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Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017






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 Copom decide manter taxa básica em 14,25%

O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC deixou de dizer que não há espaço para uma flexibilização das condições monetárias e, pela primeira vez desde abril de 2013, começou a discutir os requisitos para promover eventuais baixas na taxa básica de juros.

Em comunicado divulgado ontem, após manter os juros básicos em 14,25% ao ano, o comitê destacou fatores que vão pesar nas suas avaliações futuras, com destaque para a diminuição das incertezas fiscais. Também mencionou a resistência inflacionária e a necessidade de a inflação responder mais rapidamente à política monetária restritiva em vigor e ao alto grau de ociosidade da economia.

O próximo encontro do Copom está previsto para outubro, e o debate entre os especialistas é se haverá tempo hábil para que tais condições sejam atendidas para abrir espaço para juros menores, como muitos no mercado acreditavam até agora.

As projeções de inflação do BC indicam inflação em torno da meta de 4,5% em 2017, se os juros ficarem estáveis em 14,25% ao ano. O Copom estima, agora, uma inflação menor, de 5,1%, em vez de 5,3%, se a taxa básica de juros cair como prevê o mercado, para 13,75% ao fim de 2016, e de 11,25% ao ano em fins de 2017.

Para o colegiado comandando por Ilan Goldfajn, porém, um possível corte de juros dependerá de fatores que permitam maior confiança no alcance das metas para a inflação nos horizontes relevantes para a condução da política monetária, em particular da meta de 4,5% em 2017.

Os fatores domésticos que serão avaliados pelo colegiado incluem que o forte aumento dos preços de alimentos ocorrido recentemente se transmita com menos persistência para a inflação como um todo. E também que os componentes do IPCA, o índice oficial do regime de metas, sejam mais sensíveis à política monetária e à atividade e indiquem desinflação em velocidade adequada. Além disso, que ocorra redução da incerteza sobre a aprovação e implementação dos ajustes necessários na economia, incluindo a composição das medidas de ajuste fiscal, e seus respectivos impactos sobre a inflação.

Alguns desses fatores aparecem na avaliação do BC sobre o balanço de riscos para a inflação. O balanço de risco são os fatores que podem fazer a inflação se sair melhor ou pior do que a projetada nos modelos econômicos do BC.

No lado negativo, os fatores apontados são os mesmos da reunião do Copom de julho. A inflação acima do esperado no curto prazo, em boa medida decorrente de preços de alimentos, poder se mostrar persistente. Também são citadas as incertezas que permanecem quanto à aprovação e implementação dos ajustes necessários à economia. O Copom volta a lembrar que um período prolongado com inflação alta e com expectativas acima da meta pode reforçar mecanismos inerciais e retardar o processo de desinflação.

No outro lado do balanço, que pode fazer a inflação cair mais rapidamente que o projetado, o BC passa a falar que os índices de preços no atacado indicam possível arrefecimento do choque de preços de alimentos e um eventual efeito favorável sobre o IPCA.

Também é repetida a possibilidade de que os ajustes na economia podem ser implementados de forma mais célere, o que permitiria ganhos de confiança e reduziria as expectativas de inflação. Mais um ponto favorável no balanço é o nível de ociosidade na economia, que pode produzir desinflação mais rápida do que a refletida nas projeções do colegiado. Segundo o colegiado, a inflação corrente segue pressionada, em parte em decorrência de preços de alimentos, e vem recuando em ritmo mais lento que o esperado.

No lado das expectativas captadas pelo Focus, o BC reconhece que elas recuaram desde a última reunião, mas seguem acima da meta. No entanto, somou que as expectativas para horizontes mais distantes já se encontram em torno desse patamar.

Na avaliação sobre a atividade doméstica, o BC aponta a existência de evidências de que a economia tenha se estabilizado recentemente e fala em “sinais de possível retomada gradual”. Em julho, o BC falou em “perspectiva de estabilização da atividade econômica no curto prazo”. O BC afirmou que a economia segue operando com alto nível de ociosidade, ao invés de dizer que as evidências sugeriam esse alto nível de ociosidade.

Na parte dedicada ao ambiente externo, o Copom fala que o cenário ainda apresenta “interregno benigno” para economias emergentes, somando avaliação recentemente feita pelo presidente do BC, Ilan Goldfajn. Em julho, a avaliação era de um cenário desafiador com ambiente relativamente benigno.

No entanto, pondera o colegiado, as incertezas sobre o crescimento da economia global e, especialmente, sobre a normalização das condições monetárias nos EUA persistem. A avaliação anterior era de que a dinâmica da recuperação da economia global permanecia frágil, com incertezas quanto ao seu crescimento.

Abinee/Valor Econômico – 01/09/2016

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Resultado reafirma cenário desafiador para a atividade

A queda de 0,6% do PIB no segundo trimestre foi ligeiramente pior do que previa o mercado, levando o primeiro trimestre a ser revisado de -0,3% para -0,4%. O destaque da divulgação das Contas Nacionais pelo IBGE foi o desempenho do investimento que, ao crescer 0,4%, interrompeu a sequência de 10 trimestres de resultados negativos na margem. O consumo, em sentido contrário, caiu 0,7%, acumulando seis trimestres consecutivos de retração. E encerrando o desempenho da demanda interna, o consumo do governo teve queda de 0,5%.

Já o setor externo continua se destacando dentro da demanda agregada. As exportações novamente registraram crescimento, de 0,4%, mas a recuperação ainda tímida do investimento já começa a se refletir no crescimento das importações, que subiram 4,5%. Pelo lado da oferta, as notícias também são ligeiramente positivas. A indústria cresceu 0,3% neste trimestre, puxada principalmente pelo melhor desempenho da atividade de transformação, que registrou estabilidade no período. A construção civil, por sua vez, teve uma pequena contração, de -0,2%.

O setor de serviços voltou a se contrair acentuadamente na passagem do primeiro para o segundo trimestre (-0,8%), puxado por dados de comércio e transporte ainda bastante fracos, com quedas de 0,8% e 2,1%, respectivamente. Com esses números, o PIB do terceiro trimestre ainda deve apresentar mais uma retração, de -0,3%, o que levaria o resultado do segundo trimestre a ser revisado de -0,6% para -0,5%. Para o ano fechado de 2016, o PIB cairia -3,2%.

Por outro lado, para os próximos trimestres, as condições para uma retomada acelerada do PIB ainda são restritas. As condições hoje existentes tornam mais provável uma recuperação lenta ao longo do segundo semestre de 2016 e em 2017. A inflação ainda elevada deve manter os juros reais altos por mais algum tempo, impactando negativamente investimento e consumo. Os dados ainda fracos de mercado de trabalho e principalmente de crédito, cujo saldo da carteira com recursos livres vem recuando mesmo em termos nominais (-2,5%), também devem pesar de forma importante sobre o consumo das famílias.

No setor externo, as exportações devem perder um pouco do vigor pela acentuada depreciação cambial ocorrida ao longo de 2015. Por último, a aprovação das reformas fiscais deve tomar um caminho mais longo. Tendo em vista todas essas particularidades, o crescimento do PIB em 2017 deve ficar em 0,6%. E mesmo em um cenário muito otimista, no qual uma expressiva apreciação conduza o câmbio a um patamar inferior a R$ 3,00/US$ e permita a descompressão dos juros, o crescimento chegaria a 1,4%, patamar que não é muito superior ao que a mediana das expectativas de mercado do boletim Focus atualmente aponta para o crescimento de 2017 (1,2%).

O otimismo com a retomada da atividade econômica tem se baseado na melhora recente dos dados de produção industrial, que apresentaram uma reversão drástica da produção de bens de capital, e dos indicadores de confiança brasileiros, os quais, até o momento, registraram uma nítida recuperação do componente das expectativas, mas não da situação atual, que permanece relativamente deprimida. No entanto, sem uma retomada clara do consumo das famílias e a aprovação consistente das medidas de reforma fiscal que validem o cenário de alívio nos juros, é difícil antecipar um crescimento vigoroso do PIB no ano que vem.

Abinee/Valor Econômico – 01/09/2016

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Para Castelar, o país não pode cair na ‘armadilha’ de fazer ajuste incompleto

Um ajuste fiscal que estabilize a relação dívida pública/PIB, se sustentado em fundamentos que indiquem manutenção a médio e longo prazo, permitiria elevar significativamente o potencial de crescimento da economia brasileira. Mas não se pode cair na armadilha de fazer um ajuste incompleto, tanto na área fiscal como em programas como concessão de infraestrutura, sob pena de cair num baixo crescimento por período prolongado.

O alerta é do coordenador de economia aplicada do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre-FGV), Armando Castelar. Ele não acredita em grande valorização do real com o fim do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e avalia que, passada a recuperação cíclica, será a infraestrutura que poderá dar alento à economia, se resolvidos os problemas de estruturação de projetos, regulação e financiamento.

A seguir, os principais trechos da entrevista:

Valor:Um ajuste fiscal que indique a estabilização da dívida como proporção do PIB num horizonte razoável é suficiente para garantir o retorno do crescimento a taxas mais elevadas? Quando o Brasil deve voltar a crescer entre 3% e 4%? E o que é preciso ser feito para isso?

Armando Castelar: Um ajuste fiscal que estabilize a razão dívida pública/PIB, se sustentado em fundamentos que indiquem manutenção a médio/longo prazo, permitiria elevar significativamente o potencial de crescimento da economia. Dois efeitos me parecem mais importantes. Uma delas seria a queda generalizada das taxas de juros, pelo apoio que a política fiscal daria à estabilização de preços e pela queda do risco país. O que também elevaria a confiança. Juntos esses efeitos estimulariam uma alta da taxa de investimento.

Valor:A aprovação da PEC do teto de gastos e de uma reforma previdenciária com regras de transição não muito brandas são suficientes para resolver o problema fiscal ou serão necessárias outras medidas?

Castelar: Incluindo na PEC do teto dos gastos a alteração nas vinculações de saúde e educação, creio que sim. Pelo menos é o que mostram os modelos. O problema é que nesse caso a dívida levará vários anos para se estabilizar e isso ocorrerá em um nível de endividamento bastante alto.

Valor:Passada a recuperação cíclica, quais os componentes da demanda deverão liderar o crescimento da economia?

Castelar: Há preocupações com todos eles. O consumo das famílias deve permanecer limitado pelo alto endividamento, mesmo se houver melhora do mercado de trabalho, o que deve ocorrer mais ao fim de 2017, em cenário de ajuste. O investimento será limitado a curto prazo pela alta capacidade ociosa e no médio prazo pela baixa competitividade da indústria. A infraestrutura pode dar alento, se forem resolvidos os problemas de estruturação de projetos, regulação e financiamento. As exportações terão dificuldade de crescer com o baixo ritmo do comércio internacional e a falta de competitividade da indústria. O consumo do governo, idealmente, deveria crescer pouco, para permitir o ajuste. E, em um cenário de alta do investimento, as importações vão se recuperar, limitando a alta do PIB.

Valor:Quais armadilhas deve se evitar para não cair em baixo crescimento por período prolongado?

Castelar: Fazer um ajuste incompleto, tanto na área fiscal como em relação a programas como concessão de infraestrutura.

Valor:Há quem veja possibilidade de valorização mais forte do câmbio com o fim do processo de impeachment. A valorização é um risco ao crescimento da economia?

Castelar: No curto prazo a valorização do real estimula crescimento: diretamente, elevando a confiança, indiretamente, baixando a inflação e permitindo política monetária mais frouxa. Idealmente você não quer o câmbio em um extremo ou outro, mas a taxa de câmbio é resultado de outras políticas. Em especial, uma política econômica com fiscal e quase-fiscal (crédito público) expansionista e monetária contracionista leva a real muito valorizado, pelo menos enquanto houver a percepção de que não há crise iminente. Acho improvável que o real valorize muito no pós-impeachment: primeiro, pois está quase integralmente no preço; segundo, pois é provável que o dólar se valorize nas próximas semanas, enquanto o Fed mantiver a perspectiva de outra alta de juros.

Abinee/Valor Econômico – 01/09/2016

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Elevação de produtividade é fundamental para crescer a 4%, afirma professor da USP

Para crescer a um ritmo de 4%, o Brasil precisa fazer o ajuste fiscal, mas também é necessário obter ganhos importantes de produtividade, segundo Fabio Kanczuk, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP. O aumento de eficiência passa por medidas como a “eliminação de gargalos de infraestrutura, melhorias na qualidade de educação, racionalização e redução da distorção tributária, e abertura comercial”, diz ele.

Apenas estabilizar a dívida como proporção do PIB pode fazer o país crescer entre 2% e 3%, na visão de Kanczuk, para quem a principal armadilha a ser evitada é deixar de fazer o ajuste fiscal.

Para ele, uma eventual valorização do câmbio depois do encerramento do processo de impeachment não é preocupante. “Há evidência estatística rigorosa de que o real valorizado na realidade ajuda o crescimento econômico”, afirma Kanczuk. “De um lado, a apreciação da moeda cria um efeito negativo nas exportações líquidas [diferença entre exportações e importações]. Mas, de outro, ela também tem um efeito positivo, devido à queda de inflação e juros. Esse segundo efeito é quantitativamente mais importante que o primeiro”, diz o professor da FEA-USP, ao comentar as perspectivas para a economia após o impeachment de Dilma Rousseff. A seguir, a íntegra da entrevista.

Valor:Um ajuste fiscal que indique a estabilização da dívida como proporção do PIB num horizonte razoável é suficiente para garantir o retorno do crescimento a taxas mais elevadas? Quando o Brasil voltará a crescer entre 3% e 4%? E o que é preciso ser feito para isso?

Fabio Kanczuk: A estabilização da dívida como proporção do PIB é condição necessária, mas não suficiente para o retorno do crescimento. Sem o ajuste, o Brasil crescerá em torno de zero. Com o ajuste, o Brasil poderá crescer entre 2% e 3%, o que antes, na última década, correspondia a 3%, 4%. Esse menor crescimento ocorre devido à pior demografia e ao menor crescimento de produtividade no mundo. Para o Brasil crescer 4%, que antes correspondia a 5%, são necessários ganhos importantes de produtividade, relacionados a eliminação de gargalos de infraestrutura, melhorias na qualidade de educação, racionalização e redução da distorção tributária, abertura comercial.

Valor:Se a PEC do teto de gastos e uma reforma da Previdência com regras de transição não muito brandas forem aprovadas, isso é suficiente para resolver o problema fiscal ou serão necessárias outras medidas, como aumentos de impostos?

Kanczuk: As PECs dos gastos e da Previdência são importantes para o longo prazo. No curto prazo provavelmente serão necessárias outras medidas para aumentar as receitas, tais como concessões e outorgas e/ou aumentos de impostos.

Valor:Passada a recuperação cíclica, quais componentes da demanda deverão liderar o crescimento?

Kanczuk: O investimento e o consumo de bens duráveis deverão liderar o crescimento, com a gradual melhora da produtividade.

Valor:Quais armadilhas o país deve evitar para não cair numa situação de baixo crescimento por um período prolongado?

Kanczuk: A principal armadilha é não fazer o ajuste fiscal. Outra ameaça seria a volta de políticas econômicas heterodoxas, alguma versão da Nova Matriz Econômica.

Valor:Há quem veja a possibilidade de uma valorização mais forte do câmbio depois do fim do processo do impeachment. O real valorizado é um risco ao crescimento mais forte da economia?

Kanczuk: Não. Há evidência estatística rigorosa que o real valorizado na realidade ajuda o crescimento econômico. De um lado, a apreciação da moeda cria um efeito negativo nas exportações líquidas. Mas, de outro, ela também tem um efeito positivo, devido à queda de inflação e juros. Esse segundo efeito é quantitativamente mais importante que o primeiro. Assim, apreciação da moeda implica em maior crescimento. Esse crescimento se dá principalmente no investimento, através da compra de máquinas e equipamentos, que ficam relativamente mais baratos com o real valorizado.

Abinee/Valor Econômico – 01/09/2016

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Na economia, jogo começa para Temer com vantagens sutis

Do ponto de vista econômico, o governo Temer entra no ‘jogo para valer’ com algumas vantagens sutis. Os números do PIB do segundo trimestre, se não trouxeram surpresas muito negativas, confirmaram as notícias positivas esperadas: o investimento (alta de 0,4% na margem) e a indústria (+ 0,3%) reagiram após uma sequência assustadora de quedas. Isso confirma o script básico previsto de que a recuperação cíclica está por vir nos próximos trimestres e, sem dúvida, é um ponto que joga muito mais a favor do que contra. Mas nada que não estivesse “no preço”.

É verdade que os serviços, para os quais já se esperava um quadro negativo, se mostraram um pouco pior que o antecipado (queda de 0,8% no trimestre, na margem) e que o consumo das famílias, que tem imenso peso na atividade, mostrou quadro bastante ruim, como se esperava, mas o tamanho da queda no segundo trimestre já foi quase metade (-0,7%) do que era no primeiro (-1,3%). Nos resultados fiscais, o cenário é semelhante: os dados de julho foram ruins, mas vieram em linha com o que era esperado.

Pelo lado da sensação de bem estar, o desemprego sobe em ritmo menor, também influenciado pela maior procura de vagas. A renda real, mesmo diante de tamanha recessão, desacelerou a queda de 4,3% para 3% no trimestre encerrado em julho, se comparado com o mesmo trimestre de 2015. Em relação ao trimestre imediatamente anterior, ficou estável. O salariômetro, da USP, mostra que há quatro meses os reajustes médios empatam com a inflação. Os preços de alimentos, que incomodaram muito, já mostram altas muito mais modestas e a inflação de serviços parece estar finalmente, de fato, tendo uma queda mais significativa. Não são grandes surpresas positivas, nas também não sugerem algo tenebroso para frente.

O que mais conta, então, a favor? A pista está nos dados de confiança. Tirando um ligeiro recuo na disposição dos empresários da indústria em agosto, os dados coletados pela Fundação Getulio Vargas (FGV) mostram claramente que as expectativas do consumidor e do empresariado seguiram crescentes em julho e agosto. Essa percepção ficou clara também na série de entrevistas e coletas de opiniões feitas pelo Valor com acadêmicos, consultorias e instituições financeiras.

Temer encerra a interinidade e começa o governo com crédito, um ativo que não é de forma alguma desprezível. Mas o jogo começa do zero, porque os dados não mostram, como poderia ter ocorrido, nenhum bônus inesperado vindo da situação real da economia.

No primeiro trimestre, por exemplo, o PIB mostrou-se menos pior do que o esperado. Não foi o que ocorreu agora. Também nos dados de confiança isso se revela de forma clara: os índices são fortemente puxados pelas expectativas e não pela percepção da situação atual, tanto nos consumidores quanto no setor produtivo – lembrando que esses dados já se referem a dois meses do terceiro trimestre.

A confiança é um fator poderoso para alavancar a economia, sem dúvida, mas para sustentar os índices em alta, o governo precisará agora de fatos que sustentem as expectativas no campo positivo. Esse será o fator que poderá confirmar a expectativa de parte dos economistas de que 2017 mostre um crescimento mais robusto do PIB, acima de 1,5%. Essa visão, no entanto, não é consenso, justamente porque alguns especialistas, como os do Ibre/FGV, ainda esperam mais sinais concretos e firmes da situação real da economia.

Uma das esperanças para isso está depositada também na agenda microeconômica, que praticamente independe do poder Legislativo e não enfrenta grandes oposições. Durante a interinidade, o governo deu sinalizações reais – e que agradaram o setor produtivo – de mudanças de postura e de regras para reanimar o apetite para concessões e parcerias público-privadas. A guinada na condução do BNDES é o símbolo mais claro disso. Se a reação da economia não virá tanto pelo consumo, terá de vir pela via do investimento.

No entanto, a grande âncora do sucesso ou fiasco do governo Temer, é amplamente sabido, serão as reformas fiscais. Aprovar o teto dos gastos públicos sem concessões que o desfigurem, além de encaminhar uma reforma da Previdência com algum efeito de prazo razoável serão tarefas difíceis e sobre as quais Michel Temer irá – ou não – se equilibrar.

Abinee/Valor Econômico – 01/09/2016

Redação On setembro - 1 - 2016
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