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Tera-feira, 21 de Novembro de 2017






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Inflação pelo IGP-M desacelera na segunda prévia de abril

SÃO PAULO  –  A inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) desacelerou para 0,30% na segunda prévia de abril, de 0,43% no mesmo período em março, informa a Fundação Getulio Vargas (FGV). Taxas menores foram registradas no atacado, no varejo e também na construção civil. O indicador serve de referência para o reajuste de contratos, como os de aluguel.

No atacado, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) cedeu de 0,39% para 0,29% no período. O IPA de preços agropecuários subiu 1,08%, taxa menor que a de 1,55% registrada em março. Já o IPA de produtos industriais registrou uma deflação menor, passando de queda de 0,09% para recuo de 0,04%.

Na separação por estágios de produção, a inflação dos bens finais cedeu de 1,38% para 0,23% entre a segunda prévia de março e a de abril, influenciada pelos alimentos in natura (de 8,32% para 1,77%). Os bens intermediários saíram de queda de 0,90% em março, para recuo de 0,84% em abril, com combustíveis e lubrificantes para a produção passando de queda 2,07% para recuo de 0,38%.

Já o índice referente às matérias-primas brutas acelerou a 1,73%, de 0,76%, puxado por soja em grão (-5,39% para -2,25%), minério de ferro (2,76% para 8,18%) e milho em grão (2,62% para 6,84%).

No varejo, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) cedeu de 0,53% para 0,34%, com seis de suas oito classes de despesas registrando taxas menores. A principal contribuição partiu do grupo despesas diversas (2,03% para 0,10%), em que cigarros saiu de alta de 4,20% para queda de 0,07%. Transportes (0,65% para 0,38%), comunicação (1,04% para 0,10%), habitação (0,02% para -0,15%), alimentação (0,81% para 0,68%) e vestuário (0,62% para 0,12%) também cederam, puxados, respectivamente, por etanol (4,34% para -0,03%), tarifa de telefone móvel (2,06% para 0,64%), empregados domésticos (0,98% para 0,13%), frutas (6,55% para 4,02%) e roupas (0,83% para 0,53%).

Em contrapartida, saúde e cuidados pessoais (0,69% para 1,03%) e educação, leitura e recreação (-0,14% para 0,03%) subiram, influenciados, respectivamente, por medicamentos em geral (0,31% para 1,84%) e passagem aérea (-11,08% para 5,42%).

Por fim, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) subiu 0,26% na segunda prévia de abril, menos que o 0,50% da segunda prévia de março. O item Materiais, equipamentos e serviços registrou variação de 0,20%. No mês anterior, a taxa foi de 0,30%. O índice que representa o custo da mão de obra subiu 0,31%. No mês anterior, este índice variou 0,67%.

Valor Econômico – 18/04/2016

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Para BC, fim do impasse político permite reação rápida da economia

A votação do impeachment não altera a estratégia de curto prazo do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, mas é vista por membros do colegiado como um importante passo para reduzir o nível de incerteza que atrapalha do trabalho desinflacionário e a retomada do crescimento da economia.

Nos últimos dias, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, e o diretor de Assuntos internacionais da instituição, Tony Volpon, destacaram que o processo de ajuste da economia estaria mais avançado se não fosse a incerteza política, em conversas com investidores estrangeiros durante a reunião de primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, em Washington.

Volpon disse que a superação das incertezas políticas poderia levar a uma rápida e surpreendente recuperação da economia, já que os ajustes externo e monetário estão bem avançados.

Um dirigente do Banco Central lembra que, do lado da inflação, a indexação de preços e a inércia são comportamentos defensivos de quem não enxerga horizonte temporal para seu planejamento – ou seja, está inseguro sobre qual vai ser o futuro da política econômica.

Na reta final das discussões do impeachment, o BC viu uma piora no quadro fiscal, do ponto de vista da condução da política monetária. Uma boa parte dessa deterioração deve-se à resposta do governo à evolução desfavorável do quadro político. Em fins de março, o BC já incorporou à sua linguagem verbal a mensagem de que a política fiscal entrou no terreno expansionista.

Nas últimas semanas, também se acirraram as pressões do governo para o Banco Central flexibilizar requerimentos prudenciais de capital das regras de Basileia para permitir um impulso ao crédito. O BC tem resistido.

Um diagnóstico dentro do BC é que, em parte, a recente melhora do cenário inflacionário se deve sobretudo à valorização da taxa de câmbio, embora a recessão seja a principal força para conter os preços da economia.

A ala mais otimista do Copom acreditava no começo do ano que o dólar pudesse cair, mas a sua aposta era que o grande indutor da cotação da moeda americana fosse uma alta mais lenta de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA).

Hoje, até esses mais otimistas reconhecem que o que mexeu com a taxa de câmbio foi sobretudo o cenário político interno, refletindo as chances de um impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Dentro do Copom, porém, que se reúne dentro de dez dias para decidir a taxa básica de juros, a visão predominante é que, embora o dólar ajude no combate da inflação, ainda estamos muito distantes do ponto ideal – por isso não haveria espaço ainda para o corte da taxa de juros.

Num cenário positivo, a inflação corrente efetivamente medida seguiria tendência de queda nos próximos meses. Nesta semana, será divulgado o IPCA-15 de abril, que deve confirmar a continuidade da tendência de queda da inflação em 12 meses. O mercado de dólar seguiria com menos pressão. Juntos, esses dois fatores contribuiriam para ancorar as expectativas e fortalecer o cenário de inflação abaixo do teto deste ano, de 6,5%, e convergindo para a meta em 2017, de 4,5%.

A cotação do dólar, a ser definida hoje na abertura dos mercados, pode favorecer esse processo. Mas não será uma bala de prata, nem permitirá mudar a direção da política monetária no curto prazo. Para os atuais membros do Copom, que fizeram o trabalho pesado de subir a taxa de juros desde 2013 e conduziram o processo de ajuste externo, é fundamental deixar como legado o controle da inflação.

Valor Econômico – 18/04/2016

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Retomada da economia dependerá do Congresso

O país deve ensaiar uma retomada do crescimento com o afastamento da presidente Dilma Rousseff do governo, mas Michel Temer não terá uma tarefa fácil pela frente. Para os especialistas, quando o vice assumir o Planalto, precisará aproveitar o apoio do Congresso para aprovar as medidas de ajuste fiscal e austeridade, que são impopulares, mas necessárias para recolocar o Brasil no caminho do crescimento econômico.

Ainda assim, os indicadores econômicos vão demorar a reagir, conforme os economistas. A inflação não chegará ao centro da meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 4,5%, antes do fim de 2017 e os juros só voltarão a cair no segundo semestre deste ano. O mercado, sim, deve abrir hoje em êxtase, com dólar em queda e Bolsa de Valores em alta.

Apesar de ser apenas um governo de transição, Temer terá que estipular um limite de gastos e melhorar o ambiente econômico para emplacar as concessões, atraindo investidores. O Estado não tem condições de bancar os investimentos necessários em infraestrutura em função da deterioração das contas públicas. Fazer o Produto Interno Bruto (PIB) voltar a crescer, contudo, será o maior desafio.

O professor da Fundação Instituto de Administração (FIA) Alexandre Cabral acredita que a primeira coisa que Michel Temer precisa fazer, na tentativa de reverter o quadro, é anunciar uma equipe econômica aprovada pelo mercado financeiro. “Há nomes como os de Armínio Fraga, Henrique Meirelles, Tony Volpon, Mônica de Bolle, que são bem aceitos. Com isso, o empresariado vai junto”, destacou. Para ele, o vice terá o Congresso na mão no início do governo. “Vai ter que agir como Mauricio Macri (presidente da Argentina) e, no primeiro discurso, apresentar as medidas de ajuste e reformas como a previdenciária, para aprová-las”, afirmou.

A carestia já está cedendo, ressaltou o professor. “Com a confiança recuperada, a pressão sobre a inflação cairá. E, no segundo semestre, haverá espaço para uma queda de juros, que poderão ficar entre 11% e 12% ao ano”, estimou. “Agora, o estrago no PIB foi muito grande. O FMI diz que vai cair 3,8% este ano. Sem Dilma, o recuo pode ser de 3,4% ou 3%, mas a queda só será zerada em 2017”, apostou.

No entender do professor de finanças do Ibmec/DF José Kobori, a inflação vai continuar a ceder. Para o especialista, o mercado precificou a queda quando Temer divulgou uma carta com ideias liberais para a economia. “Com aumento de oferta, não haverá espaço para reajuste de preços, o que derrubará a carestia”, previu.

Para isso, no entanto, o professor do Ibmec ressaltou que será preciso Michel Temer emplacar medidas impopulares já de saída para aproveitar o apoio do Congresso. “Se houver coragem para aprovar logo as reformas trabalhista e da Previdência, ele criará um ambiente econômico mais favorável. Se deixar para depois, vai perder popularidade”, projetou.

Euforia

A euforia do mercado começou desde que o impeachment se tornou palpável. Com a aprovação do processo, ontem, a tendência é que continue, com valorização do real frente ao dólar e também dos ativos brasileiros, com alta da Bolsa de Valores de São Paulo. A expectativa é de João Júnior, chefe da mesa de renda da ICap Brasil. “O investidor estrangeiro quer regras claras. Se o novo governo mostrar que não promoverá mudanças no meio do jogo, o país vai se tornar muito atrativo porque os juros estão altos. O Brasil pode se tornar a bola da vez para o mercado de capitais”, projetou.

Conforme Júnior, se o governo tiver uma equipe econômica de confiança, o cenário poderá ser de dólar cotado a R$ 3,20 até R$ 3,10. Mesmo que o BC faça intervenções, a moeda voltará, no máximo, ao patamar de R$ 3,40. “O impeachment não é a solução de muitos problemas, mas, para os investidores, basta não ter mudanças de regras. O temor do mercado existe quando há pessoas que conduzem a política voltada para o social. Um risco que não existe num governo de direita”, explicou.

Na opinião do especialista em contas públicas José Matias-Pereira, professor de Administração Pública da Universidade de Brasília (UnB), o fato mais relevante é a credibilidade. “Dentro desse contexto, o impeachment vem num momento interessante, porque há todo um conjunto de força que deseja mudança. A partir da chegada de um novo governo, é possível alavancar a situação de letargia e passar a organizar a economia para a retomada”, disse.

Matias-Pereira admitiu, contudo, que isso não é tarefa fácil. “Depende do novo governante ter capacidade de aglutinar forças políticas e delas serem favoráveis. Se isso ocorrer, teremos uma luz no fim do túnel”, estimou. Ele assinalou, no entanto, que é preciso que se estabeleça, na gestão pública, a meritocracia e, consequentemente, a transparência”, afirmou.

Para o especialista, Temer terá que atuar, de saída, no controle das contas públicas. “Ele precisa dar uma atenção à LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) que está sendo encaminhada. A desorganização chegou a tal ponto que parece que o Brasil foi arrasado por uma guerra”, ressaltou.

Correio Braziliense – 18/04/2016

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Commodities em queda e crise interna desafiam múltis brasileiras

A atividade das principais multinacionais brasileiras deve sofrer encolhimento este ano, a exemplo do que provavelmente já ocorreu em 2015. Concentradas em commodities e com participação acionária importante do governo, essas empresas são vítimas da conjuntura desfavorável para os produtos básicos no mercado global e da profunda crise do Estado, pondera o economista Hsia Hua Sheng, professor da Fundação Getúlio Vargas. O ranking das multinacionais brasileiras elaborado pela FGV em parceria com a Columbia University mostra que as 20 maiores detinham US$ 120,67 bilhões em ativos no exterior em 2014 – ano base do ranking – redução de 10,2% sobre 2013.

Para Sheng, coordenador do ranking, o que mais chama a atenção é a presença do Estado no capital das empresas. Das 20 primeiras, apenas seis não têm participação acionária estatal – direta ou indireta, via fundos de pensão de empresas e órgãos públicos.

A participação do Estado é uma característica bem brasileira. Na América Latina, com exceção da estatista Venezuela, apenas a Colômbia tem algo parecido, diz Sheng. Para o coordenador, isso não é de todo ruim. O governo ajuda a melhorar a oferta de crédito e ainda pode oferecer apoio técnico e diplomático.

“Isso eu considero ponto positivo, com forte apoio financeiro”, diz Sheng. “Nosso mercado de capitais não é tão robusto quanto o americano. Então, o governo ajuda as empresas a crescer rapidamente e ter uma presença global, principalmente na área de commodities, que precisa de muito financiamento e de capital intensivo.”

O problema, diz o economista, é que a situação persiste além do desejável. “O governo ajuda a empresa no início, mas depois de um tempo, quando ela se torna maior, ele deveria sair e deixá-la caminhar sozinha”, comenta.

Um dos problemas das múltis brasileiras em 2015 e 2016 é justamente o enfraquecimento financeiro do governo. “Este ano elas vão ser forçadas a reduzir suas atividades, porque o governo não tem dinheiro, mas na verdade o governo deveria retirar suas participações.”

O economista considera inevitável o desinvestimento este ano. “Várias múltis estão se desfazendo de ativos lá fora”, comenta. Também deve ocorrer uma mudança de filosofia. Na época do capital abundante, principalmente no boom das commodities, as empresas brasileiras simplesmente faziam aquisições. Agora estão sendo obrigadas a formar parcerias e joint ventures com empresas estrangeiras.

“Muitas empresas poderiam tocar esses negócios sozinhas, mas é melhor dividir, vender participações e usar o dinheiro como capital de giro, reduzindo um pouco a dívida para se manterem saudáveis”, comenta. Para ele, o desafio de quem trabalha com commodities durante esse período de crise é se manter saudável. “Todas as empresas estão fazendo reestruturação de dívida por precaução ou por necessidade.”

Também deve ocorrer uma busca maior por financiamento internacional. “Faltam recursos no Brasil e o capital é caro em um mundo com vários países trabalhando com juro negativo.”

Outra característica marcante é a participação importante na produção de commodities agrícolas e minerais. Das dez maiores, apenas três não atendem a essa característica.

A concentração em commodities não chega a ser prejudicial. Até porque o Brasil possui vantagens competitivas importantes, principalmente na produção de carnes – do quarto ao sétimo lugar do ranking, as quatro empresas atuam nesse segmento. “Mas só commodities é insuficiente. É insustentável. Falta é atuação outros setores”, afirma Sheng. “O México também tem commodity. Petróleo, minério não-ferroso. Só que ele não desenvolveram só isso. Tem a Femsa [bebidas], tem América Móvil [tecnologia], Bimbo [alimentos industrializados]. É mais diversificado por setor.”

Na opinião do coordenador, os frigoríficos brasileiros poderiam agregar valor. “O Brasil hoje não exporta marca, exporta in natura.” Segundo ele, iniciativas como a da BR Foods (5ª do ranking) e JBS (4ª) de trabalhar no mercado internacional com marca própria são raras e incipientes. “BR Foods tem aumentado muito a sua presença na região do Sudeste Asiático, fazendo joint ventures, comprando marcas locais. Eles estão construindo e diversificando marca. É muito importante, mas não enxergo isso, ainda, como diversificação importante de produtos”, diz.

Segundo ele, boa parte da preferência por commodities em vez de produtos de maior valor agregado reside na estrutura tributária brasileira, que diminui a margem e tira a competitividade do produto mais industrializado. Fora isso, comenta, “a empresa brasileira é tão competitiva em termos de mão de obra e de qualificação quanto qualquer empresa do mundo”.

A vantagem em relação a outros rankings, comenta Sheng, é a possibilidade de comparar o desempenho das multinacionais brasileiras com as de outros países. Nesse primeiro levantamento, a comparação é com o México. Para o próximo, o coordenador da pesquisa espera poder incluir outros países de economia similar à do Brasil, principalmente a Índia. A inclusão da China não deve ocorrer por enquanto. Faltam informações sobre as empresas chinesas.

Para o coordenador, salta aos olhos uma vantagem competitiva importante das múltis brasileiras. Ao contrário das mexicanas, restritas aos Estados Unidos e América Latina, as brasileiras espalham-se por todo o mundo.

De acordo com Sheng, a pesquisa mostra que várias empresas para exportar buscam instalar uma filial fora do país para criar uma plataforma de exportação a partir de um outro país.

Um problema claro do ranking da FGV foi a necessidade de trabalhar apenas com empresas de capital aberto. Isso deixou de fora do ranking empresas importantes como Odebrecht, Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e Votorantim. No caso das construtoras, as investigações da operação Lava-Jato retiraram quaisquer possibilidades da divulgação de resultados. As empresas também não se dispuseram a falar na pesquisa. Segundo Sheng, os pesquisadores de Columbia que fazem a interface com a FGV chegaram a questionar a ausência de algumas companhias no ranking. Tanto que o texto em inglês distribuído pela FGV e aprovado por Columbia tem uma longa nota explicativa sobre o que é a Lava-Jato.

Também ficou de fora a Ambev. A pesquisa considerou que não se trata mais de uma múlti brasileira, mas de uma empresa global, com mais de uma sede.

Valor Econômico – 18/04/2016

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FMI vê Brasil como risco para economia global

O Fundo Monetário Internacional (FMI) apontou pela primeira vez, em sua reunião de primavera, a situação do Brasil como fator de risco para economia mundial.

No encontro concluído ontem, o país foi identificado, ao lado da Rússia, como um dos países de pior desempenho econômico no mundo. “O panorama para o Brasil e a Rússia permanece incerto, e possíveis atrasos na retomada de condições normais podem mais uma vez empurrar o crescimento global para baixo das projeções atuais”, destacou o Fundo no relatório Panorama Econômico Mundial (WEO, na sigla em inglês). No documento, a instituição fez uma projeção de recuo de 3,8% no PIB do Brasil no ano e de queda de 1,8% na Rússia. Ambos respondem por 6% do PIB global, pelo critério da paridade do poder de compra. A estimativa para o Brasil é a pior entre as grandes economias globais.

Em janeiro, na atualização das projeções do relatório, as revisões para baixo da variação do PIB no Brasil já haviam sido identificadas como um dos motivos para a redução das estimativas para o crescimento global. Naquela ocasião, o Fundo cortou a projeção para 2016 de uma contração de 1% para uma queda de 3,5%. Mas, agora, foi a primeira vez em que o país foi apontado como um dos principais fatores de risco para o crescimento mundial durante uma reunião do Fundo.

A diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, qualificou a situação do Brasil como “muito preocupante” em termos de desemprego, inflação e crescimento potencial. “Nós esperamos que, qualquer que seja o caminho, a incerteza seja removida, e a política macroeconômica brasileira seja definida num terreno estável”, afirmou.

Lagarde disse ainda que a expectativa é a de que não haja variação nos objetivos fiscais do país e o ambiente econômico seja favorável aos negócios, conduzindo ao crescimento. Desde o ano passado, o Brasil alterou por diversas vezes a meta de superávit primário.

O Brasil foi mencionado negativamente em todos os relatórios do FMI durante a reunião. Mesmo diplomáticos, evitando tratar sobre as disputas políticas internas, os documentos do Fundo destacaram tecnicamente que o país aparece mal não apenas no crescimento, mas também em relação a inflação, desemprego e situação fiscal.

Um exemplo eloquente é a projeção do Fundo de que a dívida bruta brasileira atinja 92% do PIB em 2021, um nível muito elevado. Para comparar, a dívida média dos países emergentes, em 2015, ficou em 45,4% do PIB, ao passo que a do Brasil fechou o ano passado no incômodo nível de 73,7% do PIB, devendo subir ainda mais nos próximos anos, de acordo com as projeções do relatório Monitor Fiscal.

No relatório sobre estabilidade financeira global, o FMI apontou que o endividamento das empresas começa a afetar os balanços dos bancos no país. De acordo com o Fundo, o nível de endividamento das companhias brasileiras é alto, a lucratividade caiu e os gastos com juros representam uma fatia mais expressiva dos lucros antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (Ebtida, na sigla em inglês).

O diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental da instituição, o mexicano Alejandro Werner, avaliou que o Brasil está passando por uma das “mais profundas recessões de sua história” e apontou que isso está ocorrendo por uma combinação de desacertos nas políticas, fragilidades macroeconômicas e problemas políticos no país. Werner disse que a deterioração da posição fiscal, com a ausência de ajustes fortes nessa área, e a dinâmica da dívida pública, com aumento crescente, “influíram fortemente no colapso da confiança no país”. “As perspectivas começarão a ser mais promissoras apenas quando essas incertezas forem resolvidas e as questões fiscais forem abordadas”, afirmou Werner.

Segundo Krishna Srinivasan, vice-diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental, é fundamental definir um “plano de consolidação fiscal crível no médio prazo”, além de realizar medidas estruturais.

De maneira geral, o Fundo verificou que os países da América Latina estão enfrentando uma realidade mais dura do que a de poucos anos atrás por causa das dificuldades da economia mundial, como a desaceleração do crescimento chinês e os níveis mais baixos nos preços das commodities. Mas alguns países da região estão em melhores condições de enfrentar essas dificuldades do que outros.

A Argentina foi vista como um dos destaques positivos da reunião, após adotar uma agenda de reformas, que envolve a eliminação de restrições ao comércio internacional, a redução de tarifas sobre exportações, a diminuição do controle sobre o câmbio e a negociação com os credores internacionais que permite ao país voltar ao sistema financeiro internacional. Países andinos, como Chile, Peru e Colômbia, deverão registrar crescimento neste ano.

Já o Brasil padece de desequilíbrios internos e da ausência de políticas para resolvê-los num curto prazo. O FMI está revendo para baixo as projeções do PIB do país desde 2012.

Valor Econômico – 18/04/2016

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Redação On abril - 18 - 2016
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