Ao se recusar a respeitar a decisão dos trabalhadores de iniciar uma negociação coletiva em sua fábrica de Chattanooga, Tennessee, nos Estados Unidos, a Volkswagen se lançou num caminho novo e ameaçador quanto às relações trabalhistas.

Nos dias 3 e 4 de dezembro de 2015, mais de 70% dos trabalhadores da manutenção de Chattanooga votaram a favor do UAW ser seu representante exclusivo para efeitos de negociação coletiva. Antes da votação, a Volkswagen enviou uma Comunicação Especial aos trabalhadores da fábrica dizendo que abriria negociações caso os trabalhadores votassem a favor da sindicalização. Contudo, a Volkswagen se recusou a reconhecer o resultado da votação e a começar a negociar, como determina a legislação estadunidense. Uma consequência disto foi que o Conselho Nacional de Relações Trabalhistas, órgão do governo dos Estados Unidos, denunciou a Volkswagen por “prática trabalhista injusta”. A denúncia cita a Volkswagen por violação da legislação estadunidense ao não negociar com o UAW.

A Volkswagen anunciou que pretende “questionar” a decisão do Conselho Nacional de Relações Trabalhistas num tribunal federal e que continuará a se recusar a negociar. Este “questionamento” é simplesmente um esforço para frear e delongar o processo. Trata-se de uma tática comumente usada por empresas antissindicais nos Estados Unidos, com o propósito de evitar a sindicalização. Embora o Diretor de Recursos Humanos da Volkswagen tenha se reunido recentemente com dirigentes do UAW para tratar da situação, ele não garantiu que a Volkswagen cumprirá a legislação estadunidense e iniciará uma negociação coletiva. Isto é inaceitável.

Os atos da Volkswagen violam seu próprio Acordo Marco Global, as Normas Internacionais do Trabalho – especificamente a Convenção 98 da Organização Internacional do Trabalho sobre o Direito de Sindicalização e de Negociação Coletiva –, as Diretrizes da OCDE, o Pacto Global da ONU e a legislação estadunidense.

Portanto, resolve-se, que o IndustriALL convocará a Volkswagen a cessar suas tentativas de invalidar a votação dos trabalhadores da manutenção de Chattanooga, favorável à negociação coletiva, e a iniciar negociações imediatamente;

E resolve-se, ademais, que o IndustriALL invocará imediatamente a Carta de Solidariedade do Sindicato Global para Enfrentar Violações Empresariais de Direitos Fundamentais e empreenderá todas as ações necessárias para acabar com tais violações de direitos;

E resolve-se, por último, que se a Volkswagen não houver formalmente aceitado começar a negociação coletiva com os trabalhadores da manutenção de Chattanooga até 22 de junho de 2016, dia da Assembléia Geral Anual de Acionistas da Volkswagen em Hanover, Alemanha, o IndustriALL iniciará ações o que poderia conduzir à eventual revogação o Acordo Marco Global entre a Volkswagen ea IndustriALL.

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