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Sbado, 23 de Setembro de 2017






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Instituições internacionais apontam evolução de investimentos no Brasil

Representantes de instituições comerciais e diplomáticas sul-americanas, europeias e asiáticas indicaram um avanço dos aportes de seus países no Brasil.

“Com certeza, acredito que aumentarão os investimentos italianos nos próximos anos”, disse Francesco Paternò, secretário-geral da Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio. Segundo ele, deve crescer o fluxo de capital para áreas relacionadas a infraestrutura, biomedicina, educação e meio ambiente. “São setores que devem ter mais atenção, que são importantes para o desenvolvimento do Brasil”, justificou o especialista, ao participar de evento realizado ontem pela agência Investe São Paulo.

Segundo Paternò, um dos ramos que atraem o capital italiano é a reciclagem. “Precisamos resolver o problema dos RCUs, os resíduos sólidos urbanos. Para que isso aconteça, pode-se intervir com o trabalho de grandes empresas, mas também com pequenas máquinas de companhias menores”, afirmou o secretário-geral.

Outro país europeu que pode ampliar seu investimento no Brasil é a Espanha, segundo Alberto Gonzáles, adido comercial do Escritório Econômico e Comercial espanhol em São Paulo. Ao ser perguntado sobre as áreas que devem ser favorecidas, ele ressaltou que as empresas do país europeu “são muito fortes” nos setores de serviços e infraestrutura.

Entretanto, Gonzáles ponderou que o crescimento dos aportes deve acontecer quando a situação política e econômica melhorar no Brasil. “Temos que esperar essa incerteza terminar, esperar que haja uma melhora”, explicou.

Já Cláudio Luna, cônsul-geral da Bolívia em São Paulo, disse que o vizinho brasileiro “vai se aproximar mais das instituições brasileiras”, o que deve levar a um incremento dos aportes. De acordo com o entrevistado pelo DCI, a indústria têxtil pode receber mais capital dos bolivianos.

Também demonstrou otimismo sobre os aportes no Brasil o representante da Malásia, o cônsul do país asiático, Edison Choong. Ele afirmou à reportagem que uma expansão do investimento deve favorecer áreas relacionadas à saúde, como a produção de vestimentas médicas.

Do Brasil para fora

Presidente da InvesteSP, Juan Quirós também falou sobre a relação entre as empresas nacionais e o capital estrangeiro.

Segundo ele, países da América Latina, como Peru, Colômbia e Argentina, aparecem no topo da lista entre os primeiros alvos para expansão de firmas brasileiras no setor externo. Uma das formas seria a aposta em exportações para os vizinhos sul-americanos.

O especialista também apontou países asiáticos, como o Irã, entre os parceiros mais expressivos. “O mercado iraniano está se abrindo e representa uma grande oportunidade para nós”, ressaltou.

Já a ampliação das relações com países desenvolvidos, como Estados Unidos e as potências europeias, pode ser mais complicada. Após destacar a importância destas economias para o Brasil, Quirós ponderou que uma competição maior e a existência de mais barreiras aparecem como desafios para os brasileiros.

Em relação ao estado de São Paulo, o entrevistado destacou a área de saúde, ramos ligados ao consumo e exportadores em geral. “Temos uma economia bastante diversificada, mas esses setores estão se reativando de forma mais acelerada”, indicou.

Dificuldades

Os especialistas também listaram, durante o evento, as principais dificuldades enfrentadas por estrangeiros que buscam investir no Brasil.

Para Paternò, é necessária uma maior abertura comercial no País. “É preciso ter um regime menos protecionista que garanta uma maior liberalização para o comércio brasileiro”, indicou.

Segundo ele, o acordo entre União Europeia e Mercosul “está avançando”, mas é necessária maior flexibilização nas ofertas de sul-americanos e europeus. Os primeiros precisariam ser menos rígidos em relação a produtos industriais, enquanto os segundos deveriam facilitar o acesso ao mercado agrícola.

Segundo Gonzáles, as legislações trabalhista e fiscal são o principal desafio enfrentado por espanhóis que buscam investir no Brasil. “É algo complicado, especialmente para empresas que não têm experiência no exterior”, disse.

Já Luna afirmou que a grande dificuldade dos bolivianos é a falta de conhecimento sobre as normas brasileiras. Outra barreira seriam as “complicações” com o idioma.

A língua portuguesa também foi mencionada por Choong. O malaio disse ainda que o regime tributário do Brasil é o grande entrave para investidores do país asiático.

Abinee/DCI – 29/07/2016

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Coluna

É urgente definir uma nova política comercial externa

Folha de S.Paulo – Pedro Luiz Passos – 29/07/2016

As evidências não deixam a mais tênue sombra de dúvida: o isolamento de nossa economia é tamanho e tão prolongado que vale pagar qualquer preço para tirarmos o atraso acumulado nas últimas três décadas.

Salvo surtos passageiros de abertura, o que preponderou foram os efeitos dessa autoexclusão econômica: a baixa produtividade das empresas, que desabou com o fechamento do mercado, e a ausência de inovação e eficiência na indústria.

Não por acaso, a manufatura lidera a presente derrocada econômica brasileira, já que não tem forças para enfrentar o colapso da atividade interna e concorrer em mercados externos, o que minimizaria os efeitos da crise.

Não é possível, portanto, esperar mais por nossa inserção na economia mundial, embora a globalização não viva seus melhores momentos.

Como Marcos Troyjo, professor da Universidade de Columbia, vem observando nesta Folha, o mundo acompanha com preocupação os desdobramentos do “brexit” e as eleições em novembro nos EUA, demonstrando grande desconforto com a globalização e, em suas palavras, com a crescente “tentação sombria” do isolamento.

Mas, ainda segundo ele, nem mesmo a perda de ímpeto da globalização serve como desculpa para o Brasil manter a inação da política externa e comercial.

O governo vem renovando a intenção de formular uma estratégia de atuação internacional mais incisiva.

Ela deve contemplar uma visão de futuro sobre o que queremos ser: uma economia dinâmica, moderna e inovadora, alinhada aos padrões internacionais de tecnologia, gestão e produtividade.

Para isso, as novas diretrizes externas devem incorporar a concepção empresarial de que a abertura planejada e firme de mercado e a maior aproximação com as grandes economias possibilitarão ampliar o acesso a bens de capital e bens intermediários tecnologicamente avançados e mais baratos.

O retorno virá na forma de exportações mais vigorosas, resultado da competitividade que a abertura e a importação propiciarão.

A espinha dorsal da política externa deve refletir tal ambição, sustentada por dois grandes eixos.

O primeiro consiste em acelerar a negociação de acordos de comércio com a consciência de que chegaremos atrasados a um movimento que já está maduro e permitiu a alguns países emergentes uma forte interconexão com as economias avançadas. O Brasil ficou de fora.

Na hierarquia de tais iniciativas, precisamos dar prioridade aos acordos com os principais blocos da economia mundial e procurar espaço para participar dos mega-acordos em gestação, caso da Parceria Transpacífico (TPP), liderada pelos EUA.

O cerne desses acordos está na padronização regulatória em ambiente, normas sanitárias, relações trabalhistas, propriedade intelectual e proteção ao investimento. Eles têm pouco (ou nada) a ver com tarifas.

O segundo eixo consiste na reformulação tarifária, de forma a aproximá-la dos padrões internacionais, com a redução no nível de tarifas e no número de alíquotas. Isso resultaria na simplificação do Imposto de Importação e dos procedimentos alfandegários, além de promover maior homogeneidade no tratamento dos diversos setores da economia.

Essas reformas contribuiriam para criar condições para que os grupos multinacionais aqui instalados enxerguem as subsidiárias locais como elo em suas cadeias globais de valor e não como são hoje –centros de produção com foco no mercado interno, e não nas exportações.

Enfrentar uma agenda com tal dimensão exige determinação e vontade política em níveis acima do que o país costuma ver. Trata-se do único caminho para restaurar a força da indústria e os benefícios que lhe são associados, como empregos de qualidade, inovação e avanço de produtividade, inclusive no setor de serviços.

Redação On julho - 29 - 2016
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