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Quarta-feira, 20 de Setembro de 2017






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Brasil terá que ser aceito para entrar na negociação de acordo para serviços

O ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Pereira, recebeu o sinal verde do presidente interino, Michel Temer, para o Brasil entrar na negociação em curso de novo acordo para liberalizar o setor de serviços (Tisa, na sigla em inglês), em Genebra. Mas o país vai ter que “combinar com os russos” – nesse caso, com os americanos – e não será fácil, conforme o Valor apurou em diferentes entrevistas na cena comercial.

Primeiro, não se entra unilateralmente na negociação de um mercado que gira US$ 4 trilhões ao ano. Na prática, ela é fechada. O Brasil, se quiser aderir, precisa se submeter a uma pré-negociação com os 23 membros (a União Europeia representa 28 países) que estão dentro. Segundo, o elemento-chave é mostrar que pode combinar com o grupo “like-minded” (países com posição semelhante) sobre o nível de ambição liberalizadora requerido, que é bastante elevado.

Em todo caso, os Estados Unidos tendem a não aceitar novos membros na chamada “fase um” da negociação, porque quer concluí-la até novembro, ainda no governo do presidente Barack Obama. Para Washington, a entrada de um novo membro poderia atrasar as barganhas, com eventual pedido de abertura de algum ponto já negociado.

O que talvez possa ajudar o Brasil, na fase atual, é que a União Europeia tem sido mais aberta que os Estados Unidos sobre entrada de novos membros. E agora também Cingapura sinaliza interesse em aderir.

A questão é como justificar dois novos membros – Brasil e Cingapura -, mantendo a exclusão da China. Enquanto a União Europeia apoia a entrada de Pequim, os EUA insistem em bloquear a segunda maior economia do planeta e maior nação negociante, na soma de exportações e importações.

Washington acha que a China pode reduzir o nivel de ambição do acordo. Se outro novo membro entrar, será complicado explicar aos chineses porque eles continuam sendo rejeitados.

Quem conhece o Brasil sabe também que uma adesão ao Tisa precisa passar pela Câmara de Comércio Exterior (Camex), onde as discussões podem prosperar. Em Genebra, importantes negociadores não esconderam o aspecto positivo do anúncio do ministro da Indústria, pela sinalização de reviravolta na política comercial brasileira. No entanto, eles mantêm a prudência, justamente pelos obstáculos para uma adesão.

A próxima rodada de negociação está marcada para os dias de 8 a 18 de julho, com a ideia de acelerar ao máximo um futuro entendimento até o fim do ano.

Certos negociadores com assento no Tisa dizem que o acordo, depois de fechado, estará aberto à entrada de outros países. A ideia é abrir para os outros membros da OMC mais tarde. O acordo procura ser muito próximo da estrutura do Acordo Geral de Comércio de Serviços.

A entrada do Brasil nesse cenário seria particularmente apreciada, inclusive para atrair outros países em desenvolvimento, e porque o país “tem muitas oportunidades”. A questão é como o governo brasileiro pode justificar entrar num acordo de tal dimensão, já negociado pelos Estados Unidos, União Europeia e Japão.

O Tisa tem uma estrutura ambiciosa para liberalização no setor de serviços. Mas prevê válvulas de escape para acomodar exceções generosas para cada país. É difícil imaginar, por exemplo, os EUA fazendo algum compromisso adicional importante no setor. O formato da negociação é por lista negativa. Ou seja, o setor que não se colocar na lista, como exceção à liberalização, não será incluído nunca mais.

Há também o marco regulatório, que muitos países consideram especialmente importante. Os países que negociam o Tisa representam 70% do mercado de serviços, estimado em US$ 44 trilhões. O comércio internacional do setor alcança US$ 4 trilhões por ano, em média. Eles são: Austrália, Canadá, Chile, Hong Kong (China), Colômbia, Coreia do Sul, Costa Rica, Estados Unidos, Islândia, Israel, Japão, Liechtenstein, Ilhas Maurício, México, Noruega, Nova Zelândia, Paquistão, Panamá, Peru, Suíça, Taiwan, Turquia e UE.

Abinee/Valor Econômico – 22/06/2016

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Investimento global é o maior desde 2008

Os investimentos estrangeiros diretos (IED) no mundo avançaram 38% em 2015 e chegaram a US$ 1,76 trilhão, o maior nível desde a crise de 2008, segundo dados do Relatório de Investimentos Globais da Conferência das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento (Unctad). O resultado foi influenciado, principalmente, por um salto nas fusões e aquisições, puxado por reorganizações de multinacionais, incluindo transferência de domicílio fiscal. O montante quase dobrou, de US$ 432 bilhões para US$ 721 bilhões.

— (O US$ 1,76 trilhão) É o nível mais alto desde a crise de 2008/2009, um crescimento importante, mas ainda está cerca de 10% abaixo do nível recorde de 2007. Isso nos preocupa — afirma a economista Stephania Bonilla-Féret, da Divisão de Investimentos e Empresas da Unctad.

E mudou o perfil dos maiores receptores de IED. Pela primeira vez em cinco anos, os países avançados voltaram a responder por mais da metade desses recursos, ocupando o lugar das nações em desenvolvimento e em transição. Em 2014, os países avançados recebiam 41% do IED, fatia que subiu para 55% em 2015. Assim, os EUA avançaram para o primeiro lugar da lista, com US$ 380 bilhões, quase quatro vezes os US$ 107 bilhões de 2014. Já a China caiu do primeiro para o terceiro lugar, com US$ 136 bilhões.

Mas, em um ano em que o IED avançou no mundo, Brasil viveu uma queda, assim como a América do Sul. A posição do país no ranking de receptores de IED caiu da quarta para a oitava, e o montante recebido recuou 11,5%, de US$ 73 bilhões em 2014 para US$ 64,6 bilhões em 2015. A Unctad ressaltou a retração do investimento como um todo no Brasil. A desvalorização do real, no entanto, criou oportunidades para a compra de ativos no país, como a aquisição de ações da Souza Cruz no valor US$ 2,45 bilhões pela controladora britânica British American Tobacco (BAT).

— O Brasil perdeu posições, como outros países da América do Sul, e teve queda no total de investimentos estrangeiros diretos. Isso é fruto da recessão da economia brasileira e da queda dos ganhos das empresas, que afeta os reinvestimentos, como no setor de extração — disse Stephania. — Como em todos os países, a situação da política afeta a confiança.

A Unctad destacou dois setores com expansão dos investimentos no país: automotivo e saúde. No primeiro, eram investimentos em projetos já em curso. No segundo, uma nova legislação facilitou a entrada de estrangeiros.

PREVISÃO DE QUEDA EM 2016
Na América Latina, o total recebido em 2015 foi de US$ 167,6 bilhões, queda de 1,6% ante 2014. Segundo a Unctad, o recuo do fluxo de recursos para Brasil e Colômbia (25,8%) foi compensado pela alta para México (18%) e Argentina (130%).

No caso argentino, porém, o crescimento é influenciado pela base de comparação baixa de 2014, quando o país compensou a espanhola Repsol pela nacionalização de sua subsidiária YPF. Sem considerar essa transição, o aumento foi de 15%.

Quando se considera só a América do Sul, o recuo dos investimentos entre 2014 e 2015 foi de 6%, para US$ 121 bilhões. Mas Stephania ressaltou que as perspectivas são “moderadas” para o fluxo de recursos para a região.

E, após o forte crescimento dos investimentos em 2015, a Unctad prevê queda entre 10% e 15% dos recursos em 2016. Entre outros fatores, pelo baixo crescimento da economia mundial e dos países produtores de matéria-prima e pela queda no lucro das multinacionais.

O Globo – 22/06/2016

Redação On junho - 22 - 2016
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