Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

Filiado a FIESP

Quarta-feira, 20 de Setembro de 2017






Associe-se!
Clique aqui e conheça as vantagens

Empresas ganham prazo de carência para pagar dívida

Por Vinícius Pinheiro e Felipe Marques

A recessão da economia brasileira, que já dura mais de dois anos, está obrigando os bancos a renegociar as dívidas de grandes empresas com uma novidade: a adoção de um prazo de carência para o início do pagamento dos débitos. Com passivo de R$ 4 bilhões, a incorporadora PDG Realty, por exemplo, alongou o prazo de vencimento de suas dívidas e ganhou quatro anos de carência.

A renegociação interessa aos bancos porque a alternativa é o calote. Dados do Banco Central mostram que a inadimplência das empresas tem crescido de forma acelerada. Nos últimos 12 meses, saltou de 2,3% para 3% do saldo das operações de crédito, em meio ao aumento de pedidos de recuperação judicial e à forte retração da atividade econômica.

No balanço dos grandes bancos, o volume de operações renegociadas aumentou 34% nos 12 meses encerrados em junho, para R$ 76,4 bilhões, incluindo nessa conta também as pessoas físicas. No mesmo período, a carteira de crédito total caiu 3,3%, percentual que não considera os números da Caixa Econômica Federal e do BNDES, que não divulgam os valores renegociados.

Em contrapartida às condições oferecidas às empresas, os bancos exigem todas as garantias possíveis para evitar prejuízos ainda maiores no caso de um calote. Além disso, em geral não aceitam reduzir o valor nominal das dívidas. Nas situações mais extremas, aceitam até converter parte do passivo em dívida com características semelhantes às de uma ação, o que significa que o credor só terá seu dinheiro de volta caso a empresa volte a lucrar ou seja vendida.

Para executivos ouvidos pelo Valor, a lógica dos acordos de renegociação, em especial a adoção de prazo de carência, é liberar fluxo de caixa. Isso permite que as empresas tenham mais tempo para vender ativos sem serem obrigadas a aceitar qualquer preço. Ao mesmo tempo, conseguem rodar alguns ciclos de negócio sem ter que se preocupar com os credores. Com a esperada recuperação da economia, os bancos apostam que as companhias voltem a gerar caixa suficiente para honrar as dívidas.

Valor Econômico – 05/09/2016

continue lendo:

Ajuste forte pode gerar expansão de 4% em 2018

Por Sergio Lamucci

A economia brasileira caminha enfim para sair da recessão. O Produto Interno Bruto (PIB) pode voltar ao terreno positivo no quarto trimestre deste ano, devendo ganhar mais força em 2017 e 2018. Para alguns analistas, a recuperação cíclica pode levar o país a ter um crescimento consideravelmente mais expressivo nos dois anos seguintes, havendo quem projete um avanço de 4% em 2018, o último ano do curto mandato de Michel Temer. É o caso do Itaú Unibanco, por exemplo.

Esse cenário mais benigno, porém, ainda é muito incerto. Depende em boa parte de uma queda mais forte dos juros ao longo do ano que vem, o que tende a exigir a aprovação de medidas fiscais mais duras no Congresso ­ além, é claro, da convergência da inflação para a meta perseguida pelo Banco Central (BC), de 4,5%. Os analistas ouvidos pelo BC projetam um crescimento de 1,2% em 2017 e de 2% em 2018.

Para o terceiro trimestre deste ano, a maior parte dos analistas acredita numa nova contração do PIB em relação ao trimestre anterior ­ o que levaria à sétima queda da economia nessa base de comparação. No quarto trimestre, a tendência é de que haja um pequeno crescimento ou estabilidade. No ano, deve haver um tombo na casa de 3% ou um pouco mais.

Em 2017, o quadro deve melhorar com mais nitidez. O economista­chefe da MB Associados, Sérgio Vale, projeta uma expansão de 2% no ano que vem. “Não é difícil um crescimento dessa magnitude”, diz ele, lembrando que o país sai de uma recessão violenta ­­ o PIB caiu 3,8% em 2015 e deve encolher um pouco mais de 3% neste ano. Há grande folga de recursos na economia, o que permite a expansão sem pressões inflacionárias por um tempo razoável, e os juros, hoje em 14,25% ao ano, deverão cair.

Na ponta pessimista, aparecem economistas como os do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), para quem a economia brasileira deve crescer apenas 0,6% no ano que vem. Para eles, um crescimento vigoroso em 2017 exigiria “uma retomada clara do consumo das famílias e a aprovação consistente das medidas de reforma fiscal que validem o cenário de alívio nos juros”, como escreveram Silvia Matos e Julio Mereb no Valor, na semana passada. A fraqueza do mercado de trabalho e o aperto no crédito devem atrapalhar o consumo, ao passo que a tramitação das medidas de ajuste das contas públicas tende a ser complicada.

Sócia e diretora de macroeconomia da Tendências Consultoria Integrada, Alessandra Ribeiro vê o nível de endividamento de empresas, famílias e do governo como um obstáculo a uma retomada na casa de 2% ou mais em 2017. Para ela, a economia crescerá 1,5%.

Ela lembra que houve um aumento expressivo do volume de crédito a partir de meados da década passada, além de fortes incentivos à tomada de empréstimos entre 2011 e 2014, “com a política de crédito subsidiado e políticas agressivas dos bancos públicos via redução de juros”. Nesse ambiente, empresas e pessoas físicas terão de reduzir o seu endividamento, o que impacta o investimento e o consumo.

O governo, por sua vez, está numa situação fiscal delicada, e terá de ajustar as contas públicas ao longo dos próximos anos, lembra Alessandra. Para completar, não se deve esperar um grande impulso do setor externo. A economia global e o comércio crescem pouco, indicando uma fraca demanda externa. Por tudo isso, Alessandra considera difícil um crescimento mais forte em 2017. Para 2018, ela aposta num crescimento de 2,5%, considerando que o governo conseguirá aprovar o projeto que limita o crescimento dos gastos da União à inflação do ano anterior e uma reforma da Previdência sem grandes concessões. No cenário de Alessandra, os juros não caem muito. O BC reduziria a Selic em 0,5 ponto na última reunião deste ano e levaria a taxa a 11,5% no fim do ano que vem.

O economista Caio Megale, do Itaú Unibanco, trabalha com um cenário diferente do de Alessandra, especialmente em relação às perspectivas para 2018. Para ele, a economista deve crescer entre 1% e 2% no ano que vem, mas ganha mais fôlego no ano seguinte, avançando 4%. A principal diferença é que Megale projeta uma queda mais expressiva dos juros. Na visão do banco, a Selic começará a cair em outubro, encerrando 2017 em 13,5%, e terminará o ano que vem em 10%.

O fundamental para o país crescer 4% em 2018 é justamente que o juro chegue ao fim do ano que vem próximo a 10%, diz Megale. “E, para o juro cair para 10%, são necessários avanços importantes no ajuste fiscal.” Com a aprovação do projeto do teto de gastos e de uma reforma da Previdência sem grandes alterações, o BC poderá cortar a Selic com mais força, diz ele. Juros mais baixos ajudam a impulsionar o investimento e o consumo das famílias, fazendo a economia se fortalecer ao longo de 2017 e de 2018.

Megale também trabalha com um cenário benigno para a inflação. Para ele, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) cairá de 7,2% em 2016 para 4,8% em 2017 e 4,2% em 2018 ­ abaixo da meta de 4,5%, mesmo com a aceleração do crescimento. Isso se explica pela grande ociosidade na economia, que permitirá ao país crescer 4% em 2018 sem causar pressões inflacionárias, diz Megale. O ex­ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros também acredita numa expansão mais robusta daqui a dois anos, de 3,5% a 4%, por acreditar na recuperação cíclica em cima da elevada capacidade ociosa.

Vale, da MB, considera possível um crescimento acima de 3% em 2018, mas esse não é o seu cenário central. O mais provável, para ele, é uma expansão na casa de 2%. “Para chegar a 3% ou 4%, seria preciso um encaminhamento muito favorável da questão fiscal e, em conjunto, o BC mostrar firmeza, trazendo as expectativas de inflação para baixa e reduzindo mais os juros”, afirma ele. “Isso criaria um caldo muito positivo para 2018.” Por enquanto, porém, Vale prefere ser um pouco mais cauteloso, esperando sinais mais claros de que o novo governo vai conseguir avançar com a agenda de ajuste fiscal. Uma diluição significativa das propostas do teto de gastos e das mudanças na Previdência pode ter consequências muito negativas para o crescimento, diz ele.

Vale aponta ainda outro fator que pode afetar a economia em 2018: o cenário para as eleições presidenciais. Se começarem a despontar candidatos que não sejam vistos como comprometidos com o ajuste fiscal e a agenda de reformas, a tendência é que haja aumento da aversão ao risco, pressionando o câmbio,. Isso pode resultar em mais inflação, complicando o quadro de queda dos juros. Nesse caso, não se concretizaria o quadro de crescimento mais forte em 2018, que daria alento a Temer.

Valor Econômico – 05/09/2016

continue lendo:

‘Foi feita a festa, mas a conta chegou’

“Foi feita a festa. A conta chega e é preciso pagá-la”, diz o empresário Rubens Ometto Silveira Mello, presidente do conselho de administração da Cosan, um dos maiores grupos de energia e infraestrutura do País, referindo-se à gestão da presidente Dilma Rousseff.

Mas, para Ometto, os sinais do governo de Michel Temer indicam retomada da economia do País. “Temer é do ninho político e terá condições para conduzir os ajustes necessários para que o País retome o crescimento. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Com o impeachment, o cenário é mais positivo para economia?
É uma decisão que tinha de ser tomada. Os empresários precisavam de uma definição mais clara sobre a economia.

O que deu errado na gestão de Dilma Rousseff?
Foram dois aspectos. O primeiro, o viés ideológico, de intervenção do Estado. Quando se tem uma economia liberal, há concorrência livre, salutar ao mercado. Havia uma política de controle de preços. A outra questão está atrelada à gestão, que foi mal conduzida, com o governo gastando muito, inchando o Estado.

Os sinais de recuperação agora estão mais claros?
Acredito que sim. Os movimentos do atual governo são mais claros, com maior participação da iniciativa privada e de redução do Estado na economia. Fui um dos primeiros a criticar a intervenção do governo nos preços dos combustíveis (em maio de 2014, ao receber o prêmio de empresário do ano em Nova York, Ometto fez duras críticas a Dilma).

Mas o sr. tinha uma boa interlocução com a presidente…

Tive uma boa relação pessoal. Ela tem personalidade forte.

E sua relação com Michel Temer? Já esteve com ele e acredita que o diálogo será maior?
Estive pessoalmente com Temer um mês depois de ele assumir (o governo interino). Fui falar e ouvi-lo, me colocar à disposição para ajudar.

O sr. acredita que Temer conduzirá bem as reformas?
O que é importante dizer é que Temer é do ninho político. Significa que ele gosta de política e tem uma boa relação com todos e sabe como agir. Dilma não gostava de políticos, o que dificultava a aprovação dos projetos (no Congresso). Ele tem uma equipe que sabe trabalhar bem politicamente e isso fará com que tenha condições de fazer as reformas necessárias.

E quais são as reformas necessárias?
Tributária, da Previdência e trabalhista. Nosso País é um inferno. Se todos chegam a um acordo (trabalhista, por exemplo), um decisão de um juiz muda tudo. A terceirização é saudável. Veja o caso das montadoras. Elas não produzem. Montam carros. Temer tem a oportunidade de fazer história no País porque se comprometeu a não se reeleger.

O sr. é considerado um empresário ousado. O empresário precisa ser ousado para voltar a acreditar hoje no Brasil?
Esse negócio de ousadia é relativa. Depende de quem faz bem a conta. Eu sempre fui tido como ousado e meus negócios deram certo. Duro é ser ousado como Eike Batista (Grupo X) e Ricardo Mansur (Mesbla), que quebraram. Tem de fazer a conta bem feita e gerir bem o que você faz.

O sr. se sentiu representado pela campanha do pato (da Fiesp)?
Não liguei para aquilo. Nem 8 nem 80. Foi feita a festa e a conta chega. O problema é ter eleito o dono da festa. Agora tem que se adaptar ao orçamento. O que quero dizer com isso? O aumento de imposto, se houver, tem de ser feito de maneira muito bem dirigida, com início, meio e fim. Se não, em cinco anos, quebra de novo.

Abinee/O Estado de S.Paulo – 05/09/2016

continue lendo:

‘A Bolsa não vai subir outros 30% no ano’

O afastamento definitivo de Dilma Rousseff da presidência da República confirmou as expectativas do mercado financeiro, que se valeu do impeachment e de um cenário externo mais favorável para puxar uma alta de quase 40% na Bolsa este ano.

Segundo o coordenador do laboratório de finanças do Insper, Michael Viriato, passada a incerteza causada pelo processo, a Bolsa deve se apoiar agora nos sinais de retomada da economia, mas os ganhos devem ser bem mais modestos. Leia os principais trechos da entrevista.

A aprovação do impeachment dará uma nova injeção de otimismo no mercado?
O mercado financeiro não se desloca pelo fato, mas pela expectativa. A aprovação final do processo de impeachment já era esperada e, por isso, estava no preço. A Bolsa não subiu só por causa do cenário interno. Houve melhora no mercado internacional e um aumento do preço de commodities, o que impulsionou o mercado brasileiro e também outros emergentes.

A Bolsa já subiu mais de 30% este ano. Há espaço para mais?
A troca de governo trouxe uma expectativa favorável, mas ainda há toda uma perspectiva de melhora da economia, que não está muito precificada. As empresas cortaram vários empregados e há uma capacidade ociosa grande. Quando a economia engatar uma retomada, há um ambiente favorável para produzir sem gastar muito. Com isso, o lucro das empresas tende a voltar rápido e a Bolsa poderá subir mais.

Esse é um bom momento para se arriscar mais na Bolsa?
Uma boa parte do ganho já aconteceu. Lá em fevereiro, a incerteza – em relação à economia, ao câmbio, à trajetória da dívida brasileira – era tremenda. Quem apostou naquele momento teve um ganho muito favorável. A Bolsa não vai subir outros 30%, mas ainda há espaço para valorização. Hoje, o Ibovespa está perto dos 60 mil pontos; subir mais 10% este ano é algo possível.

Então quem investir na Bolsa agora deve ganhar menos?
Se você está 100% seguro significa que já passou a hora de investir. O prêmio, ou seja, o ganho que você terá com o investimento, é maior quanto maior é a incerteza. Ainda existem incertezas se o governo vai conseguir aprovar as reformas e sair dessa armadilha de inflação alta e recessão. Por isso, há um prêmio de risco.

O que acontece se as reformas não passarem em 2016?
Não existe expectativa de que o governo vai aprovar 100% de todas as propostas. Haverá algumas concessões, claro. O mercado irá precificar, aos poucos, a dificuldade em aprovar as medidas conforme as sinalizações do Congresso. O governo não tem muito tempo para mostrar resultados. Como 2018 é ano eleitoral, ele tem um ano para mostrar alguma coisa. Se o governo Temer não conseguir fazer nada até o fim do ano, a perspectiva muda.

Abinee/O Estado de S.Paulo – 05/09/2016

continue lendo:

Indicadores sugerem terceiro trimestre de ajuste para atividade

Os indicadores já conhecidos de julho e agosto reforçam a percepção de que o terceiro trimestre deve ser mais um período de acomodação para a atividade. A indústria reitera os sinais, frágeis, de melhora. Setores mais dependentes do mercado interno mantêm resultados negativos, ainda que os índices de confiança sinalizem recuos menores nos próximos meses.

O Indicador Serasa Experian de Atividade do Comércio retraiu 1,2% em julho sobre junho (com ajuste sazonal), queda que devolveu integralmente a expansão do mês anterior. No confronto com julho de 2015, o recuo de 7,1% foi o pior da série, que começa em janeiro de 2000.

Ainda não há dados consolidados para agosto, mas levantamento feito pela SPC Brasil apontou queda de 7,15% das vendas a prazo na semana do Dia dos Pais em relação a igual período de 2015. É a terceira retração consecutiva para a data, embora menor que em 2015 (11,21%).

“O mercado de trabalho continua piorando, a taxa de juros segue alta e a concessão de crédito, em queda. Não tem como esperar uma melhora [do consumo] para este terceiro trimestre”, pondera o economista-chefe do banco ABC Brasil, Luis Otávio de Souza Leal.

O “fundo do poço” para o emprego, ele avalia, só deve chegar no primeiro trimestre de 2017, e apenas a partir daí é possível esperar desempenho mais consistente do consumo das famílias e do setor de serviços. Sua estimativa de retração de 0,2% do PIB para o período de julho a setembro em relação aos três meses anteriores, feito o ajuste, se baseia na expectativa de queda dos dois componentes, ainda com intensidade menor que no segundo trimestre – de 0,7% do consumo privado e de 0,8% dos serviços.

A boa notícia, observa o Bradesco, é que indicadores de confiança mantiveram a trajetória de recuperação neste início de trimestre. O Índice de Confiança do Consumidor da FGV avançou 7,6% em julho e 3,4% em agosto ante os meses imediatamente anteriores, após ficar no menor nível da série em abril.

A confiança da indústria, também segundo a Sondagem da FGV, interrompeu a sequência de cinco altas e recuou 1 ponto em agosto sobre julho, atingindo 86,1 pontos. Para Rafael Cagnin, do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), a queda foi uma correção da melhora acelerada dos meses anteriores. “Foi um chamado para a realidade. A retomada da confiança só vai ser consistente quando a avaliação da situação atual melhorar junto das expectativas”, pontua.

Cagnin interpreta a alta de 0,1% da produção industrial em julho, divulgada sexta-feira, como um “sinal amarelo” sobre a retomada que o setor vem ensaiando. A categoria de bens de capital, destaca, apurou a primeira queda do ano, 2,7% ante junho. O ramo de bens de consumo não-duráveis encolheu 1,9%. Havia subido 0,9% no mês anterior.

Para ele, o resultado reitera que a crise no setor foi estancada, mas reforça incertezas em relação ao ritmo de recuperação. O real valorizado, afirma, pode ter impacto negativo em ramos que vinham usando a exportação para compensar parte da queda no mercado doméstico.

O nível ainda alto de estoques e as paralisações em algumas montadoras de veículos sinalizam que a produção voltou a cair em agosto, diz Leal, do ABC Brasil. Essa também é a avaliação da MCM Consultores.

Abinee/Valor Econômico – 05/09/2016

continue lendo:

BNDES deve atuar nas ‘lacunas’ do mercado

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tende a atuar mais nas ‘falhas de mercado’ e em conjunto com os demais ministérios, avaliam especialistas ouvidos pelo DCI.

O professor de estratégia do Insper, Sérgio Lazzarini, afirma que os segmentos e projetos sem participação da iniciativa privada devem ser foco da equipe do banco de fomento, liderada pela ex-presidente da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) Maria Silvia Bastos Marques. A nova composição do BNDES foi confirmada no último dia 31, após o impeachment de Dilma Rousseff.

“Atuar nas falhas de mercado é algo que está ‘na cabeça’ desta equipe do BNDES. Tenho conhecimento que deve ser apresentado, nos próximos meses, um plano nessa linha”, diz o especialista.

Essas lacunas de mercado nem sempre se tratam de projetos de alto risco financeiro, mas também de iniciativas com pouca visibilidade, como as obras de saneamento básico, que ficam debaixo da terra.

Por outro lado, Lazzarini pontua que, mesmo nos projetos de elevado risco, o BNDES deve atuar independentemente da restrição de caixa. Os fatores de risco, nesse caso, tendem a ser contrabalançados com uma maior exigência na concessão de garantias ou nas taxas de financiamento a serem oferecidas às empresas.

“O BNDES tem que assumir o que é mais custoso e implementar ações para reduzir os risco”, reforça Lazzarini. Ele exemplifica que outras ‘falhas de mercado’ estão na construção de prisões, nos projetos de inovação de impacto social, como tecnologias limpas, além de rodovias e aeroportos em áreas mais interioranas do País. “Essas são obras mais arriscadas”, considera.

Lazzarini ressalva, por outro lado, que considerou “estranha” a linha de crédito para a compra de ativos de empresas em recuperação judicial por companhias saudáveis, anunciada dia 25 de agosto. “A venda de ativos é uma operação privada da empresa com seus credores. Achei estranho, principalmente em um momento em que é preciso sinalizar uma mudança de rumo”, diz.

Em conjunto

Fábio Pina, assessor econômico da FecomercioSP, analisa que a política do BNDES estará mais alinhada com as ações dos outros ministérios, como a Fazenda, o Planejamento, e o Itamaraty (Relações Exteriores). “O anúncio que o presidente Michel Temer fez na China [na sexta-feira] sobre as oportunidades de investimentos em infraestrutura da ordem US$ 269 bilhões no Brasil, se concretizada, envolverá todas as pastas. Pode ter certeza que o BNDES estará junto, o Banco do Brasil e o Banco Central”, afirma. “Há uma maior diálogo entre as equipes dos ministérios neste governo, do que no anterior”, opina o economista.

Pina aposta que a atual gestão do BNDES deve abrir mais espaço para o comércio e os serviços. “Essa gestão entende de mercado e sabe que os serviços geram produtividade. Além disso, esse setor é, hoje, 70% do nosso PIB”, pontua.

O economista ressalta ainda que a restrição de crédito já é uma marca dessa gestão por conta das crises econômica e fiscal. “A presidente do BNDES conhece muito bem de auditoria e de retorno e risco. Ela vai saber quais são os projetos que, de fato, gerarão retorno satisfatório [social e financeiro]”, defende Pina, querendo dizer que o banco ficará mais seletivo. “Nesse cenário, a pequena empresa continuará com menos espaço”, adianta.

O governo federal tem discutido com bancos comerciais meios de oferecer hedge cambial para financiamento de longo prazo em infraestrutura, já que o BNDES deve reduzir a sua participação no setor.

Abinee/DCI – 05/09/2016

Com ajuda da indústria, Sudeste deve sair da recessão antes do resto do país

Com importante ajuda da indústria, a economia do Sudeste deve sair da recessão antes do resto do país, segundo um estudo sobre desempenho regional do Produto Interno Bruto (PIB) feito pela 4E Consultoria.

A partir dos dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na semana passada, em conjunto com outras fontes de informação, como arrecadação de ICMS, produção industrial e movimento no comércio, a 4E estimou a evolução do PIB por Estado e por região no segundo trimestre de 2016.

O estudo mostra que todas as regiões ainda encolheram entre abril e junho, na comparação com os três meses anteriores, em linha com a evolução do PIB nacional, que caiu 0,6% no período.

O Sudeste, porém, teve um desempenho um pouco menos pior do que a média. A atividade na região caiu 0,1% no segundo trimestre, menos do que a queda de 1% observada entre janeiro e março, sempre considerando a série com ajuste sazonal.

Leopoldo Gutierre, economista da consultoria e autor do estudo, lembra que o setor industrial na região, especialmente em São Paulo, vem mostrando reação um pouco mais rápida do que na média do país, até porque a base de comparação é bastante baixa, depois de um longo período de queda da atividade. Além disso, comenta, no geral o setor instalado na região é mais sofisticado e mais competitivo do que no restante do país, o que favorece a retomada, ainda que bastante lenta, da produção. No trimestre, o ramo manufatureiro avançou 0,4% no Sudeste, puxado pela alta de 1,4% da indústria paulista. No Brasil como um todo, o PIB industrial aumentou 0,3%.

Apenas a atividade da indústria no Centro-Oeste subiu mais do que a do Sudeste, com aumento de 0,5% sobre o período de janeiro a março, segundo os cálculos da 4E. A alta, porém, não foi suficiente para ofuscar o péssimo desempenho do setor agropecuário e de serviços na região.

Com o clima desfavorável, muito seco, as safras de uma série de culturas importantes – como milho, soja e arroz – encolheram em relação ao ano passado, derrubando o PIB do setor. No país como um todo, a retração foi de 2% no segundo trimestre, mas o desempenho muito ruim ficou concentrado no Centro-Oeste, onde o PIB agropecuário encolheu 5,9% na passagem trimestral.

Gutierre explica que não apenas o desempenho do setor agrícola é afetado pela menor produção de grãos: os serviços também acabam impactos pela menor renda gerada pelo agronegócio, com efeitos em área como transportes, comércio e intermediação financeira.

Isso explica a redução de 2,3% do PIB de serviços na região no período, o que levou a economia do Centro-Oeste a encolher 2,2% entre abril e junho, em relação aos três meses imediatamente anteriores, pior desempenho entre as cinco regiões do país. Os Estados com maior queda do produto no período, Mato Grosso (-3,3%) e Mato Grosso do Sul (-3,5%), também ficam nessa área.

Para Gutierre, como as principais colheitas do ano já aconteceram – resta apenas a safrinha de milho, que dificilmente deve compensar a queda no primeiro semestre -, é difícil que haja recuperação consistente da agricultura até o fim do ano.

Por outro lado, diz, o fato de a indústria no Sudeste estar se recuperando, mesmo que lentamente, é um bom sinal para o restante da economia, porque gera demanda para outras regiões. “Se a indústria paulista volta a crescer, começa a demandar mais insumos químicos, o que puxa a atividade industrial na Bahia, por exemplo”, explica.

Quem depende mais de serviços, como é o caso do Nordeste, por outro lado, deve demorar mais a se recuperar. A economia local já melhorou em relação ao primeiro trimestre, quando a queda foi de 2,6%, mas o PIB nordestino ainda encolheu 0,9% entre abril e junho, segundo pior desempenho entre as regiões do país. Todos os três componentes da oferta recuaram na área: agropecuária (-0,6%), indústria (-1,9%) e serviços (-0,7%).

“Quem é mais dependente de serviços ainda vai sofrer com a deterioração do mercado de trabalho, porque o consumo não vai se expandir muito”, diz ele. Já Estados com estrutura industrial mais forte, caso de Espírito Santo, Amazonas e Pará, onde mais de um terço do PIB vem da indústria, tendem a se beneficiar do câmbio desvalorizado e da elevada ociosidade de produção, que deve manter custos controlados por mais tempo.

Abinee/Valor Econômico – 05/09/2016

continue lendo:

Redação On setembro - 5 - 2016
  • Central de atendimento
  • Telefone: (11) 3285-3522 / e-mail: sicetel@sicetel.com.br
Associe-se!
        Clique aqui
Cadastre seu e-mail e receba periodicamente notícias do SICETEL.