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Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017






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Para China, Temer e Serra esvaziam Brics

O governo chinês vê com grande preocupação a mudança na política externa brasileira. Texto da agência de notícias estatal Xinhua, publicado em português, sobre o primeiro mês de afastamento da presidente Dilma Rousseff afirma que “o presidente interino, Michel Temer, se aproveitou para alterar a estratégia diplomática do país e deixar de priorizar as relações com os Brics”, em referência ao bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

O texto é assinado pelo diretor da sede dos serviços em português da Xinhua no Rio de Janeiro, Chen Weihua, e pelo editor internacional da agência, Zhao Hui, que fica em Pequim e é responsável pelas sucursais instaladas em 170 países. Embora a análise não tenha o peso de uma comunicação oficial, tem importância incontestável, pois reflete a opinião de ao menos parte da elite que comanda o país.

A Xinhua é uma agência diretamente subordinada à cúpula do governo, tendo como presidente sempre um integrante do Comitê Central do Partido Comunista Chinês. Se o governo do país asiático considera que uma mensagem é forte demais para enviar diretamente ao Itamaraty, pode usar a agência como um canal intermediário.

Voz isolada

As palavras usadas são contundentes. De acordo com a Xinhua, analistas chineses veem risco de o governo Temer “minar a eficácia dos mecanismos do grupo” ao buscar atuar como voz isolada nos fóruns globais. “O Brasil sempre priorizou as relações com os membros do bloco, no âmbito da cooperação Sul-Sul, uma escolha que o governo interino parece não ter intenção de manter.

O novo ministro das Relações Exteriores do Brasil, José Serra, anunciou, logo após o estabelecimento do governo interino, que os focos principais da ‘nova política externa’ brasileira são, dentro da América Latina, a Argentina e o México; e fora dela, os Estados Unidos e a União Europeia. No caso dos Brics, Serra se limitou a dizer que o Brasil vai se esforçar para aproveitar as ‘oportunidades’ que o bloco oferece, mas sempre tendo o comércio e os investimentos mútuos”, segue dizendo o texto.

Para Roberto Abdenur, que foi embaixador do Brasil nos Estados Unidos e na China, e hoje integra o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), o texto da Xinhua tem como endereço certo o governo brasileiro. “Mas ele parte de uma leitura equivocada. O Serra não propôs uma nova doutrina, mas sim princípios da política externa, entre os quais o peso do Estado brasileiro e não do partido no poder”, afirmou. Abdenur explicou que o Itamaraty pretende, agora, trabalhar mais intensamente em acordos de comércio inter-regionais. “Mas isso não significa deixar de lado os Brics, e muito menos a China”, argumentou.

O texto da Xinhua cita o diretor executivo do Centro de Estudos Brasileiros do Instituto de América Latina da Academia de Ciências Sociais da China, Zhou Zhiwei, para quem, o presidente interino busca estabelecer um novo equilíbrio entre nações desenvolvidas e em desenvolvimento. “Temer tentará fortalecer a relação com os Estados Unidos e a Europa a fim de que eles reconheçam a legitimidade do governo interino, e será forçado a manter distância dos membros do Brics para evitar desagradar a Washington”, disse Zhiwei.

Procurados, o Itamaraty, o Palácio do Planalto e a Embaixada da China não se pronunciaram sobre o texto da Xinhua. Um funcionário do governo brasileiro que atua em questões relativas aos Brics disse, de forma reservada, que as relações do Brasil com o grupo têm sido normais. Em setembro, em Nova York, deverá ocorrer uma reunião de ministros das Relações Exteriores do grupo. Em outubro, haverá encontro de chefes de Estado na cidade indiana de Goa.

O funcionário destacou, ainda, que, ao mencionar os Brics em seu discurso de posse, o ministro Serra procurou deixar clara a importância conferida ao grupo. Para esse funcionário, não se podem comparar pronunciamentos de Dilma sobre os Brics feitos em cerimônias específicas sobre o tema com um discurso em que Serra falou de vários assuntos.

Protesto no Itamaraty
Dezenas de manifestantes ligados à Federação Única dos Petroleiros (FUB), ao Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e ao Movimento dos Sem Terra (MST) protestaram ontem contra o governo interino de Michel Temer. O grupo se reuniu em frente ao Congresso e ocupou por alguns minutos a rampa principal do Palácio do Itamaraty. Aos gritos de “entreguista”, “golpistas” e “fora, Serra”, eles protestaram contra o Projeto de Lei nº 4567, que tira da Petrobras a garantia de ser a operadora única do Pré-Sal e de ter participação mínima de 30% nos campos licitados. A proposta foi apresentada pelo então senador José Serra (PSDB), atualmente no comando da chancelaria brasileira. O PL foi aprovado em fevereiro pelo Senado e espera análise da Câmara Federal.

Correio Braziliense – 15/06/2016

Redação On junho - 15 - 2016
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