Sindicato Nacional da Indústria de
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Sbado, 18 de Novembro de 2017






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PIB do Brasil recua 0,6% no 2º trimestre

Por Alessandra Saraiva, Robson Sales, Camila Veras Mota e Juliana Cardoso RIO E SÃO PAULO ­ (Atualizada às 9h16)

A economia brasileira registrou queda de no segundo trimestre deste ano, na comparação com os três meses antecedentes. É o sexto resultado negativo consecutivo nesta base de comparação, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado veio pior que a média apurada pelo Valor Data junto a 25 consultorias e instituições financeiras, que apontava queda de 0,5% no período. De janeiro a março, o Produto Interno Bruto (PIB) retraiu­se 0,4% em relação aos três meses anteriores (dado revisado).

Em relação aos mesmos três meses de 2015, o Produto Interno Bruto (PIB) do país diminuiu 3,8%, o nono resultado negativo seguido neste tipo de confronto. No primeiro semestre deste ano, a economia encolheu 4,6% perante mesmo intervalo do calendário anterior.

Comparação trimestral

Considerando o lado da oferta, a indústria registrou crescimento de 0,3% entre abril e junho, na comparação com os três meses antecedentes, mas agropecuária teve queda de 2% e os serviços recuaram 0,8%.

Pela ótica da despesa, a formação bruta de capital fixo ­ um indicativo de investimentos ­ subiu 0,4%, o primeiro resultado positivo após dez trimestres consecutivos em queda.

O consumo das famílias declinou 0,7%, apresentando o sexto trimestre seguido de baixa. As previsões coletadas pelo Valor Data davam conta de um recuo de 0,6%. No primeiro trimestre, houve queda de 1,3% (dado revisado).

Por sua vez, o consumo do governo cedeu 0,5% em relação ao trimestre imediatamente anterior, ante expectativa de avanço de 0,3%.

Valor Econômico – 31/08/2016

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Ação preventiva contra cartéis

Orientado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), o governo interino vai incluir nos próximos editais de concessões de infraestrutura regras para inibir conluios, fraudes e cartéis entre as empresas participantes dos leilões. Os novos modelos vão incorporar normas do Regime Diferenciado de Contratação (RDC), como, por exemplo, a proibição da divulgação de lances mínimos, para que cada concorrente faça a sua proposta sem referência prévia. Os consórcios terão de assinar uma declaração para atestar que seu lance é genuíno e que foi elaborado sem compartilhamento de informação comercial com concorrentes. As medidas visam a evitar preços inflados nos leilões, que venham a prejudicar consumidores ou a arrecadação federal, quando a disputa for por pagamento de outorga.

Uma das novidades será a realização de leilões simultâneos na concessão de projetos complementares, como rodovias e portos, para evitar que as empresas acertem a divisão dos ativos entre elas. A ideia valerá para licitações em lotes, de forma a dificultar a divisão de mercado comum em leilões sequenciais, realizados em momentos diferentes.

Conforme o documento “Medidas para estimular o ambiente concorrencial dos processos licitatórios: contribuições do Cade”, obtido pelo GLOBO, a previsão é que a divulgação dos projetos incluídos na próximas rodadas de licitação tenha mais restrições, para evitar que dados sejam utilizados por empresas em acordos ilícitos. Recomenda-se, por exemplo, o sigilo em relação aos participantes e aos lances apresentados.

NORMAS BASEADAS EM EXPERIÊNCIA INTERNACIONAL
As propostas do Cade abrangem todo o processo: desde o desenho do edital, que não teria exigências desnecessárias que possam reduzir o número de competidores, até o leilão em si, que seria feito preferencialmente por meio eletrônico.
O Cade propõe que o governo tome cuidados para evitar que os candidatos se encontrem durante o processo de disputa, como em audiências públicas presenciais, que são frequentes no setor de transportes. As consultas eletrônicas não devem mais trazer quem são os autores de cada pergunta. Todos os esclarecimentos referentes ao edital deverão ser realizados por meio eletrônico, de forma anônima.

A subcontratação — quando a vencedora contrata outras empresas para efetuar serviços — não será proibida, mas serão fixados critérios para controle e cadastro de subcontratadas, com registro obrigatório. O objetivo é permitir o mapeamento do rol de empresas subcontratadas pelos vencedores do leilão e acender a luz vermelha dos órgãos de investigação, quando houver reincidências.

As propostas foram enviadas ao secretário executivo do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), Moreira Franco, e têm como base a experiência internacional de países como Estados Unidos, Canadá, Nova Zelândia e Índia, além de recomendações da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).

— As medidas encaminhadas pelo Cade serão incorporadas, porque precisamos criar um ambiente concorrencial. Temos que adotar experiências de organismos especializados em regular a vida econômica e ações exitosas de outros países para tornar o ambiente mais saudável, que é o que interessa a todo cidadão — disse Moreira Franco, acrescentando que aspectos da competição não foram levados em conta nas concessões anteriores.

Em junho, como consequência da Operação Lava-Jato, o Tribunal de Contas da União deu início a um processo de auditoria de Belo Monte, no qual verifica se houve conluio no leilão da usina, em abril de 2010. Uma das evidências apontadas pela área técnica do tribunal era que havia subsidiárias da Eletrobras em ambos os consórcios que apresentaram propostas. No único leilão do pré-sal, não houve concorrência, porque só um grupo, do qual fazia parte a Petrobras, concorreu.

O presidente interino do Cade, Márcio de Oliveira Júnior, disse que o objetivo do novo arcabouço jurídico proposto é “quebrar” o modus operandi dos cartéis, que costumam trocar informações sensíveis para a concorrência. A partir do momento em que os acordos não podem ser cumpridos, o cartel fica prejudicado porque não terá mais segurança, disse Oliveira.

O Cade participa das investigações que têm como alvo empresas citadas na Lava-Jato e assinou acordos de leniência e termos de compromisso com as investigadas. Oliveira destacou a iniciativa inédita no Brasil, citando que o país, pela primeira vez, acata orientações da OCDE.

— A recomendação da OCDE aos países membros está sendo acatada pelo Brasil, e o objetivo é reduzir a probabilidade de ocorrência de cartel — disse o presidente do Cade.

O órgão será um colaborador permanente da secretaria do PPI, com a missão de se antecipar e evitar acordos ilegais entre as empresas nas licitações. Até então, a atuação do Cade se dava após o fechamento do negócio. Para o ex-presidente do órgão Ruy Coutinho, agir preventivamente em editais é a forma mais eficiente de coibir práticas anticompetitivas em leilões:

— O momento do edital é o mais efetivo para esse tipo de ação. Depois que está feita a confusão, vai para a Justiça, recorrem, mas o resultado continua.
Coutinho lembrou que uma distorção nos leilões pode implicar pagamentos extras pelos consumidores de determinado serviço por todos os anos da concessão. No caso em apuração de Belo Monte, se a tarifa foi inflada por cartel, os consumidores pagarão esse preço extra nas contas de luz por 25 anos.

— O que tem de acabar é o efeito potencial de se falsear a concorrência em leilões desse tipo, levando a dominar mercado, elevar preços, lucros, exercer de forma abusiva a predominância. Somos nós que pagamos as imprecisões, como consumidores ou contribuintes — disse Coutinho.

O Globo – 31/08/2016

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Impostômetro chega a R$ 1,3 tri

O Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) atingiu a marca de R$ 1,3 trilhão ontem. O valor representa o total de taxas e impostos pagos pela população desde o começo do ano. Foi registrado dois dias depois do que em 2015, o que aponta queda na arrecadação de um ano para outro. Para o presidente da ACSP, Alencar Burti, o recuo deve ser revertido nos próximos meses.

DCI – 31/08/2016

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Déficit de R$ 18,5 bi é recorde para meses de julho

Com sucessivos aumentos de despesas e queda de receitas, o governo central – que reúne as contas do Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central – registrou déficit primário de R$ 18,551 bilhões em julho. O rombo é bem maior que o de R$ 7,143 bilhões contabilizado no mesmo mês do ano passado e o pior para o mês de julho desde o início da série histórica do Tesouro Nacional, em 1997.

No acumulado de janeiro a julho, as contas do governo ficaram negativas em R$ 51,073 bilhões – alta de 453,1% na comparação com o saldo negativo apurado no mesmo período de 2015.

A secretária do Tesouro Nacional, Ana Paula Vescovi, afirmou que o resultado de julho foi diretamente influenciado pela concentração de pagamentos de R$ 9,2 bilhões relativos a subsídios, subvenções e ao Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro).

Ela lembrou que, pelo acordo firmado com o Tribunal de Contas da União (TCU) para a realização dos pagamentos atrasados de programas como o de Sustentação do Investimento (PSI) – que ficaram conhecidos como “pedaladas fiscais” -, essas despesas passaram a se concentrar nos meses de janeiro e julho.

A secretária também destacou o elevado déficit da Previdência Social, de R$ 11,818 bilhões apenas em julho. No fechamento das contas em julho, o Tesouro Nacional também contribuiu com um saldo negativo de R$ 6,805 bilhões. O BC, por sua vez, registrou superávit de R$ 72,1 milhões no mês.

Pelos dados divulgados ontem, de agosto a dezembro, o governo central deve registrar um déficit primário de R$ 119,427 bilhões para chegar à previsão de saldo negativo de R$ 170,5 bilhões definida pela equipe econômica para fechamento de 2016. A secretária do Tesouro reiterou que a meta deste ano é “crível” e ressaltou que, em outubro, deverão entrar na conta recursos de ativos de brasileiros no exterior.

“Temos uma meta [fiscal] crível. Ela mostra o tamanho do problema. Mas, de fato, nem de longe podemos dizer que é uma meta folgada”, afirmou Ana Paula, que considerou ainda que o quadro de deterioração das contas públicas precisa ser confrontado com reformas estruturais.

Ela lembrou que, em 22 de setembro, o governo divulgará o próximo relatório de avaliação de receitas e despesas, com o objetivo de avaliar a evolução das contas públicas. “Se houver necessidade de contingenciamento, isso será feito”, disse. A secretária ressaltou que as receitas de repatriação “não estão incluídas na programação financeira”.

Segundo o Tesouro, os investimentos do governo no período de janeiro a julho somaram R$ 31,2 bilhões, o que corresponde a uma redução de 3% ante os R$ 32,262 bilhões realizados no mesmo período de 2015. No Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), foram investidos R$ 22,423 bilhões nos sete primeiros meses do ano. O valor corresponde a uma queda real de 13,6% em relação ao mesmo período de 2015.

Os dividendos pagos à União, por sua vez, somaram R$ 24,1 milhões no mês passado. Nos primeiros sete meses do ano, os repasses para os cofres públicos totalizaram R$ 1,044 bilhão. No caso das concessões, o Tesouro Nacional recebeu R$ 1,9 bilhão em julho. No acumulado, o valor chegou a R$ 20,966 bilhões. Os valores acumulados estão corrigidos pela inflação.

Ontem, o Tesouro Nacional divulgou apenas uma versão resumida do relatório do resultado fiscal. A divulgação foi comprometida pela greve dos servidores do órgão. Segundo a secretária, os leilões da dívida seguem normalmente mesmo com a paralisação.

Ana Paula disse que não há espaço para atender ao pedido da categoria, que busca uma equiparação salarial com os servidores da Receita Federal, mas observou que está aberta ao diálogo para a adoção de medidas de valorização da carreira, desde que não impliquem impacto fiscal.

Valor Econômico – 31/08/2016

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Reformas fiscais são necessárias, mas não suficientes, diz Bonelli

As reformas fiscais podem sustentar uma retomada da confiança, mas sozinhas não serão suficientes para colocar o país numa rota de crescimento mais forte. Para isso seria necessário promover também reformas importantes no ambiente de negócios e no mercado de trabalho, para recuperar a competitividade e a produtividade do país. Esta é a visão do economista Regis Bonelli, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV).

“A mais longo prazo dificilmente conseguiremos alcançar taxas de 4% ao ano. Isso foi possível em meados dos anos 1990 e de 2004 a 2011, quando fomos beneficiados por forte elevação dos termos de troca, que funcionaram como um vento de cauda”, disse ele. A seguir, a íntegra da entrevista concedida ao Valor.

Valor:Um ajuste fiscal que indique a estabilização da dívida como proporção do PIB num horizonte razoável é suficiente para garantir o retorno do crescimento a taxas mais elevadas?

Regis Bonelli: O ajuste fiscal é condição necessária mas não suficiente para a retomada do crescimento. Entre outras coisas, porque, dependendo da intensidade, ele sinaliza redução do risco para os investidores, internos e externos, e influencia positivamente as expectativas. O próprio anúncio de um ajuste fiscal, aliás, tem afetado positivamente as expectativas, antes mesmo da adoção das medidas fiscais que vêm sendo veiculadas por fontes do Executivo.

Valor: Quando o Brasil volta a crescer entre 3% e 4%?

Bonelli: Acho difícil que o Brasil possa crescer a taxas da ordem de 3% a 4% ao ano a mais longo prazo. A curto prazo, uma recuperação cíclica rápida baseada na capacidade ociosa existente (que não está no nosso radar) pode até permitir crescimento acelerado do PIB. Mas a mais longo prazo dificilmente conseguiremos alcançar taxas de 4% ao ano. Isso foi possível no último quarto de século em duas fases: em meados dos anos 1990 e de 2004 a 2011, quando, em ambas, fomos beneficiados por forte elevação dos termos de troca (preços de exportações relativamente aos de importações), que funcionaram como um vento de cauda. O aumento dos termos de troca tem impacto direto sobre a produtividade total dos fatores, especialmente se ocorrer (como em geral ocorre) em fases de apreciação da taxa de câmbio efetiva real; logo, impacta diretamente o crescimento do PIB. Ele beneficia a produtividade pela elevação das importações de bens de capital, que incorporam novas tecnologias, e intermediários, que incorporam partes e componentes também tecnologicamente mais avançados do que os produzidos domesticamente. Na ausência de ganhos fortes dos termos de troca é difícil que consigamos crescer de forma sustentada a taxas até mesmo de 3%.

Valor:E o que é preciso ser feito para isso?

Bonelli: Seria necessário retomar o crescimento da produtividade a taxas aceleradas, pois a mais longo prazo o emprego não terá como crescer de forma acelerada devido ao esgotamento do bônus demográfico. No horizonte de uma década, por exemplo, será difícil que o nível de emprego cresça em média mais do que 1% ao ano. Para alcançar crescimento do PIB de 3% ao ano seria preciso, portanto, que a produtividade aumentasse 2% anuais. Exceto nas fases de boom de commodities, há muito tempo o Brasil não consegue exibir taxas de crescimento da produtividade dessa magnitude. Pelo contrário, a experiência dos últimos anos é de taxas negativas.

Valor:Se a PEC do teto de gastos e uma reforma da Previdência com regras de transição não muito brandas forem aprovadas, é suficiente para resolver o problema fiscal ou serão necessárias outras medidas, como aumentos de impostos?

Bonelli: O conjunto das duas reformas sinalizarão corretamente o ajuste fiscal, mas receio que seja pouco para resolver o problema fiscal. Principalmente porque os resultados da reforma da previdência só se farão sentir a mais longo prazo e o teto fiscal (aí incluída alguma solução para a questão das finanças estaduais) possivelmente não será aprovado embutindo a intensidade de redução de gasto prevista pela equipe econômica. É natural que no Congresso sejam aprovadas alterações no projeto original no sentido de tornar o “teto menos rígido”. Nesse sentido pode ser preciso promover elevação de impostos, caso a recuperação da receita – grande incógnita a curto e médio prazos – não ocorra em magnitude necessária para suavizar a restrição fiscal. De qualquer forma, dificilmente conseguiremos futuramente redução expressiva da relação entre dívida bruta e PIB, mesmo a médio prazo.

Valor:Passada a recuperação cíclica, quais componentes da demanda vão liderar o crescimento?

Bonelli: Em primeiro lugar, o investimento em infraestrutura, principal gargalo para a aceleração do crescimento brasileiro no atual estágio da economia. Isso vai depender crucialmente de privatizações e concessões que venham a ser realizadas. Mas aqui, como em aspectos da pergunta anterior, os efeitos demorarão a aparecer. Nesse sentido, uma retomada da atividade muito forte poderia, inclusive, esbarrar em restrições de oferta de infraestrutura. Como, aliás, já aconteceu no passado como se manifestou no congestionamento na logística de transportes e na escassez de energia. Em segundo lugar, pelo peso que ocupa na matriz da demanda agregada, o consumo das famílias, uma vez equacionada a questão do endividamento e que a renda real dos consumidores retome a trajetória de crescimento. É oportuno registrar que não se deve esperar contribuição positiva das exportações líquidas (demanda externa líquida) no futuro próximo, por duas razões principais: primeiro, a recuperação da atividade – e, principalmente, do investimento fixo – implicará maiores importações de bens e serviços, como acontece nas recuperações cíclicas; em segundo lugar, e na ausência de novas fontes de demanda externa (emergência da Índia como motor de crescimento mundial, quem sabe?), o volume de comércio internacional continuará a crescer a taxas muito baixas, assim como vem acontecendo até o momento. A única saída, nesse caso, seria se o Brasil conseguisse elevar sua competitividade internacional pela redução acentuada do custo unitário do trabalho. Essa alternativa parece distante, dados os parâmetros atuais.

Valor:Quais armadilhas o país deve evitar para não cair numa situação de baixo crescimento por um período prolongado?

Bonelli: Existem várias. Um aspecto, não citado acima, é a resistência do processo inflacionário, que obriga o Banco Central a manter os juros elevados e implica déficit nominal também elevado por algum tempo. A segunda armadilha, relacionada à anterior, é que a política fiscal seja muito branda e obrigue a BC a manter os juros reais muito altos por muito tempo. Na área externa, existe a possibilidade de que os EUA elevem os juros, o que deslocaria fluxos de capital para aquele país e tenderia a desequilibrar a conta corrente do balanço de pagamentos do Brasil. Mas a principal armadilha do lento crescimento é interna, ocorre pelo lado da oferta agregada e está associada à dificuldade de retomar o crescimento da produtividade a taxas elevadas. Isso só será possível com o próprio crescimento e com reformas do mercado de trabalho e do ambiente de negócios. A importância de um bom ambiente de negócios para o desenvolvimento econômico das nações é hoje amplamente reconhecida, pelo que ele representa para a construção da competitividade e produtividade dos países – logo, da sua prosperidade a longo prazo. O Brasil, infelizmente, tem se destacado negativamente em relação à qualidade do seu ambiente de negócios. É isso que revela a edição de 2015-16 do Global Competitiveness Report, por exemplo, que situa nosso país na 75ª colocação entre 140 países, 18 posições abaixo da registrada na edição anterior. Com isso, ficamos entre os três países da América Latina com declínios mais dramáticos no último ano, segundo esse indicador, os outros dois sendo Bolívia e El Salvador.

Valor:O real valorizado é risco ao crescimento mais forte da economia?

Bonelli: Real valorizado é risco e oportunidade. Risco porque inibe o crescimento da indústria de manufaturas, o que dificulta a adoção de inovações. Oportunidade porque barateia importações de bens de capital e intermediários – logo, tem efeito positivo sobre a produtividade. A curto prazo o efeito do real mais valorizado é benéfico para o controle inflacionário. A mais longo prazo, o real mais desvalorizado beneficiaria as exportações e aumentaria a competitividade pela redução do custo unitário do trabalho. Obviamente, se ele for auxiliado pelo aumento da produtividade.

Valor Econômico – 31/08/2016

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Coluna

O efeito da política fiscal sobre a taxa de juros

Por Eduardo Velho

Não podemos relativizar o efeito da política fiscal sobre as decisões da política monetária.

Essa evidência ficou clara durante a crise da dívida soberana europeia, quando economias como Grécia, Portugal e Espanha apresentavam déficits fiscais elevados e uma dinâmica insustentável de suas dívidas públicas como proporção do PIB. Esses países tentavam emitir títulos para a rolagem da dívida e financiar os déficits persistentes e, do outro lado, o mercado cobrava prêmios com taxas de juros cada vez mais elevadas no mercado primário e no secundário, sinalizando a confiança reduzida dos investidores em relação à capacidade de pagamento e à sustentabilidade da dívida pública. No contexto de aversão ao risco, os investidores aumentaram as compras dos títulos do Tesouro da economia alemã, cada vez mais valorizados e que pagavam juros reduzidos, ratificando a importância de uma economia gerar uma poupança fiscal e possuir uma reputação de austeridade com estabilidade inflacionária.

A maioria dos trabalhos acadêmicos sobre a dinâmica macroeconômica ressalta os efeitos dos choques monetários sobre as variáveis econômicas, como inflação e atividade, mas também são relevantes a análise dos impactos das contas públicas sobre as taxas de juros domésticas. Um estudo de Thomas Laubach (“New Evidence on the Interest Rate Effects of Budget Deficits and Debt” do Federal Reserve de 2007) para a economia americana verificou a correlação positiva entre déficit fiscal e a taxa de juros de longo prazo, concluindo que um aumento de um ponto percentual do déficit primário/PIB provocaria a elevação de 20 a 30 pontos base nas taxas de juros e a elevação de 1 p.p. da dívida pública/PIB provocaria um aumento de 3 a 4 pontos base nos juros longos. Ganhos de credibilidade da política monetária têm sido relevantes, mas insuficientes sem o apoio da política fiscal

Um outro documento de A. Moreira e K. Rocha (” A Política Fiscal e as Taxa de Juros nos países emergentes, de 2011) com uma amostra de 18 países, concluiu que a redução de 1% do superávit primário provocaria uma aumento de 50 a 100 pontos base na curva de juros.

Estimulado pelo tema, realizei um exercício considerando apenas a variação do indicador fiscal com o nosso mercado futuro de juros até 2015, gerando uma queda de até 90 pontos base no juro longo no cenário de aumento do primário em 1 ponto percentual, corroborando as conclusões anteriores. De fato, a postergação da tramitação e aprovação de projetos fiscais que priorizam a austeridade elevaram por diversas vezes, ao longo de 2016, as taxas de juros da curva futura, mesmo em períodos de menor incerteza no exterior e/ou com recuo das projeções de inflação.

No regime de metas de inflação, as expectativas inflacionárias também são afetadas pela dinâmica do primário e da dívida pública. Na medida que aumenta o desvio da expectativa de inflação em relação à meta central, o custo do ajuste pela contração da atividade econômica poderia ser compensado ou suavizado pelo aumento da reputação do Banco Central no cumprimento da meta em sua função reação, mas também pela contribuição fiscal menos expansionista.

Uma trajetória consistente de melhoria do resultado primário tende a provocar uma redução da necessidade de financiamento do setor público junto ao setor privado, contribuindo para a queda do custo da dívida pública nos leilões e da necessidade de aumento da carga tributária, portando, gerando uma qualidade do ajuste fiscal menos inflacionário

 A política fiscal brasileira teve um comprometimento reduzido com a estabilidade da dívida pública nos últimos anos, além de fraca convergência com a política monetária, evidenciado pelo ritmo elevadíssimo de gastos combinado com uma inflação média anual elevada de 7% entre 2011 e 2015. De fato, a dívida pública bruta/PIB do governo aumentou quase 20 pontos percentuais (68%) entre janeiro de 2011 e meados de 2016. O governo acionou uma política fiscal anticíclica, mas sem resolver o problema de inflação de curto prazo e com credibilidade reduzida da autoridade monetária.

A decomposição da inflação do terceiro trimestre sugere que a intensidade da devolução do choque dos preços dos alimentos tem sido moderada no curto prazo, com elevação da projeção do IPCA para uma taxa próxima de 7,5% em 2016 e interrupção da queda para 2017. Por outro lado, o desvio da inflação esperada em relação à meta central do próximo ano está mais reduzido e as expectativas de desvalorização do real seguem ancoradas ou com viés de baixa.

As revisões recentes para cima das expectativas para a taxa Selic para os finais de 2016 e 2017 estariam associadas de forma preponderante à mudança de percepção com a contribuição fiscal para reduzir a inflação, sobretudo com as incertezas no plano fiscal em relação ao timing de votação e aos perfis do projeto que limitará o ritmo de gastos à inflação passada e da reforma previdenciária.

Com o término do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff e o cenário de maior probabilidade de elevação das taxas de juros nos Estados Unidos em 2016, o governo deve agilizar e priorizar o apoio da base governista no Congresso para evitar sinais de leniência fiscal e aprovar as reformas estruturais, pois, caso contrário, só restará ao Banco Central prolongar a manutenção da taxa básica de juros, que vem sendo precificada no mercado futuro.

Os ganhos de credibilidade da política monetária na gestão Ilan têm sido relevantes, mas não serão suficientes para alterar a percepção de flexibilização do juro básico no curtíssimo prazo e reverter a rigidez recente da curva longa sem o efeito complementar da política fiscal.

No Copom de agosto, o cenário para o comunicado do Banco Central deve ser restritivo e corroborar a manutenção da Selic em 14,25%, mas existem dúvidas em relação ao teor do discurso com a perspectiva fiscal, que pode manter ou não o espaço para a flexibilização da Selic na decisão de política monetária de outubro, devendo considerar os efeitos potenciais da apreciação do real e novo recuo das projeções de inflação do BC para o IPCA de 2017 e 2018. Eduardo Velho é economista ­chefe/diretor da A2A Asset INVX Global, professor da FGV e Fucape.

Valor Econômico – 31/08/2016

Redação On agosto - 31 - 2016
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