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Indefinição do impeachment no Brasil adia as negociações e atrasa acordos

Os acordos comerciais internacionais devem demorar um pouco mais para serem concretizados, enquanto durar a incerteza da política interna do País no governo interino do presidente Michel Temer.

A possibilidade de uma nova mudança na presidência deixou os países mais cuidadosos em relação às negociações com o Brasil e aguardam uma definição do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

“Os países sabem que ao lidar com um governo interino há a possibilidade de reversão e as conversas tendem a ser mais vagarosas. Os países não querem negociar com o Brasil e serem surpreendidos com outra negociação, o que é natural que atrapalhe a montagem da equipe e no caso da política externa. Por isso, as negociações que já estavam em andamento vão continuar, mas coisas novas não devem começar”, disse o professor de economia política internacional da Universidade de Brasília, Carlos Pio.

Ainda ontem (4) o presidente interino Michel Temer informou que só viajará ao exterior depois de agosto para ajudar a atrair investimentos para o País, mês em que está previsto o julgamento final do processo de impeachment da presidente afastada.

“Logo depois de agosto, eu pretendo viajar por vários países para incentivar investimento estrangeiro no Brasil”, disse Temer na abertura do Global Agribusiness Forum 2016, em São Paulo.

O professor de economia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Antonio Carlos Alves dos Santos, afirmou: “Antes de 2018, se assumirmos que [a presidente] Dilma Rousseff não voltará, ninguém vai querer fazer acordo com o governo Temer, esse é o jogo da diplomacia, você não diz, mas sinaliza as coisas”, considerou.

Além dessa incerteza política, circunstâncias atuais como a saída da Inglaterra da União Europeia, o que fará com que o país se volte para os assuntos domésticos, e a deflação na economia internacional, poderão dificultar a política externa brasileira, ponderou o professor de economia da Universidade Estadual Paulista (Unesp, Carlos Alberto Cinquetti.

Anteriormente o ministro das Relações Exteriores, José Serra, já havia sinalizado que a sua política externa seria focada em acordos bilaterais ao invés de tratados multilaterais e afirmou ontem (4) que, na área de comércio externo, o governo dará prioridade às relações com a China.

“Nós temos muito a avançar na relação com a China, inclusive no âmbito do Mercosul. Não há contradição de negociar o acesso [a esse mercado] junto com o bloco. Há espaço para todo mundo no âmbito global”, afirmou o ministro das Relações Exteriores do Brasil após participar do Global Agribusiness Forum 2016.

Apesar dessas tentativas de negociações, Carlos Pio, professor de economia política internacional da Universidade de Brasília, ponderou que as negociações bilaterais demandam mais tempo para serem negociadas e que alguns países não dispostos a arcar com as disfuncionalidades econômicas encontradas no Brasil.

Sobre a perspectiva de novos acordos no comércio exterior, Carlos Pio indicou que não há um agenda específica, há indicações de uma discussão de tornar o Mercosul mais eficaz, com funcionamento mais rápido e focado na liberdade de comércio.

Além da ideia de intensificação de negociações com a União Europeia e Reino Unido, Serra ainda enxerga a saída da Inglaterra da União Europeia como uma oportunidade para melhorar as relações.

América Latina

A cúpula semestral do Mercosul, marcada para o dia 12 deste mês, sofreu alteração e foi substituída por uma reunião de chanceleres, o que pode ser uma sinalização da cautela devido a situação política no Brasil e na Venezuela.

“Sempre que altera a importância do cargo é um sinal de que a reunião não tem a mesma importância que teria anteriormente, por isso ao invés de cancelar”, afirmou o professor de economia PUC-SP.

No que se refere à participação da Argentina como observadora da cúpula da Aliança do Pacífico e a possível aproximação do presidente Maurício Macri com o bloco como uma saída para novas negociações, o professor de economia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo pontuou: “É natural que Macri, ao analisar que Dilma [Rousseff] não vai voltar e que Serra não tem simpatia pelo Mercosul, ele comece a investir em outras alianças e blocos que tem forte influência americana, como a Aliança do Pacífico. Esse movimento do presidente Macri é defensivo e estratégico”, afirmou Santos.

Já para o professor de professor de economia política internacional da Universidade de Brasília, o Mercosul está muito distante da política de comércio exterior dos países que integram a Aliança do Pacífico, como o Chile, a Colômbia, México e o Peru, que têm acordos de livre comércio com países como os Estados Unidos.

Ainda ontem, o Uruguai também confirmou a passagem da presidência do bloco do Mercosul para a Venezuela, comandada por Nicolás Maduro. A transferência do cargo para a república bolivariana recebe críticas do Paraguai, suspenso anteriormente pelo bloco.

DCI – 05/07/2016

Redação On julho - 5 - 2016
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