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Tera-feira, 26 de Setembro de 2017






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Países do Mercosul vão discutir crise no bloco em Montevidéu

Representantes dos governos de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai se reúnem hoje, em Montevidéu, para discutir a crise desencadeada no Mercosul em torno da situação da Venezuela. A informação foi confirmada ontem pelo ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Eladio Loizaga, em Assunção. Segundo ele, o governo do presidente Nicolás Maduro disse que a reunião “não procede” já que não foi convocada pela Venezuela, que continua insistindo em se autoproclamar presidente pro tempore do bloco, apesar da enfática oposição de três de seus sócios (o Uruguai é o único que não se opõe).

Paralelamente, os presidentes de Brasil (Michel Temer, interino), Argentina (Mauricio Macri) e Paraguai (Horacio Cartes) se encontrarão durante eventos relacionados à Olimpíada do Rio e, segundo fontes brasileiras e argentinas, aproveitarão para conversar sobre a Venezuela.

— Brasil, Argentina e Paraguai concordam que a Venezuela está em dificuldades para ser membro pleno — declarou o chanceler paraguaio.

PAÍS TEM NORMAS A CUMPRIR
Tentando evitar responder diretamente aos ataques do governo venezuelano — que chegou a acusar os três países de estarem armando uma nova Operação Condor, em referência ao plano de ação conjunta das ditaduras dos anos de 1970 e 1980 —, Loizaga disse apenas que “nós vivemos num Estado de direito”:

— Não silenciamos os jornalistas, aqui existe liberdade de imprensa, liberdade de movimento e se respeitam as minorias. A democracia não é fácil.

O chanceler paraguaio questionou a decisão do Uruguai de encerrar sua presidência na última sexta-feira, sabendo que não seria possível transferir o posto à Venezuela, que, em teoria, deveria assumir o comando, de acordo com o calendário do bloco. A presidência do Mercosul é rotativa e muda a cada seis meses, por ordem alfabética.

— Poderíamos ter conversado um pouco mais e não deixar a bola quicando assim. Falamos com a Argentina e com o Brasil e temos de encontrar uma solução para esta acefalia — afirmou Loizaga.

Ontem à noite, em evento oficial transmitido pela TV estatal venezuelana, o presidente Nicolás Maduro voltou a afirmar que seu país está à frente da presidência do bloco.

— Somos presidentes do Mercosul e vamos exercer isto plenamente — disse Maduro.

ARGENTINA PODERIA COMANDAR
Hoje coordenadores e representantes das chancelarias de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai tentarão discutir, disse o ministro paraguaio, “o que fazer nos próximos seis meses”. Uma possibilidade é passar a presidência para a Argentina, que seria o país seguinte.

— Se vamos falar da questão jurídica, a Venezuela ainda deve cumprir várias normas vitais para ser membro pleno do Mercosul — frisou o chanceler.

O ex-ministro das Relações Exteriores e da Defesa dos governos Lula e Dilma Rousseff Celso Amorim criticou ontem a tentativa de isolar a Venezuela. Segundo Amorim, a solução para a crise do Mercosul “não é expulsar nem privar a Venezuela da presidência do bloco”.

Antes de dar uma palestra no Conselho Argentino de Relações Internacionais, Amorim afirmou que a saída não deve ser “condenar nem punir” o governo do presidente Nicolás Maduro, “a menos que o objetivo seja expulsar a Venezuela”.

— Se foi possível chegar a um acordo com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), e alcançar a paz na Colômbia, também um acordo entre os Estados Unidos e Cuba, acredito que é possível, embora difícil, um entendimento no Mercosul. O caminho deveria ser o diálogo — ressaltou Amorim.

Segundo o ex-chanceler, punir a Venezuela pode levar a “isolamento e radicalização”. Ele admitiu, contudo, que Caracas deveria “fazer alguns gestos” para facilitar um entendimento entre os sócios do bloco.

Amorim sugeriu, por exemplo, prazos para que o governo venezuelano incorpore e cumpra normas internas do Mercosul que ainda não internalizou. Nesse aspecto, ele lembrou que nenhum país do bloco “aplicou integralmente as normas do Mercosul”, como a tarifa externa comum (TEC):

— Se fosse por isso, todos estaríamos inadimplentes.

Abinee/O Globo – 04/08/2016

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Coluna

Confiança e câmbio

O Estado de S.Paulo – Celso Ming – 04/08/2016

Sempre que melhoram as condições da economia, o real tende a valorizar-se, ou seja, o dólar perde preço no câmbio interno.

É o que está acontecendo de março para cá, para aflição de dirigentes da indústria, de exportadores e de analistas econômicos. Valorização do real implica perda de competitividade do produto brasileiro, tanto no exterior como aqui dentro, na medida em que receitas com exportações ficam mais baixas em reais e os importados, mais baratos também em reais.

É quando ganham força velhas teorias ou até mesmo avaliações mais simples que tentam explicar o que passa a ser considerado excessiva valorização do real.
O ex-ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser-Pereira sempre saca seu ponto de vista de que a principal causa da queda do dólar é a doença holandesa. Trata-se da força do setor de matérias-primas cujas exportações trazem grande volume de moeda estrangeira, o qual o efeito crônico é a derrubada do dólar em reais. Para neutralizar essa consequência, Bresser recomenda a criação de um imposto (confisco) sobre exportações de commodities. O calcanhar de aquiles dessa explicação está em que as exportações de produtos básicos pesam pouco no PIB, menos que 6,5%, e por isso não têm a capacidade de derrubar o câmbio.

A outra explicação contumaz para a forte entrada de dólares são os juros altos demais, que trazem capitais especulativos destinados a produzir lucro fácil com os juros. Desta vez, não há evidências disso, já que o fluxo de recursos para aplicações em carteira vem sendo negativo, ou seja, tem saído mais moeda estrangeira do que entrado.

Há a terceira explicação, aquela a que se aferrou em 2013 o então ministro da Fazenda Guido Mantega. É o impacto sobre a economia do que ele chamou de guerra cambial, o enorme despejo de moeda pelos grandes bancos centrais que acaba por inundar os mercados, especialmente o dos países emergentes. Essa tese acabou refluindo a partir de 2014 quando a economia brasileira entrou em crise e, ao contrário do que antes acontecia, passou a afugentar capitais. Essa explicação contém o equívoco de apelar para um ato de hostilidade externa (guerra cambial).

O principal objetivo dos bancos centrais não foi bombardear mercados emergentes, mas tirar as grandes economias do buraco e, por aí, resgatar a economia global. Em todo o caso, o mercado global continua inundado de moeda forte. Basta pequena recuperação da economia brasileira e da confiança no futuro para que os dólares afluam para cá. Nessas condições, as intervenções do Banco Central tendem a não dar conta do mergulho do câmbio.

Estivessem os fundamentos da economia equilibrados, não haveria essas distorções. A indústria não baqueia porque o câmbio não ajuda, mas porque não é competitiva. Quando for competitiva, deixará de depender tanto do câmbio. Se as contas públicas estiverem em ordem, a inflação também estará lá embaixo e os juros poderão cair. E se a economia interna estiver equilibrada, eventuais guerras cambiais não terão tanto impacto aqui dentro. E uma vez estabilizada a economia, a indústria não precisará de uma crise para desvalorizar a moeda.

Afrouxamento
Por mais que o ministro Henrique Meirelles tente dourar a pílula, há um inegável afrouxamento das condições da renegociação da dívida dos Estados com o governo federal. O problema é que isso pode estar acontecendo porque o presidente Temer não quer criar má vontade entre os senadores, que representam os Estados, diante da iminência da votação do processo do impeachment. Se for isso, o risco de perda da autoridade do governo Temer pode estar aumentando.

Redação On agosto - 4 - 2016
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