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Quinta-feira, 21 de Setembro de 2017






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Brasil está entre afetados em caso de saída de britânicos da União Europeia

As consequências de uma eventual saída do Reino Unido da União Europeia (UE) extrapolam a esfera regional. Segundo especialistas, o rompimento prejudicaria o acordo entre sul-americanos e europeus, além de criar instabilidade na economia global.

“O plebiscito sobre a saída britânica afeta a negociação com o Mercosul por dois motivos. Primeiro, porque atrasa o debate sobre o tratado. E, também, porque o Reino Unido é um dos países que apoiam o acordo. Se eles saírem, a chance de dar certo diminui ainda mais”, afirmou Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior.

Uma possível alternativa para o Brasil, em caso de ruptura na UE, seria a construção de um acordo entre o Mercosul e o país europeu, comentou Barral. Entretanto, ele pondera que o tratado não seria prioritário para o Reino Unido e poderia demorar a sair do papel.

A negociação entre Mercosul e UE é uma das principais apostas do governo brasileiro para o fortalecimento do País além de suas fronteiras. Depois de cerca de duas décadas de negociações, os blocos trocaram ofertas comerciais há pouco mais de um mês.

Com a saída dos britânicos, seriam afetadas também as economias europeia e global, apontou Emanuel Ornelas, professor de comércio internacional da Fundação Getulio Vargas (FGV) e da London School of Economics (LSE).

“Seria um cenário completamente novo, ninguém nunca deixou um acordo de comércio tão forte como é a União Europeia. O resultado disso tende a ser negativo, com diminuição da integração e de benefícios comerciais”, afirmou o professor.

A saída, seguiu Ornelas, seria especialmente prejudicial para o Reino Unido. De acordo com o entrevistado, a permanência no bloco traria “ganhos em integração, fluxo de pessoas, de capital e de comércio”.

Para Barral, a mudança ainda teria impacto sobre o fluxo cambial no mundo, com o enfraquecimento da libra e do euro. “Se isso acontecer, é possível que as duas moedas percam em valor e credibilidade”, apontou o especialista.

Saída provável

Uma pesquisa elaborada pelo instituto Ipsos MORI e divulgada, na última quinta-feira, pelo jornal Evening Standard mostra que 53% dos consultados pretendem apoiar a saída do Reino Unido. Já 47% dos votos válidos são favoráveis à manutenção do país no bloco em plebiscito sobre o tema do próximo dia 23.

Segundo Ornelas, os principais motivos que levam os britânicos a apoiarem a saída da UE são ideais pró-hegemônicos e anti-imigração. Sobre o primeiro ponto, o professor explicou que parte da população prefere que o país tenha autonomia legislativa. Atualmente, o Reino Unido compartilha de várias leis construídas em conjunto com o bloco europeu.

Já a questão do impedimento da entrada de imigrantes, completou Ornelas, estaria ligada à chegada de refugiados, do Oriente Médio e da África, e de trabalhadores de países mais pobres do leste europeu.

“Trata-se de uma grande falácia”, opinou o entrevistado. “Existe a ideia de que os imigrantes estão roubando empregos e recebendo muito dinheiro com auxílios públicos. Na verdade, o desemprego no Reino Unido é muito baixo. Além disso, o governo britânico gasta menos com benefícios sociais para imigrantes europeus do que outros países do bloco gastam com trabalhadores que vem do Reino Unido”.

Ornelas afirmou, ainda, que a opção pela saída da UE faz parte de uma “grande onda populista” que ganha força no mundo. Ao explicar esse avanço, ele cita o crescimento de políticos com ideais semelhantes em outros países. “Temos, por exemplo, o Donald Trump, nos Estados Unidos, e a Marine Le Pen, na França”.

Repercussão

Em declarações recentes, líderes globais seguiram o tom de pessimismo sobre o possível rompimento. O ministro das Finanças da Finlândia, Alexander Stubb, comparou a saída à quebra do banco de investimento Lehman Brothers, em 2008, que gerou distúrbios econômicos pelo mundo.

“Nós estamos no meio de uma das mais históricas semanas” para a integração europeia, disse Stubb, que está prestes a deixar o cargo. Segundo ele, a saída do Reino Unido da UE – o chamado “Brexit” – significaria uma “destruição econômica” e provocaria revisões no crescimento para toda a Europa.

Já o ministro das Finanças da Irlanda, Michael Noonan, disse que as autoridades têm trabalhado sobre como reagir a um voto “sim” à saída da UE, mas notou que há incerteza sobre as consequências exatas, o que dificulta a elaboração de uma estratégia.

O diretor-geral da Organização Mundial de Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, seguiu a mesma linha. O diplomata disse que “ninguém sabe” o que ocorrerá com o comércio mundial e com UE se o Reino Unido deixar o bloco.

“É muito difícil mensurar o impacto para o Reino Unido, para as outras economias parceiras do Reino Unido, inclusive o Brasil. Lamentavelmente não há uma resposta muito óbvia”, declarou.

Morte de deputada

A tensão criada ao redor do plebiscito ganhou ainda mais força no final da semana passada, quando a deputada Jo Cox foi assassinada na Inglaterra. Ela era contrária à saída do Reino Unido e o crime foi relacionado à votação desta semana. Segundo relatos de testemunhas, o suspeito de ter cometido o assassinato gritava “a Grã-Bretanha primeiro” durante o ataque.

Também surgiram informações, ainda não confirmadas por esta reportagem, de que o possível criminoso faria parte de grupos de direita nos Estados Unidos e na África do Sul. O suspeito, um homem de 52 anos, está preso.

Fonte: Abinee/DCI – 20/06/2016

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Analistas avaliam caminhos após eventual separação

Enquanto a Turquia e outros países do Leste Europeu lutam há anos para ingressar na União Europeia, outras economias, riquíssimas, fazem tudo para ficar fora. É o caso de Suíça, Noruega e Islândia, que têm acordos bilaterais que lhes permite acesso ao mercado de cerca de 500 milhões de consumidores, e que já votaram, em referendos, para não entrarem na UE.

A Noruega, país de 5 milhões de habitantes, mas rico em petróleo e com o terceiro maior PIB per capita do mundo (US$ 68.430 ou cerca de R$ 240 mil), votou em 1972 e em 1994 contra o ingresso no bloco. A Suíça, com 8 milhões de habitantes e renda per capita de US$ 58.551 (mais de R$ 200 mil), também votou contra, em 1992.

Para o economista Peter Schwendner, da Universidade de Zurique, o modelo suíço seria ideal para a Inglaterra depois da saída da UE.

— Londres pode conseguir salvar seu setor financeiro. Não é fácil, mas é possível — avalia.

Também a Noruega, que não faz parte da UE mas é país membro do “Espaço Econômico Europeu”, é vista como modelo para o Reino Unido se o país deixar a UE. Mas o cientista político Olvind Bratberg, da Universidade de Oslo, alerta sobre os custos do exemplo norueguês. O país não tem direito de voto e paga caro pelo acesso ao mercado da UE. Até 2021, para exportar 80% dos seus produtos para o bloco, Oslo precisará pagar aos cofres europeus 390 milhões de euros.

— Como a Inglaterra tem um PIB muito maior, os custos para os ingleses seriam proporcionalmente maiores — diz.

Bratberg admite que o processo de negociação será muito mais difícil para os ingleses. Ele deverá durar dois anos, e muitos políticos da UE dizem que, se os ingleses querem sair do bloco, que então o façam, mas não esperem que a UE corra para socorrê-los depois.

A conclusão dos especialistas é que o Reino Unido deverá se isolar inteiramente da UE para evitar a imigração, ou vai ter de negociar acordos que implicariam em preservar as fronteiras abertas, pelo menos para os cidadãos do bloco.

Mas, na lista dos “ausentes famosos” da UE, a Islândia é o país que mais chama a atenção e alimenta a campanha a favor do Brexit. No ano passado, a ilha de 320 mil habitantes retirou a candidatura para entrar na entidade. Os riscos da concorrência europeia para a pesca, principal força do país ao lado do turismo, eram maiores que os benefícios. Além disso, a crise do euro e o ingresso de países pobres fizeram os islandeses mudarem de opinião.

O Globo – 20/06/2016

Redação On junho - 20 - 2016
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