Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

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Sbado, 18 de Novembro de 2017






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Empresas trocam importados por produtos feitos no Brasil

Com a manutenção do câmbio em patamar mais elevado, cresce o número de empresas que substituem importações por mercadorias feitas no Brasil. Ainda que a qualidade de alguns produtos nacionais seja inferior, a troca pode estimular a atividade econômica.

Nos setores têxtil e de confecção, por exemplo, é estimada a transferência de 250 milhões de peças que seriam compradas no exterior, disse Fernando Valente Pimentel, diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).

“O Brasil tem capacidade para suprir essa procura, estamos com grande capacidade ociosa na indústria”, apontou Pimentel. Ele comentou, ainda, que produtos como camisetas e bermudas, que passaram a ser mais importados no começo desta década, estão entre as peças que são substituídas.

De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), houve queda de 16% na quantidade de empresas brasileiras importadoras neste ano. No primeiro trimestre de 2015, 28.362 companhias fizeram compras de outros países, ante 23.904 nos três primeiros meses deste ano, 2016.

José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (Aeb), ponderou que “não necessariamente” haja substituição em todos os casos. Segundo o especialista, parte das empresas que deixaram de importar pode estar reduzindo suas operações ou até ter decidido fechar as portas nos últimos meses.

A troca por produtos made in Brazil também é realizada por importadores de bens de capital, afirmou Paulo Castelo Branco, presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Máquinas e Equipamentos Industriais (Abimei).

O empresário ressaltou que a substituição acontece principalmente com aparelhos convencionais, que possuem alternativas no País. As máquinas automáticas, com maior uso de tecnologia, por outro lado, nem sempre têm versões semelhantes produzidas no Brasil.

“O padrão de qualidade, de tecnologia, de velocidade do trabalho, é diferente. Enquanto uma maquina nacional tem velocidade de trabalho de 20 metros ou 30 metros por minuto, há máquinas no exterior que fazem até 150 metros por minuto”, exemplificou o executivo.

Castelo Branco destacou que os setores mais afetados pela retração das importações de equipamentos automáticos são o automobilístico e o de linha branca. “Em um ano, registramos aumento de até 80% no valor de algumas máquinas”, disse.

No curto prazo

Além do câmbio, a instabilidade econômica no Brasil também incentiva a troca de importados por nacionais, apontaram os empresários entrevistados.

“Para comprar de outros países, é preciso de planejamento no longo prazo. Como, hoje, há muita incerteza, alguns varejistas preferem comprar aqui dentro, inclusive em menor quantidade”, contou Pimentel.

Outro fator que causa a redução das importações é a retração da demanda no Brasil. “Às vezes, acaba acontecendo um contraponto entre essa substituição e a queda de consumo e ficamos no zero a zero”, complementou o presidente da Abit.

Entretanto, Castro disse que a troca de importações pode se tornar menos necessária nos próximos meses, caso a valorização do real continue. “As empresas têm que analisar com cuidado o que vai acontecer, mas a tendência é que, se não houver muita intervenção do Banco Central, a taxa de câmbio continue recuando”, diz.

Sem tributação

Para frear a retração das importações, o governo federal promoveu uma série de cortes em impostos atrelados a operações no exterior neste ano.

Apenas neste mês, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) zerou a tributação sobre importações de milho em grão, reduziu impostos para compra de autopeças não produzidas no País e cortou as tarifas para aquisição de 275 máquinas e equipamentos industriais sem produção no Brasil.

De acordo com o MDIC, a alteração nos impostos sobre aparelhos para a indústria deve beneficiar executivos que buscam ampliar a produção ou construir novas unidades.

Para Castelo Branco, a compra de bens de capital no exterior é fundamental para incrementar a produção no Brasil. “O País precisa de tecnologia e maquinário para fazer produtos de maior qualidade e não precisar comprá-los de fora.”

Principais produtos

Nos três primeiros meses deste ano, a compra de produtos manufaturados dominou a pauta de importações brasileira.

Entre janeiro e março, medicamentos aparecem no topo da lista de produtos mais comprados pelo Brasil, com gasto de US$ 1,6 bilhão. Em seguida, figuram peças para veículos (US$ 1 bilhão), petróleo (US$ 885 milhões), circuitos eletrônicos (US$ 607 milhões) e automóveis (US$ 586 milhões).

Com a exceção dos medicamentos, que foram mais importados em 2016 (+13%), os gastos com as outras quatro mercadorias recuaram neste ano: peças para veículos (-30%), petróleo (-46%), circuitos eletrônicos (-45%) e automóveis (-55%). Os dados são do MDIC.

Na separação por fator agregado, foram gastos US$ 3,5 bilhões com commodities, queda 34% frente ao primeiro trimestre de 2015. Também recuaram as importações de produtos semimanufaturados (-23%) e manufaturados (-34%).

Já o ranking dos principais remetentes de produtos para o Brasil teve poucas alterações no período. A China segue na primeira posição (US$ 5,9 bilhões), seguida por Estados Unidos (US$ 5,3 bilhões), Alemanha (US$ 2,1 bilhões), Argentina (US$ 1,9 bilhão) e Coreia do Sul (US$ 948 milhões). As compras dos cinco países recuaram na comparação entre o primeiro trimestre deste ano e os três primeiros meses de 2015.

Na separação por regiões importadoras, também houve poucas mudanças. O Sudeste segue como maior comprador do País, com gastos de US$ 18 bilhões (queda de 29% ante 2015). Depois, figuram as regiões Sul (US$ 6,5 bilhões, recuo de 33%), Nordeste (US$ 3,6 bilhões, baixa de 49%), Centro-Oeste (US$ 2,1 bilhões, diminuição de 19%) e Norte (US$ 1,9 bilhão, queda de 45%).

DCI – 27/04/2016

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Indústrias Romi multiplica prejuízo em quase 6 vezes no 1º trimestre

SÃO PAULO  –  A fabricante de máquinas e equipamentos Indústrias Romi registrou um prejuízo atribuído a sócios da empresa controladora de R$ 10 milhões no primeiro trimestre, quase seis vezes (462%) as perdas de R$ 1,8 milhão de igual período de 2015.

Apesar de ter registrado avanço de 7,3% nas receitas, para R$ 129,8 milhões, altas nos custos e nas despesas operacionais levaram a Romi a um prejuízo operacional (Ebit) de R$ 12,6 milhões, 32% maior do que o resultado operacional negativo de janeiro a março do ano passado.

O prejuízo antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) foi de R$ 3,6 milhões, crescimento de 224% sobre a base anual, principalmente pela redução da demanda por máquinas no mercado doméstico e pelo desempenho da subsidiária alemã B+W, que tem sentido os efeitos da desaceleração econômica na China.

Além da piora operacional, a fabricante sofreu degradação em seu resultado financeiro. A despesa financeira líquida chegou a R$ 1,3 milhão, revertendo resultado financeiro positivo em R$ 6,6 milhões no primeiro trimestre de 2015.

Valor Econômico – 26/04/2016 – 20h56

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Mais, com menos

Depois de um período de demanda muito aquecida, entre 2004 e 2012, em que as empresas aproveitaram para aumentar e atualizar suas frotas, o setor de transporte rodoviário de carga convive agora com um mercado em queda, excesso de oferta de serviços e frota superdimensionada. A recessão derrubou a demanda, que encolheu 4,7% em 2015 e 6,6% entre janeiro e fevereiro deste ano, segundo o instituto Ilos. Com margens apertadas, as empresas reforçam estratégias de redução de custos e investem em tecnologia para tornar suas operações mais eficientes.

“É nos momentos de crise que as empresas mais organizadas e capacitadas fazem a diferença. Quem fez os investimentos certos tem mais condições de se sair bem neste momento”, diz Ramon Alcaraz, presidente da Associação Brasileira de Logística (Abralog). Para ele, as perspectivas de mercado não são animadoras, já que a recessão se reflete diretamente na atividade de transporte e algumas empresas devem desaparecer. Mas as que adotaram políticas de gestão mais consistentes e investiram em eficiência tendem a sair da crise mais fortalecidas.

Transportadoras, empresas de logística, varejistas e a própria indústria têm investido em tecnologias que permitem melhorar a gestão da frota. Os investimentos vão desde caminhões tecnologicamente mais avançados até sistemas e ferramentas eletrônicas com controle on-line.

Montadoras como a MAN Latin America, Ford, Volvo e Mercedes-Benz, já fabricam caminhões com soluções que permitem memorizar a rota, por meio de GPS integrado. O sistema identifica o relevo, curvas e outras características do percurso para que a viagem seguinte seja realizada de forma mais econômica, determinando, por exemplo, trocas de marcha automáticas.

Entre os principais dispositivos adotados estão roteirizadores de carga, que otimizam o carregamento, levando em conta a capacidade do caminhão, horários de entrega, jornada do motorista e endereços dos clientes. Com isso, é possível fazer mais entregas com o mesmo veículo. Outro dispositivo é o tracking on-line, que permite, por exemplo, controlar em tempo real as entregas, paradas não autorizadas e devolução de mercadoria, o que evita que o caminhão fique parado desnecessariamente, garante a entrega efetiva da carga e possibilita uma previsão mais precisa da chegada dos veículos.

Outro recurso é a telemetria, para medir em tempo real velocidade, consumo de combustível, frenagem, problemas mecânicos e outros indicadores, por meio de sensores instalados nos caminhões. “Com base em indicadores benchmark é possível controlar a condução do motorista e detectar problemas, como de comportamento e outros”, diz Alcaraz.

O grande objetivo é fazer com que uma empresa possa cobrir todas as suas necessidades com um mínimo de veículos, observa Mauricio Lima, sócio-diretor do Ilos. O emprego de sistemas eletrônicos de gestão permite definir o perfil e o tamanho da frota. “Tudo no intuito de aumentar a produtividade do veículo, para transportar maior volume a uma distância maior”, diz Lima.

Com a crise, o mercado de tecnologia para rastreamento de veículos e gestão de frota ganhou impulso extra. “Implementar um software que propicie rapidamente uma economia de 8% nos gastos com diesel é mais barato do que trocar caminhões por modelos com motor mais moderno”, diz Mauricio Fabri, coordenador do comitê de tecnologia da Abralog. Sua empresa, a RunTec Informática, de Jundiaí (SP), dobrou o faturamento em 2015 e teve de duplicar o número de funcionários para dar conta do aumento da demanda.

“Em momentos de dificuldade na economia, as empresas procuram ganhar eficiência e reduzir custos”, concorda Adriano Thiele, diretor executivo de operações da JSL. A logística eficaz, diz o executivo, pode melhorar significativamente a eficiência e a competitividade de uma empresa. Seguindo essa fórmula, a JSL conseguiu driblar a recessão e obter, em 2015, uma receita de serviços 13% maior do que em 2014. Para 2016, a previsão é de uma expansão entre 7% e 13%.

A diversificação também contribui para reduzir o impacto da crise. A JSL atua em 16 setores entre os quais papel e celulose, alimentos, indústria automotiva, de bens de consumo e mineração. “Alguns setores sofrem mais, como o automotivo e a construção civil. Outros são bem menos impactados, como o agronegócio.”

A JSL tem investido pesado em tecnologia, com soluções customizadas para aumentar a eficiência das operações. Com a telemetria, a empresa pode medir a forma como a frota é operada, reduzir o consumo de combustível, o custo de manutenção dos veículos e aumentar a segurança da operação. A empresa usa também softwares customizados, para as necessidades de cada operação, que fazem desde a roteirização das entregas até a otimização da carga, para aumentar a taxa de ocupação dos veículos e ajudar a definir o modelo ideal para cada tipo de mercadoria.

A Coopercarga Logística, que opera nos mercados brasileiro e do Mercosul, nas áreas de bens de consumo, atacado e varejo e químico-petroquímico, intensificou sua estratégia de gestão de frota para aumentar a produtividade, melhorar a eficiência das entregas e reduzir custos. “Nessa hora em que o mercado está mais concorrido, queremos ser o melhor para cada cliente”, diz Osni Roman, diretor-presidente da empresa, que presta serviços para empresas como AmBev, Dart/Tupperware e L’Oréal. Sua frota de 1.900 veículos, além de tecnologia embarcada, é equipada com rastreadores Autotrac e sistema de telemetria. O gerenciamento da frota é terceirizado, a cargo da Raster, que segue critérios definidos pela empresa. “Só os equipamentos não resolvem. É preciso fazer a gestão completa de todo o processo”, diz Roman. Para enfrentar a crise, a empresa reestruturou sua gestão operacional e planeja obter uma receita 15% maior em 2016.

Com cerca de 2 mil lojas no país e um volume em torno de mil entregas diárias, o GPA, do grupo Casino, maior varejista do país, combina o sistema de gestão de frotas Oracle Transportation Management (OTM) com o roteirizador Roadshow, que permite análise detalhada das rotas de entrega, adequando o perfil da frota disponível ao perfil de cada unidade. “Conseguimos diminuir o custo total com medidas de otimização maior dos caminhões, sinergia entre os nossos negócios e renegociação de contratos”, diz Marcelo Arantes, diretor executivo de logística do GPA. O grupo utiliza um modelo logístico híbrido, com 300 transportadoras, para levar mercadorias dos fornecedores até seus CDs regionais, e frota própria de veículos menores para abastecer as lojas.

Valor Econômico – 27/04/2016

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Motores fabricados aqui se aproximam do padrão europeu

Os veículos pesados a diesel, como caminhões e ônibus, sempre foram considerados vilões da qualidade do ar nos grandes centros urbanos. O teor de enxofre no combustível comercializado no país foi sendo reduzido ao longo da última década – passou do S-500, com mais de 500 ppm (partes por milhão) de enxofre para o atual S-10 (10 ppm), o que levou os fabricantes de veículos pesados a incorporar novas tecnologias em seus motores, tanto para receber os novos combustíveis quanto para reduzir a poluição causada pelos óxidos de nitrogênio (NOx) e materiais particulados (fuligem).

A partir de janeiro de 2012, os fabricantes tiveram de se adaptar às normas P7 do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve), do Ministério do Meio Ambiente, que estimulou novos parâmetros de controle de poluentes, estabelecendo que os novos veículos fabricados no país devessem reduzir 60% das emissões de NOx e 80% do material particulado em relação aos padrões anteriores, o P5. Isso aproximou os novos motores fabricados no país do padrão europeu em vigor desde 2008, o Euro5.

“O P7 foi incisivo em relação aos parâmetros de emissão de NOx e material particulado, e para atendê-los a indústria teve de responder com tecnologias de tratamento de gases de escapamento”, afirma Celso Mendonça, gerente de desenvolvimento de negócios da Scania do Brasil. Para o mercado brasileiro, a montadora optou por utilizar o sistema SCR (Redução Catalítica Seletiva, na sigla em inglês), baseada na tecnologia conhecida como Arla 32, um composto químico que é injetado no sistema de escapamento dos caminhões e transforma os óxidos de nitrogênio em nitrogênio e água. Esse sistema incorporou aos modelos fabricados a partir de 2011 um tanque de ureia, um catalisador e um módulo eletrônico que faz o controle da operação, pacote tecnológico que já vinha sendo utilizado na Europa. “Com o diesel mais limpo que passou a ser comercializado no país, foi fácil incorporar a tecnologia ao mercado brasileiro”, diz Mendonça.

A partir dos anos seguintes, outras tecnologias com potencial de redução de emissões foram incorporadas aos veículos da Scania fabricados no Brasil. Uma delas é a caixa de câmbio automatizada, que proporciona mudanças de marchas mais rápidas por meio de um software que escolhe a marcha mais adequada para as situações, e possui uma função econômica que ajuda o caminhão a economizar 2% de diesel. Além disso, uma tecnologia de piloto automático ajuda o veículo a economizar combustível nas subidas e descidas.

A Volvo Trucks também trouxe a tecnologia SCR para o mercado brasileiro e investiu em softwares de bordo para facilitar a direção e reduzir o consumo de combustível dos caminhões. A qualidade do diesel comercializado no Brasil foi uma das variáveis que demandaram testes e estudos na adaptação. “O mercado brasileiro utiliza os veículos comerciais de forma diferente se comparada às aplicações europeias. Aqui, usam-se cargas maiores e dependendo das estradas e topografia, velocidades menores”, explica Flávio Saito, gerente de desenvolvimento de produto Powertrain do Grupo Volvo América Latina.

Valor Econômico – 27/04/2016

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Queda nas vendas de caminhões segura inflação do setor

Os custos do transporte de carga no país, na modalidade lotação, a mais representativa do setor, aumentaram 6,66% nos últimos 12 meses, até março, conforme a variação média do Índice Nacional da Variação de Custos do Transporte Rodoviário de Carga Lotação, da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC). O aumento ficou abaixo da inflação medida tanto pelo IPCA (9,39% acumulados em 12 meses até março) quanto pelo INPC (9,91%) por influência dos preços dos caminhões, que têm subido menos do que a inflação, devido à queda de vendas da indústria automobilística. Em dois anos, o aumento acumulado dos custos do transporte rodoviário foi de 14,16% e em três anos, de 20,96%.

“Tivemos impacto do combustível, da mão de obra e ajuda relativa do valor dos caminhões. Já não estão vendendo, que dirá com reajuste de preços”, diz Ramon Alcaraz, presidente da Associação Brasileira de Logística (Abralog). Entre março de 2015 e de 2016 não houve alteração no preço do semirreboque, enquanto o valor do cavalo mecânico recuou 0,62% em média no período, segundo a NTC. Com peso médio de 30% a 35% nos custos das transportadoras e empresas de logística, o preço do óleo diesel subiu 17% nos últimos 24 meses, até março, segundo a Abralog, e 6,97% entre março de 2015 e de 2016, conforme o levantamento da NTC. Já o custo médio do motorista aumentou 9,09%.

Para a Coopercarga Logística, o peso dos combustíveis no custo total é de 50%. “O aumento de custos tem sido um grande desafio para a gestão do negócio. A inflação vem por esse lado e ficou mais difícil repassar para o preço do frete”, diz Osni Roman, diretor-presidente da empresa.

As más condições das estradas também pressionam os custos do setor. Rodovias em mau estado de conservação reduzem a eficiência energética do transporte rodoviário, impactam diretamente os custos das viagens e aumentam as emissões de poluentes. Para enfrentar buracos na pista, ondulações do asfalto e outros problemas, os motoristas precisam reduzir a velocidade várias vezes em cada viagem, aumentando o consumo de combustível. De acordo com dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT), o desperdício médio de óleo diesel dos caminhões que transitam em pavimentos inadequados é de 5%. Estimativa da entidade indica um prejuízo de cerca de R$ 2,1 bilhões com o consumo desnecessário de 749 milhões de litros de combustível em 2015. A emissão de CO2 com a queima do diesel excedente foi estimada em 2 megatoneladas.

Segundo a Pesquisa CNT de Rodovias 2015, o estado das rodovias brasileiras contribui, em média, com um acréscimo de 25,8% nos custos do transporte rodoviário. Nas estradas públicas o aumento do custo operacional chega a 29,3%, enquanto nas estradas concedidas a média é de 11,3%.

O maior impacto nos custos ocorre nas rodovias públicas da região Norte (36,7%). O menor está nas rodovias concedidas a empresas privadas da região Sudeste (7,6%). Nas estradas concedidas do Norte, o acréscimo de custo foi de 33,5%, enquanto na malha total avaliada da região o aumento foi de 36,6%. No Sul, ocorreu aumento de 21,2% na extensão total pesquisada e de 29,2% na malha pública. No Nordeste, o aumento total foi de 23,1%, com 23,8% das estradas públicas e 8,9% dos trechos concedidos. A situação das estradas na região Centro-Oeste resultou em aumento de 27,1% nos custos do transporte rodoviário, com 30% nas rodovias públicas e 15,4% nas concedidas.

O levantamento da CNT aponta que 57,3% dos 100 mil quilômetros avaliados em todo o Brasil apresentam algum tipo de problema no pavimento. Desse total, 6,3% encontram-se em péssimo estado, 16,1% são ruins e 34,9%, regulares. Foram avaliados como bons 30,2% dos trechos e como ótimos, 12,5%.

Valor Econômico – 27/04/2016

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Programas reduzem emissões e custos

Percorrer o país de ponta a ponta entregando um produto inflamável, o gás de cozinha, já requer uma logística eficiente. Realizar essas entregas com menor emissão de gases de efeito-estufa, com impactos positivos também na redução dos custos, foi o objetivo de um programa criado em 2013 pela Copagaz, quinta maior distribuidora de gás liquefeito de petróleo (GLP) do país. Centrado em dois pilares, a roteirização inteligente da frota e o monitoramento das emissões dos veículos, o programa permitiu à empresa aumentar em 6% a quantidade de gás transportado em 2015, com reduções da quilometragem rodada, do consumo de combustíveis e das emissões de carbono.

O programa iniciou com a frota própria de 160 caminhões auto tanques que fornecem gás a granel para indústrias, hotéis e restaurantes, e agora está sendo ampliado para a frota terceirizada, responsável pelo transporte de GLP envasado, que abrange outros 600 veículos. De acordo com Everaldo Ferreira Vaz, gerente de logística da Copagaz, a redução do total de quilômetros rodados nas entregas foi o grande trunfo do programa: a empresa estima um total de 367 mil km que deixaram de ser percorridos sem necessidade, com uma economia de combustível de 132 mil litros de diesel em 2015. “Nos grandes centros, há variáveis que nem sempre controlamos, como o tráfego intenso e os horários pré-determinados para o transporte de produtos perigosos. Mas a gestão de rotas ajuda no sentido de evitar deslocamentos desnecessários e sobreposição de viagens”, diz Vaz. A Copagaz atua em 19 Estados e no Distrito Federal.

O programa de redução de gases de efeito-estufa da empresa também é baseado na inspeção veicular das frotas. Ao longo do ano passado, 350 aferições foram realizadas, com aprovação de 90% dos veículos segundo padrões de emissão dos órgãos ambientais. A renovação constante da frota de caminhões (os veículos são trocados a cada cinco anos de uso, com investimento anual da ordem de R$ 8 milhões) contribui também para a gestão das emissões de carbono. “É possível reduzir custos operacionais e atender a metas de sustentabilidade ao mesmo tempo”, diz Vaz.

As experiências para reduzir a pegada ambiental das grandes frotas mostram que o monitoramento de itens como distâncias percorridas, manutenção dos veículos e consumo de combustíveis resulta em benefícios tanto econômicos quanto ambientais. A Ecofrotas, empresa de gestão de frotas corporativas especializada em redução de gases de efeito-estufa, atua nesse nicho desde 2010, atendendo clientes como Thyssenkrupp, Votorantim, Grupo CCR e Souza Cruz, entre outros.

A empresa gerencia uma frota de 900 mil veículos, e as estratégias para reduzir o impacto ambiental das frotas corporativas passam pela substituição dos combustíveis – gasolina por etanol, na maior parte das vezes – e pela gestão completa dos aspectos de sustentabilidade da frota, o que inclui avaliações periódicas de nove indicadores como vida útil dos veículos, monitoramento das emissões de poluentes, manutenção e treinamento de condutores.

A demanda por esse tipo de serviço ocorre em empresas com frotas de tamanhos variados (de três veículos até 15 mil carros), sendo maior a procura entre as empresas que possuem políticas ou metas anuais de redução dos gases-estufa, especialmente entre multinacionais. E vem crescendo em razão do apelo de redução de custos que as medidas de gestão do carbono oferecem. “Muitas empresas nos procuram porque querem cortar custos operacionais, mas acabam percebendo que é possível conciliar isso com os benefícios ambientais”, diz Sérgio Rego Monteiro Filho, diretor institucional e de sustentabilidade da Ecofrotas.

Só com o programa de créditos de carbono da empresa – que promove a substituição de gasolina por etanol nas frotas, gerando créditos de carbono para serem comercializados em mercados voluntários – foi possível evitar a emissão de 15 mil toneladas de carbono na atmosfera em 2015. A emissão de gás carbônico proveniente da queima do etanol nos motores dos automóveis é considerada neutra, pois a cana-de-açúcar absorve o gás no seu processo de fotossíntese. Um dos clientes da estratégia é a fabricante alemã de elevadores Thyssenkrupp, que em julho de 2014 passou a utilizar somente etanol para abastecer a frota de 200 veículos da área de vendas e manutenção que rodam no Estado de São Paulo. A mudança vai contribuir com a meta global da empresa de reduzir em 12% o consumo de combustíveis fósseis até 2020.

Valor Econômico – 27/04/2016

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Redação On abril - 27 - 2016
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