Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

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Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017






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Aportes na indústria voltarão a partir de janeiro

A intenção de investimento da indústria deve continuar baixa até o começo do próximo ano, afirmam economistas. O indicador de intenção de investimento chegou a 42 pontos em julho, divulgou na sexta-feira (19) a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Esse foi o melhor nível no ano.

De acordo com o professor do curso de economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Marcos Andrade, o desempenho referente ao mês de julho é animador. “Apesar de não haver melhora, o fato de parar de piorar é um aspecto bom que traz boas expectativas”, diz.

Ele destaca ainda que as pequenas e médias indústrias merecem mais atenção, devido a dificuldade que têm de acessar crédito. “O cerne do crescimento está no investimento nas pequenas e médias empresas. Mas isso depende de menor ociosidade”, acrescenta.

Já o professor da Fundação Instituto de Administração (FIA), Celso Grisi, observa que a volta dos investimentos dependem da redução da ociosidade, uma consequência do aumento da demanda interna.

A Sondagem Industrial da CNI mostra que a utilização da capacidade instalada alcançou 65% em julho. Enquanto o índice de evolução da produção permaneceu em 46,6 pontos, de junho para julho e superou os 44 pontos de um ano antes.

O índice varia de 0 a 100 pontos. Valores abaixo dos 50 pontos indicam queda.

Abinee/DCI – 22/08/2016

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Abimaq leva propostas a Brasília para reverter a estagnação do setor

Por Victória Mantoan e Ivo Ribeiro

O cenário mais otimista para o setor de máquinas e equipamentos para este ano ainda representa uma queda de 7,5% no faturamento das empresas. Nos doze meses até junho, os fabricantes de bens de capital mecânicos acumulam uma receita líquida de vendas de R$ 72,7 bilhões, conforme dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Um cenário otimista considera que, até dezembro, as empresas consigam atingir a cifra de R$ 80 bilhões.

As estimativas são do novo presidente da Abimaq, João Carlos Marchesan, e do presidente executivo da entidade, José Velloso, em entrevista ao Valor. A projeção considera a resolução do impasse político no país com o processo de impeachment e a implementação de medidas pelo governo para retomada dos investimentos no país. Mesmo assim, o setor deve enfrentar o quarto ano consecutivo de queda no faturamento. Em 2012, a indústria atingiu o patamar de R$ 120 bilhões.

A entidade vem travando conversas com o governo para apresentar as demandas do setor. No início da semana, Marchesan tinha reuniões agendadas com o diretor de política econômica do Banco Central (BC), Carlos Viana de Carvalho, e com o secretário­executivo do Ministério da Fazenda, Eduardo Refinetti Guardia. Também foi solicitado um encontro com o presidente interino, Michel Temer, mas ainda não houve confirmação. Antes, o novo presidente do conselho diretor da Abimaq, que ficará no cargo até 2018, já tinha se reunido com vários ministros ­ desde Henrique Meirelles, da Fazenda a José Serra, das Relações Exteriores, passando Blairo Maggi (Agricultura), Moreira Franco (Secretaria Especial) e Maria Silvia Marques (presidente do BNDES).

A associação cobra do governo uma taxa de juros que deixe o investimento produtivo mais atrativo. “O maior concorrente da indústria hoje é Banco Central”, reclama Velloso, que diz que a indústria tem de disputar recursos com investimentos financeiros. Outro problema apontado pela entidade seria a falta de uma política industrial robusta com um câmbio mais competitivo que permita a atuação de fabricantes nacionais no mercado externo. Um patamar de dólar adequado, diz Marchesan, seria em torno R$ 3,80, lembrando que só é possível trabalhar em cima de exportações se também houver previsibilidade.

A Abimaq ainda defende que o governo exija contrapartida dos vencedores de licitações na forma de compras de fornecedores brasileiros. Uma espécie de conteúdo local. A associação não trabalha, porém, com a perspectiva de que um mecanismo do tipo seja incluído já nos projetos que virão ao mercado no curto prazo, como as licitações dos aeroportos.

O setor, diz o presidente executivo, ainda enfrenta um problema no que diz respeito à capacidade das fabricantes de máquinas de manterem em dia os pagamentos dos impostos. A associação espera conseguir a aprovação de uma regra nos programas de refinanciamento de débitos fiscais que preveja a suspensão do pagamentos dos Refis passados caso o país entre em crise. O que a entidade está propondo para o governo, segundo Marchesan, são formas de ajudar a indústria em uma “travessia” da crise, que reduziu a demanda por máquinas. “Estamos propondo uma travessia até o segundo semestre de 2017”, diz o dirigente.

A carteira de pedidos do setor, atualmente, é de apenas 2,6 meses. A Abimaq trabalha com a expectativa de que a economia brasileira consiga sair do negativo em meados do próximo ano.

A mensagem da entidade a representantes do governo indica a necessidade de uma política que gere competitividade para indústria de base do país. Isso passa por questões tributária, juro, financiamento, câmbio e inserção nos programas de investimentos, como as concessões de infraestrutura.

Há mais de um ano a associação tentava obter a aprovação de um programa de modernização do parque industrial brasileiro. Com o agravamento da crise, Velloso admite que a prioridade do governo interino é a realização do ajuste fiscal e que o programa não está hoje no centro das discussões.

Valor Econômico – 22/08/2016

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Ministro defende atualização e nega retirar direitos trabalhistas.

A legislação trabalhista vigente, apesar de elaborada na década de 1940, segue atual, na opinião do ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira. Após encontro nesta manhã com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques, e representantes dos trabalhadores da Mercedes-Benz, que vem realizando demissões, ele afirmou a jornalistas que as regras precisam ser apenas atualizadas.

“A legislação trabalhista, apesar de concebida na década de 1940, é atual. E aquilo que é direito do trabalhador precisa ser preservado e aprimorado. Não existe nenhuma possibilidade de direito do trabalhador ser revogado. O que nós vamos trabalhar é na atualização da legislação esparsa que surgiu a partir da década de 1970. Leis complementares, normas, portarias, súmulas que trazem insegurança jurídica nessa relação capital-trabalho”, declarou.

A avaliação não é preponderante dentro do governo interino no presidente Michel Temer. Nesta semana, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, criticou a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) em evento com empresários em São Paulo. No início do mês, o titular da pasta da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Pereira, defendeu a revisão da legislação trabalhista.

Aporte do FAT

Nogueira afirmou que a Pasta estuda aumentar a participação do Fundo de Amparo do Trabalhador (FAT) no Programa de Participação ao Emprego (PPE). A demanda foi feita pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, após debate sobre as demissões em massa na Mercedes.

“Nós vamos dialogar com as empresas. Pretendemos aprimorar, rediscutir o Programa de Proteção ao Emprego, para que possa ser mais abrangente e, se possível for, aprimorar a participação nos investimentos para assegurar o trabalhador no emprego”, afirmou o ministro após o encontro.

O programa de redução jornada com corte proporcional de salários, lançado no meio do ano passado pela então presidente Dilma Rousseff, conta com os recursos do FAT para compensar até metade do valor cortado da remuneração dos trabalhadores. Os metalúrgicos do ABC, conforme o presidente da entidade, Rafael Marques, pedem que esse percentual seja elevado para 75%. Assim, as empresas poderiam aumentar o período de redução de jornada sem ônus para os funcionários.

“O ABC recebeu R$ 78 milhões em recursos do FAT para o PPE. Isso parece muito, mas não é. Gasta-se muito mais com seguro-desemprego”, disse Rafael. As montadoras têm sido as principais beneficiadas pelo programa.

Nogueira voltou a afirmar que os salários devem ser vistos pelo setor produtivo como “investimento”, e não como “despesa”. “É fundamental manter o emprego do trabalhador, porque mercado você compreende por produção, transformação, comércio e consumo. E o trabalhador é consumidor em potencial. Ele é agente de irrigação de economia, que faz a economia girar. Se você tem essa visão, salário deixa de ser despesa e vira investimento”.

Esta semana, a Mercedes-Benz suspendeu a produção em sua unidade de São Bernardo do Campo e cerca de dez mil funcionários, quase toda a mão de obra da fábrica, foi colocada em licença remunerada. Haveria dois mil funcionários excedentes que devem ser demitidos, segundo o sindicato.

Fonte: Granadeiro/Valor Econômico, por Camilla Veras Mota, 19.08.2016

Os artigos reproduzidos neste clipping de notícias são, tanto no conteúdo quanto na forma, de inteira responsabilidade de seus autores. Não traduzem, por isso mesmo, a opinião legal de Granadeiro Guimarães Advogados.

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Trabalhadores informais chegam a 10 milhões no País

Nas ruas mais nobres da zona oeste de São Paulo, toda vez que o semáforo fecha, Gil Nunes se infiltra rapidamente entre os carros parados para vender sacos alvejados – os chamados panos de chão. Desde que perdeu o emprego no setor químico, há dois meses, essa tem sido sua rotina. “Espero voltar ao mercado de trabalho formal. Trabalhar aqui é só uma consequência do desemprego”, afirma.
Nunes não está sozinho no novo negócio. Na mesma região em que trabalha quase todos os dias da semana, tem a companhia de um primo e do cunhado de seu irmão.

Para cada 100 sacos vendidos, eles embolsam R$ 80. Por dia, vendem 200 unidades.

“É daqui que tiramos o nosso salário para pagar aluguel”, diz Nunes.

A proliferação de trabalhadores em semáforos é um dos indicadores de que a crise econômica tem empurrado parte dos brasileiros para a informalidade como alternativa ao desemprego crescente.

Em todo o Brasil, são hoje cerca de 10 milhões de trabalhadores informais, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua compilados pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV).

A quantidade de trabalhadores sem carteira de trabalho assinada tem crescido nos últimos meses. No início deste ano, eram 9,7 milhões. “São profissionais sem nenhum tipo de contribuição trabalhista e previdenciária”, diz Tiago Cabral Barreira, pesquisador do Ibre e responsável pelo levantamento. Apesar do crescimento recente, esse número já foi maior. No fim de 2012, o contingente de informais chegou a 11,2 milhões de trabalhadores.

Dificuldade. Aos 54 anos, Genaro Angelo trabalha há 27 anos no mesmo semáforo, em Pinheiros. “Vendo bola, raquete, fruta no fim do ano”, afirma. “Vendo de tudo”. O último emprego no setor formal foi numa farmácia, no centro de São Paulo. “Desde então, vim para este farol e estou até hoje. A gente passa dificuldade, mas dá para levar a vida.”

Os produtos ele compra no centro de São Paulo. Para compensar a viagem do Itaim Paulista, onde mora com a mãe e irmãos, ele precisa vender R$ 150 por dia. No auge, ele conseguia ganhar entre R$ 1,5 mil e R$ 2 mil por mês, mas, com a crise, tira, no máximo, R$ 1,2 mil por mês. “Só não trabalho aos domingos, segunda-feira e feriados”, diz.

Além da revenda, outros optaram por aprender uma atividade “na marra” como alternativa ao desemprego. É o caso da boliviana Ana Jaquirena, de 31 anos. Há três meses, ao ser mandada embora da empresa de bijuterias na qual trabalhava há quatro anos, recorreu a amigos que vendiam seu próprio artesanato com um pedido encarecido: “Me ensinem a fazer alguma coisa”, conta.

Em questão de dias, Ana aprendeu a tricotar toucas e a trançar pulseiras e correntes de couro. Hoje, vende seus produtos no viaduto Santa Ifigênia, no centro de São Paulo. “Tem dia que a gente faz R$ 100 e dia que faz R$ 10, é imprevisível – mas sempre dá para comer”, diz. No final das contas, o balanço acabou sendo positivo para ela: Ana Jaquirena conta que tem conseguido ganhar com sua barraquinha mais do que na loja, onde ganhava R$ 1,2 mil por mês.

Expectativa. A tendência é de que o número de trabalhadores informais continue crescendo ao longo dos próximos meses, sobretudo porque o mercado de trabalho não deverá esboçar uma reação este ano. Para o Ibre, a taxa de desocupação deverá encerrar o ano em 12,3% – atualmente a desocupação está em 11,3%.

“A taxa de desemprego deve parar de aumentar somente no segundo trimestre do ano que vem, o que seria uma inflexão em relação à atual trajetória”, afirma Barreira, do Ibre. “Uma queda na taxa de desemprego só deve ocorrer no terceiro trimestre de 2017”, diz.

“Se as expectativas em relação ao aumento da confiança estiverem corretas, e isso rebater em vendas e consumo, o emprego deve ser um dos próximos indicadores a se recuperar – mas tudo indica que só no ano que vem”, afirma o professor Rafael Campelo, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

Abinee/O Estado de S.Paulo – 22/08/2016

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IBGE vai divulgar índice de mão de obra subutilizada

Além da taxa de desocupação, a pesquisa vai, portanto, começar a revelar um indicador de subutilização por insuficiência de horas trabalhadas e outro de força de trabalho potencial. “No recorte por insuficiência de horas serão considerados os que trabalharam menos de 40 horas na semana de referência, porém gostariam de trabalhar mais e estavam disponíveis para isso”, explica Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE. “Já a força de trabalho potencial são as pessoas que realizaram busca efetiva de trabalho, mas não estavam disponíveis, como grávidas ou estudantes. Outro grupo são os que não haviam buscado emprego, mas gostariam de trabalhar e estavam disponíveis – os que antes eram chamados de desalentados.”

Cimar explica que o cálculo da taxa de desocupação não sofrerá mudanças, pois segue os padrões estabelecidos pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). Pela Pnad Contínua, são considerados desocupados os que não trabalharam nem uma hora na semana anterior à pesquisa, mas tentaram conseguir emprego nos últimos 30 dias.

Abinee/O Estado de S.Paulo – 22/08/2016

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Como ganhar confiança para se reerguer

Por Jacilio Saraiva

Ser transparente com os funcionários, mostrar o está sendo feito para reverter um quadro negativo e disparar ações de motivação profissional. Esse parece ser o mantra das diretorias de recursos humanos em empresas que pediram recuperação judicial. Grandes grupos nessa situação, como Oi e OAS, investem em novas estratégias de comunicação interna para alinhar expectativas e informar o efetivo sobre os rumos dos negócios.

Essa cartilha, aparentemente, ainda será muito usada no país. Levantamento da Serasa Experian indica que 1.098 companhias pediram recuperação judicial entre janeiro e julho de 2016, 75% a mais do que o registrado no mesmo período do ano passado, quando houve 627 requerimentos. A lei de recuperação judicial foi criada para substituir a antiga concordata e evitar a falência. As companhias que recorrem à legislação ficam livres da cobrança de credores por 180 dias e devem montar um plano de reestruturação.

Na Oi, com 138 mil funcionários diretos e indiretos, uma estratégia de comunicação interna foi montada para acompanhar o pedido de recuperação, aceito pela Justiça no final de junho. Segundo Maurício Vergani, diretor de transformação do negócio, desde o primeiro dia do processo houve a preocupação em se estabelecer um diálogo com os funcionários.

A ação inaugural foi um comunicado do presidente da Oi, que deu a notícia, em primeira mão, para os funcionários. Ele falou sobre os motivos do procedimento e a necessidade de manter o foco na eficiência operacional. As ações de mobilização interna começaram três dias após o pedido de recuperação. “Foram realizadas reuniões de alinhamento de discurso, com distribuição de kits de comunicação para todos os gestores, com o conteúdo necessário para entender o momento do grupo”, diz.

Os encontros, conduzidos pelo presidente e diretores, foram organizados para manter as demais lideranças informadas e também para mobilizar as equipes. A empresa estendeu o clima de “alinhamento” a funcionários de pontos de vendas e atendentes de call center, para que pudessem esclarecer dúvidas de clientes.

Outra ação foi o envio de vídeos para os e­mails dos colaboradores com depoimentos dos executivos responsáveis pelas áreas de vendas, atendimento e operações. Cada um falou sobre o que estava sendo feito em seu departamento para manter os serviços azeitados. “Quando o pedido de recuperação foi aceito, foi enviado um vídeo do próprio presidente e do diretor jurídico sobre a importância da decisão para a sustentabilidade do negócio e a responsabilidade que todos teriam sobre o futuro da companhia.

A Oi também inaugurou um espaço na intranet corporativa para documentar o andamento da recuperação. A rede interna mostra desde o posicionamento institucional e de órgãos oficiais, até comunicados enviados a parceiros, clientes e fornecedores, além da repercussão na mídia. O pedido de recuperação judicial da operadora, que cita no processo R$ 65,4 bilhões em dívidas, foi um dos maiores da história do país.

Vergani afirma que as ações de motivação foram alimentadas, no início, pelos próprios funcionários. Logo após a divulgação do pedido, centenas de empregados postaram nas redes sociais relatos sobre o papel da empresa em suas vidas. “A maioria usou a hashtag #somostodosoi”, diz.

A partir dessa manifestação foram enviados e­mails internos com os posts dos funcionários. “A ideia era ‘viralizar’ ainda mais a demonstração pública de apoio dos colaboradores”, lembra. A expressão #somostodosoi também foi estampada na entrada da sede da companhia, no Rio de Janeiro.

Além da campanha on­line, a divulgação de iniciativas de melhorias de processos e de reconhecimento de equipes não parou. As principais conquistas, além de noticiadas na intranet corporativa, são enviadas, via e­mail, para os funcionários, com fotos de todos os envolvidos.

Segundo o diretor, não há mudanças previstas na estrutura funcional. Para monitorar a percepção dos funcionários sobre a companhia e engajá­los em temas estratégicos, as reuniões com os principais gestores continuam.

“Um dos grandes desafios da área de RH durante a recuperação judicial é liderar iniciativas que garantam a mobilização das equipes para a entrega de resultados”, diz. “Continuamos com programas de capacitação técnica, análises de desempenho e de desenvolvimento de pessoal, além de incentivos para o aumento de produtividade.” Vergani diz que tem dado atenção especial à retenção de executivos­ chave, dando prioridade a profissionais da casa no preenchimento de posições gerenciais.

Susana Falchi, CEO da consultoria HSD, afirma que para reter bons currículos em empresas que passam por recuperação judicial é preciso deixar clara a viabilidade do negócio. “Os colaboradores precisam acreditar na reação da companhia para permanecerem”, diz a especialista que, nos últimos três anos, acompanhou grupos do setor de alimentação e da construção civil nessa situação. “A transparência e a comunicação periódica do processo são imprescindíveis para manter os talentos, pois geram credibilidade.”

Para Fábio Astrauskas, CEO da Siegen, consultoria que elabora planos de recuperação para empresas, uma das principais ações do RH inclui o mapeamento das atividades críticas e dos profissionais que devem ser preservados. “É preciso explicar o que será oferecido para retê­los.”

O consultor diz que nem sempre as chefias conseguem manter o quadro imune às demissões. Segundo ele, o setor de recursos humanos costuma enfrentar o desafio de reduzir o time sem perda de eficiência, e manter talentos, principalmente se a organização atua em um segmento que demanda mão de obra especializada. “Há risco dos funcionários buscarem empresas mais seguras.”

Astrauskas, que acompanhou casos de recuperação judicial de grupos ligados à prestação de serviços, varejo, indústria e agronegócio, explica que não há um percentual ideal de redução de quadro, mas é comum que o corte seja superior a 20% dos funcionários, principalmente se a empresa apresenta paradas na produção. “Se não houver ociosidade, a companhia provavelmente focará as demissões nos quadros gerenciais e administrativos”, diz. “Mas o apoio dos profissionais que permanecem e que vão participar da reestruturação será fundamental no sucesso da recuperação.”

Na OAS, que pediu recuperação judicial em março de 2015, foi necessário fazer ajustes. O grupo tinha 94,4 mil funcionários no ano passado e, em junho de 2016, esse número caiu para 52,9 mil. “A redução não é resultado de demissões em massa, mas de desmobilizações naturais de obras”, explica Luiz Gustavo Vianna, diretor administrativo e de recursos humanos.

“O grande impasse para o gestor de RH é a retenção de talentos em um cenário de crise e retração econômica”, avalia. Como outras empresas de construção civil pesada, a OAS passou a enfrentar turbulências financeiras a partir de 2014. As investigações da Operação Lava­Jato resultaram na interrupção de linhas de crédito e na prisão de executivos. A negociação com credores permitiu reduzir as dívidas da empresa, antes na casa dos R$ 8 bilhões, para R$ 2,8 bilhões, que deverão ser quitados em até 25 anos.

Assim como aconteceu na Oi, a janela de diálogo com os empregados foi aberta no mesmo dia do pedido de recuperação. A diretoria realizou treinamentos com gerentes, explicando o ritmo do processo, e utilizou canais de comunicação para informar os funcionários sobre a situação. O site corporativo ganhou uma página sobre o assunto e a campanha Orgulho de Ser OAS, nas mídias sociais, resultou no envio de mais de 500 fotos de funcionários com mensagens de apoio ao grupo.

“Nesse cenário, o primeiro passo para manter o engajamento das equipes é oferecer uma comunicação transparente”, diz Vianna. Outro método usado pela OAS é mostrar o impacto que cada funcionário tem nos resultados corporativos. Nessa linha, a empresa organiza visitas monitoradas às obras para que as equipes compreendam melhor a atividade da organização.

“A recuperação judicial impôs novos desafios e exigiu que os funcionários se reciclassem”, diz. Dentro dessa dinâmica, a companhia está implementando nas próximas semanas um programa de feedback, baseado em avaliação de 360 graus, além de manter ações de educação continuada e de gestão de conhecimento, em que o know­how é replicado entre funcionários. No segundo semestre, será realizada ainda uma avaliação de desenvolvimento, que identifica o alinhamento das competências do empregado com as características da organização. “Essa análise estimula a aproximação entre líderes e liderados, estabelecendo metas e prazos para cumpri­las.”

Valor Econômico – 22/08/2016

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Coluna

Cura grátis para o desemprego

DCI – Almir Pazzianotto Pinto – 22/08/2016

Longa intimidade com questões relativas à legislação trabalhista fez com que me interessasse por assuntos relacionados à economia, na tentativa de entender algo a respeito de salários, emprego e desemprego.

Adquiri livros e li centenas de artigos para concluir como é verdadeira a afirmação de Arjo Klamer, autor da conhecida obra “Conversas com economistas” (Editora Pioneira, 1988): “A Economia é a arte da persuasão. Os economistas argumentam para persuadir suas audiências da importância de suas ideias e proposições”, segundo a referida obra.

O Brasil, com toda deferência, jamais teve economista de renome internacional. São, com raras exceções, conservadores incapazes de oferecer propostas arrojadas com o nobre objetivo de enfrentar o grave e secular problema do desemprego.

Salvo um ou outro breve momento, o mercado de trabalho brasileiro jamais esteve à altura das necessidades provocadas pelo rápido aumento da população. A criação de vagas formais sempre esteve muito aquém dos trabalhadores em idade produtiva e dos jovens.

Prevalece entre os economistas, sobretudo quando à frente dos ministérios da Fazenda e Planejamento, a mística do equilíbrio fiscal. As contas públicas devem estar equilibradas. Acreditam ser intolerável o déficit das finanças do setor público.

Mas quanto ao mercado de trabalho, salários, taxa de desemprego, são assuntos que podem esperar, até que o equilíbrio seja restabelecido, em País com imensas camadas de extrema pobreza, dependentes da ajuda do Estado.

Tão logo tomei conhecimento de que estava nas livrarias o livro “Keynes x Hayek” (Editora Record) tratei de adquiri-lo. Prendeu-me a atenção, de imediato, o capítulo que estuda a teoria do “multiplicador”. Dito de outra maneira, para o economista inglês, investimentos públicos em períodos de crise exercem papel decisivo na recuperação do mercado de trabalho: “O fato de muitos trabalhadores agora empregados estarem recebendo salário em vez do pagamento do seguro-desemprego significaria um aumento efetivo no poder de compra, o que seria um estímulo geral para o comércio” (página 159).

Keynes também tentou elaborar fórmula matemática destinada a demonstrar quantos empregos geraria o trabalhador empregado, ou quantos desempregados resultariam de cada trabalhador mantido em ociosidade forçada.

Quem faz pode errar; quem não faz já errou. A paralisação da Mercedes-Benz, em São Bernardo do Campo (SP) desde 1956, cuja produção teve início em 1957 com 3.769 veículos, tendo alcançado 47.316 ônibus e caminhões em 2014, exige mais do que medidas judiciais e burocráticas. Afinal, foram despedidos 1.400 operários e outros 8 mil estão ameaçados, os quais engrossarão as fileiras de 12 milhões que já estão nas ruas.

A situação não comporta medidas conservadoras de longo prazo. A falta de coragem e ousadia impede prever quando o Brasil conseguirá emergir da crise.

Projetos relativos à infraestrutura, com enorme capacidade de geração de empregos diretos e indiretos, certamente existem.

É o momento de lhes dar execução, com financiamento público e privado, antes que seja demasiado tarde.

No longo prazo todos estaremos mortos. Palavras de John Maynard Keynes, o grande economista do século 20.

Redação On agosto - 22 - 2016
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