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Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017






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Tentativa de recuperar margem de lucros acelera IPCA em julho

O aumento mais forte que o previsto do Índice Nacional dos Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) entre junho e julho, de 0,35% para 0,52%, foi explicado principalmente pelos alimentos, mas trouxe outros sinais ruins para a inflação. Segundo economistas, a aceleração dos serviços e de outros itens, como eletrodomésticos e equipamentos, mostra uma tentativa de recomposição de margem por parte dos formadores de preços, tirando fôlego do processo de desinflação. Depois do resultado divulgado pelo IBGE, o consenso de mercado para a alta do IPCA em 2016, hoje em 7,2%, pode ficar mais próximo de 7,5%, dizem analistas.

De junho para o mês passado, o grupo alimentação e bebidas avançou de 0,71% para 1,32% – maior taxa para o segmento da inflação no período desde 2000. Os destaques positivos foram, novamente, o feijão-carioca e o leite, que subiram 32,42% e 17,58%, respectivamente. Para Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de índices de preços do IBGE, a elevação expressiva está relacionada ao clima adverso, que prejudicou lavouras e pastagens.

Além dos problemas climáticos que levaram a quebras de safra, como no caso do feijão, o economista-chefe do banco ABC Brasil, Luis Otávio de Souza Leal, avalia que a maior resistência dos alimentos também reflete a recomposição de margem de empresas do setor. “A expectativa era que houvesse desaceleração maior dos alimentos em relação ao IPCA-15 de julho”, diz Leal. Na prévia da inflação do mês, o grupo alimentação subiu 1,45%.

“Os empresários têm expectativa de recompor margem a partir do momento em que houver recuperação maior da economia. No caso dos alimentos, é possível aumentar os preços sem perder tanta demanda, porque é um setor menos sensível à renda”, diz o economista. O efeito desse movimento no IPCA é uma pressão mais duradoura dos alimentos, o que pode provocar revisões para cima nas projeções para a inflação, afirma Leal. A estimativa do banco para o aumento do IPCA no ano deve passar de 7,2% para 7,5%.

Outros elementos no dado de julho causam desconforto em relação à trajetória da inflação, além dos alimentos, afirma Fabio Romão, economista da LCA Consultores. A alta de 1,28% de eletrodomésticos e equipamentos num contexto de câmbio mais valorizado é preocupante, depois do recuo de 0,57% observado em junho, diz Romão, que também menciona a aceleração de 0,32% para 0,62% na inflação dos serviços. Em 12 meses, houve alta de 7,03% para 7,12%.

O encarecimento dos serviços foi contaminado pela alta sazonal de mais de 19% das passagens aéreas, assim como pelo avanço mensal “fixo” de 0,87% de empregado doméstico, que teve sua metodologia de cálculo alterada pelo IBGE, afirma Romão. Mesmo assim, outros itens dentro de serviços pessoais também subiram, o que, para o economista da LCA, está relacionado à tentativa de recomposição de margem. “Isso aparece no setores de serviços e linha branca, que estão repassando aumentos de custos.”

Para André Muller, economista da AZ Quest, a desinflação ainda está ocorrendo, mas o resultado de julho mostra perda de ritmo do processo. Excluindo itens relacionados ao salário mínimo, que tiveram a metodologia de cálculo alterada, a inflação de serviços permaneceu em 6,9% nos 12 meses encerrados em julho, estima o economista, mesmo nível observado em junho. Na média móvel trimestral anualizada, houve alta nessa parte da inflação no período, de 5,9% para 6,5%. “A desinflação ainda ocorre, mas não na mesma intensidade dos meses anteriores”, disse.

A inflação está em processo de desaceleração, mas a pressão dos alimentos tem feito com que o movimento seja lento, afirma David Beker, chefe de economia e estratégia para o Brasil do Bank of America Merrill Lynch. Apesar da alta mensal, observa Beker, o IPCA acumulado em 12 meses atingiu em julho seu menor nível desde maio de 2015, ao recuar para 8,74%, 0,1 ponto abaixo da leitura de junho.

Para agosto, a perspectiva dos economistas ouvidos é de descompressão do IPCA, na esteira da perda de fôlego dos alimentos no atacado, mas o resultado de julho elevou projeções. A LCA, por exemplo, alterou ligeiramente sua estimativa para a inflação do mês atual, de 0,38% para 0,40%. “O dado de julho reforçou que não dá para esperar alta abaixo de 7% para o IPCA em 2016”, disse Romão.

Na medida em que o câmbio em nível mais apreciado tiver efeito sobre os preços, a descompressão do IPCA vai ganhar força novamente, o que deve acontecer nos próximos dois meses, avalia Muller, da AZ Quest. Por enquanto, o impacto da valorização do real só foi observado em poucos itens, com peso pequeno no indicador, como higiene e limpeza, aponta o economista. Mesmo a parte de alimentação deve arrefecer, diz, conforme apontam as coletas de preços mais recentes.

Abinee/Valor Econômico – 11/08/2016

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Restrição externa a crescimento continua a existir, diz nota do Ipea

O Brasil vive uma situação de “baixa vulnerabilidade externa no curto prazo”, mas continua longe de ter resolvido o problema de modo “mais perene e estrutural”, aponta estudo do economista Fernando Ribeiro, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Com reservas elevadas e um melhor perfil do financiamento externo, o país não está suscetível a crises cambiais como as que eram comuns até o começo dos anos 2000, diz Ribeiro, destacando, porém, que o mais difícil ainda está por ser feito: desenvolver as condições para suavizar os ciclos de expansão e retração do saldo em transações correntes, “tornando a trajetória mais equilibrada e compatível com a sustentação de uma taxa de crescimento razoável” em prazos mais longos.

O problema fundamental, segundo ele, é o desempenho das exportações de bens, especialmente de manufaturados, que precisam crescer com mais força. Embora o país tenha feito nos últimos dois anos um ajuste externo forte e rápido, sem uma crise no balanço de pagamentos, a restrição externa ao crescimento continua a existir, diz Ribeiro. O país deve terminar 2016 com um déficit em conta corrente na casa de 1% do PIB ou até menos, depois de o rombo ter atingido 4,5% do PIB nos 12 meses até abril de 2015.

“Períodos de alta dos déficits estão normalmente associados a um desempenho favorável da economia, ao passo que períodos de reversão dos déficits implicam forte ajuste em termos de queda do crescimento, desvalorização do câmbio real, aumento das taxas de inflação e queda da renda real”, escreve ele.

Ao analisar os indicadores sobre os ativos e passivos externos, Ribeiro mostra que o país está numa situação bem mais confortável do que no passado. “Primeiro, pela acumulação de um grande volume de reservas – que cobrem (…) mais de 100% da dívida externa -, o que funciona como uma espécie de seguro contra problemas de financiamento externo”, diz o economista. O segundo ponto é a melhora do perfil do financiamento externo, com “preponderância de recursos ingressados na forma de investimentos diretos e baixa proporção de dívidas de curto prazo”.

Um passivo externo mais concentrado em investimentos diretos tende a ser melhor do que um associado a dívidas por vários motivos, segundo Ribeiro. Não há obrigação de pagar de volta os recursos, como no caso das amortizações de dívida; a remuneração dos investimentos só acontece se eles forem efetivamente lucrativos; e o estoque de investimento e lucros a eles relacionados são denominados em moeda nacional – não estão sujeitos a uma alta forte se o câmbio desvalorizar. “E uma desvalorização do câmbio acaba por reduzir o valor em dólares do passivo na forma de investimentos.”

O estudo mostra, porém, que situação já não é “tão favorável quando se analisam os indicadores de fluxos do balanço de pagamentos”. Os que mais preocupam são os relacionados às exportações de mercadorias. “A participação no PIB é ainda muito baixa (…); seu ritmo de crescimento tem sido fraco ao longo dos últimos dez anos, bem abaixo da média histórica; e o crescimento neste período deveu-se exclusivamente aos produtos básicos.”

Ribeiro faz então uma simulação para a trajetória nos próximos 15 anos da conta corrente (as transações de bens, serviços e rendas com o exterior) e do passivo externo líquido (a diferença do estoque de ativos e passivos em moeda estrangeira do país, como reservas, investimentos diretos no país, investimentos brasileiros no exterior, aplicações em ações e renda fixa e empréstimos). Considerando um crescimento médio da economia de 2,5% a partir de 2018, uma expansão anual de 4,8% ao ano do volume exportado de bens, preços de exportação e de importação estáveis, entre outras hipóteses, o déficit em conta corrente deve atingir 3,3% do PIB em 2030, segundo estimativas de Ribeiro. “O passivo externo líquido também aumenta, chegando a 45,2% em 2030, nível similar ao registrado no início dos anos 2000, quando o país enfrentou seu último período de crise e ajuste das contas externas”, diz ele. Neste ano, o indicador ficará um pouco abaixo de 29% do PIB.

O economista calcula então qual seria a taxa necessária de crescimento das exportações de bens para garantir a solvência externa. Mantidas todas as outras hipóteses, o volume das vendas externas tem que crescer 5,7% ao ano para estabilizar o passivo externo líquido como proporção do PIB. “Essa taxa propiciaria uma trajetória convergente do passivo externo líquido até alcançar 31,4% do PIB em 2030”, escreve ele. O déficit em conta corrente teria uma redução gradual, até chegar a 0,75% do PIB.

Fazer as exportações de bens crescerem perto 6% ao ano não é fácil, diz Ribeiro, lembrando que a economia global não está num momento exuberante. Para estimular as exportações, ele considera importante promover esforço em duas direções. O primeiro é elevar os investimentos em bens comercializáveis internacionalmente, “o que também implica buscar aumentar a poupança doméstica, para financiar essas inversões. O segundo é adotar medidas que levem a ganhos de produtividade e competitividade. A íntegra da nota será divulgada hoje, no blog da Carta de Conjuntura do Ipea.

Abinee/Valor Econômico – 11/08/2016

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Índice mostra que trajetória da inflação continua acidentada

O resultado do IPCA de julho mostra que a trajetória da inflação continua acidentada, mesmo num cenário marcado por forte recessão. A alta de 0,52% foi muito influenciada pelo aumento expressivo das cotações dos alimentos, de 1,32%, mas o comportamento do indicador em 12 meses, dos núcleos e dos preços de serviços ainda não é dos mais animadores.

No resultado acumulado em 12 meses, o IPCA teve uma queda modesta, de 8,84% para 8,74%, um número que segue muito acima do teto da banda de tolerância da meta, de 6,5%. O índice de difusão, que mostra o percentual de itens em alta, ficou em 59,5%, superior aos 55,2% de junho, mas inferior aos 65,7% de julho do ano passado e aos 62,8% da média histórica, como aponta a MCM Consultores Associados.

Os preços de serviços, por sua vez, mostraram aceleração, passando de 0,32% em junho para 0,62% em julho, o que fez o acumulado em 12 meses subir de 7,03% para 7,12%. Esse movimento, porém, foi muito influenciado pelo comportamento do item passagens aéreas – alta de 19,22% no mês passado. Em junho, houve queda de 4,56%.

Excluindo passagens aéreas, os serviços subiram 0,45% em julho, mais que o 0,37% do mês anterior. Também houve pressão também dos serviços bancários, que passaram de 0,58% em junho para 3,64% em julho.

Indicadores que buscam eliminar ou reduzir a influência dos itens mais voláteis, os núcleos tiveram uma pequena queda no mês passado. Nas contas da MCM, a média das três principais medidas de núcleo caiu de 0,49% em junho para 0,47% em julho. No acumulado em 12 meses, o recuo foi de 8,22% para 8,01%, um número muito acima da meta de inflação de 4,5%, ou mesmo do teto da banda de tolerância, de 6,5%.

Esse comportamento dos núcleos dá uma boa medida da lentidão do processo de queda da inflação no país. Mesmo excluindo itens mais voláteis, o recuo do acumulado em 12 meses é vagaroso, apesar da recessão.

A tendência de queda do IPCA ao longo do ano não parece comprometida pela pressão dos alimentos, mas ela é mais lenta do que seria desejável, e pode talvez levar o Banco Central (BC) a ser mais cauteloso na condução da política monetária.

Abinee/Valor Econômico – 11/08/2016

Para Meirelles, economia “claramente começou a funcionar”

Por Lucas Marchesini

BRASÍLIA ­ (Atualizada Às 16h31) O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, voltou a defender as medidas de ajuste fiscal, reiterando que o governo tenta ser “realista” com as contas públicas. Segundo ele, a atitude do governo já está provocando impacto na economia. Isso seria, disse Meirelles, um indicativo de que o governo está no caminho certo.

Durante almoço com parlamentares nesta tarde, o ministro avaliou que é mais importante o governo ter “metas realistas” em vez de realizar “cortes frenéticos”. Segundo ele, a economia “claramente começou a funcionar”. “Isso, na minha opinião, é o maior indicador que estmaos no caminho certo”. Tal caminho disse, passa pela aprovação, ontem, na Câmara dos Deputados do projeto de renegociação das dívidas estaduais.

Ele elogiou novamente a aprovação e disse que a maior contrapartida dos Estados foi aprovada e que a questão do aumento de salários “era auxiliar”. Diante dos parlamentares, ele voltou a negar que teria sido uma derrota do governo a redução nas contrapartidas dos governos regionais.

“O que gerou a crise de confiança teve como fator central e crucial o descontrole fiscal, um governo que dirige um país tem que em primeiro lugar saber controlar as suas”, avaliou. Privatização

Meirelles também afirmou que todas as empresas estatais que podem ser privatizadas devem ser repassadas para a iniciativa privada. “Empresas que podem ser privatizadas parcialmente ou totalmente devem sê­lo”, disse. Ele fez a avaliação após ser questionado sobre o assunto por um parlamentar em almoço com deputados federais e senadores.

O ministro citou como exemplo do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB), cuja abertura de capital está sendo construída. Nesse caso, ele avaliou que o “problema é a questão do preço, por conta da situação do mercado”. “Devemos esperar alguns meses, mas determinação é privatizar”, afirmou.

Redação On agosto - 11 - 2016
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