Sindicato Nacional da Indústria de
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Sexta-feira, 22 de Setembro de 2017






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Jogo de forças no câmbio afetará exportação

A perspectiva de menor instabilidade cambial com o novo governo anima os analistas de comércio exterior, que estimam novas altas das exportações. Há dúvidas, porém, sobre qual será a postura do governo numa possível apreciação do câmbio, alimentada pela retomada de confiança.

A percepção geral é a de que um real fraco ajuda tanto o setor externo quanto a atividade econômica e, nesse sentido, a atuação do governo para diminuir oscilações é vista com naturalidade. O jogo de forças previsto dentro do governo, porém, causa certa apreensão e expectativas diferentes entre analistas de comércio exterior e economistas de mercado. O Itamaraty, que ganhou órgãos de comércio exterior, será comandado por José Serra, enquanto a Fazenda está sob comando de Henrique Meirelles.

Enquanto o primeiro é associado a uma política de dólar mais valorizado como aliado das exportações, o segundo é lembrado por sua atuação no governo Lula, quando houve apreciação do real.

Silvio Campos Neto, economista da Tendências, avalia que com o novo governo fica eliminado o cenário de maior incerteza que causava a volatilidade do câmbio. A cotação do dólar deve ficar mais estável, o que deve continuar a favorecer o exportador, mesmo que seja mantido o nível atual, ligeiramente valorizado ante o início do ano, em torno de R$ 3,50.

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento (Mdic), de janeiro a abril a balança comercial teve superávit de US$ 13,24 bilhões contra déficit de US$ 5,06 bilhões em iguais meses do ano passado. No período, o valor exportado caiu 3,43%. A queda, porém, foi contaminada pela redução de preços, o que fica mais claro quando se compara as quantidades exportadas.

Cálculos da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex) mostram que no primeiro trimestre o quantum exportado cresceu 17,7%. Nos produtos básicos a alta foi de 25,3% e nos manufaturados, 11,9%. A receita de exportação foi contida em razão do recuo de preços, que caíram 19,3% no total embarcado. Nos básicos e manufaturados, a queda foi de 24,5% e de 12,3%, respectivamente.

Campos Neto pondera que ainda não se sabe ao certo qual o nível de retomada de confiança trazido pelo novo governo e qual o efeito sobre a entrada de capitais. O receio é o dólar ficar muito abaixo de R$ 3,50, mais próximo a R$ 3 o que mudaria o quadro da evolução das exportações.

José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), lembra que não somente o otimismo, mas também as medidas para repatriação de recursos, devem pressionar o câmbio. Para os próximos meses, acredita, a volatilidade em nível menor manterá o câmbio próximo a R$ 3,50 e a expectativa é que chegue a R$ 3,40. “Numa situação extrema, se a preocupação com a inflação for maior, o dólar pode chegar a R$ 3,20. Nesse nível sem dúvida afetaria a exportação”, diz ele.

Luis Eduardo Assis, ex-diretor do BC, afirma que seria um grande erro permitir que o dólar volte a patamares em torno de R$ 3, ou mesmo R$ 3,20. Segundo Assis, o novo governo poderá argumentar que não pode fazer nada, já que essa valorização apenas refletiria sua maior credibilidade. “Mas esse argumento é puro narcisismo, um capricho. Mais adiante, no primeiro embaraço político, o dólar pode voltar com força e cobrar de nós o preço de um ajuste que já foi feito no ano passado. Não precisamos pagar duas vezes por isso”, diz ele.

Assis avalia que, se Meirelles deixar o câmbio apreciar, como no governo Lula, vai gerar algum conflito com Serra. Um gestor de recursos que optou pelo anonimato diz, contudo, que ao escolher o Meirelles para a Fazenda e colocar Serra à frente do Itamaraty e do Comércio Exterior, o sinal é que o presidente interino Michel Temer tem lado quando o assunto é câmbio. “O Temer achou jeito de ocupar o talento e disposição do Serra sem criar um embate com Meirelles.”

Por enquanto, no cenário atual com perspectiva de maior estabilidade cambial somado ao resultado do comércio exterior no primeiro quadrimestre, a Tendências recalculou o saldo da balança previsto para o ano, com elevação do superávit de US$ 41,8 bilhões para perto de US$ 55 bilhões, como resultado de exportações de US$ 199 bilhões e de importações de US$ 144 bilhões. A reavaliação também levou em conta a recuperação de preços, o que deve reduzir o ritmo de queda das importações.

Para a Tendências, o dólar chega ao fim do ano em R$ 3,72. A maior desvalorização deverá ser comandada por fatores externos, com a expectativa de elevação dos juros dos EUA no segundo semestre. Para o fim de 2017, a Tendências estima dólar a R$ 3,92, com superávit comercial de US$ 65,3 bilhões.

Mesmo que os juros americanos não subam este ano, avalia Fabio Silveira, sócio-diretor da MacroSector Consultores, a expectativa do aperto monetário será jogada para o início de 2017, o que fará o mercado já antecipar o efeito no câmbio. Por isso, diz, no quarto trimestre o dólar deve ficar próximo a US$ 3,70. Até lá, ele estima que o dólar deve oscilar entre R$ 3,50 e R$ 3,45, com menor instabilidade de taxas creditada à confiança no novo governo e em Meirelles.

“Mas o voto de confiança não tem prazo indeterminado”, diz Silveira. Para ele, o cenário favorável ao exportador depende muito das medidas a ser anunciadas e de como o mercado vai interpretá-las.

O momento é de evitar que nova tendência crônica de apreciação cambial leve de novo as contas externas a novo rombo e a destruição do restante do parque manufatureiro, diz André Nassif, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF). Nassif tem dúvidas de que o BC vá nessa direção.

Com o regime de metas tal como está, em que a meta de inflação deve ser alcançada dentro do ano-calendário, o BC fica com pouco espaço para usar a política monetária no controle da inflação e, ao mesmo tempo, usar instrumentos para defender o câmbio. Além disso, diz Nassif, entre Meirelles e Serra, a suspeita é que “como o primeiro é o queridinho do mercado, até por espírito de sobrevivência, Temer vá se alinhar mais a ele”.

Economista de gestora internacional diz que o mercado não vê a influência do Itamaraty na política de câmbio com bons olhos, preferindo o discurso mais pragmático de Meirelles e de quem ele escolher para o BC. Para ele, a predisposição de Serra por um câmbio mais fraco seria “barulho desnecessário no momento”. Há, porém, um reconhecimento de que o câmbio é um preço importante na economia e que tentativas de suavizar um pouco as oscilações fazem parte. “Ninguém tem dúvida que o Serra é um cara competente e articulado e deve ficar ocupado com a área dele”.

Abinee/Valor Econômico – 16/05/2016

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Empresas preferem parceria com EUA, aponta Amcham

Sondagem realizada pela Câmara Americana de Comércio (Amcham) com 90 empresários e executivos de empresas mostra que a maior parte considera um acordo de livre comércio com os Estados Unidos mais vantajoso do que uma parceria com a União Europeia. Segundo a pesquisa, 60% das empresas consultadas acreditam que o impacto positivo de um acordo com os americanos será maior, contra 34% que indicam o tratado com os europeus.

A diferença de perfil dos fluxos de comércio com as duas regiões ajuda a entender a preferência das empresas. Dados de pesquisa da FGV mostram que 70% do que o Brasil exporta para os Estados Unidos é de produtos da indústria, seguidos por 13% em embarque de serviços. A importação com origem EUA também é dominada por industrializados, que respondem por 74% da pauta, seguidos por 23% de serviços.

No comércio com os europeus, 38% das exportações brasileiras são bens industrializados, seguidos por 28% de produtos agrícolas. Na importação brasileira de produtos da zona do euro, as manufaturas respondem por 64% e os serviços, por 34%.

Qualquer que seja o parceiro, porém, os dados da pesquisa da Amcham indicam que, para as empresas, as negociações de acordos não devem se limitar a redução de tarifas. A agenda dos acordos deve priorizar a convergência regulatória de medidas técnicas, sanitárias e fitossanitárias, segundo 30% dos entrevistados. A cooperação para investimentos e a facilitação de procedimentos burocráticos no processo de comércio exterior foram eleitos, respectivamente, por 28% e 26% dos entrevistados.

A pesquisa mostra que as empresas querem programas planejados de integração com as cadeias de produção da UE e dos EUA, com importação de intermediários para a reexportação a essas regiões. Para 55% dos pesquisados a medida teria efeito no curto e longo prazo. Para 20% das empresas a medida traria perdas no primeiro ano, mas ganhos nos períodos seguintes.

Para a maior parte dos executivos, porém, a negociação dos acordos deve ser feita pelo Brasil, de forma independente. Das empresas pesquisadas, 80% dizem que a negociação não deve ser feita de forma atrelada ao Mercosul.

Abinee/Valor Econômico – 16/05/2016

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UE amplia investigação comercial contra aço laminado a quente da China

Philipo Blenkinsop

A Comissão Europeia informou nesta sexta-feira que lançou uma investigação sobre possibilidade de subsídios ilegais oferecidos a exportadores chineses de aço laminado a quente, ampliando uma análise sobre suposta prática de dumping do produto pelo país.

A Comissão afirmou que ambos os casos são parte de um procedimento que permite que investigações comecem quando há ameaça de prejuízo a empresas da União Europeia.

Os supostos subsídios consistem em transferência direta de recursos estatais, isenções tributárias ou outro perdão de receita pelo governo e provisão estatal de produtos ou serviços a preços subsidiados.

As investigações resultaram de queixas apresentadas pela associação de siderúrgicas europeias Eurofer e são parte de um foco internacional sobre o excesso de capacidade produtiva da China em aço, embora Pequim afirme que questão de excesso de capacidade é global.

A Comissão tem nove meses para determinar se vai impor tarifas provisórias de importação contra produtos da China.

Fonte: DCI 16/05/2016

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ONU reduz estimativa de crescimento econômico em 2016

A economia mundial vai crescer apenas 2,4% em 2016. Os dados fazem parte de um estudo da ONU que revê para baixo as projeções feitas em dezembro passado. As perspectivas econômicas para o ano feitas pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas (DESA) colocaram o crescimento este ano no mesmo nível de 2015, atribuindo a mudança, entre outros fatores, à fraqueza persistente da demanda agregada nos países desenvolvidos.

Outros elementos negativos foram os baixos preços das matérias-primas, elevando-se os desequilíbrios fiscais e de conta corrente e restrições das políticas fiscais e monetárias que têm afetado a exportação de commodities da África e da América Latina, disse o secretário-geral adjunto da ONU e chefe da Desa, Lenni Montiel. “A fraqueza da economia global coloca desafios significativos para os Estados-membros em todos os lugares e, claro, para a dinâmica de desenvolvimento do sistema das Nações Unidas. Muitos países da África e da Comunidade de Estados Independentes e da América Latina têm revisado para baixo suas projeções nos últimos meses”, disse ele. Ele também enfatizou crises prolongadas no Brasil e na Rússia, para os graves efeitos colaterais que têm a nível regional.

DCI – 16/05/2016

Redação On maio - 16 - 2016
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