Sindicato Nacional da Indústria de
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Sbado, 18 de Novembro de 2017






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IPCA-15 tem alta de 0,51% em abril e avança 9,34% em 12 meses

RIO  –  A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA- 15) acelerou entre março e abril, de 0,43% para 0,51%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em abril de 2015, contudo, estava em 1,07%.

Nos primeiros quatro meses do ano, a inflação acumulada corresponde a 3,32%, abaixo dos 4,61% apurados em igual período de 2015.

Em 12 meses, o IPCA-15 subiu 9,34%, inferior à taxa registrada nos 12 meses imediatamente anteriores, de 9,95%. Mesmo com a desaceleração, a taxa está bem acima do teto do intervalo da meta perseguida pelo Banco Central (BC), de 6,5%.

O IPCA -15 de abril ficou acima da estimativa média de 0,48% apurada pelo Valor Data, mas dentro do intervalo das projeções, que ia de 0,42% até 0,57%. Para o acumulado em 12 meses, os analistas esperavam alta de 9,32%.

O indicador é uma prévia do IPCA , que baliza o sistema de metas de inflação. O que muda entre os dois índices é o período de coleta de preços e a abrangência geográfica.

Ao detalhar o cenário da inflação em abril, o IBGE informou que, no IPCA -15,  o principal impacto individual, de 0,09 ponto percentual, ficou com frutas, com alta de 8,52%. Isso levou o grupo Alimentação e bebidas, com aumento de 1,35% no mês, a responder por 67% do total do indicador em abril. Em março, a inflação dos alimentos foi de 0,77%.

Além das frutas, outros alimentos ficaram mais caros de um mês para o outro, sobretudo o açaí (11,80%), cenoura (8,77%), leite (5,76%), hortaliças (5,02%), batata-inglesa (4,80%) e feijão-carioca (4,19%). Por outro lado, ficaram mais baratos o tomate (-8,63%) e a cebola (-3,35%).

Das nove classes de despesa pesquisadas, o IBGE detalhou que, além de alimentação, mais duas mostraram aceleração de preços de março para abril – Vestuário (de 0,44% para 0,49%) e Saúde e cuidados pessoais (de 0,70% para 1,32%).

Além disso, o IBGE apurou enfraquecimento de deflação em Habitação (-0,52% para -0,41%) no mesmo período, por causa da energia elétrica, que caiu 2,86% e foi o maior impacto de baixa (0,11 ponto) no IPCA-15.

As outras classes de despesa mostraram desaceleração – Artigos de residência (0,88% para 0,28%), Transportes (0,45% para 0,18%), Despesas pessoais (0,70% para 0,36%) e Educação (0,67% para 0,15%). Em Comunicação, houve um aprofundamento no ritmo de queda, de 0,51% para 0,96%.

Valor Econômico – 20/04/2016

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Remédios sobem e economistas preveem alta da prévia do IPCA

Depois de surpresas favoráveis ao longo de março, economistas avaliam que a inflação voltou a acelerar na primeira quinzena de abril, principalmente por causa da resistência dos preços de alimentos e bebidas e do reajuste concedido aos medicamentos no período. Segundo a estimativa média de 20 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) subiu 0,48% neste mês, após alta de 0,43% no IPCA-15 de março.

As projeções para a prévia da inflação oficial, a ser divulgada hoje pelo IBGE, vão de aumento de 0,42% até 0,57%. No acumulado em 12 meses, porém, a expectativa é de continuidade da desaceleração do IPCA-15, de 9,95% em março para 9,32% nesta leitura.

Segundo Luis Otávio de Souza Leal, economista-chefe do Banco ABC Brasil, o que deve levar o índice de preços a acelerar para 0,48% nesta primeira quinzena do mês são, novamente, os alimentos. “Ao contrário do que se esperava, a alimentação ainda não está cedendo”, diz ele.

Em suas contas, esse grupo avançou 1,1% no IPCA-15 de abril, depois de ter marcado alta de 0,77% na prévia de março. Para Leal, é difícil argumentar que essa aceleração tenha relação com fatores climáticos, já que abril foi um mês bem mais seco. “Pode ser algo relacionado ao repasse de custos, por exemplo. A tendência é que nos próximos meses os alimentos comecem a desacelerar, a questão é quando e quanto”, comenta.

Outro grupo que deve pressionar o IPCA-15 é saúde e cuidados pessoais, devido ao reajuste de até 12,5% dos medicamentos. Segundo Márcio Milan, da Tendências Consultoria, esse deve ter sido o principal fator a explicar a aceleração do índice de preços na passagem mensal. O economista estima alta de 0,55% do IPCA-15 neste mês.

Em suas contas, o grupo saúde e cuidados pessoais deve passar de alta de 0,7% no IPCA-15 do mês passado para um aumento de 1,3% agora. “Esses são os primeiros impactos do reajuste dos remédios, que foi um pouco maior do que se antecipava e cujos efeitos devem se estender até meados de maio”, diz.

Nas contas do Itaú, o grupo saúde deve responder por 0,13 ponto percentual da alta de 0,48% projetada para o IPCA-15 no período. O impacto só será inferior ao dos alimentos e bebidas, que devem responder por 0,26 ponto percentual da variação mensal do indicador.

Para Leal, do ABC Brasil, a inflação só não vai acelerar mais por causa da redução dos preços de energia elétrica e de comunicação. No primeiro caso, a mudança para bandeira verde em abril, que zera a cobrança adicional na conta de luz em vigor desde o início do ano passado, deve contribuir para manter o grupo habitação em deflação.

Já a redução de 22% nas tarifas de ligação da telefonia fixa para móvel, que já levaram o grupo comunicação a recuar 0,51% na prévia de março, devem manter o grupo em baixa. Nos cálculos de Milan, da Tendências, o grupo deve recuar 1% nesta leitura.

Como os efeitos dos reajustes de medicamentos devem ganhar força ao longo do mês, enquanto se dissipam os impactos dessa queda de tarifa, o mais provável é que o IPCA acelere mais um pouco até o fim de abril, mas dentro da sazonalidade, diz Milan. “O que era anormal eram as taxas observadas no início do ano”, afirma.

Para Leal, apesar das pressões recentes, é provável que a inflação continue a perder força no acumulado em 12 meses. Nesta leitura, diz, o índice deve desacelerar para 9,3%. Até o fim do ano, afirma, a inflação deve cair mais 2 pontos percentuais, com viés de baixa, para 7,3%. Apesar da projeção acima da média do mercado, Leal sugere cautela. “Prefiro esperar para ver como vai se comportar o câmbio e qual vai ser a intensidade da desaceleração dos alimentos”, diz.

Valor Econômico – 20/04/2016

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Cai intenção de consumo de eletrônicos, carro e casa

A intenção de consumo de eletrônicos, carro e casa caiu pela metade em um ano, mostrou nesta terça-feira, 19, uma pesquisa divulgada pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP). A queda se deve ao aumento do desemprego e à redução da renda média do consumidor, avalia o diretor do Instituto de Economia da ACSP, Marcel Solimeo. Segundo o levantamento, a parcela de pessoas que se diziam à vontade para comprar eletroeletrônicos recuou de 31% em março do ano passado para 16% em março de 2016. O percentual dos dispostos a adquirir carros e casa caiu de 23% para 10% na mesma comparação.

“Esses bens de maior valor estão relacionados com compras a prazo e a incerteza é paralisante para o consumidor”, comentou. A taxa de desocupação nas seis maiores regiões metropolitanas do país atingiu 8,2% em fevereiro, segundo o IBGE. Já o rendimento médio do trabalhador caiu 1,7% ante janeiro e 7,5% em relação ao mesmo período de 2015. Os juros altos e o acesso ao crédito mais dificultado são outros fatores determinantes para o resultado, segundo o diretor.

Para Solimeo, o otimismo no consumo será retomado apenas com a queda nos juros.

“Vai depender do cenário político. Em um mês ou um mês e meio, definido o panorama da governabilidade, melhora a expectativa, embora não haja melhora nos fatos concretos”, declarou. Ele acredita que, havendo uma definição em relação ao impeachment da presidente Dilma Rousseff, é possível melhora no cenário a partir de 2017. “O processo de aceleração vai ser lento” completa.

As medidas necessárias para a retomada no otimismo do consumidor, na avaliação de Solimeo, envolvem o ajuste fiscal no governo, de maneira que as receitas passem a ser superiores às despesas. “O juro não pode cair com as finanças desse jeito. A queda de juros será um reflexo do ajuste fiscal, mesmo que gradativo”, pontua.

O levantamento da ACSP mostra também que, no mês passado, 34% dos brasileiros achavam que a situação financeira própria iria piorar nos meses seguintes. Em março de 2015, o porcentual estava em 18%. No mesmo período, subiu de 35% para 57% a parcela daqueles que estão inseguros a respeito de seus empregos.

A pesquisa foi encomendada pela ACSP e realizada pelo Instituto Ipsos entre os dias 13 e 30 de março. Foram entrevistadas 1,2 mil pessoas em 72 municípios do país. A margem de erro da pesquisa é de três pontos, informou a associação.

O Estado de S.Paulo – 20/04/2016

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Armínio diz a Temer que crise é mais ‘dramática’ do que aparenta

O vice-presidente Michel Temer ouviu, em jantar na segunda-feira em São Paulo com o senador Aécio Neves e Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, que a situação da economia brasileira é “dramática” e que a gravidade da situação está, de certa forma, camuflada, nas últimas semanas, pelo impacto da melhora do mercado internacional e pela perspectiva do impeachment da presidente Dilma Rousseff.

O Tesouro Nacional está quebrado, a grande maioria dos Estados está quebrada, a situação da Petrobras é delicadíssima e dos bancos federais, sobretudo Caixa, também. Dificilmente a Petrobras escapará de uma capitalização, apesar da União também estar em situação financeira lamentável.

Isso coloca para o eventual futuro presidente da República grandes desafios que começam pela formação de uma boa equipe econômica e pela definição de uma tática para conduzir as reformas necessárias. De dez propostas de reformas que são consenso entre os economistas, Temer deve escolher umas três ou quatro de efeitos mais imediatos para enviar ao Congresso nos primeiros dias de sua eventual gestão.

Armínio não deve participar do provável novo governo e isso ficou claro na conversa durante o jantar. Temer já sabia das dificuldades do ex-presidente do BC em aceitar o convite para o Ministério da Fazenda. Interlocutores muito próximos ao vice-presidente haviam feito sondagens e foram desestimulados a concretizar o convite.

Outros nomes foram mencionados para ocupar o comando da equipe econômica, como o de Murilo Portugal, atual presidente da Febraban, do senador José Serra e do ex-presidente do BC, Henrique Meirelles. São perfis totalmente distintos, cada um com suas vantagens e desvantagens. Marcos Lisboa, que trabalhou na assessoria de Antônio Palocci no Ministério da Fazenda e hoje está no Insper, seria uma quarta possibilidade, mas já avisou que não aceitaria.

Portugal foi secretário do Tesouro Nacional no governo de Fernando Henrique Cardoso, secretário-executivo da Fazenda nos primeiros anos de Lula e vice-diretor gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), além de diretor do Banco Mundial. Seu nome tem o aval de Armínio e o apoio do ex-ministro da Fazenda Delfim Netto.

Serra tem o inconveniente de ser candidato natural à presidência em 2008 e Meirelles é muito identificado com o ex-presidente Lula, dizem políticos próximos ao vice-presidente.

O senador tucano pode ocupar outras pastas no eventual governo Temer, como o Ministério da Saúde ou da Infraestrutura. O primeiro, Serra mesmo vem descartando porque seria um reprise, já que foi ministro da Saúde na gestão de FHC. Fontes próximas ao senador avaliam, ainda, que em meio a uma política de forte ajuste fiscal, não haveria recursos para a pasta da Saúde suficientes para produzir uma substancial melhora nos serviços oferecidos à população.

Outro nome mencionado para a Saúde é o de Claudio Lottenberg, presidente do Hospital Israelita Albert Einstein.

Na reforma administrativa que está sendo concebida pelo PMDB para reduzir os ministérios de 31 para cerca de 20 ou até menos, as pastas ligadas à infraestrutura – portos, aviação civil, transportes e energia – seriam agregadas em uma só. Para esse cargo cita-se o nome de Serra, que é considerado também um eficiente executor.

Para o Banco Central alguns dos nomes da lista apresentada à equipe de Temer são os dos ex-diretores do BC, Ilan Goldfajn e Mário Mesquita. Luiz Fernando Figueiredo, que foi diretor de Política Monetária do BC, pode ocupar a presidência do Banco do Brasil, mas é um nome possível também para o Banco Central.

O eventual presidente, porém, não escolherá ninguém para a direção dos bancos públicos e do Banco Central sem que o ministro da Fazenda seja consultado antes. Essa é uma área que deve ser integrada e trabalhar na mesma direção, e não ser objeto de divergências como ocorreu nos últimos anos.

Temer afirmou, em breve declaração, que aguardará a decisão do Senado a respeito do impeachment da presidente Dilma Rousseff para se pronunciar. O pemedebista falou por menos de um minuto à imprensa na frente de sua casa, na zona oeste de São Paulo.

“Muito silenciosa e respeitosamente, vou aguardar a decisão do Senado Federal. O Senado Federal é que dá a última palavra sobre essa matéria, portanto seria inadequado que eu dissesse qualquer coisa antes da solução acertada pelo Senado Federal”, disse.

Ele não respondeu a perguntas sobre a eventual formação de um governo. Passou o dia em seu escritório na capital paulista recebendo aliados.

Valor Econômico – 20/04/2016

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Receita cai e União tem déficit primário em março

Sem uma retomada na economia e com dificuldades para cortar despesas, o governo federal registrou em março mais um déficit primário em suas contas, de acordo com informação de fonte credenciada da área econômica. O desempenho negativo, no entanto, foi menor do que o registrado em fevereiro, quando o déficit do governo central (Tesouro, Previdência e Banco Central) superou R$ 25 bilhões.

Em março de 2015, o resultado primário foi superavitário em R$ 1,5 bilhão. No primeiro trimestre deste ano, o governo central registrará déficit – contra superávit de R$ 4,5 bilhões no mesmo período do ano passado.

O novo rombo nas contas públicas em março está diretamente influenciado pela arrecadação de tributária. Com o país em recessão, as receitas não param de cair mesmo com a reversão de parte de desonerações tributárias e aumento de alíquotas.

No primeiro trimestre, a Receita recolheu R$ 95,779 bilhões, uma queda real de 8,19%. Apenas em março, o recuo real foi de 6,96% em março ante mesmo mês de 2015, totalizando R$ 95,779 bilhões. Tanto no mês quanto no ano o desempenho das receitas é o pior desde 2010.

Considerando apenas as receitas administradas, o recuo real foi de 6,58% em março e de 7,53% no acumulado do ano. A arrecadação de administradas atingiu R$ 94,536 bilhões no mês passado e R$ 307,343 bilhões no acumulado do ano.

Na avaliação do chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal, Claudemir Malaquias, “há perfeita aderência e convergência da arrecadação com o desempenho da economia”. Ele explicou que o fraco desempenho da atividade reduz o consumo e a produção, o que afeta a arrecadação de tributos.

Diante desse cenário, Malaquias explicou que a queda do recolhimento de tributos neste ano pode ser superior às projeções de queda do PIB do mercado, que hoje correspondem a uma retração de 3,7% a 3,8%.

Ele ressaltou ainda que o governo tomou algumas medidas para alavancar a arrecadação como, por exemplo, aumento da tributação de bebidas quentes, revogação tributária para equipamentos de informática, alta do PIS/Cofins da importação e elevação da Cide sobre combustíveis. De qualquer forma, o efeito nas iniciativas foi minimizado pelo impacto do fraco desempenho da economia.

Apesar de ter sido questionado sobre o assunto, Malaquias preferiu não fazer uma projeção do governo para o desempenho da arrecadação neste ano. Segundo ele, o próximo relatório de receitas e despesas primárias, que será divulgado no dia 22 de maio, deve ter uma nova previsão sobre a arrecadação. “O clima de incertezas impede fazer projeções de prazo mais longo. É preciso esperar para ter base mais sólida para previsões mais seguras”, afirmou o secretário.

Dados da Receita mostram que, em valores absolutos, a principal queda observada no trimestre (na comparação com um ano antes) ocorreu na arrecadação de Imposto de Renda de Pessoas Jurídicas e Contribuição Social sobre Lucro Líquido. O resultado foi influenciado pela menor arrecadação de impostos após ajustes feitos pelas empresas nos balanços de 2015 – prática que ocorre, anualmente, de janeiro a março.

A segunda baixa mais expressiva ocorreu na receita previdenciária, que caiu 5,7% no trimestre, para R$ 90,743 bilhões. Dentre os motivos para esse resultado, está a queda do nível de emprego e da massa salarial. O desempenho só não foi pior graças à reversão parcial da desoneração da folha de pagamento. Outro recuo expressivo foi registrado na arrecadação de Cofins e PIS/Pasep, reflexo da redução da venda de bens e serviços. Houve uma diminuição real de 5,97%, para R$ 65,515 bilhões.

Por outro lado, a reversão da desoneração da folha de pagamentos ajudou na arrecadação. No primeiro trimestre, o governo abriu mão de R$ 21,436 bilhões devido à desoneração ante R$ 29,585 bilhões no mesmo período de 2015. Apenas em março, a Receita deixou de arrecadar R$ 7,145 bilhões, valor menor que os R$ 9,843 bilhões do mesmo mês de 2015.

Os dados reforçam a ideia da dificuldade do governo para cumprir a meta fiscal do ano – atualmente em R$ 24 bilhões. Esse valor poderia ser revertido em um déficit de até R$ 96,65 bilhões, caso sejam utilizados os abatimentos incluídos na mesma proposta.

Valor Econômico – 20/04/2016

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Saída de Dilma do governo federal é alívio, afirma banqueiro

A iminência de saída da presidente Dilma Rousseff é um alívio e o vice Michel Temer poderá assumir em um ambiente mais favorável, com possível apoio para realizar medidas necessárias, queda de juro e atração de investimento. A avaliação é de Marco Antonio Bologna, que foi presidente da TAM e está hoje à frente do Banco Fator.

Para ele, Dilma perdeu a capacidade de atrair nomes de peso do setor privado a sua equipe econômica, mas Temer chega num momento em que “todo mundo quer contribuir”. “É quase um salvamento”, diz Bologna, que ressalta a carência de ortodoxia e pragmatismo na economia.

Folha – O mercado está aliviado? Com Dilma não se vê mais saída possível?

Marco Antonio Bologna – Há um esgotamento, um cansaço. Se não resolve o lado político, o econômico fica complicado. O impeachment leva tempo, mas pelo menos tira da frente um tema que vem deixando aquele imobilismo na tomada de decisão.

Sente-se um alívio em ver que há pelo menos o início de um rumo. Alívio é a palavra, porque fica esse vai não vai, com o governo imobilizado para tomar medidas necessárias e um ambiente ruim para negócios.

Estamos falando de uma transição que possa resgatar um pouco a normalidade.

Que melhoras vislumbram?

Um ambiente melhor na parte monetária, lembrando que a inflação já está mostrando fraqueza, pela própria debilidade de consumo.

E o mundo não está com movimento de taxa de juros para cima. Na economia americana, o Fed já mostrou que vai mais devagar. Acho que há ambiente favorável para cair juros. Qualquer um que estiver lá vai dar boas notícias na taxa de juros, o que é bom para quem deve e para quem toma dinheiro. E bom para as finanças, para reduzir endividamento total do país. Na área cambial também há um momento mais favorável.

E o problema? Onde está?

Na área fiscal. Sabe-se que o que precisa ser feito na área fiscal depende do Congresso. Entre os principais temas está a aprovação da DRU (Desvinculação de Receitas da União), que dá maior flexibilidade orçamentária. Isso precisa ser aprovado. E a CPMF, uma alternativa emergencial. A parte mais estrutural, que é mais explosiva quando você faz as projeções, é a Previdência. Além disso, precisa destravar as concessões.

Como o PIB voltará a crescer?

A exportação começa a contribuir, o superavit de balança já está dando na margem uma contribuição de PIB. Mas não é suficiente.

O mundo não está crescendo como deveria, então não dá para esperar que a volta do crescimento venha só da exportação. Faltam pontos de interesse ao investidor privado. O destravamento das concessões contribuiria para ter investimento na infraestrutura. Ter política de concessão mais amigável, não querer limitar taxa de retorno.

Ele terá apoio do Congresso?

Ele já pega um ambiente mais favorável. Vimos pela votação do impeachment na Câmara. E é um politico experiente. Além disso, há vontade do empresariado de que as coisas andem. Há um esgotamento. Muitos esperavam manifestações violentas e, no fim, foi pacífico, porque ninguém aguenta mais.

O esgotamento traz a vontade de virar a página, de andar com as medidas emergenciais e sinalizar a quem está esperando para investir.

O país continua interessante?

Sim. Mesmo reduzindo a taxa de juros, ainda tem juro real e um câmbio interessante para investidor estrangeiro. Há coisas que ainda estão com boa relação de preço e retorno. Uma pequena volta do investimento estrangeiro já significa muito dinheiro.

O choque de confiança dura quanto tempo?

Não sei se é choque de confiança, é um destravamento mesmo. Vai depender de como as coisas acontecerão. Vamos ter volatilidade, porque há o imponderável, mas do ponto de vista da virada de página política está claro que agora está começando. Só vai se concretizar nas eleições de 2018, mas isso já distensiona.

Ele vai conseguir atrair bons nomes à equipe econômica?

Sim. Está claro que não queremos nada heterodoxo. Vai atrair nomes que mostrem ortodoxia, objetividade, sem soluções jabuticaba, que não aguentamos mais. Até pelo ambiente atual, todo mundo quer contribuir para melhorar.

Ela já estava esgotada e já não tinha capacidade de atrair quem não fosse muito próximo. Mas aquele que chega vem num momento em que há vontade de fazer algo pelo país. É quase um salvamento. O ideal é que fosse um nome alinhado às boas práticas internacionais. Veja a Argentina: continua com problemas estruturais, mas mudou a percepção do risco e o dinheiro voltou a fluir.


Raio-x Marco A. Bologna
Carreira
Presidente do Banco Fator e do conselho da TAM/SA

Trajetória
Antes de ser presidente da TAM, atuou no mercado financeiro em bancos como Inter American Express.

Grupo Fator/2015
Patrimônio consolidado: R$ 345 milhões

Gestão de ativos: R$ 3,8 bilhões

Gestão de private: R$ 3,5 bilhões

Funcionários: 250

Folha de S.Paulo – 20/04/2016

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Cenário político pode renovar fôlego de bônus brasileiro

Os títulos de dívida corporativos brasileiros têm espaço para uma valorização adicional, apesar do rali recente, avaliam executivos de bancos que atuam no mercado de dívida. No pano de fundo, estão uma maior clareza no cenário político e a perspectiva de uma agenda macroeconômica mais positiva, além do ambiente global mais favorável.

Desde meados de fevereiro, afirma Jean-Pierre Cote Gil, responsável pela gestão de fundos de crédito na Western Asset, os spreads pagos por bônus de empresas e bancos brasileiros em relação aos títulos do Tesouro americano saíram de mais de mil pontos-base para cerca de 750 pontos-base, enquanto o spread para a média dos emergentes passou de 500 pontos a 420 pontos-base, segundo o Cembi, índice do J.P. Morgan de bônus corporativos de emergentes.

A diferença, que saiu de 500 pontos em fevereiro para os atuais 330 pontos, diz Cote Gil, pode continuar diminuindo, se houver uma sinalização de que o país caminha na direção das reformas de que precisa. O executivo pondera, no entanto, que essa lacuna não deve ser totalmente eliminada, nem chegar aos níveis a que os títulos brasileiros costumavam negociar, com spread de 50 pontos-base para cima ou para baixo, pelo fato de o país ter perdido o grau de investimento, limitando o avanço de emissores corporativos.

Gil destaca ainda que uma parte importante do fluxo que migrou para os ativos brasileiros é dinheiro tático. “Os investidores de longo prazo ainda devem vir”, disse, em evento sobre emissores e investidores promovido pela LatinFinance ontem, em São Paulo.

Hans Lin, diretor do banco de investimentos do Bank of America Merrill Lynch (BofA), também vê espaço para os títulos brasileiros continuarem se valorizando. No rali recente de mercados emergentes, lembra, o Brasil esteve entre os três melhores desempenhos, como reflexo da melhora da percepção do investidor em relação ao cenário político. “Hoje, o investidor está muito mais confiante com o futuro do país do que há seis meses”, disse. Mas a perspectiva, segundo ele, é de volatilidade nos próximos meses porque ainda tem muita coisa para acontecer, do julgamento do processo de impeachment no Senado a indicações para o futuro da economia.

Lin observa ainda que, mesmo em meio à crise política, as instituições no Brasil estão funcionando. “Até agora tudo está acontecendo de acordo com a lei. Vimos o rali porque os investidores confiam que não somos a república da banana.”

Valor Econômico – 20/04/2016

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Redação On abril - 20 - 2016
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