil postos de trabalho celetistas.

Somente em junho, o setor eliminou 16,4 mil empregos. Com isso, o estoque ativo atingiu 7,391 milhões trabalhadores, o menor patamar desde abril de 2013. No acumulado dos últimos 12 meses, foram perdidos 165,158 mil empregos no setor.

Das 12 atividades pesquisadas em junho, 11 apresentaram retração no número de trabalhadores formais, ante o mesmo mês de 2015. Os destaques negativos são das atividades de transporte e armazenagem (-4,9%), informação e comunicação (-4,8%) e administrativas e complementares (-3,8%).

Abinee/DCI – 06/09/2016

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Que os sindicalistas intocáveis  caiam na real, ou estamos fritos

DANIEL LIMA – 06/09/2016

Não é de hoje ou de ontem, mas de muito antes de anteontem que sou crítico comedido mas nem por isso acomodado do sindicalismo na Província do Grande ABC. Notadamente o sindicalismo dos metalúrgicos de São Bernardo e de outros municípios locais sob a influência da dinastia que começou com Lula da Silva, no final dos anos 1970.

Os metalúrgicos gozam de prestígio na Imprensa porque a maioria dos profissionais de comunicação devota aceitação tácita a tudo o que ouvem. Eles, os sindicalistas, são quase que santificados. Suas declarações não encontram jamais uma vírgula de contestação de quem quer que seja. Os empresários os temem por razões mais que óbvias. E quando ouvidos evitam o contraditório, mesmo que estejam comendo o pão que o diabo amassou.

Os sindicalistas são intocáveis, por assim dizer. Os escândalos dos fundos de pensão, que somente agora emergem, são resultados, entre outros, da complacência com que a Imprensa trata o sindicalismo nacional, que não presta contas a ninguém.

Há quem, por desinformação, má-fé, tergiversação deliberada, burrice ou qualquer outra coisa afirme que este jornalista só despertou mais recentemente viés crítico aos sindicalistas da região, notadamente dos metalúrgicos. Eles não sabem o que falam porque a história do jornalismo regional só existe a partir do momento em que despertaram algum interesse pelo noticiário, quanto muito.

Voltando no tempo

Para refrescar a memória desses idiotas juramentados e também para que as gerações mais jovens entendam que jamais perfilei acriticamente na atuação dos metalúrgicos, busquei aleatoriamente nos arquivos desta revista digital e encontrei de cara um artigo que escrevi originalmente para a revista LivreMercado, da qual fui criador e diretor de Redação durante quase duas décadas.

Foi na edição de janeiro de 1997 – portanto há quase 20 anos – que escrevi um texto sob o título “Montadoras não podem continuar sendo referencial de reivindicações”. Leiam alguns dos trechos do artigo:

 As montadoras de veículos trouxeram progressos inegáveis ao Grande ABC e continuam a ser indispensáveis ao equilíbrio socioeconômico regional. Essa é uma verdade tão asfixiantemente incontestável que raramente sofre o impacto de algum contraponto. Mas que existe contraponto existe. Tanto que não se pode contemplar as montadoras com pretensa santificação regional. A recíproca também é verdadeira: não se pode satanizá-las como matrizes das fundas disparidades sociais que se acentuam no Grande ABC à medida que a globalização corta postos de trabalho. Maiores geradoras diretas e indiretas de empregos e de tributos, as automobilísticas da região consagraram o sindicalismo de Lula e seus parceiros num período de obscuridade política no País e de absoluto despreparo administrativo do empresariado. A elite sindical do Grande ABC fez das montadoras palanque obrigatório e, com o suporte dos trabalhadores, pressionou os patrões numa frenética corrida de indexação salarial e de contínua incorporação de benefícios sociais extra-constitucionais. Referência maior das relações entre capital e trabalho na economia nacional, as montadoras de veículos e os metalúrgicos botaram lenha na fogueira inflacionária ao longo dos anos. Os pequenos e médios empresários da região, de autopeças num primeiro estágio e dos demais setores em seguida, pagaram o pato porque tiveram de acompanhar as conquistas trabalhistas.

Desabafo da Brastemp

Querem mais trechos do artigo que vai completar 20 anos em janeiro do ano que vem? Tomem:

 (…). Beneficiadas pelo regime automotivo que lhes garante a reserva de mercado em forma de alíquota de importação de veículos protecionista de 70%, ao mesmo tempo em que lhes escancara as portas do fornecimento de autopeças em prejuízo das empresas locais, as montadoras batem recordes de produção. (…). Poucos empresários, mesmo de grandes empresas não listadas no setor automotivo, caso de Hugo Miguel Etchenique, presidente do Conselho de Administração da Brasmotor, que esvaziou a fábrica da Brastemp em São Bernardo, têm coragem de dizer em público que o setor automobilístico do Grande ABC causa problemas aos demais no estabelecimento de políticas salariais. Além dele, Dirk Blaesing, executivo da Fairway, do setor têxtil, lamentou recentemente o destrutivo efeito montadoras-metalúrgicos no relacionamento com os recursos humanos, admitindo-o como complicador de novos investimentos na região.

Como se fosse hoje

Viram os leitores como, ao fazer referências aos estragos trabalhistas e sociais por causa dos danos colaterais dos acordos entre metalúrgicos e montadoras, este jornalista não diz outra coisa senão confirmar o passado ao qual já se referiu e que em praticamente nada sofreu mudança? Agora, leiam os trechos finais daquela análise que parece tão atual, mas tão atual no conceito-chave, que, se reproduzida, retirando-se apenas algumas identificações de época, os leitores nem notariam que se trataria de algo que se rivaliza com o segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso, ou seja, muito, mas muito tempo antes, de Dilma Rousseff aprontar o que aprontou depois de três eleições vencidas pelo PT:

 (…) Essa dupla face das atividades automobilísticas no Grande ABC não pode ser interpretada por seus representantes como análise oportunista e injusta diante das evidentes constatações históricas da importância do setor para o desenvolvimento da região. Trata-se, sim, de uma espécie de chamamento à reflexão dos agentes econômicos e sindicais para se debruçarem de forma madura e consciente do problema. Os sindicatos cutistas, por exemplo, continuam a idealizar pautas de reivindicações a partir de conquistas junto às fábricas de veículos sem levar em conta que, recebendo tratamento alfandegário diferente do das montadoras, a defesa natural dos empreendedores de menor porte, até mesmo para que não fechem de vez as portas, é o enxugamento cada vez mais forte do quadro funcional.  (…). Quem paga a conta é o trabalhador desempregado. Mas o que se pode fazer se, como disse outro dia o governador petista do Distrito Federal, Christovão Buarque, a esquerda (que tem a fama de preocupar-se mais com o social) continua a sensibilizar-se apenas com a minoria barulhenta, esquecendo a maioria silenciosa.

Sociedade paga

Nem o mais cético dos jornalistas naquela quase virada de século ousaria imaginar que chegaríamos em 2016 a uma situação extremamente grave, a qual só não é ainda mais inquietante porque a sociedade como um todo ajuda a pagar os danos da falta de competitividade das montadoras e autopeças da região em forma de programas de proteção ao emprego e variáveis com o mesmo sentido supostamente minimizador dos estragos. Enquanto isso, o sindicalismo cutista (e também de outras agremiações) segue a marcha fúnebre em ritmo de festa ao defender uma legislação trabalhista que se fosse razoavelmente satisfatória não registraria tantas complicações no mercado de trabalho.

Redação Capital Social – 06/09/2016

Redação On setembro - 6 - 2016
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