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Quarta-feira, 20 de Setembro de 2017






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Ternium vê país como mercado estratégico para investimento

Há dez anos, grupo entrava em Wall Street para se consolidar como um dos principais conglomerados siderúrgicos do mundo e o maior da América Latina. Desafio, agora, é concorrer com a predatória indústria chinesa, que continua a não seguir regras internacionais ao praticar subsídios ilegais à produção. Leia entrevista com Daniel Novegil, CEO da Ternium.

 Em 2006, a Ternium deu um passo ousado com sua entrada em Wall Street. A expectativa daquela decisão se cumpriu? 

Cumprimos a nossa expectativa e seguimos crescendo. Temos o orgulho de sermos hoje a maior siderúrgica da América Latina. Apostamos forte e já temos capacidade instalada de 11 milhões de toneladas e em 2015 tivemos US$ 8 bilhões em vendas. São mais de 16 mil colaboradores em 16 unidades distribuídas entre países estratégicos, como México, Argentina, Colômbia, Estados Unidos e Guatemala, e no Brasil somos os maiores acionistas da Usiminas.

 No lançamento da Ternium na Bolsa de Nova York, em 2006, Rinaldo Campos Soares, presidente da Usiminas na época, subscreveu naquela data 3% do capital, ou 10% do que foi posto à venda. Isso já representava uma aproximação da Ternium com o Brasil? 

O grupo Techint e a Ternium têm longo histórico de relacionamento com o Brasil e com a Usiminas. Em 1992, a Techint, a Usiminas e a Vale adquiriram o controle da Siderar, na Argentina. A privatização da Siderar teve grande empenho pessoal do Rinaldo Soares, que contribuiu com o trabalho das equipes técnicas em viagens durante a fase de auditoria e mesmo após a operação ser concluída. Foi muito importante ter a Usiminas como uma das principais acionistas da Ternium e o Rinaldo como vice-presidente do nosso conselho de administração. O Brasil foi e é um mercado estratégico muito importante para o grupo Techint.

 Em sua avaliação, como era Rinaldo Soares como gestor? 

Era excelente profissional, com grande conhecimento técnico e enorme sensibilidade humana, sempre preocupado com as questões ambientais e das comunidades em que operava. Fomos companheiros nos conselhos de administração da Siderar (Argentina), da Sidor (Venezuela), da Ternium, da Alacero (Associação Latino-Americana do Aço) e na World Steel Association (Associação Mundial do Aço). Desenvolvemos uma relação pessoal, envolvendo, inclusive, nossas famílias. Minha esposa, Alejandra, e a esposa do Rinaldo, Conceição, viajaram diversas vezes conosco e mantinham também uma relação próxima. Rinaldo foi importante para a trajetória da Ternium, ele me aconselhava sobre questões técnicas, produtividade industrial, tecnologia e, principalmente, sobre o fator humano. Ele era ótimo gestor e uma pessoa que eu admirava muito.

 A Ternium investiu R$ 3,7 bilhões na Usiminas, se transformou na maior acionista da companhia em 2012 e tem agora sérias responsabilidades num momento de grande crise nacional e setorial. O senhor pode resumir os planos de enfrentamento imediato? 

Acreditamos que a Usiminas tem grande potencial para se reestruturar e sempre trabalhamos desde o início para o sucesso da empresa. Quando entramos na Usiminas, em 2012, em parceria com a Nippon Steel, fizemos questão de trazer nosso melhor time para agregar a experiência que temos em operação e o conhecimento profundo do mercado latino-americano. A diretoria eleita no mês passado marca uma nova fase da companhia, que tem o desafio de melhorar a sua competitividade, otimizar custos, elevar o nível de eficiência e investir cada vez mais no relacionamento com os clientes. A Usiminas é uma companhia onde se pode investir na formação de recursos humanos, especialmente jovens profissionais. Fizemos um novo aporte de R$ 400 milhões, somos os maiores acionistas da Usiminas, com 38% das ações, e mantemos o nosso compromisso com a empresa.

 Qual a avaliação da nova diretoria da Usiminas? 

Temos mais de 25 anos de relação com os principais dirigentes da Usiminas. O novo presidente foi muito bem recebido pelo mercado e pelos funcionários. A nova diretoria, liderada por Sergio Leite, tem confiança da ampla maioria do conselho de administração da Usiminas para fazer as reestruturações que são necessárias para que a empresa volte a ocupar o lugar de destaque no setor. O aumento de capital de R$ 1 bilhão deve ser concluído com tranquilidade nas próximas semanas, assim como a renegociação das dívidas da companhia com os bancos (A Usiminas anunciou ontem que assinou os termos de renegociação).

 O mercado começou a falar em uma possível divisão de ativos da Usiminas em que a Nippon ficaria com Ipatinga e a Ternium ficaria com Cubatão. Qual a sua visão? 

A Ternium mantém seu interesse na preservação e no crescimento da Usiminas. Tanto Ipatinga quanto Cubatão são unidades importantes. No melhor interesse da Usiminas, de seus funcionários e da comunidade, a Ternium sempre estará preparada para trabalhar com afinco pelo bem da companhia. No momento, não temos novidades sobre o assunto.

 A escalada de produção de aços da China, que hoje toma 50% do mercado mundial, não se apresenta como séria ameaça ao futuro da siderurgia na América do Sul? 

A China não segue as regras internacionais, pratica “dumping”, subsidia a produção e não é uma economia de mercado. Em novembro, completam-se 15 anos desde que os chineses disseram à Organização Mundial do Comércio que iriam fazer ajustes para serem reconhecidos como economia de mercado, e as mudanças não foram feitas, eles continuam depredando o setor. A América Latina sofre muito com essa competição desleal, 75% das denúncias de dumping de aço são contra a China, que recebe 35% das denúncias globais sobre qualquer tipo de produto. Não são só os produtores de aço que sofrem com a competição desleal chinesa, mas também os produtores industriais da cadeia metal-mecânica. Nossa preocupação não é só com a siderurgia, mas com toda a cadeia de valor.

 A retomada do crescimento é ligada no Brasil a uma questão de confiança na estrutura política, mas o que mais precisaria para uma retomada dos negócios? 

O Brasil teve grande queda em sua atividade econômica, que atingiu diretamente a demanda pelo aço no mercado interno. É preciso analisar medidas para defender o mercado interno da competição chinesa, que é predatória.

 Quais são os pontos a favor do Brasil e quais a seu desfavor neste momento para um grande investidor como a Ternium? 

O Brasil tem grande mercado interno e pode recuperar o nível de atividade nos próximos anos. Enfrenta uma séria crise econômica, que impactou diretamente o mercado consumidor e freou investimentos. Mas nós acreditamos que o Brasil tem um enorme potencial em recursos naturais, recursos humanos e uma sólida tradição industrial, o que lhe permite voltar a crescer. O Brasil sempre teve um papel histórico de liderança no desenvolvimento industrial na América Latina. É um país prioritário para a Ternium, e temos uma visão de longo prazo dos nossos investimentos no país.

Quais são os planos da Ternium para os próximos cinco anos?

Vamos seguir aproveitando as oportunidades de crescimento do mercado, incrementando produtividade e competitividade. Queremos continuar sendo líderes em nosso mercado e sendo motivo de orgulho para nossos acionistas, funcionários, clientes e, sobretudo, para as comunidades nas quais operamos.

Fonte: O Tempo

Redação On junho - 16 - 2016
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