Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

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Sbado, 18 de Novembro de 2017






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Pressionada, China aceita Fórum sobre excesso de aço

A China teve que se dobrar as pressões de parceiros do G-20 e aceitar a busca de solução para o gigantesco excesso de capacidade do setor siderúrgico, que afeta também produtores brasileiros.

O comunicado dos líderes do G-20, a ser divulgado hoje, anunciará a criação de um Fórum Global sobre Excesso de Capacidade de Aço, no âmbito da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Economico (OCDE), que no mínimo fará um monitoramento do problema. A expectativa é de haver avanços a serem apresentados ao G-20 no ano que vem.

O Brasil tentou incluir uma menção específica contra o protecionismo, considerando que as crescentes medidas contra as exportações de aço derrubam ainda mais a demanda. Somente a Rússia apoiou o pleito brasileiro.

União Europeia e EUA têm dezenas de sobretaxas aplicadas na importação de aço chinês. A indústria europeia reclama que os chineses inundam os mercados externos com aço extremamente barato.

De seu lado, Pequim alega que o excesso de capacidade é uma questão global e não só chinesa. Argumenta que a taxa de utilização da capacidade instalada globalmente é de 66% e, na China, de 71%.

A China é o maior produtor e exportador de aço. Sua capacidade de produção é de 1,13 bilhão de toneladas, representando quase metade do total mundial. Segundo Pequim, o país já cortou 90 milhões de toneladas de capacidade. Mas pelo atual plano quinquenal, o país prevê uma capacidade adicional de 100-150 milhões de toneladas nos próximos cinco anos.

O preço da tonelada de aço, que chegou a US$ 168 em 2011, era de apenas US$ 55 em 2015.

Abinee/Valor Econômico – 05/09/2016

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Temer diz ao Brics que está reconstruindo o crescimento no Brasil

O presidente Michel Temer disse a seus colegas do Brics (Rússia, Índia, China e África do Sul) que “o caminho do crescimento está sendo reconstruído no Brasil”, em sua primeira participação no encontro dos líderes do grupo de países emergentes.

Com o Brasil tendo o pior desempenho econômico entre os grandes emergentes nos últimos três anos, Temer afirmou aos parceiros estar seguro de que, em breve, a economia brasileira voltará a crescer para benefício também da economia mundial.

Mais tarde, na cúpula do G-20, o presidente acenou com reservas internacionais elevadas, ao redor de US$ 372 bilhões, e um câmbio flutuante como espaço de manobra suficiente para o Brasil enfrentar cenários adversos de redução da liquidez internacional.

Enquanto Temer fazia seu discurso, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, acabou cochilando. Um membro da delegação disse que isso refletia o cansaço da longa viagem, o fuso horário (11 horas de diferença) e a programação pesada na China.

Em seu comunicado, os líderes das maiores economias desenvolvidas e emergentes do mundo vão reiterar que o excesso de volatilidade e movimentos desordenados no câmbio podem ter implicações adversas para a estabilidade econômica e financeira.

Tanto no Brics como no G-20, o presidente Temer enfatizou que o objetivo primordial de seu governo é promover o ajuste estrutural dos gastos públicos num horizonte de 20 anos.

Na cúpula, ele deu o tom geral sobre um ambiente internacional repleto de incertezas, mencionando a evolução dos preços das commodities, reflexos nos mercados das politicas monetárias de alguns países desenvolvidos e a volatilidade nos mercados financeiros “em meio a fatores como a elevada instabilidade de regiões do planeta sensíveis ao terrorismo”.

Temer disse também no G-20 que o Banco Central tem atuado de “forma decisiva” para trazer a inflação para o centro da meta.

Ele mencionou que está trabalhando por uma modificação no sistema previdenciário com a fixação de uma idade mínima para a aposentadoria.

Em entrevista, já fazendo um balanço de sua participação no G-20, uma vez que sairá rápido hoje após o encontro em direção ao aeroporto, o presidente assegurou que os planos de privatizações e concessões estão todos “de pé”. Ele foi perguntado se a ideia morreu, diante do clima político no país.

Segundo o presidente, o secretário Moreira Franco anunciará no dia 13 o que será concedido e desestatizado. O ministro Henrique Meirelles também verá quais ativos que o governo federal poderá desestatizar.

Abinee/Valor Econômico – 05/09/2016

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Dólar e preço menores tiram rentabilidade da exportação

Mesmo com um câmbio médio mais favorável aos embarques, o primeiro semestre não foi suficiente para cumprir as expectativas dos exportadores de manufaturados. A oscilação cambial que trouxe o dólar para perto de R$ 3,20 nos últimos meses também roubou a rentabilidade de empresas que reduziram preços de exportação calculados com base no câmbio mais próximo de R$ 4.

Apesar disso, a expectativa de que o Banco Central passe atuar de forma mais intensa e as dificuldades no mercado interno ainda fraco mantêm as exportações no radar, segundo relatam representantes de exportadores e empresas das áreas de máquinas, material de transporte e calçados.

Edgard Dutra, diretor comercial da Metalplan, diz que o câmbio tem sido um “pesadelo”. Ele conta que no início do ano, quando o dólar estava perto dos R$ 4,20, a empresa reduziu os preços de exportação. Conservadora, diz Dutra, a empresa estabeleceu valores com base no dólar a R$ 3,80. Agora, conta, ao embarcar produtos com a moeda americana a R$ 3,20, a rentabilidade quase desapareceu. Ele conta que recebeu um segundo pedido para embarque em 60 dias com base na lista de preços reduzidos, o que o deixou em situação difícil. “Não posso dizer para clientes da Colômbia, Peru e Paraguai, que deixaram de comprar do fornecedor chinês, que o preço estabelecido há seis meses não vale mais.”

O câmbio também é alvo de preocupação para a área de implementos rodoviários da Randon, segundo Eduardo Dalla Nora, gerente-executivo de vendas internacionais da companhia. “O que preocupa mais a partir de agora é a oscilação cambial. No começo do ano o dólar estava entre R$ 4,15 e R$ 4,20. Agora está a R$ 3,15. No ano passado, estava a R$ 2,30. Isso é muito complicado, porque os preços internacionais não oscilam dessa forma.”

O gerente da Randon conta que no início do ano os preços foram “levemente reduzidos”. “O comprador pede desconto porque acompanha a variação cambial.” O preço foi fechado com real mais desvalorizado, mas está sendo embarcado com dólar mais fraco. Ele exemplifica com a encomenda de um cliente chileno, que fechou no início do ano a compra de 1.600 produtos para embarque no decorrer de 2016. O câmbio tem tirado parte da margem de rentabilidade e a aproximação do dólar a R$ 3 aumenta a preocupação com o preço a ser praticado no fechamento dos próximos contratos.

José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), diz que as situações narradas pela Metalplan e pela Randon não são incomuns. As indústrias exportadoras aproveitaram a competitividade que o real mais desvalorizado trouxe, mas a apreciação mais recente do real frustraram os planos de exportação. “Agora a tendência é que as exportações de manufaturados desacelerem”, diz.

Os dados da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex) já mostram perda de fôlego. A exportação de manufaturados cresceu, em volume, 8,9% de janeiro a julho deste ano em relação a igual período de 2015. Na ponta, porém, comparando julho de 2016 com igual mês do ano passado, os embarques caíram 6,2%.

Os dados da Abicalçados, que reúne a indústria de calçados, também indicam perda na margem. Em julho, o Brasil embarcou 8,6 milhões de pares no valor de US$ 78,6 milhões, o que representa queda de 9,4% em quantidade e de 1,9% em valor. No acumulado, o volume ainda é 1,5% superior. O valor embarcado caiu 2,6%.

O problema, diz Castro, é que até o fim do ano não há perspectivas de desvalorização maior do real frente ao dólar. Ele estima em R$ 3,20 o preço médio da moeda americana no segundo semestre.

Dutra, da Metalplan, calcula que a taxa mínima de câmbio para a empresa, que permite investir em exportação e também concorrer com o importado, é de dólar a R$ 3,60. A expectativa do diretor comercial é que o BC poderá atuar no mercado nos próximos meses para deixar o câmbio mais próximo a R$ 3,50. Enquanto isso, a Metalplan, diz, se esforça para elevar o volume de exportação em 50%. No primeiro semestre, a participação dos embarques na produção total ficou aquém da esperada.

Na área de implementos rodoviários da Randon, a exportação também não deve sair dos planos mais imediatos da empresa. A ideia é que as vendas externas avancem de 25% para 30% da produção de semirreboques da companhia, diz Nora. O câmbio tem tirado parte da margem de rentabilidade e a cotação do dólar perto de R$ 3 eleva a preocupação com o preço a ser praticado no fechamento dos próximos contratos. Mesmo com a oscilação cambial, porém, o mercado externo ainda é considerado atrativo em razão da retração da demanda doméstica.

No mercado interno, a empresa projeta terminar o ano com avanço de quatro pontos percentuais de participação de mercado (de 26% para 30%), o que deve garantir volume de vendas parecido ao de 2015. A estimativa, diz ele, leva em conta que a produção doméstica de reboques e semirreboques deve cair de 28 mil itens no ano passado para 24 mil neste ano.

“O mercado interno está péssimo”, diz Castro, da AEB. “Por isso, mesmo com uma margem mínima de ganho, as empresas muitas vezes optam por exportar o necessário para manter a produção, já com alta capacidade ociosa.”

Sérgio Gracia, diretor comercial da Kidy, fabricante de calçados infantis, conta que a exportação tem papel importante para a empresa, que vende para cerca de 30 países. No primeiro semestre, a empresa embarcou 10% a mais em volume do que no ano passado. O objetivo é fazer com que as exportações avancem de 10% para 15% da produção este ano. Por enquanto, diz Gracia, chegaram a 12%.

A oscilação do câmbio traz insegurança, mas no primeiro semestre, diz ele, a rentabilidade dos embarques ajudou a empresa a “engolir a inflação” e manter os preços congelados no mercado interno. O diretor calcula que o dólar até R$ 2,80 ainda garante margem de rentabilidade às exportações. Mas isso, ressalta, é resultado do aumento de produtividade que a empresa obteve. Nos últimos cinco anos, conta, a empresa investiu em máquinas de costura de calçados e isso substituiu 50% do volume de serviço contratado anteriormente para essa etapa de fabricação.

Na produção total da calçadista, diz Garcia, houve “empate técnico” de produção no primeiro semestre deste ano, na comparação com igual período de 2015. Isso só aconteceu, diz, porque a empresa conseguiu manter os preços do ano passado e aumentar o número de clientes, mesmo com a pressão de custos, principalmente de salários, com reajuste em julho de 9,5% estabelecido para a categoria no município de Birigui, interior de São Paulo, onde fica a fábrica da empresa. No segundo semestre, porém, diz ele, os preços já subiram em 3%, em média.

Abinee/Valor Econômico – 05/09/2016

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Chineses veem “janela” de oportunidade no Brasil

A China poderá ser o investidor estrangeiro a mais buscar projetos do pacote de US$ 269 bilhões que o governo oferecerá em concessões, outorgas e privatizações entre 2016-2019. É o que acreditam membros da delegação brasileira em Hangzhou.

Os ministros da Fazenda, Henrique Meirelles, e das Relações Exteriores, José Serra, viram sinais positivos do presidente Xi Jinping para mais investimentos em infraestrutura no Brasil, abrindo novas “boas oportunidades” para os negócios.

A avaliação é de que uma parte central na agenda futura Brasil-China será ocupada por negócios na área de infraestrutura. Os chineses buscam oportunidades no exterior, já que no mercado interno há excesso de capacidade em vários setores.

A China vê uma “nova janela” de investimentos, com novos protagonistas privados buscando parcerias com empresas no Brasil. “As relações bilaterais ganham novos galhos onde antes havia apenas o tronco”, diz um negociador.

Primeiro o que explodiu foi o comércio bilateral. O Brasil acumulou superávit de US$ 46 bilhões com os chineses entre 2009-2015, vendendo commodities. Conforme a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Brasil aumentou as importações de manufaturados chineses, de 4% em 2001 para 21% em 2015. Mas 70% das exportações brasileiras são de produtos básicos e a China impõe barreiras à compra de manufaturados. A CNI mapeou 14 segmentos de produtos que o Brasil possui vantagem competitiva para exportar, da indústria e agroindústria, e que sofrem com barreiras à entrada na China.

São eles: carne de aves, bovina e suína; café torrado, em pó e essência; extratos e suco de frutas, suco de laranja; soja em grão e óleo; bebidas processadas e vinhos; couros e peles; celulose e papel; produtos químicos; máquinas e equipamentos médico e hospitalares.

Agora a aceleração é esperada do lado dos investimentos. Conforme o Itamaraty, em razão da desvalorização de muitas empresas brasileiras, corporações chinesas têm realizado grandes aquisições no Brasil. Segundo levantamento da consultoria Dealogic, de Londres, entre janeiro e agosto os chineses investiram US$ 10,6 bilhões em aquisições no Brasil, mais do que o dobro dos US$ 5 bilhões registrados no passado inteiro.

Na sexta-feira, em Xangai, foram anunciados mais investimentos, como um projeto de construção de siderurgia de US$ 3 bilhões no Maranhão e a criação de um fundo de US$ 1 bilhão para agricultura brasileira.

“Em termos de valores, os investimentos chineses em setores intensivos em recursos naturais são muito mais significativos. Além disso, muitos dos investimentos têm sido em aquisições e não greenfield [projetos incipientes]”, segundo o diretor de Desenvolvimento Industrial da Confederação Nacional da Industria (CNI), Carlos Abijaodi.

Os investimentos chineses na indústria cresceram mas, com a queda do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil nos últimos anos, eles arrefeceram um pouco. A China é ainda um ator muito pequeno em investimentos industriais se comparado aos EUA, Japão, Europa ou mesmo a Coreia do Sul. O total dos investimentos chineses só alcança 4% do estoque total de Investimento Direto Estrangeiro (IED) no país.

O presidente da Confederação Nacional de Serviços (CNS), Luigi Nese, disse que vê oportunidades inclusive no turismo. “Mais de 100 milhões de chineses fazem turismo fora. Imagine se atrairmos um milhão de chineses por ano.”

Mas Nese saiu frustrado de Xangai. Um acordo de cooperação entre Brasil e China no setor de serviços, uma espécie de guarda-chuva para ampliar negócios bilaterais, não foi assinado.

Abinee/Valor Econômico – 05/09/2016

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Economia global está em encruzilhada, diz Xi Jinping

Oito anos depois da crise financeira que abalou o mundo, a economia global chegou a uma nova encruzilhada crítica. Foi com essas as palavras que o presidente da China, Xi Jinping, abriu ontem a cúpula do G-20 (grupo das 20 nações mais ricas).

O líder da segunda maior economia mundial alertou para as ameaças que o protecionismo e os riscos de novas bolhas nos mercados impõem à retomada do crescimento.

— Oito anos atrás, durante a crise financeira, o G-20 trabalhou com unidade e parceria, tirando o mundo do precipício e colocando no caminho da estabilidade e da recuperação. Hoje, oito anos depois, a economia global chegou de novo a uma encruzilhada crítica — disse Xi.

Mais cedo, os países do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) afirmaram em comunicado conjunto que a recuperação da economia global continua desigual, com riscos significativos de queda.

O combate ao protecionismo deve ganhar lugar de destaque na declaração final da cúpula, num momento em que países têm recorrido a cada vez mais barreiras comerciais. A saída do Reino Unido da União Europeia e a campanha do candidato americano à presidência Donald Trump têm engrossado a retórica dos discursos que defendem as restrições ao comércio para garantir empregos.

‘ISSO É FOLCLORE’
Ao comentar os discursos que defenderam a abertura comercial, o ministro das Relações Exteriores, José Serra, afirmou que concorda com a liberalização desde que com contrapartida.

— Livre comércio tem que ser livre comércio. Hoje (ontem) eu vi chefes de Estado ou de governo que são cada vez mais protecionistas clamando pelo livre comércio. É muito fácil se falar em livre comércio, mas continua sendo muito difícil praticá-lo.

Ele rebateu críticas de que o Brasil seria uma economia mais fechada do que a média global. — Isso é folclore. Na primeira participação como presidente na reunião do Brics, Michel Temer garantiu que “o caminho do crescimento está sendo reconstruído” e que medidas tomadas nos últimos meses, quando era interino, já mostram efeitos, mensagem que repetiu no encontro do G-20.

— Com as medidas tomadas nos últimos meses, já há sinais de retomada da economia brasileira. Estamos seguros de que, em breve, nossa economia voltará a crescer, em benefício dos brasileiros e da economia global.

Temer também enfatizou o que chamou de ambiciosa agenda de reformas estruturais.

Abinee/O Globo – 05/09/2016

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Imagem de protecionista do Brasil é ‘folclore’, afirma Serra

A análise de que a economia brasileira é muito fechada ao comércio exterior é “folclore”. A avaliação é do ministro das Relações Exteriores, José Serra, e foi feita ao criticar países que pregam a abertura comercial, mas mantêm políticas protecionistas. O chanceler classificou como “furados” dados que mostram que o Brasil é o País que mais adota barreiras comerciais do mundo.

“Não dou aula há muito tempo, mas estudei bastante e tenho uma formação razoável. O Brasil não é uma economia fechada mais do que a média mundial, apesar do folclore. Isso é folclore”, disse Serra, em entrevista após o primeiro dia da reunião de cúpula das 20 maiores economias do mundo, o G-20. A crítica de Serra acontece em meio ao debate do G-20 da chamada “escalada tarifária” – situação em que países impõem taxas de importação crescente conforme a complexidade do item adquirido.

A soja e o café – dois itens da pauta brasileira – são exemplos desse fenômeno. Muitos países adotam taxas crescentes de importação à medida que aumenta a complexidade da mercadoria adquirida: a alíquota é baixa quando se compra o grão da soja ou do café e sobe à medida que avança a sofisticação do produto. Assim, o imposto aumenta para o café moído e sobe mais para o produto solúvel.

O argumento do governo brasileiro é que esse tipo de estratégia empobrece a pauta exportadora de países como o Brasil. Ou seja, o País passa a vender cada vez mais produtos básicos. “O comércio não é apenas vender e gerar emprego. Se está acontecendo no Brasil um processo de ‘primarização’ das exportações, me pareceu adequado apresentar esse problema e explicar quais são seus mecanismos, porque não é uma questão tão obvia”, disse Serra.

Ao ser questionado sobre a reclamação do Brasil ao mesmo tempo em economistas citam o Brasil como exemplo de economia fechada, Serra disse que essa avaliação é “folclore”. Sobre rankings que colocam o Brasil como uma das economias com mais barreiras comerciais no mundo, o ministro rebateu ao dizer que “são dados furados”.

Distorções. O ministro das Relações Exteriores argumentou que esse tipo de ranking – que normalmente avalia o peso do comércio exterior no Produto Interno Bruto – não captura distorções como os subsídios. Um dos exemplos citados por Serra é a produção de maçãs na Noruega, que receberia cerca de 80% de subsidio.
A Noruega não faz parte do G-20. Questionado sobre quais países do grupo adotam esse tipo de prática, Serra não quis mencionar exemplos.

Após o debate no G-20, o ministro defende que a tarifa ponderada parece mais adequada para avaliar a abertura comercial dos países. Nesse caso, é preciso volume arrecadado com tarifas com imposto de importação e dividir pelo total de importações. “Aí, você vai ver que o Brasil não tem essa posição que afirmam”, disse. “Não sou contrário que abramos a economia. Eu sou a favor da reciprocidade. Toma lá, dá cá”.

Nesse tabuleiro de negociação, o jogo de dependência recíproca entre fornecedores e compradores deve ser objeto permanente das conversas, defende o ministro. “Quero lembrar que a China é o principal mercado do Brasil e, ao mesmo tempo, o Brasil é o principal abastecedor da China. Metade da soja que a China importa vem do Brasil. Um depende do outro”, lembrou.

Apesar da grande dependência de importações brasileiras da soja e minério de ferro, a segunda maior economia do mundo não é encarada apenas como um grande comprador. “Nosso interesse pela China não é apenas comercial. É também pelos investimentos chineses”, disse, ao citar que o Brasil tem interesse em abocanhar parte dos capitais do país asiático que se espalham por investimentos ao redor do globo.

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Abertura do mercado de dívidas chinês não convence investidor internacional

Os reguladores da China reduziram a burocracia no sistema financeiro neste ano e deram as boas vindas aos investidores globais em títulos de dívida, esperando atrair dinheiro novo para o mercado de renda fixa do país, que movimenta US$ 9 trilhões. Mas os investidores estão aceitando o convite com relutância, preocupados com a persistente ambiguidade que paira sobre as regras do setor e a forma como elas serão aplicadas.

“Ainda há camadas demais na regulação”, diz Jean-Charles Sambor, vice-diretor de renda fixa em mercados emergentes da BNP Paribas Investment Partners, unidade de gestão de ativos do banco francês BNP Paribas, a qual tem US$ 1,2 bilhão em carteira. Sambor se diz interessado no mercado de renda fixa da China, mas ainda não começou a comprar títulos de dívida.

Investidores cautelosos citam uma ampla gama de preocupações, desde incertezas quanto aos impostos até o real compromisso do governo com a abertura do mercado.

A compra de títulos de dívida por investidores estrangeiros na China ganhou impulso desde que o governo começou a relaxar as regras de investimento, no primeiro semestre. Entre fevereiro e junho, o mês mais recente para o qual há dados disponíveis, o volume de títulos chineses em mãos de investidores de fora do país saltou 15%, para 764 bilhões de yuans (US$ 115 bilhões), segundo o banco central da China. Mas esse valor representa apenas 1,3% do mercado local, de acordo com o banco americano Bank of America Merrill Lynch.

Entre os novos investidores na China está Robert Simpson, gestor de fundos da firma londrina Insight Investment, que administra 499 bilhões de libras esterlinas (US$ 662,73 bilhões) e comprou um pequeno volume de títulos soberanos nos últimos meses. “É um mercado em que queríamos estar na vanguarda”, diz Simpson, embora acrescente que a gestora ainda vai precisar de tempo para conhecer melhor esse mercado.

O Banco Popular Chinês não respondeu a pedidos de comentário. A Associação Nacional dos Investidores Institucionais no Mercado Financeiro, órgão que ajuda a supervisionar o mercado de renda fixa, não quis comentar.

Um dos objetivos das mudanças sendo implementadas na China, o terceiro maior mercado de renda fixa do mundo, é abrir o sistema financeiro do país e expandir o uso internacional da moeda chinesa, o yuan. Ao mesmo tempo, as medidas visam encorajar a busca de financiamentos no mercado, em vez de através de empréstimos bancários. A liberalização da renda fixa reflete uma abertura similar ocorrida no mercado acionário da China, onde os ativos em poder de estrangeiros atingiram US$ 90 bilhões em junho, cerca de 1,5% do mercado local.

Até este ano, os gestores de fundos globais tinham que solicitar permissão para comprar títulos na China e as compras eram limitadas por cotas. Eles podiam usar apenas dólares ou yuans mantidos fora da China continental. Em alguns casos, investidores podiam repatriar só um valor limitado todo ano ou tinham que deixar o dinheiro no país por até 12 meses. Os poucos investidores estrangeiros que tinham o acesso facilitado incluíam bancos centrais de outros países, fundos de títulos soberanos e instituições multilaterais, como o Banco Mundial.

Agora, uma gama mais ampla de investidores estrangeiros ganhou acesso aos títulos de dívida chineses, inclusive bancos comerciais, seguradoras, corretoras, fundos mútuos, fundos de pensão e instituições de caridade. Em vez de ter que pedir autorização aos reguladores para investir, eles precisam apenas se registrar. Os reguladores também eliminaram as cotas de investimento, facilitaram a repatriação dos recursos e permitiram o uso de mais moedas.

O mercado de renda fixa da China continua pequeno comparado aos dos Estados Unidos e outras economias avançadas. Ele é uma fonte relativamente pequena de crédito local numa economia ainda altamente dependente dos bancos. Além disso, a grande maioria dos investidores consiste de bancos.

Alguns investidores são atraídos pelos rendimentos dos papéis chineses. A rentabilidade dos títulos de dez anos do governo, uma referência para o mercado, está hoje em 2,8% ao ano, comparada ao 1,6% pago pelas notas equivalentes do Tesouro americano e a rendimentos negativos no Japão e em partes da Europa. Mas avaliar os riscos é um exercício delicado devido às infladas notas de crédito emitidas pelas agências locais de classificação, que põem mais de 90% dos títulos corporativos na categoria de grau de investimento.

Além disso, ainda há limitações para os investidores estrangeiros que querem entrar no mercado chinês. Em vez de comprar e vender eles mesmos, os investidores têm que recorrer a uma entidade local de compensações para registrar, negociar e repatriar dinheiro. Em outros mercados emergentes da Ásia, como Tailândia e Malásia, eles só precisam enviar ordens de compra ou venda a um corretor.

E os mercados de renda fixa da China ainda parecem um território proibido para os fundos de hedge. Ao anunciar o relaxamento das restrições, o BPC afirmou que somente “investidores de médio a longo prazo” poderiam se registrar.

Muitos estrangeiros também continuam receando que, em momentos de turbulência, os reguladores vão encontrar maneiras de restringir as operações. No ano passado, durante o colapso das bolsas chinesas, as autoridades do país permitiram que milhares de empresas suspendessem as negociações de suas ações, forçando investidores locais e estrangeiros a manter suas posições enquanto o mercado caía.

“Há um risco de reversão das políticas com a imposição de algum tipo de controle de capital”, diz Luke Spajic, líder da área de gestão de portfólio de mercados emergentes asiáticos na gestora de recursos americana Pacific Investment Management Co., que administra US$ 1,5 trilhão em ativos globais.

Para completar, alguns investidores ainda se preocupam com os impostos. A Receita Federal do país, por exemplo, ainda não esclareceu se estrangeiros terão que pagar algum imposto sobre ganhos de capital. “Um regulador [o BPC] abriu os mercados, mas os investidores ainda estão esperando outro regulador (a Receita) criar as regras” correspondentes, diz TieCheng Yang, advogado do escritório britânico de advocacia Clifford Chance LLP, em Pequim.

Abinee/Valor Econômico – 05/09/2016

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Fed deve subir juro só em dezembro, diz BofA

O Federal Reserve (Fed, banco central americano) deve fazer apenas uma elevação na taxa de juros neste ano e o mais provável é que isso ocorra apenas em dezembro – embora setembro não possa ser completamente descartado. Essa é a opinião de Michael Hanson, economista global sênior do Bank of America Merrill Lynch (BofA) e que já trabalhou como economista na divisão de assuntos monetários do Fed.

O executivo esteve no Brasil na semana passada e afirmou, em entrevista ao Valor, que os mercados começaram a ficar mais preocupados com o fato de que o Fed possa não ser tão “dovish” (inclinado ao afrouxamento monetário) como vinha se considerando – percepção que pode provocar uma correção nos mercados. Hanson afirma que a esperada elevação dos juros americanos pode não ter reflexos significativos para o Brasil quando ocorrer, já que o país tem taxas muito altas. Leia abaixo os principais trechos da entrevista.

Valor:Recentemente, os investidores passaram a trabalhar com uma maior possibilidade de que o Fed eleve os juros em setembro. O senhor concorda com essa visão?

Michael Hanson: Eu tenho percebido que o mercado espera uma alta de juros já em setembro. Eu acho razoável essa interpretação, mas ainda acredito que o Fed deva esperar mais algum tempo e subir os juros apenas em dezembro. Esse é o cenário mais provável, na minha opinião.

Valor:Para o senhor, qual o risco de os mercados estarem mais “dovish” do que o próprio Fed?

Hanson: Recentemente, os mercados começaram a apostar que o Fed iria subir os juros ainda neste ano, essa foi uma interpretação dos mercados americanos de que o Fed estava mais “hawkish” [inclinado ao aperto]. Concordo que, se olhar no último ano, o Fed tem se movido mais na direção “dovish”. Os sinais que o Fed está dando apontam para um ritmo mais lento na elevação dos juros, quando ela for feita. Então, eu acho que esse comportamento do Fed funciona como um suporte importante para o risco ao redor do mundo, incluindo os mercados emergentes. Acho que agora parece que os mercados estão mais preocupados com o fato de que o Fed não seja tão dovish e, na minha visão, isso pode provocar uma correção nos mercados, reprecificando os ativos com essa probabilidade de mudança dos juros.

Valor:O senhor acha que os números de inflação recentes nos Estados Unidos, os dados de mercado de trabalho e de produção podem atestar uma antecipação do aperto monetário pelo Fed?

Hanson: Eu posso dizer que os dados econômicos estão instáveis há alguns meses. Alguns dados do “payroll” saem melhor, depois pioram, o PIB veio mais fraco no segundo trimestre, os dados de inflação ainda estão baixos… Então, eu acho que a visão geral do mercado é que, provavelmente, esses dados vão permitir uma alta dos juros ainda neste ano. Eu não acho que seja o caso de o Fed fazer mais de uma alta neste ano. É mais provável que o Fed vá esperar por mais uma confirmação de aquecimento mercado de trabalho para então subir os juros em dezembro.

Valor:Os investidores têm percebido uma sinalização maior de gradualismo no Fed, de mais paciência na condução da política monetária. Qual é o risco de o Fed demorar demais para começar a subir os juros?

Hanson: Para ser honesto, eu não acho que haja um risco muito alto, porque há uma série de incertezas como o crescimento econômico, a produtividade que ainda está mais fraca do que o esperado e a inflação que está menor do que o projetado. Francamente, não há como o Fed, em um ambiente assimétrico como esse, executar uma política de aperto monetário mais rápido do que é preciso. O risco que eu vejo é se o Fed agir de maneira rápida, isso será pior do que se ele continuar mantendo o seu gradualismo.

Valor:Quais os riscos que teremos para os mercados se o Fed elevar os juros de maneira rápida?

Hanson: Se houver uma elevação dos juros de maneira rápida feita pelo Fed, certamente vai haver movimentos nas taxas de câmbio e nas taxas de juros ao redor do mundo todo. Provavelmente, os mercados emergentes serão mais atingidos do que as economias desenvolvidas, porque eles são mais sensíveis ao que acontece na economia americana. Então, além da extensão dos riscos às economias globais é possível que haja mais volatilidade nos mercados financeiros globais. E isso é uma coisa que o Fed não quer que aconteça.

Valor:De que forma a alta dos juros americanos pode afetar a economia dos mercados emergentes, especialmente o Brasil?

Hanson: A alta dos juros nos Estados Unidos terá impacto maior para as economias emergentes menores, que não é o caso do Brasil. Provavelmente, muitos países ao redor do mundo terão de ajustar suas economias à nova realidade e encontrar um caminho para diminuir os efeitos negativos. Mas algumas economias terão de elevar os juros também, o que será um desafio para um grande número de países. Eu acho que o Brasil está em uma situação um pouco diferente do que os demais países emergentes porque tem uma inflação alta, que precisa ser controlada pelo Banco Central, e muitos países ao redor do mundo têm uma inflação baixa. Então, no Brasil as taxas de juros já são altas, embora a economia esteja crescendo devagar. O Brasil tem potencial de minimizar as consequências de uma alta dos juros americanos.

Abinee/Valor Econômico – 05/09/2016

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Coluna

Argentina dá olé no Brasil em apoio à inovação

Folha de S.Paulo – Ronaldo Lemos – 05/09/2016

O Brasil acaba de tomar um olé da Argentina em um tema que deveria ser crucial para o país: apoio à inovação. Nossos hermanos acabaram de anunciar, por iniciativa do presidente Mauricio Macri, um pacote de leis sobre o assunto que é de matar de inveja qualquer ministro, secretário de Ciência e Tecnologia ou empresário do país.

Trata-se do plano chamado “Argentina Emprende”. A primeira medida causa suspiros em quem está acostumado com burocracia.

O empreendedor argentino poderá criar uma empresa pela internet em 24 horas. Nessas mesmas 24 horas a empresa estará também inscrita no Afip (correspondente ao CNPJ brasileiro) e com conta bancária aberta.

Já o Brasil fica hoje em 174º lugar (entre 189 posições) no ranking do Banco Mundial que mede a dificuldade de abrir um negócio. São necessários em média 83 dias para iniciar um empreendimento aqui. Fechar uma empresa, por sua vez, demanda uma eternidade. Perdemos de todos os países latino-americanos, com exceção da Venezuela.

O plano argentino é ambicioso. Cria um novo tipo de empresa chamada “Sociedade por Ações Simplificada”. Ela facilita investimentos e crescimento rápido, com estatutos flexíveis, ideais para start-ups. Faz sentido. A Argentina conseguiu produzir uma multinacional de peso no território da tecnologia: o Mercado Livre. A empresa começou apenas com uma ideia e poucos recursos. Hoje é o oitavo maior site de comércio eletrônico do planeta. Anunciou há pouco investimento de US$ 100 milhões na Argentina e a criação de 5.000 empregos. Macri quer repetir essa experiência, abrindo espaço para novos “Mercados Livres”.

O plano cria também a figura jurídica da “Empresa de Interesse Coletivo”. São empresas que devem gerar um triplo impacto: sua própria rentabilidade, sustentabilidade e aspectos socioambientais. Essas empresas terão benefícios. Nas palavras de Macri: “Aspiramos a que um dia todas as empresas sejam assim”.

Além disso, foram anunciados dez fundos de apoio à inovação, seguindo o modelo adotado por Israel (que levou ao surgimento de empresas como o Waze). O objetivo é incentivar ideias e talentos argentinos. Uma ferramenta para isso é a autorização para usar crowdfunding (financiamento coletivo pela internet) para apoiar as empresas diretamente.

Com isso, a Argentina marca um 7 a 1 no Brasil em imaginação institucional. Um dos principais desafios em nosso país é aprendermos a transformar conhecimento em novos produtos, serviços e modos de vida. Uma parte disso é fomentar o empreendedorismo inovador. Eliminar a insanidade da burocracia que se enraizou no país seria um começo. A Argentina dá a lição de que “não é só a economia, estúpido”. Criatividade e boas ideias são essenciais.

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JÁ ERA Congresso Nacional apoiando a internet no Brasil

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JÁ VEM Congresso criando mais burocracias e criminalizando o empreendedor de internet no país

Redação On setembro - 5 - 2016
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