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 Selo de economia de mercado pode levar a monopólio chinês

Caso seja reconhecida como uma economia de mercado até o fim do ano, como espera, a China pode deter o monopólio da siderurgia internacional em até cinco anos. A opinião é de Usha Haley, economista americana da Universidade de West Virginia e especialista no gigante asiático. Para ela, a capacidade instalada e a menor possibilidade defesa comercial darão plenos poderes ao país.

Em entrevista exclusiva ao Valor, a economista afirma que o setor é altamente estratégico para o governo da China e, com a possibilidade de obter mais influência ainda no resto do mundo, a tendência é que faça valer esse posto de indústria monopolista global. Haley, contudo, prevê grandes chances de que o país não receba essa chancela.

Segundo a economista, já com um dos preços mais baixos do mundo para o aço, o país poderia colocar seu produto em outros mercados a valores ainda mais baixos e deprimir a participação das usinas nacionais em cada um. O reconhecimento como economia de mercado dificultaria às nações entrarem com medidas contra esse movimento e o monopólio poderia ser chinês.

A China já é o principal ator da siderurgia no mundo. No ano passado, as usinas locais produziram 803,8 milhões de toneladas de aço bruto, de acordo com a Worldsteel Association – que acompanha os 66 maiores países em volume fabricado. A quantidade representou 49,5% do total, ante os 49,3% registrados em 2014. Além disso, os chineses consumiram cerca de 700 milhões de toneladas do produto, ou 43% do mundo.

Associações patronais pelo globo calculam em quase 400 milhões de toneladas o excesso de capacidade instalada no gigante asiático. Mesmo com a derrocada dos preços e a própria demanda interna menor, várias usinas seguiram operando a todo vapor e ao fim de 2015 aproximadamente 93% perdiam dinheiro na China. No pico da cotação da bobina a quente, durante o mês passado, o índice recuou para 15%.

“Hoje, mais de 40% da indústria está no prejuízo e ninguém acredita que será reduzida a capacidade”, diz Haley. “Mesmo que algo de capacidade seja cortada, é muito pouco perto do tamanho do país na siderurgia. A rentabilidade negativa não parece afetar as fábricas em nada.”

O plano do governo chinês é conseguir reduzir, dentro de um período de cinco anos, sua capacidade instalada de aço em 150 milhões de toneladas. Enquanto isso, o resto do mundo opera a quase 30% de ociosidade e a China mal ultrapassa os 20%.

“Nunca houve nenhum movimento sério para reduzir o excesso de capacidade”, opina Haley. “O que não entra no mercado interno cai em exportações e mesmo que a economia local tivesse desempenho espetacular, não teria como absorver toda essa sobreoferta. A situação para o resto do países já é bem ruim.”

Por conta desse cenário, uma série de países reclama da participação chinesa no mercado internacional de aço. Estados Unidos, União Europeia e América do Sul já assinaram cartas abertas nas quais pedem que a China não seja reconhecida pela Organização Mundial do Comércio (OMC) como economia de mercado. Se não houver nenhuma mudança, o país recebe o selo em dezembro.

Na opinião da economista, contudo, principalmente a atuação do governo dos EUA contra essa chancela pode levar a OMC a rever os critérios. “Não vejo a China conseguindo ser reconhecida e nem acho que deva, já que ela efetivamente não é uma economia de mercado e não toma medidas para tal”, afirma. “Não tem como comparar o acesso a capital dos chineses com o resto do mundo.”

Segundo dados do Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês) e do J.P. Morgan, o acesso privado a crédito atingiu 199% do Produto Interno Bruto (PIB) chinês em outubro de 2015 – o levantamento inclui pessoas físicas e o sistema paralelo -, ante 86% dos outros mercados emergentes em conjunto.

A situação se agrava, acrescenta Haley, com o nível de subsídios estatais às siderúrgicas do país. A China paga cerca de US$ 18 bilhões por ano para as usinas, muitas vezes na forma de repasse direto, levando em conta apenas as companhias de capital aberto. “É o maior nível de subsídio ao setor internacionalmente”, diz. “Qualquer apoio que for tirado, será aberto em outra frente.”

A siderurgia é importante para o país porque gera muitos empregos. Cada província, durante a estruturação da China industrial, recebeu ao menos uma fabricante de aço para garantir o consumo interno e empregar chineses. Mesmo que o governo central tente desmobilizar essas unidades, explica a economista, os regionais lutam para manter essa importância.

“O centro tenta incentivar a produção de aço de maior qualidade, mas as províncias não têm essa demanda, se preocupam basicamente em elevar produção e manter os funcionários”, completa Haley. “A China é um país complexo e milenar, é difícil quebrar essa dinâmica.”

Redação On maio - 24 - 2016
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