Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

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Sbado, 23 de Setembro de 2017






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Brasil e Canadá vendem commodity cobiçada e desconhecida

Marcelo Villela

As minas e as siderúrgicas de todo o mundo perderam tanto valor durante a queda das commodities que algumas foram simplesmente entregues pelos proprietários que lutam para reduzir prejuízos ou dívidas. Mas existe pelo menos um metal que vem chamando muita atenção. O nióbio – cujo nome faz alusão à deusa da mitologia grega que se tornou símbolo do trágico luto materno – é usado para produzir um aço mais forte e leve para tubulações industriais e peças de aeronaves. Ele é explorado em apenas três lugares na Terra e o preço de cada quilo é sete vezes maior que o do cobre.

A China Molybdenum driblou pelo menos 15 empresas no mês passado e adquiriu a unidade de nióbio e fosfato da Anglo American no Brasil, concordando em pagar US$ 1,5 bilhão, ou 50% mais do que o esperado pelos analistas. O frenesi de compras, que incluiu a Vale, a Apollo Global Management e a X2 Resources, mostrou o apelo crescente de um mercado que pode estar avaliado em US$ 4 bilhões por um metal leve e prateado com o qual muitos especialistas não estão tão familiarizados.

“Eu não sabia o que era o nióbio e estava na indústria de minerais havia 20 anos quando essa oportunidade apareceu na minha mesa”, disse Craig Burton, presidente do conselho da Cradle Resources, que está buscando desenvolver o projeto de nióbio Panda Hill, de US$ 200 milhões, na Tanzânia. “Eu precisei realmente abrir a tabela periódica para checar se era um elemento. Definitivamente é um nicho”.

O nióbio é difícil de encontrar e de avaliar. Mais de 80% da oferta global vem de uma empresa – a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração. A Metal Bulletin, que publica os preços de metais obscuros como bismuto e germânio, diz que não existe liquidez suficiente para reportar um preço para o nióbio. O metal era negociado a uma média de cerca de US$ 40 por quilo no ano passado, segundo a Cradle Resources, que tem sede em Perth, Austrália. Uma quantidade equivalente de cobre alcançou cerca de US$ 5,49 na Bolsa de Metais de Londres. A demanda global por nióbio é de cerca de 90.000 a 100.000 toneladas por ano.

Contudo, os preços caíram no ano passado por causa da demanda fraca pelo aço, porque a queda dos mercados de petróleo e gás provocou um menor volume de aquisições de canos de metal, segundo a Anglo American, que quer captar dinheiro para reduzir dívidas após o colapso dos preços das commodities. Quase todo o metal vem de apenas três minas no Brasil e no Canadá, o que permite à produtora dominante, a CBMM, equilibrar oferta e demanda e influenciar os preços.

“O nióbio é um negócio realmente único”, disse Kalidas Madhavpeddi, que dirige a unidade CMOC International da China Molybdenum, com sede em Luoyang, na China. “Normalmente queremos comprar de pessoas que lamentam vendê-lo. Estamos nos preparando para nos antecipar a uma crise do setor”. (Bloomberg News)

Fonte: Mining.com

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Serra anuncia o fim da diplomacia “ideológica”

Com o objetivo central de excluir “ideologias” partidárias da diplomacia brasileira, José Serra apresentou ontem as linhas que devem guiar sua gestão à frente do Ministério das Relações Exteriores (MRE). No primeiro discurso à frente da Casa de Rio Branco, o novo chanceler prometeu reparar os “desacertos” dos governos Lula e Dilma, trabalhar em prol do fomento do comércio exterior e levar o Itamaraty “de volta ao núcleo central” do governo. Segundo o ministro, a pasta “voltará a refletir os legítimos valores da sociedade brasileira e os interesses de sua economia”, e não mais “as conveniências e preferências ideológicas de um partido político e de seus aliados no exterior”.

Serra, que já trabalha no MRE desde a última quinta-feira, recebeu simbolicamente o comando do Itamaraty das mãos do embaixador Mauro Vieira, diplomata de carreira que chefiou o Itamaraty nos últimos 17 meses. Na cerimônia de transmissão de cargo — acompanhada por ministros, senadores, diplomatas e empresários —, o senador do PSDB paulista agradeceu “enfaticamente” a “confiança” do presidente em exercício, Michel Temer, e foi aplaudido ao exortar a modernização da pasta. Com referências pouco otimistas aos anos de governo petista, ele considerou que o abandono de “preferências ideológicas” colocará a diplomacia brasileira “em melhor uso”.

Em meio à reestruturação econômica promovida pelo governo interino de Temer, o tucano pretende acelerar processos de negociações comerciais, com a meta de “abrir mercados para as nossas exportações e criar empregos para os nossos trabalhadores”. Ele apontou como uma das prioridades de curto prazo o estreitamento das relações bilaterais com a Argentina. Serra observou que o Brasil passou a compartilhar “referências semelhantes para a reorganização da política e da economia” com o governo do presidente Maurício Macri e assinalou que é preciso “renovar o Mercosul”. “Para corrigir o que precisa ser corrigido, com o objetivo de fortalecê-lo, antes de mais nada quanto ao próprio livre comércio entre os países-membros, que ainda deixa a desejar”, explica.

Bilateralismo
Apesar de defender a construção de pontes com blocos como a Aliança para o Pacífico e de considerar a troca de ofertas para um acordo entre Mercosul e União Europeia — feita no mês passado — o “ponto de partida” para um acordo comercial benéfico ao Brasil, Serra defendeu a priorização de pactos bilaterais. Ele criticou a restrição da busca de oportunidades multilaterais na Organização Mundial do Comércio (OMC), e considerou que essas iniciativas “não vêm prosperando com a celeridade e a relevância necessárias”. “O multilateralismo que não aconteceu prejudicou o bilateralismo que aconteceu em todo o mundo. Quase todo mundo investiu nessa multiplicação, menos nós. Precisamos e vamos vencer esse atraso e recuperar oportunidades perdidas”, orientou.

Serra pregou a ampliação do intercâmbio com parceiros tradicionais — destacando os mercados de Europa, Estados Unidos e Japão — e a priorização de “novos parceiros” asiáticos, como China e Índia. O chanceler afirmou que buscará “soluções práticas de curto prazo” para a remoção de barreiras não tarifárias no comércio entre Brasil e EUA. No continente africano, a orientação será de “atualizar” as relações. Serra considera que estratégia de cooperação Sul-Sul praticada nos últimos anos “chegou a ser praticada com finalidades publicitárias”. “Ao contrário do que se procurou difundir, a África moderna não pede compaixão”, disparou.

Serra não ignorou os cortes de orçamento dos últimos anos e as dívidas acumuladas pelo Itamaraty. Ele aproveitou a presença do ministro do Planejamento, Romero Jucá (PMDB), para destacar a necessidade de recuperar as finanças da pasta. “Quero, progressivamente, retirar o Itamaraty da penúria de recursos em que foi deixado pela irresponsabilidade fiscal que dominou a economia brasileira nesta década. Quero reforçar a casa, e não enfraquecê-la”, frisou.

“Instituição de Estado”
Em sua despedida do comando do Itamaraty, o embaixador Mauro Vieira destacou o trabalho e o apoio do corpo diplomático. “Esses servidores são testemunhas da grandeza da nossa instituição”, observou. Vieira ressaltou que o Ministério das Relações Exteriores é “uma instituição de Estado” e “soube manter sua coerência nos diversos momentos da nossa história”. O embaixador lembrou que dedicou 43 anos de carreira ao MRE e desejou êxito ao sucessor. “As dificuldades são grandes, mas são conjunturais. Sabemos que o Brasil é maior do que elas e saberá superá-las.”

O decálogo do chanceler
Em cerimônia que simbolizou o início da gestão, José Serra elencou 10 diretrizes para o MRE
1 – Transmitir de modo “transparente e intransigente” os valores da sociedade brasileira e da sua economia, e “não mais das conveniências ideológicas de um partido político e seus aliados no exterior”.
2 – Defender a democracia, as liberdades e os direitos humanos “em qualquer país, em qualquer regime político”.
3 – Assumir “especial responsabilidade” em questões ambientais.
4 – Desenvolver ação construtiva em favor de soluções pacíficas para conflitos, nas Nações Unidas e em outros fóruns globais e regionais.
5 – Não “restringir” a liberdade de iniciativa do Brasil aos esforços multilaterais, no âmbito da Organização Mundial do Comércio.
6 – Iniciar um processo de negociações comerciais destinado a “abrir mercados para as nossas exportações e criar empregos”.
7 – Trabalhar em parceria com a Argentina a fim de renovar o Mercosul e fortalecê-lo.
8 – Ampliar o intercâmbio com parceiros tradicionais, “como Estados Unidos, Europa e Japão”.
9 – Priorizar a relação com parceiros novos na Ásia, em particular China e Índia.
10 – Guiar as políticas de comércio exterior com “a advertência que vem da boa análise econômica”, apoiada pela “consulta aos setores produtivos”, e reduzir o “custo Brasil”.

Abinee/Correio Braziliense – 19/05/2016

Redação On maio - 19 - 2016
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