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Sbado, 25 de Novembro de 2017






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Todos buscam um indicador melhor que o PIB, mas não é fácil

O Produto Interno Bruto (PIB) lembra muito o século XX. A medida padrão de desempenho econômico de um país cresceu a partir de um início humilde durante a Grande Depressão (crise econômica de 1929), quando passou a ser um indicador essencial para governos e bancos centrais do mundo inteiro. Investidores de longo prazo alocam capital com base em seus números; operadores compram e vendem ações, bônus, moedas e commodities num piscar de olhos após os resultados piscarem em suas telas. Um desses relatórios, acompanhados atentamente, sairá na sexta-feira, quando os Estados Unidos vão divulgar a sua estimativa revisada do PIB do segundo trimestre.

O problema é que – seja ele formulado por meio de enfoques ligados à produção, à renda ou às despesas – o PIB está tendo cada vez mais dificuldades de dar conta do ritmo das mudanças da economia.

Em uma era em que US$ 10 podem comprar um CD ou um mês de streaming ilimitado de música, está ficando mais difícil atribuir um preço à produção econômica. E, como índice agregado que ignora os efeitos da distribuição, o PIB mascarou as desigualdades cada vez maiores de distribuição de renda que contribuíram para incentivar políticos pouco convencionais como Donald Trump ou a reação que levou à aprovação do Brexit (a saída do Reino Unido da União Europeia).

Diante disso, num momento em que tanto governos do mundo desenvolvido quanto mercados emergentes enfrentam dificuldades para reproduzir as taxas de crescimento e os saltos de produtividade das décadas anteriores, está em curso uma tentativa mais urgente de encontrar um parâmetro econômico mais adequado às suas finalidades.

“O PIB é fácil de criticar, mas bastante difícil de substituir”, afirmou Paul Sheard, economista-chefe da S&P Global de Nova York. “Se os governos estão administrando a economia com base nesse padrão de medida, há mérito em dizer que deveríamos adotar um indicador mais amplo.”

Essa tentativa está ligando empreendimentos tão díspares quanto uma corretora de ações em Mumbai e um simpósio de estatística em Dresden, Alemanha. O primeiro, a Ambit Capital, criou seu próprio índice de consumo baseado em vendas de veículos e em uso de energia elétrica, para se proteger dos números oficiais de crescimento da Índia. Isso reflete um ceticismo, evidente também em outras áreas, de que os métodos atualmente empregados podem não medir de forma consistente até mesmo partes tradicionais da economia e que o PIB está tão sujeito a grandes revisões, o que é de pouca utilidade na tomada de decisões instantâneas de investimento.

Essa preocupação é acompanhada pelo temor de que os estatísticos estejam medindo coisas erradas. Nesta semana, na Alemanha, em uma conferência que termina no sábado, a International Association for Research in Income and Wealth (associação internacional de pesquisa de renda e riqueza) tem uma agenda dominada por estudos que investigam questões de igualdade de distribuição de renda, mudança tecnológica e padrões de vida – campos pouco comuns em divulgações de PIB.

“O foco único no PIB ou no crescimento do PIB em muitas discussões de política pública é enganoso”, escreveu este mês Olivier Blanchard, ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI) e atualmente professor visitante-sênior do Instituto Peterson de Economia Internacional. “Efeitos da distribuição, ou distorções que afetam a composição, e não o tamanho, da produção, ou efeitos das políticas atuais sobre a produção futura, e não a atual, podem ser tão importantes para o bem-estar quanto os efeitos sobre o PIB atual.”

O que aumenta a apreensão com relação ao PIB e sua relevância são as revisões cada vez maiores, que ameaçam fazer com que os formuladores de políticas públicas e os investidores tomem a direção errada.

Os dados estão sendo revisados com frequência maior e por margens maiores, segundo nota divulgada em julho por Paul Donovan, economista-chefe mundial, e pela analista Sophie Constable, ambos do UBS Group.

Isso é importante porque o número inicial que impulsiona os mercados “está quase sempre errado”, escreveram eles. Considerando que as oscilações dos preços dos ativos têm impacto na economia como um todo, “os bancos centrais deveriam tomar muito, mas muito cuidado para não dar ênfase exagerada aos mercados em suas deliberações de política monetária”.

O que aumenta a apreensão em torno do indicador e sua relevância são suas frequentes revisões

Nos Estados Unidos, na semana passada, Dennis Lockhart, presidente da diretoria regional de Atlanta do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), questionou se os dados oficiais, que revelaram um crescimento de apenas 1,2% do país no período de três meses encerrado em junho, eram um reflexo verdadeiro do nível de atividade da economia real (veja gráfico).

“Se olharmos para além do problemático número oficial do crescimento do PIB do segundo trimestre e estudarmos as vendas finais reais, surgirá um quadro mais coerente do impulso da economia”, disse ele.

O vice-presidente do Fed, Stanley Fischer, disse no domingo prever que o crescimento do PIB americano vai acelerar, sinalizando que uma alta das taxas de juros em 2016 ainda está sendo considerada. “Estamos próximos das nossas metas”, disse ele.

No Japão, uma nova análise do banco central descobriu que, em vez de se contrair em 2014, a economia do país, na verdade, usufruiu de um crescimento sólido (veja gráfico). A contradição que permeia os dados do governo ocorre num momento em que o BC do Japão intensifica seus esforços para obter indicadores melhores, como dar início à elaboração de seu próprio índice de consumo. O presidente da instituição, Haruhiko Kuroda, pediu números melhores.

No Reino Unido, uma análise independente feita em março por Charles Bean, ex-diretor do Banco da Inglaterra (o banco central britânico), recomendou uma transformação dos indicadores do país.

“Temos de reconduzir a estatística econômica ao futuro; caso contrário, corremos o risco de perder uma parte importante da economia contemporânea pelo uso de dados oficiais”, disse Bean em comunicado à imprensa que acompanhou a divulgação do relatório em março.

É uma história semelhante em todo o mundo. Yves Mersch, membro do conselho diretor do Banco Central Europeu (BCE), advertiu para o impacto da mudança tecnológica em discurso pronunciado em fevereiro. O governo da Nova Zelândia tem um indicador de bem-estar, enquanto a Comissão Europeia teve um projeto, por quase uma década, de ir além das medidas tradicionais do PIB.

Raghuram Rajan, o presidente do banco central da Índia em fim de mandato, advertiu para a dificuldade de medir o crescimento diante do envelhecimento da população. Os números do PIB do país passaram a ser acompanhados atentamente desde que, no ano passado, uma nova metodologia, mostrou um ritmo de crescimento econômico superior ao da China. Ruchir Sharma, diretor de mercados emergentes e estrategista-chefe mundial do Morgan Stanley Investment Management, afirmou que esses resultados demonstravam “incompetência, porque o departamento de estatística do país está utilizando uma nova metodologia sem tê-la testado bem”.

Para obter uma medida melhor, a Stewart Investors, de Edimburgo, promove pesquisa sobre as falhas do cômputo do PIB na Ásia e examina possíveis alternativas.

“A atual pesquisa ‘macro’ dos bancos de investimento foca apenas em técnicas contábeis muito falhas para ‘medir’ o PIB”, escreveu a empresa de investimento em seu site. “Isso está ficando cada vez mais importante com o surgimento de fatores como níveis extremos de degradação ambiental, níveis de obesidade que se aproximam de definições médicas de epidemia etc.”

A escala da mudança está incentivando o debate sobre se o grau de atividade da economia real está mesmo sendo captado com precisão. Exemplo: pagamentos que antigamente eram feitos no balcão passaram agora a ser “on-line”, extrapolando o alcance dos indicadores tradicionais das vendas de varejo.

Relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) de junho detectou que, embora a mensuração do PIB deva ser passível de ser adaptada à economia digitalizada, persistem muitos desafios. Os autores do relatório, Nadim Ahmad e Paul Schreyer, estimaram que o Airbnb tem um valor de mercado próximo do da Hilton Worldwide Holdings, mas que o impacto dos aluguéis do Airbnb são mais difíceis de quantificar.

Apesar de seus defeitos, talvez a melhor defesa do PIB seja o fato de não existir um substituto convincente

Ahmad e Schreyer apontaram para serviços digitais difíceis de avaliar, mas influentes, como a Wikipedia e o sistema operacional gratuito Linux, com uma natureza global “coletiva” que torna seu uso e impacto difícil de adequar à estrutura tradicional de uma mensuração do PIB.

A digitalização, além do mais, tem muito pela frente, o que significa que a contestação ao PIB só vai aumentar. A economia dos Estados Unidos só está realizando 18% de seu potencial digital, e poderá acrescentar nada menos que US$ 2,2 trilhões ao PIB anual até 2025, de acordo com o McKinsey Global Institute.

Apesar de seus defeitos, talvez a melhor defesa do PIB seja o fato de não existir um substituto convincente. “Não encontrei uma prova incontestável que sugira que o PIB está inteiramente superado”, disse Frederic Neumann, codiretor de pesquisa econômica asiática do HSBC de Hong Kong. A estagnação dos salários e a inflação sob controle combinam com baixos resultados do PIB em boa parte do mundo desenvolvido, afirmou.

Na verdade, se o relatório do PIB for conferido com a ajuda de indicadores de felicidade, obtém-se uma correlação muito alta, disse o professor de economia Justin Wolfers, da Universidade de Michigan.

“Temos essa medida horrível que deixa muita coisa fora – essa é a teoria – mas, na prática, o que se vê é que países dotados de altos níveis de PIB estão se saindo bem na maioria das coisas que as pessoas dizem que são as que realmente importam”, disse Wolfers, ex-colunista da “Bloomberg”. “Essa é uma das coisas que estão quebradas na teoria, mas que na prática funcionam.”

Abinee/Valor Econômico – 24/08/2016

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Em reunião, sócios do Mercosul defendem colegiado no comando

Brasil, Paraguai e Argentina estão prontos para colocar em prática, imediatamente, um plano de emergência para que o Mercosul não fique acéfalo até o fim do ano. Falta apenas o Uruguai dar o sinal verde para que o bloco passe a ser dirigido por uma espécie de colegiado composto por representantes dos quatro países fundadores. A expectativa é que o governo uruguaio dê uma resposta ainda hoje.

O acerto foi feito ontem, em Montevidéu, durante reunião entre os coordenadores do Mercosul dos quatro países, que durou praticamente todo o dia. A crise no bloco foi desencadeada pela decisão do Uruguai de transferir, em julho, a presidência pro tempore para a Venezuela, apesar da oposição dos governos de Brasil, Paraguai e Argentina. A presidência do bloco é temporária, cada mandato dura seis meses e a sucessão se dá por ordem alfabética. Assim, em janeiro de 2017, a Argentina assume o posto.

— Passamos o dia discutindo sobre como lidar com essa questão da Venezuela — disse uma fonte que esteve no encontro.

Segundo essa fonte, durante a reunião, os representantes dos quatro países concordaram que a Venezuela não cumpriu os requisitos previstos no protocolo de adesão ao bloco, para se tornar membro pleno. Os critérios são técnicos e políticos, uma vez que uma das acusações a Caracas é que há falhas no sistema democrático e de respeito aos direitos humanos. Os venezuelanos poderão ser rebaixados a associados ao Mercosul — como Chile e Bolívia — ou mesmo suspensos da união aduaneira.

De acordo com o vice-chanceler paraguaio, Rigoberto Gauto, o governo venezuelano, apesar de ter sido convidado, não enviou representantes ao encontro. Gauto explicou que os técnicos dos países fundadores do Mercosul levarão sugestões aos respectivos chanceleres do bloco sobre como agir em relação à Venezuela.

CARACAS CRIA AGENDA
Ontem, o Parlamento do Paraguai condenou “as violações dos direitos humanos e da democracia” na Venezuela e a atitude do país em relação ao Mercosul. O governo do presidente Horacio Cartes foi, desde o começo da crise, um dos mais duros com Caracas.

— Sentimos um pouquinho sua falta, teria sido bom que tivesse vindo, para falarmos sobre todos os temas que estão em debate — declarou o vicechanceler paraguaio.

Além de não ter ido à reunião, o governo do presidente Nicolás Maduro publicou uma agenda de futuros encontros em Caracas, aos quais a Venezuela diz que deveriam comparecer os sócios do bloco. Assim ocorre quando um país tem a presidência pro tempore do Mercosul. Porém, Brasil, Argentina e Paraguai não reconhecem o comando dos venezuelanos.

Mais uma vez, a pressão da ala liderada pelo senador e ex-presidente uruguaio José Mujica é forte dentro de seu país e da aliança de governo e explica, em grande medida, a posição do governo do presidente Tabaré Vázquez em relação à situação da Venezuela no bloco. Segundo fontes uruguaias, Vázquez estaria disposto a aceitar a agenda de trabalho proposta por Caracas.

Ontem, líderes opositores venezuelanos criticaram as ações do país no Mercosul. O governador do estado Miranda e ex-candidato presidencial, Henrique Capriles, disse no Twitter:“é imoral que a Venezuela presida o Mercosul, agradeço as posições de Brasil, Argentina e Paraguai”.

Abinee/O Globo – 24/08/2016

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Por que os grandes bancos dos EUA estão encolhendo

Alguns dos maiores bancos dos Estados Unidos estão ficando menores. O caso mais exemplar é o do Citigroup, que já foi o maior do país, e hoje está na quarta posição. Desde a crise de 2008, o Citi viu seus ativos se reduzirem em US$ 400 bilhões, o equivalente ao tamanho do Bradesco no Brasil. Outro exemplo é o Bank of America, que encolheu o número de agências em 23% desde 2009.

O encolhimento de alguns dos maiores bancos dos EUA é reflexo de uma pressão de Washington, que quer evitar o que ocorreu em 2008, quando teve de socorrer várias grandes instituições financeiras com bilhões de dólares de dinheiro dos contribuintes para evitar que o país entrasse em colapso.

O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) tem apertado as regras e exigências de capital, o que tem forçado os bancos a reduzirem custos, saírem de negócios não essenciais, como operações com commodities, deixarem de operar em mercados emergentes e reduzir o tamanho mesmo dentro dos EUA, como foi o caso do Bank of America.

Em 2009, o banco, hoje o segundo maior dos EUA, tinha 6,1 mil agências e 108 mil funcionários. Ao fim do segundo trimestre, eram 4,7 mil postos e 68 mil funcionários, em um movimento que também foi reflexo do maior uso da internet e de canais eletrônicos para fazer transações.

O Citi tinha US$ 2,2 trilhões em ativos totais no começo de 2008. Em junho de 2016, o total foi a US$ 1,8 trilhão e pode continuar em queda, à medida que o banco se desfizer de operações em países emergentes como o Brasil. Um levantamento do jornal The New York Times mostra que o Citi vendeu mais de 60 negócios nos últimos sete anos, além de fechar agências nos EUA e em outros países, reduzindo suas participações em mais de US$ 700 bilhões no período.

Entre as maiores instituições do país, o Wells Fargo foi uma das poucas a aumentar seus ativos nos últimos anos. O banco com sede em San Francisco ultrapassou o Citi no fim de 2015 e tem estratégia diferente de outras instituições do país, com foco maior no mercado doméstico e no empréstimo imobiliário. A recuperação do mercado de imóveis dos EUA tem ajudado o crescimento do banco. Dados divulgados ontem mostraram aumento de 12,4% nas vendas de novas moradias em julho, o ritmo mensal mais alto desde 2007.

‘Grandes demais’. Outros bancos, como Goldman Sachs, Morgan Stanley e Bank of America também possuem menos ativos agora do que no período da crise. Os reguladores dos EUA, porém, querem reduzir ainda mais o tamanho dos bancos.

O presidente do Fed de Minneapolis, Neel Kashkari, tem defendido que os “bancos grandes demais para quebrar” sejam cindidos. O vice-presidente do Fed, Stanley Fischer, defende reforço de capital ainda maior para as grandes instituições financeiras.

Em abril, o Fed e a Corporação Federal de Seguros de Depósitos (FDIC, na sigla em inglês) reprovaram cinco dos oito maiores bancos dos EUA, afirmando que instituições como o JPMorgan, Wells Fargo e o Bank of America não tinham planos “confiáveis” de operação em uma situação de crise.

Ou seja: eles ameaçam a estabilidade do sistema financeiro dos EUA e poderiam ter de precisar novamente de socorro do governo. Só o Citi, que tem sido mais agressivo em sua reestruturação, foi aprovado.

O regulador dos EUA deu prazo até 1.º de outubro para as instituições reprovadas apresentarem um novo plano. Se após esta data, os bancos não forem aprovados, o banco central americano e o FDIC podem exigir a venda de ativos dos bancos e/ou novos reforços de capital.

“Os bancos ainda controlam ativos equivalentes a 60% do Produto Interno Bruto (PIB)”, afirma o vice-presidente da FDIC, Thomas Hoenig, em um comunicado. “O objetivo de terminar com os bancos grande demais para falir e proteger o dinheiro do contribuinte americano ao acabar com os programas de socorro permanece apenas um objetivo.”

Abinee/O Estado de S.Paulo – 24/08/2016

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Aumento da repressão na China é indicador da incerteza econômica

Com a desaceleração da economia chinesa, o governo está intensificando a perseguição a dissidentes e outros aos quais chama de agitadores. Temos assim um índice de repressão. Um dos melhores indicadores da direção econômica do país é agora um índice político.

A repressão política nos diz que os líderes do país, apesar das exibições externas de confiança, estão cada vez mais inseguros enquanto lutam contra o crescimento claudicante, e o crescimento é o principal fator de legitimidade do Partido Comunista. Isso se traduz numa indecisão debilitante; os líderes parecem incapazes de se unir para implementar medidas econômicas duras, ainda que necessárias.

Com isso, crescem as evidências de confusão política. O presidente, Xi Jinping, e o premiê, Li Keqiang, aparentemente discordam sobre o grau de agressividade dos estímulos econômicos. Um artigo publicado em maio pelo “Diário do Povo”, de autoria de uma “fonte confiável” (muito provavelmente uma pessoa próxima ao presidente), expressou um tom de repreensão a Li pela farra de crédito deste ano.

Os tempos são perigosos para o partido. Ele sabe que uma transição econômica acelerada de um modelo gastador e liderado pelos investimentos, para um conduzido pelos serviços, consumo e inovação implica um golpe no crescimento e provavelmente vai provocar distúrbios sociais – sem garantia de que será bem-sucedida.

Mudar de marcha sempre foi um desafio mais político do que econômico. Implica redistribuir os benefícios do crescimento das grandes corporações estatais para as famílias. Essa não é a revolução que os membros fortes do partido queriam, pois implica na transferência não só de riqueza, que vem ajudando a engordar as contas bancárias das famílias da elite governante, mas também de poder.

E o processo ameaça desestabilizar o sistema. As estatais bancam o regime, proporcionam serviços sociais e mantêm os trabalhadores na linha. Além disso, são grandes empregadores, em especial as deficitárias que operam altos-fornos siderúrgicos ultrapassados e fábricas de cimento e mantêm abertas minas de carvão exauridas vivas.

Em termos puramente econômicos, fechar essas relíquias industriais é coisa óbvia. Elas reforçam o grande excesso de capacidade de produção e a poluição asfixiante. Elas são zumbis no coração do dilema do crescimento do país: mais e mais crédito está produzindo menos e menos produção. O aumento da dívida corporativa ameaça colapsar o sistema financeiro. “Sinais de alerta estão piscando”, escreve David Lipton, o primeiro vice-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Ainda assim, esse risco não preocupa tanto o regime quanto o fantasma de desempregados enchendo as ruas. Daí o ritmo lento de fechamento de fábricas, junto com o desejo de seguir buscando uma meta de crescimento irreal.

Por outro lado, é urgente uma dura tomada de posição política. Um índice de repressão daria destaque à situação dos defensores dos direitos humanos. Mais de 300 advogados e ativistas foram detidos por um curto período ou interrogados no ano passado, e várias dezenas foram formalmente mantidos presos. Julgamentos de fachada estão agora a caminho.

O índice acompanharia ainda as novas restrições a grupos que defendem liberdades civis, capturaria a intensidade da censura e contaria as referências feitas pela imprensa oficial a “forças externas hostis” que tentam subverter o governo, frase que desde a época de Mao Tsé-tung é medida confiável da paranoia na elite governante.

Um sub-índice poderia medir as horas dedicadas pela TV à exibição de mísseis, jatos militares e navios de guerra. O aumento do nacionalismo é outra consequência da insegurança política. O abatimento político lembra o “dia seguinte” da sangrenta repressão que acabou com os protestos na Praça da Paz Celestial, em 1989. Não é coincidência que a economia também estava com problemas na época.

Alguns advogados estão na mira por causa de sua capacidade de coordenar e canalizar insatisfações públicas dispersas. Eles proporcionam os meios para empoderar os cidadãos cada vez mais conscientes de seus direitos. Isso vai contra o instinto de controle de um partido leninista hierárquico.

E aí está o problema. Pode uma transformação econômica ser bem-sucedida sem um afrouxamento das rédeas? A censura é incoerente com a economia do conhecimento. Os dogmas ideológicos suprimem a liberdade de indagação, essencial à criatividade.

Os sinais políticos estão preocupando o setor privado, que cria quase todos os novos empregos e conduz a inovação em produtos e serviços. Os investimentos privados estão colapsando, apesar da instrução do governo às autoridade locais para que “cantem canções alegres” sobre a economia.

A relutância em investir pode ser só parcialmente explicada por fatores como a queda dos retornos em meio à fraqueza da economia global, além de preocupações com a desvalorização cambial. Ela reflete também o que analistas do banco de investimentos chinês CICC chamam de “armadilha da incerteza” – dúvidas sobre as reformas.

Segundo uma escola de pensamento, a repressão está criando as condições para reorganizações econômicas audaciosas e politicamente arriscadas. Na verdade, o governo está se preparando para tempos difíceis. Os empreendedores não têm tanta certeza: o principal grupo que vai fazer ou enterrar as reformas – e que não pode ser facilmente coagido – está escolhendo esperar.

Abinee/Valor Econômico – 24/08/2016

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Desemprego argentino chega a 9,3%

O desemprego na Argentina ficou em 9,3% no segundo trimestre deste ano, informou ontem o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec). Foram os primeiros dados difundidos pelo ente estatal desde a chegada de Maurício Macri à Presidência, em dezembro do ano passado.

O número divulgado ontem, após uma “reforma” no Indec promovida pelo presidente, ficou acima das expectativas e deve aumentar a pressão sobre Macri. Ele patrocina uma política de cortes de subsídios, demissões de funcionários públicos e desvalorização do peso. O objetivo é cortar o elevado déficit fiscal do país, que está em recessão. Mas o crescimento só deve chegar no primeiro trimestre de 2017, segundo o próprio Macri. Sindicatos locais já vêm promovendo protestos contra demissões.

Abinee/Valor Econômico – 24/08/2016

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Crescimento na zona do euro

A atividade empresarial na zona do euro ficou praticamente estável em agosto, mas as fábricas devem ter o mês de setembro mais duro, diz o PMI.

Abinee/DCI – 24/08/2016

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Redação On agosto - 24 - 2016
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