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Sbado, 23 de Setembro de 2017






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Analistas preveem inflação mais perto da meta neste ano

Após amargar o descontrole da inflação, que chegou a dois dígitos no ano passado (10,67%), o brasileiro deve voltar a conviver com variação dos preços perto dos limites estabelecidos pelo governo. Por causa da recessão econômica, que ameaça ser cada vez mais profunda, e a desvalorização do real, os economistas ouvidos na pesquisa semanal Focus do Banco Central, divulgada ontem, reduziram pela sétima semana consecutiva a previsão para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Passou de 7,08% para 6,98% neste ano. O otimismo é maior entre os cinco analistas que mais acertam suas previsões para o mês seguinte. Para esse seleto grupo, a inflação oficial deve encerrar o ano em 6,6%. Essa perspectiva abre espaço para um afrouxamento da política de juros, mas tudo depende do quadro político.

Os analistas do mercado financeiro mudaram a perspectiva para o início dos cortes de juros de outubro para setembro, mas alertam que tudo dependerá do quadro político do país até lá. A trajetória de queda se estenderia até abril do ano que vem, quando os juros básicos chegariam a 12% ao ano.

Até a semana passada, os economistas esperavam uma queda mais suave da taxa básica, que alcançaria 12,25% ao ano em maio de 2017 e permaneceria nesse patamar nos meses seguintes. No entanto, o quadro poderia mudar em um eventual governo Michel Temer. Tudo depende de quem comandará a autoridade monetária na nova gestão.

Dentro da equipe econômica, a avaliação é que o cenário não é tão incerto como há duas semanas, quando o governo ainda tinha esperanças de barrar o processo de impeachment na Câmara dos Deputados. Trabalha- se agora com a mudança da equipe. A única preocupação é em relação a possíveis erros na condução futura da política monetária.

— Acho que vamos entregar a inflação em rota declinante com boas perspectivas de ir à meta. Basta a nova equipe não se afobar e cortar juros rápido demais. O trabalho sujo já foi feito, basta começar a botar ordem no fiscal e ter paciência com a Selic ( taxa básica de juros) — disse uma importante fonte da equipe econômica.

PIB DEVERÁ TER RETRAÇÃO DE 3,88%
A meta para este ano é fazer com que a inflação fique em 4,5% ou, no máximo, dentro da margem de tolerância de 2 pontos percentuais, ou seja, 6,5%. A ideia do Banco Central era ter feito um aperto dos juros no início do ano, mas desistiu depois da avaliação de que a recessão mundial seria maior que a esperada.
Amanhã, o Comitê de Política Monetária (Copom) poderá dar sinais de qual seria o tempo ideal para que os novos diretores do BC iniciem os cortes de juros. A projeção é de manutenção da Selic nos atuais 14,25% nesta reunião.

Pelo desenho atual feito pelos economistas, não há espaço no curto prazo para outra política que não seja manter os juros ou cortá- los. Isso porque a inflação brasileira é atualmente de custos (pesados reajustes da tarifa de luz e dos insumos importados, após a forte desvalorização do real no ano passado, por exemplo) e não de demanda (quando o consumo do brasileiro pesa mais).

— Em condições normais da economia, os juros teriam de subir por causa da inflação alta, mas estamos num ambiente político instável — disse o economistachefe da Austin Ratings, Alex Agostini, que espera queda de juros em dois ou três meses.

Para o analista, que já defendeu elevações no passado para conter a escalada dos preços, não é o momento para falar em aumentar a Selic em busca de reaver a credibilidade da instituição:

— Qual credibilidade? Acho que já perdeu há muito tempo.
A aposta do mercado é de uma mudança de tom, amanhã, dos dois diretores que divergiram nas últimas reuniões do Copom e votaram pela subida dos juros. A expectativa é que o discurso de ambos, que defendiam alta dos juros, migrem para a estabilidade.

— Acho que, agora, a decisão deve voltar a ser unânime — previu André Perfeito, economista- chefe da corretora Gradual, que espera queda dos juros em outubro, ou seja, só quando o processo de afastamento da presidente Dilma Rousseff for concluído.

Pelo Focus, para 2017, a projeção para a inflação passou de 5,93% para 5,80%. A meta também é de 4,5%, mas há uma margem menor de tolerância, de apenas 1,5 ponto percentual.

Isso é reflexo de previsões para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) piores. De acordo com o relatório Focus, a economia deve recuar este ano 3,88% — a 14 ª revisão para baixo seguida. Já para 2017, houve elevação de 0,1 ponto percentual na previsão de crescimento da economia, que deve registrar uma leve expansão de 0,30%.

O Globo – 26/04/2016

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Focus projeta IPCA abaixo de 7% e queda maior do juro

A expectativa dos economistas para a inflação continua a melhorar e já se prevê corte de um ponto percentual na Selic este ano, diz o boletim Focus, do Banco Central.

A mediana das projeções para o IPCA recuou pela sétima semana consecutiva, de 7,08% para 6,98%, ficando abaixo de 7% pela primeira vez desde 8 de janeiro. A projeção ainda está acima do teto do intervalo de meta para a inflação estipulado para o ano, de 6,5%.

A expectativa para 2017 também caiu, pela terceira vez, de 5,93% para 5,80%. O teto para o próximo ano é de 6%.

Com inflação mais baixa, os economistas projetam queda maior nos juros, hoje em 14,25% ao ano. Pela projeção do Focus, o corte da taxa começaria em setembro. A mediana das estimativas para a Selic baixou de 13,38% para 13,25% no fim de 2016 e de 12,25% para 12% no fim de 2017. Entre os analistas Top 5, a mediana das estimativas para o IPCA em 2016 teve pequena queda, de 7,06% para 7,05%. Para 2017, caiu de 6,20% para 6%. As projeções para a Selic seguiram em 13,38% e 12,25% em 2016 e 2017, respectivamente.

Enquanto a perspectiva de inflação e juros melhora, a da atividade segue em queda. Os analistas veem um recuo maior do Produto Interno Bruto (PIB), de 3,80% previstos antes para -3,88%. A previsão para 2017 teve uma pequena melhora, de expansão de 0,20% para 0,30%.

Pioraram as projeções para o resultado primário do setor público consolidado neste e nos próximos anos. A mediana das estimativas para o resultado deste ano passou de um déficit de 1,62% para 1,70% do PIB. Para 2017, a projeção saiu de déficit de 1,10% para 1,15% e, para 2018, de déficit de 0,70% para 0,71%.

Para 2019 e 2020, anos em que o setor público deverá registrar superávit primário, as expectativas passaram para 0,65% e 0,85%, respectivamente. Na semana anterior, para ambos os anos esperava-se superávit de 1% do PIB.

O governo central tem meta de superávit de R$ 24 bilhões neste ano, mas o Ministério da Fazenda quer que o Congresso Nacional altere esse valor para apenas R$ 2,756 bilhões. Além disso, seria criado um abatimento, no caso de receitas frustradas, o que criaria autorização para déficit de R$ 96,65 bilhões, o equivalente a 1,55% do PIB.

Valor Econômico – 26/04/2016

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Ibre traça dois cenários para novo governo

No curto prazo, a economia deve reagir pouco aos recentes desdobramentos políticos, na avaliação do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), com queda de 3,7% do Produto Interno Bruto no ano e baixa probabilidade de volta a crescer ainda em 2016.

Na edição deste mês do Boletim Macro, o Ibre traça dois cenários, a partir do afastamento da presidente Dilma Rousseff pelo Senado e posse do vice Michel Temer. O primeiro, mais favorável, conta com uma equipe econômica de credibilidade para tomar medidas que possam restabelecer a confiança dos empresários e colocar a dívida em trajetória mais sustentável. No segundo, em que a lua de mel do novo governo dura pouco, a recessão econômica se estenderia pelo menos até o próximo ano, um quadro não muito diferente do atual.

Segundo Vinícius Botelho, pesquisador associado do Ibre, o nome para o Ministério da Fazenda que estaria mais associado ao primeiro cenário é o do ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga. “Por ter participado da campanha do PSDB e estar bastante desconectado da política econômica deste governo, encarna mais a personalidade da mudança”, afirma.

De qualquer forma, Botelho não acredita que a reação seria negativa caso sejam apontados nomes como o do ex-presidente do BC Henrique Meirelles ou do senador José Serra (PSDB-SP), mais cotados para a pasta, segundo reportagem do Valor.

Caso um dos dois seja de fato confirmado, diz Botelho, a reação dos agentes econômicos seria talvez mais dependente das primeiras medidas de governo, sem uma guinada imediata de expectativas. “Mas certamente também haveria mudanças na política econômica, ainda que menos claras do que com o Arminio”, comenta.

Para ele, é positivo que a primeira pessoa a ter sido procurada por Temer tenha sido o sócio da Gávea Investimentos. “É um sinal de qual o tipo de política econômica que o vice-presidente, caso assuma o governo, buscaria.”

De qualquer forma, Botelho avalia que, ainda que a formação da equipe econômica seja importante, apenas a indicação de um nome não basta. Será essencial conseguir ter apoio e coordenação política para não apenas sinalizar o que precisa ser feito, mas ter ainda capacidade de concretizar o plano, que em sua avaliação vai além da pauta fiscal.

Para ele, o país precisa urgentemente aumentar sua capacidade de crescimento, por meio do avanço da produtividade, que caiu nos últimos anos. Segundo o pesquisador, é central uniformizar o sistema tributário, reduzir distorções e melhorar a alocação de capital.

“As equipes que assumem a condução da política econômica e as articulações junto ao Legislativo, para conseguir aprovar as medidas necessárias, deveriam explicitar claramente a herança que estão recebendo; as dificuldades que ela embute; e a direção de um conjunto mínimo de ações para reverter a trajetória da dívida pública – sem dúvida, o principal nó das dificuldades atuais – sem descuidar da política social adequada para suavizar os efeitos da recessão em curso, que prosseguirá no curto prazo”, afirmam Regis Bonelli, Silvia Matos e Armando Castelar no boletim.

Por outro lado, dificuldade de montar a equipe e de implementar reformas poderiam fazer com que o pessimismo que prevalece hoje não seja revertido, diz o Ibre. Nesse caso, a lua de mel do novo governo com Congresso e sociedade poderia ser mais curta do que é comum nos meses iniciais de mandato, com prolongamento da recessão para pelo menos até o próximo ano.

Além da continuidade da queda do PIB, o gasto primário do governo central continuaria a se elevar como proporção do produto e o déficit primário aumentaria meio ponto percentual do PIB anualmente, avaliam os economistas. “A trajetória da dívida continuaria ascendente, levantando dúvidas sobre a solvência do setor público. Os juros permaneceriam elevados, dificultando o controle da dívida bruta do setor público”, um panorama que não difere muito do atual, ressaltam os pesquisadores.

O Ibre argumenta que embora seja quase impossível dizer qual das duas linhas deve se materializar, caso haja aceitação do pedido de impeachment de Dilma, o cenário mais positivo é aquele que parece ter uma probabilidade maior de prevalecer, por enquanto.

“Os ativos financeiros, que tendem a antecipar essas mudanças, apontam nessa direção”, afirma o Ibre, citando a evolução recente da taxa de câmbio e a redução do risco-país, cenário que, se mantido, pode contribuir para estabilizar a inflação e permitir cortes mais expressivos de juros.

Botelho ressalva que, mesmo que prevaleça o cenário mais otimista, as perspectivas de curto prazo mudam pouco. O que pode mudar, diz, é a estimativa de contração da economia também em 2017. “Podemos ter reversão, mas a gente ainda não tem indicação concreta de melhora na situação econômica.”

Valor Econômico – 26/04/2016

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País deve encolher

Sem solução para a crise econômica, o encolhimento da atividade em 2016 superará o índice de 2015, prevê o mercado financeiro. Analistas ouvidos pelo Banco Central (BC) revisaram a projeção do Produto Interno Bruto (PIB) de uma queda de 3,80% — o mesmo resultado registrado no ano anterior — para 3,88%, segundo dados divulgados ontem pelo boletim Focus.

A alteração nas revisões foi a 14ª consecutiva realizada pelo mercado. Os economistas atribuem o movimento à falta de gerência do governo federal sobre a política econômica, contexto que é agravado pela ausência de apoio político no Congresso. Por conta disso, o analista Breno Brito, da BullMark Financial Group, não descarta que o quadro de aprofundamento da recessão seja mantido.

“Ainda há espaço para uma deterioração gradual, que pode chegar a um encolhimento de 4%”, sustentou. Na percepção de Brito, as atenções da presidente Dilma Rousseff e dos auxiliares estão voltadas para evitar o processo de julgamento do impeachment no Senado Federal, não havendo a mesma preocupação em promover uma política econômica que ao menos possa amenizar o tombo da atividade. “Não há sinalizações de propostas para garantir melhorias. As medidas adotadas pelo governo até agora, como reforma ministerial e outros cortes, ainda são superficiais”, avaliou.

Outras medidas, como o estímulo ao crédito e o aumento de tributos ou a incorporação de novos, como a volta da CPMF, são ineficientes diante da própria conjuntura, analisa Brito. “O incremento de impostos vai levar famílias a reduzirem os gastos e empresas a frearem os investimentos, gerando mais desemprego, menos confiança e apetite para o consumo. O que o governo deve fazer é enxugar as despesas, sinalizando o compromisso de um ajuste sério nas contas públicas aos agentes econômicos”, acrescentou.

Confiança

No boletim divulgado ontem, os analistas projetaram uma inflação menor para este ano, mas à custa do arrefecimento da economia. Com menos pessoas empregadas com carteira assinada, a massa de rendimentos encolhe e, consequentemente, reduz o consumo. Com isso, a previsão para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de uma alta de 7,08% para 6,98% neste ano.

Em um contexto de desaceleração dos preços, os agentes também mudaram as previsões para a taxa básica de juros (Selic). No entendimento do mercado, com os preços pressionando menos o custo de vida, a política monetária pode afrouxar a taxa referencial. A expectativa é de que ceda e, no fim de 2016, esteja em 13,25%. Na última previsão era esperada uma Selic de 13,38%, em dezembro.

Correio Braziliense – 26/04/2016

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Luz deve subir até 13%

Os aumentos nas faturas de energia devem ficar entre 7% e 13% este ano. Parte dos reajustes deve ocorrer porque o Ministério das Minas e Energia (MME) publicou portaria autorizando as indenizações às companhias de transmissão que anteciparam as concessões, mas também porque estipulou a correção dos valores pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O pagamento vai pesar no bolso do consumidor, pois será repassado às tarifas.

O imbróglio das indenizações foi provocado pela mudança no marco regulatório em 2013. Na época, para conseguir renovar as concessões, o governo prometeu indenizá-las por investimentos feitos e ainda não amortizados. Apenas a Eletrobras tem R$ 18,5 bilhões a receber, sendo R$ 9 bilhões para Furnas e R$ 1 bilhão para Eletrosul, já homologados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), e R$ 8,5 bilhões não autorizados para Chesf e Eletronorte. O órgão regulador homologou o pagamento de R$ 3,9 bilhões para a companhia privada Cteep. Cemig, CEEE-GT, Copel e Celg aguardam decisão.

Na opinião de Alexei Vivan, presidente da Associação Brasileira das Companhias de Energia (ABCE), como a proposta é estender o pagamento por oito anos, o impacto na tarifa será diluído. “A decisão não agradou às empresas. Faz três anos que esperam receber. O valor foi aquém do estimado e ainda será pago em oito anos”, disse. As transmissoras vão repassar para as distribuidoras, que, por sua vez, reajustam as tarifas aos consumidores em suas revisões anuais, explicou.

Para o gerente de regulação da Safira Energia, Fabio Cúberos, a pressão da indenização não será grande, sobretudo para um setor que, no ano passado, teve reajustes muito mais pesados. “A revisão tarifária tem vários componentes. A indenização é apenas um e terá impacto diluído. No entanto, a compra de energia reajustada pelo IPCA, autorizada na mesma portaria, vai pesar”, afirmou.

Correio Braziliense – 26/04/2016

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Gastos com a folha em relação ao PIB crescem

Embora a situação econômica do país esteja em frangalhos, os gastos com pessoal aumentam a cada dia. Após leve tentativa de conter as despesas, entre 2011 e 2013, o governo voltou a expandir os desembolsos a partir de 2014. O peso da folha de salários em relação ao Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas do país) cresceu de 3,9%, para 4%, em 2015, e chegará em 4,1%, em 2016. Com os Três Poderes, em números relativos, o impacto das remunerações no Orçamento de 2015 foi de R$ 255,3 bilhões. A previsão inicial, em 2016, era de avanço para R$ 256,9 bilhões. Poderá, porém, ultrapassar os R$ 261,2 bilhões, porque, a partir de agosto, os 2,2 milhões de servidores federais, aposentados e pensionistas vão receber nos contracheques mais 5,5% de reajuste. Para 2017, o gasto com pessoal pulará para R$ 276,8 bilhões, alta de 5,9%.

A grandeza dos números chamou a atenção de economistas, principalmente porque, neste ano, o governo pediu autorização ao Congresso para um resultado negativo de R$ 96,6 bilhões e já anuncia um rombo de R$ 65 bilhões, em 2017. “O Brasil precisa fazer um encontro com a estabilidade. Essa (proposta de reajuste) não pode ser a agenda do país. O momento é de enxugar custos, de repensar a estabilidade no setor público e de priorizar a produtividade e a meritocracia”, disse Zeina Latiff, economista-chefe da XP Investimentos. Embora admita que a folha não é o principal problema do governo federal — e sim dos estados e municípios —, Zeina reforçou que a prioridade é a rigidez no Orçamento, mesmo com pressão dos servidores. “Não dá para o Estado ficar refém de chantagem”, enfatizou.

Para Jankiel Santos, economista-chefe do Haitong Banco de Investimentos, “falta um rearranjo completo na estrutura de gastos, até o governo encontrar o tamanho ideal do Estado, compatível à arrecadação que tem”. O acerto será dolorido, mas é a única receita. As transformações, no entanto, não devem ser um esforço isolado do Executivo. “Uma mudança de mentalidade, de forma que as pessoas entendam não cabe mais privilégios”, insistiu Santos. Os servidores, no entanto, não abrem mão de direitos. Prometem pressão no Congresso e campanhas de convencimento de parlamentares.

Por meio de nota, o Ministério do Planejamento informou que a folha do Poder Executivo, em 2016, é de R$ 203,3 bilhões — acréscimo de R$ 5,3 bilhões, em relação a 2015, o equivalente a 2,6% — “aí incluídos os projetos de lei enviados com os acordos firmados até dezembro de 2015, os firmados em 2016 e os que estão em aberto”. Em 2017, como nem todos os acordos estão fechados, ainda não há previsão final. “Entretanto, se todos os oito ainda em aberto tiverem o mesmo percentual, de 6,98% (em janeiro de 2017), a previsão de crescimento da folha é de 5,3%, para R$ 208,6 bilhões. Quanto ao percentual do PIB para 2017, como este valor não está definido, não podemos fornecer o cálculo.”

Impacto

O Ministério também não apontou o impacto de honorários aos advogados e bônus ao Fisco. “A fonte não é despesa de pessoal e ainda carece de regulamento”, justificou. De acordo com o Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado (Fonacate), em cálculos aproximados, 2017 fechará com gasto de pessoal de R$ 276,893 bilhões. Em nota, o Fonacate manifestou preocupação com a paralisação das votações na Câmara, porque diversas carreiras ainda “aguardam o envio ao Congresso Nacional dos projetos de lei decorrentes do longo processo de negociação salarial de 2015”.

Em alta (em % do PIB)
Despesas com o funcionalismo estão em alta e preocupam analistas

2011 4,2
2012 4,0
2013 3,9
2014 3,9
2015 4,0
2016 4,1

Fonte: Ministério do Planejamento

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Em busca de um choque de credibilidade

Entre as poucas certezas para a economia neste ano, há duas. Ao ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, resta pouco tempo na cadeira que ocupa. E as contas públicas ainda vão piorar muito antes de melhorar. No cenário mais provável para os analistas de mercado, Michel Temer assumirá a presidência da República com a missão de reverter o grave quadro de desconfiança da economia brasileira. Para isso, precisará de um ministro da Fazenda de peso, indicação que converge para dois nomes: o senador José Serra (PSDB-SP), ex-ministro do Planejamento e da Saúde, e o ex-presidente do Banco Central (BC) Henrique Meirelles. Os dois estiveram com o vice-presidente nos últimos dias. Pelo atual quadro, uma escolha fora disso seria surpresa.

“Já sabemos qual vai ser a história, mas ainda não conhecemos o ator”, resumiu o economista Fernando Barroso, responsável pela mesa de produtos estruturados da CM Capital Markets. A expectativa é de uma política econômica mais amigável ao mercado, em linha com o documento Uma ponte para o futuro, publicado no ano passado pelo PMDB e endossado por Temer. Esperam-se gastos públicos mais baixos, inflação em queda mais acentuada e juros menores, o que poderá levar à retomada do crescimento econômico. Mas há muita incerteza quanto à intensidade e ao ritmo das mudanças.

Na avaliação de Barroso, caso seja escolhido, Serra precisará “comprar credibilidade”, já que é visto como alguém que tende a decisões menos austeras. “Ele é uma incógnita. Ninguém sabe qual seria o grau de heterodoxia que teria no cargo de ministro da Fazenda”, afirmou Barroso. O temor, segundo ele, em linha com vários analistas de mercado, é que o economista faça escolhas por um caminho menos doloroso, para evitar impopularidade, resultando em prolongamento da crise. Meirelles, nomeado para o BC no início do governo Lula, não hesitou em levar a Selic a 26,5% ao ano para aplacar a inflação, que estava em dois dígitos. Depois,a taxa caiu progressivamente. Chegou, em 2009, a 8,75%.

Preferências

Para Barroso, a tendência é de que Meirelles e Serra implementem políticas muito semelhantes, mas o senador teria de vencer uma desconfiança inicial. Ele atribui ao aumento das chances de Serra parte da queda de 1,98%, ontem, da Bolsa de Valores de São Paulo. O risco país subiu pela mesma razão, acrescentou. O economista-chefe da INVX Global Partners, Eduardo Velho, também aposta em políticas semelhantes dos dois favoritos para a Fazenda, embora ressalve que “há preferência do mercado financeiro por Meirelles e da indústria por Serra”.

Segundo o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, Serra é equivocadamente visto como um economista de cunho essencialmente heterodoxo. “Na política fiscal, ele é ortodoxo. Fará um corte profundo nos gastos públicos antes de buscar reduzir as taxas de juros”, afirmou. Na avaliação de Perfeito, Serra respeitaria a autonomia do BC na política monetária. Ele acha que Meirelles também é visto de forma injusta como excessivamente ortodoxo por ter aumentado a Selic em 2010, depois de tê-la levado ao que, até então, era o nível mais baixo da história: 8,75% ano ano. “Foi um equívoco, baseado no aumento do preço do petróleo. Mas, no sistema de metas de inflação, ele dificilmente poderia ter feito outra coisa.”

Perfeito aposta em um ajuste calcado em uma grande flexibilização das despesas públicas, por meio da aprovação de uma versão ampliada da Desvinculação das Receitas da União (DRU). O mecanismo era renovado anualmente até que, dois anos atrás, o governo, já com dificuldades graves na relação com o Congresso, não conseguiu emplacar o projeto. A lei permitia liberdade para gastar 20% dos recursos sem obedecer aos critérios determinados por outros textos legais. A ideia é aprovar uma nova regra com um percentual maior de gastos livres.

Previdência

Na pior recessão em mais de um século, com queda nas receitas, o mercado tem feito estimativas crescentes para o deficit público. As mais baixas são de R$ 150 bilhões, o que equivale a 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB), mas há quem aposte em algo próximo de R$ 360 bilhões, ou 6% do PIB. Para Perfeito, a redução desse buraco vai demorar, qualquer que seja o escolhido para a Fazenda. Velho, da INVX, aposta em uma reforma da Previdência, o que seria possível a um governo com maior capacidade de negociação política.

“É o que mais importa na questão fiscal. Mesmo que o impacto seja a longo prazo, o ganho será percebido imediatamente, com recuperação da confiança”. Fontes próximas a Temer têm ventilado que, seja qual for a escolha para a Fazenda, uma das medidas para reduzir gastos será desvincular o reajuste dos benefícios previdenciários do salário mínimo.

Eduardo Velho também conta com o relançamento do programa de concessões, o que poderia atrair investimentos. E acha que tanto Meirelles quanto Serra tendem a promover privatizações de pequenas estatais, como sinal ao mercado.

Passar reformas ousadas,é o que vai determinar o sucesso do eventual governo Temer, na avaliação de Thaís Marzola, economista-chefe da Rosenberg Associados. Ela traçou o cenário “Temer pra valer”, em que a queda do PIB será de 4,3% neste ano, mas haverá crescimento de 1,5% no próximo e de 2,5% em 2018. No cenário alternativo “Temer para inglês ver”, tudo seria pior: queda de 5% neste ano e de 0,8% no próximo, com crescimento de apenas 1% em 2018. Thaís não atribuiu, ainda, chances para cada um dos dois quadros. “A tendência é que fique em algum lugar no meio do caminho”, disse.

Perfis

Nascido em Anápolis (GO), tem 70 anos. Estreou na política em 2002, como deputado federal mais votado em Goiás, pelo PSDB. Mas nem chegou a exercer o mandato, do qual abriu mão para se tornar presidente do Banco Central (BC), cargo que exerceu durante todo o governo Lula. Formado em engenharia civil pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (SP), fez pós-graduação em administração na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Entrou logo depois de formado para o BankBoston, instituição em que trabalhou durante 28 anos, chegando a presidente mundial.

Só após se aposentar no mercado financeiro Meirelles assumiu cargos públicos. Como presidente do BC, implementou uma política monetária restritiva para aplacar a inflação, que estava em dois dígitos em 2003. A Selic chegou a 26,5%. Mas caiu progressivamente até atingir 8,75% em 2009.

Em 2011, Meirelles foi nomeado pela presidente Dilma Rousseff representante da União no Conselho Público Olímpico. Ficou na função até 2014, quando se filiou ao PMDB e cogitou disputar novamente um cargo eletivo. Depois, foi para o PSD, partido ao qual atualmente é filiado. É presidente da J&F, holding que inclui as empresas JBS e Friboi.

Tem 76 anos. Nasceu em São Paulo, filho de um imigrante italiano que tinha uma banca de frutas no mercado municipal. Estudou na mesma Escola Politécnica da USP da qual Meirelles viria a ser aluno, mas não concluiu o curso. Presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), teve de deixar o país em 1964, quando os militares tomaram o poder. Só voltou ao Brasil 14 anos depois, com graduação e mestrado em economia no Chile e doutorado na área pela Universidade Cornell, nos Estados Unidos. Havia atuado também na Universidade de Princeton durante dois anos. Tornou-se professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Entre 1983 e 1986, foi secretário de Planejamento do governo Franco Montoro, então no PMDB, no qual Michel Temer ocupou a pasta da Segurança. Em seguida, foi eleito deputado federal. Em 1994, ganhou a eleição para o Senado, já pelo PSDB. Apoiou o Plano Real, mas com reservas, pois achava que eram necessárias reformas para garantir a estabilidade econômica. No governo Fernando Henrique Cardoso, foi ministro do Planejamento, e depois, da Saúde. Foi eleito prefeito de São Paulo em 2004 e governador do estado em 2006. Em 2010, disputou a Presidência com Dilma.

Fiat freia a produção

A Fiat decidiu dar férias coletivas de 10 dias úteis aos trabalhadores de três das quatro linhas de produção da fábrica em Betim, em Minas Gerais. O objetivo é ajustar a produção à baixa demanda por veículos no Brasil. A montadora esclareceu, no entanto, que a paralisação não afeta a produção do Mobi, subcompacto lançado na semana passada. Esta é a segunda vez em menos de dois meses que a montadora resolve paralisar três das quatro linhas de produção da fábrica mineira. Em março, a suspensão durou cinco dias úteis. A fábrica, a maior da montadora no mundo, tem capacidade para produzir 800 mil veículos por ano. Porém, segundo informou há duas semanas o presidente da Fiat no Brasil, Stefan Ketter, 40% dessa capacidade está ociosa.

Correio Braziliense – 26/04/2016

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Dilma faz trocas na Caixa, na Conab, na Sudeco, no Esporte e no PAC

BRASÍLIA  –  As negociações em torno da votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff no Congresso continuam provocando uma dança das cadeiras no governo federal.

O Diário Oficial da União desta terça-feira traz uma série de mudanças de cargos. Na Caixa Econômica, a presidente exonerou Rubens Rodrigues dos Santos, do PTB, do cargo de vice-presidente de Operações Corporativas.

Santos, que é funcionário de carreira da Caixa e já presidiu a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), era uma indicação do deputado Jovair Arantes (PTB-GO), que relatou o processo de impeachment contra Dilma na Câmara. A exoneração ocorre depois que 14 dos 20 deputados do PTB votaram a favor do impeachment.

O DOU de hoje também traz a nomeação de Arno Jerke Junior para a diretoria da Conab. O decreto de nomeação é assinado por Dilma e pela ministra da Agricultura, Kátia Abreu.

No Ministério da Integração Nacional, Everaldo Fernandes Benevides foi exonerado do cargo de diretor de Implementação de Programas e de Gestão de Fundos da Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco). O posto será assumido por Dirsomar Ferreira Chaves, do PT, conforme nomeação publicada nesta terça no DOU.

O troca-troca também atingiu o Ministério do Esporte. Marcos Jorge de Lima, do PRB, partido que deixou a base de Dilma e apoiou o impeachment, foi exonerado da secretaria executiva do ministério. Ele será substituído por Ricardo Leyser Gonçalves, que até então ocupava o posto de secretário nacional de Esporte de Alto Rendimento na pasta.

No Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, Márcio Luiz Vale foi nomeado para o cargo de secretário do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Valor Econômico – 26/04/2016

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Temer prevê Henrique Meirelles na Fazenda e Caixa com o PP

O desenho de composição de governo que o vice-presidente Michel Temer (PMDB) vem apresentando a aliados para o caso de o afastamento de Dilma Rousseff ser consumado prevê Henrique Meirelles na Fazenda, peemedebistas de seu núcleo mais próximo em postos-chave como a Casa Civil e o Planejamento e aliados como o PP em áreas estratégicas, como a Saúde e a Caixa Econômica.

Temer sinalizou que está disposto a ceder a Meirelles o direito de indicar o presidente do Banco Central se ele de fato assumir a Fazenda.

Na conversa que teve com o vice, no sábado (23), Meirelles disse que aceitaria o cargo desde que participasse da escolha de postos como o BC, o Ministério do Planejamento, a presidência do BNDES, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica.

Sobre os demais cargos, no entanto, o previsto é que ambos cheguem juntos a um “alinhamento”. Meirelles sinalizou que, se assumir, quer garantir a blindagem da área para evitar “traições”, caso a situação econômica se complique e seja preciso tomar medidas duras.

A preferência por Meirelles se dá porque, na avaliação do vice, ele garantiria, de imediato, recuperação de credibilidade na área econômica, criando as condições para sua equipe aprovar um ajuste fiscal gradual e, com isto, gerar um clima para a retomada de investimentos.

O nome mais citado para a Fazenda após Meirelles é o do senador tucano José Serra (PSDB-SP). Ele esteve com o vice neste domingo (24).

O nome de Serra é defendido pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e pelo ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga.

Além da Fazenda, o senador é cotado para um ministério da área social, provavelmente a Educação.

Ainda segundo apurou a reportagem, Temer pretende colocar Romero Jucá (PMDB) no Planejamento. Hoje, o senador é o principal articulador na formação da equipe de um eventual governo Temer. Outro cotado para a pasta é o presidente da Febraban, Murilo Portugal.

Os planos de Temer, segundo a Folha apurou, preveem Eliseu Padilha na Casa Civil e Moreira Franco em um ministério que concentraria temas ligados à infraestrutura. Os dois são peemedebistas com longo histórico ligado ao vice.

Temer também sinalizou a aliados que pretende manter o PP (Partido Progressista) na Integração Nacional e na Caixa Econômica. O partido também pode ficar com a Saúde –o mais cotado para assumir é o deputado Ricardo Barros (PP-PR). Para a Integração, o nome sugerido é Cacá Leão (PP-BA).

FUSÃO

Henrique Eduardo Alves, amigo de Temer, é cotado para a pasta que surgiria da fusão de Esporte com Turismo. Ele foi ministro desta última no governo Dilma, mas saiu dias antes da votação do impeachment na Câmara.

Todos já foram consultados, mas, oficialmente, Temer só fará convites depois da votação do impeachment pelo Senado, prevista para meados de maio.

Ele já avisou, porém, que irá fechar os principais nomes nos bastidores já nos próximos dias, principalmente os da área econômica, para que fechem em conjunto as primeiras medidas.

CRISE

Antes mesmo de assumir, a equipe do vice enfrentou sua primeira crise. No domingo (24), o chefe da equipe de comunicação, Márcio Freitas, pediu para deixar o posto.

Assessor do peemedebista desde o período em que ele foi presidente da Câmara, Freitas colocou o cargo à disposição depois de não ser consultado sobre entrevistas de Temer com a imprensa internacional.

Freitas não foi avisado que o vice falaria nesta segunda-feira (25) com a CNN. A entrevista foi agendada pelo consultor Denis Rosenfield, professor universitário e articulista de jornais.

Chamado inicialmente para elaborar os discursos de Michel Temer, Rosenfield acabou marcando também entrevistas que o peemedebista concedeu na semana passada a veículos estrangeiros, como o “The Wall Street Journal”.

Segundo assessores do vice, a expectativa era que a crise fosse revertida e o assessor, mantido.

Folha de S.Paulo – 26/04/2016

Redação On abril - 26 - 2016
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